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FERNANDO DA COSTA

TOURINHO FILHO

PROCESSO

PENAL
3
32a edição
revista e atualizada

2010

t lB I Ed54oira

IB S S a ra iw a

t

Edttsra

Saraiva

ISBH 978*85-02-02] 84-6 obra completo
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I Proccjio penal : Direito penal

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A Sheyla, Hans Marcos. Fernando Eric
e Sofia Stephanie, meus netos,
Lara Michaela Hidalgo Ostlund. bisneta
O AUTOR

s

índice
Capítulo 33
RESTITUIÇÃO DE COISAS APREENDIDAS
1..
2
3.
4.
5.

Noções gerais.,............ ................... ......................... ... ........ .......
Coisas que podem ser apreendidas................................... ............
Coisas que não podem ser apreendidas ..... .................. .... .
Restituição: objetos restituíveis, oportunidade, procedimento.....
Coisas que podem e que não podem ser restituídas, Instrumentos do crime......... .................... ............. .......... .......................
6 A apreensão na hipótese do art 19 da L.CP...............................
7. Produtos diretos e indiretos do crime ...... .......................... ......
8, Restituição feita pela Autoridade Policial......................... ........
9 Restituição feita pelo Juiz criminal...............„........ ...... ... .......
10. Direito do terceiro de boa-fe.,.................... ,........................ ....
11. Restituição de coisas facilmente deterioráveis............. ...........
12.. Coisas adquiridas com os proventos do crime...... ........ ............
13 Destino dos objetos apreendidos................................. ... ....... ....
14 Coisas apreendidas em face de contrabando ou descaminho ....
15 Destino das coisas apreendidas ou seqüestradas, quando se tratar
de tráfico de substâncias entorpecentes, de acordo com os arts
60 a 64 da Lei n. 11 343. de 23-8-2006 (nova Lei de Tóxicos)

21

23
24
25
27
29
29
31
32
33
34
34
37
39
39

Capitulo 34
DAS MEDIDAS ASSECURATÓRIAS
1 Generalidades ........................................................... ................

45

2.
3.
4.
5.
6
7.
8
9
10
11.
12,
13
14
15,
16
17,

Medidas precautórias penais------ ----- ----------.... ............ ..
Restituição, ressarcimento e reparação------------- -----------0 ofendido e as medidas assecuratórias-- ------ -- --- „--- ----0 seqüestro................... ..... .................................... ............ .
Embargos ao seqüestro............... ......... ................... ............
Levantamento do seqüestro.......,.......... .................. ... .............
Seqüestro de móveis................................ ...................... ......
Sentença penal condenatória.......... ............................. .... .
Hipoteca legal...... .......... ..... ............. ................. ............. .
Pressupostos............. .......... ........................................ .... ....
Medida preventiva. 0 arresto do bem a ser hipotecado.........
Liquidação definitiva ........ .... .................. ............ ...... .........
Absolvição...___ ____ ___ ____ ......... „,.................. ...........
Arresto de móveis.......... .... ................................ .... ............
Bens fungíveis....... ..... ........ ... ......... .... .............. — .......
Responsável civil...... .......... .................... ......... .....................

46
47
47
48
51
53
55
56
57
58
61
62
63
63
66
67

Capítulo 35
DO INCIDENTE DE FALSIDADE
l.
2..
3.
4.
5.
6
7
8
9

Origem da palavra documento.... ...».... .................. ..
Razão de ser do incidente ..... ....... .............................
Súmula do incidente... ....... ........... ...... ..... ........ ...
Procedimento .......
.... ..... ................
A remessa ao Ministério Público........................... ..
Faz coisa julgada a decisão?,
----- .---------Legitimidade............ .............. ,....................................
O Juiz poderá suscitar? ........ ..... .... ......
.......
O processo principal ficará suspenso? ....... ........ ......

69
70
71
72
73
74
74
75
76

Capítulo 36
DO INCIDENTE DE INSANIDADE MENTAL DO ACUSADO
1. O taco típico........ .................. ... .... ......................... .................
1 A aiiiijU1iui'.idade ....
.......
....
l6

77
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3.
4.
5.
6.
7..
8.
9.
10.
11.
12,.
13.
14.
15.
16.
17.

A culpabilidade...................... .... ............ .... .........................
A imputabilidade ...... ........... ....... ........... ..............................
A importância do exame............ .......... ......... ............... ........
Critérios para se aferir a inimputabilidade.......................... ...
Os menores de 18 anos.................. ............ ... .......... ............
Os amentais..........................................................-—.......... .
A embriaguez.................. .... ......... ..................... ..................
Critério biopsicológico ,.... ..... .... ..... .......... ............. ............
Comprovação da inimputabilidade.......... ............................ .
Oportunidade paia o exame que comprove a insanidade......
Legitimidade.............. ....... ........... ......... ..... ........................
Procedimento................ ......... .... ........ ...... ......................... .
Quesitos.................... ...... ... ............. ............. ............. .... ....
A doença mental antes e depois da infração...... .....................
Não vinculação do Juiz à perícia........ .... .. ........ ... ............

79
80
80
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82
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88
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Capítulo 37
DOS FATOS E ATOS PROCESSUAIS
1. Noções gerais. Fato e ato processuais............. .....
2. Os atos processuais. Conceito........... ...................... ..... ............
3, Critérios para a classificação................................. . ...................
4.. Atos das partes,.,.................. .................... ................ ..................
5,. Atos dos Juizes................... ......................... ........... ..................
6 Atos dos Auxiliares da Justiça............. ......... ........... .............. .
7. Atos de terceiros................... .......................... ........ ..................
8. Atos simples e complexos......................... ........ ..... ..................
9 Termos...... ........... ....... .................. ........ ...... ....... .......... .......
10. Audiências................. ... .... ............. ....... .... ......... ..................
11. Sessões..................................... ......... ... .......... .... .................
12.. Limites de lugar......... ............ ....... ...... .... ........... . ..................
13. Limites de forma............ ...... ........................... ...... ..................
14. Limites de tempo.................. ........................... ...... ..................
15 Prazo........ ................ .......... ... .................. ......... . ........... ......
.................
16 Preclusão... ......................... ................. .....

93
95
95
96
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100
100
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113

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17
18.
19
20.

Espécies de prazo.......... ................ .................... ..... ......... .......
Contagem dos prazos................-.... ....... ............. .... »•— ...... ---..
Fixação do diss a quo - ....
... -........ ... .......................- ......
Prazos contínuos e peremptórios .... .... .......... ...... ........... ..........

116
117
P0
124

Capítulo 38
DAS NULIDADES
1.
2
3.
4.
5
6..
7.
8.
9
10
11..
12.
13.
14
15.
16.
17
18.
Í9
20
21
22.
23
24
tn

Noções preliminares .................... ...................... .....................
Ato inexistente.......... ........ ................. ......................... ..... .......
Atos nulos e irregulares.... ......... .............. ...... ....... - ...............
0 ato inexistente, o ato nulo e a coisa julgada........... ... .... .......
A nulidade.......................... ............... .... .............. ..... .
Não há nulidade sem prejuízo,............ ...... ................................
Irrelevância do ato.................................. .... — .......................
Atos e formalidades essenciais......... .............. .........................
A classificação dos atos e das formalidades ........ ...... .......... —
A incompetência, suspeição e suborno do Juiz........................
Ilegitimidade de parte ................... ......... ...................... .........
A omissão da peca acusatória ou da representação................... .
Ausência de corpo de delito............................... ........ ..............
Ausência de Defensor e Curador...„„... ........ ........ ......... ....... .
A falta de intervenção do Ministério Público ....... ............... ...
A falta de citação do réu, do seu interrogatório, quando presen­
te, e dos prazos concedidos à Acusação e à Defesa ..... ................
A falta de pronúncia, libelo, e entrega da respectiva cópia...,........
A falta de intimação do réu para a sessão de julgamento, quan­
do não puder ser julgado à revelia....................... ..... ........ ... ....
A falta de intimação das testemunhas arroladas no libelo e na
contrariedade....................................
...................... ......
A falta de quorum para a instalação da sessão do Júri---A falta de sorteio dos jurados do Conselho de Sentença em nú­
mero legal e sua incomunicabilidade ......... ............. ................
A falta de quesitos e das respectivas respostas ......................... .
A falta de acusação e defesa na sessão de julgamento....... .......
A falta de sentença....... .................. ....... ........... ....... .... ..........

128
130
132
133
H6
137
137
138
143
143
145
146
147
148
151
153
159
160
160
162
163
164
168
171

25 Ausência cio recurso de ofício, nos casos em que a lei o tenha
estabelecido........*......... -.. ... ............ .................. .......... ...— ...
171
26.. A falta de intimação, nas condições estabelecidas na lei, para
ciência de sentenças e despachos de que caiba recurso.......... ...
172
27.. A falta de quorum nos julgamentos levados a cabo pelo STF e
Tribunais de Justiça ........ ............... ..... ...... ......... ................. ....
175
28- Nuiidades absolutas e relativas no CPP.,................................. .
175
29.. Momento para a arguição da nuiidade..... .................................................................
30, Poderá o Juiz, sem provocação, conhecer da nuiidade?...... ...... ... 181
181
31 Quem pode arguir a nuiidade?............. .................. .......... ........
32. Modos de sanabilidade . ............................. ........ .............. .
182
183
33, Pode haver nuiidade em inquérito?........................ ...... ..... .....
Capitulo 39
DA CITAÇÃO, NOTIFICAÇÃO E INTIMAÇÃO
1.
2.
3
4.
5
6
7
8.
9
10
11
12..
13
14.
15.
16.
17.
18
19

Considerações gerais..... .... .............. ............................. ...-......
Conceito....................... .......... .. — ..........................................
Órgãos da citação................. ........................ ......... ......... ..... „..
Vinculaçao à instância.. Haverá necessidade deseproceder à ci­
..................
tação na execução?.................... ..... ....... ......
Quem pode ser citado ...... ............................ ...........................
Citação de incapazes.................. .... ........ ....... .........................
A citação como garantia individual...... ........... ............ ...... .....
Pode o réu ser cientificado da acusação antesdacitação?........... .
Conseqüências do não atendimento à citação........,....................
Efeitos da citação válida.......... . .... ..... ........... ............... ........ .
Espécies de citação...... ... ............ ..... .......... .... ........ ..............
Citação por mandado Requisitos intrínsecos eextrínsecos..........
Citação por meio de carta precatória ..................... ..................
Pode o réu ser ouvido no juízo deprecado?............ .... ......... ....
Precatória por telegrama................... .
......... ................ ......
É possível a precatória portelefone? ..........................................
Citação
do militar.................................. ......... ...................
Citação
do funcionáriopúblico......... ................ ... .............
Citação
do preso.......... ......
............ ......... ...... ......

186
186
189
189
189
190
190
191
192
193
193
194
195
197
201
201
201
202
203

20 Réu que se encontra no estrangeiro Como se procede à citação»
A rogatória. Haverá necessidade de legalização consular? 0
art. 210 do CPC........................................... ......... ....................
21. Citação em legações estrangeiras........... ................. ......... .. ......
22. A carta de ordem...... ... ............ ......... ................... ............. .....
23. Citação (ou notificação) por edital........ ........ .— ...... ......... .....
24„ Citação ficta. Critica................ ............................. ..... ........... .
25 As hipóteses em que se permite a citatio edictalis.......... „........ .
26. Se o réu não for encontrado........... ............................ ........... .
27. Quando o réu se oculta.................. ........ ........ ..........................
28. Quando o lugar em que estiver o citando for inacessível............
29. Quando incerta a pessoa do citando............... ............ .... ...........
30 Quando o réu se encontrar no estrangeiro, em lugar não sabido.....
31. Como se procede h citação por edital?......... ...... ... ........... ........
32. Revelia. Hipóteses. Conseqüências...... .... ............... ....... .........
33. Das notificações e intimações,............................... ....... ..... .... .

204
205
206
206
207
216
217
218
219
219
220
220
222
224

C apítulo 40
DA PROVA
1,.
2.
3,.

5.
6
7.
8.
9.
10.
11,
12.

Noções preliminares „......... ............ ........................... ........... ....
Prova emprestada............ .... ............. ............ ......... ...... ..........
Liberdade de prova................... ......... ... ..... ....... ..........
Onus da prova...................... ...................... ...... ..... ............ .....
Apreciação das provas ......................... ....... ....... ................. .
Das perícias em geral,,........... ............... ......... ................ ...... ..
Realização da perícia............. ... .................................. .... „.......
Necropsia........... ........... .... .... ............ ........ ............ ...... ........
Exumação .................. .................... .....— ........... ........... ...
Exame complementar...,...... .............. ... ............ ............ ... ......
Exames dos escritos........... .......................... ....... ......... ..... -...
Exames por precatória....... ............. ...... ....... .......... ......... ... .

231
236
237
264
269
273
283
286
288
288
291
293

C a p ítu lo 4 1

DO INTERROGATÓRIO
1. Noções gerais......................................... ........... .............. .. ......
1

295

2.
3.
4.
5.
6.
7..
8..
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.

Necessidade ....... ........
........... ............. ...................
Oportunidade.......... .......... ......... ....................
...........
Caracteres.. ................. ....... ........ ....... ..... .......
.....
Faculdade de não responder............. ................................... .... ....
Não participação da Defesa.................... .......... ....................... .,
..... ...... ................ .........
.........................
Conteúdo...
Corréus........... ......... ..... ........... ... ........................... .... ......... .
Oralidade
............ ...... ........... ...............................................
Acusado menor............. — .................. ............. ... ...... ..... —
Confissão ........... ...... .... ........ ......... ........ ...... ......... ....
Força probatória da confissão.............. ...... ..... .. ............ ..........
Divisão..,....... .......... ........ ..................... ....... .............. ....... —
Espontaneidade ........ .......... ........ ............ ..... — ..........
Retratabiüdade........ ................... ...... ..... .................... .... .........
Divisibilidade....... .. ................. ................ .................... ... ........
Confissão ficta ....... ... .... ............. .... .......... ..... ................... ... .

299
303
303
304
307
317
318
318
319
319
320
322
323
324
324
325

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Capíixjlo 42

)
)

OFENDIDO E TESTEMUNHAS
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9
10.
11.
12.
13.
14..

Conceito de ofendido ou vítima..... .... ............... .... ................ .
Ofendido e testemunhas, Sanções............... ...... ...... ...... ..... ....
O ofendido presta compromisso?,............ .......... ............ ............
Valor probatório da palavra do ofendido...................... ..............
Conceito de testemunha............... ............... ........ ..... ...............
Fundamento da prova testemunhai......... ........ ........ ..... ............
Valor probatório,,.,............. ....... ... .............. ...... .... ....... ... .......
Classificação.............................. ...... ............... ......... ........... .....
Caracteres do testemunho ..... ..... ................... ............ ........ .
Oralidade.... ........ ........... .. ....... ............ ....... ............................
Objetividade............. .......... ...... ..... ............. ...... ........... .........
Retrospectividade........... ..................... ................. ....................
Capacidade.----------------- ---- ------- ------ ------- -----------------Dever de depor.......................... ................ ...... ........ ... ......... .

327
329
331
333
334
335
335
339
341
342
343
34.3
343
345

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15 Exceções ao dever de depor... ....... ..... .... ..... ........ ....... - ...
345
16. Subdeveres ................................ ,...-.... .................. - ........ ... ......
351
17» Comparecimento ............. ....... ....... ........ ............. ...... -■....-.... 351
!8 Exceções ao dever de comparecer............. ............................... 352
19. Sanções................... ................... ............... — ...... ...... ....... ....
354
20. Dever de prestar compromisso....... ......... ...............
.......
357
21. Ausência de compromisso------- -,.-------------------- ----------- 358
22. Importância do compromisso.......... ........ ......... -......... ............ - 359
23- Providências que se tomam quando a testemunha depõe fal­
363
samente ................................. .... .... ............ .... .... .»..„......... ... .
24. Depoimento: verificação de identidade; verificação de possível
vinculação com as partes; advertência e objeto concreto do de­
poimento ..... .................... ..... .. ....... .................... -..... ...............
367
25 Número de testemunhas........ ............... ....... ........... ....... ........ . 370
26. Oportunidade para arrolar testemunhas............................ ......................
27 Contradita e arguição de defeito................................................. 373
28. Contradita»............... ...... ..... ............. ......... ............. ........ ...... .. 373
29 Arguição de defeito .................................................. ......................
Capítulo 43
RECONHECIMENTO, ACAREAÇÃO E DOCUMENTOS
!. Do reconhecimento de pessoas e coisas......................................
2. Procedimento...... ................. ........... ....... ................378
3» Reconhecimento de coisas............ .................. .........................
4, Da acareação....... ... ........... ..... ............. ................................ .
5 Procedimento.......... .............. ..... ......... ..... ........... .... ...... 6. Qual o valor das acareações?— .............. .............................383
7. Dos documentos.................................. ...... ....... ... ......... ..........
8. Documentos em sentido estrito ................ ............. ........... .....
9. Documentos e instrumentos» Instrumentos e papéis ........... ......
10 Classificação dos documentos....... ...................... - ............... ■
■■
11. Momento para a apresentação..,............ .... ..... ...... -.............. ....
12. Quais os documentos que podem ser apresentados?....... ......... .
13 Providência do Juiz ............ ....... ............ .......
i ,i

375
380
380
381
384
385
386
388
391
392
392

372

......—.

14..
15
16..
17..

Autenticidade............ .......................... ......... ....... .............. ........
Documentos em língua estrangeira.......... ........ .........................
Desentranhamento..................... ...... ...... .... ........- ... ...............
Dos indícios............................................ ........ ................. .......

393
394
394
395

Capitulo 44
DA BUSCA E APREENSÃO
1. Noção geral........... .................... ...... ....................... -...-........... 2.. Oportunidade... .... .... ......... ................ -.................................—
3.. Iniciativa...........— ..... .......... ...... .......................... ........ .....- ... 4, Sujeito ativo
.......... ...... ........ .......... ..... — -------- ---5. Sujeito passivo............... .............................................. ......—....
6.. Busca domiciliar................ ..... .... ....................... .............. ....
7. Inviolabilidade do domicílio............. .............. ............ ~...........
8.. Noção de domicílio ................. ............... .............. ....................
9.. Finalidade............ .......... ........................... .................. ......... .
10.. Apreensão de cartas .......... ........................
.....— ........
11. A enumeração feita pelo § l2 do art. 240 do CPP é taxativa? ....
12.. Condição de legitimidade....................... ..... ........ ....................
13, Necessidade de mandado ..... ............. ....... ........... ........... 14.. Quando se procede às buscas e apreensões domiciliares? ........
15. Como se procede às buscas domiciliares?.................................
16 Busca sem mandado.... ................................. ......... ................
17. Busca com mandado............................. .... .... ...... .......... ....... .
18. Busca pessoal................... ............ .................................... ........
19.. Finalidade
.............. ..... ....... ...........

...............
20.. Quem pode realizá-la? .......................... .....
.
21.. Havérá necessidade de mandado?............ ... ............
..
22.. Busca em mulher................ .............. ......... ..............................
23 A documentação ....... .................... ..................... ... ..................
24 Poderá ser realizada a busca no escritório do Advogado?...........
25. E nas repartições públicas?...... ................... ..............................
26 . Apreensão em território sujeito a jurisdição alheia.....................

403
404
404
404
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405
405
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420
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422
422
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425
1 C

Capítulo 45
DA PRISÃO E DA LIBERDADE PROVISÓRIA
1. Conceito.............. ..... ........ .............. ...................... ..... .... .......
427
2. Prisão-pena e prisão sem pena
..... „—
___ __
428
3. A prisão-pena............ ......... ... .................... .... —...... ..... ..... ...
428
4. As penas previstas no nosso Código Penal—
...... —
432
438
5 A prisão-pena nas contravenções..... ......... ..... ................. .... .
6. Prisão na Lei de Imprensa................... .... .... . ...... ..................
438
7. Prisão-albergue........................... ... ................. ..... .... ............ .
439
8. Prisão sem pena....................................................................
..........
9 A prisão cautelar de natureza processual . ........... ..... ................
441
10. Princípios constitucionais........... ............ ........... ... ..... ;........... .
443
11. Disposições gerais ........... .......... ..... .......... .. ...... ..... ............ .
446
12. A autoridade competente.............. ............ .................... .. .— ... 447
13. A ordem escrita,.......... .............. ...... .............. .........................
449
14.. Duplicata............. ............... .......... ............ ....... ..... ...... ...........
452
15 Prisão realizada por mandado........... ...... ........... .... ..... ....... .
16. Prisão solicitada por precatória. ............ ...... ........ ............. .
17. Prisão solicitada por telegrama,................... ........... .................. 453
18. Prisão solicitada por telefone......... .......... ......... ...... ........ ........
454
19. Prisão em outra comarca...... ..... ......... ....... ....... .... .. .......... ...
455
20. Custódia,................. ..... ........ ........... ........ .............. ...... ........... 455
21. Perseguição material......................... .......... ............................. 456
22. Realização da prisão poi mandado.... ...... ................ „............
456
23. Momento para a realização da pxisão.......... ............... .... ......... 457
457
24. Inviolabilidade do domicílio ,............. ................. ....... ...... ........
25. Uso da força,.......... ........................ .............. ....... ............ 461
26.. Prisão especial........... — .... .......................... ...... ......... ........ . 46.5
27, Interpretação restritiva________ _________________ ____
473
Capítulo 46

1c

...............


453
453

,

DA PRISÃO EM FLAGRANTE
l Origem da palavra flagrante ..................... ................... .........
2. Fundamento atual...................... ......... .......... ............ ............

*

479
480

3.
4.
5.
6.
7.
8.

Fundamento anterior............................ ..... ................. ........ ...
O flagrante no Direito anterior ....................... ..... ......................
Natureza jurídica____ ___ ___ __ _________ ________ .___
Sujeito ativo ..... .... ............. ........... ......... ............... ... ........... .
Sujeito passivo,........... ....... ........... .... .. ........... ........................
Flagrante nos crimes de ação penal pública condicionada e nas
hipóteses de ação privada................... ........ ........ ................. ....
9. Flagrante nas contravenções.............. ....... .... ..... ........... .........
10., Espécies de flagrante............................. .. .......... .............. ... .. .
12. Infrações permanentes e habituais ............. ........ .........o.... .. .
13, O auto de prisão em flagrante: formalidades, importância das foc14, A nota de culpa................. ....... .......... ............ ............. ....... ...
15, Comunicação da prisão............... ...... ........ ..... ....... ........ . .
16, Infração praticada em presença da autoridade, ou contra esta, no
exercício de suas funções....... ...... ..... ....... ........... .... ..... ..........
17, Prisão efetuada fora do locus delicti ........ ..... ....
18, Concessão da liberdade provisória.............. .......
19 Poderá a Autoridade Policial relaxar a prisão?....
20. Flagrante preparado
21 Flagrante protelado..
22,. Flagrante forjado........
C a p ít u l o

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485
485
488
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512
51.3
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516
524
525
527
527

46-A

DA PRISÃO TEMPORÁRIA
1. Introdução........... ........... ..... ........... ... ................. ...... ..... ......
2. Quem pode decretar a prisão temporária? Qual o seu prazo de
duração?....... ................. ................ .......... .... ...... ...... ......... ..
3. Em que hipóteses se admite a prisão temporária? ....... ...... .....
4. Os requisitos da cautelaridade ..... ....... ...... ............ ............ .......
C a p ítu lo

529
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532
533

47

DA PRISÃO PREVENTIVA
1.. Noções gerais................. .... ....... ............ ................... ... .........

537

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......... .. ........................................................ Pressupostos...... ....... ........... ................ ... .................... .. .... 584 5 Conceito de liberdade provisória ......... Recursos— ............. . ...... ... 568 570 14..»-------------.. ........... Liberdade provisória. 586 8. .. ........ ....... 546 7 Autoridade para decretá-la— ........... ....... A conversão da liberdade sob fiança em liberdade sem fiança 597 15 Obrigações................. 6.................. .................... 571 16......... .......... ...... ........ Espécies. . 582 4 A liberdade provisória com ou sem fiança. ..... 566 13... .... ... 579 3................ .......... 310 do CPP... ..... Momento para a decretação.. .... O art. ... ........ . ...................... .. .. Prisão preventiva compuisória....... mas vinculada.............. .............. . .... ..... 599 !S ................ Fundamento da prisão preventiva............... A prisão domiciliar....----....................... ...... ... ..... ...... ................. 596 14.... .......... .. ............ ..... ................................... 590 12............ .. .......... 2........ . . 585 7............2............ Sucedâneos da prisão provisória. .................... ........... ..................................---... 539 3.. Antecedentes................... .......... ...... Revogação.... 587 9..... .. i 1...... .. 590 11... ............... ......................... ........... ...................................... Generalidades... .............................................. .................. ........... ... ............ Fundamento. Quem poderá requerer a medida? . ............ 571 Capítuio 48 DA LIBERDADE PROVISÓRIA 573 1... ..................... 539 4......... ..... A liberdade provisória sem fiança. .. ........... ............... 599 16.. ......... ...... ............................... 559 563 10...... .. .............. ............ ........ ......................... ................... Fundamentação.. 15... ... .....................--------..................... .... .............. 543 5....... .. .... 547 8. Circunstâncias que autorizam a preventiva segundo o CPP vigente 548 9..... Preventiva nas contravenções... Prisão preventiva facultativa. .-----.......... ... 564 12............... 588 10........ ........... O parágrafo único do art 310 do CPP.... ......... ...... .. ............................... As hipóteses de liberdade provisória vinculadasem fiança.................... .......................... .... ........ .......... ............... As hipóteses legais......... .................... .. .. ...... 6....... ........ Proibição........ .............. ................ .......................... ...................... .. Recurso.............................. .........-..... 591 13 Restrições legais ...... ..... .......

........... ....... Extinção da fiança........ ............................. ..... ...... ................................... ............ Reforço..................—31....... ..................................................... ...... .......... ......— -------48................... ......... ......................... ..... ... 18.......................... ....................... 27. de 11-7-1984... ... .. Recurso............... Finalidade..... 23....... 44. .... .... 46 Condenação.. ... .................................... ....................... Quebramento................. ............................631 29......... Destino da fiança..... 651 10 ..... ............. .... 599 603 606 607 607 626 627 627 628 629 637 637 638 639 639 639 640 641 641 641 642 642 643 643 645 646 646 646 647 647 Capítulo 49 Lei nu 7 210..... ........... ..... Perdimento da fiança . . 22. Liberdade provisória mediante fiança.......... ......... parágrafo único ......... .. ... ............ ....... Autoridade competente para julgar a fiança sem efeito . Execução.... . Conceito de Fiança....... .. 32............................... .................... ......... .................. Cassação da fiança................. 21.. .... ....... 47. 42............. que institui a Lei de Execução Penal .. As hipóteses legais........ .................. .... nos termos do art..... ............. ..................... ................... 43....... .......... 19 Conversão...... .... ............... . ...... — ......................... ..... .. ........... ................... 310. . Conseqüência........... Liberdade provisória sem fiança e sem vinculação........ ..... 41 Fiança sem efeito. ...... 40........ As obrigações do afiançado — ........... . ........ ...... É definitiva a fiança?........ . ... . 24. 25 Momento para a prestação........-............. . ........ ........ ..... ........... 37.. ................................. Réu pobre................................................— 30...................... ... ............... ... .... Abolição da fiança....... Recurso......... ...... Conseqüência.............. Conseqüências...... . ........ .................... ... 38...... ...... ....... ... Quem pode decretar o quebramento? Recurso..... .......... .................. ........................ ..... .. ............... ...................... ..... ................ .. ...... 33............. -..... ........... .. mesmo quebrada a fiança .... ................— .... 36...... ............i 7... . ............................ 35......... .............. ..... ..... -.................... ........................................ ...... A pronúncia nos crimes afiançáveis.. 20........................................ 39................. ............. .... .......... —..... ...... 45 Extinção da punibilidade... 34 Liberdade provisória........... Absolvição................. .....629 28........ ............................... Limites da fiança .......................... 26 Quem pode prestá-la? ........ ..... ......... ........

.... ............ .. ............................APÊNDICE Portaria a..................... 697 BIBLIOGRAFIA............ . 703 ...... 26.......................... de 14-8-1990............. ..

Produtos dire­ tos e indiretos do crime. 6 A apieensão na hipótese do art. 1. Noções gerais 2 Coisas que podem ser apreen­ didas. 12. determinando a realização de exames periciais. Destino dos objetos apreendidos„ 14. 60 a 64 da Lei n. procedendo a reconhecimentos e a acareações. procedimento. 19 da LCP. apreendendo os instrumentos e todos os . Direito do terceiro de boa-fé 11. 10. ouvindo testemunhas. de 23-8-2006 (nova Lei de Tóxicos). Restituição de coisas facilmente deterioráveis. indiciado. a autoridade desenvol­ ve intensa atividade. ofendido.. 4 Restituição: objetos restituíveis.. 5 Coisas que podem e que não podem ser restituídas. quando se tratar de tráfico de substâncias entorpecentes. Coisas que não podem ser apreendidas. Coisas adquiridas com os proventos do crime.343. 9 Restituição feita pelo Juiz criminal. 15 Destino das coisas apreendidas ou seqüestradas.. Instrumentos do crime. de acordo com os arts.. oportunidade. cuja finalidade é a apuração do fato típico e a identificação do respectivo autor. 13. 8 Restituição feita pela Autoridade Policial. juntando documentos. Coisas apreendidas em face de contrabando ou descaminho. Noções gerais Durante a feitura do inquérito policial. 11. 7.capítulo 33 Restituição de Coisas Apreendidas SUMÁRIO: 1. 3.

durante a instrução. Obvia a razão dessa permissão. podem conduzir-lhes à elucidação. os objetos que tiveram relação com o fato. no local onde se verificou o fato típico. por exemplo. o problema atinente à apreensão dos instrumenta sceleris e dos objetos que tiverem relação com o fato delituoso. Outras vezes.objetos que tiveram relação com o fato e. lavrasse um auto de apreensão.. acom­ panham os autos do inquérito. como se constata pela leitura do inc.. também. enfim. 62 do CPP. colhendo todas as pro­ vas que servirem para o esclarecimento do fato e da autoria. ser realizada antes e até mesmo no curso da instrução criminal ou após sentença condenatória. § 3” do CP. Havendo êxito. são submetidos a exames periciais para constatação da sua natureza e eficiência (art 175). de certa forma. Nesse caso. As autoridades encarregadas da elucidação do crime encontram. . após libe­ rados pela perícia. 171. Daí a denominação que se dá a essa diligência: busca e apreensão. se apreendidos. 155. que vem a ser o ob­ jetivo da busca. a apreensão não se faz com tanta facilidade. Urge se realizem diligências nesse sentido Daí as buscas domiciliares e pessoais. A busca e apreensão. nos termos do inc II do art. Os producta sceleris são avaliados. na fase policial e. que podem ser levadas a cabo pela própria autoridade ou por pessoas a ela subordinadas A busca é a diligência que se faz a fim de ser encontrado o que se procura. procede-se à apreensão. § 1-. para os fins a que se referem aquelas normas penais. enfim. A prisão do réu. é providência normalmente tomada após um decreto de condenação Os instrumentos do crime e. 11 do CPP Os instrumenta sceleris. em face do que preceituam os arts. no próprio locus delicti. a apreensão é feita de modo singelo. notadamente os producta sceleris. 62 do CPP. e tais objetos e instrumentos ficam custodiados na Polícia. nesta oportunidade. D do art. é a diligência que se realiza durante a feitura do inquérito. grosso modo. às vezes. As vezes. tal como determina o art. Note-se que a própria lei autoriza essa apreensão. Pode. § 22. instrumentos utilizados para a prática do ato delituoso e outros objetos que. Interessa-nos. porquanto somente assim se poderá aferir da sua pouquidade. e 180. 170.

A Magna Carta não fez nenhuma ressalva. 2. referidas na alínea b do § IQdo art. II do art. Revista dos Tribunais. vulnerando o princípio da presunção da inocência (. São eles: a) coisas achadas ou obtidas por meios criminosos.. Celso Ribeiro Bastos (Comentários à Constituição do Brasil.Direito à prova no processo penal. f) qualquer elemento de convicção É bem verdade que os arts. o produto direto do crime. 1991.. Paulo Heber de Morais e João Batis­ ta Lopes {Da prova penal. São Paulo. e também representa uma indisfarçada equiparação entre o acusado e o culpado. 240 do CPP. contudo. A proibição. Atlas. a nosso juízo. Coisas que podem ser apreendidas O CPP. aí. Atlas. 62. 123). c. A expressão produto. Copola. aquela disposição processual penai. d. é absoluta. tem um sentido inconfundível: é a própria coisa obtida por meio criminoso. referidas na alínea / do § l2 do art. d) objetos destinados à prova da infração ou à defesa do réu. aqueles citados na primeira parte da letra b do inc..do art. no art 240. 240 do diploma processual penal. São Paulo. e dentre outros. p. e . 240 do CPP./ e h. Há. c. 1997. Campinas. o dinheiro obtido com o estelionato.2. ou diretos. isto é. abertas ou não. p. as disposições conti­ das nas alíneas b. instrumentos utilizados na prática de crime ou destinados a fim delituoso. As coisas obtidas por meios criminosos. / é duplamente inconsti­ tucional: ofende a garantia da inviolabilidade da correspondência. destinadas ao acusado ou em seu poder. aqui. § l2. Se a Constituição resguarda o si­ gilo da correspondência. com esta observação: o art. 170). Nesse sentido. Exemplos: o relógio furtado. Antônio Magalhães Gomes Filho. cuida dos objetos sobre os quais pode incidir a diligência de busca e apreensão. 240. o livro indebitamente apropriado etc Quanto às cartas. Se o destinatário ou remetente é criminoso. a nosso juízo não podem ser apreendidas em face do que dispõe o inc. 121. 249). 1999. 305). é inconstitucional. ou não. e 244 do mesmo diploma aludem a outros objetos Seriam estes diversos daqueles? A resposta negativa se impõe. 288). 1978. p. 240. isto é. XII do art. / e h do § 1. atentamente. Ed. entendimento diverso. Demercian e Maluly (Curso de processo penai São Paulo.. p. e. Saraiva. do crime. Fernando Capez (Curso de processo penal. 5da CF. e) cartas. Saraiva. b. Mirabete (Processo penal. A propósito: Scarance Fernandes (Pro­ . § 2-. 91 do CP. p. II. também. c) armas e mu­ nições. d. b) instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados ou contrafeitos. conclui-se que elas abrangem aqueloutros. p. São Paulo. quan­ do haja suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato. pouco importa. 72).. § 1-. Lendo. são os produtos imediatos. que é absoluta. São Paulo.

ou. cuida da apreensão das coisas adqui­ ridas com os proventos da infração. corrente feita com a prata furtada). É verdade que este.. contudo. se não for possível a busca e apreensão.00 e. Revista dos Tribunais. poderão elas ser seqüestr adas. coisas achadas ou obtidas por meio criminoso. desde que haja indícios da sua proveniência ilícita. seriam apreensíveis. São Paulo. Ada Pellegrini Grinover {Liberdades públicas e processo penal. 132 do CPP. agarrar. 3. Pelo menos é assim que o legislador processual penal o considera. do diploma processual penal. é apenas aparen­ te. enfim. é verdade. Afinal de contas. § Ia. São Paulo. são aquelas que. 121 do CPP cuida da hipótese de alguém. consoante a regra do art. haverá arresto. Com ressalvas. a que se refere o art. 251). prender. mesmo que não houvessem sido adquiridas com os pro­ ventos da infração. às expressas. 121 do CPP. 82). p. haveria profunda inconciliabilidade entre as normas dos arts. c. ou conseguidos mediante alienação (dinheiro da venda do objeto fartado. Mais ainda: o art. com o produto do crime. adquirir coisas que comportam busca e apreensão. está empregada não só no sentido de ato ou efeito de apreender. Mas. ed. 3. como também no de ato ou efeito de seqüestrar. malgrado o disposto no art. Pense na hipótese de alguém furtar R$ 3. ademais. ed. adquirir merca­ doria contrabandeada. 1982. Revista dos Tribunais. o art. Caso contrário. com tal quantia. Coisas que não podem ser apreendidas As coisas ou valores que constituam proveito auferido pelo agen­ te com a prática do fato criminoso. 240. b. não podem ser apreendidos. mediante sucessiva especificação (joia feita com o ouro roubado. coisas achadas etc. determinada pelo Juiz. d q e. no corpo do art . Note-se. Nucci ('Código de Processo Penal comentado. isto é. adquirir ampolas de morfina. objeto adquirido com o dinheiro furtado). pois as coisas apreendidas. 121 do CPP diz que. Tampouco os objetos adquiridos com o pretium sceleris. 121 do mesmo estatuto. Poder-se-á dizer que a palavra apreensão..cesso penal constitucional. na linguagem do legislador pro­ cessual penal. 5. p„ 516). inquestionavelmente. no caso de apreensão de coisas adquiridas com os proventos da infração. Assim. apreensão e seqüestr o implicam ato de segurar.. 2002. armas proibidas. 121 do CPP. 121 e 132 do CPP Há uma antinomia.000. . nessa expressão não se incluem os objetos supracitados.. com o bem ou valor dado ao criminoso como recompensa pelo crime come­ tido ou por cometer Nesses casos. nos termos do art. p. Esta.. que o seqüestro é a apreensão de bens móveis.

Restituição: objetos restituíveis. pela simples razão de a lei permitir a apreensão de coisas obtidas por meio criminoso (art 240. tratar-se de produto de crime. Se as coisas apreendidas se meterem a rol entre aquelas a que se refere o art. esse objeto pode ser apreendido. 133 e seu parágrafo. Como o relógio foi produto de crime. ao interessado. que na hipótese de coisas adquiridas com os proventos da infração tanto cabe a apreensão como o seqüestro. Já as coisas a que se refere o art. elas passam para a União. Pouco importa se o adquirente sabia. espe­ cificamente.aplicam-se as regras do art. não caberia a apreensão. Se Mévio furta R$ 1.00 e com esse dinheiro adquire um relógio furtado. Coisas adquiridas com os proventos da infração. estabelecidas. havendo sentença condenatória com trânsito em julgado. e sim o seqüestro.. veja-se Tornaghi. o lesado ou . Convém repisar: as coisas sequestráveis não podem ser objeto de busca e apreensão. desde que consistam em coisas cujo fabrico. a. in Instituições (1. 5. A contrario sensu: se não interessarem. pois a sua restituição constitui a maneira mais singela de se proceder à satisfação do dano ex delicto. Excepcionalmente. se o relógio adquirido por Me'vio com o dinheiro furtado não houvesse sido produto de crime. 91. Não se pode dizer. 121 comportam. alienação. procedimento Indaga-se: todos os objetos apreendidos podem ser restituídos? Em princípio sim. as coisas apreendidas não poderão ser restituídas enquanto interessarem ao processo. A propósito. oportunidade. Quais os objetos que podem ser restituídos? Em que momento se opera a restituição? Qual o procedimento estabelecido para a devolução. dos objetos apreendidos? Dominando a instituto da restituição das coisas apreendidas. poderão. 4. Não se infira da análise do citado pre­ ceito que após o trânsito em julgado da sentença fmal nada impedirá a restituição. v. contudo. Mas. há uma regra muito importante que deflui do a rt 118 do CPP: antes de transitar em julgado a sentença final. naquele artigo. legítima a apreensão. porte. ou não. uso ou detenção constitua fato ilícito). principalmente os produtos do crime.000. para o seqüestro de que cuidamos. 1959. tem a exata dimensão que lhe atribuímos. Forense. p„ 244). do CP (instrumento do crime. b). Esse argumento refor­ ça o entendimento de que a palavra apreensão. ed. n. § l2.

Assim. b. o produto direto IA . e que hoje estão previstos nos arts. um Colt 45. Diz a lei que o terceiro de boa-fé poderá reclamá-las. a um canceroso. pode­ rá ser restituída. de coisa cujo fabrico. aqueles objetos referidos nos arts. nada impede possa ele reivindicá-la.. por um preço justo. nos termos do art. Assim.. uma vez apreendida. Quanto ao produto do crime (pouco importanto tratar-se.. uma arma proibida empregada na prática de um crime. em face da extinção da punibilidade pela prescrição. 779 do CPP. apreendida a res em poder deste. não podem ser restituídos. após a condenação transita em julgado. Apesar da revogação desse preceito. porte. E se a sentença for absolutória? Como ficariam os instrumentos do crime ou produtos do crime cujo uso. Caio subtraiu de ura hospital dez ampolas de mor­ fina. se houver sentença absolutória. 91. porte. devesse o Estado devolver-lhe a substância. o princípio nele consubstanciado ali estava ex abundantia. se as ampolas houvessem sido obtidas fraudulentamente e vendidas. do mesmo estatuto. aquelas coisas que representam. fabrico ou detenção constitua fato ilícito? Anteriormente à reforma penal de 1984. mesmo porque as normas contidas nos arts. alienação. fabrico ou detenção constitui fato ilícito. II. do CP. nada impede sua restituição ao lesado. Nem teria sentido fossem apreendidos em poder de um traficante 10 quilos de cocaína e. mediante preço justo. uso. 119 do CPP. alienação ou detenção constitua fato ilícito). impronúncia. de impronún­ cia ou extintiva de punibilidade. O CP faz referência também. se furtada de um Oficial. salvo se pertencerem ao lesado ou a ter­ ceiro de boa-fé. II. arma priva­ tiva do Exército. como continuam sendo.terceiro de boa-fé poderá reclamá-las. 91. alienação. Apreendida a res furtiva. 74 e 100 do CP. nada impediria sua restituição ao terceiro de boa-fé. como efeito genérico desta. aos produtos do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso Que coisas são essas? Em primeiro lugar estão os producta sceleris. 122 e 124 do CPP seriam suficientes. ou não. não obstante se tratar de coisa confiscável. se um colecionador adquire... Nesse mesmo exem­ plo. e que fora obtida median­ te fraude. reverterá para a União. aliada à circunstância de se tratar de coisa cujo uso. ressalvado o direito do lesado ou do terceiro de boa-fé. b. por assim dizer. II. por força do art. Assim. porte. arquivamento ou extinção da punibilidade. 119. vigorava o art.. uma vez apreendida. isto é. segundo a redação primitiva. a e b.. no art. 91. que permitia o confisco desses bens mesmo nos casos de absolvição.

ao lesado ou terceiro de boa-fé. por exemplo. não se tratando de coisas confiscáveis. 91. alienação ou detenção constitua fato ilícito. Coisas que podem e que não podem ser restituídas. Instru­ mentos do crime Após sentença condenatória irrecorrível. o relógio adquirido com o di­ nheiro — produto direto do estelionato). Se os instrumentos do crime não se amoldarem à letra a do inc„ II do art. deverá o Juiz declarar a perda. o dinheiro furtado. Em segundo lugar. instrumentos cujo uso. com maior razão se se tratar de um despacho que determina o arquiva­ mento do inquérito ou peças de informação. respeitando-se apenas o direito do lesado ou do terceiro de boa-fé. porte. se quiserem. por se tratar de um efeito ge­ nérico da sentença penal condenatória transita em julgado. do CP. se a esposa fere o marido com uma tesoura. dentro nos limites permitidos em lei. isto é. decisão que julga extinta a punibilidade.do crime. porquanto esta não é automática. indaga-se: todas essas coisas (instrumentos e produtos diretos ou indiretos da infração) poderão ser objeto de apre­ ensão? E poderão ser restituídas? Se pertencerem ao lesado ou a ter­ ceiro de boa-fé. isto é. de que são exemplos o relógio roubado. impronúncia ou absolvição. respeitado o direito do terceiro de boa-fé ou do lesado. os objetos adquiridos mediante sucessiva especifi­ cação (o anel feito com o ouro furtado. os produtos indiretos. Assim. passam para o domínio da União. automaticamente. com muito mais razão. sim. E se houver arquivamento de inquérito. Mas. o pretium sceleris etc. Feita essa explanação. motocicleta ou 27 . Se assim é. 91 do CP. pouco importando haja sentença condenatória transita em julgado. impronúncia ou absolvição? Também nessa hipótese. a. fabrico. conforme já vimos. Nesta categoria se arrola toda vantagem econômica que o agente obtém com a prática da infração. os instrumentos do crime a que se refere o art. nada impede sua restituição ao criminoso e. se o médico fere alguém com o bisturi. como. a coisa indebitamente apropriada. se o estudante bate no colega com um livro. se o camponês agride o companheiro com a sua enxada. se uma pessoa é atropelada por uma bicicleta. extinção de punibilidade. 5. II. ou. qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso. nesse caso. passarão eles para o domínio da União. em face de uma sentença condenatória.

10. é óbvio que. a hipótese não se enquadra na moldura da letra a do inc„ II do a rt 91 do CP. a pena oscila entre 3 e 6 anos de reclusão (art. 14 da Lei n. para destruição ou doação aos órgãos de segurança pública ou às Forças Armadas Embora essa disposição não seja aplicável apenas em relação aos crimes tipificados no referido diploma. teria cometido dois crimes: o definido no art. possível sua restituição.qualquer veículo automotor. quando não mais interessarem à persecução penal. a. de 22-12-2003 — Lei do Desarmamento. serão encaminhadas pelo juiz competente ao Co­ mando do Exército. instituído no Ministério da Justiça. como a pena máxima passou a ser de 4 anos. assim. 10 da Lei n. E se Tício comete um homicídio com o seu revólver? Poderá este ser restituído? Indaga-se: tinha ele registro e porte da arma? Foi absol­ vido? Em caso positivo. Todavia. com a reda­ ção dada pela Lei n .826/2003. a infração mais severa. de que servirá o direito ao porte de arma se esta não pode ser usada? Por certo não é para ser dependurada na parede como os antigos retratos de família.. A autorização paia o porte de arma de fogo de uso permitido. 25 da Lei do Desarmamento.. no prazo máximo de quarenta e oito horas. 16 da Lei n. De qualquer forma. por exemplo.826/2003).. em todo o País. II. do CR Insta esclarecer que o por­ te ilegal de arma de fogo de uso permitido é inafiançável e. 10 da Lei do Desarmamento. nem sequer se permite a liberda­ de provisória.. poderão ser restituídos. 10. cuja pena oscila de 2 a 4 anos de reclusão. 10. dispõe o art. porte. nada impede sua restituição. ao mesmo tempo. e o de homi­ cídio. por exemplo. consoante a regra do art. Do contrário. pelo fato de não serem coisas cujo fabrico. 21 da Lei do Desarmamento. E se houver condenação? Inteira aplicação terá o disposto no art. por ser o crime-fim. alienação ou detenção constitua fato ilícito. Como a pena cominada ao homicídio doloso é mais grave. absorverá a infração menos grave. em legítima defesa. e só será concedida após autorização do Sinarm (Sistema Nacional de Armas. uso. inteira aplicação terá o art. e. é evidente que esses instru­ mentos do crime.. no âmbito da Policia Federal. 25 dessa mesma lei: “As armas de fogo apreendidas após a elaboração do laudo pericial e sua juntada aos autos. . se o agente tinha registro e porte da arma e agiu. a infração deix:a de ser considerada de menor potencial ofensivo Tratando-se de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. com circunscrição em todo o território brasileiro). é da competência da PoÜcia Federal. Se a arma de fogo for de uso restrito.826. satisfeitos os requisitos do art. 91. dês que persistam os requisitos referidos no art. 11 706/2008 E se o interessado não tivesse porte? Nesse caso.

Essa era a nos­ sa posição. de 2212-2003. inteira aplicação terá o art 91. ressalvado o direito do lesado ou terceiro de boa-fé. do CP c/c o art. den­ tro nos limites legais. II. do CP cuida dos instrumen­ tos do crime. Devem tais bens ser perdidos em favor da União. como.. Indagava-se se. do CP aplica-se. inclusive. tal como previsto no art. às contravenções? Havia cerrada discussão quanto à restituição de arma de fogo apreendida com alguém que não tivesse porte. ser-lhe-á restituída. 91. após sentença condenatória irrecorrível? Poderão eles ser resdtuídos? Devem ser confiscados. A apreensão na hipótese do art. nem representava crime. E. não obstante ser arma proibida. 14 da Lei n. isto é. 19 da Lei das Contravenções Penais. II. como o porte ilegal de arma foi transmudado em crime. sendo ela apreendida por se tratar de objeto obtido mediante fraude. do CP Este cuida “do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato crimino­ so”. a. Se alguém furta um revólver Colt de um Oficial. Pouco importa saber se se trata de coisa cujo fabrico. como terceiro de boa-fé. pelo que a corrente majoritária entendia não tet aplicação aquela regra do CP. b. a. não só dos instrumentos empregados na prática criminosa..826. requerer o seu registro e a respectiva restituição.. na hipótese. II. sob pena de se admitir analogia in malam partem. 7. Até há pouco tempo o porte ilegal de arma constituía contravenção. porte. a discussão perdeu toda e qualquer importância. pagando o justo valor. II. Surpreendi­ do alguém portando arma sem a devida licença. tinha o direito de. uso ou alienação constitui fato ilícito. a. 19 da LCP A regra contida no art. 91. Hoje. como também quando a simples posse ou detenção já cons­ tituía crime (posse de uma metralhadora. pode requerer sua restituição . não só responderá criminalmente. 10. 25 da Lei do Desarmamento. ex. Tratava-se do art. p.6. detenção. vejamos agora a situação daqueles bens a que se refere o art. na hipótese de alguém ser surpreendido com arma. o colecionador. ou não. também.. a arma não era o instrumento da contravenção. Observe-se que o a it 91.). mesmo condenado. Produtos diretos e indiretos do crime Analisado o problema atinente aos instrumentos do crime. entretanto. sem a devida licença da autoridade. Se um colecionador adquire uma pistola automática.

nada impede a restituição. vendendo-o. com esse valor. 30 . não é possível restituir coisa diversa. e. ou o objeto houver sido “apreendido” com o criminoso.Quando se permite a devolução do instrumento do crime ou de produto direto ou indireto do crime. a terceiro. que pode portá-la. alienação ou detenção constitua fato ilícito. uso. é natural lhes possam ser restituídos. não o rádio. a coisa roubada etc. dinheiro obtido com a venda do relógio furtado). respeitar-se-á o direito do terceiro Se este não o reclamar.00 e. nos termos do art. Nesses exem­ plos. se se furta um fuzil de um colecionador. mas de produto indireto do crime. Se se tratar de valor ou de bem que constitua o pretium sceleris (dinheiro dado a alguém para praticar ura crime). 133 do CPP. Nesse caso. o ouro é que foi furtado.. se tal substância é subtraída de uma farmácia. Bem poderá alguém. coisas obtidas mediante sucessiva especificação (joia feita com o ouro furtado) ou mediante compra ou alienação (rádio comprado com o dinheiro furtado. porquanto não se trata de produto direto como a coisa furtada. transitada em julgado a sentença condenatória. fabrico. obter de outrem R$ 5. à evidência. uma vez feita a prova da proprieda­ de e a demonstração de que realmente fizeram jus àquela restituição Se se tratar de bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso. não a joia. impossível a restituição ao le­ sado. porte ou detenção da coisa. porte. 133 do CPP Insta observar que. median­ te fraude. isto é. aplicar-se-á o disposto no art. cujo uso. pro­ ferida a sentença condenatória com trânsito em julgado. será ele avalia­ do e levado a leilão. se subtraída de um doente a quem lhe foi prescrita. por um preço justo.000.. em razão da sua qualidade ou função. Se o terceiro não for de boa-fé.. adquirir um relógio e vendê-lo por um preço justo a terceiro. por isso mesmo. será de boa-fé. se se furta substância entorpecente de um laboratório. que. em se tratando de produtos indiretos do crime (bem ou valor que constitua proveito auferido com a prática do crime). 133 do CPP Não se admite a restituição Salvo a bizarra hipótese de alguém ser presenteado com um relógio para cometer um homicídio. Apreendido o objeto. tida normalmente como ilícita. Assim. é necessariamente imprescindível que esse lesado ou esse terceiro de boa-fé. o dinheiro é que foi furtado. ou de autorização adrede concedida. que possui autorização para o seu fabrico e alienação. faça jus à fabricação. aplicar-se-á o disposto no art. que pode ter a detenção e vendê-la. é diferente. Quanto ao terceiro de boa-fé. se se furta uma pistola semiautomática tipo parabellum de um Oficial do Exército. que pode usá-la. alienação.

O dinheiro. houver dúvida quanto ao direito do reclamante ou se a apreensão houver sido feita em poder de terceiro de boa-fé. nos termos do art. § 1Q. uma vez apreendidos. a manifestação ministerial normalmente se dá após a decisão dessa autoridade. 240. 132 do CPP Mas não são apenas os instrumentos e produtos do crime que são apreendidos ou seqüestrados. 120 do CPP. b. d e e. a não ser quando 31 . porventura. do CPP autoriza a apreensão de “coisas achadas ou obtidas por meios criminosos”. poderão ser restituídos a quem de direito até mesmo na fase do inquérito. pode solicitar a devolução do objeto apreendido Juntando o requerimento aos autos do inquérito. o rádio adquirido com o dinheiro furtado não foi obtido por meio criminoso . Uma caneta.não poderão eles ser apreendidos. dinheiro etc. Restituição feita pela Autoridade Policial Na fase do inquérito policial. 8. se não mais interessarem ao processo. ficam guardados até que a sentença final (condenatória ou absolutória) transite em julgado. § l2. II e III. Embora a lei não exija a assinatura das duas testemunhas. c. ou não Somente será viável a restituição pela Autoridade Policial desde que satisfeitas as seguintes exigências: á) tratar-se de objetò restituível e não haver nenhum interesse na sua re­ tenção. Con­ tudo. em requeri­ mento dirigido à Autoridade Policial. será sempre ouvido o Órgão do Ministério Públi­ co. o rádio. sejam eles formulados ao Juiz ou à Autoridade Policial. Nes­ ses casos. Observe-se que o art. do CPP fazem referência a outros objetos. um termo (termo de restituição). uma joia. so­ mente a Autoridade Judicial é que pode autorizar a devolução Nos pedidos de restituição. Esses bens. Um relógio encontrado no local do crime. A joia feita com o ouro fartado não foi obtida por meio criminoso. e 6Q. 240. a pessoa interessada. Lavrar-se-á. nos precisos termos do § 32 do art. Os arts. sim. dar-se-á despacho nos autos. um lenço. não susce­ tíveis de busca e apreensão. decidirá pela restituição. Quando se trata de pedido feito perante a Autoridade Policial. são objeto de seqüestro. Decidida a devolução. c) não haja sido feita a apreensão em poder de terceiro de boa-fé. não. então. Se. trata-se de excelente cautela. b. É a regra. b) não haver dúvida quanto ao direito do reclamante. que será assinado pelo interes­ sado ou procurador legalmente habilitado e mais duas testemunhas.

disporão eles de 2 dias para arrazoar. Apresentadas as razões e ouvido o órgão do Ministério Público. Se se tratar de objeto apreendido em poder de terceiro de boa-fé. que deve ser autuado à parte. de regra. a possibilidade é maior. 9. já agora em face das provas produzidas. Não importa. pode o menos. Após. de con­ formidade com o § 42 do art. as razões em que se fundam. Este. se viável a restituição. Nesse caso. quanto mais se não o for. onde não há. Esgotados os prazos de um e do outro. uma vez ouvido o órgão do Ministério Público. pro­ ferirá a sua decisão. Juizes especializados) . não é possível solucionar questão de alta indagação dentro dos estreitos limites de um processo incidentaL Pode acontecer ser o Juiz do civel o mesmo Juiz penal (na hipótese de juris­ dição cumulativa.se tratar de casos que exijam maior cautela. muito comum no interior. deverá este. habilitado a solucio­ nar o incidente. se lhe abra vista dos autos para. por isso mesmo. bem como da dilatação dos prazos. a fim de produzir prova. em 5 dias. Trata-se de excelente precaução. tal como determina o § 42 do art. decidirá o Juiz penal. enquanto o de 5. Na ação própria. Esse prazo de 2 dias é comum. para apresentar. determinar. 120 do CPP . proferirá despacho determinando que o interessado ingresse com ação própria no juízo civel. Quem pode o mais. Se o Juiz penal entender tratar-se de questão de alta indagação. sem a audiência do Promotor de Justiça. não se sentindo. na hipótese de dúvida quanto ao direito do reclamante. é sucessivo. em face da produção de maiores e melhores provas. toma o cuidado de alertar o requerente para não dispor da coisa até ordem em contrário. Se não houver dúvida quanto ao direito do reclamante. também somente o Juiz é quem pode apreciar a questão. isto é. 120 do CPP Realmente. conceder-se-á o prazo de 5 dias ao reclamante. contudo. fazer prova do seu direito. e con­ clusos os autos do incidente ao Juiz criminal. Restituição feita pelo Juiz criminai Formulado o requerimento. remeterá as partes para as vias ordinárias do civel. Quando o Delegado pro­ cede à devolução. Se este pode decidir se duvidoso o direito. e igual direito será reconhecido ao terceiro de boa-fé. concedido ao reclamante e ao terceiro de boa-fé para produção de provas. nada obsta que o requerimento seja endereçado ao Juiz penal. considerando a questão de alta indagação.

restaria ao terceiro a ação de regresso contra quem lho alienou. p. direito das coisas. o dono. a restituição somente será possível se se tratar de coisa restituível cuja retenção.Insta acentuar que. 161/849 e 174/189. se Mévio furta ou rouba determinado bem e o vende a terceiro de boa-fé. 3. contudo. in Instituições.. Atlas. 1953. in Curso de direi­ to civil. 79. Direito do terceiro de boa-fé Se a coisa apreendida fosse simplesmente achada ou furtada. caberia ao lesado promover a compe­ tente ação civil contra quem lho tirou. realmente. 237). Saraiva. a nosso juízo. Direito das coisas. 1980. mesmo em juízo. era obrigado a pagar ao possui­ dor o preço por que a comprou. que pretendesse a restituição. cit. 87. cit. v. 33 . vejam-se Washington de Barros Monteiro. 118. vejam-se as v. pela Justiça. Todavia. Tomaghi entende que a palavrafurtado empregada no corpo do art.. 10. tome premier. se o criminoso ob­ tivesse o objeto cometendo um estelionato ou apropriação indébita e o transferisse a terceiro de boa-fé. p. 521 do mesmo diploma. ainda no sentido do texto. provado que ele pertencia. feira ou mercado. p. ed. e quem a achasse ou furtasse a transferisse a terceiro de boa-fé. 109/51 e 122/181. restando ao terceiro de boa-fé promover ação regressiva contra quem lha vendesse. No CC de 2002 não há correspondente. 101/72. Essa presunção. 521 do CC de 1916 deve ser entendida no sentido amplo. dando-se à expressão furtado o sentido que lhe empresta o CP. segundo Planiol (Traité élêmentaire de droit civil. é juris tantum„ Assim. Paris. A lei civil falava em furto Daí se infere que. Antônio José de Souza Levenhagen. 1925.. o CC de 1916.. parece-nos que se pode invocai a máxima francesa “en fait de meubles possession vaut titre” (em relação aos móveis a posse vale título). 5. Coisa furtada. seja absolutamente desnecessária. n. LGDJ. Frederico Marques. 1. isto é. v. De acordo com o texto legal. 2459). Reivindicação das coisas móveis. p.. Elementos. por sinal uma das disposições mais importantes do direito fran­ cês. decisões publicadas na RF. ao lesa­ do. instaurado inquérito e apreendido o bem em poder do possuidor. no art. Silvio Rodrigues {Direito civil.. se a coisa fosse adquirida em leilão público. Na doutrina. como significante tirado (cf. 164/265. e RT. 521. concedia ao lesado direito à restituição. Não obstante. nos termos do parágrafo único do art.

Coisas adquiridas com os proventos do crime Já vimos quais as coisas que podem ser apreendidas. § 5a. Max Limonad. adulteração ou deterioração da coisa. Não havendo dúvida quanto ao direito do reclamante. Restituição de coisas facilmente deterioráveis Tratando-se de coisas facilmente deterioráveis. Furtada é a coisa produto de furto ou roubo. a devolução se faz singelamente. ed. em agências do Banco do Brasil ou das Caixas Econômicas Estadual ou Federal. e o quantum apurado será depositado. no sentido civil da expressão e aqui empregado pelo Código. 120. como diz Pontes de Miranda” (Código Civil inter­ pretado. será levantado o depósito e entregue a quem de direito.. ecL. é possível haja demora na solução do incidente. 12. p. 2a) determinará a sua avaliação e venda em leilão público.. Quer-nos parecer que a palavra furtada nem tem o sentido amplo que lhe empresta Tornaghi. haveria possibilidade de danificação. de Carvalho Santos. a devolução tanto pode ocorrer na Polícia como em juízo. desde que pessoa idônea. 5. Nesses casos. desde que se obedeçam aos requisitos para a restituição. duas solu­ ções se entreabrem ao Juiz penal: Ia) ordenará a sua guarda em mãos de depositário ou do próprio terceiro que a detinha. reportando-se a ensinamento de Pontes de Miranda: “O que caracteriza o furto. sendo coisa restituível. Após a solução do incidente. M. ressalvando. v. quer na Polícia. 7. Entre elas se incluem as adquiridas com os proventos do crime.. assim. principalmente se o Juiz penal reputar a controvérsia de difícil solução dentro do acanhado espaço probatório do processo incidental. 8. de preferência. e não havendo interesse na sua retenção. pensamos que. quer em juízo. Entretanto. do CPP. 253 e 254). direitos de terceiros. Nessa hipótese de apreensão de coisas facilmente deterioráveis. assim. tampouco o restrito que lhe confere Washington de Barros Monteiro. 62) segue o entendimento de Washington de Barros Monteiro. é a tirada clandestina ou violenta da coisa. deve o Juiz tomar as providências apontadas no art. e. p. se duvidoso o direito do reclamante ou se apreendida em poder de terceiro de boa-fé.2. com sua diligência. 11. mesmo na ausência de pedido de devolução. desde que apreensíveis 34 . Mais acertado se nos afigura o enten­ dimento de J. v.

apenas e tão somente. propriamente. consoante o art. não se trata. 1955. sim.. 132 e 240. do CPP permite a apreensão delasDiga-se o mesmo se. ressalvado 0 direito do lesado ou de terceiro de boa-fé. com o produto ou proventos do crime. 133 do mesmo estatuto . dos producta sceleris. 132 do CPP. a competência não seria do juízo penal. com tal quantia. O produto do leilão a ser entregue ao lesado ou terceiro de boa-fé serve. a propósito. 133 e seu parágrafo”. sendo a providência de natureza civil (ressarcimento de dano). e eh. Dir-se-á que. 2. e após a avaliação. de acordo com 0 art. Dessa hipótese cuida o art. se com o dinheiro furtado o agente adquire coisas achadas. b. será recolhido ao Tesouro Nacional 0 que não couber ao lesado ou terceiro de boa-fé. da responsabilidade de reparação do dano”. Vejam-se. d. Do dinheiro apurado. Invocando o art. será objeto de seqüestro. nos termos do art. 121 do CPP. 133 do CPP. sim. do CPP permite a apreensão. nos termos do art. Nessa hipótese. p. os arts. b. b. De ponderar que. Se A furta 2 mil reais de B e. § l 2. como bem 0 disse Espínola Filho (cf. não. e. § l2. porquanto o art. vier o agente a adquirir uma metralhadora. Porque neste caso. o Juiz. aplica-se o disposto no art. 292).em si mesmas. não se pode dizer seja este o produto do crime. do CPP A coisa ad­ quirida com os proventos do crime. o lesado ou terceiro de boa-fé será res­ sarcido. c. e dos bens seqüestrados. De fato. 35 . v. 370. 240. a perda em favor da União. Qual 0 Juiz que deve tomar essa providência? Entendemos que 0 órgão competente para determinar a avaliação e venda dos bens apre­ endidos. após sentença penal condenatória transita em julgado. Código de Processo Penal brasileiro anotado. assim. para "facilitar a efetivação. estabelecendo: “No caso de apre­ ensão de coisa adquirida com os proventos da infração. § Ia. não teria sentido se deslocasse a competência para o juízo cível a fim de ser tomada uma providência de caráter emi­ nentemente penal. Mas. o art. levada a leilão. que é o produto do crime» adquire um rádio. de um ressarcimento. na hipótese. após 0 leilão. de ofício 011 a requerimento do interessado. é o Juiz penal. conclui-se que. 121. ressalvado o direito do terceiro de boa-fé. também. Se é efeito da condenação. determinará a avaliação e a venda dos bens em leilão público... n. a lei não autoriza nem a apreensão nem a restituição. 240. no juízo cível. nos termos do art. 91. § l2. II. 240. tal como permite o CPP no art. O dinheiro. 132 do mesmo diploma. Este foi adquirido com os proventos do cri­ me. do CP. íi. o rádio.

por que motivo não o pode a coisa adquirida com o produto do fato criminoso? Apreendidos os objetos referidos no art 121 do CPP e transitando em julgado eventual sentença condenatória. b. se já havia promo­ vido a actio civilis ex delicto (art. 133? O legislador não previu a hipótese. Assim também se houver 36 . em face de uma absolvição.. 91. aplicando-se. que cuidava da matéria. do CPC. 141 do CPP. seu representante legal ou herdeiro. tal como o é no caso do art.Observe-se que o leilão de que tratam o art. o dis­ posto no art. aliás. que o ofendido. 122 do CPP. é o Juiz penal.Esta. E se não houver licitante naquele leilão a que se refere o art. seqüestro. o art. dependendo do caso concreto. às vezes. Na verdade. serão eles avaliados e le­ vados a leilão público. É verdade que o art» 779 do CPP. Do dinheiro apurado. b. nada obsta. do CP Como estas se confundem. do CP.. A esse mesmo leilão sujeitam-se as coisas referidas 110 art. o art. se o produto do crime pode ser avaliado e levado a leilão no juízo penal. se for o caso. II. se se tratar de coisa de pequeno valor. considerando-se o dispos­ to no art 91. extinção da punibilidade. impronúncia ou sentença absolutória? Quid indel Dependendo do caso concreto.. tudo nos termos dos arts» 796 e s. por analogia. 133 e parágrafo único do CPP.. 64 do CPP). Na hipótese de as coisas serem restituídas à pessoa do criminoso. nos termos do art. a solução que parece ser a mais correta. especialização em hipoteca legal etc. 121 do CPP Des­ sa venda em leilão cuida. com aquelas citadas no art. E se houver arquivamento. haverá as seguintes soluções: d) restituição à pessoa em poder de quem foram aquelas coisas apreendidas. também. em face do insucesso da ação penal. foi revogado Todavia.. 132 do CPP. b) os bens poderão ficar com a União. seja ela restituída ao le­ sado ou terceiro de boa-fé. nada impede. II. constitui tal circuns­ tância um argumento a mais a favor do entendimento de que a autori­ dade competente para a avaliação e venda dos bens. tais como arresto. ao fazer alusão às coisas de que trata o art. requeira no juízo civel a apreensão das mesmas coisas. Contudo.. antes aconselha. 133 e seu parágrafo do CPP é das coisas adquiridas com os proventos do crime. ou se vier a fazê-lo. 119 do mesmo estatuto era e é bastante. 122 do mesmo estatuto. ou outras medidas precautórias. será recolhido ao Tesou­ ro Nacional o que não couber ao lesado ou terceiro de boa-fé.

nos termos do art. Decorrido o prazo.. 5. Do contrário poderá ser designada nova data para outro leilão. 63 do CPP. 25 da Lei n. sim. 122 do CPP e aquela do art. Por que razão não poderá ele ser vendido em leilão? Pode parecer que. 13. e a despeito das regras contidas nos arts. II do art. O Código. Cuidando-se de objetos confiscáveis. fabrico. a propositura da actio judicati. ser enca­ minhadas ao Comando do Exército da respectiva Região Militar para a sua destruição. aguardam-se 90 dias para eventual restituição. não faz sentido sua venda em leilão. 10. resta indagar se houve sen­ tença condenatória com trânsito em julgado. como pareceu a Tomaghi {Instituições de processo penal. Evidente que a esse leilão devem comparecer apenas pessoas cre­ denciadas a colecionai armas. 124 do mesmo diploma.826. n. Não havendo. as coisas ficarão para a União. expressamente o permite (CPP. p. o Juiz Criminal terá três opções: a) Tratando-se de peça valiosa — e não havendo interesse pela sua conservação em museu criminal. pelo Juiz competente. ed. v. 122 e 123 do CPP. não se justifica o leilão. aí. Havendo. art. Acosta (O processo penal. tratando-se de armas de fogo. fabrico. temos de obser­ var: Ia) Tratando-se de objetos confiscáveis (aqueles cujo uso. 5. 245) e a Walter P.Destino dos objetos apreendidos Qual o destino dos objetos e valores apreendidos? Já vimos como proceder quando se tratar de produtos indiretos do crime. alienação ou detenção constitua fato ilícito. não mais interessando ao processo deverão. sendo objeto irrestituível. pessoas interessadas em adquirir o obje­ to leiloado. nos termos do art. 62). se for o caso. de 22-12-2003. uso. 37 . se não for possível a resti­ tuição. de produtos diretos do crime e de objetos outros que não aqueles citados no inc. se for o caso. posto que confiscável. Persistindo sua não realização. Contudo. alienação. restando ao lesado ou terceiro de boa-fé. Poderá parecer estranho o leilão de um objeto cujo porte. 122 e parágrafo único) Não vislumbramos nenhuma contra­ dição entre a regra do art. entretanto.equivalência de preço entre a coisa apreendida e o valor ou a coisa tirada da vítima. sem qualquer pedido. porte ou detenção constitui fato ilícito). porquanto já a possui —. 91 do CP. poderá o Juiz determinar sua avaliação e venda em leilão. não tendo havido devolução ao lesado ou terceiro de boa-fé.

houver sido julgada extinta a punibilidade. nos termos do art.O produto do leilão será recolhido ao Tesouro Nacional. for de inexpressivo valor ou estiver com defeito. refere-se à pessoa de quem o objeto foi tirado. 124 do CPP c) Se o instrumento do crime. advindo sen­ tença absolutória com trânsito em julgado. nos termos do art 25 da Lei do Desarmamento. d) As armas. p. ex„). Assim.. quando não for possível a restituição. confiscável. b) os explosivos de interesse militar serão entregues aos Serviços de Engenharia Regionais. deverá o Juiz. determinar sua destruição. ou proferida decisão. bem como os explosivos de interesse militar apreendidos pelas autoridades militares e policiais terão os seguintes destinos: a) as armas brancas serão recolhidas ao estabelecimento fabril do Exército mais próximo do local da apreensão. petrechos e munições de uso proibido. Idêntico procedimento será observado se. a regra aplicável é aquela prevista no art. a restituição é possível. para fins de aproveitamento da matéria-prima. 124 do CPP. c) as armas de fogo. no texto do parágrafo único do art„ 122 do CPP. 122) ou de qualquer bem que constitua proveito auferido pelo agente com a prá­ tica do fato criminoso. obedecidas as regras dos arts. b) Se houver interesse na sua conservação. não reclamados os objetos. nos termos do art. isto é. primeira parte. ser remetidas ao Comando do Exército. nos termos do art. parágrafo único. 122 e seu parágrafo único do 38 . deverão. dire­ tamente ou através do SFPC/DPO ou Regionais. aí sim reverterá para a União o que não couber ao lesado ou terceiro de boa-fé . pelo Juiz competente. do CPP Inaplicável a se­ gunda parte. 122. uma vez que o saldo apurado não se destina ao ressarci­ mento do dano A palavra lesado. quando o leilão disser respeito aos produtos do crime (art. coisas adquiridas diretamente com a prática do fato criminoso (relógio furtado. o Juiz fará recolher o instrumento do crime a museu criminal. observar-se-á o disposto no art. 22) Se os objetos apreendidos forem produtos da infração. 123 do mesmo diploma. 118 a 120 do CPP Se não houver pedido nesse sentido. arquivando o inquérito Sendo condenatória.

E. 3. 1. se por demais inexpressivo o valor do objeto. Este deverá. então. 125 a 144 do Decreto-Lei n. Para melhor estudo acesse o site www. que continua em vigor. por analogia. de 3 de outubro de 1941 — Código de Processo Penal. as normas aplicáveis são as previstas no Decreto-lei n. 60 a 64 da Lei n.). 91 do CP. Se pertencerem ao réu. depois “Decreto-Lei”) e localize o extenso De­ creto-lei n. a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade de polícia judiciária. O juiz. isto é. transcrevê-las. 60. de acordo com os arts. a apreensão e outras medidas assecuratórias relaciona­ das aos bens móveis e imóveis ou valores consistentes em produtos dos crimes previstos nesta Lei. 11.br (clique “Legislação”. procedendo-se na forma dos arts. 39 . não mais interessando ao processo. aplicar-se-á a regra do art. 37/66. Se. a este serão devolvidos. neste curso. 15. entretanto. 123 do CPP. 37. Se após 90 dias do trânsito em julgado da decisão fmai ninguém os reclamar. no curso do inquérito ou da ação penal.presidencia. serão restituídos a quem de direito. ou que constituam proveito auferido com sua prática.gov. nada obsta se aplique a regra do art. Coisas apreendidas em face de contrabando ou descaminho Observe-se que. agir de conformidade com as regras estabelecidas no CPC pertinentes à arre­ cadação de bens de ausentes ou de bens vagos (arts.. havendo indícios suficientes.689.CPP. quando se tratar de tráfico de substâncias entorpecentes. Destino das coisas apreendidas ou seqüestradas. de 18-11-1966. a regra do art 124 do estatuto processual penal 3a) Se os objetos apreendidos não se incluírem no rol daqueles referidos no art. Esse diploma vem sofrendo tantas alterações ao longo da sua vigência que seria impossível. serão avaliados e levados a leilão. poderá decretar. em se tratando de coisas apreendidas em face de contrabando ou descaminho.343. de 23-8-2006 (nova Lei de Tóxicos) “Art. o réu de­ saparecer. depositando-se o saldo à disposição do juízo de ausentes. de ofício. nada obsta se aplique. 123 14. ouvido o Ministério Público.159 e s.

ficando esta livre do pagamento de multas. Os veículos. 62 desta Lei. até o trânsito em julgado da decisão que decretar o seu perdimento em favor da União. Art. que serão recolhidas na forma de legis­ lação especifica. Recaindo a autorização sobre veículos. bem ou valor objeto da decisão. embarcações ou aeronaves. quando a sua execução imediata possa comprometer as investigações. o juiz ordenará à autoridade de trânsito ou ao equivalente órgão de registro e controle a ex­ pedição de certificado provisório de registro e licenciamento. direitos ou valores poderá ser suspensa pelo juiz. na atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas e na repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas. utensílios. podendo o juiz determi­ nai' a prática de atos necessários à conservação de bens. § 3a Nenhum pedido de restituição será conhecido sem o comparecimento pessoal do acusado. 62. mediante autorização do ju­ ízo competente. exclusivamente no interesse dessas atividades. aeronaves e quaisquer outros meios de transporte. utilizados para a prá­ tica dos crimes definidos nesta Lei. 61 Não havendo prejuízo para a produção da prova dos fatos e comprovado o interesse público ou social. excetuadas as armas. apresente ou requeira a produção de provas acerca da origem lícita do produto. Art. os maquinários. o juiz facultará ao acusado que. encargos e tributos ante­ riores. ressalva­ do o disposto no art. embar cações. bem ou valor. os bens apreendidos poderão ser utilizados pelos órgãos ou pelas entidades que atuam na prevenção do uso indevido. instru­ mentos e objetos de qualquer natureza.§ Ia Decretadas quaisquer das medidas acima indicadas. em favor da instituição à qual tenha deferido o uso. ficarão sob custódia da autoridade de policia judiciária. Parágrafo único. direi­ tos ou valores. § 2S Provada a origem lícita do produto. § 4a A ordem de apreensão ou seqüestro de bens. após a sua regular apre­ ensão. 40 . ouvido o Ministério Público. o juiz decidirá pela sua liberação. no prazo de 5 (cinco) dias. ouvido o Ministério Público e cientificada a Senad.

§ Ia Comprovado o interesse público na utilização de qualquer dos bens mencionados neste artigo. os autos serão conclusos ao juiz. mediante petição autônoma. com a descrição e a especificação de cada um deles. § 4a Após a instauração da competente ação penal. a compensação dos che­ ques emitidos após a instrução do inquérito. com cópias autên­ ticas dos respectivos títulos. de imediato. juntando-se aos autos o recibo. requererá ao juízo competente que. ouvido o Ministério Público. o Ministério Público deverá requerer ao juízo. e informações sobre quem os tem sob custódia e o local onde se encontram. a autoridade de polícia judiciária poderá deles fazer uso. a conversão do numerário apreendi­ do em moeda nacional. a autoridade de polícia judiciária que presidir o inquérito deverá. em caráter cautelar. sob sua responsabi­ lidade e com o objetivo de sua conservação. por intermédio da Senad. requerer ao juízo competente a intimação do Ministério Público. proceda à alienação dos bens apreendidos. excetuados aqueles que a União. que. § 7a Autuado o requerimento de alienação. § 2a Feita a apreensão a que se refere o caput deste arti­ go. o Ministério Público. se for o caso. § 3a Intimado. § 59 Excluídos os bens que se houver indicado para os fins previstos no § 4a deste artigo. o requerimento de alienação de­ verá conter a relação de todos os demais bens apreendidos. em caráter cautelar. a respectiva petição será autuada em apartado. § 6S Requerida a alienação dos bens. cujos autos terão tramitação autô­ noma em relação aos da ação penal principal. indicar paia serem colocados sob uso e custódia da autoridade de polícia judiciária. e tendo recaído sobre dinheiro ou cheques emitidos como ordem de pagamento. de órgãos de in­ teligência ou militares. verificada a presença de nexo de instrumentalidade entre o delito e os objetos utilizados para a sua prática e risco de perda de valor econômico pelo decurso do . exclusivamente no interesse dessas atividades. e o depósito das correspondentes quantias em conta judicial. envolvidos nas ações de prevenção ao uso indevido de drogas e operações de repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas. mediante autori­ zação judicial.

o juiz.tempo. até o final da ação penal respec­ tiva. de ofício ou a requerimento do Ministério . § 42 Transitada em julgado a sentença condenatória. Terão apenas efeito devolutivo os recursos interpos­ tos contra as decisões proferidas no curso do procedimento previsto neste artigo. após decretado o seu perdimento em favor da União. permanecerá depositada em con­ ta judicial a quantia apurada. 63. quando será transferida ao Funad. § 82 Feita a avaliação e dirimidas eventuais divergências sobre o respectivo laudo.. homologará o valor atribuído aos bens e determinará sejam alienados em leilão . por sentença. cujo perdimento já tenha sido decretado em favor da União. bem ou valor apreendido. até o trânsito em julgado da decisão que decretar o seu perdimento em favor da União. § 10. §11. § 92 Realizado o leilão. o juiz do processo. em favor da autorida­ de de polícia judiciária ou órgão aos quais tenha deferido o uso. embarcações ou aeronaves. este. serão revertidos diretamente ao Funad. § 32 A Senad poderá firmar convênios de cooperação. Ao proferir a sentença de mérito. cien­ tificará a Senad e intimará a União. o juiz decidirá sobre o perdimento do produto. o Ministério Público e o interessado. § 2a Compete à Senad a alienação dos bens apreendidos e não leiloados em caráter cautelar. seqüestrado ou declarado indisponível. o juiz ordenará à autoridade de trânsito ou ao equi­ valente órgão de registro e controle a expedição de certificado provisório de registro e licenciamento. ficando estes livres do pagamento de multas. Quanto aos bens indicados na forma do § 4a deste artigo. se for o caso. encargos e tributos anteriores. § l2 Os valores apreendidos em decorrência dos crimes tipificados nesta Lei e que não forem objeto de tutela cautelar. Art. juntamente com os valores de que trata o § 32 deste artigo. recaindo a autorização sobre veículos. determinará a avaliação dos bens relacionados. a fim de dar imediato cumprimento ao estabelecido no § 22 deste artigo. por edital com prazo de 5 (cinco) dias.

649. de 31-8-2001. como bem disse Vicente Greco Filho. Cabe ao exegeta. Observação: o § l2 do art. Art. 64. 7. plus dixit quam voluit. remeterá à Senad relação dos bens. também. 176). A União. ou uma ampola de morfina. embarca­ ções. Recuperação e de Combate às Drogas de Abuso). p. Anteriormente a denominação era Funcab (Fundo de Prevenção. o local em que se encontram e a entidade ou o órgão em cujo poder estejam. aqui. 6a. Deve ser arredada a hipótese de um cidadão perder o seu automóvel simplesmente porque a autoridade neie encontrou dois “pacaus” de maconha. à evidência. 1979. Tóxicos. já que o legislador. preparação. da Lei n. 43 . para os fins de sua destinação nos termos da legislação vigente. Saraiva. de 19-12-1986 Posteriormente essa denominação foi alterada para Funad (Fundo Nacional Antidrogas) e sua gestão transferida do Ministério da Justiça para a Secretaria Nacional Antidrogas do Gabi­ nete de Segurança Institucional da Presidência da República. produ­ ção ou transformação de substâncias entorpecentes ou que determinem dependência física ou psíquica.. aeronaves e quaisquer outros meios de transporte estiverem sendo utilizados propositadamente para traficar e mercadejar substâncias en­ torpecentes ou que determinem dependência física ou psíquica. se tais meios de transporte forem intencionalmen­ te empregados como “lugar” destinado à fabricação. 63 fala em perdimento a favor do Fu~ nad. nos termos do art. 9. com vistas na liberação de equipamentos e de recursos por ela arrecadados.216-37. por intermédio da Senad. com o Distrito Federal e cora orga­ nismos orientados para a prevenção do uso indevido de drogas. direitos e valores declarados perdidos em favor da União... proceder a uma interpretação restritiva. na redação dada pela Medida Provisória n. poderá firmar convênio com os Estados. indicando. § 3a.Público. para a implantação e execu­ ção de programas relacionados à questão das drogas” . quanto aos bens.560. a atenção e a reinserção social de usuários ou dependentes e a atuação na repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas. há necessidade de um nexo etiológico entre o delito e o objeto utilizado para a sua prática (cf. Enfim: para a perda. A perda deve verificar-se quando os veículos. por força da Lei n. 2. de 7-5-1998. Assim.

56). 9 Sentença penal condenatória. 15. O arresto do bem a ser hipotecado. Absolvição.. muitas vezes. Assim. O seqüestro. 10 Hipoteca legal. corra o risco de ser diminuída ou anulada pelo retardamento (periculum in mora). Seqüestro de móveis. e essa tardança pode acarretar prejuízo à parte . 8. ensina: sempre que a eficácia prática da função jurisdicional. o interessado pode solicitar a realização de providências urgentes e provisórias. Liquidação definitiva. 11 Pressupos­ tos. p. o processo cautelar. Generalidades 2. Bens fungíveis. São as medidas cautelares. para asse­ gurar os efeitos de uma eventual procedência do pedido formulado na ação. Medidas precautórias penais 3. no processo de conhecimento. 17.. é. Medida preventiva. Arresto de móveis. ressarcimento e reparação. 7 Levantamento do seqüestro. Embargos ao seqües­ tro.capítulo 34 Das Medidas Assecuratórias SUMÁRIO: 1. Responsável civil. Calamandrei. antecipando provisoriamente as prováveis conseqüências do processo principal. 16. Restituição. Generalidades A decisão. citado por Fre­ derico Marques (Instituições de direito processual civil. O ofendido e as medidas assecuratórias. visa a fazer com que o pronunciamento final possa a seu tempo produzir efeitos. só atin­ gível através de longo procedimento. . 1. 12. 2... 5. demo­ rada. 6. v. 13 . 14. 4.

ao tempo em que for prolatada a decisão definitiva. dando lugar à propositura da ação civil ex delicto. a pretensão de ressarcimen­ to. por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal. se houver fundado receio de que. 186 do CC. toda prisão provisória é preventiva) como garantia da ordem pública. com a prisão preventiva. o arresto e a hipoteca legal Essas providências constituem verdadeiras questões 46 . do CC. ou haja. A parte interessada. tais como o seqüestro. É o que se dá. no juízo penal. penhor. que a preventiva é medida cautelar. pode aguardar o trânsito em julgado da sentença penal condenatória para executá-la no juízo cível. 2. visando à satisfação do dano originário da infração penal. no mesmo juízo cível. não tomar ilusória a execução de uma sentença.. caução. 312 do CPP. pode o autor. então. 1 489. a ação civil.As medidas cantei ares são adotadas em vários ramos do Direito Fiança. Diz-se. fazendo uma conciliação entre o autor do fato e o ofendido quanto à satisfação do dano. lato sensu. g. então. cuja finalidade é garantir a satisfação de uma obrigação ou. assim como determina o art. o Juiz penal procura. Todavia. entretanto. caução. também. tal qual prevista no art. insta es­ clarecer que. solucionar a questão. hipoteca. seqüestro. arresto. o devedor já não possua bens para garantir a execução. não haja a parte promovido a ação civil. Contudo. de imediato. b) ou. em face da eficácia vinculante da sentença penal condenatória sobre a jurisdição civil. prevista no art. de­ pendendo do caso. Admite-se até possa tal providência atingir pessoas. depósito são exem­ plos de medidas cautelares.. Medidas precautórias penais Já vimos que todas as vezes que de uma infração penal advier prejuízo ao ofendido. busca e apreensão e até mesmo a hipoteca legal. ainda. com funda­ mento rio art. requerer uma providência cautelar: seqüestro. surge. 63 do CPP Tratando-se de infração penal de menor potencial ofensivo. tal como permite o ait. nessas hipóteses. penhora. tem duas alternativas: a) propõe. requerer a realização de várias medidas precautórias. até mesmo na audiência preliminar. pode ser proposta a ação civil. Nada impede possa ela. 64 do CPP. A lei permite a decretação da prisão preventiva stricto sensu (porque. além da pretensão punitiva que vai ensejar a propositura da ação penal. v. EI. entao. da ordem econômica. Suponha-se. Se a parte optar pela propositura da ação civil. nada a proíbe.

Se esta foi apreendida (e isso é possível independentemente de pedido do ofendido. o CPP denomina medidas assecuratóriaSs 3. por isso mesmo. conforme observamos no capítulo anterior Se. tal como permite o art. Se a coisa furtada foi consumida. A essas providências.incidentais e que. o pagamento do seu equivalente em dinheiro. 4. extraviada. Evidente que a remessa será feita após o início da execução da sentença penal na sede civil. evidente haver impossibilidade da sua restituição. fala-se em ressarcimento. autoriza à vítima do crime ou a quem legalmente a represente requerer. a satisfação do dano na própria esfera penal. A restitui­ ção nada mais é que o ressarcimento em forma específica.. para não tumultuar o andamento normal dos autos principais. como ocorre na Itália. Realizada a providência assecuratória e uma vez proferida sentença penal condenatória com trânsito em julgado. por­ ventura. nesses exemplos. Reserva-se a expressão reparação quando o prejuízo for moral. quando se saberá a que Juiz devem ser encaminhados os autos. 143 do CPP. O ofendido e as medidas assecuratórias Embora não adotemos a figura da parte civil no Processo Penal. conforme de­ termina o art. do CPP). destarte. que visam a acautelar os interesses do pre­ judicado com a prática da infração. não for possível a devolução da própria coisa. 240. na sede penal. 47 . Consiste na devolução da própria coisa ao lesado. Assim. § l st b. ao ressarcimento e à reparação. permitindo-se. os autos do in­ cidente devem ser remetidos ao juízo cível competente. No caso de homicídio. ressarcimento e reparação Sabemos que a ação civil visa à restituição (notadamente nos crimes contra o patrimônio). o legislador pátrio. restará ao ofen­ dido pleitear o ressarcimento. bastará ao interessado requerer sua devolução Casos há em que a restituição se faz até mesmo na fase do inquérito policial. na França e em várias legislações. medidas caatelares visando-lhe à satisfação. em autos apartados. impos­ sível a ressurreição da vítima. c e e. No caso de lesão corporal. impossível a restauração do statu quo ante.. isto é. pouco importando haja ou não reflexos patrimoniais. Restituição. entretanto. são objeto de um procedimento em separado.

na Justiça Cível e. as providências cautelares tomadas na Justiça repressiva se desfazem. não podem ser seqüestrados quaisquer bens do indiciado. porventura. ainda assim podem ser seqüestrados. Embora não se trate. Se. tendo.. por isso mesmo. aí. Então. não. como se vê pela redação do a rt 141 do CPP. Comentários. como o art. por isso mesmo. sua incolumidade. ou. do CPP Sobre ele falaremos por primeiro. de coisa sobre cuja propriedade haja controvérsia. Do seqüestro de imóveis cuidam os arts„ 125 e s. 125 diz: “caberá o seqüestro dos bens imóveis adquiridos pelo indiciado com os proventos da infração. por fim.Neces­ sário se torna sejam os bens adquiridos com os proventos do crime. contudo. possa a vítima ingressar' com a ação civil. pouco impor­ tando se de boa ou má-fé. v. a rigor. o legislador processual penal. Mesmo que tais bens se hajam transferido a terceiros. seqüestro significa a retenção da coisa Iitigiosa. Nada impede. 346). por outro lado. 5. O seqüestro Quais as medidas assecuratórias adotadas no nosso diploma pro­ cessual penal? O seqüestro de imóveis ou móveis. Somente determinados bens» Todavia. seria arresto. de acordo com os arts. sejam requeridas medidas cautelares. 796 e s. nos termos do art. 2. desde que tais decisões se tornem inimpugnáveis. Em rigor. apenas aqueles imóveis adquiridos por ele com os proventos da infração. como bem diz Tornaghi. a sentença penal for absolutória. ainda que já tenham sido trans­ feridos a terceir os”. no art 125. deve recair sobre determinado bem. áté que se decida a causa principal. uma vez entrevisto o periculum in mora. a fim de evitar que ele se subtraia ao ressarcimento do dano. 48 . e só assim seria seqüestro. razão assiste a Tornaghi ao vislumbrar ali um misto de seqüestro e arresto (cf. o arresto é a re­ tenção de quaisquer bens do indiciado ou réu. dependendo do fundamento da absolvição ou da causa que motivou a extinção da punibilidade.Se. tecnicamente. a hipoteca legal e o arresto. Já no seqüestro. ou julgada extin­ ta a punibilidade pela prescrição ou por outra qualquer causa. com o desfazimento do seu pa­ trimônio. do diploma processual civil. usa da ex­ pressão em sentido impróprio. um misto de seqüestro e de a rre sto De fato. quaisquer bens do indiciado ou réu podem ser arres­ tados. p. Enquanto aquele é a retenção de coisa sobre cuja propriedade há controvérsia e. 64 do CPP. nada obsta.

com o aumerário apurado. é o quantum satis paia autorizar a medida coercitiva de natureza real consistente no seqüestro. tal como previsto no parágrafo único do art. Estes. visando à concretização do seqüestro. Subentende-se seja aquele que estiver atuando junto ao Juiz perante o qual o processo está tramitando. que é o inquérito policial. com essa importância. A decretação do seqüestro. o seqüestro sobre ele pode recair.Oportunidade. e. O art. 2. vale dizer. o Juiz que vier a apreciá-lo ficará com a sua jurisdição preventa. adquire um imóvel. na segunda parte do art. restará apenas identificar a infração para se saber qual o Órgão Jurisdicional-Penal que vai atuai. E tanto é verdade que. v. E se ainda não o foram? Se na comarca houver luiz penal com competência fixada na Lei de Organização Judiciária em razão da matéria (CPP. e. este pode ser seqüestrado. fique estabelecida a compe- ^ ) j ^ ) ) ) ^ ^ ) ') ^ • ) ) } } ) ) ^ } ) .. nos termos do art. ou.. 127 do CPP confere legitimidade: a) Ao órgão do Ministério Público. salienta o legislador que o seqüestro poderá ser ordenado "em qualquer fase do processo ou ainda antes de oferecida a denúncia ou queixa”. p. 127. necessariamente. são os que eloquentemente apontam um fato. cit. e o número deles for igual ou superior a dois. Se A subtrai para si objetos de valor e. Fala o art 126 em "indícios veementes”. restará ao interessado submeter o requerimento. Se não houver. Poderá ele requerer a medida na fase do inquérito? Se este já foi dis­ tribuído. Somente o Juiz penal é quem pode determiná-lo. evidente que a competência é do Juiz da ação. havendo-o. após sua venda. que o imóvel ou imóveis hajam sido adquiridos pelo pretenso culpado com os proventos do crime. 75 do CPP. Qual Juiz? Se os autos do inquérito já foram distribuídos. como professa Tomaghi. por se tratar de bem adquirido com os proventos da infração. dúvida não há de que tal medida poderá ser tomada mesmo na fase do procedimento preparatório da ação penal. Quem pode requerer.00. 351). 74). e este só existe na fase do inquérito. Falando o art. nesse caso.000. Havendo indícios veementes da proveniência ilícita do ou dos imóveis do pretenso culpado. supõe. produtos diretos ou indiretos da infração penaL Se A furta a quantia de R$ 100. art. É preciso. “gerando uma suposição vizinha da certeza” (Comentários. nada obsta. adquire um imóvel. à distribuição. 125 em indiciado. contudo. porque adquirido com o produto do furto. mais adiante. 125. Competência para determinar o seqüestro. Pressuposto.

no mesmo despacho determina o Juiz seja expedido o competente mandado — que é a ordem judicial —• e que conterá a descrição do bem cujo seqüestro se ordenou. independentemente de provocação de quem quer que seja. Nesse sentido: “Têm natureza de decisões definitivas as que são proferidas em processos cautelares. 636/292. o Juiz.Embora não possa requerer. 134. 610/443. p 227).tência.. também. O processo. fazendo-a autuar em apartado (cf Walter Acosta. p 214). formando-se. ou há requerimento do órgão do Ministério Público ou do ofendido. expedir-se-á pre­ 50 . II. De posse do mandado. cit. 63). supõe-se. o motivo e fins da diligência..Mesmo quando a Autoridade Policial representa nesse sentido. b) À vítima do crime. sua localização. Se o Juiz quiser ordená-lo. Tal decisão é apelável. se morrer. pelo que cabe apelação contra as sentenças pertinentes às medidas assecuratórias previstas no artigo 125 ‘usque’ 144 do CPP. limitar-se-á o Juiz a de­ terminar sua autuação. a quem compete julgar da existência ou não daqueles indícios veementes da proveniência ilícita do imóvel seqüestrando. poderá fazê-lo seu representante legal ou. 66/370. de ofício. se fora. Evidente que se trata de mera faculdade. deverá baixar1a competente portaria. cit. que. ordená-lo. v. então. à míngua de regulamentação. deferir ou não o pedido. Assim também JTACrimSP. assim. Da decisão que concede ou nega o seqüestro cabe apelação: RT. lavrar-se-á o termo de con­ clusão. 4. mostrando a conveniência de ser decretada a medida cautelar. art.c) À Autoridade Policial que estiver à frente do inquérito. seus herdeiros (CPP. d) Pode. Efetivação. 593. A execução do mandado obedecerá. tais como as que ordenarem o seqüestro (arresto) ou a hipoteca legai de bens do réu (arts. e o Juiz. bem como contra a que indeferir levantamento de seqüestro ou cancelamento da hipote­ ca (art.. ao prescrito pela lei processual civil para o cumprimento da penhora.Autuado o pedido. ynutatis mutandis. do CPP. finalmente. se o ofendido for incapaz. Se houver representação da Autoridade Policial ou requeri­ mento do Ministério Público ou do ofendido. restará ao Magistrado. 552/339. 141)” (Elementos. Uma vez decretado o seqüestro. poderá fazer representação ao Juiz. é óbvio.Embora a lei não o diga. nos termos do art. os autos do processo incidente. vai apreciá-lo. 136 e 137).. dois Ofi­ ciais de Justiça dirigir-se-ão ao lugar em que estiver localizado o imó­ vel (dentro da respectiva comarca. sendo subscrito pelo escrivão e assinado pelo Juiz.

Cada imóvel tem. a lei processual pènal confere: a) a terceiro senhor e possuidor. de ofício. art. Determinando a lei se proceda à inscrição do seqüestro (rectius: registro). 665 do CPC Após a juntada do mandado (que deve ser subscrito pelos execu­ tores e por duas testemunhas que assistiram à diligência) aos autos do processo incidente. meios de defesa que. 1. x. se o seqüestro recair sobre um imóvel de propriedade de pessoa absolutamente estranha à infração penal. b) ao indiciado ou réu. é a matrícula. 128). e é de registro que se cuida. se viessem a adquirir o imóvel. outra coisa não fez senão acautelar mais ainda interesse do ofendido e de terceiros. no Livro 2 do Cartório de Registro de Imóveis da Circunscrição. 6. Juiz da Vara Criminal X. ordenará o Juiz se proceda à inscrição do seqüestro no Registro de Imóveis (CPP. tudo conforme o art. vale dizer.catória). Em se tratando de medida cautelar. um livro próprio para matrí­ culas e registros.046 do CPC. mas. 239. nos termos do art 167. consoante a regra do art. Recebendo a ordem judicial. 1. dando ciência da diligência ao seu proprietário. no Cartório de Imóveis.015/73 fala em registro — c f art. De qualquer sorte. cabe ao Oficial registrar. o Oficial do Cartório registra na matrícula do imóvel o ato constritivo. não há falar em embargos. E isso por uma cautela elementar. a sua descrição e procedência. I. no particular. Há. podem ser opostos embargos. nos termos do art. em contestação. sim. podendo ser contestados no prazo de 10 dias.. estando ele formalmente em ordem. da Lei dos Re­ gistros Públicos. Embargos ao seqüestro Uma vez realizada a diligência do seqüestro. Ainda aqui se nota a imprecisão terminológica do legislador. poderá ela opor embargos de terceiro. Se o seqüestro foi requerido pelo ofendido. que referido imóvel se encontra seqüestrado. 51 . A Lei n. encontrado ou não o proprietário ou possuidor. não poderiam alegar ignorância quanto à exis­ tência daquela medida constritivo-patrimoniaL 6. a não ser que o seqüestro se faça sobre bens de tercei­ ro absolutamente estranho ao delito. a este cabe contestá-lo Se ordenado pelo Juiz. não poderiam ignorar que sobre ele havia a incidência de um direito sobre coisa alheia. Estes. Assim. por ordem do MM.053 do mesmo diploma. 5. c) ao terceiro de boa-fé. lavrarão o res­ pectivo auto. nos autos do processo-crime n.. Havendo ordem de seqüestro..

fazê-lo» Se requerido pelo Ministério Público. Nessa contestação. 74). p. art. 129 do CPP. e. oferecem uma particularidade: devem ser julgados logo. Aqui. alegar não ter sido o imóvel adquirido com os pro­ ventos do crime. ou. Uma delas é o terceiro senhor e possuidor Quando o art. se. a sua insciência quanto à proveniência ilícita do imóvel. nos termos do art. p. Maga­ lhães Noronha (Curso de direito processual penal. 156). por equívoco ou má informação. seu total desconhecimento de que o pretenso culpado o adquirira com os proven­ tos da infração e. Pode. caber ao ofendido. Códi­ go de Processo Penal brasileiro. 130 é inaplicável aos embargos de que trata o art. Os embargos de terceiro senhor e possuidor. 52 . p. o seu proprietário e possuidor poderá opor embargos. não se aplicando a regra contida no parágrafo único do art. ainda. Como bem diz Bento de Faria. sem receio de contestação. Veja-se. o indiciado ou réu opor embargos. Ainda aqui entendemos tratar-se de contestação. isto é. Finalmente. 1942. 130 do mesmo diploma. a regra do parágrafo único do art. a que se refere o art. também. cit. como parte interessada. se o foi. Vimos que três pessoas podem opor “embargos” ao seqüestro. portanto. como custos legis. 802 do CPC. Hspinola Filho (Código. a contestação ficará a seu cargo. entende­ mos não se tratar de embargos. Mesmo nas demais hipóteses. 129 do CPP fala em terceiro. apenas. por isso mesmo. também. b) não seria justo perdurasse tamanha violência ao direito de alguém que nada tem que ver com a infração. deverá provar.. certo da licitude da aquisição. por exemplo. a aquisição ocorreu muito antes do crime que se lhe imputa. na contestação (CPC. também poderá opor “embargos” o terceiro de boa-fé.. 802). deverá o órgão do Ministério Público ser ouvido. No mesmo senti* do.. não pode ser seqüestrada a coisa pertencente a terceiro estranho ao delito (cf. 129. o indiciado ou réu poderá. 383). afirmamos que a referência é feita ao terceiro senhor e possuidor do imóvel objeto do seqüestro. quanto ao mérito.ou mediante representação da Autoridade Policial. Assim. Trata-se de pessoa completamente estranha ao delito.. mesmo porque: a) o parágrafo guarda estreita relação com o artigo que prevê. 1978. Não basta apenas a boa-fé. v. é preciso que d bem lhe tenha sido transferido a título oneroso Satisfeita essa condição. mas de contestação. v. sequestrou-se um imóvel não adquirido do indiciado ou réu. 2. 1. pensamos.

nos termos do art. na hipótese do art. 7. Levantamento do seqüestro O levantamento do seqüestro dá-se quando ele perde a sua eficácia. se o forem logo em seguida ao ato constritivo da pro­ priedade. a decisão sobre tal incidente cautelar somente será proferida depois de haver transitado em julgado eventual sentença penal condenatória. o caput do art. n. consoante a regra do art.. 143 do CPP é aplicável à hipoteca legal e ao arresto referido no art. p. 802. determina­ rá a avaliação e a venda dos bens em leilão público. é até aconselhável que o Juiz penal os solucione de pronto.880-3/8-00. as partes de­ verão ser remetidas às vias ordinárias.048 do CPC. não há razão séria que justifique o deslocamento da competência para o cível. em se tratando de embargos de terceiro senhor e possuidor. 1.048 do CPC. É a regra inserta no art. 91.Apresentados os embargos. 82. 91. 133 do CPP determina que. Boletim do IBCCrim. 385). a menos haja questão de alta indagação. tendo em vista a regra contida no art. Se é este quem determina a avaliação e leilão. o Juiz. quando a mesma regra do art. . embora possam ser opostos a qualquer tempo. Nesse sentido. o que poderá dar-se a qualquer tempo. 1. 221. prazo esse que se conta a partir da data em que ficar concluída a diligência. 137 do estatuto processual penal. 130 do CPP* Contudo. Fosse o juízo cível. Isso ocorre em três hipóteses: l3) Se a ação penal não for intentada no prazo de 60 dias.. a e b. de ofício. podem os embargos de terceiros ser utilizados tanto em sede penal como em sede civil” (c f Ap. então.. Qual o Juiz competente para julgar o incidente? Se o art. a e 6. no prazo de 5 dias. segundo o estatuído no art. após o trânsito em julgado da sentença condena­ tória. 133 do estatuto penal. 143. recolhendo-se — do dinheiro apurado — ao Tesouro Nacional o que não couber ao lesado ou terceiro de boa-fé. II. a v..„ a competência para julgai embargos de terceiros opostos em medidas assecuratórias de natureza penal é mesmo do juízo criminal. 122 do CPP. decisão proferida em 8-2-1999. ou a requerimento do interessado. O preceituado no art. decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo: u. fácil concluir que a competência paia tais providências é do próprio Juiz penal. na hipótese do art. do CP. n. quando. do CP deverá ser observada. ou a contestação.. Tal como o mandado de segurança. 133 teria redação igual à do art.

Se a sentença penal condenatória torna certa a obrigação de satisfazer o dano ex delicto e. ressalvado o direito do lesado ou terceiro de boa-fé. É certo que a sentença de absolvição. natural. já o mesmo não acontece com a sentença absolutória e a que julga extinta a punibilidade. De fato Dizen­ do a lei “o terceiro. produz aqueles efeitos a que se refere o art. poderá fazê-lo. prestar caução que assegure a aplicação do disposto no art 74. II. a quem tiverem sido transferidos os bens. uma vez que a sentença no juízo penai não foi condenatória. penhor ou fiança. ressalvado o direito do lesado ou terceiro de boa-fé. II. b. 2a) Se o terceiro. b. e a que julga extinta a punibilidade não im­ pedem a propositura da ação civil para a satisfação do dano. Contudo. papéis de créditos. a que se refere o art. 3a) Levantada também será a medida. ao mesmo tempo. 91 do CP. B27 do CPC. títulos da União ou dos Estados. em favor da União. de medida por demais violenta. subentende-se: os bens que foram adquiridos com os proventos da infração. em princípio. Claro Se um dos efeitos secun­ dários da sentença condenatória com trânsito em julgado consiste na perda. mesmo porque outros não podem ser objeto da medida cautelar de que tratamos. dos instrumentos do crime. 130. Então. producta sceleris ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a práti­ ca da infração penal. não teria sentido sua perduração. que consistirá em depósito em dinheiro. É óbvio que se trata do ter­ ceiro de boa-fé. teria o ofendido de promover no cível (e assim mesmo dependendo do funda­ . do CP (rectius: 91. deve este fazer a caução. se o terceiro de boa-fé quiser levantar a medida constritiva (pois o julgamento dos embargos se dará após o trânsito em julgado de eventual sentença condenatória). deva ser tomada a cautela do levan­ tamento do seqüestro mediante a caução.Assim. qualquer bem ou valor que constitua provento auferido pelo agente com a prática do fato crimino­ so reverterá aos cofres da União. 91 do CP. como se trata. se for julgada extinta a punibilidade ou absolvido o réu por sentença trânsita em julgado. se até o dia 30 de abril não for proposta a ação pena]. realizado o seqüestro (e não seu registro) no dia l2 de março. a este cabe o pagamento de eventuais despesas com a diligência. hipoteca. II do art.. tudo nos termos do art. U. a quem tiverem sido transferidos os bens”. pedras e metais preciosos. pois. o seqüestro per­ de a sua eficácia. do CP). ad cautelam. Tratando-se. Assim. segunda parte. Se requerido pelo ofendido. do CPP. isto é. conquanto preste caução idônea de molde a assegurar o que dispõe a segunda parte do inc.

pela Justiça Penal. Ora. Se não dermos tal interpretação aos arts. como na lei não há palavras inúteis. vem a adquirir um aparelho televisor. desde que existam indícios veementes da sua proveniência ilícita. e. ainda assim poderá ser decretada a medida constritiva. no cível. mesmo que já o houvesse feito (art. 132 do CPP que somente se procederá ao sequestxo de bens móveis (desde que haja indícios veementes da sua proveniência ilícita) se não for cabível a busca e apreensão. o indiciado ou réu. que constitui outra me­ dida constritiva. ou se a punibilidade fosse julgada extinta.mento da absolvição) a competente ação com vistas ao ressarcimento do dano. Desse modo. vende-a e. coisa obtida por meio criminoso. Se Mévio furta uma joia. 132 e 121 do CPP. porquanto a certeza quanto à obrigação de satisfazer o dano que a sentença penai condenatória traduz se dissipou e esvaeceu. mes­ mo se saiba da proveniência ilícita da coisa. entendeu o legislador não deves­ se a medida perdurar se absolutória a decisão. não se pode dizer seja este o produto do crime. 2a) às coisas adquiridas com o delito mediante alienação 55 . como se trata de providência tomada em caráter provisório e excepcional. tendo em vista os efeitos civis da sentença penal condenatória. não teria sentido perdurasse o seqüestro.. o ofendido poderá requerer a mesma providência. tanto mais quanto. 132 se refere: Ia) às coisas adquiridas com o delito.. a que se refere à inscrição. assim. nos termos do art. Seqüestro de móveis Se. a medida cabível é o seqüestro. haverá indisfarçável anti­ nomia entre as regras contidas naqueles dispositivos. 132. Entretanto. salvante. porventura. Mesmo hajam sido transferidos a terceiros. 8. Por outro lado. 64). vier a adquirir bens móveis. Diz o art. nem sempre é cabível a busca e apreensão. estes também poderão ser se­ qüestrados. concluímos que o art. não sendo possível a busca e apreensão. o que falamos sobre seqüestro de imóveis tem inteiro cabimento aqui. e. com os proventos ou produtos do crime. Esta se faz para os imóveis. ou melhor. mediante sucessiva especificação. é óbvio. com o dinheiro. que será devidamente apreciada pelo órgão competente. Aplicam-se ao seqüestro de móveis todas as disposições pertinen­ tes ao de imóveis.

em face da regra contida no art. n. há de promover-lhe a execução. Entretanto dispõe o art. não traz muitas luzes. p. o Juiz. 101). 312). seu representante legal ou herdeiros ingressar no cível com a execução por título judicial. ou quern de direito. 63 do CPP. Tomaghi. de ofício ou a reque­ rimento do interessado. p. Magalhães Noronha entende ser inaplicável. fazendo considerações a respeito do art. 143. 394. Comentários. 133. por outro lado. passando em julga­ do a sentença penal condenatória. v. o que se contém no art. 91. paia efeitos civis. Sentença penal condenatória Um dos efeitos civis da sentença penal condenatória com trânsito em julgado é tomar certa a obrigação da satisfação do dano ex delicto. em comen­ tários ao art. na sede penal. c it. após passai' em julgado a sentença condenatória. Sendo a sentença penal condenatória trânsita em julgado título ilíquido. com absolu­ ta firmeza. cit. por isso mesmo. 133 (cf. os autos do arresto ou da hipoteca serão reme­ tidos ao juízo cível. 143 do CPP determina. 143 do CPP Agora.. Espínola Filho. do CP e do art. equivalente à ação executória do CPC ab-rogado. concluímos que aquele dispositivo se refere à hipoteca legal 56 . deixa entrever seja o penal e. Processo penal. E seu parágrafo acrescenta: do dinhei­ ro apurado. será recolhido ao Tesouro Nacional o que não couber ao lesado ou terceiro de boa-fé. 2. mormente havendo certeza da existência de bens que a garantem e se encontr am retidos. I. 363 e 385). determinará a avaliação e a venda dos bens seqüestrados em leilão público. que. processa-se no cível e se o art. no campo do ressarcimento do dano. v. é o Juiz penal ou cível quem deve determinar a avaliação e leilão dos bens arrestados? A resposta a essa indagação tem encontrado opiniões conflitantes. como se constata pelo verbete uO juiz competente para a aplicação do saldo do leüão dos bens seqüestrados” (cf. afirma ser o Juiz penal (cf. é de indagar: afinal de contas. mas certo. é curial que o ofendido. Se a execução. consoante a regra do art. 133 e seu parágrafo do CPP devem ser tomadas pelo Juiz penal.9. um dos mais lúcidos comentadores do nosso diploma processual penal. p. permitindo. 2. Que essa execução se faça no cível nenhuma dúvida pode haver. Código.. Tais providências ditadas pelo art. A princípio pareceu-nos devesse ser observada a regra contida no art. transitada em julgado a sentença penal condenatória. ao ofendido. 63 do CPP. 133 desse mesmo estatuto que.

143. o criminoso vier a adquirir bens imóveis . 10. Se é o Juiz penal quem determina o leilão. Direitos reais. Forense. para o ressarcimento ou reparação do dano.. Se. Hipoteca legal. A hipoteca. Interessa-nos a hipoteca legal.e ao arresto tratado no art. p. além disso. o que não couber ao lesado será recolhido ao Tesouro Nacional. no art. apenas. 493. é o direito real de garantia em virtude do qual um bem imóvel. do CP. já sabemos que. que con­ tinua em poder do devedor. Na hipótese do a rt 133 do CPP. dispõe o atual CC. far-se-á a restituição. servem de garantia para a satisfação do dano ex delicto. se o produto do crime puder ser apreendido. Direitos.489. na límpida definição de Orlando Gomes. ex vi do art. é a que se constitui mediante contrato cele­ brado entre o credor e o devedor da obrigação principal. como efeito secundário da sentença penal condenatória. como medida cautelar. que é a comum. 1. ou aos seus herdeiros. Consiste no direito conferido ao exequente de uma sentença de prosseguir na execução desta contra os adquirentes dos bens do executado (cf. 298). porquanto o saldo do leilão servirá. de que cuidamos. p. maneira singela e rápida de se satisfazer aquele. para a satisfação do dano causado pelo delito e pagamen­ to das custas” Uma vez que o ofendido faz jus à satisfação do dano ex delicto. sobre os imóveis do delinqüente. 133 teria redação idêntica àquela do art. muito embora haja entre ambos os institutos profundos laços que os aproximam.. Orlando Gomes. b. Hipoteca íegal Esta é outra medida assecuratória que pode ser requerida perante o Juiz penal. assegura ao credor. 501). por que razão não poderá fazê-lo quando se trata de coisas adquiridas com o produto da infração? Ademais. não. devesse o Juiz penal remeter os autos ao juízo cível. em favor de certas pessoas. A judicial é a que decorre de uma sentença. para a garantia de determinadas obrigações. D. 137 do mesmo diploma. A hipoteca pode ser convencional. que se concretiza quer pela restituição quer pelo ressarcimento ou re­ paração. o pa­ gamento da dívida (cf. cit. aquela que é instituída pela lei. precipuamente. Conceito. Os bens arrestados ou hipotecados ficam seguros e. Espécies. n. com os proventos do crime. o art. Diverge profundamente do airesto. Realmente. III. na hipótese de produtos de crime. 91. isto é.. que a lei confere hipoteca “ao ofendido. judicial ou legal. A primeira.

a medida pode ser postula­ da mesmo na fase do inquérito.. logo. requerer outras medidas cautelares.. pode o interessado requerer a medida no juízo cível. Estes.. a providência cautelar a ser tomada é o seqüestro. para abranger a fase préprocessuaL Usa-se o termo indiciado para significar o sujeito passivo da pretensão punitiva antes do ajuizamento da ação. dês que presentes os requisitos legais. são os capazes de tranqüilizar a consciência do Magis­ trado. diga que a medida pode ser requerida em qualquer fase do processo. no próprio corpo. 5. ed. Já o art. como estamos tratando das medidas precautórias solicitadas no juízo criminal. Nucci (Código de Proces­ so Penal comentado. Ou. 41 esclarece que a denúncia deve conter a qualificação do réu. afirmar que a competência é do Juiz que estiver à frente do processo-crime. 134 esclarece que a hipoteca legal pode ser requerida. Ê claro que. p. Com bastante acerto. Daí dizer o inc. Nesse sentido. o ofendido. o art. seu representante legal ou herdeiros poderão. Sendo este incabível. pois. Tornaghi critica a redação. fácil. Oportunidade. V do art. 334) Por outro lado. 11.. Comentários. v. são os que bastam para convencer. na sugestiva definição de Borges da Rosa. como diz Tornaghi. Pressupostos Para ser requerida a especialização da hipoteca legal. isto é. p. em qualquer fase do processo. Revista dos Tribunais. desde que haja certeza da infração e indícios suficientes de autoria... Se a hi­ poteca já existe ope legis.. 2. b) indícios suficientes de autoria. prova inequívoca da materialidade do fato delitu­ oso. então o que se requer não é a hipoteca. 134 que a especialização de hipoteca legal pode recair sobre imóveis do indiciado. requerer a especialização de hipoteca legal sobre os imóveis do réu. também. como pode. Pode ser requerida a especialização da hipoteca na fase do inquérito? Embora o art. no juízo penal. conclui-se que o legislador empregou a palavra processo no seu sentido mais amplo. é preciso a coexistência desses dois pressupostos: a) certeza da existência da infração a parte objecti. 134 fale em imóveis do indiciado e. 6a do CPP que a Autoridade Policial deve ouvir o indiciado. cit. 370).. 58 . A especialização de hipoteca legal pode ser re­ querida em qualquer fase do processo ou até mesmo do inquérito. Mas. Autoridade competente.ou móveis. mas a sua especialização e inscrição (cf. mais adiante. Assim.. dizendo o art. se for proposta a ação civil ex delicto. São Paulo..

isto é. que se proceda à avaliação dos imóveis especializados. A especialização de hipoteca legal pode ser reque­ rida pelo ofendido. os arts. ela se desloca para o Ministério Público. n. prefere-se a estas . essa estimativa da respon­ sabilidade civil e dos imóveis indicados como garantia. bem como certidões dos títulos dominiais. dos imóveis indicados. isto é. mesmo porque cumprirá ao Juiz. Aquela. ao se dirigir ao Juiz penal competente. sendo que o conceito de pobreza é aquele forneci­ do pelo art 32. no verbete “Atividade do Ministério Público”: em face do art. A hipoteca legal de que cuidamos tem por finalidade garantir: a) a satisfação do dano ex delicio. do CPP: “Considerar-se-á pobre a pessoa que não puder prover às despesas do processo. feita na petição do interessado. b) o pagamento de even­ tuais penas pecuniárias e despesas processuais. estima­ rá os prejuízos. Se o réu tiver outros imóveis. explicitada na letra a. 135 Pelo que se infere do art. indicá-los. nomear perito (ou. Capítulo 10. desde que: a) o ofendido seja pobre e o requerer. É como soa o art. que deverão constituir o garante. b) se houver interesse da Fazenda Pública. Finalidade. dependendo da hipótese. o próprio con­ tador judicial). o art. a legitimidade pára as atividades de que cuidam essas disposições é da sua exclusivi­ dade. 134 da Constituição da República. calculará o valor da responsabilidade civil a cargo do réu e individualizará o imóvel ou imóveis de sua propriedade. pelo seu representante legai ou até mesmo pelos herdeiros.Legitimidade. 16. Procedimento. 68 e 142 do CPP (no que res­ peita à defesa de pessoas pobres) estão passando por uma progressiva inconstitucionalidade. o interessado juntar documentos comprobatórios da estimativa da responsabilidade civil. por outro lado. Onde não houver. 135 do CPP. também. Nesse sentido. pronunciando-se sobre o valor que se lhes atribuir. cumpre ao interessado. em petição que deve ser fundamentada quanto aos pressupostos da medida constritiva (prova da materialidade delitiva e indícios suficientes de autoria). sem privar-se dos recursos in­ dispensáveis ao próprio sustento ou da família”. Pode também ser requeri­ da pelo órgão do Ministério Público. de imediato. 134 do CPP. Onde houver Defensor Público. Deve. como veremos a seguir 59 . tal como determina o § 12 do art. É como soa o art. A pessoa interessada no pedido de especialização de hipoteca legai. 144 do CPR Vaie consignar aqui a mesma observação feita no 2a volume deste curso. na petição. 140 do CPP. não é definitiva. § l2. a fim de proceder ao cálculo do valor da responsabili­ dade e determinar.

no prazo comum de 2 dias. insta esclarecer que se o ofendido. se deficiente aquele. com o mesmo propósito. já requereu e obteve no cível medidas cautelares. destarte. o domicílio e a profissão do credor e do devedor. aumentando-a. se excessivo. 138 do CPP Conclusos os autos do incidente. c) a situação. nesse sentido. formando-se. Especializar é individuar o imóvel sobre o qual vai incidir a medida de coerçao real e precisar o valor da responsabilidade. Nem seria possível a inscrição (rectius: registro) se não houvesse esses dados. b) a data.Apresentado o requerimento. manifestarem-se sobre a estimativa da responsabi­ lidade e avaliação do ou dos imóveis. caso entenda estarem satisfeitos os pressupostos para a decretação da medida constritiva (prova da materialidade delitiva e indícios suficientes de autoria).. legai ou convencional. mesmo porque a garantia do ressarcimento do dano que a hipoteca traduz alcança. bem como para avaliar os imóveis indicados. em Cartório? A que solicitou a medida e o réu Intuitivo deva também manifestar-se o órgão do Ministério Pú­ blico.. 60 . o Juiz. Quais as partes que se manifestam no prazo comum de 2 dias e que correrá. por isso mesmo. o valor do crédito (valor da responsabilidade). art. 140). o Juiz então determina­ rá se proceda à inscrição (rectius: registro) da hipoteca do imóvel ou imóveis que forem necessários àquela garantia. a denominação e os característicos da coisa hipotecada. fazendo expedir ofício ao Oficial do Cartório de Registro de Imóveis. também. com a sua prudên­ cia. A inscrição (rectius: registro) da hipoteca é requisito indispensável a fim de valer contra terceiros. a natureza do título. não terá sentido postulá-las no juízo criminal. para.. ou restringin­ do-a. no­ meia perito para proceder ao arbitramento do valor da responsabilida­ de. Deve estai registrada e especializada. o processo incidenta! que correrá em apartado (normalmente em apenso aos autos do processo-crime). Realizadas as diligências ordenadas pelo Juiz e conclusos os autos. tal como determina o art. Malgrado a obviedade. Haveria um bis in idem de todo injustificável. o Juiz proferirá despacho determi­ nando a sua autuação. Em seguida. Estabelecido o valor da responsabilidade. como fiscal da lei. as despesas processuais e as penas pecuniárias (CPP. declarará: d) o nome. colocando-a nos seus devidos limites. determinará ele que se abra vista às partes. corrigirá o arbitramento do valor da responsabilidade. A inscrição (rectius: registro) da hipoteca.

O § 6a do art. Se este consiste na retenção da coisa . leia-se arresto. 12. se. contudo. para o interessado promover o processo de registro e especialização da hipoteca legal. Trata-se de excelente expediente paia jugular possível fraude por parte do acusado. e efetivada a diligência. se a parte não ingressar cora o pedido a que se refere o art. recebidos pelo valor de sua cotação mínima no ano corrente. Se. a partir da efetivação do arres­ to. com o emprego do verbo poder. nesse sentido. É a regra contida no art.491 do Código Civil. p. Temos então o arresto prévio. como lhe chamava. sob pena de ser revogada a medida preliminar. dentro do prazo de 15 dias. 216). na hipótese do art. 142. Ainda assim. até que essa medida constiitiva se concre­ tize. A lei estabelece o prazo de 15 dias. deverá a parte interessada promover o processo de registro e especialização da hipoteca legal. despesas processuais-e eventuais penas pecuniárias. o pedido der entrada em juízo. e. O pedido do arresto fica. equivalente à responsabilidade civil. com o intuito de oferecer maiores garantias à vítima do crime. o legislador corrigiu a expressão: era vez de seqüestro. ou ao Ministério Público. Medida preventiva. é bom que se frise: ao Juiz reserva-se a faculdade de aceitar ou não a caução.. e como sempre. cit. em dinheiro ou em títulos da dívida pú­ blica. assim. Uma vez deferida a petição. e muito mal. à discrição do Juiz penal. O arresto do bem a ser hipotecado Muitas vezes o processo de especialização e registro da hipoteca legal se alonga no tempo.. Hoje. dentro do prazo fixado. 134 do CPP dentro daquele prazo. o réu não quiser que seu imóvel ou imó­ veis fiquem hipotecados. aquele seqüestro prévio. revelando. 135 diz que o Juiz poderá deixar de mandar proceder à inscrição (rectius: registro). isto é. mera faculdade. 136 do CPP às pessoas a tanto legitimadas a formulação de pedido no sentido de serem arrestados os bens sobre os quais se pretenda recaia a hipoteca. isto é. o arresto prévio subsistirá até que se efetive o registro da hipoteca. será revogada aquela medida que se tomou antecipadamente. poderá evitar a inscrição (rectius: registro) — com a qual se efetiva a providência — oferecendo caução suficien­ te. Por outro lado. Walter Acosta (cf O processo. porventura. 1. federal ou estadual.Caução. a palavra seqüestro. Cumpre assinalar que o art 136 do CPP havia empregado mal. Quer isso dizer que. acertadamente. permite o art.

de 28-12-2006. sobre eles fazer incidir a hipoteca.. Assim. mesmo que se quisesse falar era seqüestro (embora não fosse correto). obedecer-se-á à regra contida no § 52 do art. p. não se devia confundi-lo com aqueloutro a que se refe­ rem os arts 125 e 126 do CPP. em seguida. os autos da hipoteca serão remetidos ao juízo cível. a coisa nada tinha que ver cora a infração penal. Por isso mesmo a Lei n„ 11. Evidente que a remessa se fará uma vez conhecido o Juiz compe­ tente. do objeto sobre o qual se litiga. desde que bastantes para o cumprimen­ to da responsabilidade civil..litigiosa e se o imóvel ou imóveis do réu que se pretende seqüestrar.435. do CPC. 63 do mesmo estatuto e com o art. Todavia. Na hipótese do art 136 do CPP. o Juiz penal terá de aguardar o iiucio da execução no cível para. Hoje legem habemus: fala-se tecnicamente em arresto. 136). No cível. Na outra (e é a hipótese do art. Se a ação civil já foi proposta e se encontrava sobrestada. v. Do contrário. para. conforme definição de Pontes de Miranda (cf Comentários ao Código de Processo Civil (ab-rogado). enquanto seqüestro é a apreensão de coisa litigiosa. aguar­ dando o julgamento da causa penal.. far-se-á sem maiores delongas. Melhor seria se se falasse de arresto. 13. proceder nos termos do art. são coisas absolu­ tamente estranhas à infração penal. Liquidação definitiva Havendo eventual sentença penal condenatória com trânsito em julgado. 135 do CPP. naquelas hipóteses. Enquanto seqüestro significa retenção de determinado objeto. 8. IV. o arresto é medida que se toma para conservar o que for suficien­ te para o cumprimento do que é devido. despesas processuais e eventuais penas pecuniárias.. nos termos do art. combinado com o art. fixada a competência. quaisquer bens podem ser objeto do arresto. a coisa sequestrável foi adquirida com os proventos do crime. 327). obviamente não podem ser objeto de seqüestro. deu nova redação ao art. podendo ser requerido novo arbitramento se qual­ quer das partes não se conformar com o arbitramento anterior à sen­ tença condenatória” 62 . 143 do CPP. podiam ser seqüestrados (rectius: arrestados). 143 do CPP. Quaisquer bens imóveis do réu. o que se permite é arresto e não seqüestro. 575. que diz: “O valor da responsabilidade será liquidado definitivamente após a condenação. 136 do CPP para substituir a expressão seqüestro por arresto. por tratar-se de apreensão judicial de bens para garantir o direito do credor. porquanto.

quando da redação primitiva do art. ademais. se a sentença penal for absolutória ou mesmo se jul­ gada extinta a punibilidade. 135 do CPP Note-se. proceder-se-á de acordo com o art. 141 do CPP. 100. Talvez. cuidando da reparação do dano ex delicto. pa­ rágrafo único. 143 do CPP. 137. combinado com o art. também. Constituem tais palavras um argumento a mais a favor do nos­ so entendimento. 575. preferiu. Se a liquidação é ato de execução e se esta se faz no cível. criticou aqueles sistemas que permitem a satisfação do dano na esfera penal. uma vez transitadas era julgado tais decisões. 14. uma vez absolvido o réu ou julgada extinta a punibilidade. se prolongasse por mais tempo. e. mais que eviden­ te ser inaplicável. preferiu autorizar o cancelamento. o Juiz competente para a execução da sentença penal condenatória. “se o 63 .É claro que tal providência há de ser tomada no juízo competente. tal como vimos no verbe­ te anterior. “eternizando-se e se transformando em meio de opressão contra o acusado”.. do CPC. contudo. Todavia. VI). e acentuou: “A obrigação de reparar o dano resultante do crime não é uma conseqüência de caráter penal.do art. do mesmo estatuto. embora se tome certa quando haja sentença condenatória no juízo criminal. autorizar o cancelamento da hipoteca. na Exposição de Motivos que acompanha o CPP. E a regra contida no art. as perspectivas de êxito numa eventual ação civil seriam muito remotas. Arresto de móveis O legislador. e. IV. nos termos do art. n. o que se contém no § 5. 15. A invocada conveniência prática da economia de juízo não compensa o desfavor que acarretaria ao interesse da repressão a interferência de questões de caráter patrimonial no curso do processo penal” (Exposição de Motivos. na sede penal. para evitar que a medida constritiva. entendesse o legislador que. 137 do CPP que. onde se aguardaria o desfecho de eventual ação civil ex delicto. é o cível do domicílio do autor ou do lugar da infração. que o Ministro Francisco Campos. Absolvição Ocorrendo sentença penal condenatória e transitada esta em julgado. embora devesse o legislador autorizar. a remessa ao juízo cível. foi infeliz no emprego da palavra seqüestro. consistente na hipoteca dos imóveis do réu. Dizia o art. com vistas à satisfação do dano ex delicto.

se existentes. nor­ malmente. que podem ser objeto de busca e apreensão ou do seqüestro. havendo bens móveis. 649 do CPC. interpretando o a rt 137: se fosse possível.435/2006 deu nova redação ao art. b) O réu não é possuidor de nenhum imóvel Desde que possua móveis. Regulando-a. que esses bens arrestáveis não são producta sceleris nem adquiridos com os proventos da infração. Para estes. outra medida constritiva do patrimô­ nio e exclusiva do processo de execução. Diz o art. também.. mas sim de arresto. na ausência de bens imóveis em nome do réu ou. como não se admite hipoteca de móveis. 134 falaria em hipoteca de imóveis e móveis. despesas processuais e penas pecuniárias. Evidente que não se tratava de seqüestro. 1L382/2006. 11. soli­ citarem o arresto de bens móveis Temos. no que respeita à distinção entre seqüestro e arresto.. as medidas são outras: a busca e apreensão e o seqüestro. Mas. e o art.responsável não possuir bens imóveis. a hipoteca de móveis. 126. então. ou os possuir de valor insufi­ ciente. permitiu o legislador às pessoas legitimadas a requerer a hipoteca legal a faculdade de. Aplica-se o refrão: quem não tem cachorro. Posteriormente a Lei n.. duas situações: a) A parte interessada requer a es­ pecialização e registro da hipoteca legaL Entretanto o bem especiali­ zado para ser hipotecado (e não havia outro para sê-lo também) é de valor inferior à estimativa da responsabilidade civil. forem insuficientes para cobrir a responsabilidade civil. nos termos em que é facultada a hipoteca legal dos móveis” (sic). indaga-se: quaisquer outros bens móveis do réu podem ser arrestados? O próprio art. 137. Valem aqui as mesmas observações que fizemos no verbete “Medida preventiva”. substituindo a expressão seqüestrados por arrestados e a expressão móveis por imóveis. serem impenhorá64 . podem ser arrestados. o CPC estabe­ lece quais os objetos que não podem ser penhorados. com a redação dada pela Lei n. poderão ser seqüestrados bens móveis suscetíveis de penhora. também. 137 estabelece uma restrição: somente aqueles que forem suscetí­ veis de penhora. a que se refere o art. caça com gato. para fortalecer a garantia. todos do CPP Fazendo a abstração desses bens. a que se re­ ferem os arts. Esta é. estes podem ser arrestados. combinados com o art. a não ser nas excepcionais hipóteses de navios e aeronaves. 132. Enfim: os bens que podem ser arrestados não são os de ilícita proveniência. 240 e 132. Nesse caso. a regra ali traçada não teria razão de ser. Evidente.. Po­ deríamos dizer assim.

a Lei n. as ferramentas. 39. proventos de aposentadoria. reiatoria a cargo do Ministro Cezar Peluso. salários. que em principio é impenhorável. em 8-2-2006 (DJ. 137 do CPP. a moradia entre os direitos sociais garantidos pela Constituição.002360-2/PR {DJU. g) os materiais necessários paia obras era andamento. por maioria. que a penhorabilidade do bem de família do fiador do contrato de locação. h) a pequena propriedade rural. e) os livros. contudo. desde que trabalhada pela família. 8 . soidos. objeto do art. salvo se de elevado valor.940-4/SP. c) os vencimentos. as hipóteses que com­ portam sua penhorabilidade. da Lei * Também é impenhorável o imóvel residencial próprio do cqsal (Lei n. j) até o limite de 40 (quarenta) salários mínimos. por unanimidade. pecúlios e mon­ tepios. saúde ou assistência social. os utensílios. sobre eles. em face da Emenda Constitucional n. O STF. tratando-se de bem de família. 3a. subsídios. VII.veis: a) os móveis. no art. necessários ou úteis ao exercício de qualquer profissão. pensões. o STF. 15-6-2005). f) o seguro de vida. apreciando o RE 407.009. decidiu. 6-10-2006). de 293-1990). os instrumentos ou outros bens móveis. Nesse mesmo sentido a decisão do TRF da 4a Região ao julgar o Man­ dado de Segurança n. assim definida em lei. salvo os de elevado valor ou que ultrapassem as necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida. . 26/2000. a quantia depositada em caderneta de poupança*. inclusive no processo por obrigação de­ corrente de fiança concedida em contrato de locação.01. pertences e utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado. salvo se essas forem penhoradas. Mais tarde. 137 do CPP. reconheceu que.688-8/SP. Observação: quanto ao bem de família.04. o bem de família tomou-se impenhorável em qualquer circunstância. bem como os pertences de uso pessoal do executado. não mais se ad­ mite a penhora e. 8. em sessão ple­ nária. i) os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em educação. os ganhos de trabalhador autô­ nomo e os honorários de profissional liberal. desde que se trate de bens impenhoráveis (e já sabe­ mos quais são). 62 da CF. no seu art. 2005. as máquinas. Assim.009/90 traz. que incluiu. não pode incidir o arresto. remunerações. julgando o Recurso Extraordinário n„ 352. obviamente. Desse modo. o arresto de que trata o art. d) as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e sua família. em face da expressa determinação do art. b) os vestuários.

como se faz para a es­ pecialização da hipoteca legal sobre imóveis e. outrossim. 8.8 009. de 23-3-1990. con­ clui-se que o pedido somente poderá ser formulado uma vez satisfeitos os pressupostos: d) prova da materialidade do crime. v. o bem devolvido é o mesmo em gênero. Embora o art. “Para efetivar-se esse seqüestro é preciso se proceda ao arbitramen­ to da responsabilidade e à avaliação dos móveis. de que trata o art. é eviden­ te ter havido um erro tipográfico. b) existência de indícios suficientes de autoria. cujo seqüestro deseja com a prova. por “imóveis” Corrigiram-se os erros. os bens móveis. 120 do CPP (cf. a expressão “seqüestro” foi substituída por “arresto”. a prévia estima. cit. il 16. ainda. designando. Hoje. com a redação da Lei n. forem fungíveis e facilmente deterioráveis. qualidade e quantidade. porquanto. é que o seqüestro (rectius: arresto) está sujeito às mesmas condições de legitimidade e de oportu­ nidade e aos mesmos pressupostos que a lei estabelece para o pedido de inscrição e especialização da hipoteca legal dos imóveis. por isso.. Bens fungíveis Todavia. ali. 137. estimar a res­ ponsabilidade e o valor dos bens móveis cujo seqüestro requeresse. Código. Cabimento. 137 do CPP. 2. 62 da Constituição da República.. São fungíveis os bens móveis que podem ser substituídos por outros do mesmo gênero. que podem ser arrestados. os móveis. quantidade e qualidade. art. na dic­ ção do art. não ofende o art.245. um mês após. requerendo-o. CPP. p. de 15-10-1991. de que trata o art. 137 do CPP dissesse que o seqüestro era permitido “nos termos em que é facultada a hipoteca legal dos móveis”. 66 . Deveria também o sequestratáiio. proceder-se-á nos termos do § 5. 137. De conseguinte. como complemento da especiali­ zação de hipoteca legal sobre imóvel insuficiente para garantir a respon­ sabilidade civil do agente” (Espínola Filho.. ele me devolve a quantia emprestada. estão excluídos do Direito hipo­ tecário. é necessário faça o ofendido ou o órgão do Ministério Público. tal qual no pedido de hipoteca. § 1G). de não possuir o delinqüente imóveis. O que o legislador quis dizer. 409). se empresto a Mévio 500 dólares e. 136 e 137 do CPP. 137. nos arts. entre nós. ou que pleiteie o seqüestro de móveis. com exceção dos navios e aeronaves. e a expressão “móveis”.do art. 135. é permitido nos termos em que é facultada a hipoteca legal. Assim. O arresto. contida no corpo do art. se esses bens móveis.

. Destinação. 575. Rendas. serviçais e prepostos. depositando-se o qucintum apurado. haveria a possibilidade. determina o § 1. art. 67 . e a tal ponto chega essa independência que. p. ad cautelam. pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. II — o tutor e o curador. Responsável civil Já vimos que a responsabilidade penai é independente da civil. uma vez conhecido o juízo cível para a execução (CPP. às vezes. IV). 942 do CC vigente: “São solidariamente responsáveis com os autores os coautores e as pessoas designadas no art. 63.do art.Entretanto. 17. e os objetos serão devolvidos ao acusado (art. mesmo para fins de educação. pelo mesmo fato. Se a sentença penal for absolutória ou houver sido julgada extinta a punibilidade. cumprirá ao Juiz penal.. Absolvição. diz o parágrafo único do art. Bem pode acontecer que os bens móveis arrestados pro­ piciem rendas. Com efeito. por dinheiro. Nessa hipótese.). art. com a finalidade de prover à manutenção do réu e de sua família. Se os bens arrestados forem fungíveis e facilmente deterioráveis. levanta-se o arresto. 932”. em virtude da demora na solução do incidente.. por seus empregados. à disposição do juízo cível ficará o referido depósito. HI — o empregador ou comitente. a ele remeter os autos do processo incidente do arresto. uma vez transitada em julgado a decisão. 137 sejam eles avaliados e levados a leilão público. não é responsável civil aquele que o é criminalmente. uma vez avaliados.. e CPC. IV — os donos de hotéis. Não havendo estes.. Então. casas ou estabele­ cimentos onde se albergue. E este dispõe: “São também respon­ sáveis pela reparação civil: í — os pais. no exercício do trabalho que lhes competir. ex. levados a leilão e deposi­ tado o quantum apurado em estabelecimento de crédito. 141). ou em razão dele. hospedarias. se esses bens fungíveis forem facilmente deterioráveis (um carro de milho. caberá ao Juiz arbitrar certa importân­ cia proveniente desses rendimentos. de se adulterarem. que se acharem nas mesmas con­ dições. em qualquer outro estabelecimento de crédito. de se estragarem. pelos pupilos e curatelados. Transitada era julgado eventual sentença condenató­ ria. De pre­ ferência tal depósito deve ser feito em agência do Banco do Brasil ou das Caixas Econômicas Federal ou Estadual.

requerer. 1999. 4-7-2001. como bem salientado pelo Colendo TRF da 4a Região. 687: “não incumbe ao Ministério Público pro­ mover.pelos seus hóspedes. embora amplas (arts. no processo penal. as medidas referidas nos arts. p. As atribuições do Ministério Público. no juízo cível. até a concorrente quantia”. 932 do CC. exigindo garantias dos inadimplentes ou outra forma de constrição patrimonial visando a acautelar futura execução fiscal. 136 e 137 do CPP Convém deixar bem claro que o Ministério Público pode requerer a especialização e registro de hipoteca legal apenas e tão somente para acautelar o pagamento de eventual multa e custas judiciais que decorram de uma condenação. Não lhe cabe. o cumprimento das obrigações tributárias. requerer a medida cautelar objetivando even­ tual satisfação de crédito tributário. ainda que solidária. Seção 2. moradores e educandos. pois. cuja persecução deve ser realizada pelas Procuradorias Fiscais”. 127 e 129 da CF/88). contra o responsável civil. no Mandado de Segurança n. V — os que gratuitamen­ te houverem participado nos produtos do crime. 142 do CPP: para pagamento de eventual multa e custas proces­ suais). em seara própria. seu representante legal ou sucessores ou até o Ministério Público (este na hipótese do art. por­ quanto o Fisco Federal encontra-se devidamente aparelhado para bus­ car. seja de uma das pessoas enumeradas no art. estando em curso a ação penal por fato cuja res­ ponsabilidade civil. Por essa razão e para acautelar os interesses do ofendido ou da Fazenda Pública. 134. dentre os quais não se inserem os direitos patrimoniais das Fazendas Públicas. visam precipuamente à tutela de direitos indisponíveis. qualquer forma de cobrança de créditos tributários. às inteiras. DJU. podem o ofendido. 68 .

por isso mesmo. com o sentido de probare. J) m .. 4. perpetuam a sua glória (cf.. esclarecer. A remessa ao Ministério Público. Embora “documento” expresse a ideia de qualquer manifestação intelectual. como um desenho. um esquema etc. Daí o acerto de Tomaghi: as pirâmides. no dizer de Camelutti. de documento. 8.. se docere quer dizer ensinar. Instituições. fazer ver Cícero chegou a empregar o verbo docere. não é de estranhar houvesse Tito Livio usado o vocábulo documentum com o significado de prova. documento.. esclarecer. 3. Na verdade. documento. v. Origem da palavra “documento” ') A palavra documento vera do latim documentum. 39). Razão de ser do incidente. o ) ) ^ ^ ) ) ^ ^ . c it. que. uma fotografia. 5. por sua vez. denota e traduz a ideia de um escrito ou qualquer outra coisa que sirva para ilustrar. e. 6. Súmula do incidente. 5. Procedimento. O Juiz poderá suscitar? 9 O processo prin­ cipal ficará suspenso? ^ ) ) ) ) 1.) ) ) ) ) capítulo 35 ) ) Do Incidente de Falsidade ) SUMÁRIO: 1 Origem da palavra documento 2. Faz coisa julgada a decisão? 7„ Legitimidade. ensinar. são um documento de suas ativida­ des. deriva de docere. p. que atestam a civilização dos egípcios. No sentido amplo. que provém daquele verbo. é tudo quanto representa um fato. provar ou comprovar algo. na linguagem forense.

ou seja. Napoli. 232 do CPP: documentos são “quaisquer escritos. com graves prejuízos para a Administração da Justiça e para os litigantes. ainda que não haja provocado sua mutação ou imitação. Evidente. em particular. o conjunto das regras sob as quais a ação se desenvol­ ve (cf Uevidenza nel diritto processuale penale. No que respeita ao docu­ mento. tal fim se alcança por meio das provas que se valoram segundo as normas previs­ tas em lei. pelo menos dele haja feito uso conscientemente. 7). um dos mais importantes meios de prova. ser desprezado. 2. completando-a com outros . 1950. porquanto poderiam levar o Juiz a cometer um erro. imitaíio veritatis). públicos ou particulares”. verdadeira testemunha que não se deixa niquelar e cujo valor probatório. por isso mesmo. v 2. quando não se apresentar com aqueles requisitos de seriedade e sinceridade. muitas e muitas vezes. processada também poderá ser a pessoa que falsifica ideológica ou materialmente um documento ou. A expunção. Da mesma forma que uma testemunha. se faz no ato do julgamento. diz Brichetti. Comentários. e o procedimento é o método. à evidência. p. aqui. é de elevado teor. As provas. quando mendaz. Razão de ser do incidente Se a finalidade do Direito Processual e do Processo Penal. no instante mesmo da valoração das provas. ou na sua feitura material ou no seu conteúdo ideoló­ gico (cf. que a Justiça não lograria sua finalidade se os meios de que se vale para consegui-la não se revestissem de seriedade. restringiu-lhe o conceito. instrumentos ou papéis. pois. a “ideológica afeta-o no pensamento que as suas letras encerram”. Por isso mesmo ensina Tornaghi: para que um documento seja falso é bastante que tenha havido mutação ou imitação da verdade (mutatio veritatis.. deve. cit. tal como em­ pregado no art. p. é reconhecer e estabelecer uma verdade jurídica.certo é que o legislador. pode ser processada por falso testemunho. são os meios. Enquanto a falsidade material afeta a autenticidade ou inaiterabilidade do documento na sua forma extrínseca e conteúdo. Se alguém subtrai uma folha de um receituário médico e nela faz inserir a prescrição de substância entorpecente. 387). As provas que não se apresentarem revestidas de sinceridade e seriedade devem ser expungidas.

mesmo desconhecida a autoria da falsidade material ou ideológica. Súmula do incidente Não vamos tratar. Se o escrivão faz expedir uma certidão consignando que o réu foi absolvido. nos termos do art. desentranhado dos autos e encaminhado. porquanto afetou a sua autenticidade. esclarecen­ do que o réu foi absolvido. materialmente verdadeiro. quando. Nesse mes­ mo exemplo. e apenas njaterialmente falsa se. Uma vez inquinado o documento de vício que afeta a sua sinceri­ dade. ainda responderá criminalmente aquele que. na verdade. 3. neste capítulo. se alguém fizesse expedir uma certidão. como se médico fosse. sinal do escrivão e assinando como se escrivão fosse. mas do procedimento adotado pelo CPP para solucionar questão incidental visando a ilidir a força probatória de documento acaso jun­ tado aos autos de um processo criminal. após aquela providência apontada no art. de vez que afetou o seu conteúdo ideológico. se for o caso. e ideológica.. na verdade. houvesse sido proferida sentença absolutória. embora o docu­ mento seja autêntico. com timbre do cartório. Após a manifestação dos interessados e de outras diligências aca­ so necessárias. contudo. ínstaurar-se-á outro processo contra o falsário. permanecem.. do CPP Tomando-se inimpugnável a decisão. Apurada esta. houvesse ocorrido a condenação. porque diversa da que devia ser escrita. ao órgão do Mi­ nistério Público para. juntamente com estes. os autos desse incidente apensados aos autos do processo no qual se juntou o documento. a afirmação que nele se contém é falsa. da qual cabe recurso em sentido estri­ to. a falsidade é material. Insta esclarecer que. 71 . onde se processou o incidente. o que se dá com a preclusão da via impugnativa. o Órgão Jurisdicional que estiver à frente do processo principal proferirá a sua decisão. ocorreu condenação. do crime de falsidade documen­ tal. na verdade. XVÍII. o documen­ to reconhecido falso será. Autuada em apartado a arguição. 581. apurar a responsabilidade da falsificação. a falsidade seria material e ideologicamente falsa se.dados. tal questão incidental dá margem a um processo especialmente estabelecido para a averiguação da pretendida falsidade. 15 da Lei de Introdução ao CPP.

de possível colusão das partes. E deve ser assim. e este. determinará o Juiz que a parte contrária se manifeste em 48 horas. será dirigido ao Juiz da causa principal. a quem fica a discrição de ordenar. em que falarão no incidente o querelante e o querelado. Cumprida a determina­ ção e indo os autos conclusos. ainda assim deve o Juiz. duas soluções se entreabrem: a) Se a parte reco­ nhecer a falsidade. Concluídas as diligências. em face do prepon­ derante interesse público e. Note-se. principalmente. Após a resposta. ou por Procurador com poderes especiais. limitar-se-á a determinar seja aquele autuado em apartado. A propósito de falsi­ dade. como custos legis. contestando ou não a impugnação do docu­ mento. 296 a 305 do CP. para provar suas alegações. as 72 . 297. assina­ do pela própria parte. O requerimento. 298 e 304. os autos retomam ao Juiz. de início. 4. então. 174 do CPP. b) Se a parte contestar. o que demanda tempo. para eada uma das partes. e também em face do interesse em saber se houve ou não crime de falsidade. nem sempre há a possibilidade de um pronunciamento rápido dos peritos. Evidente que o prazo não é concedido para ser requerida a prova. Em seguida à dilação probatória. determinará o Juiz seja abeita vista dos autos incidentes. indeclinável se faz a ouvida do órgão do Ministério Público. mas para que ela se faça. ainda que remotas. caso em que haveria a suspen­ são do prazo prescricional.. mesmo em se tratando de processo por crime de exclusiva ação penal privada. vejam-se os arts. I do art. mormente se iminente estiver a prescrição. Entretanto. naquelas hipóteses. pelo prazo de 3 dias. Cremos que. para que a delonga não possa prejudicar o julgamento da causa principal. decidirá. de ofício. salvo se a hipótese puder subsumir-se no inc. Procedimento A falsidade deve ser arguida por escrito.em sã consciência. ainda. se o exame para a comprovação da autenticidade do docu­ mento for o grafológico. 116 do CP. que. fez uso do documento falso.. a regra aplicável é aquela traçada no art. se as provas com as quais as partes pretendem fortalecer suas alegações forem periciais. de oficio ou a requerimento das partes. determinar a realização de diligências para a sua averiguação. notadamente os arts.

. 1946). Sangue na areia de Copacabana. a passos largos. A despeito da sua absoluta inautenticidadé (comprovou-se. rubricado pelo juiz e pelo escrivão em cada uma de suas folhas”. Concluindo de modo contrário. Certo que. do CPP. XVIII. Tal será possível. tendo antes o Magistrado o cuidado de observar o que dispõe o art. juntou aos autos . Contudo. A remessa ao Ministério Público Uma vez retirado dos autos. 15 da Lei de Introdução ao CPP. 145. se rechaçada a pretensão do arguente. o do­ cumento. IV. 581. requererá o arquivamento das peças de informação (autos incidentes e documento falso). do Códi­ go de Processo Penal. se acolhida. o documento perma­ necerá nos autos principais. poderá oferecer denúncia contra o res­ ponsável ou. Haja vista a tormentosa questão das célebres cartas atribuídas a Arthur Beraardes. transitada em julgado a decisão proferida nos autos do incidente. 5. Civilização Brasileira. antes de desentranhado dos autos. o documento reconhecido como falso será. com a evolução. requerer a remessa dos autos do incidente e do documento tido como falso à Polícia. contudo. então. Rio de Ja­ neiro. O laudo grafotécnico de Alphonse Bertillon. a tendência é no sentido do seu total aprimoramento. A segurança. o elemento seguro de que se pode valer para a dissipação das incertezas é o exame pericial. não é absoluta. juntamente com os autos do incidente. Hélio Silva. no caso Dreyffus. Colhidos os elementos de prova. E entre estes encontrava-se & grande Edmond Locard (cf. Normalmen­ te. inscientemente. Acolha ou desacolha o requerimento que acoimou de falso o documen­ to. In verbis: “No caso do art. é o testemunho de que as perícias não constituem prova infalível. com a cautela acima apontada. com a confissão do falsário). Se se configurou o falso. a decisão é recorrível. caberá ao Juiz proferir a decisão. quando se suscita dúvida a respeito da seriedade de um documento. será remetido ao órgão do Ministério Público para as providências que entender de direito. por exemplo.diligências necessárias para averiguação da impugnação. mais tarde. será desentranhado. inúmeros peritos se pronunciaram ates­ tando sua idoneidade. para as diligências que entender indispensáveis à propositura da ação penal. se a parte. segundo preceitua o art. n. da técnica.

contudo. aberrante. O Juiz não a decide principaliter. deverá a parte mencionar os autos do proces­ 74 . se da falsidade não advier a menor possibilidade de praejudicium alterius etc 6. Isso significa que. ou por procurador. E. poderá. ignorada a autoria da falsidade. A resolução do incidente não é um verda­ deiro julgado com as características da imutabilidade e imperatividade. Nada impede. promover a competente ação de revisão criminaL 7. com valor exclusivamente limitado ao fim de ser destruída a força probante do documento. realmente. Daí o entendimento da doutrina no sentido de que o incidente po­ derá ser levantado pela pane. feita por procurador. se faz incidenter tantum. desde que munido do instrumento procuratório com poderes espe­ ciais. Se o legislador quisesse restringir a legitimidade apenas àquele que tivesse capacidade postulatória. 148 do CPP que a decisão proferida no proces­ so incidental para a apuração da falsidade documental não faz coi­ sa julgada em ulterior processo. A situação é. mesmo instaurado o processo pelo crimen falsi.. Faz coisa julgada a decisão? Registra o art. dependendo do caso concreto. como no processo incidental se objetiva ilidir ou não a força probatória do documento. ali. mas precária decisão. penal ou civil. pessoalmente. Legitimidade Quem pode suscitar o incidente de falsidade? Diz o art» 146 do CPP: “A arguição de falsidade. com eficácia limitada ao processo incidental. conclui-se que o julgamento da falsidade. outra seria a redação. possa a parte prejudicada com o desentranhamento do documento reconhecido falso ingressar no juízo cível com a competente ação declaratória. para mantê-lo nos autos ou deles ser expungido.documento falso. munido de certidão da decisão do juízo cível. exige poderes especiais". se a sentença criminal lhe for desfavorável (condenação) e no cível lograr êxito. com a nota de haver transitado em julgado. o Juiz que tiver de apreciá-lo (podendo inclusive ser o mesmo que apreciou o incidente) não fica vinculado àquela decisão proferida nos autos do processo incidental. pois daria margem a desencon­ tro de decisões» Mas. Na procuração..

se omitiram. 109). o próprio réu.so criminal onde se juntou o documento acoimado de falso. na juntada. Walter P Acosta (O pro­ cesso. v„ 2. levantar a questão. de ofício. ainda assim é de se atender ao inconveniente de reconhecer valor probante a um documento falso. em petição dirigida ao Juiz. Se a ele cabe julgar o litígio. O Juiz poderá suscitar? O próprio Juiz. Seria realmente paradoxal que o órgão incumbido de fazer justiça não pudesse. Noronha (Curso de direito processual penal. Se. p. e o documento só a prejudicar. mais tarde. Espínola Filho (Código. e sobre ele basear a sentença. Poderão. para apreciá-las e valorá-las. di-lo o art 147. tendo conhecimento da inidoneidade do documento. pode ocorrer 8. cit. devesse também cruzar os braços. enfim. e depois faz a arguição. apenas porque as partes. E. a vítima (tenha ou não se habilitado como assistente de acusação). o que se provê no processo próprio (cf Código. A hipótese. ou falsidade. a iudividualização deste e. agiu de má-fé. p. cit. Vejam-se. os poderes para impugnar sua sinceridade ou seriedade.. Des­ 75 .. v. a propósito. ante a inércia das partes. o querelante (que é o acusador nas ações iniciadas por meio de queixa) e o querelado suscitar o incidente. O que cumpre é apurar a responsabili­ dade pela falsificação. por comodidade ou ignorância.217)„ A parte que juntou o documento poderá arguir sua falsidade? Espínola Filho enfrenta o problema: não há proibição legal. poderá. cit. 417). ele procede a uma análise crítica. p. assim. p. poderá suscitar o incidente? Sim. cabe-lhe apreciar livremente as provas. Pensamos que também na hipótese de ser arguida a falsidade pela própria parte que requereu a sua juntada haverá necessidade de o Juiz proceder à verificação da alegada inautendcidade. Para formar sua convicção. 2. Mesmo tenha agido de boa-fé e. não teria sentido viesse a suspeitar da seriedade de algum documento juntado aos autos e. embora não freqüente. proceder à verifi­ cação da falsidade de um documento que seria uma das pilastras sobre as quais se ergueria a sua decisão. dada a possibilidade de conluio. por verificar que o tiro saiu pela culatra. 418).

. em despacho nos autos. a parte contrária. seguida. então. Cumprirá ao Magistrado. entende que o Juiz deve baixar portaria (O processo. Acosta. ao mesmo tempo. no particular. necessidade de texto permissivo. Autuada. determinará se manifeste. E esse procedimento do Juiz não lhe redra a independência e im­ parcialidade. manifestar a sua dúvida e. Realmente. salvo quanto à ouvida de testemunhas ou outra prova de na­ tureza urgente. a parte que requereu a juntada do documento e. o procedimento obedecerá ao disposto nos incs. Nem havia. no prazo de 48 horas para cada uma delas. 145 do CPP. o reconhecimento da existência da falsidade afetai' a qualifi­ cação jurídico-penal do fato objeto do processo. o processo principal pode tramitar normalmente. 147 do CPP.. cit. se o documento não for imprescindível ao julgamen­ to da causa. ad abundantiam. como se instauraria o incidente? Walter P. Depois. tal incidente se transmuda numa verdadeira prejudicial. De ordinário. Hl e IV do art. devendo o processo ficar pa­ ralisado. nesse caso. O processo principal ficará suspenso? O incidente de falsidade documental autoriza a suspensão dos autos do processo onde se encontra o documento impugnado? Depen­ de. talvez para reclamar a cuidadosa atenção do Juiz sobre a necessidade de rigorosa comprovação da ido­ neidade documental.de que suspeite da falsidade de um documento juntado aos autos. consigna a faculdade. em. en­ tretanto. nada o impede de proceder à verificação da sua idoneidade.. Se. com acerto. baixar a portaria para a verificação da falsidade.. O art. E. n . 76 . 9.. p. 218). por pri­ meiro.

não se poderá falar em crime. A culpa­ bilidade.. um fato atípico» O legislador define as várias figuras delituais. 8. que a conduta humana se amolde a um dos tipos descritos na lei penal. Logo. Se a conduta humana não se adequar à definição legal. Legitimidade. Í7. Por mais imoral que seja o comportamen­ to humano. Nullum crimen sine lege. é preciso. a tipicidade. 3. não há cuidar-se de crime. . Critérios para se aferir a inimputabilidade. 6. Os menores de 18 anos.capítulo 36 Do Incidente de Insanidade Mental do Acusado SUMÁRIO: 1 O fato típico 2. se o legislador não o erigiu à categoria de fato típico. 11 Comprovação da inimputabilidade. sob o aspecto formal. que é a adequação da conduta humana (ação ou omissão) ao modelo legal. 5 A importância do exame. 7. Definir uma figura delitual é dar-lhe os elementos estruturais. 9 A embriaguez. antes de mais nada. é um elemento formal do delito. 12. Oportunidade para o exame que comprove a insanidade. 14 Procedimento. Os amentais. 15 Quesitos 16. Haverá um indiferente penal. 13. 10» Crite'rio biopsicológico. Não vinculação do Juiz à perícia 1. A antijuridicidade. 4. A doença mental antes e depois da infração.. A imputabilidade. O fato típico j Para que haja exime..

até mesmo. que. ex. todo fato típico. porquanto o comportamento de Mévio não se subsumiu na moldura daquela figura delituosa. podemos afirmar. para o preceito legal. um ilícito administrativo ou. O comportamento humano. que o comportamento humano é antijurídico “quan­ do em nenhum preceito penal ou extrapenal se encontre uma norma que o autorize ou justifique” 78 . também. contudo. antijurídica é toda conduta que lesiona ou põe em perigo um bem jurídico. não basta. Não nos interessa. segue-se que tal fato é atípico. afastando toda e qualquer relação extramatrimonial. Se a conduta humana não puder emoldurar-se no conjunto dos elementos descritivos do delito. Então. mas não pode constituir crime. A antijuridicidade Para que haja crime.). Como a palavra cônjuge tem um sentido jurídico. Quanto ao primeiro. É preciso. assim a concebia: “juízo impessoal--objetivo sobre a contradição exis­ tente entre o fato e o ordenamento jurídico” (Lecciones. Poderá configurar um ilícito civil. como diz Bettiol.Diz-se típico o fato quando o comportamento humano for enquadrávei dentro de uma hipótese criminosa abstrata. transgressão a preceito moral (incesto. que o fato cometido seja típico. cit. Do ponto de vista formal. p. é antijurídico. Edmundo Mezger. 560). Cantero observa que se pode dar à antijuridicidade um conceito material e outro formal. não comete o crime definido no art. sem justa causa. muito em­ bora reunidos se encontrem todos os elementos que compõem o delito de abandono material. Barcelona. ou melhor.. esse conceito pré-jurídico de valora­ ção da norma. é antijurídica a con­ duta típica que não encontra amparo em uma das causas de justificação expressamente previstas no Código Penal (Lecciones de derecho penal. simplesmente por ser típico. se Mévio. deixa de prover à subsistência da amante.. seja antijurídico. p. se a antijuridicidade se resolve. 559).. 2. com Frederico Marques. há de ser o cônjuge. José A. exceto a qualidade da pretensa vítima. contudo. contidos na lei penal. 1990. haverá manifesta atipicidade. Bosch. o filho menor de 18 anos ou inapto para o trabalho ou ascendente inválido ou valetudinário. Assim. 244 do CP. “num juízo de valoração do fato em relação às exigências de tutela da norma penal”. por ele citado. p. a ilicitude penal deve ser examinada em face do Direito positivo. Por outro lado.. como diz Bettiol.

porque secundum jus„ Veja-se a redação do art. À culpabilidade E a culpabilidade não integra o conceito formal de delito? Segun­ do a doutrina tradicional. es­ trito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito” . diz a lei. Vê-se. comete um fato típico. cit. Para a teoria finalista da ação. sua conduta. quer no subjetivo — dolo e culpa) e a antijuridicidade.Para saber se determinada conduta humana é ou não antijurídica. Mas. que ser antijurídica” (cf. ter sido excluída a 79 . 347). não basta que a conduta humana se amolde a uma norma incriminadora. como explica o mestre. legítima defesa. 1. Geraldo Batista de Siqueira (cf. se Mévio mata alguém. estrito cumprimento do dever legal e exercício regular de ura direito) “indicam quando o fato típi­ co está em harmonia com o direito e se apresenta como conduta líci­ ta e secundam jus”. Derecho. s. para constituir delito. causar a morte de um homem não representa um tipo de ilicitude. como diz Beling.. foi lícita. 3. é preciso ver se a norma penal ou extrapenal a justifica a parte objectL Daí o ensinamento de Soler: “No basta que una acción corresponda a una figura para que aquélla sea antijurídica. contra jus. Jurispenal do STF. Ed. Ante essas considerações. pois. entre outros. para a chamada “teoria fina­ lista da ação” de Hans Welzel. o procedimento ordinário dos Códi­ gos consiste em resolver o problema negativamente. salvo se a causasse antijuridicamente. são elementos do crime a tipicidade (quer no seu aspecto objetivo. embora típica. E preciso seja. Porto Alegre. Entre nós. sim. o art. pois tal conduta se subsume na figura descrita no art.d„). dizendo quando ou em que casos o comportamento humano típico não é antijurídico (cf. também. además de adecuada. 30/30). la acción. 23 do nosso CP: “Não há crime quando o agente pratica o fato em estado de necessidade. Assim. Derecho penal argentino. vale dizer. paia que haja crime. antijurídica. como prefere CameluttL Aquelas eximentes (legítima defesa. O tipo penal e a teoria finalista da ação. Não há crime. estado de necessidade. Entretanto. Se Mévio matou em legítima defesa. tiene. v„ 1. 121 do CR Mas. p. já difundida no Brasil por Luiz Luisi (cf. 23 do CP cuida das chamadas causas de justi­ ficação. A teoria finalista da ação no STF. Gráfica A Nação. positivamente. ou de licitude. v. a culpabilidade é pres­ suposto da reação penal.. p„ 347).

três são os elementos da culpabilidade: a) imputabilidade. p. se o ato praticado pelo. urge proceder-se ao exame para a constatação da sua saúde mental. conforme magistério de Fernando Diaz Pallos. comprovado que o agente cometeu um fato típico e antijuridico. que se traduz por dolo e culpa. ou de reprovabilidade. Daí a necessidade de a Justiça se pre­ ocupar em saber se. 5. Para a doutrina tradicional. engastada. conforme preleciona Aníbal Bruno. o agente era ou não inimputável quando da práticà do fato. para tanto. realmente. na fase da investigação preparatória. uma vez que. 173). um dos casos em que falta ao agente o discernimento ético para entender o caráter criminoso do fato ou de resistir ao impulso de praticá-lo é o do amentaL Ora. não conceituou a imputabilidade. bem poderá. A imputabilidade Em que consiste a imputabilidade? É o conjunto de condições pessoais que dão ao agente capacidade paia lhe ser atribuída a prática de fato punível.doente mental.culpabilidade. a culpabilidade integra o tipo — como um dos seus elementos formais — e. surgir dúvida a respeito da hígidez mental do sujeito passi­ vo da pretensão punitiva. não obstante típico e antijuridico. b) exigibilidade de conduta diversa. em elemento psicológico-normativo. dando a noção de inimputabilidade. c) possibilidade de conhecimento do injusto. a imputabilidade. finalmente. 1965. Para essa nova concepção do delito. ou no curso do proce­ dimento. a inimpu­ tabilidade é a incapacidade para apreciar o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com essa apreciação (cf. traz. Desse modo. se o Processo Penal condenatório é instaurado visando à infiição de uma pena. Preferiu fazê-lo indiretamente.. não se lhe pode infligir pena. A importância do exame Como veremos a seguir. além disso. Assim. Teoria general de la imputabilidad. 4. O nosso CP. E. pelo simples fato de ser pressuposto da pena. a culpabilidade. e. ou. mas lhe faltava discernimento ético para entender o caráter ilícito do fato ou determi­ 80 . ou juízo de censurabiüdade. imputável é quem não é inimputável. não é suscetível de valoração ética. decompõe-se em imputabilidade. exigibilidade de conduta diversa e. ou potencial consciência de ilicitude.

comete um fato previsto como infração penal. impondo-lhe. Contra ele não se pode instaurar processo. se ao tempo da conduta humana reprovável estava abolida no agente. tal como dispõem os arts. seja qual for a causa. três critérios: o biológico ou etiológico. Pode o fato ser típico e antijurídico. O Direito pátrio adotou dois critérios: o biológico e o biopsicológico. Desse modo. a faculdade de apreciar a criminalidade do fato e de determinar-se de acordo com essa apreciação. Critérios para se aferir a inimputabiiidade Assim. O simples fato de ser menor de 18 anos. Dl. medida de segurança. do CPP. não se pode perquiiir se. não se pode falar em culpabilidade. o agente era inimputável. 11 meses e 29 dias. 26 do CP e 386. resta. com 17 anos. Teria havido culpabilidade? Se esta pressupõe a imputabilidade e se. e.. contudo. o psicológico e o misto ouMopsicolôgico. o simples fato de alguém ser portador de doença mental ou possuir de­ senvolvimento mental incompleto já constitui razão bastante paia ser considerado inimputável. era incapaz de entender o caráter cri­ minoso do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. V. o Juiz proferirá sentença absolutória. impossível a inflição de pena. parágrafo único. 81 . ao tempo da ação ou omissão. 6. O terceiro critério — o misto — representa a junção dos dois primei­ ros: a imputabilidade somente será excluída se. apenas. ausente esta. De acordo com o segundo critério — o psicológico — indaga-se. nás legislações.. 97 do CP e 386. ápenas quanto aos menores de 18 anos. Consagraram-se. Desse incidente processual é que estamos cuidando. logo. O primeiro. nos precisos termos do art. do CPP. Não houve o crime no seu aspecto trinômico. 27 do CP. na hipótese. a imputabilidade fica condicionada à normalida­ de da mente ou ao desenvolvimento mental do agente. apenas. com fulcro nos arts. segundo a doutrina clássica. se Mévio. Para o primeiro.nar-se de acordo com esse entendimento. o agente. era ele incapaz de entendimento ético-jurídico ou de autodeterminação. saber quem é inimputável e quais os crité­ rios adotados para se aferir a inimputabiiidade. em razão de enfermidade ou de desenvolvimento mental incompleto ou retardado. Assim. ao tempo da ação ou omissão. é o suficiente para que se o tenha como inimputável.

) § Ia É isento de pena o agente que. c) desenvolvimento mental retardado. proveniente de caso fortuito ou força maior..7. ficarão eles. psicose mamaco. por embriaguez com­ pleta.depressiva. quando come­ terem crimes. era. arts. por doença men­ tal ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado. em razão da dependência. para­ lisia geral progressiva. foi consagrado entre nós nas demais hipóteses de inimputabilidade (CP. de 13-7-1990. É isento de pena o agente que. inteiramen82 . satumismo etc. o biopsicológico ou misto. Os menores de 18 anos Na hipótese dos menores de 18 anos. era. até há pouco tempo. inteiramente incapaz de enten­ der o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.” Assim. psicose de involução. Convém observar que o art. inteiramente incapaz de enten­ der o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento ” “Art. A Sociedade de Psiquiatria. 11.. paranóia. psicoses nevróticas etc. § Ia) “Art. ao tempo da ação ou omissão. cocainismo. 45 da Lei n. (. que dispõe sobre o Es­ tatuto da Criança e do Adolescente. b) desenvolvimento mental incom­ pleto. As doenças mentais compreendem todas as psicoses. sujeitos às medidas educativas. d) embriaguez completa. podemos afirmar serem causas biológicas que excluem a imputabilidade: d) doença mental. 26. pela prática de fatos previstos como in­ frações penais. qualquer que tenha sido a infração penal praticada. 26 e 28. esquizofrenias. heterotóxicas (alcoolismo. curativas ou disciplinares determinadas pela Lei n. morfinismo. ao tempo da ação ou da omissão. psicose epiléptica.069. 8. ao tempo da ação ou da omissão. proveniente de caso fortuito ou força maior. psicoses por lesões cerebrais.era. estabelecendo as medidas adequa­ das aos menores de 18 anos.). 28.343/2006 dispõe ser “isento de pena o agente que. 8. apresentava esta classificação: psi­ coses infetuosas. autotóxicas.. Os amentais O segundo critério.

por extensão. que não se concluiu (é a hipótese dos menores de 18 anos e dos silvícolas inadaptados). evitando-se que uma expressa alusão a estes fizesse supor. im­ becis e débeis mentais) e os surdos-mudos. Nem havia necessidade dessa alusão no corpo do art. Por desenvolvimento mental incompleto entende-se aquele que não se completou. Comentários. Nessa ciasse estão os oligofrênicos (idiotas. 9. b) estar sob o efeito de substân­ cia entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica pro­ veniente de caso fortuito ou força maior. 331). explica Hungria: entendeu a comissão revisora que sob a rubrica “desenvolvi­ mento mental incompleto” entrariam. entendemos que o art. apenas. A embriaguez Embriaguez é uma forma de intoxicação aguda produzida pelo álcool (cf. os débeis mentais. Bogotá. mesmo porque não se concebe dependência proveniente de caso fortuito ou força maior. desnecessária seria a referência que o art. v. 26 do Código Penal. t. Derecho penal. A acidental é a que interessa ao nosso estudo. pois. J. no estrangeiro. em face da su­ bordinação aos entorpecentes. independentemente de qualquer indagação psicológica. Desenvolvimento mental retardado é o que não pode chegar à maturidade psíquica. suficiente. os silvícolas inadaptados. 1.. E a que deriva de um caso fortuito ou força maior. Ortega. p. Ao contrário de alguns autores. têm a idade mental de 3 a 7 anos. trata de duas hipóteses: a) dependência. Mas. Temis. foram declarados absolutamente inimputáveis. sendo. e os idiotas. i \ ! I í te incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento”.. 560). trad. Ed. uma vez que ela se inclui no próprio texto do art. A primeira compreende as duas modalidades: voluntária e culposa. perde o total discernimento ético para entender que sua conduta é contrária à comum consciência jurídica. Maggiore. Os imbecis. já citado. o que demonstra que o dependente passou a ser considerado um doente mental. Mas. falsamente. p. 45 da Lei Antitóxicos.. Tal é o caso daquele que se 83 . Diz-se acidental a ebriedade quando o agente não a provoca voluntária ou culposamente. A embriaguez pode ser não acidental ou acidental . v. abaixo dos 3 anos. a imaturidade. visto que. que ainda somos um país infestado de gen­ tio (cf. 2. 1. segundo Binet. 26 faz ao desenvolvimento mental incompleto. 27 do CP. porém. no art. de 7 a 12. 19. se os menores de 18 anos. J.

Adormecidas as inibições. Lições de medicina legai. Perturbações sensoriais: diplopia (visão dupla). como o nome está a dizer. proveniente de causa 84 . Na culposa. também. vivacidade motora. Forense. sen­ timental. são de sua inteira responsabilidade. embora a ebriedade não possa ser equiparada às doenças mentais. a possibilidade de embriagar-se. que justifica a inimputabiiidade. p 86). impulsividade. inconveniência de atitudes. aquele que.. alguns depri­ midos. nesse estado. ilusões (percepções erradas). isto é. cheio de confidências. será considerada causa biológica ou etiológica. incapacidade de atenção voluntária.. A primeira fase. ed. diz Almeida Júnior. causa de profundas perturbações das funções psíquicas. p. pele pálida. Na voluntária. sim. A incoordenação motora e a confusão psíquica predominam. é. respiração e pulso lentos. 562). Maggiore. provocada por caso fortuito ou força maior. Quando se diz completa? A embriaguez é a intoxicação provocada por álcool ou substâncias análogas. aquele. 476). pastosa.. fuga de ideias. empregando desconexa linguagem de baixo calão (Manual de medicina legal. seja por causalidade ou fatali­ dade (cf. Pupilas contraídas. 1. Já na acidental (se completa).embriaga ignorando a natureza da bebida que ingere ou seus graus de álcool. seja por burla feita por alguém. cit. avalentoado. O bêbado não consegue manter-se em pé e. Se a embriaguez for completa e acidental. loquacidade. o agente quer embriagar-se. v. p. contudo. aqueloutro. asso­ ciação superficial de idéias. obtusidade tátil e dolorífica.. queda da pressão sanguínea. cada qual come­ ça a mostrar o que realmente é: este. sob o efeito de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica. é a da excitação: olhar animado. denominada a fase do leão ou da confusão. Nesse rol se inclui. tomando o ébrio insolente e agressivo. É precisamente a segunda fase. É lógico que se a embriaguez foi voluntária ou culposa não há cuidar-se de inimputabilidade. 6. Estado paralisiforme. Nessas hipóteses não há cuidar-se de excludente de culpabilidade. que constitui periculosidade. Desaparecimento mais ou menos completo da consciência (cf. não prevê. disartria. alegre e zombeteiro. melancólicos A segunda fase é a da confusão. 1990. às vezes. palavra difícil. Ensina a Medicina Legal que a em­ briaguez apresenta fases ou períodos. movimentos sem coordenação. Os atos que vier a cometer. Derecho. É claro que. embora o agente não queira embriagar-se. A terceira é a fase do sono. conquanto devesse fazê-lo. zumbido no ouvido. nem sentado. ensina Delton Croce.

e. para a doutrina tradicional. ou de embriaguez completa. exame psiquiátrico. 28). se podia resistir ao impulso de praticá-lo. Paia que se deve comprovar a inimputabilidade? Se o agente.fortuita ou força maior. será ele submetido a exame para a comprovação da idade. resta indagar se. ainda que o soubesse. Nos demais casos. 11. 11. pois. era. o agente era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse enten­ dimento. 85 . pro­ vocada por caso fortuito ou força maior. à evidência não pode ser punido. Há indeclinável necessidade da fusão dos dois elementos: o biológico. não há cuidar-se de aplicação de pena. Se não foi regis­ trado. ausente aquela. e o psicológico. Note-se que o critério por nós adotado é o biopsicológico. se o agente era inteiramente incapaz de compreender que o seu ato era reprovável pela comum consciência jurídica ou. provocada por caso fortuito ou força maior. qualquer que tenha sido a infração penal praticada. esta se desfaz. De fato. as causas etíológicas ou biológicas* Entretanto não basta que o agente seja portador de doença mental. ao tempo da ação ou omissão. O próprio batistéiio será elemento de alto valor Se a inimputabilidade decorrer de embriaguez (CP. na dicção da segunda parte do art. Critério biopsicológico Estas. pela respectiva certidão de nascimento. ou etiológico. art. desenvolvi­ mento mental incompleto ou retardado (oligofrênico). Comprovação da inimputabilidade E como se comprova a inimputabilidade? Tratando-se de menor de 18 anos. isto é. Se a imputabilidade é elemento da culpabilidade. ao tempo da ação ou omissão. cremos ser suficiente um exame clínico. ou. ou encontrando-se em completo estado de ebriedade. 10. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse enten­ dimento. tenha desenvolvi­ mento mental incompleto ou retardado ou esteja em completo estado de ebriez para que se o tenha como inimputãvel. 45 da Lei n. era inteiramen­ te incapaz de entender o car áter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.343/2006 .Mesmo sendo doente mental. ou possuindo desenvolvimento mental incompleto ou retardado. em virtude de doença mental. não havendo culpabilidade. não haverá crime. em virtude desse estado ou situação.

descendente. São as personalidades psicopáticas. tribadismo etc. do defensor. art. haverá sentença absolutória impró­ pria. Se. V). poderá ser constatada por simples exame clínico. mediante representação da Autoridade Policial. simplesmente. aqui. gerontofilia. São os demi-fous de Grasset. Assim. em toda a sua inteireza. sadismo. o fato previsto como crime for punível com deten­ ção. Evidente que nesses casos o agente não é inteiramente responsável. que. con­ forme vimos. Ele não tem. Comprovada a inimputabilidade em face da idade. exibicionismo. ele não é inteiramente inimputável. a tratamento ambulatorial. se ocorrer a hipótese prevista no art. mas lhe afeta a higidez. para o nosso estudo — exame de sanidade mental — não nos interessa a inimputabilidade com fulcro na embriaguez. pedofilia. mas aplica medida de segurança (CPP. 386. nos termos do art. Tal per­ turbação não retira do agente a inteira capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. parágrafo único. Na hipótese de saúde mental. III). poderá o Juiz submetê-lo. masoquismo. o problema é mais delicado. bestiaüdade. Às vezes o agente é portador de simples perturbação da saúde mental. do ascendente. 26 do CP. 26 do CP. isto é. propriamente. necrofilia.. feiticismo. aliás. uma vez que não pode ser sujeito passivo da pretensão puni­ tiva um menor de 18 anos.Todavia. anula-se o processo. quando houver dúvida sobre a integridade mental do acu­ sado. erotismo. 97 do CP Assim. 86 . Dessas hipóteses (caso dos fronteiriços). Dentre as psicopatias destacam-se: narcisismo. safismo. 386. e de adequar essa conduta à sua compreensão. Se a inimputabilidade decorrer de embriaguez. o Juiz ordenará. Trata-se. entretanto. capaci­ dade de entender. que a sua conduta é contrária à comum consciência jurídica. o Juiz absolve. ordenar a feitura do exame psiquiátrico. do curador. em face de suas condições psíquicas. poderá o Juiz. doença mental. irmão ou cônjuge do réu. ou a requerimento do órgão do Minis­ tério Público. de ofício. seja este submetido a exame médico-legal Mesmo na fase do inquérito. Somente o Órgão Jurisdicional é que pode determiná-la. art. cuida o parágrafo único do art. onanismo. A pena. que não chega a ser. da única perícia que não pode ser determinada pela Autoridade Policial. para o juízo de reprovação. mas a diminui. pode ser diminuída de um a dois terços. o Juiz proferirá sentença absolutória (CPP.

Deverá. O CPP. por isso mesmo. adotando a reforma penal o sistema vicariante. no caso. 87 . nos termos do art. restará indagar se a insanidade sobreveio à infração ou se. sempre que surgir problema dessa natureza no curso de um inquérito ou em qualquer fase da relação processual. 149 a 154. ao tempo da ação ou omissão. era o agente inteiramente incapaz de entender o caráter criminoso do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimen­ to. CP. contudo. inteiriça. cuja di­ minuição fica a critério do Juiz em face do caso concreto. O exame pericial. em face de quesito defensivo. é por demais delicado e não pode ser rea­ lizado por qualquer médico. mas por psiquiatras. sendo incidental. 12. se a defesa insistir na afirmação de que o réu é inimputável. suportava uma pena abrandada e complemen­ tada com medida de segurança. nos arts. não poderá o JuizPresidente formular quesito a respeito. traça normas a respeito desse inciden­ te de insanidade mental. que. indagar aos Jurados se ele era inimputável? Pensamos. que. Na legislação passada. deve ser processado em auto apartado e. como vimos. de­ verá ser apensado aos autos principais. Era adotado o sistema do duplo binário ou dos dois trilhos. 96 e 98) Assim. a pena é exclusivamente a privativa de liberdade. sem embargo da soberania do Tribunal popular. Oportunidade para o exame que comprove a insanidade O exame poderá ser ordenado em qualquer fase do processo ou até mesmo estando em curso o inquérito policial Nos crimes da competên­ cia do Júri. 152. Na última. nesses casos. sua imputabilidade. Na primeira hipótese. isto sim. 26. reconhecida a inimputabiiidade. arts. consistente em internação ou tra­ tamento ambulatória! (cf.. o condenado.nem possui. se a questão for ventilada após a pronúncia. Ainda em face desse caso concreto. o exame mé­ dico deve ser ordenado Trata-se de questão que pode sobrevir no curso do processo e. parágrafo único. formulando com as partes os quesitos necessários. dissolver o Conselho. se não houve exame de insanidade. deve ser solucionada em autos apartados. somente após a apresentação dos laudos pelos peritos. é de aplicar a regra que se contém no art. poderá o Juiz convolar a pena privativa de liberdade em medida de segurança. Hoje. nada impede se realize o exame Nesse caso. restará ao Conselho de Sentença proferir o julgamento E se o réu não foi submetido a exame de insanidade? Poderá o Juiz-Presidente.

Essa portaria será autuada. o indivíduo terá o destino aconselhado pela sua enfermidade. Em seguida. descendente. salvo quanto às diligências que possam ser prejudicadas pelo adiamento. por acaso. a propósito. Procedimento Se o Juiz determinar a realização do exame. em face da perícia médica. no sentido de se determinar a realização da perícia psiquiátrica* 14. se a ação penal já se iniciou. sem provocação de quem quer que seja. formule os seus. Se. o diretor do estabelecimento penal poderá determinar a remoção dò sen­ tenciado. e. os arts. reconhecida. em seguida. isto é. Se a dúvida sobre a integridade mental do réu surgir na fase do inquérito. será determinada a perícia médica. ao curador nomeado. do curador. proferir despacho em que. submeter o réu ao competente exame. determinará o luiz seja aberta vista des­ tes ao órgão do Ministério Público e. do ascendente. à falta. para a formulação dos quesitos. ou. Vejam-se. realçada a dúvida sobre a integridade men­ tal do acusado. do defensor. ratificará ou revogará a medida. de ofício. cumprir-lhe-á. a internação se prolongar até o término do prazo restante da pena e não houver sido imposta medida de segurança detentiva. e o pro­ cesso incidente correrá em apartado.. Era caso de urgência. Nesse mesmo despacho. Nada obsta a que o Juiz. nomear-lhe-á curador (e este poderá ser o próprio de­ fensor) e. Se a insanidade mental sobrevier no curso da execução da pena. 88 . determinará o sobrestamento do feito. onde lhe seja assegurada a custódia. 154 do CPP e 183 da Lei de Execução Penal. em outro estabelecimento ade­ quado. feita a devida comunica­ ção ao Juiz de incapazes. comunicando imediatamente a providência ao Juiz.. irmão ou cônjuge do acusado. após nomear curador seu próprio defensor. será o réu internado em manicômio judiciário. 13.481 do CPP.. e. baixará portaria determinando o exame e nomean­ do dois peritos da sua confiança. Poderá fazê-lo de ofício ou a requerimento do órgão do Ministério Público. Após a autuação e conclusos os autos do processo incidental. fará referência à portaria que irá baixar. poderá também a Autoridade Policial fazer representação ao Juiz. também. Legitimidade O exame será sempre ordenado pelo Juiz. que. nos autos principais.

Os peritos nomeados não podem deixar de aceitar o encargo.) Compromissados os peritos (salvo se oficiais). houver necessidade e não acarretar prejuízo à marcha do processo principal. com a finalidade de facilitar o exame. da necessidade ou não do exame. Se ordenada a perícia. Assim. o capítu­ lo pertinente aos peritos — CPP. sob pena de multa de R$ a R $ .. onde houver. se o Juiz. nos termos do § l2 do art. quem requerer ^ J J ) j : ) ) ^ ^ ^ 3 j ^ J ) 3 ^ ) ^ ■■ J ) ^ ^ ) . 31 do citado diploma. salvo se os peritos demonstrarem a necessidade de maior prazo. falará o curador nomeado. arts.. Acolhendo o pedido. este terá. em estabelecimento adequado que o Juiz designar. 275 a 280) O exame não deve durar mais de 45 dias. prudentemente. Tratando-se de exame de dependência. de preferência devem ser psiquiatras. 23 e do art. se estiver preso. ou. . mencionada nos incs. será internado em manicômio judiciário. como vimos. o prazo € de 30 dias. a propósito. Se. O que não pode é negá-lo arbitrariamente. se estiver solto. porventura. quando não for necessária ao esclarecimento da verdade”. mediante representação da Autoridade Policial ou a requerimento do órgão do Ministério Público. determinará seja abeita vista dos autos às partes para a formulação dos quesitos. 47 do CP. Em seguida. salvo escusa atendível. I e II do art. Aqueles. Não podem ser nomeados aqueles que estiverem sujeitos à interdição de direito. com a sua prudência. o réu. entender inexistir qualquer dúvida. Nos demais casos. se a realização do exame de insanidade é condicionada à existência de dúvida sobre a integridade mental do acusado. o Juiz ou a autoridade policial negará a peiícia requerida pelas partes. Di-lo o art. bem como os que tiverem prestado depoimento no processo ou opinado anteriormente sobre o objeto da perícia (veja-se. por primeiro. qualquer clínico. caberá ao Juiz perquirir. à sua falta. e o requererem os peritos. .. e na mesma pena incorrerão se não elaborarem o laudo ou concorrerem para que a perícia não seja feita dentro dos prazos estabelecidos. vista dos autos para o oferecimento das perguntas a ser respondidas pelos peritos. qualquer das pessoas legitimadas a requerer o exame deverá fazê-lo em petição avulsa. poderá o Juiz determinar-lhes sejam os autos entregues. É óbvio não ser ele obrigado a deferir o requerimento do interessado. negará o pedido. de ofício. Como o incidente de insanidade mental correrá em autos apartados. é intuitivo que. 184: “Salvo o caso de exame de corpo de delito. Autuada e conclusos os autos do incidente.

a plena capacidade de entendimento da ilicitude do fato ou a de autodeterminação? Na hipótese dos arts. portador de perturbação da saúde mental? 7a) Em virtude dessa perturbação. formulai seus quesitos. inteiramente inca­ pacitado de determinar-se de acordo com esse entendimento? 6a) Negativo o primeiro quesito. o 5. alheios ao problema da inimputabiiidade sob o aspecto legal. 11. os quesitos devem ser formulados de maneira simples e abrangendo os requisitos causais. portador de doença mental? 2-) Em caso positivo. fá-lo-á o órgão do Ministério Público 15. cronológicos e consequenciais tanto do art.e o 62 quesitos e afirmativo o 3S. o 49. de 23-8-2006 (atu­ al Lei de Tóxicos). ao tempo da ação ou omissão. tinha ele a plena capacidade de entendimento da ilicitude do fato ou a de autodeterminação? 8Q) Negativos o l2. qual a doença? 3a) Em caso negativo. 26 do CP como do seu respectivo parágrafo. por primeiro. em razão de dependência? 2Q) Se não era inteiramente incapaz. ao tempo da ação ou omissão. em virtude do desenvolvimento incompleto ou retardado. 14-81999. era ele inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato que cometeu? 5a) Se era capaz de entender. era o agente.343. à época do fato. Em seguida. à épo­ ca do fato. contudo. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. apresentava ele desenvolvimento mental incompleto (silvícolas inadaptados) ou retardado (oligofrênicos e surdos-mudos)? 4S) Em virtude da doença mental. tinha ele a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento? 90 .deverá. estava. por isso mesmo. ou do desenvolvimento mental incompleto ou retardado. 45 e 46 da Lei n. Podem ser assim formulados: Ia) O réu (ou indiciado) era. os quesitos podem ser assim formulados: l2) O paciente era. Quesitos Não se deve olvidar que os peritos não são bacharéis em Direito e. tinha ele.

nos termos do art. Instaurado. formular-se-á um quesito semelhante ao 2S 16. com a presença do curador nomeado (art. podem surgir duas situações: a) os peritos reconhecerem a inimputabilidade ou a imputabilidade diminuída. entretanto.. na hipó­ tese de o Juiz homologá-lo. Este. aguarda-se o restabelecimento do réu para que a causa criminal tenha andamento. seja ela oferecida. aplicar-se-á a regra contida no art. Fica isento de pena Se não era. se esta ainda não foi intentada. 152 faz ao § 2° do art . o réu não será citado nem interrogado. indaga-se: e.. que a doença mental sobreveio à infração Na primeira hipótese. estava sob o efeito de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica. no estado em que se encon­ trava. mas.. determinará o Juiz seja dado prosseguimento ao processo principal. Se o exame se fez antes da denúncia ou queixa. Cumprirá ao curador receber a citação. se já iniciada a ação penal. en­ tretanto. A doença mental antes e depois da infração Em todos os casos de exame para a constatação de inimputabili­ dade. isto é. suspender-se-á o andamento do 91 . o pro­ cesso. apresentado o laudo subscrito pelos dois peritos (podendo. 151). Na segunda hipótese. b) ser reconhecida a inimputabili­ dade ou responsabilidade diminuída.Se era inteiramente incapaz. e. 149. em face da remis­ são que o art .. fazer a prévia e prosseguir nos demais atos próprios da defesa. Nada impede. Nesse caso. exis­ tente à época da ação ou omissão. era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo cora esse entendimento? 5a) Positivo o 3a e negativo o quarto. concluindo os peritos que a doença mental sobreveio à infração. 3-) O paciente. cada um elaborar o seu). 11. por razões óbvias. proveniente de caso fortuito ou força maior? 4-) Positiva a resposta. finalmente.343. 46 da Lei n. com o recebimento da denúncia. acentuando. se o exame foi feito antes do oferecimento da denúncia ou queixa. autoriza a suspensão do processo. contudo. de 23-8*2006. será juntado aos autos do processo incidente* Sobre ele se manifestarão as partes. vale dizer. quando da prática do fato ilícito. poderá ter a pena re­ duzida. Logo.. não há cuidar-se de suspensão. 152 do CPP. por outro ladoTnão possuía a plena capacidade. nada obsta seja uma ou outra ofertada. homologado o laudo. por seu turno.

Contudo. 92 .. por não se tratar de inimputáve! ou semi-imputável. como bem disse o eminente Des. à falta. não fica o Juiz a ele vinculado. nesse caso. poderão elas ser reouvidas. formará sua convicção pela livre apreciação da prova. Ela substitui a pena. podendo. E se sobrevier doença mental àquele que estiver cumprindo pena? Como não lhe foi imposta medida de segurança. Dante Busana. conforme já se decidiu (RJTJSP. que.. ordenar nova perícia por outros peritos. sendo ele o peritas peritorum (perito dos peritos). é de aplicar-se a regra do § 2a do art. E se a doença mental sobrevier à condenação? Peio que dispõe o art. finda esta. se o réu fosse inimputávei. Não vinculação do Juiz à perícia Cumpre salientar. Mas. nos termos do § 2a do art. inclusive. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Até aí nada de anormal. Nos termos do art. aquela também aí se exaure. E. Por outr o lado. No caso de a doença mental sobrevir à con­ denação. uma vez apresentado o laudo. uma vez suspenso o processo. Se o resultado do laudo vier após a inquirição de testemunhas. Dante Busana. é diferente. 17. a medida de segurança não teria prazo determinado. referida medida de segu­ rança substitutiva da pena não pode ser superior a esta (RT. que só terá andamento depois do restabele­ cimento do acusado. a outro estabelecimento adequado. ainda. 117/468). 41 do CP. parece-nos que a solução deverá con­ sistir no seu recolhimento a hospital de custódia e tratamento psiquiá­ trico ou. 682 do CPP. tal como dispõe o art. 152. pela voz autorizada do eminente Des. nos termos do art. 182 do CPP. observado o disposto no § 2a do a rt 682 do CPP. à evidência não ficará adstrito às conclusões dos experti. 155 do CPP. 183 da Lei de Execução Penal pode haver a substituição da pena por medida de segurança. 640/294). a despeito de revogado. como observou o Eg.feito. Poderá aceitá-lo ou rejeitá-lo. Na verdade.

são sucessos. 7 Atos de terceiros 8. Termos. serão fatos jurídicos... Limites de lugar. Fatos. Conceito» 3. Critérios para a classificação.. a neblina na estrada. é um fato. Limites de forma. 2. 12. Sessões.. 6 Atos dos Auxiliares da Justiça. Atos sim ples e com ­ plexos.. Preclusão. Noções gerais. 9. um acontecimento natural que se transmuda em fato jurídico.. Se não. 4 Atos das partes 5 Atos dos JuCzes. tudo. 18. Fato e ato processuais Fatos são os acontecimentos naturais da vida. na estrada. irrelevantes.capítulo 37 Dos Fatos e Atos Processuais SUMÁRIO: i N oções gerais. Se eles forem relevantes para o Direito.. fatos naturais. 14 Limites de tempo. 15. Prazo 16. Fato e ato processuais.. a faísca elétrica. . sem ne­ nhuma importância para a ordem jurídica. 19 Fixação do dies a quo. 1. O nascimento de uma criança também é um fato. 13. são acontecimentos naturais. tudo são fatos. Tudo quanto acon­ tece é um fato: o choque de um veículo. 17. a publi­ cação de um livro. 10 Audiências. Os atos processuais. 20 Prazos contínuos e peremptórios. um acontecimento tão inexpressivo para o Direi­ to como é a queda de um carandá. Espécies de prazo. Contagem dos prazos. dado o seu relevo para o Direito. pois. O surgimento de neblina. 11.

24. temos um fato jurídico processual” (A nulidade. verificam-se dentro no processo. da amnésia de uma teste­ munha etc. diz-se fato jurídico natural.. “no senti­ do de fato jurídico no processo”. de simples comportamento e não de decla­ ração de vontade. os fatos jurídicos processuais. ed„.Sempre que o acontecimento da vida. porque ação material humana que apresenta conseqüências jurídicas.. assim. como tal fato tem relevância para o processo. a doutrina denomina-os atos jurídicos e. acontecimentos naturais. e o processual. pois. não podem ser considerados como fatos processuais. o ato jurídico é o gênero. atos processuais. é um acontecimento natural. o acontecimento natural estender seus efeitos sobre o processo. ou fato natural. E Calmon de Passos explica: “Se estamos em face de ação material humana à qual a lei junta conseqüên­ cias jurídicas. e são estes e não aqueles que produzem as conseqüências jurídicas (cf A nulidade no processo civil. modificar ou extinguir direitos processuais. se praticados para criar. cria. evidente que os fatos naturais. fala-se em fato processual A morte do ofendido. p 9). pois. contudo. 9). Há. o direito de queixa ou de representação sucede. e. Estes são. O comparecimento do réu à audiência de ins­ trução é um fato jurídico processual. fala-se em fato processual Diga-se o mesmo da mor­ te do agente. contudo. transcendência jurídica no processo. a espécie. pela circunstância de se verificarem no mundo extraprocessual. Assim. g. Os fatos naturais. acontecimentos da vida. ascendente. Entretanto. da insanidade mental do imputado. podem ser apenas objeto de atos processuais. em virtude da projeção dos seus efeitos no campo do Direito. de pronunciação. diz Calmon de Passos. Morto o ofendido. de pronunciação. Tudo são fatos processuais. ímpr. p. cujos efeitos se projetam sobre o processo. diante. ainda que projetem seus efeitos sobre o processo. passa. Estes. Eduardo Couture (Fundamentos dei derecho procesal civil. Oficial da Bahia. descendente ou irmão (CPP. a propósito. § Ia. quando os fatos que apresentam relevo para o Direito consistem numa ação humana que se traduz por declaração de vontade. 1959. O que o caracteriza e lhe dá individualidade própria é a circunstância de que 94 . Mas há quem conteste Se o processo é um complexo de atos. modi­ fica ou extingue uma situação jurídica. em verdade. da debilidade mental da ofendida nos crimes contra os costumes. Se. tendo. 3. e 31). p„ 202). Veja-se. arts. por outro lado. cit.. Assim. transfere-se ao cônjuge.

é a maneira co­ mum. Por isso mesmo. Critérios para a classificação Há vários critérios para a classificação dos atos processuais. são os atos jurídicos praticados no processo.seus efeitos se projetam sobre o processo. Atos praticados pelo Juiz. e em atos praticados por terceiros. Os atos processuais. contudo — formando a grande maioria —. Atos processuais. sobre a relação processual. pelos sujeitos da relação processual ou por terceiros. Calmon de Passos. então. para chegar até à aplicação da lei. classificam-nos. considerada na sua unidade. é o modo comum. no seu todo. numerosos atos são realizados. nada mais é que uma seqüência de atos. A denúncia. e capazes de produzir efeitos processuais (cf. ou.. são atos processuais. a função do ato. conseguintemente. cit. conservação. somente se consegue por meio do processo. a sentença. Pelo menos. ou.. pelo órgão acusatóiio. Aliás. pelo Defensor etc. com imparcialidade.. é evidente a importância do seu estudo. modi­ ficação ou extinção de uma relação processual”. 27)» 3. um testemunho. o interrogatório. Pode-se classificá-los levando-se em conta. a resposta do réu ou querelado. por exemplo. civilizada. para conseguir a compo­ sição da lide. e procedimento. Se o processo é um conjunto de atos processuais. dos seus au­ xiliares. visto externamente. o processo. Conceito Podemos definir o processo como aquela atividade exercida pelo Órgão Jurisdicionai visando à solução de um litígio. um despacho de expediente. Eles têm “por conse­ qüência imediata a constituição. A aplicação da lei ao caso concreto. a sua eficácia vinculatória. importância para a relação processuaL Assim. 95 . em atos das partes. uma decisão. sucessão enca­ deada de atos. considerando os sujeitos que os praticam. de consegui-la. a sucessão deles. professa Calmon de Passos. a denúncia. a sua coor­ denação. a juntada de um documento são atos processuais. o depoimento de uma testemunha. Outros. A nulidade. desenvolvimento. p. 2. dos Órgãos Jurisdicionais. simplesmente. Mas. pelos seus Auxiliares. a intimação feita pelo Oficial de Justiça etc. É por intermédio dele que se obtém a composição da lide.

aceita por Frederico Marques e Moacyr Amaral Santos. dando-lhe existência ou modificando-lhe as condições”. pela coisa. “são os consisten­ tes em declaração de vontade destinada a dispor da tutela jurisdicional. 96 . Os atos dispositivos referem-se ao direito materiai em litígio. conforme se postule um pronunciamento sobre mérito. a pres­ tação de fiança. procurando. Dispositivos. Como exemplos de atos instiutórios podemos apontar a acusação e a defesa levadas a cabo nas audiências referidas nos arts. São exemplos de atos reais a exibição de coisa apreendida. p. são os que se caracterizam por se manifestarem re. CoiporifTcam-se nas petições e requeri­ mentos. Segundo Goldschmidt. O ofere­ cimento do rol de testemunhas é um ato probatório» Também o é o depoimento da testemunha. Idem quanto à defesa prévia.. Atos das partes Costumam os autores distinguir. se formaliza e cristaliza num requerimento. São aqueles que “se destinam a convencer o Juiz da verdade da afirmação de um fato”. 403. apresentam-se sob a forma de alegações e de atos probatórios. a apresentação à prisão etc. por exemplo. os postulatórios. § 32. bem como naquele momento previsto no art. e 534 do CPP.. Atos reais. Fundamentos. nos atos das partes. § 4e. aí. assim. 411. por não dizer respeito a mérito. A denúncia ou queixa. segundo a definição de Gabriel de Rezende Filho. Entendem-se como tais aqueles que visam a “obter do Juiz um pronunciamento sobre o meritum causae ou uma resolução de mero conteúdo processual”.4. 403. Já o ato de solicitar a substituição de uma testemunha. Postulatórios. visando à demonstração de suas pretensões.. Na definição de Moacyr Amaral Santos. exceto quando não o puderem ser em audiência ou sessão. São também denominados “negócios jurídicos processuais”. Tal distinção corresponde à classificação que faz Couture: actos de petición e actos de afirmación (cf. Instrtitórios. ou quan­ to ao processo. os instrutórios. os reais e os dispositivos. cit. ou oralmen­ te. Alegações são ex­ posições circunstanciadas feitas pelas partes. estamos em face de um fato jurídico processual). pelo objeto. e não pela palavra). Atos probatórios são os consistentes na proposição e produção de provas. é um ato postulatório que se apresenta sob forma e contextura de petição. (parte da doutrina entende que. non verbis (pelo fato.. 206). do mesmo estatuto» Elas podem ser feitas por escrito. convencer o Juiz quanto ao acerto da tese suscitada.

No Processo Civil, a disponibilidade do direito material, vale dizer,
o poder de disposição do conteúdo material do processo, ocorre oü em
virtude de transação, ou de desistência ou de submissão. No primeiro
caso, o negócio jurídico é eminentemente bilateral, porquanto subordi­
nado a acordo de vontades, Nos dois últimos, unilateral. Na desistência,
como o nome está a indicar, o autor renuncia à pretensão estampada na
inicial, ou na reconvenção, tratando-se do réu. Na transação, autor e
réu abdicam de seus direitos: o autor renuncia, no todo ou em parte, ao
pretendido, e o réu, ao seu direito de excepcionar, de defender-se, de
responder. Há, pois, renúncias recíprocas, com maior ou menor inten­
sidade, Na submissão, que não se confunde com a confissão, o réu
confirma a procedência da pretensão contra ele deduzida. Reconhece
não apenas a veracidade dos fatos alegados, como, inclusive, do direito
invocado. É o que os autores italianos chamam de riconoscimento delia
demanda, e os de língua espanhola, allanamiento a la demanda. Exempio desse ato dispositivo temo-lo no Processo Civil. In verbis:
“Ait. 269. Extingue-se o processo com julgamento de
mérito:
(...)

II — quando o réu reconhecer a procedência do pedido”.
No Processo Penai pátrio, não há similar. No Direito inglês existe o
plea guilty, instituto segundo o qual, se o réu reconhecer a procedência
da pretensão deduzida, pode o Juiz, sem mais tardança, aplicar-lhe a pena.
E Kenny, nos seus Outlines of criminal law, explica: “If the {prisoner)
confesses, i. e., ‘pleads guilty', he may be at once sentenced" (12. ed., p.
558). Mesmo nos casos graves,. É o que diz Stephen: “I f the prisoner
confesses, he pleads ‘guilty', and the Court will proceed to pass sentence...
in serious cases” (cf, Criminal law, p. 210),, Na Ley de Enjuiciamiento
Criminal (Espanha), é bem sugestivo o art. 694: “Si en la causa no hubiere más que un procesado y contestare afirmativamente, el Presidente
dei Tribunal preguntará al defensor, si considera necesaria la continuación
dei juicio orai. Si éste contestare negativamente, el Tribunal procederá a
dictar sentencia en los términos expresados en el artículo 655” .
Também se adota o allanamiento, ou juicio penal truncado, nos
Códigos bonaerense e cordobês. Também no de Mendoza (Argentina),
Em qualquer deles, paia as infrações de pouca monta,

Não se deve confundir confissão com submissão. Na confissão, o
réu chama a si a responsabilidade do ato praticado. Já na submissão,
o réu teria de concordar com o pedido do autor, O réu pode dizer: “na
verdade fui eu quem furtou”. Estaria havendo confissão. Nem por isso
teria havido uma submissão, visto que o réu não reconheceu a proce­
dência do pedido. Ele poderia acrescentar: furtei, mas o fiz em estado
de necessidade. Enquanto a acusação postula um decreto condenatório,
o réu, embora confessando, postula sua absolvição. No Direito inglês,
quando o réu pleads guilty (reconhece ser culpado), o Juiz aplica-lhe
a pena. Não se trata de mera confissão, mas de reconhecimento da
procedência do pedido
A Constituição, no a rt 9 8 ,1, acenou para a transação, como cri­
tério de agilização da Justiça nas infrações de menor potencial ofensi­
vo, e a Lei n, 9 099/95 (Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais),
disciplinando-a, confere ao Ministério Público o poder de fazer pro­
posta ao autor do fato visando à não instauração de processo. Esse
poder não é discricionário, mas vinculado. Satisfeitas as condições para
operar-se a transação, o Ministério Público deve formular a proposta,
consistente na aplicação de pena não privativa de liberdade (multa ou
pena restritiva de direito). Aceita, será homologada pelo Juiz.
Respeitante à desistência, exemplos vivos, no Processo Penai, são
a perempção, a renúncia e a retratação, de que trata o art. 25 do Esta­
tuto Processual Penal. Exemplo de transação encontramos no art. 76
da Lei n. 9 ,099/95. Também o perdão (cuja eficácia depende do as­
sentimento do querelado) e, ainda, a conciliação, a que faz referência
o art. 520 do CPP
5. Atos dos Juizes
Os atos praticados pelo Órgão Jurisdicional classificam-se em
decisórios, instrutórios e de documentação,
Decisórios. No Processo Penal, os atos decisórios, ou jurisdicionais,
apresentam a grande dicotomia: a) decisões e b) despachos de expe­
diente.Decisões, significando ato de decidir, são as soluções dadas
pelos Órgãos Jurisdicionais às questões que surgem no transcorrer de
um processo. Sua importância está na dependência do relevo da dis­
cussão suscitada. Basta dizer que o ato por meio do qual o Juiz recebe
a denúncia é uma decisão. Também o é aquele que põe fim ao proces­
so, com ou sem julgamento de mérito. Há, assim, uma gama de decisões.
Já os despachos de expediente são atos singelos, pertinentes à movi­
mentação do processo.

As decisões apresentam-se era grande variedade: interlocutórias
simples, interlocutórias mistas (ou decisões com força de definitivas),
que se bipartem em terminativas e não terminativas, e, finalmente,
definitivas, Lripartindo-se em condenatórías, absolutórias (próprias e
impróprias) e decisões definitivas em sentido estrito.
Os despachos de expediente, como vimos, são aqueles atos jurisdicionais por meio dos quais o Juiz provê a respeito da marcha do
processo. Exemplos: “Diga o Ministério Público”, “Designo o dia x
para a audiência de instrução e julgamento”, “Voltem-me conclusos”.
As decisões interlocutórias (do verbo latino interloquor, eris,
loqui, locutus sum, loqui, falar interrompendo, dizer interrompendo,
cortar a palavra) são as deliberações, as soluções dadas pelo Juiz a
certas questões que surgem, que sobrevêm no decorrer de um procedi­
mento, em qualquer das suas fases, exceto aquela apropriada à solução
definitiva da demanda. Elas podem ser simples ou mistas. As primeiras
são soluções dadas a certos temas, a certos assuntos, questões que
sucedem, acontecem, no curso de um procedimento, sem, contudo, en­
cerrá-lo. Assim, por exemplo, são interlocutórias simples as decisões
atinentes ao recebimento da peça acusatória, incidente de falsidade do­
cumental, exceção de suspeição, decretação da prisão preventiva etc. Já
as mistas têm a força de trancar a relação processual, sem julgamento
do mérito — e nesse caso são denominadas decisões terminativas —, ou,
então, de encerrar uma fase do procedimento — decisão não terminati­
va —, de que é exemplo a pronúncia
São interlocutórias mistas as decisões peias quais se rejeita a peça
acusatória, as que acolhem a exceção de coisa julgada ou de litispendência etc,
Definitivas, também denominadas sentenças, são as que julgam o
mérito, as que definem o juízo, “concluindo-o e exaurindo-o na instân­
cia ou grau de jurisdição em que foi proferida”., Elas se apresentam sob
três modalidades: a) condenatórías, quando acolhem, no todo ou em
paite, a pretensão punitiva; b) absolutórias, quando a rechaçam; c)
terminativas de mérito, as que julgam o mérito, definem o juízo, mas
não condenam nem absolvem. Exemplos: a decisão que decreta a ex­
tinção da punibilidade, a que reconhece a ausência de condição obje­
tiva de punibilidade, a que resolve o incidente de restituição de coisas
apreendidas etc.
As decisões absolutórias próprias são as que rechaçam a pretensão
punitiva. Impróprias, aquelas que, embora desacolham a pretensão
99

deduzida, infligem ao réu medida de segurança (CPP, art, 386, pará­
grafo único, III).
Atos instrutórios,. Se ato (do latim actum, /) significa aquilo que se
realizou, ação, é induvidoso tratar-se de verdadeiro ato processual aquela
atividade do Juiz consistente em interrogar o réu, era ouvir a vítima e as
testemunhas, em proceder a uma acareação, a um reconhecimento. Toda­
via, como tais atividades ou atos não se traduzem por meio de decisões ou
despachos, mas em ação, a doutrina denomina-os atos instrutórios..
Atos de documentação. Às vezes a ação do Juiz consiste, apenas,
em participar da documentação dos atos. Assim, ao subscrever o termo
de audiência, ao rubricar as folhas dos autos, está ele praticando ver­
dadeiros atos de documentação»
Outros atos, Além desses, outros atos são praticados pelos Órgãos
Jurisdicionais, tais como os de coerção (CPP, arts. 201, § l2, 218, 219,
260, 311, 413, § 3a), de polícia processual (CPP, arts. 497, I, 794 e
795), e os atos tipicamente administrativos, como o previsto no art. 5°,
H, do CPP
6. Atos dos Auxiliares da Justiça
Merecem relevo, também, no estudo dos atos processuais, aqueles
levados a cabo pelos Auxiliares da Justiça,, Destacam-se:
a) atos de movimentação;
b) atos de documentação;
c) atos de execução
Atos de movimentação: os destinados ao andamento do processo..
Exemplos: quando o escrivão faz os autos conclusos ao Juiz; quando
abre vista dos autos às partes etc.
Atos de documentação: aqueles pelos quais o Auxiliar da Justiça dá
a sua fé de que foi realizado o ato determinado pelo Juiz. Exemplos:
certidão de que o réu foi citado; certidão da intimação do Promotor etc.
Atos de execução: aqueles por meio dos quais os Auxiliares da
Justiça cumprem as determinações do Juiz,. Exemplos: intimação do
defensor; notificação de testemunha; prisão; arresto etc.
7. Atos de terceiros
Ao lado de todos esses atos, temos, ainda, os praticados por ter­
ceiros (interessados e desinteressados). O testemunho, por exemplo, é
100

um ato processual praticado por um terceiro desinteressado. Se consi­
derarmos os peritos, os tradutores e intérpretes como terceiros desin­
teressados, então os atos que realizam dentro no processo são, também,
atos de terceiros. Que tipo de atos? A nosso ver, seriam atos instrutórios, porquanto visam a instruir o Juiz.
Quanto aos terceiros interessados (o terceiro de boa-fé em poder
de quem a coisa foi apreendida; o fiador do indiciado ou réu — CPP,
art. 329, parágrafo único; o ofendido e as pessoas enumeradas no art,
31), podem praticar atos postulatórios e instrutórios, como se constata
pela leitura dos arts. 120, § 2a, 127, 132, 134, 137, 149, 598 etc.
8. Atos simples e complexos
Podemos distinguir os atos processuais em simples e complexos.
Ato processual simples, como o nome está a indicar, é aquele que re­
sulta da manifestação de vontade de uma só pessoa, de um só, órgão
— monocrático ou colegiado. Aliás, a grande maioria dos atos proces­
suais é constituída de atos simples (denúncia, interrogatório, sentença,
defesa prévia, penhora etc.). Complexo, quando, no mesmo ato, obser­
va-se uma policromia de atos, tal como ocorre na audiência e na sessão.
Audiência e sessão são atos processuais complexos, porquanto nelas
se realiza, contemporaneamente, um conjunto de atos entrelaçados pela
“finalidade comum". Pode-se dizer, também, que a sentença proferida
pelo Presidente do Tribunal do Júri é um ato complexo, porque infor­
mada da vontade de dois órgãos — o Juiz-Presidente e o Conselho de
Sentença.
9. Termos
Ao lado dos atos processuais, há os termos.. Antes de defini-los,
convém salientar que a palavra é empregada em diversos sentidos,
notadamente no de tempo. Oderigo define-os como “momentos en los
cuales y los espacios de tiempo dentro de los cuales puede o debe realizarse determinado acto o categoria de acto” (cf. Derecho procesal
penal, Depalma, 1973, p. 364).
Sem embargo do seu sentido variado, emprega-se a palavra ter­
mo para expressar e traduzir a documentação de um ato levado a efei­
to por funcionário ou serventuário da Justiça no exercício de suas
atribuições.

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Daí as expressões tomar por termo, reduzir a termo, para revelar
e demonstrar a atividade do funcionário ou serventuário da Justiça em
reproduzir, na linguagem escrita, o que lhe foi dito verbalmente- A
propósito, os arts., 578 e 39, § 1-, do CPP.
Normalmente, os termos dizem respeito aos atos de movimentação
praticados pelos Auxiliares da Justiça. Entre eles destacam-se:
Termo de autuação', o escrivão atesta que foi iniciado o processo
e que lhe foram apresentados a denúncia, ou queixa, e os autos do inquérito, ou peças de informação, que a instruíram.
Termo de juntada: o escrivão dá a sua fé de que foi juntado determinado documento aos autos.
Termo de conclusão: o escrivão testifica a remessa dos autos ao
Juiz, para a deliberação que entender conveniente.
Termo de vista: o escrivão atesta que os autos estão à disposição
de uma das partes. Grosso modo, quando tal acontece, o escrivão entrega os autos à parte a quem foi aberta vista. Outras vezes, quando o
prazo corre em cartório (é o caso do prazo comum), embora com vista
aberta, os autos ali permanecem à disposição da parte.
Termo de recebimento: o escrivão certifica que os autos retomaram
a cartório, ou, quando dele não saíram, que a parte já se pronunciou e
os devolveu.
Termo de apensamento: o escrivão afirma terem sido apensados
outros autos, ou peças de informação, aos autos principais. Assim, por
exemplo, após a oferta do laudo psiquiátrico, o escrivão deverá apensar
os autos do incidente de insanidade mental aos do processo-crime, na
dicção do art. 153 do CPP e, nesse caso, lavrará um termo de apensa­
mento, atestatório de que deu cumprimento à determinação legal.
Termo de desentranhamento: o escrivão atesta que desentranhou
dos autos, obviamente por determinação do Juiz, este ou aquele documento, esta ou aquela peça.

.

10. Audiências
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Segundo a Ordenação, audiência é o lugar público onde o Juiz
está, em dia e hora determinados, para publicai as suas sentenças, ou­
vir as partes ou seus Advogados, decidir os requerimentos e as questões
de fácil solução.
É certo que até hoje a palavra audiência tem esse sentido. Daí
falar-se em “sala das audiências” para se referir ao compartimento do
102

Fórum onde o Juiz atende às partes, ouve as testemunhas e, em suma,
realiza, normalmente, os atos processuais.
Entretanto não é nesse sentido que o legislador usa da expressão
audiência, mas sim no de ato processual Ato complexo, mas ato pro­
cessual Define-a Pontes de Miranda como o trecho de “espaço-tempo”,
em que, presente o Juiz, que preside à reunião, se dã a concentração e
a imediatidade do processo., Ou só para a instrução, ou só para o jul­
gamento, ou para ambos. E, mais adiante, acentua: o que distingue a
audiência dos atos processuais (comuns) é o de ser envolvente de outros
atos processuais, por sua duração e por sua extensão no espaço (cf
Comentários ao Código de Processo Civil, v. 3, p. 453).
Respeitante à concentração e à imediatidade a que se refere
Pontes de Miranda, na definição supra, é preciso fazer um esclareci­
mento, Entende-se por concentração o principio processual segundo o
qual, dentro de um mesmo lapso de tempo e sem interrupção, devem
praticar-se todos os atos ou alguns atos processuais que integram o ato
complexo, tal como sucede nas audiências de debates e julgamento
(CPP, arts. 400, 531), em que, após a audição das testemunhas da Acu­
sação, da Defesa e interrogatório do réu, sucedem os debates- Após, o
Juiz profere sentença.
E a imediatidade? Citando Florian, esclarece Frederico Marques
que tal princípio consiste em obrigar o Juiz a ficar em contato direto
com as partes e as provas, recebendo, assim, de maneira direta, o ma­
terial, provas e elementos em que se baseará para julgar (cf. Instituições
de direito processual civil, v. 2, p. 127).
No mesmo sentido, Pontes de Miranda (cf Comentários, cit., v.
2, p.. 230),,
E, por isso mesmo, daí decorre outro princípio, o da identidade
física do Juiz, ou, como diz o art. 132 do CPC: “O juiz, titular ou
substituto, que concluir a audiência julgará a lide, salvo se estiver
convocado, licenciado, afastado por qualquer motivo, promovido ou
aposentado, casos em que passará os autos ao seu sucessor”.
Agora, nas audiências criminais a concentração é exigida em todos
os procedimentos comuns e especiais, vigorando o princípio da iden­
tidade física do Juiz., A propósito, os arts. 400, 411, 531, 399, § 2a,
todos do CPP.
Procurou-se emprestar maior celeridade processual A princípio, os
debates eram próprios do procedimento sumário e do sumariíssimo.
103

Agora, em face das alterações sofridas pelo Código de Processo Penal,
até no procedimento comum ordinário e mesmo no procedimento dos
crimes da alçada do Júri, o legislador, além de exigir a identidade física
do Juiz, procurou evitar, como dizia o grande Pimenta Bueno, “o todo e
a morosidade das formalidades criminais”, tanto por parte da Justiça
como do indiciado, “pois que ambos perderiam muito com as delongas
indispensáveis da marcha do processo”,. É por esse motivo que, era pro­
cessos tais, quer a lei deva ser proferida sentença logo após os debates.
Entre nós, determinando o legislador a feitura da audiência em
todo e qualquer procedimento, pode-se, com esse açodamento, coarctar
a Defesa Não se deve comparai o procedimento de uma contravenção
com o do estupro, do latrocínio, de seqüestro etc. Com as inovações
trazidas, todas as infrações ficaram reduzidas ao mesmo denominador.
Praza aos céus dê tudo certo! Mas, em razão da nossa longa experiên­
cia no Ministério Público e na Advocacia, podemos afirmar que have­
rá maiores delongas, com risco inclusive de prescrição.
Audiência, enfim, no Processo Penal, nada mais é senão o mo­
mento processual de todos os procedimentos. E o CPP prevê esses
“momentos processuais” no procedimento sumariíssimo de que trata o
art. 81 da Lei n. 9.099/95, no procedimento dos crimes de tóxicos, nos
termos do art, 57 da Lei n. 11 343/2006, no procedimento comum or­
dinário, no procedimento sumário, no procedimento dos crimes da
competência do Júri, nos procedimentos dos crimes contra a honra, de
responsabilidade de funcionário público, da competência do Juiz sin­
gular, e nos crimes contra a propriedade imateriaL Também nos crimes
falimentares (art 185 da Lei n.. 11.101/2005) e, finalmente, para leitu­
ra de sentença que concede sursis (Lei de Execução Penal, art. 160).
11. Sessões
Denominam-se sessões as reuniões dos Órgãos Jurisdicionais
colegiados, “nas salas dos respectivos Tribunais, a fim de discutirem e
julgarem as causas ou resolverem sobre requerimentos atribuídos ao
seu conhecimento e decisão, originariamente ou em grau de recurso”.
Há sessões nos Tribunais de Justiça, no Supremo Tribunal Federal,
Superior Tribunal de Justiça, Superior Tribunal Militar, Tribunais Re­
gionais Federais, Tribunais Regionais do Trabalho, Tribunais Militares,
Tribunal Superior Eleitoral, Tribunais Regionais Eleitorais, Tribunais
do Júri .
104

Em se tratando de Tribunal do Júri, em vários dispositivos notam*se referências às “sessões”, A propósito, vejam-se os arts,. 430, 435,
442, 453, 464 e outros mais.
Assim, não se diz: “o Tribunal do Júri esteve reunido em audiên­
cia”, mas, sim, “houve sessão do Tribunal do Júri”.
12. Limites de lugar
Os atos processuais, as audiências e sessões devem ser realizados
em lugar estabelecido como adequado e próprio para tal fim, e esse
lugar é o edifício onde o Órgão Jurisdicional tenha sua sede. A propó­
sito, dispõe o art. 792:
“As audiências, sessões e os atos processuais serão, em
regra, públicos e se realizarão nas sedes dos juízos e tribu­
nais..,”»
Esta é, pois, a regra. Entretanto há numerosas exceções, inspiradas
em considerações diversas . Vejamo-las..
Às vezes, o ato processual se realiza fora do território jurisdicional
onde a causa está tramitando» E o caso, por exemplo, da testemunha que
residir fora da comarca do juízo processante e que será ouvida por pre­
catória ou, se residir no exterior, por rogatória (CPP, arts» 222 e 780).
Em caso de necessidade, as audiências, as sessões e, em suma, os
atos processuais poderão realizar-se na residência do Juiz, ou em outra
casa por ele especialmente designada (art. 792, § 2Q).
Assim, por exemplo, se o prédio onde o Órgão Jurisdicional tiver
a sua sede estiver na iminência de ruir, poderá o Juiz determinar que a
audiência, a sessão (do Júri) ou o ato processual seja realizado em sua
própria residência ou em outro prédio “especialmente designado”.
Quantas e quantas vezes, no interior, não temos assistido a sessões
do Júri realizadas no prédio onde funciona a Câmara de Vereadores,
no prédio da Prefeitura, em virtude de o Fórum não oferecer condições
de segurança?
De acordo com o art. 220, as pessoas impossibilitadas, por enfer­
midade ou por velhice, de comparecer para depor serão inquiridas onde
estiverem. E, malgrado tenha sido dada nova redação ao art. 403, que
permitia ao Juiz, no caso de enfermidade do réu, transportar-se ao local
onde este se encontrasse e ax proceder à instrução»,. podendo ser, in-

clusive, na própria casa do réu..nada impede sua repristinização, ou,
quando assim não seja, invocar a analogia com o art.. 220 do CPP.
Segundo o art. 221 do CPP, o Presidente e o Vice-Presidente da
República, os Senadores, os Deputados Federais, os Ministros de
Estado, os Governadores de Estado e Território, os Secretários de
Estado, os Prefeitos do Distrito Federal e dos Municípios, os Deputa­
dos das Assembleias Legislativas Estaduais, os membros do Podér
Judiciário, os Ministros e Juizes do Tribunal de Contas da União, dos
Estados e do Distrito Federal, bem como os do Tribunal Marítimo
serão inquiridos em local, dia e hora previamente ajustados entre eles
e o Juiz. Assim, também, os membros do Ministério Público, por for­
ça do art. 40, I, da Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei
n. 8.625, de 12-2-1993).
Contudo, em se tratando de Presidente e Vice-Presidente da
República, Presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados
e do Supremo Tribunal Federai, poderão optar pela prestação de de­
poimento por escrito, caso em que as perguntas, formuladas pelas
partes e deferidas pelo Juiz, ser-lhes-ão transmitidas por oficio (cf. CPP,
art. 221, § l2)., O art. 415 da Ley de Enjuiciamiento Criminal faz refe­
rência a algumas pessoas que “serán invitadas a prestar su declaración
por escrito...”.
O parágrafo único do art. 657 do CPP dispõe que o Juiz poderá ir
ao local em que o paciente se encontrar, se este não puder se apresen­
tar, por motivo de doença.
13. Limites de forma
É pela formà que o ato processual se manifesta. Forma dat esse
rei, A forma é a exteriorização do ato. É o aspecto que os atos devem
apresentar. Como bem diz Leone, estando destinado a viver fora do
sujeito que o realiza, o ato processual deve enquadrar-se dentro dos
limites de tempo e de lugar e assumir um hábito externo idôneo para
fazê-lo conseguir os efeitos a que tende.
Assim, num sentido amplo, entendem-se por formas todas aquelas
condições de lugar, de expressão e de tempo, exigidas pela lei para o
cumprimento de determinado ato. Todavia, no sentido estrito, a forma
nada mais é, como dizia Massari, que o revestimento, a roupagem
externa, sua configuração exterior. Seria impossível, pois, fazer um
106

estudo pertinente às formas de todos os atos processuais, porquanto há
formas especiais exigidas para determinados atos, e, assim, à proporção
que formos examinando cada um dos institutos do Direito Processual
Penal, faremos referência às formas dos atos respectivos. Observem-se,
por exemplo, as formalidades para o mandado de prisão (art. 285, pa­
rágrafo único), as do auto de prisão em flagrante (art. 304 e parágrafos),
as formalidades da sessão de Júri, da sentença, da denúncia etc.
Trataremos, aqui, apenas daqueles princípios gerais que dizem
respeito à forma dos atos processuais:
a) Idioma, Os atos processuais penais devem ser realizados em
língua portuguesa. É certo, como pondera Frederico Marques, inexistir
a respeito preceito expresso.
Todavia, de vários dispositivos legais se infere ser esse o princípio.
De fato Vê-se, pelo art., 193 que, se o acusado não falar a língua na­
cional, o interrogatório será feito por intérprete., O art. 223 estabelece
a mesma regra quando se tratar de testemunha.
Os documentos em língua estrangeira, reza o art. 236, sem prejuí­
zo da sua juntada imediata, serão, se necessário, traduzidos por tradu­
tor público ou, na falta, por pessoa idônea nomeada pela Autoridade.
Ainda a respeito da exigência do vernáculo para os atos proces­
suais, dispõe o § Ia do art.. 784 que as rogatórias, acompanhadas de
tradução em língua nacional, feitas por tradutor oficial ou juramentado,
serão, após exequatur do Presidente do STJ, cumpridas pelo Juiz cri­
minal do lugar onde as diligências tenham de efetuar-se, observadas as
formalidades prescritas no CPP
b) Escrito. O princípio de que quod non est in actis non est in hoc
mundo (o que não estiver no processo é como se não existisse) vigora
em numerosas legislações, inclusive na nossa. Daí a regra de que ps
atos processuais devera revestir-se da forma escrita. Escrita é a senten­
ça, é a denúncia, é a “resposta do réu” etc.
Sem embargo disso, numerosos atos processuais penais se realizam
oralmente. Nesses casos, para que fique memória deles dentro no pro­
cesso, é necessário, indeclinavelmente necessário, sejam reduzidos a
escrito, por meio dos termos, para a comprovação do referido ato — ou
por meio das atas, narração escrita de tudo quanto ocorre nas sessões,
nelas consignando-se “lo fundamental de los actos orales”
Assim, quando o Promotor de Justiça acusa, em plenário do Júri,
está realizando um ato processual penal instrutório.
107

E reaLiza-o oralmente . Todavia o escrivão, a cargo de quem fica a
lavratura da ata, consigna a súmula daquilo que o Promotor falou.
Hoje, em face das alterações procedidas em nosso ordenamento
processual penal, praticamente predomina a oralidade. Haja vista aque­
les atos processuais previstos nos arts» 204, 195, 245, 229, 226, 227,
212, 400,411,531,538 etc.
Alguns atos, como os previstos nos arts.. 39 e 108 do CPP, tanto
podem ser realizados oralmente como por escrito.
c)
Publicidade. Ainda no que respeita à foima dos atos proces­
suais, é de observar que vigora o princípio da publicidade, isto é, todos
os atos processuais, inclusive as audiências e sessões, serão públicos,
Isso não significa que, para a realização do ato, haja necessidade de
assistência, mas possibilidade para qualquer pessoa assisti-lo»
Ao tempo do processo inquisitivo, este era secreto. Os atos pro­
cessuais não se realizavam sequer era presença do réu. Mesmo depois
do Code d ’Instruction Críminelle, de 1808, determinada fáse do pro­
cesso era secreta. Foi o liberalismo que reclamou, com toda a energia,
a publicidade dos atos processuais, não só para os interessados, senão
também para o público
De notai que o Processo Penal eclesiástico (Codex Juris Canonicis, de 1917) era secreto (cf. Beling, Derecho procesal penal, p..
148).
Muito embora na doutrina haja discussão sobre a conveniência ou
não da publicidade dos atos processuais, irrespondível a lição de Beling,
no sentido de que “pesa más la consideración de que un proceso penal
secreto, por concienzudo y legalmente que se practique, tiene en con­
tra de si la impresión de que hay en él algo que necesita ocultarse”
{Derecho, cit., p. 148).
No Direito pátrio vigora o princípio da publicidade absoluta, como
regra. As audiências, as sessões e a realização de outros atos processuais
são franqueadas ao público em geral.
Qualquer pessoa pode ir ao Fórum, sede do juízo, ou ao Tribunal,
assistir à audição de testemunhas, ao interrogatório do réu, aos debates,
quer se trate de processo da competência do luiz singular, quer da do
Júri.
Tratando-se de processo da competência do Júri, são impostas
algumas limitações (v. CPP, arts. 485, 486, 487).
108

O princípio da publicidade absoluta ou geral vem consagrado,
como regra, no art 792 do CPP:
“As audiências, sessões e os atos processuais serão, em
regra, públicos e se realizarão nas sedes dos juízos e tribunais,
com assistência dos escrivães, do secretário, do oficial de
justiça que seivir de porteiro, em dia e hora certos, ou previa­
mente designados”.
A despeito de viger tal princípio, o legislador pátrio admite, tam­
bém, a publicidade especial ou restrita. Di-lo o § Ia do art. 792:
“Se da publicidade da audiência, da sessão ou do ato
processual, puder resultar escândalo, inconveniente grave ou
perigo de perturbação da ordem, o Juiz, ou o Tribunal, câma­
ra, ou turma, poderá, de ofício ou a requerimento da parte ou
do Ministério Público, determinar que o ato seja realizado a
portas fechadas, limitando o número de pessoas que possam
estar presentes”.
Por outro lado, a publicidade não atinge, grosso modo, os atos que
se realizam durante a feitura do inquérito policiai, não só pela própria
natureza inquisitiva dessa peça informativa, como também porque o
próprio art. 20 do CPP dispõe que a autoridade assegurará no inquéri­
to o sigilo necessário,.- Trata-se, de conseguinte, de lex specialis, que
não é derrogada pela lei geral. Malgrado isso, o art. 72, XIV, do Esta­
tuto da Advocacia faculta ao Advogado, mesmo sem procuração, exa­
minar autos de inquéritos e copiar peças..,.
Como característica do processo de tipo acusatório, a publicidade
campeava na índia, entre os atenienses, entre os romanos; à época re­
publicana, entre os germânicos. Era a publicidade popular.
Posteriormente, foi sofrendo limitações e, na Idade Média, por
influência do Direito Processual Penal canônico, totalmente abolida.
O processo, então, passou a ser secreto.
Só o julgador, que também acusava, e o secretário é que tinham
conhecimento do que se passava no processo, Não se permitia sequer
defensor, sob alegação de que, se o acusado era inocente, não precisa­
va de defensor e, se culpado, era indigno de defesa..
Muitas vezes o réu desconhecia a existência de processo contra
si... Era o chamado processo do tipo inquisitivo, antítese do processo

acusatório, No inquisitívo tudo se fazia a portas fechadas, secretamen­
te, sigilosamente, em surdina, e ninguém, salvo o julgador e o secretá­
rio, podia ter acesso aos autos..
d)
Assinatura. Quando se exige a assinatura em um ato ou docu­
mento, basta a escritura de próprio punho, ao final do ato, do prenome
e do nome de quem deve firmá-lo, ou, quando a lei o permitir, a própria
rubrica. Em determinados casos, se a pessoa que deve firmá-lo não pode
ou não sabe escrever, poderá pedir a alguém que o faça por ela, E o que
ocorre ao se encontrar a testemunha em tal situação (CPP, art, 216), É
certo que, às vezes, o Código não exige expressamente a assinatura de
quem praticou o ato, mas subentende-se a exigência para que se evite a
coima de apocrifia, E mais do que isso: a fim de que o ato não seja
considerado inexistente, É o que ocorre, por exemplo, com a denúncia
ou queixa (art, 41), com a “resposta do réu” (art. 396-A) etc,
Muitas vezes, entretanto, a lei exige, expressamente, a assinatura
da pessoa que praticou o ato (arts, 50, 56, 59, 98, 195, 226, IV, 243,
III, 285, parágrafo único, a, 381, VI etc,). Outras vezes exige a firma
devidamente autenticada (arts, 39, § l s, 289, parágrafo unico etc,). Em
alguns casos a ausência de assinatura da pessoa que deve firmá-lo é
suprida pela assinatura de duas testemunhas, como ocorre, e. g., nas
hipóteses previstas nos arts, 286, 304, § 3S, 306, parágrafo unico.,
Há casos em que a pessoa que deve assinar não sabe ou se recusa,
e a lei contenta-se com a simples consignação de tal circunstância no
termo, como sucede na hipótese do parágrafo único do art, 195 do CPP
14. Limites de tempo
Se o processo nada mais é senão o desenvolvimento de uma
atividade tendente a lograr, como fim, a solução da lide, é evidente
que essa atividade deve, necessariamente, desenvolver-se dentro de
certo lapso de tempo. Daí os limites de tempo para a realização dos
atos processuais,,
Cada ato processual deve ser realizado dentro de determinado
espaço de tempo, Não se poderia deixar que as partes cumprissem
os atos processuais ou os realizassem quando bem quisessem ou
entendessem, porquanto isso significaria “entregarles la realización
o no de la justicia misma” Assim, da necessidade de dever o pro­
cesso ir para a frente (note-se que a palavra processo vem de proce110

598. O primeiro é o momento deter­ minado em que o ato deve realizar-se (entre l 2 e 5 de fevereiro). ' Termo a quo. distinguem o termo do prazo. contudo. é o termo inicial do prazo. os prazos não podem ser diferentes Se o prazo para a Defesa apelar é de 5 dias.. 593). designa o momento final Os prazos são regidos por dois princípios importantíssimos: o da igualdade de tratamento e o da brevidade. se se tratar de ví­ tima que não se habilitou como assistente. 15. as partes não podem ser tratadas desigualmente. Na doutrina. Ademais. não é intimada da decisão final. usa-se. assim.dere. Por exemplo: enquanto o prazo para a denúncia é de 5 ou 15 dias. art. A palavra termo serve ainda para indicar o momento inaugural do prazo e o seu término. que significa caminhar para a frente). Também aqui se justifica: o prazo é maior porque a vítima não acompanhou o processo. em lugar da palavra prazo. O prazo para as partes (Acusação e Defesa) apelarem é de 5 dias (art. seu momento final Assim. die Fristen sind Zeitspannen”. surgiu a teoria dos prazos e dos termos. salvo se habilita­ da como assistente. também. por razões várias. e o termo ad quem ou dies ad quem. prazo é o limite de tempo con­ cedido a um sujeito para o cumprimento de um ato processual (cf. ou simplesmente dies a quo. contudo. pois. Os alemães. não se conceberia pudesse a Acusação fazê-lo em espaço de tempo menor ou maior Há.Natural. insciente de tudo quanto nele se apurou. De acordo com o primeiro. // processo penaler p. parágrafo único)... Termo ad quem. Aliás. Prazo Segundo a definição de Massari. e o segundo é o período de tempo dentro do qual o ato pode realizar-se (prazo de 5 dias). se lhe conceda prazo mais dilatado. para a queixa será de 6 meses. e mesmo em algumas legislações estrangeiras. a palavra termo. 441). algumas exce­ ções. os prazos se situam entre dois poíos. tendendo a assegurar uma atuação da função jurisdicional rápida. Textualmente: “Die Termine sind Zeitpunkte. Para atos idênticos. que são o termo a quo.. estando. ou dies a quo (dia do início). Entretanto. sobre o sentido proteiforme da palavra termo já fizemos alusão . o prazo é de 15 dias (CPP. ou dies ad quem. 111 . a vítima.

Os atos vão-se sucedendo. como o processo é uma suces­ são de atos. os prazos processuais não podem ser bastante dilatados. uma sucessão de atos (pro cedere). ao princípio da brevidade aliam-se os da utilidade. Por essa razão. o procedimento arrastar-se-ia durante largo espaço de tempo. o da preclusão. fica praticamente extinto”. isto é. Se o processo é um avançar e o procedimento. se è rapida non è sicura. da irredutibilidade. em face do disposto nos §§ 22 e 3® do art. sem. o processo vai andando para a frente. sem prejudicar a segurança da justiça... no sentido de que os prazos não devem ser interrompidos na sua duração. todo e qualquer sistema legislativo sonha com um procedimento rápido. procuram os legisladores. imprimir ao processo um andamento célere* Não tão célere que prejudique a discussão da causa. ao mesmo tempo. De acordo com o princípio da brevidade. estes devem ser realizados dentro de um prazo razoável. a preclusão possibilita o progredir do pro­ cesso e. por se haver esgo­ tado ou por não ter sido exercido em tempo e momento oportunos. 201 do CPP. sem prejuízo da descoberta da verdade real. que. uma vez que o ofendido é comunicado da movi­ mentação do processo. e não tão moroso que di­ late a solução do litígio. Por isso mesmo ela é definida como sendo “a perda de uma faculdade ou direito processual. parece-nos não mais se justificar a diiação de prazo. Certos atos demandam mais tempo que outros. Do contrário. os prazos não podem sofrer redução. assim. contudo. se a parte não realiza o ato. Assim. O Promotor não pode fazer uma acusação em ple­ nário do Júri dentro daquele tempo que se lhe permite para as alegações finais num procedimento contravencionaL Assim. em direção à solução do litígio. se­ gundo o qual o ato não mais poderá ser realizado se não o foi no espa­ ço-tempo estabelecido. da continuidade. contudo. de exercer uma faculdade.. da improrrogabilidade. como afirmava Camelutti. impede-lhe o retomo a fases anteriores.Observação: hoje. segundo o qual os prazos não podem ser prorrogados. é lógico que. esta não mais será exercitada. finalmente. se la giustizia è sicura non è rapida. deixando. um tanto quanto axiomática. inclusive da sentença. segun­ do o qual o prazo será maior ou menor. prejudicar a discussão da causa. considerando-se a relevância do ato. e. 112 . Aliás. levando-se em conta a sua importância. Sem embargo dessa verdade. Mas. As demandas não podem etemizar-se. O Estado tem interesse em solucionar os litígios dentro de um espaço-tempo razoável.

pois atingiu uma faculdade. não há falar em preclusão. Respeitante à continuidade. o disposto no art. § 2a. Dá-se a tal fenômeno a denominação de preclusão temporal Assim.408. o órgão do Ministério Público tem o dever de fazê-lo — nec delicta maneant impunita. por exemplo. Preclusão Preclusão é a perda. não mais poderá exercitá-la. Se o prazo for impróprio. se não arrola suas testemunhas no momento oportuno. em direção à sentença finai. não mais poderá fazê-lo. se a Defesa for intimada de uma sentença condenatória e perder o prazo para apelar. > ^ * ) ) ^ ^ ) ) ^ . in casu. do CPP. de 9-8-1951. e. sujeitar-se-á às sanções de natureza administrativa previstas no art. se a parte não exerce uma faculdade dentro do tempo e momento oportunos. Trata-se de fato processual impeditivo. exercida valida­ mente.^ ) 16. Se o Promotor não oferecer a denúncia no prazo legal. do CPP É que a “resposta” do réu à acusação não é mera faculdade. mas não haverá preclusividade. dês que não esteja extinta a punibilidade. se não ) ^ ^ > j 113 i . atente-se para o § 3a do mesmo dispositivo e para a Lei n. esgota-se aquela fase e passa-se para a subsequente. extinção ou consumação de uma faculdade. Assim. ou por se haver realizado uma atividade incompatível com o exercício de outra. é intuitivo que. Se não o fizer naquele comenos. pelo seu não exercício na ordem legal. 798. nos termos do art. neste caso. o réu for devidamente notificado a apresentar sua “resposta” e não o fizer. opera-se a extinção dessa faculdade processual. § 4a. mas exigência da lei.. Perdida a oportunidade para o exercício da faculdade. não mais poderá fazê-lo. não mais poderá fazê-lo. Porém. 1. entretanto.Há exceções. 801 do CPP. e. É que. já uma vez. a preclusão permite o avanço progressivo da relação processual e. é manifesta. impede o retomo a fases anteriores. se o ofendido não exercer o direito de queixa dentro no prazo que a lei assina. veja-se. assim. Seu direito foi atingido pela preclusão. por ter sido ela. A preclusão. cumprirá ao Juiz nomear-lhe Defensor para tanto. se a parte não interpõe o recurso dentro do prazo legal. Se. Se o processo é um caminhar para a frente. finalmente. contudo. Ela se verifica quando a parte perde determinada faculdade. 396-A. ao mesmo tempo. Esta ocorrerá quando a parte deixar de exercer uma faculdade. nada obsta que o faça em outro momento. quanto à improrrogabilidade.

sustada. processual ou de mérito. dentro daque­ 114 . 197). não se permitindo novo exame da questão que foi objeto de anterior ato decisório. porque se esgotaram as vias recursais. Já vimos. surge a preclusão Se a decisão for sentença sobre o mérito. Desde que se tome inimpugnável. à evidência a questão que lhe serviu de objeto não pode ser renovada. Como diz Couture. ou qualquer outro. Esta se toma inalterável ou porque não houve recurso. como a parte exerceu validamente seu direito processual. em preclusão lógica. a preclusão decorre do fato de haver sido cumprida uma faculdade incompatível com o exercício de outra. lí­ cito não lhe será fazê-lo noutra oportunidade Às vezes. obstando a renovação de considerações sobre o mesmo fato objeto daquela decisão. O Juiz que a proferiu. Se a parte axguiu a exceção de incompetência. não poderá.. Entretanto. provocando-se a preclusão a seu respeito (cf. Se o Promotor não interpuser recurso de apelo no prazo legai. o exercício de uma faculdade incompatível com outra logicamente anterior supõe o não exercício desta. como fato impeditivo. puder a parte alegar a suspeição do Juiz e a ilegitimidade de parte. em determinado processo. dar-se-á a preclusão lógica quanto à primeira. deverá. Fundamentos. a inobservância da ordem ou oportu­ nidade concedida pela norma legal para o seu exercício gera a preclu­ são. tal como previsto no art. A primeira corresponde à inimpugnabilidade da decisão. ficará pendente. A decisão transmuda~se em fato impeditivo. fala-se em coisa julgada. Já vimos que a coisa julgada pode ser formal e material. se o ato a ser praticado for resultante de uma faculdade. em face da preclusão tem­ poral.providencia a juntada de documento (cujo conteúdo diga respeito ao fato objeto do processo) e sua comunicação à parte ex adversa. 96 do CPP Se fizer o contrário. Fala-se. p. a consumativa. havendo-o. Se. proceder à sua leitura em plenário do Júri. contudo. Se houve uma decisão.. à evidência não pode suscitar o conflito de competência. exaurindo-o. decorrente de decisão irrevogável. não acarreta a preclusão temporal. Nesse caso. E se houver recurso? A decisão. que a não observância dos prazos. com antecedência mínima de 3 dias. então. a decisão converte-se em fato impeditivo. por primeiro. Ao lado dessas modalidades de preclusão — todas impeditivas — outra existe. às vezes. ou. cit. arguir a exceptio suspicionis.

se a decisão ainda está sujeita a reforma. não há falar em coisa julgada. fala-se até em máxima preclusão (cf. Esta é um prius. além de exaurir o direito processual da parte. Dentro daquele processo a questão não mais poderá ser reexaminada. Nos proces­ sos de jurisdição voluntária. mas tão só as 115 . propriamente. preclusas as vias recursais. tan­ to en el juicio en que fue dictada como en cualquer otro juicio poste­ rior”. como se vê. que o interessado ingresse no juízo cível para pleitear a nulidade do seu primeiro casamento e. reexaminá-la. Nada impede.). que a parte suscite a mesmíssima questão em outro processo. Não pode haver coisa julgada material se não houver a formal Se esta não existe. muito menos. intocável. Quando a decisão que se tomou inimpugnável não puder ser apre­ ciada em qualquer outro processo e em outro qualquer juízo. no juízo cri­ minal. Se a resolução judicial não for atinente ao mérito.. da mesma preclusão. em coisa julgada material A formal é um antecedente lógico da material Pode haver coisa julgada formal e não existir a material. Fundamentos. ha­ verá a coisa julgada formal. Esta é a que permanece in­ tangível. mas sim em preclusão llpro judicato”. em outro juízo.. Nada impede. fala-se em coisa julgada material A primeira. operando-se a extinção . então se diz que ela se tomou indiscutível.de todas as possibilidades “procesales de revisión de la sentencia. por isso. se a decisão tomar-se inimpugnável. não há cuidar-se. promova a ação revisional Se a parte pode ingressar com a ação rescisória ou. Se o Juiz pe­ nal condena o bígamo. um antecedente daquela. Então. com outro nomen juris. sem a mais remota possibilidade de reexame. p. de imodificabilidade. e.. como a verdadeira preclusão não alcança os poderes deste. é pressuposto desta. conseguindo-o. 418 e s. de coisa soberanamente julgada. não poderá alterá-la. se ocorre a coisa julgada material. com possibilidade de desfazer a res judicata. mas não se concebe a existência da segunda sem que haja a primeira. logicamente. nem se pode falar em coisa julga­ da formal e. surgirá a coisa jul­ gada formal.le processo. cit. adquiriu a qualidade de indiscutibilidade. Couture. O Juiz que a proferiu ficará impossibilita­ do de reexaminá-la. com a ação revisional. entretanto. Estamos em face da coisa julgada form al Trata-se. ou melhor. contudo. de coisa julgada material. A preclusão dessa natureza. cria um impedimento ou limitação ao próprio Juiz. E.

§ 3a. 46. no caso previsto no art. Por outro lado. c) próprios. algumas vezes os prazos são próprios e. haverá tão só conseqüência de natureza processual.. e. v. se não observados. Desse modo. fala-se em preclusão pro judicato (Frederico Marques. v. ao mesmo tempo. p.. sofrerá as sanções previstas no art. b) Particulares. cit. descumpridos. São aqueles prazos que correm paia ambas as partes. p„ 92). d) impróprios. 1. do CPP. 593: preclusão d) Impróprios. a distinção entre preclusão pro judicato e coisa jul­ gada repousa na circunstância de que esta supõe decisão de mérito e aquela. a) Comuns. 801 — conseqüência de natureza disciplinar. trarão conseqüências de natureza disciplinar. e não disciplinar — prazo próprio. ao contrário do que pensa Lopes da Costa (Direito processual civil. projeta seus efeitos para fora do processo. São os impostos aos Juizes e a seus auxiliares. São aqueles prazos dentro dos quais a parte deve rea­ lizar o ato processual e. e 801). e não processual. § 4a. e) legais. tal como na hipótese do art„ 600. 800. b) particulares. 396-A etc. 17.. Se o órgão do Ministério Público perde o prazo para apelar. c) Próprios. portanto. quan­ do houver dois ou mais apelados. Ao contrário. se material. outras. impróprios. como ocorre. 2. Quanto ao Ministério Público. 799. e não processual (arts. g. pois. haverá conseqüência de natureza processual. 134). são aqueles que correm para apenas uma das partes. g„ nas hipóteses dos arts. a coisa julgada.faculdades e direitos processuais das partes. 116 . Instituições. /) judiciais. enquan­ to a preclusão se circunscreve e se restringe ao processo em que se verificou. ato decisório de conteúdo processual. Espécies de prazo Os prazos podem ser: a) comuns. v. se o Ministério Público não oferece a denúncia no prazo legal. Assim.

urge indagar qual a unidade-tempo real fixada em lei para a realização do ato processual. o prazo é fixado em horas. no procedimento sumariíssimo). Exemplos típicos de prazos judiciais» j ) ') ^ . 120. entretanto. então. 396-A — para o Advogado dar a “resposta do réu”. 588.. 58. no caso do prazo para alegações orais do Ministério Público e do Defensor. À primeira vista parece que no CPP não há prazos judiciais. 610 etc. § 52. para saber como se contam os prazos. § Ia — determinação do prazo e possibilidade de prorrogação razoável. 531.. 593. ex. I e D. a rt 364 — autoriza a fixação do prazo pelo Juiz para a citação por edital. Exemplos: art. contando-se de minuto a minuto. e parágrafo único. aplicando-se a regra do art. 400. só se aplica a regia do referido diploma civil se inferiores a 24 horas» Se igual ou superior. 411. respectivamente. Embora nesses casos se devesse. quando os prazos são fixados em horas. 100.„) "} . mas há. prorrogáveis por mais 10. quando se concede à Acusação e à Defesa. tecnicamente. 640 etc. isto é. Não há prazo semanal. 306. em prazo legaL f) Judiciais. 589. dias. 1 ) ) ^ } ) . art. 145. a exceção do art. caput. meses e até mesmo em anos. 586. respectivamente. são prazos estabelecidos em lei. 60. Como o próprio nome indica. 477 e § 2S. 46 — prazo legal para oferecimento da denúncia. 600 e§ l9. 132. a praxe generalizada é no sentido de que se considere como de 1 ou 2 dias.). Prazos judiciais são aqueles estabelecidos pelo Juiz. 601. Fala-se. o certo. Fixam-se. ) ^ 3 ) . p.. como existe em numerosas legislações. § 2a. apenas. 3 5Ê) ') 18. Outras vezes. Quando o prazo for fixado em minutos (e isso ocorre em numerosos casos. Assim. nos procedimentos traçados na Lei Antitóxicos. do atual Código Civil. I e II. nas hipóteses dos arts. os prazos em dias (exemplos: arts. 46. 93.. § 4S. Há.e) Legais. também. horas. 306 (nota de culpa). 100. Contagem dos prazos ^ No Processo Penal. em rigor. Exemplos: art. o prazo de 20 minutos. conta-se de minuto a minuto. 39. os prazos de 24 ou 48 horas. os prazos são fixados em minutos. é que. na Lei Falimentar. como nas hipóteses dos arts. aplicar a mesma regra contida no artigo acima citado.

. computa-se. quando os prazos forem fixados em espaçotempo dia. por exemplo. g„. cairá na quinta-feira. dies a quo computatur. 32 Quando no ano ou mês do vencimento não houver o dia correspondente ao início do prazo. isto é. quan­ do se tratar de prazos fixados em anos. De ponderar. cujo teor é o seguinte: “A rt l2 Considera-se ano o período de 12 meses contados do dia do início ao dia e mês correspondentes do ano seguin­ te. Nesses casos. o dies ad quem. Assim. e se iniciar na segunda-feira. Os prazos ainda são fixados em meses (arts.. sursis.Nessa hipótese. a regra a ser observada é aquela traçada no art 10 do CP: o dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. é de observar a regra que se contém no art. o dia inicial é computado. findará a Ia de julho. 38 e 687.. § l2. também. e os dias.. cumprimento da pena. se o prazo for fixado no CPP e no CP. Ainda nessa mesma hipó­ tese. do CPP. o do vencimento se inclui porque favorece mais à parte (dies ad quem computatur in termino). 743 e 696). embora silencie a respeito. incluin­ do-se. ou apenas neste. isto é. para o CP. in verbis: “Não se computará no prazo o dia do começo. este findará no pri­ meiro dia subsequente” Se. 810. A mesma regra é adotada. a contagem é feita segundo o previsto na Lei n. Art.1) e em anos (arts. não é computado (dies a quo non computatur in termino). Se o réu fosse condenado a 2 meses e preso às 14 horas do 118 . de 6-9-1949. o último dia do prazo. 749. portanto. se iniciado a 31 de maio. se o prazo para o Ministério Público falar nos autos for de 3 dias. v. e. o termo ad quem. Art. 22 Considera-se mês o período de tempo contado do dia do início ao dia correspondente do mês seguinte. por outro lado. o do vencimento”. o prazo for fixado em um mês e tiver início no dia 11 de março. I2 da citada lei. prazo para apresentação de representação òu queixa etc. O dia do início do prazo. findará no dia 11 de abril. meses e anos são contados pelo calendário comum. entretanto. porquanto não há o dia 31 do mês de junho. porém. que. consoante o art. isto é. Assim. 798.

do CC). o que importaria 360 dias para o ano. Assim. mas ex numeratione dierum. 29. p 288).. 30 ou 31 dias. Se ainda não foi reco­ nhecida a responsabilidade do pretenso culpado. Desse modo. estando o indiciado preso em flagrante. a fim de se permitir que a liberdade individual seja restringida ao mínimo possível. de acordo com o calendário. Anais. se A quiser oferecer queixa contra B e ficou saben­ do ter sido este o autor do crime no dia 15 de fevereiro de 2008. entre­ tanto.dia l 2 de janeiro de 2009. Por aí se percebe que a 119 . 198)» Por exemplo. isto é. 10 do CP. 743/565. 366 (cf. Assim também: RT. justifica-se quando necessária. 523/381. 511/455.. 530/391. Se este fosse bissexto. de modo que o ano terá 365 dias ou. expirar-se-ia em 29 de fevereiro. 592/393. devem ser encaminhados ao Fórum no 1l2 dia. Pode parecer haver inconciliabilidade entre a regra do art. Nelson Hungria. quanto mais longo o prazo. Nesse sentido: RTJ. 1. é tão só aparente. 798. v. prejudicá-lo-ia também. quanto mais curto. 475/342. 516/354. 798 do CPP A colisão. p. E será necessária se presente estiver um dos motivos que autorizam a prisão preventiva. E na hipótese de prisão em flagrante? Todos sabem que a prisão que antecede a uma sentença penal condenatória. tal como salientado na Conferência dos Desembargadores (Conclusão XLI. sob pena de insólito constrangimento ilegal. e o prazo de recurso. Comentários. melhor para o réu Já no Penal. § 32. O ano e o mês civil estão determinados pela Lei n . melhor. sua pena expirar-se-ia à meia-noite do dia 28 de fevereiro do mesmo ano. o prazo prescricional con­ tado segundo a regra do art. de 6-91949.. 741/605. não se atribuem invaria­ velmente 30 dias ao mês (como o faz o art. malgrado odiosa. do CPP prejudicá-lo-ia. No Processo Penal. justo. se for bissexto. 810. “em atenção aos seus interesses regulados por aqueles estatutos” . pois. para o CP. 33/191 e 33/785. 132. O critério adota­ do por ambos os diplomas tem por finalidade favorecer aos réus. 10 do CP e aquela contida ao § l 2 do art. que os atos processuais se realizem com a maior celeridade. os meses e os anos são contados não ex numero. mas 28. Pacífi­ co o entendimento no sentido de que os autos do inquérito. se contado segundo o art. § l2. pode­ rá oferecê-la até o dia 14 de agosto do mesmo ano.

se o indiciado foi preso em flagrante às 9:00 ou 23:00 horas do dia 10. com exclusão do seu § 3a. o prazo começa a ser contado a partir do dia 11. é o que se cinge à fixação ou determinação do dia do início do prazo» A propósito o art. o prazo deve ser contado a partir da data em que se efetivou a prisão. cum­ prirá ao Oficial de Justiça certificar o fato e cumprirá ao escrivão fazer os autos conclusos ao Juiz. b) da audiência ou sessão em que for proferida a decisão. 798. não haveria exigência de os autos chegarem ao Fórum no 112 dia ao da prisão. como o teimo a quo não é computado. Assim. os autos devem chegar ao Fórum no dia 19. 798. paia essa hipótese. repristinizando-a. a conclusão dar-se-á em 30 dias. e.regra aplicável tem sido a do § l 2 do art 798 do CPP. 405. Nesse caso. que previa. e. Mas. Esse o termo a quo (dia 10).. o prazo de 3 dias. Assim. o prazo se situa entre dois termos: terminus a quo e terminus ad quem (termo inicial e termo final). tenha sido alterada. 120 . observação nossa). Assim. Fixação do “dies a quo” Problema importantíssimo. se a ela estiver presente a parte. 19.. para determinar o que for de direito. No nosso entendimento.. no estudo dos prazos processuais. c) do dia em que a parte manifestar nos autos ciência inequívoca da sentença ou despacho”. no caso de prisão em fla­ grante. nos termos do art» 10 do CP. na dicção do § Ia do art. então. Não fosse assim. logo. desse modo. ou indicando outras ou declinando o exato endereço para a efe­ tiva notificação Embora a redação do art. (. até o dia 20 deverá o inquérito che­ gar ao Fórum. desse modo. § 5a: “Art. os prazos correrão (grifo nosso): a) da intimação (ou notificação. quando. Como sabemos. nada impede seja ele invocado. se a prisão ocorreu no dia 10. o Juiz determinará que a Defesa se pronuncie a res­ peito. 798. a menos que tenha sido ele beneficiado com a liberdade provisória. se as testemunhas de defesa não forem encontradas.) § 5QSalvo os casos expressos. aí se inicia o prazo.. solto está.

todos do C. todavia. Esta.. 121 . Outro caso expresso é aquele de que trata o § 2a do art. digamos. o último dia do prazo. 598. a regra geral em matéria de fixação do dies a quo. 798. É um caso expresso. Entretanto há exceções. coincidir com um domingo ou feriado? A propósito. aquele a que se refere o § l 2 do art.. nesse caso. 800.. evidentemente. formulando. o prazo se iniciará a partir do dia em que exteriorizar. in verbis: “Os prazos para o Juiz contar-se-ão do termo de con­ clusão”. 798 ressalvou os “casos expressos”. for intimado e não comparecer. ou se estiver preso e não quiser comparecer à sessão do Júri. esse prazo se iniciará na data em que o escrivão a notificar daquele despacho do Juiz ao Defensor. Pois bem: o prazo para a interposição de recurso terá seu inicio naquele mesmo dia. tomando ciência inequívoca da sentença ou despacho* Nesse caso. pode manifestar-se nos autos.. salvo para a interposição do recurso (art. mas a contagem começará no dia seguinte. estando presente o réu (e há casos em que pode estar ausente: se estiver solto. nos autos. 46. por exemplo. O próprio § 5Gdo art. o prazo se expiraria na quinta-feira {dies a quo non computatur in termino). Outras vezes o escrivão não intima a parte. Essa. recorrer daquela decisão. em que não se aplica nenhum dos itens do citado § 52.. podem ser citadas as hipóteses de que cuidam os arts. A sentença foi prolatada naquele mesmo dia. E se o dies ad quem. dispõe o § 3a do art. sua ciência inequívoca sobre ela.Tal pronunciamento da Defesa deverá ocorrer em 3 dias. parágrafo único. § 52)” Ainda como exceções à regra geral. assinado por ele e seu Defensor). 798: “O prazo que terminar em domingo ou dia feriado considerar-se-á prorrogado até o dia útil imediato”. e. se a parte quiser. pois. Na sessão do Júri.PP. requerimento. 800: “Os prazos do Ministério Publico contar-se-ão do termo de vista. foi ele condenado. Se na segunda-feira. realizada no dia 18 de junho. numa segunda-feira.

se o Oficial de Justiça. o prazo iniciar-se-á na terça-feira. com a Súmula 310. se a intimação for feita num sábado e o primeiro dia útil imediato (segunda-feira) for feriado. o prazo judicial terá início na segunda-feira imediata. Claro: se se permite o mais. De acordo. caso em que começará no primeiro dia útil que se seguir”. como são 5 dias. ao estabelecer.Realmente. 4. começará a fluir na segunda-feira. por exemplo. segue-se que o prazo terminará na sexta-feira. salvo se não houver expediente. 1408/51 fala em prazos que se iniciarem ou vencerem aos sábados.. que é de 5 dias. ficará excluído. surgiu a Lei n„ L408 ampliando a regra que se contém no § 32 do art. o prazo para a interposição de recurso. 797 que os atos processuais podem ser realizados aos domingos . em 9-8-1951. intima o réu de uma sentença condenatória. como poderia a parte praticar o ato processual.674. 35 (alterado pela Lei n.. de 15-6-1965): “Os prazos judiciais que se iniciarem ou vencerem aos sábados serão prorrogados de um dia útil”. quando expiraria o prazo? Responda-se: na sexta-feira» Não se deve confundir início dos prazos com início da contagem. 122 . num domingo. não teria sentido a não prorrogação. e. em seu art. portanto. Se o prazo se expirou num domingo. este. se o prazo se iniciou num domin­ go. ou a pu­ blicação com efeito de intimação for feita nesse dia. e. segundo a regra de que dies a quo non computatur. Assim.408/51 e fixou na Súmula 310: “Quando a intimação tiver lugar na sexta-feira. A Lei n. Logicamente. se o réu for intimado de uma sentença condenatória numa sexta-feira. a contagem do prazo se iniciará na segunda-feira. com o Fórum fechado? Por outro lado. O Excelso Pretório ampliou o campo de aplicação da Lei n. Ora. E se se iniciarem num domingo? Diz o art. 1. não se pode negar o menos. também. e tendo ele o prazo de 5 dias para interposição do recurso.. pois. 798.

7Q. o prazo deve ser contado 123 .906/94 (atual Estatuto da Advocacia). Isso significa que os autos devem permanecer em cartório Aliás. 547/356. caput.. sim. Assim. 3° do CPP. o art. o prazo começaria a fluir a partir da juntada da precatória. interesses indisponíveis. do CPP Todos os prazos correrão em cartório. b) o art. 716„ § l2. domingo ou dia feriado. no Direito Proces­ sual Penal. atualmente. d) o art . essa regra de­ veria estender-se ao Processo Penal em virtude da omissão do legisla­ dor processual penal. 59/366. c) o art 190 da Lei de Execução Penal (correspondente ao revogado art. é intuitivo que os autos devam permanecer em cartório. diz a lei. que faculta ao Advogado retirá-los. proclama que em ambas as hipóteses o pra­ zo começa a ser contado a partir da juntada da precatória ou mandado devidamente cumprido. devidamente cumprida. 150. em que se realça devam os autos ser entregues ao Juiz ou Promotor todas as vezes que o escrivão lavrar o termo de conclusão ou o termo de vista. Hoje. XV. e. segundo a Súmula 710 do STF.. Com a devida vênia. onde em jogo o direito de liberdade. por exemplo. não se interrompendo por férias. Era um verdadeiro não senso. de regra. 803 do CPP veda-lhes a retirada dali. a regra. 604/367. todos eles correrão em cartório e serão contínuos e peremp­ tórios. é de observar que. no juízo deprecante (cf RTJ. os prazos são contados a partir da juntada da precatória ou mandado e. quando começará a fluir o prazo recursal? O STF vinha entendendo que. 798. Desse modo. se o prazo for comum a ambas as partes. a nós nos parece providência por demais severa. em tal caso. é de que os prazos para o Advogado não mais correrão em cartório Excepcionalmente. 800. que autoriza o Conselho Penitenciário a requisitar o proces­ so. Dentre esses casos expressos era lei destacam-se: a) o § 4S do art. do CPP). H e IV. por força do art. 624/287). salvo os casos expressos em lei. contudo. da Lei n„ 8. no art. tanto mais quanto o Código de Processo Civil. contam-se os prazos da data da intimação. E se fosse intimado por mandado? Enten­ dia-se que o prazo devia fluir a partir do cumprimento do mandado. RT. É a regra contida no art. como sucede na hipótese do art 600 do CPP. possibilitando-lhes a compulsação. § 2-. autorizando a entrega dos autos ao perito. 240. pelos prazos legais. e não da juntada aos autos do mandado ou carta precatória ou de ordem”.Ainda a respeito de prazos. Onde não estão em jogo. “No processo penal. E se o réu for intimado de uma sentença por precatória. estranha­ mente.

798 admite seja o prazo prorrogado. 93. segundo a regra do art. o Oficial de Justiça certificar que não o encontrou. cir­ cunstância ou ocorrência.. ou obstáculo judicial oposto pela parte contrária”. entretanto. Quanto à continuidade. Os prazos dizem-se con­ tínuos. isto é. ex.. Ensina. as comarcas distam da Capital dezenas e dezenas de quilômetros.. que a força maior. O próprio § 3S do art. não são. com acerto. aí. Prazos contínuos e peremptórios Os prazos são contínuos e peremptórios. se houver impedimento do Juiz. Admite-o. rio abaixo ou rio acima. expedido o mandado de prisão. 5. também. mas sim depois que o Ad­ vogado dativo ou constituído for também intimado (cf. fatais. 392. é qualquer fato ou acontecimento.. e o prazo para eventual apelação começará a fluir a partir da data em que esta se verificou. o § Ia do art. força maior. ensina Borges da Rosa. Frederico Marques.. sem possibili­ dade de diiatação. 80/497 e 89/814). Peremptórios são os prazos improrrogáveis. 20.. não é intimado da sentença. os dias sucedendo-se aos dias. 8 ou 12 dias.. No Estado do Amazonas. . RTJ. e as horas sucedendo-se às horas. sendo o percurso feito em 4. Se o réu tiver Defensor constituído e o crime for inafiançável. O Advogado dativo. se porventura o réu preso tiver Defensor dativo ou mesmo constituído. é de observar o que dispõe o § 42 do art. deverão ser de tempo seguido ou sucessivo. o prazo recursal não se inicia a partir do instante da sua intimação pessoal. citando Pedro Batista Martins. 798: “Não correrão os prazos. nesse caso a intimação será feita na pessoa do seu Defensor constituí­ do. a intimação deverá ser feita na pessoa daquele. que sobrepuje e supere a diligência empre­ gada pela parte para praticar o ato no prazo legal. Todavia entende o STF que. ou que lhe crie obstáculo intransponível que lhe impeça a realização.a partir da intimação. p. Se.. também. Tais princípios. absolutos. da peremptoriedade e da continuidade.. porque não deverão ser interrompidos na sua duração.

Assim. ls da Lei n. em rigor. é comum. Obstáculo judicial oposto pela parte contrária ocorre. por exemplo. inegavelmente. impedimento aí tem o senti­ do comum de embaraço. pois.408/51. um embaraço criado paia a parte. se o Juiz leva os autos para a sua casa. a impossibilidade de manuseá-los para sobre eles se manifestar.439/426. E sobrevindo período de férias? Haverá interrupção dos prazos? No Processo Penal. Acosta. por exemplo. permitir que o Advogado de um dos réus leve os autos para casa a fim de fazer as razões. as partes devem realizai' o ato processual em igual tempo. os autos deviam permanecer em cartório. consoante a regra inserta na letra a do art. obstrução. aqui.423/451. os atos podem ser também praticados durante o período de férias (cf. o encerramento do expediente forense antes da hora normal. 431/387 e 458/364). o prazo será restituído ao interessado na medida em que houver sido atingido pela providência tomada.O impedimento do Juiz também é motivo para que não se admita a continuidade dos prazos. 797.409/106. se o escrivão. uma vez que o prazo. por motivo relevante. Se o Juiz determinar. segundo o art. quando a parte ex adversa retém os autos. a despeito da regra que se contém no § 3a do art„ 600. isto é. Como bem explica Walter P. a superveniência de férias não constitui mo­ tivo que possa ocasionar a suspensão ou interrupção dos prazos. Assim. impossibilitando que aque­ la que deve realizar o ato processual o faça no prazo estipulado. RTt 393/359. 125 . é óbvio que o Advo­ gado do outro réu faça jus a novo prazo. houve. mes­ mo porque. 1.

. A falta de quesitos e das respectivas respos­ tas 23. A falta de quorum para a instalação da sessão do Júri.. o ato nulo e a coisa julgada. Ausência de corpo de delito. Ilegitimidade de parte. 20. conhecer da nulidade? 31. A falta de sentença. 33.. quando presente. 4 O ato inexistente. 10. A incompetência..A omissão da peça acusatória ou da representação.. 14.. 15.capítulo 38 Das Nulidades SUMÁRIO: I. sem provocação. 5 A nulidade. 16. A falta de intervenção do Ministério Publico. do seu interrogatório. Pode haver nuli­ dade em inquérito? 127 . Ausência de Defensor e Curador... 3 Atos nulos e irregulares. 24.. e dos prazos concedidos à Acusação e à Defesa 17 A falta de pronúncia. A classificação dos atos e das formalidades. nos casos em que a lei o tenha estabelecido. nas condições estabelecidas na lei. e entrega da respectiva cópia. A falta de intimação das testemunhas arro­ ladas no übeio e na contrariedade.. A falta de citação do réu. Noções preliminares 2„ Ato inexistente. A falta de intimação.. Quem pode arguir a nulidade? 32. 13 . Modos de sanabilidade. Ir­ relevância do ato. 30. 6 Não há nulidade sem prejuízo 7. Ausência do recurso de ofício.. 12. para ciência de sentenças e despachos de que caiba recurso 27. 8 Atos e formalidades essenciais 9. quando não puder ser jul­ gado à revelia. A falta de acusação e defesa na sessão de julgamen­ to. 21. 28 Nulidades absolutas e relativas no CPP 29 Momento para a arguição da nulidade. 18. 25. A falta de intimação do réu para a sessão de julgamento. A falta de quorum nos julgamentos levados a cabo pelo STF e Tribunais de Justiça. 19. A falta de sorteio dos jura­ dos do Conselho de Sentença em número legal e sua incomunícabílidade 22. Poderá o Juiz. suspeição e suborno do Juiz. 26.. libelo. 11.

deixando. Entre ato processual e procedimento há uma grande relação. 280). exigir sua presença e regular-Ihes a constituição intrínseca e extrínseca.d.. ou. acertadamente. o ato jurídico consiste em um acontecimento humano. trad. isto é. Bosch. é preciso que se amolde ao modelo descrito na lei. procedimiento. Tipo do ato ifattispecie). suscetível de criar. Ê o que se denomina tipicidade do ato processual. Mas que é o ato processual? É o ato jurídico emanado das partes. p. 1972. dos Órgãos Jurisdicionais. que o legislador constrói com o objetivo de regular líel procedimiento. 201). p. Como bem diz Couture.. 128 . Cabe a esta não só coordenar como. a ele (cf Elementos de derecho procesal penal. p. contudo. modificar ou extinguir efeitos processuais. interessados ou desinteressados — ligados ao processo — ca­ paz de criar. Diz. Buenos Aires. professa: Dentro no processo encontramos uma série de atos realizados por aqueles que nele intervém. ou deixando de motivá-la. por exemplo. Bosch. Observa Osomo. enfim. São atos jurídicos.. de hacerlo idôneo para el /m ” (Lecciones sobre el proceso penal. o art. O ato processual é espécie do gênero ato jurídico. mal­ grado o paradigma legai. 1969. N oções prelim inares Vimos que o processo. é o modelo. El acto se obtiene descomponiendo el procedimiento. realizar-se conforme a lei. Se o Juiz. para que o ato processual possa ser perfeito. porque se realizam no processo e servem.. ou. São dois conceitos que se complementam e integram. México. Em suma: é preciso que ele seja típico. entretanto.1. 1950. vem a prolatá-la ao arrepio do padrão. 10). Ed. v„ 3. ou provocado pelo homem. cit. se quiserem. 108). ensina Camelutri.. s. dos seus auxiliares e. direta ou indiretamente. Por isso. modijicar ou extinguir efeitos jurídicos (cf. no sentido de que um se refere ao outro. p. el procedimiento componiendo vários actos al juntarlos” (cf. Guilhermo B„ Osomo. Assim. el resultado de una multiplicación. Dere­ cho procesal penal. dos terceiros.. também. Esses atos devem. Prieto Castro. até mesmo. Florian. Barcelona. esto es. citando Camelutti: “Acto es el resultado de una división. produzindo seus jurídicos efeitos. Depalma. Fundamentos. mas processuais. sob certo ângulo. José M Cajica. a amostra do ato. porque regulados pelo Direito e produtores de conseqüências jurídicas’. de fazer o relatório. não obstante o tipo descrito naquele dispositivo legal. por exemplo. é uma sucessão de atos processuais. 381 do CPP o que deve conter a sentença.

A quem é dirigida? Ao Órgão Jurisdicional ) ) ^ ^ ) „) ) ^ ^ ) ') ') } ^ J ) ^ 3 ) "y ^ ') ) .. faz-se. Este reclama. Por quê? Em face da ausência de correspondência entre o ato praticado. qual deles está legitimado a fazê-la? A quem é dirigida? Não deve. elementos (causa ou fina. isto é.. Lecciones. também. Logo. 69). 9.099/95. 24 do CPP. data e assinatura? Não deve incluir o pedido de citação? Não deve ser feita em vernáculo? Claro que sim. 41 do citado diploma? Evidentemente não! Ali se diz o que ela deve conter Mas quem tem capacidade para ofertá-la? Sabido seja o órgão do Ministério Público.J } 1 129 . apresentam-se disseminados. 81 da Lei n. reuni-los. tudo quanto é exigido para a perfectibilidade do tipo.. pois. cit. espalhados. conter a parte autenticativa. Deverá. Estabelece o art. conglomerá-los. ele se diz atípico. irrito. atentar para os demais requisitos espraiados. lugar. outros requisitos. tempo etc.. ausente na peça acusatória a des­ crição fática. Não havendo correspondência entre o ato realizado e o tipo legal. 381 do CPP. no exemplo dado. peio Juiz. vontade ou intenção e forma de autuação) e circunstâncias (lugar. porque o art. Pois bem: muitas vezes esses requisitos estão dispostos na lei de maneira difusa. ao pretender ofertar uma denúncia. imperfeito. por óbvio. Nem sempre o modelo descrito na norma mostra. e o modelo legal retratado no art. porquanto discrepou e se arredou do modelo legaL Sim. conglutinadamente. uma ressalva: a menos que a lei dis­ pense o relatório. disseminados no Código. Tipicidade haverá quando o ato praticado estiver em conformidade com o modelo descrito na lei. haverá uma desconfonnidade entre o ato praticado e o descrito na lei. p. o órgão do Ministério Público legitimado. 41 do CPP o que deve conter uma denúncia. pois. Ainda nesse exemplo. o ato por ele praticado é atípico. às claras. tal como se dá no procedimento sumariíssimo de que trata o § 3a do art. seja conforme ao modelò descrito no CPP. Paia que a denúncia. 41 do estatuto processual penal dispõe que a denúncia deve conter a exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias». ato inaugural da ação penal pública.de assiná-la.) (cf. tal ato processual será atípico. além do descrito no texto legal. Urge. bastará sua correspondência à descrição feita no art. Quem tem atribuição para oferecê-la? O Ministério Público. Pois bem: se for ofertada uma denúncia sem a descrição da conduta delituosa. que Camelutti distingue em pressupostos (capacidade. legitimação e idoneidade do objeto). di-lo o art.

. também.. conforme magistério de Camelutti. Daí a regra do inc„ III do art. mas é um ato. por exemplo.. p. Qual o competente? A resposta está nos arts. Assim. em inexistência. assim. e não sobre o ato. 223 e 236. por vezes. a categoria da inexistência foge a toda previsão normativa.»» (cf. Contudo. visto não se poder anular o que não existe. a conformidade do ato praticado com o paradigma legal. verdadeiramente. não é um ato perfeito nem im­ perfeito. É um não ato. como preleciona Calmon de Passos.. 156 do CPC. 70 e s. absurdas por sinal. o ato inexistente é. E. Poderá a denüncia ser confeccionada em língua estrangeira? Não O art. repensando bem. quando houver inexistência material. também. O ato imperfeito não é um ato perfeito. percebe-se a desnecessidade de provimento jurisdicional para a invalidação do ato» Nas demais hipóteses. numa sentença sem o decisum 2. aplicável por analogia. em que não haverá necessidade de qualquer provimento jurisdicional para a sua invalidação. 564 do CPP. dispõe que os atos proces­ suais devem ser praticados em vernáculo. concluímos que só se pode falar em inexistência quando o ato realmente faltar. da inexistência jurídica. acaso espalhados». todavia. Poder-se-ia falar. v. Esta... isto é. Urge considerar e observar com atenção os demais requisitos. Certo que a doutri­ na fala. isto é.. em face dos arts. Ou.competente. o que se infere do CPP. o ato inexistente não é um ato típico nem atípico. um não ato. também.” Fala-se em inexis­ tência material e em inexistência jurídica. Lecciones. cit». sentença proferida a non judice„ Nesse caso. É. porque desprovido dos pressupostos que informam a existência do ato proces130 . 193. 564. o ato juridicamente inexistente se confunde com o ato a que falte formalida­ de essencial. pura e simplesmente. Pense-se numa denún­ cia sem imputação fática. Ato inexistente “Fruto de elaboração doutrinária e jurisprudencial. do CPP. deve-se reservar tal expressão para algumas hipóteses. 3. 182). de que trata o inc» IV do art. a tipicidade do ato processual não implica.. Observe-se que a atipicidade do ato pode gerar-lhe a nulidade (absoluta e relativa) ou a simples irregularidade.. é mera criação doutrinária ou jurisprudencíaL Após meditar sobre a matéria. apenas. Na primeira hipótese a inexistência se projeta sobre o processo..

A confusão que se costuma fazer entre inexistência e nulidade do ato. E. embora tenha existên­ cia material. mas àquele ato que. e não era preciso que o fizesse. cit. cit.. por óbvio. Elementos. do CPP.suai (A nulidade. também é inexistente Fala-se.. cit. Se ele tem existência material. se falta a existência ma­ terial. 79). Se o legislador dissesse que “o procedimento” ou “fase dele" seria nulo “por omissão das fórmulas e termos essenciais abaixo elencados. Não se anula o que não existe. então. cit-.. como já se firmou. os atos inexistentes prescindem da decretação judiciai para que se tomem ineficazes (A nulidade. eqüivalendo ao ato absolutamente nulo. haverá nulidade. enumerar “as faltas” de de­ terminados atos. direto ou indireto. Assim. Por essa razão. e não.. Parece-nos. e. b..” não haveria maior dificuldade.. dizer que “as nulidades ocorrerão nos seguintes casos.. p 59). sem necessidade de provimento judicial (cf Elementos.. p 119). Eugênio Florian. levando muitos ao entendimento de que não há diferença entre inexistência e nulidade. a doutrina quer referir-se não à ausência material do ato. Anula-se o procedi­ mento. é fácil argumentar que o ato inexistente é inválido. 131 . 120).. repetimos. arremata: O ato inexistente não produz efeitos jurí­ dicos. por isso mesmo. p. Na verdade. 564. O ato processual inexistente corresponde a um estado de fato em que não se verificam os elementos necessários para que o ato possa surgir (cf. anula-se o processo. Na verdade. pois.. não há falar em nulidade de ato inexistente. talvez advenha da circunstância de o CPP. é totalmente desprovido de qualquer significado jurídico. e isto de pleno direito. 564. p... mas é desprovido de qualquer significado jurídico. a seguir. e. o exame de corpo de delito Mes­ mo porque não se anula o que não existe. o ato é inexistente. Quando fala em inexistência do ato. no seu art. Eugênio Florian ensina que o CPP não trata dos atos inexistentes e de sua conseqüente ineficácia. no inc. é criação doutrinária e jurispmdencial. nos termos do art. III. se num processo por crime que tenha deixado vestígio não se procedeu ao exame de corpo de delito. A categoria dos atos inexistentes. em inexistência jurídica. III do mesmo artigo.. que a inexistência jurídica se confunde com a omissão de formalidade essencial do ato.

São atos meramente irregu­ lares. p» 75). Em linguagem corrente. porquanto não temos entre nós a revisão pro societate. nada se poderá fazer. enquanto não sofrer a sanção de nuiidade. A nuiidade é o resultado da sanção de ineficácia imposta pelo Juiz ao ato processual atípico. outras. atípico. e. de­ feituosa. diz Florian. sendo que 8 não sabiam do fato nem de ciência própria nem por ouvir a outrem. 118). ou seja. inadvertidamente. ainda quando imperfeitos. Se o exame de corpo de delito foi realizado por um só perito não oficiai (art 159. sua ineficácia (cf Elementos. todas são ouvidas. E se o defeito for observado depois do trânsito em julgado da sentença? Se condenatória. Ato irregular é o ato atípico. Daí o acerto da lição de Calmon de Passos: “A atipicidade do ato não conduz à sua invalidade ou ineficácia. ele produz efeitos* Diga-se o mesmo se o exame for feito pelo próprio Delegado . ainda é possível conseguir a sanção de nuiidade.. mas de maneira imperfeita. ele se diz irregular. na lição de Cainelutti. Ou. Quando o Juiz impõe a sanção de ineficácia ao ato diz-se que esse ato é nulo. o ato defeituoso que não sofreu a sanção da ineficácia” (A nuiidade. cit. Atos atípicos existem que por haverem alcançado aqueles fins de tutela que objetivam.. se a sanção não for imposta 132 . O ato existe. p. mas. o Juiz anula o ato . o ato se diz nulo> Entretanto. c it. ato processual irregular é aquele ltafectado por un vicio que no excluye su eficacia” (Lecciones. se o Promotor arrola 12 testemunhas e. em face dessa atipicidade.. cit. Se se observa o defeito. permanecem válidos. para expressar a conseqüência que deriva da sua imperfeição. mercê de habeas corpus ou até mesmo de revisão. se absolutória. p. pode tomar-se ineficaz se vier a sofrer a sanção de nuiidade. Enquanto o Juiz não lhe declarar a imprestabilidade.. ele continua gerando efeitos.3. A tos n u los e irregulares Quando há “uma falta de correspondência entre o tipo e o ato”. mas. § l s. capenga. do CPP). houver atingido o fim a que se destinava e não sofrer a sanção de nuiidade. surge uma imperfeição. Mas. Logo. 182). vale dizer. houve mera irregularidade. se o Juiz obser­ va e lhe decreta a ineficácia. quando o ato imperfeito. o ato é atípico. a palavra “nuiidade ” é empre­ gada em duplo sentido:: algumas vezes para indicar o motivo que toma o ato imperfeito. Assim.

. No mesmo sentido. Fabris. Após o pro­ vimento jurisdicional decretando a ineficácia do ato é que este se toma nulo. dependendo da relevância do ato para o processo. O ato inexistente. apesar de existir um ato nulo. a nulidade se corporifica. fala-se em nulidade quando o ato atípico sofreu a sanção de ineficácia. refere-se apenas à sua ausência no procedimento. Contudo. viciado. Não se anula o que não existiu. posto não ter existido.. 291-4). não se procedeu à intimação da Defesa. Nulo é o ato imperfeito. “/ü nulidad no opera sino en cuanto sea declarada” (Leeciones. quando a doutrina fala em ato inexistente..” (Lecciones. ou. p. 199). o ato produz efeitos. enquanto não for imposta a sanção de ineficácia. Portanto. Nesse caso. cit... quando houvesse um ato defeituoso passível de nulidade. citação e intimação da Defesa).. não se fez a citação. se absolutória a decisão. se não for imposta a sanção de ine­ ficácia. 199). Editor. Repetimos: somente seria possível se tivéssemos a revisão pro societate. produzindo. como professa Camelutti. antes da decretação da ineficácia. Porto Alegre. sem embargo da sua atipicidade. pode­ -se dizer. o ato nulo e a coisa julgada Em tema de nulidade. Sérgio A. 120). más precisamente. “W acto existe pero está afectado de un vicio que lo expone a la posibilidad de perder toda eficacia jurídica” (Elementos. cit.. claro —. impuro. Tais atos inexistiram materialmente. este é que sofrerá a sanção de ineficácia. Desse modo.. seus regulares efeitos. pode a coisa julgada. atípico. na linguagem de Camelutti. 1988.. Ou. Antes da decretação da ineficácia. p. p„ 15). ‘7<z imperfección dei acto se define como un estado de pendencia. autorizando. E. e não aque­ le ato. de aquella pendencia que hemos llamado resolubilidad. como diz Florian. faltaram aqueles atos processuais (exame de corpo de delito. cit. Assim. o ato produz efeitos. Párece ser esse o entendimento do saudoso amigo Paulo Cláudio Tovo (Nulidades no processo penal bra~ sileiro. Guilhermo Borja Osomo (Derecho. cit. atípico. p.— judicialmente. defeituoso. Imposta a sanção. simplesmente porque não dispomos de qualquer meio para invalidá-lo. impedir o reexame da causa. o ato era simplesmente im­ perfeito.. contudo. defeituoso. Por exemplo: faltou o exame de corpo de delito. . a reabertura do processo. 4. p.. a que se aplicou a sanção de ineficácia. den­ tre outras coisas.

se o ato for atípico. Mas. Relativa. Se condenatória. Daí por que. que sofreu a sanção de ineficácia. claro). É o que ensina Camelutd (cf. Se o Juiz deparar com um ato dessa natureza. quando a admite. todo o procedimento. logicamente. pelo fato de não possuir existência jurídica.Se. continuará produzin­ do os seus efeitos. e. Diz-se absoluta a nulidade quando não admite um equivalente. Quanto às conseqüências. Mas. em face do princípio do favor rei. defeituoso. Com o ato nulo o problema é o mesmo. restará apenas indagar se a sentença foi absolutória ou condenatória. permite-se a resolubilidade (cf. e relevante for o ato omitido. tanto o ato inexistente como o nulo são denominados nulos. Assim. Na primeira hipótese a coisa julgada validou o ato.. como Uun vicio no 134 . 648. na prática costuma-se identificar as duas moda­ lidades. se for o caso. pre­ ferindo a terminologia “atos absolutamente nulos”. aplicar-lhe-á a sanção de ineficácia. ineficácia. senten­ ça sem decisum e denúncia ou queixa sem imputação fática. cit. mesmo quando o órgão jurisdicional constata a inexistência jurídica de um ato (dependendo da sua natureza. não há diferença entre o ato inexis­ tente e o ato atípico que não sofreu a sanção de nulidade. Lecciones. Na segunda. estamos em face de um ato que a maior parte da doutrina denomina “ato absolutamente nulo” E até mesmo na linguagem forense é essa a denominação que se dá ao ato que não pode ser convalidado. e a lei não houver estabelecido um modo de convalidá-lo.. Parte da doutrina não se arrisca a falar em atos inexistentes. o nosso Código não distinguiu a inexistência da nulidade. pois.. enquanto esse ato atípi­ co e defeituoso não sofrer a sanção de ineficácia. o ato inexistente implica. e o ato absolutamente nulo é impotente para produzir efeitos jurídicos. Como. advier sentença absolutória não impugnada. aquelas hipó­ teses extravagantes de sentença proferida por quem não é Juiz. A distinção é doutrinária. proferida a decisão final e preclusas as vias impugnativas. p 195).. defei­ tuoso. a sentença... VI). formar-se-á a coisa julgada. Já que falamos em ato nulo. no fundo. isto é. poderá a sentença ser desconstituída mercê de habeas corpus ou revisão.. Nulo é o ato atípico. fala-se em nulidade. imperfeito. Ressalvam-se. CPP.. malgrado a omissão do ato. Como se vê. Anula-se. ou. como já salientado. é preciso que se faça uma distinção entre nulidade absoluta e nulidade relativa. art.

se não houver recurso. dois membros do Conselho de Sentença põem-se a conversar sobre o processo e o Juiz não toma aquela providência apontada no § l s do art. se: a) houver preclusão temporal. cit. En­ tretanto. via habeas corpus ou revisão» Em suma: a denominada “nulidade absoluta” não admite sanatória» Arguida a imperfeição. Se a parte. tal como permitido pelo art. de ofício.determina la nulidad de un acto sino en cuanto la nulidad misma sea judicialmente comprobada’\ ou. cit. o “surgimento do equivalente do requisito que faltava sana o vícioy\ Daí falar-se em sanatória da nulidade. apenas. pelo Juiz. 196) No Processo Penal pátrio. Quando a “nulidade” é absoluta. assim. será rescindíveL Se. não se deve olvidar o princípio do favor rei. art.. Mas. continua sendo. 199). como diz Camelutti. quando possível. se ‘7a nulidad no opera sino en cuanto sea declarada judicialmente” (Lecciones. mas preclusas as vias impugnativas.. o ato absolutamente nulo.. a vis sanatrix pode ser encontrada na ratificação do ato praticado com preterição da legitimação do repre­ sentante da parte (CPP. anula-se o julgamento . o ato tiver atingido o 135 . preclusas as vias impugnativas. 564. ou decretada de ofício.. alega e prova aquela circunstância. preclusas as vias impugnativas. havendo. assim. Pois bem. 251 do CPP — ao Juiz cabe prover a regularidade do processo —. 572. se o Juiz não reconhecer. poder-se-á formar a coisa julgada. em eventual re­ curso. a nulidade é absoluta (CPP. p. enquanto não for reconhecido como tal. não arguida no prazo previsto no art. Lecciones. Se conde­ natória.. p. um ato atípico. não tendo havido impugnação. j). Tratando-se de nulidade relativa — e relativa é a que admite a sanabilidade —. nas hipóteses tratadas no art. um ato defeitu­ oso. III. 568). 571 do CPP. art.. se a sentença for absolutória. se condenatória. ou. isto é. não havendo o convalescimento.. 466 do CPP. uma “convalidação do ato imperfeito ou viciado” (Camelutti. formarse-ã a coisa julgada. E. b) praticado por outra forma. o provimento judicial que a de­ cretar carreta a ineficácia do ato Quando relativa. permitindo a rescindibilidade.. o ato toma-se ineficaz. numa sessão do Tribunal do Júri. com maior razão a sentença será coberta pela coi­ sa julgada.

simplesmente. É a decretação de ineficácia do ato atípico. foi ela empregada para signifi­ car a ineficácia do ato. tão so­ mente. Na retificação. deixou ele de apor sua assinatura. na inércia da parte prejudicada em face do citado ato. quando da tomada do depoimento da testemunha Y. para traduzir a conseqüência da sua atipicidade. UL. ape­ nas. Não o sendo. determinará. anular aquele ato. 564. 136 . colhendo-se. Outra sanatória. Toma-se. anulará todo o processo a partir da citação ficta. nada mais fez que usai' a palavra nuiidade no primeiro sentido. malgrado. observa o Juiz que o órgão do Ministério Público não interveio quando da tomada do depoimento da testemunha X. também. Já no art. tiver aceito os seus efeitos. a assinatura do causídico. aquela parte viciada do ato. ainda que tacitamente. Se o Juiz observa que o réu tinha endereço certo e. Se o Juiz observa que.. se.. quando a atipicidade sofre a sanção de ineficácia. não se admite a convalidação. de novo. o ato é refeito por inteiro. 564. Na renovação. deverá. foi citado por edital. O ato será feito por inteiro.. c) a parte. in­ clusive. encontra-se no art. caput. Realmente. ou ato de convalidação. ”. O ato processual para ser válido deve ser praticado de conformi­ dade com o paradigma legal. determinando sua renovação. Se ainda possível. evidentemente. O nosso CPP emprega a palavra nuiidade não só para indicar o motivo que toma o ato imperfeito como. 5. 570 do CPP Quando se trata de “ato absolutamente nulo”. aquele depoimento. ao proferir a sentença. Idem. toma-se.. refaz-se. defeituoso. Falando o art 572 em “nulidades pre­ vistas no art . poderá ele ser renovado ou retificado.. Renovam-se todos os atos. E. A nuiidade A nuiidade é conseqüência da sanção de ineficácia imposta em relação ao ato praticado com inobservância dos parâmetros normativos. imperfeito. o ato se diz nulo. atípico. seja o ato retificado.seu fim. simplesmente. isto é. não obstante esti­ vesse presente o Advogado do réu. se a citação for feita a um homônimo. Assim. Neste caso a vis sanatrix estaria na “aquiescencia de la persona a la cual tales efectos perjudicarian”.

9. per la radicale influenza di questo sulla valida costituzione dei rapporto processuale. um nexo efe­ tivo e concreto. a despeito de imperfeito. 370 do CPP. é o juris et de jure. . o § Ia do art.. e vem inserta no art. que no § l 2 do art. com a reda­ ção dada pela Lei n. cujo prejuízo é presumido. Observe-se. 1. p. Irrelevância do ato Outro princípio geral adotado vem inserto no art. che. 563 do CPP In verbis: “Nenhum ato será declarado nulo. sem acarretar-lhes prejuízo. O pre­ juízo. É o que se denomina ineficácia contagiosa. não se incluir o nome do acusado. 7. Se. não há cuidar-se de nulidade.Às vezes a decretação da nulidade faz estender a ineficácia aos demais atos subsequentes. por exemplo. e para simplificar o rigorismo formal. 563. Dai dizer Leone: “. A propósito. se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa”. evidentemente. A não ser que se trate de nulidade absoluta. o ato atingiu o seu fim. foi adotado o princípio do pas de nullité sans grief Não há nulidade sem prejuízo. observa que o corréu não foi citado. Trattato. 702).. anula-se toda a instrução criminal. Para que o ato seja declarado nulo é preciso haja.. ao proferir sentença. contudo. entre a sua imperfeição ou atipicidade e o prejuízo às partes. adotou-se o princípio da legalidade. 573 do CPP„ Se o Juiz. os atos anteriores àquela citação. inadmitindo prova em contrário. rifiuta ogni possibilità di sanatoria” (cf. 6. Não há nulidade sem prejuízo Em matéria de nulidade. v. apenas. permanecendo váli­ dos. nato o divenuto (nel suo corso) invalido. 566 do mesmo estatuto: “Não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa”. si irradia su tutto il rapporto processuale (o una fase di esso).271/96. ao cominar a pena de nulidade se nas intimações dos Advogados. Essa a espinha dorsal.. aqui. publi­ cadas pela imprensa. a viga mestra que sustenta todo o capítulo das nulidades. Tal princípio completa o previsto no art.

que. 564 do CPP. Entretanto. os atos decisórios. tal como diz o art. nem de ciência própria. sujeitam-se à sanção de ineficácia. o Juiz dará a palavra. ao Ministério Publico e a seguir à Defesa. Por exemplo. no processo. atípicos e. I e II do art. Evidente que* nesse caso. haverá simples irregularidade. e atos que. inquirida. Pois bem: se o Promotor ou o Advogado. Atos e formalidades essenciais Há. a despeito de impor­ tantes para o processo. a lei considera como um dos atos essenciais para a valida­ de do processo a competência do órgão jurisdicionaL Havendo incom­ petência do juízo. sucessivamente. de prejuízo.. 567 do CPP. e até mesmo o Juiz. indagar da existência. apenas.. primeira parte. não são de necessidade indeclinável. Este se presume São atos estruturais os alinhados no inc IH do art.1.. responder nada saber a respeito dos fatos. 563 e 566 do CPP Os primeiros são considerados estruturais. ou ambos. defeituo­ sos. do CPP. Além desses atos estruturais ou essenciais. aquelas exigências referidas nos incs. imprescindíveis para a validade da relação processual. Não podem as partes. é evidente que anular tal ato em virtude da não presença do assistente seria um contrassenso sem nome. se a incompetência for relativa. a sanção de 138 . pelo que se infere do art. se a incompetência for absoluta. ainda. apresentarem memoriais. a sanção de ineficácia do ato atingirá. atos considerados essenciais. e a omissão de qualquer deles é causa de nulidade. com as observações que faremos a seguir. 8.. ou não. os atos por ele praticados são imperfeitos. acusação e defesa são feitas oralmente. uma vez que aquele depoimento não poderia exercer a menor influência na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa. 564 do mesmo diploma. . Entendemos. Assim. Estes últimos têm sua importância condicionada às regras dos arts. se o assistente não for notificado a comparecer à audiência de uma testemunha e esta. por isso mesmo. ou essenciais. em face do art. pelo espaço de 20 minutos. há. ouvidas todas as testemunhas de defesa e interrogado o réu. 531 do CPP. 564. nem por ouvir a outrem.Assim.

pressuposto processual. Eles podem perder a eficácia. ela não tem existência jurídica.. II do art. condição da ação. postulatórios e instrutórios. Entretanto. não têm existência jurídica. ele não tem a competência da jurisdição.ineficácia deverá atingir toda a relação processual. bem entendido. mas. tam­ bém. como vimos. A primeira. entre os atos de inexistência jurídica. Parte da doutrina inclui. Tudo perderá o seu valor: atos decisórios. não está investido do poder de jurisdição. Se a ação for proposta por parte ilegítima. 139 . O inc. a de capacidade. deverá o Juiz rejeitá-la no juízo de admissibilidade da demanda. Ob­ viamente a decisão não faz coisa julgada. ser remetido ao juízo competente. 70 do CPP) ou do juízo (art. visto que o ato decisório é juridicamente inexistente. tão somente. Não procedendo assim. de inexistência. 564 refere-se à “ilegitimidade de parte”. a decisão proferida por Juiz suspeito ou subornado pode gerar a coisa julgada. porquanto uma ou outra causa priva o Juiz da jurisdição. a illegitimatio ad causam e a illegitimatio ad processum. vale dizer. Mas. aí. aí. em outra oportunidade. Os atos são passíveis de nuiidade.. porque. Por isso mesmo. a inobservância de uma exigência de maior funcionalidade do processo. Na absoluta. a segunda. 567 do estatuto processual penal que a incompetência do Juízo anula somente os atos decisórios. os praticados por Juiz suspeito ou subornado. ratione materiae ou ratione personae.. Os atos praticados por órgão jurisdicional absolutamente incompetente (incompetência ratione ma­ teriae ou ratione personae). seja a nuiidade arguida. Não se trata. A ineficácia atingirá toda a relação processual. devendo o processo. 75 do CPP) — há. em rigor. A decisão de um Juiz absolvendo ou condenando um Desembargador é tão aberrante que nem sequer poderia ser dada como exemplo. Não pode ter eficácia qualquer ato praticado num processo em que o órgão jurisdicional seja absolutamen­ te incompetente. Na incompetência relativa — que é a de foro (art. Se condenatória. poderá haver a rescindibilidade pela via do habeas corpus ou revision aL Nuiidade absoluta também haverá se houver impedimento ou in­ compatibilidade do órgão jurisdicional. de­ termina o art. nada obsta que. declarada a nuiidade. não. Se absolutória. ou. porquanto o Juiz. se houver preclusão. também. Com tal expressão foi abrangida não apenas a falta de legitimidade. se quiserem.

. No sentido técnico. O inc. se se tratar de illegiti­ matio ad causam. a regra do art. por exem­ plo. conhecido por dies a quo. aí. finalmente. exprimindo a redução de um ato forense a es­ crito. como dizia Massari. a nulidade é relativa porque admite a sanabilidade. não haverá sanatória. No inciso em apreço. como é evidente. porém. de um auto de prisão em flagrante. sua configura­ ção. Deverá fazê-lo seu repre­ sentante legal. a declaração de nulidade daquele ato inaugural carretará a dos demais. Impossível uma sistematização das formas. também haverá nulidade. começando tudo de novo. 564 cuida da omissão de formalidade que cons­ titua elemento essencial do ato. 568 do CPP. Se tal representante for ilegítimo. podemos dizer que os atos processuais devem ser 140 . contudo. todavia. Este situa-se entre dois termos.se houver a illegitimatio ad processum. 573. pelo legitimo representante. iniludivelmente. 568 do CPP se refere à ilegitimidade do “representante da parte”. 572. segundo a regra do art. g e h. do CPP. Ou. seu revestimento. de qualquer das fórmulas ou termos elencados no inc. repita-se. hi­ pótese em que. O inc . de uma denúncia. regra. sana-se a imperfeição com a ratificação dos atos já praticados. e. III do art. poder-se-á cuidar de renovação do ato. Observe-se que o art. Nesse caso. Se houver incapaci­ dade. De modo geral. segunda parte. II. na precisa redação do art. 564 refere-se à falta das fórmulas e termos ali indicados. Faz-se exceção àqueles elencados nas letras d. a roupagem externa. a expressão termo serve para precisar os limites do prazo. Mas. com a ratifica­ ção de todos os atos. 564. segunda parte. em face da contagiosidade da ineficácia. e. Nes­ se caso. A falta. independentemente da produção de prejuízo. § 1Q. poderá haver o convalescimento da nulidade a que se refere o art. o inicial. Que se entende por forma de um ato processual? É o seu aspecto externo. em se tratando de representante da parte. O próprio le­ gislador admitiu a sanabilidade desses atos. de auto. aplícando-se. pois. e o final. em face da sua grande variedade. IV do art. dies ad quem. Vejam-se as formalidades de ama sentença. Se ainda for possível. m gera a nulidade absoluta do procedimento. não poderá a parte ingressar em juízo. Termo. tem. o sentido de ato. seu signi­ ficado é comum: auto. Realmente. Entende-se por fórmula a expressão de um preceito.

deve conter a imputação fática. Assim. devem revestir-se da forma escrita. Quando exigida. parágrafo único etc. 216). .. devem ser reduzidos a termo. 98 etc. São elementos intrínsecos. tal como acontece com os debates na sessão do Júri. É o que ocorre com a “resposta” do réu (art. e principalmente. Trata-se de formalidade extrinseca. Em determinados casos. é óbvio que não se refere. mas. urge chamar a atenção para ama particularidade.) realizados no idioma pátrio. ) Por outro lado. embora a lei não a exija. 286. 396-A etc. 304. a não ser em casos especiais.). ) ) . 56. se a omissão da formalidade in­ terna ou externa for de tal porte que produza uma desfiguração do próprio ato. o ato existe. a renovação se impõe. ^ ) ) ^ J ) ) ^ ) ) ^ ■ . 572. contendo a assinatura do Promotor. alude à “omissão de formalidade que constitua elemento essencial do ato”. 59... às vezes. permite-se seja suprida a assinatura da pessoa que deva firmá-la pela de duas (arts. Excepcionalmente. nesses casos. mas tão mutilado. contudo. deve ser escrita e em vernáculo. desfigurado e deformado.. IV do art.. parágrafo úni- ) ) ^ ) ) ) ^ ' ' ) ) j co). registrados em ata. Excepcionalmente. Os atos processuais não podem ser realizados a portas fechadas. vem expressa (arts. 39. uma vez reconhecida a nulidade. que eqüivale à sua própria omissão ou falta. 289. 564 é sanável. 306. ou. apenas. expressamenter subentende-se que sim. adulterado. Às vezes se permite a própria rubrica. É verdade que. A exigência. Note-se. IV. salvo as exceções previstas no art. Por outro lado. exige-se a firma autenticada (arts. entre quatro paredes. a assinatura a rogo (art. segundo a fórmula do art. a menos também haja total im­ possibilidade. Mesmo assim. quando o inc. Outr a formalidade é a assinatura.). 792 e parágrafos do CPP. § 32. a individualização do réu. a denúncia. Embora a lei não o diga expressamente. à sua forma extrinseca. se não for possível a retificação. também. que a nulidade de que trata o inc. ora comentado. então. § l c. e. de modo a impossibilitar-lhe a consecução do seu objetivo.)* Em alguns casos.. subentende-se deva haver. ou sinais pelos quais se possa identificá-lo. o pedido de condenação. a classificação do crime e o requerimento de citação. aquele fica tão imprestável que a sanatória se toma absolutamente impossível. Por isso. com todas as suas circunstâncias. a pessoa que realizar o ato deverá lançá-la no final. 50. aos seus requisitos ou formalidades constitutivas.

e isto é importante. nada podendo saná-la.. a ausência de formalidade.. Pense-se numa sentença sem motivação. prejuízo às partes (e tampouco aquela pre­ terição influiu na verdade substancial ou decisão da causa). escolha e não sorteio dos 7 jurados pelo Juiz Presidente do Júri etc. a nuiidade é insanável. tais como sentença sem decisum. 572 do CPP. Poderá. não havendo. não lhe passaram pela cabeça certas abstrusidades metafísicas. na hipótese de “omis­ são de formalidade que constitua elemento essencial do ato”. isto é. não desfigurar o ato. aqui. ela não tem existência jurí­ dica. sessão do Júri com 5 jurados. haverá preterição de forma­ lidade essencial a menos sejam eles peritos oficiais. a nuiidade é absoluta. sem a perfeita qualificação do réu etc. então. 142 . 571 do CPP. Quando o legislador permite a sanabilidade. se a parte.Nessa hipótese.. há de se entender. Escobedo denominava “sentenze suicide”. se a preterição da formalidade. Mas cuidou de outias formalidades que comportam sanabilidade Assim uma denúncia sem a classificação do crime. se não for arguída naqueles momentos referidos no art. uma denúncia em língua estrangeira. uma sentença cuja conclusão contradiga a fundamentação. A deformidade é tamanha que eqüivale à própria inexistência do ato. Desse modo. ficará sanada. Sua insanabilidade é manifesta. sana-se a imperfeição. dando lugar àquilo que G. E pomos exemplo: uma sentença sem motivação. quando o legislador falou em “omissão de formalidade essencial do ato”.. Mesmo porque. Em todos esses casos.. nas hipóteses a que se refere o art. se não for tomado o compromisso dos peritos quando dos exames de corpo de delito. uma peça acusatória sem imputação fádca etc. nunca convalescimento. como a ausência de formalidade essencial é tida e havida como equivalente à omissão do próprio ato. como não há. se o ato produziu seus jurídicos efeitos. haver uma retificação ou renovação. Por outro lado. a inexistência jurídica do ato. isto é. Entretanto. nada obstante sua essencialidade. se ainda for possível. denúncia sem imputação fática. Haveria. isto sim. é visível a olho desarmado. ou. embora existindo materialmente. atingindo o fim colimado. a atipicidade. insofismavelmente. . tiver aceito os seus efeitos. ainda que tacitamente. não se tratar de formalidade que desfigu­ re o ato essencial Se o for. Ademais. Não existe remédio para convalescê-la.

do CPP. A incom petência. 564. Já vimos que a incompetência pode ser absoluta ou relativa. nos crimes que deixam vestígios. No primeiro caso (Justiça Especial apreciando questão da alçada da . Pouco importa tratar-se de ato essencial ou não. em: a) atos estruturais ou essenciais (os disci­ plinados pelo art. Na verdade. I e II da mesma disposição legal). mas. b) atos não essenciais (to­ dos aqueies não previstos na letra anterior). 9. que.. ela é sanável. Contudo. Justiça Civil julgando questão criminai — salvo nos crimes falimentares. suspeição ou suborno do Juiz. na hi­ pótese. acrescidos das exigências previstas nos incs. muito menos sua for­ malidade. se o ato não é essencial. em face das nulidades.Justi­ ça Comum ou vice-versa. naquelas hipóteses acima citadas. 564. 572. podendo ocorrer. conforme o caso concreto. No que respeita às formalidades do ato. podemos classificar os atos processuais. O exame de corpo de delito. a teor do art. ou de uma de suas fases. nos termos do art. também. 563. o ato toma-se atípico e passível de nulidade. quando ausentes.... o desnatura. suspeição e suborno do Juiz O art. como causa de nulidade. possível será a arguição de nulidade. Dês que ausente formalidade essencial. Se o ato for essencial. estará ausente formalidade essencial. é tão grave que orça pela inexistência jurídica.. 564. seu convalescimento. obviamente. fazer uma distinção: quando a formalidade essencial disser respeito a ato não estrutural. Se o laudo for assinado pela Autoridade Policial. podemos. testemunho não são atos essenciais do processo.Precisamos. causando a nulidade. é ato essencial. quanto ao inc. do CPP.1. com fulcro no art. vis­ 143 . à incompetência. IV. III. IV do art. 564. perícia. repita-se. a falta de formalidade essencial. refere-se. se o ato não essencial causou prejuízo à Acusação ou à Defesa. também. 10. Somente as primeiras têm re­ levância para a eficácia do ato. A classificação dos atos e das formalidades Ante essas considerações. Busca domiciliar. Os primeiros. tais atos sofrerão â sanção da ineficácia. incompetência ratione personae. distingui-las em essenciais e secundárias. dão causa à nulidade absoluta da relação processual.

os autos serão remeti­ dos ao Juiz competente. Quer-nos parecer que. Nuiidade também haverá se houver incompatibilidade (v. se houver sentença transitada em julgado. verbete “Suspeição. que. como estabelece o art. Se a incompetência for relativa. não . embora o Juiz.. Nesses casos. Assim. quanto aos atos probatórios. o art. impedimento e incompatibilidade” no 2a volume deste Curso). a imperfeição ou defeito do ato poderá ser arguida em qualquer fase do procedimento. O art. possa conhecê-la a qualquer momento. Este. o suborno ou peita. É como se fosse uma não sentença. 101 do CPP Os mo­ tivos legais de suspeição estão elencados no art. o réu somente poderá suscitá-la na fase da “resposta”. Se houver suspeição do Juiz. de ofício.. poderá ser decretada a ineficácia do procedimento ou parte dele (con­ forme o caso).). a relação processual não existiu. e.Nesse caso. 252) priva o Juiz da sua função jurisdicional. Houve um não processo (Nichtprozess). 564 não se refere ao impedimento. Com a mesma força do impedimento. 109 do CPP. se levantar o problema posteriormente. nos termos do art. na hipótese. havendo-o. assim mesmo. 98 do CPP Reconhecida a suspeição. caberá às partes. nada obsta que o Juiz se dê por incompetente. poderá renová-los. via habeas corpus ou revisional. 108 do CPP Mas. 144 . o que é diferente. Não o fazendo. Nem mesmo havendo decisão absolutória se poderá formar a coisa julgada» Imagine um Juiz de Direito absolvendo um Promotor de Justiça ou a Justiça Comum absolvendo um militar por crime militar.to ser assim no Estado de São Paulo — etc. cumprir* lhe-á anular os atos decisórios praticados pelo Juiz incompe­ tente. art. 254 do mesmo esta­ tuto. uma vez que o impedimento (CPP. a nuiidade será tão intensa que os atos praticados são como se não existissem. tal como determina o art. argui-la. corresponde à “defesa prévia” de que cuidava. e. se condenatória. E com melhor razão se houver sentença condenatória. Se absolutória. e cuida. a incompatibilidade. com maior largueza. o processo existiu. contudo. ficarão nulos todos os atos (probatórios e decisórios). bem poderá suscitar um conflito negativo de competência ou de jurisdição.. Nada impede. entretanto. nesses casos. de se renovar a instância perante o órgão competente. Mas evidente que. se o próprio Ma­ gistrado não se abstiver de funcionar no feito. como o órgão jurisdicional não estava investido de jurisdição.

p. seja passiva. de conseqüência. Em se tratando de ilegitimidade do representante da parte. a seguir. Friedlãnder e Stein Jonas. a nulidade se estenderá a toda a relação processual. E se o réu for menor de 18 anos? Sabemos que os pres­ supostos processuais de existência são três: a) órgão investido de juris­ dição. se a existência da relação processual pressupõe a presença de um imputado “provido da capacidade de ser parte”. v. o procedi­ mento de apuração de ato infracional. 1. declinando o verda­ deiro réu. “por falta das fórmulas ou dos termos seguintes”. professa muito bem Tomaghi. com a simples ratificação dos atos processuais. v.)^ De fato. Se o?réu for menor de 18 anos. 569 do CPP. Desse modo. ressalvada a hipótese do art. tanto assim que a morte do réu põe fim à relação processual (cf. Outro processo será instaurado. muito menos sem a figura do réu. tão somente.. c) partes Estas. Não é possível conceber processo que careça de acusado. como entende Leone„ In casu. visto que aquele menor não podia ser parte. Se não pode haver processo sem acusador. pensamos que o problema se resolve. b) demanda. nota 79). 244). II do art. A relação processual. e se o menor de 18 anos não a tem ou a relação é inexistente (cf. c it. Trattato. 1. instaurando-se. ele é inimputável e. ou vice-versa. cumprirá ao Juiz declinar da sua competência. apud Leone. Nulidade haverá. 29 do CPP. do CPP (incompetência do juí­ zo..11. ex radice. 749. remetendo os autos ao Juiz da Infância e Juventude. 5 6 4 . 131). E se for ilegitimidade ad causam'? Seja ilegitimidade ativa. Tratando-se de Juiz único. 396 do CPP). primeira figura. p. são o acusador e o acusado.. . 564. não poderá haver sanabilidade. ou nula. Anula-se o processo ab ovo„ Se o crime era de ação privada e o Promotor ofere­ ceu denúncia. Assim. U. cit. no Processo Penal. Poderá também ocorrer a nulidade com fulcro no art. a sanabilidade poderá ocorrer antes da sentença. 564. não pode ser sujeito passivo da pretensão punitiva. com a regra do art.. p. do CPP (ilegitimidade de parte). cumprir-lhe-á anular todo o processo. cumprirá ao Juiz anular o processo desde aquela citação (rectius: notificação de que trata o art. Ilegitimidade de parte No inc. como bem diz Leone (cf Trattato. como lhe permite o art. também. erige-se à categoria de nulidade a ilegitimi­ dade de parte.1. se ainda for possíveL E se houver ilegitimidade ad causam passiva? Ainda que o Promotor corrija a denúncia..

uma queixa sem a descrição do fato fica tão desnaturada que eqüivale a não existir Não obstante a alínea a do inc. 569 do CPP In verbis: “As omissões da denúncia ou da queixa. podem ser supridas a qualquer tempo. nos processos das contravenções penais. uma denúncia sem a descrição do fato e suas circunstâncias é uma não denúncia. A omissão da peça acusatória ou da representação A) A denúncia ou a queixa e a representação e.. nos termos do art. Hí do art. nesse caso. sendo de ação pública todas as contravenções. 564 do CPP tratar. por se tratar de pressuposto de existência Por outro lado.. por se tratar de pressuposto processual de exis­ tência. Mas.12. da repre­ sentação. certas omissões de circunstâncias secundárias. também.1. e tal nulidade. IV do art. ainda que a parte não na tenha arguido. Elas foram substituídas pela denúncia. não se pode falar em sanabilidade. da portaria ou 146 . antes da sentença final Essa regra é extensiva à queixa e à representação. nos pro­ cessos de contravenções penais. sabe-se que. IV do art. de omissão de formalidade que constitua elemento essencial do ato. Entretanto. 129. 564. como local (bairro. não podemos fazer referência à portaria ou ao auto de prisão em flagrante. a nulidade encontra respaldo no inc. Faltaria ao processo um dos pressupostos de sua existência. E. Assim. tirando-lhe toda a substância. não basta a existência material. impõe-se também a jurídica. E verdade que o inc. segundo dispõe o art. Se. Pode haver. dia. Então. rua. tam­ bém. da CE Por essa razão. omissão de uma formalidade essen­ cial. é de ponderar que a for­ malidade essencial a que se refere o texto não é aquela capaz de des­ figurar o ato. ou. é sanável. número do prédio). hora e quejandos. Excetuando a representação. malgrado vier o Juiz a proferir uma sentença condenatória ou absolu­ tória. isto sim. mormente em se tratando de denúncia ou queixa. da portaria e do auto de prisão em flagrante dos processos con(xavencionais. não nos parece possível a inexistência de uma denúncia ou queixa. que eram as peças iniciais dos procedimentos contravencionais. quando se cuida de pressuposto de existência. 564 fala. 572. nos termos do art. a portaria ou o auto de prisão em flagrante. o ato de iniciativa compete exclusivamente ao Ministério Público.

a peça acusatória sofre tamanha alteração no seu aspecto que a deturpa. 13. quando da senten­ ça. apenas. no crime previsto no art. for oferecida queixa sem a prova do trânsito em julgado da sentença anulatória do casamento? Essas condições são citadas como exemplo. de certo modo. b) a condição de procedibilidade está tão entranhadamente ligada à denún­ cia ou queixa que chega a integrá-la. Se falta a representação. apenas. adultera e mutila. o exame de corpo de delito é tão indispensável que nem a confissão do acusado poderá supri-lo. porventura. lavrarão estes o auto de exame de corpo de delito indireto. E se faltar uma condição de procedibilidade ou. de sorte que. art. antes da sentença final”. conforme dispõe o art. b) as teste147 . CPP. claro. o Juiz não recebe a denúncia ou queixa (cf. III do art. Existem outras. poderão ser supridas a todo o tempo. ausente a condição. observar a omissão. se a receber e. O defeito toma-se tão grande que eqüiva­ le à própria falta do ato instaurador da instância penal.do auto de prisão em flagrante. e como as demais também o são. que é condição para o exercício da ação penal nos casos previstos em lei. da autorização da Câmara para se processar Presidente da República ou Ministro de Estado? E se. à representação. a possibilidade de ser feito o exame in­ direto.. com fulcro na alínea a do inc. Como proceder então? Anula-se o processo. II). como preferimos nós. por uma das seguintes razões: a) se o texto legal se refere à representação. Não se trata de formalidade essencial. a toma praticamente inócua. Ausência de corpo de delito B) O exame do corpo de delito nos crimes que deixam vestígios. uma condição específica da ação? A alínea a do inc.. 167„ Em se tratando de crimes que deixam vestígios. III do art. 564. 236 do CP. são aquele qitid que dá respaldo legitimador à denúncia ou queixa. anula-se o processo. ressalvado o disposto no art. que. E se a ausência for de requisição ministerial. ausente. 564 refere-se. após narrar o que viram. Tais condições de procedibilidade. mas de uma parte do próprio corpo da peça vestibular da ação penal. a final. aplicação analógica. logo.. ressalva-se. como disciplinado no art.. 395. ou qualquer outra condição de procedibilidade.. 158 do CPP Ante a sua au­ sência. 167 Aqui há duas soluções: a) as testemunhas comparecerão diante dos peritos e.

cora a nova redação que lhe foi dada. os dois poios da relação processual penal. o Excelso Pretório dava a entender que. assim. ficará sanada. Basta uma análise a olho desarmado do art. o réu fosse menor de 21 anos. ao que parece. além do Defensor. IV.raunhas naiTarão o fato ao Juiz e. tanto mais quanto o art. 571 do CPP). É o que proclamava a 148 . no sentido de que nenhum acusado. Ausência de Defensor e Curador C) A nomeação de defensor ao réu presente. pouco importando a razão da ausên­ cia.. 149. em se cuidando de menor de 21 anos. Bem assim quando fosse relativamente incapaz (menor de 21 e maior de 18 anos). como se infere do texto constitucional. não se lhe nomeava Defensor. muito embora. 572 do CPP? Não nos parece. E se for realizado por um só expertus inofícial? Haverá nulidade. e de curador ao menor de 21 anos. Não se concebe um processo penal sem a figura do Defensor. se não oficiais (art 159 e § Ia do CPP). do CPP. 159. porventura. ou mesmo ao ausente. do CPP. se a nulidade não for arguida no momento oportuno (art. então. A Defesa é uma injunção legal. e de 2. é o nomen juris que se dá ao Defensor do réu absolutamente in­ capaz. ela não integra aqueles atos a que se refere o art 564 do CPP. Entretanto. § Ia. é intuitivo deva haver a Defesa. 261. mesmo porque a perícia não é um ato estrutural do processo. será motivo de nulidade. Daí a exigência do art. Admite-se a sanabilidade. 14.. Este. proclamando a Lei Maior que a instrução criminal é contraditória. Por isso mesmo. se for oficial. o s d e p o im e n to s su p rirã o o exam e direto. será processado ou julgado sem Defen­ sor. exige sempre dois peritos quando não forem oficiais. a não nomeação de Defensor ao réu presente que não o tiver. ainda que ausente ou foragido. Se. Mais ainda: o Advogado é indispensável à administração da justiça (cf. Por outro lado. a rt 133 da CF). que o não tiver. não haveria nulidade. se não o fizesse — em se tratando de Defensor dativo —. É da essência do exame de corpo de delito a participação de um perito.. com fulcro no art 564. do CPP e se concluirá que o Defensor está para o réu maior como o Curador está para o incapaz. tal como permitido pelo art. Acusa­ ção e Defesa constituem. ou ao ausente. já o disse­ mos. mas sim Curador. devia o Juiz nomear-lhe Curador. § 2a. Mas.

não se pode cogitar de nomeação de “Curador” paia o réu que esteja na faixa etária dos 18 aos 21 anos. a pessoa é absolutamente capaz para todos os atos da vida civil. Aos 18 anos a pessoa é sui juris. ri­ dícula e despropositada vassalagem ao art. Subentende-se que. o intérprete deve “preferir a ideia à forma. Convém registrar que. Ora.Súmula 352: “Não é nulo o processo por falta de nomeação de Curador ao réu menor que teve a assistência de Defensor dativo”. constantes de leis cujos preceitos de natureza civil hajam sido incorporados a este Código”. dispõe o art. salvo eventual doença mental. nas disposições de natureza processual. constantes de leis cujos preceitos de natureza civil foram incorporados ao novo Código. impede que o operador do direito deixe de nomear-lhe Curador.. 262 e 149. à luz do art. 149. sim.. de conseguinte. 2. não se lhe nomeia “Curador”. se com a nomeação do dativo não haveria nulidade. com muito mais razão quando se tratasse de Defensor constituído. § 2a). não. em face do novo Código Civil. quando o legislador já lhe atribuiu capacidade para ser jurado — art. Nes­ se caso. é aquele que ainda não completou 18 anos. não mais haverá necessi­ dade de se nomear Curador ao réu “menor de 21 e maior de 18 anos de idade". Mesmo em face do art. Ademais. por exemplo.043 do CC. Do contrário. reclamar do Juiz a nomeação de Curador ao réu menor de 21 e maior de 18 anos (quando a nova ordem fixou o fim da menoridade aos 18 anos. já que a maioridade era atingida aos 21 anos. onde não for possível fazer uma adaptação. não. Assim. Agora. Mesmo assim e com a devida vênia. 2. E como este é inimputável. Antes da vigência do novo Código Civil. § 22. Ora. e o legislador processual penal. Ao atingir os 18 anos. Torna-se até ridículo nomear Curador paia o réu que ainda não completou os 21 anos de idade. administrativa ou penal. nada. dispondo que “Até que por outra forma se disciplinem. Segundo lição de Carlos Maximi- . arts. a noção superior e abstrata à regra positiva imperfeita”. a menoridade termina aos 18 anos e. no nosso ordenamento.043 do Código Civil. que Curador é o rótulo que se dá ao Defensor do incapaz (CPP. administrativa ou penai.. 436 — e revogou o art. visto que “menor”. do CPP. 262 do CPP que “ao acusado menor dar-se-á curador”. entendemos. admitiu uma incapacidade relativa. consonando-se e harmonizando-se com o legislador civil. continuam em vigor as disposições de natureza proces­ sual. 194) é render imoderada. aquele dispositivo tem total cabimento. absolutamente nada.

. É claro que. Se a Defesa demonstrar ou alegar o prejuízo. e. havendo a inércia. n.. é de notar que a regra constante da alínea c do inc. o Defensor ou Curador. p. à que tome aquela sem efeito. como bem o disse o mestre Frederi­ co Marques. o desinteresse. Rio de Janeiro. pois cada um exerce a profissão conforme suas limitações. e este. não haverá a ampla defesa. às vezes. 1961. juridicamente nulo” {Her­ menêutica e aplicação do direito. é induvidoso que a sua ausência (nulla et nonfacta paria sunt) implica a negação da própria justiça. 423) . desde o momento em que deveria ter sido iniciado o pa­ trocínio técnico no juízo penal (cf Elementos. E se houver desídia por parte do Defensor? E claro que. o Defensor ou Curador (na hipótese do doente mental) deve estar presente aos atos processuais e. ao mesmo tempo.Também se prefere a exegese de que resulte eficiente a providência legal ou válido o ato. inócua.. ou se ele houver exercido ou éxercer qualquer influência na apuração da verda­ de ou na decisão. sem embargo de regularmente notificado.. se ela é um dos componentes da Justiça. Se a Defesa exerce um verdadeiro ministério social. Por outro lado. vá ter a conclusões inconsistentes ou impossíveis. art. 2. porque descumprida uma formalidade que não exerceu a menor influência na apuração da verdade ou na decisão da causa e da qual não adveio nenhum prejuízo. Todavia. evidente que o ato será renovado. pois. e. não comparece à realização do ato. prescreva inconveniências. Freitas Bastos. Nem por isso esse ato será realizado sem Defensor ou Curador. ed„. sem Defesa. brilhante. não pode a Defesa sofrer qualquer cerceamento. se a falta de inteligência for de tal envergadu­ ra que implique a ausência de Defesa. LV) Assim. ou se a inércia e desinteresse forem de uma clareza do sol do meio-dia.liano. 5-. 564 é corolário lógico do princípio constitucional que con­ sagra a “ampla defesa” e observância do contraditório (CF. v. o ato não pode ser levado a cabo E se o for e o ato praticado não exercer nenhuma influência na decisão da causa e dele não decor­ rer qualquer prejuízo? Seria despropositado exagero anular um ato. a nuiidade é manifesta.. É verdade que tudo depende do caso concreto. o descaso. in do art. 7. é mais do que evidente deva o Magistrado anular o processo. “deve o direito ser interpretado inteligentemente: não de modo que a ordem legal envolva um absurdo. Nomeia-se-lhe ura substituto. 179). a Defesa passa a exercer no proces­ so um papel meramente decorativo Claro que não se pode exigir uma Defesa inteligente. Sofrendo-o. de conseguinte. 150 . ou todo o processo. 210. p. cit.

se suspenda o ato. não iminência de prescrição. com a presença do Acusador particular. ou..) e não houver substituto legal. constituído ou no­ meado. ao ato do interrogatório. não se concebe a ausência do órgão do Ministério Público a qualquer ato do processo. esteja presente ao ato processual o órgão do Ministério Público. e dependendo do caso concreto. quando se tratar de infração de ação penal pública. caberá a este assumir a posição de parte principal. a lei processual penal exige. se a ausência do Mi­ nistério Público for justificada. muito embora esteja respeitado o princípio do contraditório. ainda que o tenha sido. Em ambas as hipóteses (CPP. nada obsta se adie a au­ diência. incontinenti. E a tal ponto chegou a conscientização do legislador quanto à importância da Defesa que na Lei n. o ato não puder ser adiado (prescrição iminente. exigiu a presença do Defensor. se o não comparecimento não for justificado. A falta de intervenção do Ministério Público D) A intervenção do Ministério Público em todos os termos da ação por ele intentada e nos da intentada pela parte ofendida. Mas. possibilidade de o ato pro­ cessual poder ser realizado noutra oportunidade. supracitada. dando nova redação ao art. sem maiores transtor­ nos para as pessoas que nele devam intervir. 29 retrocitado. Na Capital de São Paulo. a falta da defesa constitui nulidade absoluta. possa substituí-lo. ausente o Promotor. 29 do CPP. também. se não houver outro Promotor que. arts. 792/2003. por ele intentada. por exemplo. de solução excepcional. nos termos do art. mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu”. em face da tabela de 151 . nos termos do art. 24 e 29). p ex. pois. a despeito de pública. 10. 15. contudo. legal­ mente. No interior paulista. como. quando se tratar de crime de ação pública. Como decorrência do princípio do contraditório. a ação penal houver sido intentada pela parte ofendida. Se.E se ela for simplesmente deficiente? Diz a Súmula 523: “No processo penal. Tratava-se. como proceder? Outra solução não havia senão nomear um Promotor ad hoc. desig­ nava outro Promotor para o ato. se houver qualquer negligência daquele. comunica­ va-se o fato ao Procurador-Geral da Justiça e este. 185 do CPP.

em razões de recurso. assim o impõe. 331/302). deveria. pro­ ver à regularidade do processo. então. § 16. 251 do estatuto processual penal. Da mesma forma que a presença do Defensor. ainda é preciso distinguir: a) tratando-se de ação penal pública intentada pela parte ofendida (ação privada subsidiária da pública). cabe-lhe. da Constituição Federal” (RT. Hoje. 129. malgrado as providências que podem ser tomadas.625. a menos que se demonstre prejuízo para a Acusação. 572. não havia maiores problemas. é indispensável. colhidos em Nulidades no processo penai de Paulo Sérgio Leite Fernandes (Revista dos Tribunais. consa­ grado pela Constituição Federal. não mais se admite o Promotor ad hoc (cf. quando. pois. pois. § 2a). III. da Lei Orgânica Nacional do Ministério Público — Lei n. Mas.substituição automática. como já vimos. 153. n. de 12-2-1993. tomar aquela providência. 26. que a ausência do Ministério Público em todos os termos da ação penal por ele intentada gera uma nulidade insanável. Nada obsta que o Juiz proclame a nulidade. tal como dispõe o art. do Cód. art. Sua ausência na instrução criminal toma nulos os atos praticados. Não o fazendo. a nulidade será sanável. O princípio do contraditório. onde não houvesse um Ministério Público bem estruturado e com número suficiente de Promotores. E o art. realizar-se o ato na sua ausência. p. haven­ do imprescindível necessidade. 564. nos termos do art. Penal estatui que a falta do Minis­ tério Público a qualquer dos atos a que deva comparecer constitui nulidade insanável” (RT. de Proc . “A presença do Ministério Público em todos os atos do processo é obrigatória. a regra do 152 . como deveria pro­ ceder o Magistrado? Cumprindo-lhe prover à regularidade do processo. clamá-la. bem demonstram a importância do problema: “Sendo o Ministério Público paite na relação processual. 445/440). contudo. 99 e 100). Se. Estes arestos. Claro. em outros Estados da Federação. poderá o próprio Mi­ nistério Público. sem dúvida. 8. também o é a do Ministério Público. uma vez que violenta princípio constitucional. parágrafo único. porque fere o princípio constitucional previsto no art. em todos os termos do processo. observando não haver concorrido para a nulidade. art. 1976. d. é indeclinável a sua assistência aos termos da ação penal.. e ÇF.

e os prazos concedidos à acusação e à defesa. 572 está assim redigido: “As nuiidades previstas no art. O primeiro ser explicitado. 564”. a nuiidade é insanável. as aposições “letras d e e” vêm explicitadas por uma aposição “segunda parte”. IV”. v. IV”. HT\ Este. Comentários.) art. 564” — adjunto marcado pela preposição locativa em — uma série de apostos. à letra e. n„ 1. Espínola Filho é desse entendimento. apenas. segunda parte. pois reconhece a sanabilidade. É bem verdade que o art. letras d e e . o seu interrogatório. Código. 564. 572. quando presente. “g e hn e “n. como nos ensina Mattoso Câmara Jr. g e h. Logo o aposto “segun­ da parte” refere-se a ambas as letras. do seu interrogatório. restritiva delas. expli­ citando-o. J . p. ed..) ) ) j ) ) ) ] ) } ^ ) ) / ) ) ) ' ) ) . O aposto. Sem razão. Fiorêncio de Abreu (cf. parecendo. Dicionário de filosofia e gramática. EU”. 74). “letras d z e. Do exame do art. o aposto fica entre duas pausas e na escrita entre duas virgulas” (cf. o aposto é uma seqüência que diz respeito a um ser.166). assim. que a expressão segunda parte faz alusão. se a frase continua depois dele. Rio de Janeiro. p. 5. O legislador fez seguir a um adjunto adverbial de localização “no art. refere-se tanto à letra d como à letra e. “ g e H” e “n. v. é o adjunto adverbial “no art.. Ozon Ed. na hipótese da letra d (cf. segunda parte”. IV.. data venia. cit. que sofre uma explicitação restritiva: “n. cit. 4 . b) tratando-se de ação penai pública intentada pelo Ministério Público. 453. é explicitado restritivamente pelas aposições “letras d e e”. 563 se sobrepõe à do art. 5. também. considerar-se-ão sanadas:. e dos prazos concedidos à Acusação e à Defesa E) A citação do réu para ver-se processar.572 se depreende que a expressão segunda parte.”. n.. 150. n. in casu. 79-80). como as expressões “n. 16. por sua vez. Assim. A falta de citação do réu. contida no texto. O que nos leva a tal resultado semântico é a própria gramática do texto. E continua o mestre: “O aposto se separa do elemento a que se opõe por uma pausa inconclusa que na escrita se indica por vírgula. p.. quando presente. é um substantivo ou locução substantiva que ao lado de outro ou de outra tem a mesma função sintática e se reporta ao mesmo ser.Fere-se preceito constitucional: ausência do contraditório. Então. e n. III... No mesmo sentido. ) j J ) j .

do estatuto processual penal. expedido o mandado citatório. 351 e s. mas. Cita-se o réu por uma daquelas maneiras referidas nos arts. deve o réu ser citado. antes de ser citado. agora. do CPP Diga-se o mesmo se o réu não for notificado para qualquer ato do processo» Se este já se realizou. anula-se. aí. 573. e comparecer em juízo para arguir aquele vício? Cumprirá ao Juiz proceder ao interrogatório. também. o réu vier a saber que a denúncia contra ele foi recebida e rejeitada a sua resposta. e depois se verificar que o Serventuário o procurou em outro endereço que não aquele declinado pelo réu. Se vai ser realizado. § Ia. Esta. por qualquer circunstância.Ainda em decorrência do princípio do contraditório. é o ato pelo qual se dá conhecimento ao sujeito passivo da pretensão punitiva de que a ação penal contra ele intentada foi recebida e. aplicando-se a regra do art. pelo que se infere dos arts. é chamado a comparecer à audiência para ver-se pro­ cessar e ser ouvido. corrigida a imperfeição do ato. profundamente ligado à ampla defesa. ou. uma notificação para comparecer em juízo. anulam-se os atos já realizados e se procede conforme expusemos. o ato por meio do qual se leva ao conhecimento do réu ter sido recebida a denúncia ou a queixa contra ele E assim é porque atualmente. especiais ou comum. o réu toma conhecimento da acusação. 570. Melhor até seria dizer que a citação é o ato de comunicação mais importante do processo. notificado o réu para se defender. sim. com ciência do acusado. quando ouvido na Polícia. assim. no Processo Penal. 396 a 399. mercê de uma notificação Na hipótese de ser rechaçada a defesa. nos termos do art. Se o Magistrado já deu início à instrução.. se o Juiz receber a peça acusatória. então. o Oficial de Justiça lançar o clássico “certifico e dou fé que o réu está em lugar incerto e não sabido”.. evidente que não fez a citação. ao mesmo tempo. previstos ou não no CPP. porventura. o comparecimento do réu supre a ausência de notificação Assim também 154 . designar data para a realização do ato. A citação. ou se houver nulidade desta. O princípio do audiatur et alterapars é intangível. Se. em todos os procedimentos. Ela envolve. A falta de citação induz nulidade absoluta. fican­ do. no Processo Penal. proposta a ação. será a denúncia ou queixa recebida e o réu citado E se o réu não for citado. a fim de ser in­ terrogado em dia e hora consignados no mandado de citação . é o ato processual pelo qual se dá notícia ao réu de que a denúncia ou queixa foi recebida.

RTJ. se houver). Defesa e Acusação e assistente. deve o Magistrado realizar a audiência. 222. Bem sabemos que. fazer-se expedir precatória para ouvida de vítima e testemunhas As vezes. nos termos do art. 65/655. Por que relativa? Expedida a precatória. à intimação da expedição da preca­ tória. Muitas vezes. o Advogado comparece ao Fórum e. É muito comum. Não o fa­ zendo.. por acaso. Caso contrário.. Se. 63/776. porquanto fere profundamente a ampla defesa. observa que o Juiz está ouvindo. o Juiz limita-se a fazer intimar da expedição da precatória. ou não. sejam as partes devidamente cientificadas da expedição de precatória Se não o forem. É preciso.. ainda.. não lhe era possível formular reperguntas convinháveis à Defesa.. Nem por isso.quando se tratar de ausência ou nulidade das notificações e intimações às partes. Vejam-se. sem um estudo meticuloso dos autos. o juízo deprecado oficia ao juízo deprecante salientando haver designado tal dia e tal hora para a realização do ato. o entendimento dominante (ainda que lesivo à defesa) é no sentido de se proceder. E perguntamos: e quando o Juiz deprecado oficia ao deprecante dando-lhe conhecimen­ to acerca do dia e hora para a ouvida da testemunha deprecada? Faz sentido o Juiz deprecante não determinar a intimação das partes? Contudo. Claro que o seu comparecimento supre a falta daquele termo. ou vai ouvir alguma testemunha ar­ rolada num processo cujo patrocínio lhe cabe. haverá nulidade. para que se evitem nulidades. evidente que a não intimação do despacho que ordenou a expedição da carta não induz nulidade. cumpre ao Juiz ob­ servar a segunda parte do art. evidente que a nulidade aí é absoluta.. Idem. Recebendo o juízo deprecante ofício do deprecado com a notícia da designação de dia e hora para a audiência 155 . 570 do estatuto processual penal. Por isso mesmo. são várias precatórias. apenas. surpreso. Nesse caso. deve o Magistrado ter o cuidado de observai se as pessoas que devam estar presentes à prática de determinado ato processual foram. como bem se expressa a Súmula 155 . cumpre ao juízo deprecante dar ciência às partes (réu. Ele não foi notificado. É assim que entendemos a Súmula 155. de regra. Fazendo-o. a nulidade é relativa. contudo. num processo penal. devidamente notificadas. a menos que o Advogado a tanto não se oponha. em se tratando da parte acusadora. não se fizer a intimação da expedição da precatória e tampouco a relativa à data da ouvida da testemunha de fora. E por uma razão muito simples: a parte poderá alegar que.

para evitai' eventual inversão de prova. da fotografia do acusado. encaminhando-lhe diretamente os informes e perguntas que deseja sejam feitas à pessoa a ser inquirida”. e. 222 do CPP). determinar simplesmente: “Ciência às partes”. conforme o preceito sumular citado. para o Colendo Superior Tribunal de Justiça. tão logo receba ofício do Juízo depreca­ do. são suficientes para que se respeite o principio da ampla defesa. se for necessário o reconhecimento. Com o respeito que essa Alta Corte de Justiça merece. ainda. bem como sua instrução com cópia da denúncia e das declarações prestadas na Polícia. torna-se desnecessária intimação da data da audiência no juízo deprecado”. inclusive. no seu art.. E a tal ponto chegou esse entendimento que o STJ dispôs na Súmula 273: “Intimada a de­ fesa da expedição da carta precatória. dia e hora a testemunha vai ser ouvida. manifesto o absurdo. A omissão dessa intimação violenta a ampla defesa.. não faz sentido a Defesa não saber em que Vara. § 3Q: “Art.. 55. A intimação que se faz da expedição de precatória é apenas para que as partes saibam que a precatória foi expedida. dentre as recomendações feitas aos Promotores de Justiça.. Essas três palavras. e. No Ato n. ao receber ofício do Juízo deprecado. 55 No requerimento de expedição de carta precatória para inquirição de vítima e testemunha.da testemunha. A ciência é só para ele e para o Ministério Público. não tem aquele o dever de comunicar à Defesa.. contatar o membro do Ministério Público oficiante no Juízo deprecado. Se o membro do Ministério Público fica sabendo qual o Juízo deprecado paia encaminhar reperguntas ao seu colega. e não para comparecer à audiência. requerer a fixação de prazo para cumprimento. repetisse aquelas três palavras: “Ciência às partes”. E para que o juízo deprecado comunica ao deprecante quanto ao dia e hora da oitiva da testemunha? Certamente para que este faça as comunicações às partes. Expedida carta precatória de Bagé para Porto Alegre. U ) § 32 Quando se tr atar de casos complexos. 156 . quando da expedição da precatória (art. consta. Este prin­ cípio seria respeitado se o Juiz deprecante.. 168/98 do Procurador-Geral de Justiça e Corregedor-Geral de Justiça do Estado de São Paulo. não faz sentido não possa o Juízo deprecante. informando-lhe sobre a data da audiência para ouvir a tes­ temunha.

Ao lado da defesa técnica. que a Excelsa Corte está se inclinando para tal entendimento. mantido era cárcere e não pode ver assegurada a plenitude de sua defesa” (cf. RT. a despeito de notificado. endossa o ensinamento de Bento de Faria (cf. comparecer? Se o quiser. 46/653. a hipótese de o ato praticado na ausência do réu não haver exercido nenhuma influência no decreto condenatório (cf RTJ. 22-2-1974. que. se o não comparecimento a qualquer ato do processo. produz a revelia. contudo. constituído ou nomeado. 367. por ele próprio. Código. sempre que necessário. E se ele estiver preso? Bento de Faria professa: “Se estiver preso e não for possível ou conveniente o seu transporte para ali. 4534. 1942. Espínola Filho. cit. confiada a profissional habilitado. 391/301 e. Sem embargo da opinião majoritária. então. como quer a Constituição. Vejam-se. Nulo. a inquirição deverá ser assistida pelo defensor. e apto para frustrar possíveis evasões. v„ 3.. Código. Não se concebe ampla defesa. Mas sua desatenção implicará revelia.. DJU. Parece. 278). Ora. 422/281). 134). não comparecer no local da diligência. lhe deverá ser nomeado ad hoc (cf. inclusive. Claro que a nomeação de Defensor ad hoc somente se admite se o Defensor. o proce­ dimento do mesmo Estado contra quem se encontra. apenas. por seu turno. 1. c it. de uma comarca para outra. Notificado deve­ rá ser. entendemos ser indispensável o comparecimento do-réu preso à audiência de instrução. no meu entender. Incensurável o venerando acórdão da 3a Câmara do extinto Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo: “O Estado deve estar preparado para movimentar os réus. 435/381. RTJ. 455/416. Na jurisprudência. 8-6-1979. p„ 896. p.O réu deverá. 157 . também. já proclamou a Suprema Corte. 429/381. 9-3-1979. p. p. na qual. por meio da presença do acusado aos atos processuais. 1585. neste sentido. o pronunciamento do Excelso Pretório no DJU. DJU. p. v. RTJ.. nos termos do art. vejam-se: RT. Se estiver em liberdade. mui­ tas vezes. 67/85. castrando-se o direito do réu de comparecer à audiência. ressalvando. Testis non libere contra presentem testificarei. desde que devidamente notificado. existe a denomi­ nada autodefesa. é sinal de que o legislador julgou de suma importância a sua presença nos atos instrutórios. poderá orientar seu Defensor.. no que tange à contradita e à formulação de certas reperguntas. comparecerá se quiser. 63/776. 84/95).

Poderá o Tribunal. e os prazos concedidos à acusacão e à defesa” . entendimento no sentido de que a falta do interrogatório estando o réu presente implica nuiidade absoluta (RTJ> 71/29 e RT. ha­ vendo apelação. por outro lado. o art. tem o sentido de ato ou elemento de oração. De fato a expressão “termo”. e. e não à segun­ da parte. o processo ainda está em curso.. Convém lembrar. Mesmo após decreto condenatório. inclusive do Excelso Pretório. é no sentido de que a não realização do interrogatório implica nuiidade relativa. deverá o Magistrado ouvi-lo. antes de os autos subirem à instância superior. o seu interrogatório. “e os prazos concedidos. m . não se trata de novo interrogatório. todavia. aí. contudo. O entendimento majoritário. o interrogatório seria o segundo termo.. 564. ainda que se lhe tenha decretado a revelia. no corpo da alínea e do referido inciso. a nuiidade sanável é a pertinente aos prazos. Há. proceder a novo interrogatório. presente o réu. Ora. inclusive por meio de carta de ordem.Nuiidade também haverá se. 572 do CPP faz referência. o dever de proceder ao interrogatório é do próprio Tribunal.. querendo. desse modo. <?. consoante a regra do a rt 616 do CPP Evidente o equívoco. Assim. A nuiidade absoluta ocorrerá se não forem observados 158 . não se proceda ao interrogatório.. “seu interrogatório. àque­ la prevista no art.. Se entendermos que a expressão “segunda parte” está em lugar de “segundo termo”. Contudo é bem provável que o legislador houvesse se expressado mal É possível que ele quisesse referir-se ao segundo termo daquela oração. e. que a ausência do interrogatório do réu presente induz nuiidade. Na hipótese en­ focada. nesse caso. quando presente” (segundo termo ou segundo elemento da oração). O interrogatório é peça importan­ tíssima. Parece que. Nesse sentido já se pro­ nunciou o STF {R77. quando presente. 572.. 73/758). 667/288). A conjunção aditiva “e”. dá a entender que a segunda parte diz respeito aos prazos concedidos à acusação e à defesa. 564: “A nuiidade ocorrerá nos seguintes casos: m — por falta das fórmulas ou termos seguintes: é) a citação do réu para ver-se processar. “segunda parte” Qual é essa “segunda parte”? Diz o art. entre outras. nesse caso. Sanável ou insanável? Cuidando das nulidades sanáveis.” (terceiro termo e terceiro elemento da oração). se considerarmos correta a expressão “segunda parte” contida no art. sanável será a falta do interrogatório. se apelar. preso o réu. mas sim deste. é como se disses­ se: “a nuiidade ocorrerá por falta das fórmulas ou termos seguintes: e) a citação do réu para ver-se processar” (primeiro termo ou primeiro elemento da oração).

cit.os prazos para a Acusação e a Defesa. 88. ambos do CPP. n. 17. A pronúncia é o ato processual pelo qual o Magistrado julga procedente o jus accusationis. se não declarar o dispositivo em que julgar incurso o réu. Desse modo. v. Idem. se houver um encurtamento deles. Assim. e entrega da respectiva cópia F) A sentença de pronúncia.. a teor do art. v. c/c o art 572.. está com o mestre Florêncio. cremos. 5. III do art. E nulidade também haverá pela “falta dos prazos concedidos à acusação e à defesa”. 5. 572 do CPP (Código. A falta de pronúncia. Comentários. com o rol de testemunhas. uma vez que a segunda parte da letra e do inc. Evidente que. 29 do CPP. ainda. podemos afirmar que a alínea/ diz respei­ to apenas à pronúncia. tomando admissível o direito de o órgão do Ministério Público ou o querelante. E acrescentamos: Espínola Filho ensina que a nulidade atinente à não concessão de prazos à Acu­ sação e Defesa ou mesmo o encurtamento deles implica nulidade ab­ soluta. procurando ajustar o Código à nova lei. 564 é representada pela expressão “e os prazos concedidos à acusação e à defesa” (cf. EU é o interrogatório. p. A Lei n.170).. num processo da competência do Júri. p 458. se não hou­ ver decisão de pronúncia. Nula é a pronúncia que não contenha ou o relatório ou a motivação. se o Juiz não concede prazo para a “resposta do réu”. Já Florêncio de Abreu afirma tratar-se de nulida­ de sanável. 564. se determina que os debates. Já fizemos observações a respeito. Pelo que se infere do art. 37). cit. a nulidade é absoluta. HI. se restringe o tempo para os debates na sessão do Júri etc. E a razão. o libelo e a entrega da res­ pectiva cópia. na dicção do art. Nuli­ dade ainda se o convencimento do Juiz a respeito do fato e dos indícios 159 . ou faculta fazê-la em um dia. fazendo-o nos limites delimitados na pronúncia. 11.. na audiência de instrução e julgamento. se não concedido o prazo.689/2008 aboliu o libelo. Melhormente. 572 do CPP. nos processos pe­ rante o Tribunal do Júri. acusar no plenário do Júri. na hipótese do art. firam-se no prazo de 5 minutos para cada uma das partes. libelo. e. 1. não haverá julgamento. e. o que demonstra que no seu entender a segunda parte da letra e do inc . n.

em dois casos não era possível o julgamento à revelia: na hipótese do art. mesmo porque. consoante dispõe o art. também não poderá haver julgamento. 457. do CPP.. o julgamento será adiado para o primeiro dia desimpedido da mesma reunião periódica. não acudir ao chamamento nem constituir Advogado. Se não for con­ duzido. nos termos estabelecidos pela lei. se o for e não comparecer. pelo Tribunal do Júri. 19. pouco importa seja o crime da competência do Júri afiançável ou inafiançável. 366 e quando o crime que devesse ser julgado pelo Tribunal do Júri fosse inafiançável. a menos que em requerimento assinado por ele e pelo seu Defensor. ou não. 366 do diploma processual penal. ao falar em revelia. aqui. a contrariedade. com melhor razão deverá estar presente. estamos nos referindo à hipótese prevista no art. deverá ser intimado. a nova lei determinou que as testemunhas que devam 160 . Hoje. quando entrou em vigor a Lei n„ 11. Mas. Não comparecendo. 411 do CPP não estiver funda­ mentado» Fundamentadamente. se o réu for cita­ do por edital. Se estiver solto. 18. Evidente que. Outra correção: não mais havendo libelo e.689/2008. quando não puder ser julgado à revelia G) A intimação do réu para a sessão de julgamento.suficientes de autoria exigido peio art. seja formulado pedido de dispensa. Nulidade também haverá se não houver a parte autenticativa. Se estiver preso. o julgamento afeto ao Juiz singular ou ao Tribunal leigo. pouco importando esteja. dirigido ao Juiz-Presidente. o julgamento será realizado. 367 do CPP. imotivadamente. pouco importando se o crime é ou não inafiançável. quando a lei não permitir o julgamento à revelia„ Em que hipótese o Código não permite o julgamento à revelia? Até agosto de 2008. exige a lei. A falta de intimação das testemunhas arroladas no libelo e na contrariedade H) A intimação das testemunhas arroladas no libelo e na contrariedade. o réu será jul­ gado à revelia. lógico. A falta de intimação do réu para a sessão de julgamento. § 2a. de conseqüência. tal como dispõe o art.

. Em sentido contrário. consoante dispõe o art. entretanto. declarou seu correto endereço. sem prejuízo da multa de 1 a 10 salários mínimos. dissentimos do venerando acórdão. pia deve ser notificada por precatória — ou até mesmo por roga­ tória. Data venia. 436. 458 c/c o § 22 do art.. com observância. e seria um contrassenso sem nome obrigasse a Justiça àquela testemunha que fizesse emprés­ timo bancário para atender a interesse que. Nem poderá ser ouvida onde residir. devem as testemunhas ar­ roladas pela Acusação e Defesa ser devidamente notificadas* As teste­ munhas da terra serão notificadas por mandado. não só por lhe faltar competência. Se a testemunha deve depor em plenário do Júri. também. ale­ gando sua imprescindibilidade.. deverá o Juiz. muitas vezes. se forem funcionários públicos.. suspender os trabalhos e determinar-lhe a condução . ao arrolá-la. não comparecer. A Justiça não pode exigir tamanho sacrifício da testemu­ nha. 358... com a sua nova redação. 422 do CPP. dia e hora da sessão do júri. 422. Se quiser depor. mediante requi­ sição. não tem ela o dever jurídico de comparecer. mesmo porque os jurados podem querer fázer-lhe reperguntas. veja-se RT.. a testemunha não dispõe de numerário para se locomover. 359. se quiser. se militares. da regra contida no art. na realidade. não poderá o Juiz determinar-lhe a condução coercitiva. 464/349 .. as testemunhas não têm o dever de comparecer. não se concebe possa ela ser ouvida por precatória. Preparado o processo para o julgamento pelo Tribunal do Júri. sem embargo de ter sido intimada. Notificada deve ser. Nada de expedição de precatória. residente na comarca. se for o caso. em face do que dispõe o art. Fá-lo-á. não é seu. porquanto os jurados ficariam impossibilitados de fazer-ihe reperguntas. a testemunha residir na própria comarca. Se. como também pela circunstância de que. naquele prazo de 5 dias a que se refere o art. deverá comparecer na sede do juízo onde tramita o processo. Poder-se-á determinar a expedição a fim de que a testemunha saiba o local. na opor­ tunidade do art. restará ao Juiz-Presidente determinar a extração das necessárias peças do processo e encaminhá-las ao Minis­ tério Público objetivando a propositura da ação penal pelo crime de desobediência. Se não atender ao chamamento. nos termos do art. até o máximo de 5 para cada uma das partes. todos do CPP.depor em plenário sejam arroladas. se residentes fora da comarca.. e a parte. designado o dia para a abertura da reunião. 222 do CPP. Contudo. se estiverem presas. Se. em face do seu não comparecimento.

após determinar a notificação do órgão do Ministério Público. e de 7 jurados. cada um deles receberá também informações sobre o exercício dessa função. do CPP. 7 ou 10. uma a uma. com maiores razões. porventura. Ora. e ao mesmo tempo mandará afixar no átrio do Fórum os nomes de todos os 25 jurados convocados. sob as penas da lei. e coram populo. o Juiz-Presidente. do representante da OAB. digamos. § 2-. a qual ficará sob sua responsabilidade. forem excluídos por 162 . se comparecem 21 e. instalar-se-á a sessão. abrirá a uma contendo as cédulas com os nomes dos jurados recrutados para as reuniões de todo o ano e dela retirará. com antecedên­ cia de 10 a 15 dias. 1 í T~ ü a Sabe-se que o Tribunal do Júri é formado de um Juiz. e assim o certi­ ficar o Oficial de Justiça. obviamente não poderão ser iniciados os trabalhos: o número mínimo é 15 . 461 e parágrafos do CPP) Se a testemunha. em seguida. se comparecerem apenas 14 jurados. Quando da convocação dos jurados.. destes. o processo estará nulo» Se. tiver condições de comparecer ao Tribunal popular. deposita-as noutra urna. já agora bem menor. * 20. Mas.. se a testemunha não for encontrada no local indicado.i vü l coercitiva ou adiar o julgamento para o primeiro dia desimpedido. 436 a 446 do CPP. e da Defensoria. O que não se concebe é exigir-lhe sacrifício. Enfim: a transcrição dos arts. isenções e sanções. 7 forem excluídos por impedimento. No dia e hora previamente designados para instalar a sessão de abertura da reunião. E a razão é lógica: comparecendo 15. além do dia. Se o forem. deve fazê-lo. mesmo morando fora. o nome do acusado e os dos procuradores da parte. Feito isso determinará sejam todos eles convocados. hora e local das sessões de instrução e julgamento.. destes. Incompatibilidade. A falta de “quorum” para a instalação da sessão do Júri } ) I) A presença pelo menos de 15 jurados para a constitui­ ção do Júri 3 j} 1 i1 v j . desses 15 não podem ser recusados 6? E assim mesmo a sessão não será instalada? Logo. a comparecer no dia e hora designados para a instalação da reunião periódica. instalar-se-á a sessão. comparecerem 21 e. tal como determina o art 463. fechando-a à chave. suspeição ou recusa peremptória. restando apenas 14. sem maiores sacrifícios. Antes de cada reunião periódica. realizar-se-á o julgamento (art. suas vantagens. 25 cédulas. que o preside.

para o perfazimento do número previsto em lei: 25 .impedimento ou recusa legal. Melhor seria que o legislador pátrio. cumpre ao Juiz abrir a urna e verificar se ali estão as 25 cédulas perti­ nentes aos jurados. sur la liste annuelle. se. caso não compareçam 25 jurados. determinasse o sorteio dos suplentes. fazer a advertência a que se referem os arts. vale 163 . número legal para a constituição do Conselho de Sentença. Após resolver os problemas atinentes aos pedidos de dispensa.9 forem excluídos por impedimento ou recusa. sorteio dos jurados do Conselho de Sentença em número legal e sua incomunicabilidade. no mesmo dia em que fizesse o sorteio dos jurados. les noms de vingt-sept jurés qui forment la liste de la session. proceder ao sorteio de tantos jurados suplentes quantos forem os ausentes. daqueles 15. instaiar-se-á também. O sorteio. caput. antes de proceder ao sorteio de 7 jurados. dans la ville oü il n’y a pas de cour d’appel. 266. siège de la cour d’assises. sem necessidade da convocação de suplentes. cumpre ao Juiz. Convém frisar que. Nesse caso. e § 22. en autre. Trente jours au moins avant Touverture des assises. II tire. le premier président de la cour d’appel ou le président du tribunal. tire au sort. se na reunião do Júri houver mais de um processo para julgamento. instalar-se-á a sessão. ò Juiz coloca na uma as cédulas respectivas. Se houver um só processo. já presentes as partes. em número razoável. declara instalada a sessão e anuncia qual o proces­ so que irá a julgamento. A seguir.. A falta de sorteio dos jurados do Conselho de Sentença em número legal e sua incomunicabilidade J) O. todos do CPP. les noms de six jurés sup~ pléants sur la liste spéciale Anteriormente o prazo era de 15 dias Contudo. a Lei francesa n. e desde que compareçam 15 jurados. aumentou-o para 30. 78-788. 266 do Code de Procédure Pénale. cumpre ao Juiz. A propósito. cremos deva o Juiz proceder ao sorteio de 10 jurados suplentes. o preceito francês: “Art. e 449. à maneira do que dispõe o art. en audience publique. Entretanto. de 28-7-1978. determinando ao escrivão proceda à chamada deles Comparecendo apenas 15 (número legal). 21. 448.. não será realizado o julgamento.

próximo ao Juiz ou próximo às partes. não se pode saber se falam sobre o processo ou não. sua autoria. nos autos. não haverá nenhuma nuiidade. sobre circunstâncias que podem abrandar ou agravar a pena. A falta de quesitos e das respectivas respostas K) Os quesitos e as respectivas respostas. não haveria. 571/422. nos termos do § 2~ do art. São fontes da quesitação a pronúncia. do CPP. se conversarem em tom normal de voz. levando em consideração a sua condição econômica. Comentários. pois. sem dar os motivos da recusa. Entretanto.enfatizar. ou de Julgamen­ to. Qualquer dúvida que assalte o espírito do jurado poderá ser dis­ sipada pelo Juiz-Presidente.. sob pena de exclusão do Conselho e multa de 1 a 10 salários mínimos.. Não é que não possam. Evidente. como não há.. eventualmente. Antes da constituição do Conselho de Sentença. será lavrado um termo de incomunicabilidade. Não o havendo. depois dela. uma vez sorteados e aceitos. A propósito. à vista dos autos. nada de mais. surgirá a nuiidade* Para que fique memória.. incompatibi­ lidades e impedimentos. cumpre ao Presidente advertir os jurados de que. urge a juntada daquele documento . se o réu deve ser absolvido e. e a Defesa e. não houver número legal para integrar o Conselho de Sentença. o interroga­ 164 . § 22. Em sentido contrário.. se em razão das recusas. À proporção que a cédula for reti­ rada da uma. Sendo matéria estranha ao processo. é feito pelo próprio Juiz. veja-se Florêacio de Abreu. c it. Mesmo que se trate de assunto estranho ao processo. sobre assunto diverso. 480 do CPP Findo o julgamento. RT. assinado pelo Juiz e pelos Oficiais de Justiça e subs­ crito pelo escrivão. o que é normal em atos solenes como o julgamento pelo Tribunal leigo. como quer Tornaghi. 22. não poderão comunicar-se com outrem nem manifestai opinião sobre o processo. Ocorre que. não podem os jurados comunicar-se com outrem. estando eles a conversar em voz baixa. que. 5. 98. p. Quesitos são perguntas que o Juiz-Presidente faz ao Conselho de Sentença a respeito do fato criminoso. v. de que a formalidade foi cumprida. o Juiz a lerá. até 3 cada uma. o Juiz sorteará tantos jurados quantos necessá­ rios até atingir o número legal (25) e designará a sessão paia o primei­ ro dia desimpedido. nos termos do art 461. a Acusação po­ derão recusar os jurados sorteados..

o Juiz já os formula antes mesmo do início da sessão. formula o Juiz a seguinte indagação: “O réu deve ser absolvido?”. e não vem fixada dentro de de­ terminados limites. Do contrário. também. Após o interrogatório e de­ bates. os quesitos formulados. Nessa oportunidade. nos termos do art. concurso formal ou material. como ocorre no homicídio). se a pronúncia fala em homicídio simples. Essas questões. o Juiz procede à leitura dos quesitos. podem ser levadas em consideração quando da prolação da sentença pelo Juiz^Presidente. ainda que a pena seja menor E não 165 . na pronúncia.. DJU.tório do réu e as teses sustentadas durante os debates. em plenário. as de especial aumento ou qualificadoras. por último. dês que pre­ vistas na pronúncia. e já na sala secreta. se as respostas forem positivas. quanto aos quesitos que têm a sua fonte na pronúncia. Também não pode a Acusação. Por primeiro o relativo à materialidade do fato (pode este ser desdobrado. se alegadas nos debates. Vejam-se. Quesitos complexos ou em linguagem rebuscada podem gerar-lhes complexidade no espirito. agravantes. explicando o significado de todos eles. R7\ 427/368. o Juiz-Presidente. está demarcada a acusação. Se por 4 a 3 a res­ posta for positiva. De sorte que. em plenário. A propósito. vai submetendo à votação. Não haverá quesitos sobre atenuantes. se. esta não poderá ser inovada em plenário. em seguida o pertinente à autoria. desclassificação de crime e. exatamente para que os jurados compreendam-lhes o alcance. é mais que evidente não poder o representante do Ministério Público. p 8616. Devem ser formulados em proposições simples. submetendo-o à apreciação das partes. podem ser formulados os quesitos que versam sobre causas de diminuição de pena. continuidade delitiva. o Juiz completa o questionário. estará o réu absolvido. Normalmente..28 L Por outro lado. encerra-se a votação. discordar da qualifica­ ção do crime feita na pronúncia e requerer a formulação de quesitos sobre outra modalidade criminosa. Se negativos.. Tratando-se de qualificadora. onde haverá o julgamento. Em seguida. explicando novamente o significado de cada um deles. um a um.. 484 do CPP„ Não havendo qualquer restrição (e se houver o Juiz-Presidente procura solucionar). tal como acontece com as causas de especial au­ mento. A qualificadora desloca o tipo do seu modo simples para o especial ou qualificado. estará conde­ nado. e Habeas Corpus n. a pena já vem esta­ belecida no próprio dispositivo legal. 19-11-1979. 57. articular circunstância qualificadora.

com manifesta deslealdade processual (cf.. b) causaria sur­ presa à Defesa. como porque ficaria invertida a ordem natural do processo (cf.” (cf. O júri. p. que represente oferta de tipo penal. 45/384). do crime de lesão corporal seguida de morte.. O júri. IV do art. até concordar1com alguns. ou todos. nos debates. aplaudindo-a. nos termos em que a colocou a Magna Carta. não pode o representante do Ministério Público requerer ao Juiz seja formulado quesito sobre a existência de um homicídio culposo. haja no processo o questionário submetido à apreciação do Júri e as respectivas respostas. sob pena de nulidade. o que não se concebe. E. 166 . do crime de homicídio culposo.... não há qualquer proibição.. se a Defesa o requerer. porque baseada no libe­ lo (agora. Revista dos Tribunais. 100). cit. embora evidenciados no plenário. descabe à acusação a iniciativa pelo questionamento do homicídio privilegiado. pronúncia). como é óbvio.. ou de figura a este adesiva.. p.. cit. nada obsta que a Acusação a secunde. p. 209-10).. órgão do Ministério Público .pode por dois motivos: a) se assim procedesse.. A lei exige. Poderá o Promo­ tor. assim. a própria lei permite que. Muito ao contrário Sobre ser plena. delitos diversos daquele que é especificado no libelo (hoje. Assim.. contudo. ela invoque circunstância que por lei isente de pena ou exclua o crime. tal como previsto no inc. devera ser observadas as formalidades na elaboração do questionário e das respostas. com maioria de razão. não só porque seria surpresa ao réu. A ausência de um ou outro induz nulidade. professa: “0 acu­ sador só deve discutir o crime mencionado no libelo (agora. estaria agindo em desconformidade com a pronuncia. 191). na pronún­ cia) porque sobre esse crime foram apuradas as provas e o réu preparou a defesa. RTJ. então separadas da postulação subordinada à fase do judicium accusationis e da classificação pela pronúncia homologada.Não poderá. Quanto à Defesa. não comporta a adoção de fórmulas inovatórias. pretender a formulação de quesito qualquer. pronúncia). de iniciativa da defesa. Entretanto. Por isso mesmo. A iniciativa. irrepreensível o magistério de Hermínio Marques Porto: “A acusação do Promotor em plenário. 564. falando sobre os quesitos acusativos. etc. ou o~desclassifique. fora da classificação homologada. 1973. não pode partir dele. por atenção também ao direito de defesa. O júri. sem a iniciativa de quesitos (grifo nosso). Whitaker. No particular.” (cf. não podem constituir objeto de quesitos.

Note-se que os jurados respondem aos quesitos deposi­ tando no receptáculo que lhes exibe o Oficial de Justiça a cédula res­ pectiva: sim ou não.. sendo ambos pronunciados. além do coato deve haver o coator. 22) o pertinente à autoria. A inversão dessa ordem induz nuiidade. se no quesito for feita referência ao coator. pelo que é nulo o julgamento pelo júri em que o questionário não faz referência à figura do coator” (cf RT. 4a) se o 3" quesito for respondido negativa­ mente. o coator. quando. 415 do CPP.que não se con­ sumou por circunstâncias alheias à sua vontade?”.. entretanto. se se trata de coação irresistível. deve ter pro­ nunciado. então.. ainda. Mas. que o parágrafo único do art 564 erige. se. RT.Há julgados. o Juiz formulará o quesito sobre causas de diminuição de pena arguida pela Defesa. no primeiro quesito. 167 .. e por último sobre eventuais causas de especial aumento ou qualificadoras previstas na pronúncia.. numa tentativa de homicídio. também. complementá-lo: “. natural que o Juiz-Presidente for­ mule os quesitos com simplicidade. combinado com o art. para que se evite perplexidade. obviamente as respostas dos jurados terão o mesmo vício. cumpre ao Juiz repetir a votação. à categoria de nuiidade a deficiência dos quesitos ou das suas respostas e contradição entre estas. o Juiz indagará sobre a materialidade. também. em face da deficiência do quesito e da resposta. o Juiz apenas indagar: “O réu deu início à exe­ cução de um crime de homicídio?” Evidente que. Entende-se que. 22 do CP. Sendo assim. 372/158. “A coação irresistível pressupõe a existência de coator para quem se transfere a responsabilidade criminal. somente o coator seria pronunciado. Se o Juiz pronunciou o coato. pois.Os quesitos devem ser formulados na ordem prevista em lei: Ia) sobre a materialidade... 393/376). Havendo contradição. num exemplo grosseiro. o segundo será sobre a autoria. estará o Júri julgando o coato e o coator. nos termos do art. 393/376). sem que aquele houvesse sido sequer pronunciado. para que se ausculte a verdadeira vontade dos jurados Se houver deficiência na formulação do quesito. Assim. convenhamos... Assim. Não se deve deslembrar.. era face da maneira como respondem. qualquer que seja a resposta dos jurados. Os quesitos devem ser formulados com clareza. em sentido diverso (cf . o julgamento é nulo. Urge. evidente que. A menos que a coação irresistível esteja estreme de dúvida. 3-) indagará o Juiz se o réu deve ser absolvido.

Parece. haverá nulidade (cf. O futuro dirá.. também. 385). mesmo contra a sua consciência. o quesito deverá ser formulado tal como expusemos. devem ser formulados os seguintes quesitos: “o réu praticou o fato impelido por terceira pessoa?”. Como poderia o Acusador demonstrar a responsabilidade penal do réu se convencido da sua inocência ou da imprestabilidade das provas? Se ele pode pleitear a absolvição nos processos da competência do Juiz singular (CPP. 17-3-1980. por meio do Aviso n. continua sendo.. Aliás.e o terceiro. decisão do STF).. Por meio da Lei n. a nosso aviso. por motivo fútil. p„ 1367. no Júri. Por último: “essa coação era irresistível?”. Ainda a respeito do questionário. como há cinqüenta anos. sob a cominação de nulidade. que razão séria o impediria de postulá-la na sessão do Júri? Se ele pode ir contra a sua própria denúncia. Se a resposta a este for nega­ tiva. por que não poderá discordar da pronúncia? Ainda que se entenda que a expressão revela e traduz o dever de o órgão do Ministério Público demonstr ar. Mas sempre entendemos e sustentamos que a sua principal fonte é o questionário. A falta de acusação e defesa na sessão de julgamento L) A acusação e a defesa. com a abolição do libelo. porque “a lei não permite que a causa da justiça fique abandonada e os atos das autori168 . 323. DJU. fonte inexaurível de nulidades.719/2008. Mesmo que se saiba quem tenha sido o coator. haja acusação e defesa na sessão de julgamento. se os jurados disserem que o réu agiu por motivo de relevante valor social e moral e. Exige a lei. aí. a responsabi­ lidade penal do réu. não se infira daí deva ele. 18-6-1979. 23. art. 11. uma vez que os jurados podem entender que a coação não partiu do coator pronunciado. inexoravelmente sempre. mas de outra pessoa. No Império. explica Whitaker. na sessão de julgamento. o Governo ordenou que o Promotor acusasse. preten­ deu o legislador extinguir as nulidades. o questionário. em plenário. postular em plenário a inflição da pena. p. 4735. DJU. de 25-7-1861. se o réu deve ser absolvido. à primeira vista.. A propósito. que o legislador. “o réu assim agiu sob coação consistente em (declinar o fato constitutivo da coação)?”. refere-se ao ato de acusar e ao ato de defender.

que. a causa da justiça. deve o representante do Ministério Público. in casu. sendo preferível.. quando esta se fizer necessária.. Então. por exemplo. o Ministério Público abraça-se à Defesa. considerar-se vencido. segundo a velha sen­ tença de Berrier. nesses casos. depois de apreciar as provas. a impotência da acusação” ! ) ) ) ) ') ') ^ ^ ) ) ^ J ) . per fas et per nefas. a não ser que a causa excludente de antijuridicidade ou de culpabilidade esteja estreme de qualquer dúvida. Outras vezes. ficarem impunes muitos culpados a que punido quem devera ser absolvido (cf O júri. Que atitude deve tomar o re­ presentante do Ministério Público? Demonstrar. p. Tal se dá.. 85). só não é absolvido sumariamente. e a condenação de um inocente é maior desgraça para a sociedade do que paia o próprio condenado. 2. ad cautelam. Algumas vezes. amesquinha o mandato. sabendo. incontroversa. uma excludente de ilicitude não fica inteiramente límpida. Às vezes. dos artifícios da palavra e vícios de argumentação.. cit. Havendo-a. É claro deva o representante do Ministério Público produzir a acusação.. o Juiz profere a decisão de pronúncia.) ) ■ ) } 1 ) . e. torna-se inecorrível ante a preclusão da via recursaL Vem o julgamento em plenário. a pronúncia impõe-se. imaculada. se ele abandona “a ver­ dade e a lógica e se socorre. para vencer. com artifícios de retórica.O réu. lealmente. 98. dificilmente haverá condenação. ed. cit. . ou ante argumentos da Defesa. com os aplausos do Juiz-Presidente. naquelas hipóteses em que. Mas.. que. que a Acusação se esvaece e elide em plenário.) ) dades criminais sem ter quem os explique” Mas. o Magistrado que o Juiz natural provavelmente proferirá decisão abso­ lutória. 415. o Juiz profere a sentença de pronúncia. como bem esclareceu o ilustre Magistrado paulista. Assim. de regra. é a da verdade.. nos termos do art. ante a prova colhida no Tribunal popular. ^ ^ ) 169 . p. 98). merecendo censura”. É nessas hipóteses. n. confessando. quando isso acontece. A esta repugna um julgamento iníquo.. os indícios de autoria são por demais tênues. porquanto o entendi­ mento generalizado é no sentido de que não se deve subtraí-lo do seu Juiz natural. contudo. malgrado tal circunstância. como bem disse o festejado Whitaker (cf O júri. ou mesmo após a acusação. com abuso do seu talento. “pela digni­ dade do cargo. a responsabilidade do réu? Note-se que o órgão do Ministério Público é o representante da sociedade. na fase do judicium accusationis. porém. é o Tribunal do Júri.

para que se designe outro membro do Ministério Público? Se cabe ao Juiz prover à regularidade do processo. após o jura­ mento.. p. ou mesmo.. por exemplo. ou o seu direi­ to. antes dela. cuja função é fiscalizar a estrita aplicação da lei. não só na sessão do Júri como no desenrolar de todo e qualquer processo. Veja-se a regra do art. e não du­ vidamos. contudo. Quid indel Não deve o Juiz dissolver o Conselho. A atuação do Ministério Público. uma vez que a sociedade ficou. saia do plenário. que oriente sempre a sua atuação na tentativa de conseguir. indefesa. pela observância estrita de um dever de objetividade (c f Direito processual penal.. 385 do CPP. sente-se. por haver demonstrado a inocência do réu.. também. V do art. da mesma forma que conferiu ao Juiz-Presidente o poder de dissolver o Conselho de Sentença e marcar novo dia para o julgamento. ou. vingança ou paixão.Não se pode exigir de uma pessoa. quando ausente a Acusação. Coimbra. se a acusação na sessão do Júri devesse. Entretanto não o disse. é a proibição de o Promotor. V). por analogia. Ed. deve ser orientada. quando o membro do Ministério Público pedisse a absolvição. sem qualquer motivo imperioso. com ginástica de inteligência.. nos termos do art. 1974. possa o Juiz. marcar novo dia para o julgamento. comunicando o fato ao Procurador-Geral da Justiça. 405). 497 do CPP. o legislador. A hipótese. em plenário. Parece até que o legislador pretendeu mesmo essa postura do Ministério Público. 251 do CPP.. unicamente. compostura e dignidade. então. É claro... Mas o que contestamos. portanto. cumpre-lhe proclamar o vício que está a maculá-lo. irmanar-se à Defesa. ter-lhe-ia concedido idêntica atribuição.. quando considerar o réu indefeso (art. 497. procedência para a acu­ sação deduzida» Não é nem deve ser o Promotor um colecionador de condenações.. pe­ dindo a absolvição. Reconhecendo que a acusação não é mo­ vida por ódio. Na verdade. Suponha-se. 170 . di-lo Figueiredo Dias. não quis bitolar-lhe a conduta» Deixou-a à sua prudência. ser produzida quando o órgão do Ministério Público se curvasse à tese da Defesa. e que o representante do Ministério Público deve atuar visando à Justiça. aplicar a regra contida no inc. confessado a impotência da acusação... sempre e sempre. pelos fins da descoberta da verdade e da realização da justiça e. e o fazemos conscientemente. que o representante do Ministério Público. é tão absurda que o legislador dela não cuidou expressamente.

Mas. ou necessário. em vez de referir-se às pessoas que exer­ cem aquelas funções (acusar e defender). o legislador. e. por analogia. a falta de autenticação. 24. A falta de sentença M) A sentença. E evidente que a lei. fê-lo a estas. malgrado esta. O Juiz não pode julgar uma lide. ante a ausência da sentença. Ausência do recurso de ofício. nos casos em que a lei o tenha estabelecido. então. 25. Então. a falta de fundamentação no aplicar a pena etc. então. quisesse aludir à presença do Acusador e do Defensor Ob­ serve-se que naquela alínea há uma relação de contiguidade. uma sentença sem motivação. é aquele cuja interposição é exigida pela lei Deve. Se for este o sentido. O recurso de ofício. à omissão desse ato processual. Isso em casos anormais. ante a iniqüidade. muitas vezes. valer-se da regra do art. Observe-se mais: em plenário. a pronúncia “transitar em julgado”? Deveria. Não se concebe uma condenação ou absolvição senão por meio de uma sentença. aplaudi-la? O absurdo atinge as raias da palpabilidade. de conseguinte. nos casos em que a lei o tenha estabelecido N) O recurso de ofício. quando houver contradição entre o decisum. a ausência de relatório. em casos excepcionais. é claro que ela deve existir. ao falar em nulidade. nos casos previstos em lei. Assim. por metonímia. o Juiz. a parte conclusiva da sen­ tença e a motivação. também. não se refere. 497. abalando. o Juiz. mais uma razão para não se restringir a conduta do Ministério Público. a prova colhida na instrução não se pode esvaecer. de sorte que a desfiguração eqüivale à sua própria ausência.. dizendo o legislador que haverá nulidade se não houver “a acusação e a defesa na sessão de julgamento”. é possível. podendo. propriamente. isto é. V. o Promotor. mesmo assim. pois. falta-lhe uma formalidade tal que a mutila. os alicerces da pronúncia? Porventura o Juiz pronunciante é infalível? Não poderá cometer uma injustiça e.Por outro lado. ao final 171 . a não ser pela sentença.

d) das decisões que acolherem pedido de arqui­ vamento de inquérito ou peças de informação. para ciência de sentenças e despachos de que caiba recurso. nula a sentença e.da sua decisão. II).1). Não havendo o recurso necessário. 574. fazer a remessa ao Tribunal.. A falta de intimação. E a razão é óbvia: o que a lei quer e deseja é. sejam principais.. não será. na Súmula 423: “Não transita em julgado a sentença por haver omitido o recurso ex officio. 415 (art. Iutima-se o réu de uma sentença. os prazos recursais começam a ser contados respeitado o principio de que dies a quo non computatur (CPP. b e c. art. não adquirem a qualidade de imutabilidade. o processo.521. supre-se a omissão. Grosso modo. da mesma maneira estabelecida para as citações.521. § Ia) e o da Súmula 310. o recurso necessário é pre­ visto nos seguintes casos: a) da decisão que concede habeas corpus (art. cesses casos. intimam-se as partes de um despacho etc. em seguida. se não houver nem um nem outro. art 72). tal como previsto no art. o absoluto respeito ao duplo grau de jurisdição Mas. ou sem este. 798. mas sim o voluntário. No Processo Penal. 798. contudo. de 26-121951. as intimações se fazem. nos termos do art. é in­ dispensável a intimação das partes. a. 1. nos crimes contra a economia popular ou contra a saúde pública (Lei n. há 172 . Daí a Excelsa Corte ter proclamado. com este. b) da decisão que absolve o réu. dizer: “Desta decisão recorro ex officio”„ Os autos não devem subir de imediato à instância superior. 5 7 4 . nas condições estabelecidas pela lei. c) da decisão que concede a reabilitação (art. só por isso. 370 do CPP. do CPP Normalmente. art. nos crimes contra a saúde pública ou contra a economia popular (Lei n. Apenas a decisão não transita em julgado. e. Intimação é a ciência que se dá às partes a respeito de um ato já realizado. Às vezes. muito menos. nas condições estabelecidas na lei. para. § 5-. para ciência de sentenças e despachos de que caiba recurso O) A intimação. sejam secundários. de 26-121951. Aguarda-se eventual recurso voluntário. que se considera interposto ex legé'\ 26. nos termos do art. os efeitos que ela produz. 746). 1. a partir do momento em que a parte toma ciência inequívoca do ato jurisdicional. e) das decisões que absolverem o réu. Quando se tratai' de despacho ou decisão que comporte recurso. 411 do CPP — hoje art. assim.. 7a).

a Excelsa Cor­ te. o prazo teria seu inicio quando o órgão do Ministério Público apusesse o seu “ciente”. apõe o 'ciente1. 370. somen­ .. 23-3-1979. p.. Cumpre assim à Secretaria do MP ou ao funcionário encarregado de receber os autos (após assinar o Livro de Carga que o cartorário lhe apresenta) fazê-los chegar ime­ diatamente ao seu destinatário. com a finalidade de. a Súmula 448: “O prazo para o assistente recorrer supletivãmente começa a correr imediatamente após o trans­ curso do prazo do Ministério Público”.*p. a Excelsa Corte passou a entender que no momento em que os autos são recebidos pelo órgão do Ministério Público ou quando um funcionário encarregado desses serviços os recebe “com vista ao MP”. em outras decisões estabeleceu o STF que os prazos para recursos correm da intimação certificada nos autos pelo Escrivão. consoante a regra prevista no parágrafo único do art. Imprópria é a prá­ tica da colocação do processo em prateleira e a retirada à livre discrição do membro do Ministério Público. § l2 (cf. 13-10-1975. 8539). entendia-se que. também. e DJU.exceções. se não houvesse nenhuma certidão do Escrivão em antagonismo à data aposta nos autos pelo Representante do Ministério Público. consoante a regra do art. Recurso Criminal n. 87.219. RTJ. e RTJ. a Ia Turma do STF decidiu: “. alguns arestos do Excelso Pretório davam prevalência à data registrada pelo Representante do Ministério Público (cf. Assim. o prazo para o assistente interpor recurso de apelação passa a fluir do instante em que se escoar o prazo para o Ministério Público recorrer. DJU. 391 do CPP — hoje. 68/604 e 73/321). 89/310). Entretanto. p. cabendo tomar a data em que ocorrida como a da ciência da decisão judicial. A princípio. DJU. posteriormente.„a entrega do processo em setor administrativo do Ministério Público. oportunidade na qual. por exemplo. 598 do CPP Muito elucidativa. No Habeas Corpus n. o prazo recursal passaria a fluir a partir daí. o prazo recursal passa a fluir a partir da intimação. independentemente da aposição da nota de ciente (cf. se o ofendido já estiver habilitado como assistente. 7384. configura intimação direta.567/SP. reviu o preceito sumular e estabe­ leceu que. Nada obstante. a partir daí se inicia o prazo. Agòra. inclusive paia o Mi­ nistério Público. relatoria a cargo do Ministro Marco Aurélio. 89. em dois arestos. 1M0-1976. art. formalizada a carga pelo servidor. de forma juridicamente irrelevante. Esse é o entendimento que tem sido ob­ servado Do contrário. pessoal. por expressa determinação da lei. Tratando-se de intimação ao Ministério Público. 2103.

Precedente: Habeas Corpus n. As demais hipóteses previstas no art. porquanto é este quem lhes presta 174 . sua intimação não dispensa a do seu De­ fensor. AI-AgR 707.. Se a Constituição consagra o duplo grau de jurisdição e se os recursos são os meios necessários para a sua realização. entre outros. 45/273.988/RJ. proclama a Constituição que a lei asse­ gurará aos acusados ampla defesa. que. 54/308. com os recursos a ela inerentes. 528/379. Caimen Lúcia. no que respeita aos réus. ficando registrado pelo Oficial de Justiça esse seu desejo. fazendo-se abstração da figura do seu defensor. 53/296. RTJ. intimar o Defensor. a Defesa será intimada a ofertar as razões. pois. apesar das regras constantes do art. 392 do CPP. dativo ou constituído (cf. 55/30. com toda a razão. Mesmo que esteja ele em liberdade. 39-9-2008 Sendo a intimação feita ao réu. também.. Se o réu. devam as partes ser intimadas de todas as decisões ou despachos que comportem recurso . além de a intimação ser-lhe feita pessoalmente. constituído ou dativo. o STF entende. para fluir o prazo recursal (cf JTACrimSP. 528/380.. Mais ainda: a intimação do Defensor deverá ser feita posteriormen­ te Neste sentido. 60/287. 57/36.255-5/SP por mim relatado perante o Plenário. 44/49. contudo.. considerar-se intimado e em corso o prazo recursah Nova leitura do arcabouço normativo. não se prescin­ de da intimação do seu Advogado. É de adiantar que. estando o réu preso. No mesmo sentido. 59/57. deverá ser aberta vista dos autos à Defesa. RTJ. em se tratando de decisão proferida pelos órgãos de segundo grau. 65/646). urge renová-la.te então. a intimação se faz com a publicação da conclusão do acórdão na imprensa oficial (cf STF. Rei Min. Entendemos. Se feita com anterioridade. Do contrário. 58/199.. Assim. com acórdão publicado no DJ de 12 de março de 2004”. ao ser intimado. 80/497 e 89/814). natural. RT. DJ. RT. 44/104. dever-se-á. Mais ainda: a intimação do Defensor deverá ser posterior àquela feita ao réu. STF. 392 não oferecem maior dificuldade. Ademais.. 85. disser que deseja recorrer. revisando-se a jurisprudência predo­ minante e observando-se princípios consagradores da paridade de armas. ainda que o réu tenha sido intimado pessoalmente. No mesmo sentido. que. 56/395). não haveria aquela ampla defesa de que trata a Magna Car­ ta. e JTACrimSP. não faz sentido intimá-los. Mesmo nas hipóte­ ses de intimação-edital. em se cuidando de sentença condenatória.

564 diz que haverá nuiidade sq faltar uma das fórmulas ou termos elencados no seu inc. haverá nuiidade Assim. Não havendo número legal.. o “quorum” legal para o julgamento. quis. dever-se-á renovar a inti­ mação. O art. a partir de então. pois. fazer alusão à relação processual e não ao ato proces­ sual. A inobservância dessa regra elementar pode acarretar funestas conseqüências 27. pelo menos. Quorum. A falta de “quorum” nos julgamentos levados a cabo pelo STF e Tribunais de Justiça P) No STF e nos Tribunais de Apelação. 564. Observe-se que o art.presença de. Idem em se tratando das Seções (art. reúnem-se com a . No art. o art 143 do Regimento Interno do STF dispõe que “o Plenário se reúne com a presença mínima de 6 Ministros e é dirigido pelo Presidente do Tribunal”. não havia Superior Tribunal de Justiça. pelo menos. Tribunal Superior Eleito­ ral e Tribunais Regionais Eleitorais. os atuais Tri­ bunais de Justiça eram denominados Tribunais de Apelação. Por outro lado.. em seus Regimentos Internos. ao empregar a expressão nuiidade no art. Quando da elaboração do Código. de 3 Ministros”. 3 Ministros. O preceito. das Turmas. e. 172 do Regimento Interno do STJ dispõe que a Corte Es­ pecial se reúne com a maioria absoluta dos seus membros. é o numero mínimo de Juizes presentes exigido por lei (normalmente pelo regimento interno do respectivo Tribunal) para que o órgão coletivo funcione. De nada valerá. preferentemente. intimar-se o de­ fensor por primeiro. aí. refere-se a todos eles. Se haverá nuiidade 175 . Dl. e. quanto às Turmas. Nulidades absolutas e relativas no CPP O nosso CPP. por exemplo. também. de que é exemplo o art.Quando tal acontecer.assistência técnico-juridica. 176). Tribunais Regionais Federais. Os demais Tribunais. fixam o res­ pectivo quorum do plenário. das Câmaras Às vezes a lei prefixa esse número. 28. 147 dispõe: “As Turmas reúnem-se com a presença. se o julgamento vier a realizar-se. 615 do CPP. começará o prazo.

quando o ato de iniciativa do processo (denúncia ou queixa) é praticado por quem não tenha legitimidade para tanto. segunda parte. m do art. Inexistindo. diz-se serem elas relativas Se sanadas. p. Foi. Para o Código. Às vezes. 571). não admi­ te sanatória. e termo. 564 do CPP. ou ausente um daqueles atos ali definidos (exame de corpo de delito nos crimes que deixam vestígio). haverá nulidade absoluta da relação processual se ausente uma daquelas fórmulas ou termos elencados no inc. 563. no sentido de ato. refere-se ao ato ou à própria relação processual. 564 do CPP são tão essenciais que a sua ausência poderá carretar a nulidade da relação processual? Não. E pelo fato de não admitir sanatória é que se diz absoluta. em face do disposto na segunda parte da letra d do inc. E porque não implica necessariamen­ te a nulidade. validam a relação. anula-se apenas o ato. Em caso negativo. Faltando uma daquelas regras (quorum nas sessões dos Tribunais. a ausência das “fórmulas” ou “termos” descritos nas letras “d e e. sim. não implica necessariamente a nulidade da relação processual. III do art. não . Será absoluta? Não. Se posteriormente. da relação processual. 572 do CPP Assim. Aplica-se. a relação se torna inválida. Di-lo o art. Assim. nos termos do art. ex. na hipótese. não participou da tomada do depoimen­ to de uma testemunha. ou. A fórmula ou o termo é importante para a relação processual. então. IU do art. toda a relação processual. Indaga-se: todas aquelas “fórmulas” ou “termos” descritos no inc. 564 do CPP Fórmula está empregada no sentido de regra..em face da omissão do ato. a relação processual poderá ser anulada. Senão. g e A” do inc. a regra do art.. embora estruturais da relação processual.. a nulidade não é deste. Indaga-se: aquela omissão foi arguida no momento oportuno? (CPP. se o órgão do Ministério Público.). O próprio Código es­ tabeleceu as exceções. haverá nulidade? Em princípio. III do art. mesmo porque a nulidade. por exemplo. E a nulidade da relação processual em face da omissão de uma daquelas “fórmulas” ou “termos” pode ser sanada? Sim. subornado ou suspeito. E não é pelo simples fato de admitir uma sanatória. 564. numa ação privada subsidiária da pública. art. pois. 572. Anula-se. não. descoberto de imediato. que é a viga mestra em matéria de nulidade: “pas de nullité sans grief’ (não há nulidade sem prejuízo) 176 . É o que se dá com as decisões proferidas por Juiz incompetente. Nesse caso. mas do procedi­ mento. Constatou-se algum prejuízo paia a acusação ou para a defesa? Sim.

564. Por força de compreensão. o ato tiver atingido o seu fim. ou se esta for feita irregularmente. 564 do CPP são de nulidade relativa. apenas. se faltar a citação. segunda parte. com ou sem as perguntas que deixaram de ser formuladas. pois.Mesmo que se diga tenha havido prejuízo. conforme o caso. 564 As nulidades referidas na letra d (segunda parte) do inc. seja do próprio ato. HI do art 564. seja da relação proces­ sual. 570 do CPP... Já os atos referidos nas letras d (segunda parte). também é relativa a nulidade. Relativa.. a “nulidade” estará sanada. mas. as nulidades são absolutas porquan­ to não admitem sanabilidade .. já citado.. Em se tratando de ilegitimidade do representante da parte.. nos termos do art. 571. portanto. com muito mais razão o impedimento e a incom­ patibilidade. 571 do CPP). quando a omissão ou o vício do ato estiver previsto no art. 565 do CPP Se a arguição não se fizer no momento oportuno (veja-se o art. daqueles previstos nas letras “úf e e. m do art. IV do mesmo artigo ficarão sanadas: a) se não forem arguidas naqueles momentos referidos no art. ainda que tacitamente. do CPP. se o réu comparecer antes de o ato consumar-se. em face do art. nulidade absoluta também haverá nas hipóteses de impedimento ou incompatibilidade do Juiz. porque o Ministério Públi­ co tinha perguntas importantes a formular. n e III. é relativa a nulidade a que se refere a alínea n do inc. 568 do CPP . Pode-se. 564. tiver aceito os seus efeitos. 564 e no inc.. 572 do CPP silencie. 570. nessas hipóteses. em face da sanatória prevista no art. Pelo menos no estatuto processual penal não há qualquer sanatória para elas. se aquele depoimento não exerceu nenhuma influência na decisão da causa ou na apuração da verdade substancial. falar em nulidade absoluta. Diz-se que. Sanada também ficará a nulidade. Na hipótese da letra e (primeira parte) do inc. a nulidade ficará sanada. b) se. mesmo porque estas privam o Juiz da jurisdição. III do art. nos termos do art. g e /i” do inciso III. com exceção. também não haverá nulidade. c) se a parte. Embora o art. praticado por outra forma. e (segunda parte). se as hipó­ teses forem as previstas nas letras g e h do referido inc. I. g e h do inc. Se a suspeição é motivo de nulidade.. III do art. III do art.

. 569 do CPP como se estivesse assim: “As omissões da denúncia. é de observar que nos termos do art. “ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente” A violação do princípio do juiz natural tomaria imprestáveis o processo e o julgamento.. os decisórios. anulam-se os atos deci­ sórios e os probatórios. como o legislador cuidou da ausência de qualquer das peças citadas na letra a como nuiidade. os atos instrutórios permanecem válidos. ELI do art.. homicídio e lesões culposas. devemos hoje ler o art. tal como diz a lei. poderão ser supridas a todo o tempo. como per­ mitido pelo a it 569 do CPP. dês que não lhes sejam essenciais De qualquer forma. nos processos das contraven­ ções penais. ela se diz relativa. É verdade que o art. temos. no seu art. Nas contravenções. ou. queixa. ou da represen­ tação. Nem precisará a falta.Quanto à nuiidade de que trata a letra a do inc. cumprirá ao Juiz interrogá-lo e ouvir as testemunhas. então. Desse modo... I. o ato de iniciativa é a denúncia. 5-. da CF. e principalmente. nesse caso. apenas. constitui nuiidade absoluta. que a falta da denúncia. L1II. Essas omissões devem dizer respeito a certas circunstâncias como local. não se pode negar que a falta. logo. Ninguém ousará afirmar que uma denúncia sem conter a imputa­ ção fática possa ser corrigida na fase das alegações fmais. 129. absoluta.. nome correto da vítima ou do réu. Se a nuiidade puder ser sanada. Se por acaso houver algum partícipe não incluído na denúncia. antes da sentença final”. 178 .. possível será o aditamento. data.” . Além do mais. Observe-se que tal dispositivo sofreu profunda alteração introdu­ zida pela Constituição de 1988. pois. 567 do CPP Se for absoluta. a ação é pública. mas.. 569 do CPP dispõe que “As omissões da de­ núncia ou da queixa. que tal dispositivo per­ mite sejam supridas omissões de formalidades daquelas peças referidas na letra a. Poderá ser coberto pela coisa julgada um processo cuja denúncia não contenha a imputação fática? À evidência.. Evidente. como se de­ preende do art. Anulam-se. desses atos de iniciativa constitui mais que nuiidade absoluta É um não ato e nem sequer po­ derá ser coberto com a coisa julgada... queixa etc. pois em rigor surgiu um novo processo... Em se tratando de incompetência relativa. da representação. Se não... não. 564. poderão ser supridas a todo o tempo.

se a decisão for condenatória. do CPP —. p. Da competência em matéria penal. se condenatória. Da competência. 648. conforme magistério de R Hélie. E.. em grau de apelação. 1953. o momento próprio para a sua arguição vem fixado. 29. Não assim se houver sentença absolutória. 307). nada obsta. poderá ser arguida fora daqueles momentos referidos no art. salvo se ficarem preclusas as vias impugnativas e a decisão for absolutória. seja pela via revisional (CPP. tiver aceito os seus efeitos”. seja pelo habeas corpus. quaisquer que sejam os seus característicos e Finalidade. o ato tiver atingido o seu fim” ou “se a pane. indagar-se-á: sua omissão ou vício causou prejuízo à acusação ou à defesa? Implicou prejuízo à apuração da verdade substan­ cial ou à decisão da causa? Se negativas as respostas. E se não houver? Pelo princípio devolutivo que informa os recursos. Poderá o Tribunal.. Se a nulidade for uma daquelas referidas no art 572 do CPP. da revisão pro societate. também. diante da proibição. 571. e o ato. notadamente o de ape­ 179 . seja por meio da revisão. Enfim: se se tratar de nulidade absoluta (cujo prejuízo é presumido). Entretanto. p.. 571 (por questão de economia pro­ cessual).Nos casos de incompetência ratione materiae. Momento para a arguição da nulidade Tratando-se de nulidade atinente a atos acidentais. Frederico Marques. ainda que tacitamente. 57 L Mesmo que o tenha sido.. Saraiva. onde não há jurisdição não pode haver julgamento. entre nós. VI. 571 do CPP Mesmo arguida. não obstante deva ser levantada num daqueles instantes fixados no art. nem mesmo o trânsito em julgado impedirá sua arguição. Se a nulidade for absoluta. estamos que se trata de inexistência. 626). E há falta de jurisdição quando uma categoria de Juizes e Tribunais decide de causa afeta a outra categoria (cf. pois. decretar a nulidade? Se houver arguição pelo apelante. praticado por outra forma. não haverá nulidade use. não se anula o ato: utile per inutile non vitiatur (não se anula o útil pelo inútil) . ou não essenciais. é considerado não existente (apud Frederico Marques. no art. sua preterição deverá ser arguida na oportunidade do art. nada impede que o seja em qualquer outro momento. c it. art. ainda será possível a arguição. seja por meio de habeas corpus — art. 307). não obstante a ju­ risprudência entenda tratar-se de nulidade absoluta.

então. para jugular abusos de alguns Tribunais que. o lógico seria permitir. ou. o conhecimento ex officio da nulidade poderia preju­ dicá-lo. do contrário. em vez de fazê-lo. pradcado com flagrante desrespeito à sua tipicidade. expressamente. as que digam respeito aos demais atos devem ficar subordinadas à impugnação da parte interessada (cf. Elementos. mas. pois. Sem embargo. 3. cit. nulidade não argui­ da no recurso da acusação. também. o espírito da súmula. antes. assim. Studi sul processo civile. sem provocação e querendo exercer certo controle dos atos jurisdicionais. não haveria efeito devolutivo (cf. se o Tribunal se inclinar pelo provimento do recurso da acusação. perante ambas as partes.. respaldado no princípio do favor rei. embora não arguida Nesse caso. não podendo ele se encontrar. contudo. anulavam processos embasados em pequenas irregularidades ou vícios de atos não essenciais» Valendo-nos de uma passagem de Florian. em homenagem ao direito de defesa. nada o impedirá também. e. contra o réu. o juízo da apelação deve ter a mesma liberdade e amplitude de decisão conferidas ao juízo de primeiro grau. decretar a nulidade.. se o ato essencial foi omitido. com ou sem provocação da parte. ou mesmo condenado a uma pena insignificante. o Excelso Pretório estabeleceu na Súmula 160: “É nula a decisão do Tribunal que acolhe. venha a proclamar-Ihe a nulidade . será observado. ressalvados os casos de recurso de ofício”. é induvidoso que. v. conforme ponderação de Calamandrei. pois. podemos traduzir o espirito sumular: as nulidades referentes a atos de maior significação devem ser conhecidas. pode o Tribunal conhecê-la. nada obsta que o Tribunal. p 125) Se cabe ao Órgão Jurisdicional prover à regularidade do processo de molde a propiciar-lhe o exame de mérito. proibir a reformado in pejus. ex officio. cumprir-lhe-á. tendo sido o réu absolvido. Entendemos. p.lação. Talvez o entendimento da Suprema Corte derive da circunstância de o nosso Código. pensamos. que. em face de controvérsia em condição diversa da que se encontrava o juízo de primeiro grau. ainda que não se argúa a nulidade. 180 . b) se o recurso for necessário. Daí se infere: a) se o recurso for do réu. A Súmula 160 surgiu não apenas em decorrência do princípio do favor rei. 43-53).

cumpre-lhe proclamá-la. as providências necessárias para a eliminação do ato defeituoso. nos termos do art. Poderá fazê-lo.. Quem pode arguir a nuiidade? Qualquer das partes formais (Ministério Público. a regra segundo a qual “nenhum ato será declarado nulo. desse modo. a respeito. mesmo preclusas as vias impugnativas. também. Se da nuiidade advier prejuízo à defesa. limpando-o. aplicando a velha parêmia utile per inutile non vitiatur. di-lo o art..) ) "j 30. 573. Poderá o Juiz. 563 e 566). conhecer da nuiidade? Seja qual for a imperfeição do ato (nuiidade absoluta. Não deverá ele. deve o Juiz. quer a retificação. e.. o art. seja pela revisão criminal. cuja imprestabilidade proclama. É dever do Magistrado prover à regularidade do processo. §§ Ia e 2Q). poderá fazê-lo. perder de vista. Defensor). c) que a parte arguente tenha interesse na observância da formalidade preterida. ) ) j ^ ) ) ^ ^ ) ) ^ ^ ) ) ^ 31.. de imediato. Se a nuiidade for absoluta. determinar as diligências necessárias. arts. Bem claro. quer determinando sua renovação. ainda será lícito invocá-la.. em face do princípio da economia processual. sem provocação. se da nuiidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa”. 565 do CPP: 181 ) ) ) ) ^ 1 * 1 ) j ^ ) . escoimando-o. seja por meio de habeas corpus. visando a afastar do processo as impurezas. a qualquer momento. Todavia urge anotar que esse poder conferido às partes para im­ pugnar o ato fica subordinado a tríplice condição: a) que a parte arguente não tenha dado causa à nuiidade. Quereiante. O órgão do Ministério Público. sem olvidar o princípio da causalidade (art. o Assistente de Acusação. 251 do estatuto processual penal. bem como a de que “não será declarada a nuiidade de ato processual que não houver influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa” (c f CPP. nuiidade relativa ou simples irregularidade). tomando. era fãce do princípio do favor libertatis. mesmo em grau de recurso.. b) que a parte arguente não tenha concorrido para a imperfeição do ato. 573 do CPP. contudo. ainda que funcionando apenas como custos legis. sanando-o. dele tomando conhecimento. seja qual for a ir­ regularidade encontrada.

388) .. 571). Assim. 565 assenta nas velhas máximas: Ne?no de improbitate sua consequitur actionem e Nemo ex dolo suo lucrentur (cf. arre­ mata: “Permitir que a parte tirasse proveito da violação da lei. p. advindo uma decisão absolutória. seria profundamente imoral pudesse ela beneficiar-se com a própria torpe­ za. ou referente a for­ malidade cuja observância só à parte contrária interesse” . Lecciones. Porto Alegre. Por extensão. é sanável se.. b) se a parte. Globo. H segundo o mestre gaúcho a proibição do art. no requerimen­ to a que se refere o art. também aos atos acidentais. 187 do Codice di Procedura Penale de 1930: “II pubbíico ministero e le altri parti non possono opporre la nullità alie quali hanno dato o sono concorsi a dar causa o relative a disposizioni alia cui osservanza non hanno interesse” Se a parte deu causa à nulidade ou para ela concorreu. dá-se o convalescimento: a) pela não arguição oportuno tempore (art. como o previsto na letra h do inc. cit. Além disto se favoreceria a má fé e a esperteza. como permitido pelo art. ou para que tenha concorrido. o ato tiver atingido o seu fim (art. em plenário. c) se... 422 do CPP. obviamente. 572. assim. praticado por outra forma. coisas que uma boa lei processual deve evitar a todo custo” (Processo penal brasileiro. todas elas foram ouvi­ das. Borges da Rosa. Daí dizer Carnelutti que tal proibição encontra seu fundamento no princípio malitiis non est indulgendum e. É a mesma redação do § l 2 do art. III do art.. tiver aceito os seus efeitos. 388). v. 572). não se aplica apenas aos casos que enumera. cit. Modos de sanabilidade Tratando-se de nulidade relativa atinente a atos não essenciais ou mesmo àqueles elencados no art. 422). 564. houver a consecução de 182 . se o representante do Ministério Público. p.“Nenhuma das partes poderá arguir nulidade a que haja dado causa. praticado por outra forma. 32. por seu turno. Se um ato considerado essencial. na repressão à fraude (cf. não poderá ele invocar aquela nulidade. 3. 200). e. ainda que tacitamente. arrolou 8 testemunhas (e oão 5.. por si praticada. Processo. 1942. p. seria premiar a infração legal e estimular a prática de outras.. 572 do CPP. v. A regra do art. 3.

ao decretar a nulidade. Se 0 representante do Ministério Público pode ofertar denún­ cia sem inquérito. cumçre ao Juiz determinai seja o ato renovado ou. Se a omissão. por isso. no caso de omissões da denúncia. na fase das alegações. Evidente que a omissão a que se refere o art. 568.sua finalidade (art. queixa 011 representação. 0 Promotor venha a ob­ servar que omitiu na peça acusatória 0 coautor Nesse caso. admite-se. devendo 0 Juiz. praticamente. 0 que constitui.. é induvidoso não ser ele instrumento imprescindível à instauração do processo E quando a denúncia ou queixa respaidar-se num inquérito. há formas especiais de sanabilidade. Se não ocorrer a sanabilidade por uma das formas apontadas. cum­ prir-lhe-á fazer ura aditamento. Observe-se a regra do art. preenchendo-se a lacuna. determinará se proceda à sua regularização. simplesmen­ te retificado. anular 0 processo a partir do interrogatório. já agora. nos termos e na forma do art. então. por exemplo. a sanabilidade. retificação. se o Juiz observa que a precatória foi cumprida sem que 0 réu houvesse sido intimado. 573 do CPP Cumpre ao Juiz. 569. Assim. isto é. 572. regra? Possível irregulari­ 183 . sana-se a nulidade com a ratificação dos atos praticados nos termos do art. tais como. da fase procedimen­ tal. por exemplo. Em se tratando de incom­ petência relativa. não há cuidar-se de nulidade. Para alguns atos essenciais. antes da sentença final. exem­ plificando. possibilitando-lhe fazer perguntas ao primeiro réu sobre a conduta do corréu. ou de um coautor. dia. Pode ocorrer que. 570. corrigido. quanto mais em se tratando de ato aciden­ tal ou secundário. caso venha a recebê-lo. por outro lado. 33. É o que se denomina nulidade contagiosa. emendado. Outra nulidade que admite forma especial de convalescimento é a pertinente à citação e intimação. Se 0 Juiz observar que a parte não assinou 0 termo de audiência. isto é. dependendo. Pode haver nulidade em inquérito? Este é peça meramente informativa e. Assim. nada obsta se preencha a la­ cuna mediante aditamento. a qualquer tempo. II). na hipótese de ilegitimidade do representante da parte. 567. tudo nos termos do art. no art. hora e local do crime. observar quais os atos que ficaram contaminados em face da nulidade e estender-lhes a ineficácia. 569 deve dizer respeito a circunstâncias secundárias. será ela renovada. tendo em vista 0 princípio da causalidade. for de um delito conexo.

. A obediência às formas. Contudo. como exemplo. para efeito de decretação de prisão preventiva» Cremos não poder o Juiz arrimar-se num inquérito em que não se observaram as prescrições legais para fazer expedir um mandado de prisão. Veja-se. Não observado o requisito legal. o que o Juiz pode fazer. entretanto. Faltando seriedade aos autos do inquérito. se o indiciado não foi ouvido na Polícia.. todo o processo estará nulo. Do contrário. nem por isso poderá o Juiz. Se estes ainda subsistirem. embora pudesse sê-lo. então. apenas com respaldo nele. com manifesta preterição de formalidade. de molde a desnaturã-lo. Haveria maltrato ao inc. E mesmo que o inquérito obedeça a todas as formalidades. e por isso devem as Autoridades Policiais obedecer às formas. ou. o auto. se a Autoridade Policial não tinha atribuições. direto ou indireto. E se não subsistirem? Se ainda for possível o exame indireto. fica desnaturado. como peça coercitiva. nem mesmo desres­ peito a formalidade legai. é de suma importância nos casos de prisão em flagrante. aquele vicio poderá contagiar todo o processo. quando algum ato houver sido realizado durante o inquérito policial. LV do art. Mas. ratione loci.. 52 da Constituição da República: respeito ao contraditório. Muitas e muitas vezes. proferir decreto condenatório. tudo é irrelevante. a omissão de exame de corpo de delito. se possiveL Não o sendo. não pode o Juiz nele embasar-se para prolatar uma decisão de tão graves conseqüências. quer ad probationem. se houver omissão do próprio ato. corrigir-se-á a omissão. o Juiz se louva também nas provas colhidas na fase pré-processual..dade do inquérito não pode contaminar o processo. quer ad solemnitatem.. 184 . Outras vezes. é determinar sua retificação ou renovação. para a realização do inquérito etc. ante a projeção da relevância do ato sobre o processo. nos crimes que deixam vestígios. se porventura o interrogatório do indiciado não obedeceu às prescrições legais. far-se-á o exame.

7. É possível a precatória por ) telefone? 17. 21. 24. U Espécies de citação. 12. ) Citação (ou notificação) por edital. Crítica.. Réu que se encontra no es- ^ trahgeiro. Revelia Hipóteses. A citação cotno garantia individual. Citação por manda- j do Requisitos intrínsecos e extrínsecos. Considerações gerais 2. ^ Citação de incapazes.. A rogatória. Órgãos ) da citação. 28. Como se procede à citação. ) 25. 27» Quando o réu se oculta.. 14 Pode o réu ser ouvido no juízo depreca- ^ do? 15 Precatória por telegrama 16. 6.) ) 1 ) ) ) ) capítulo 39 } ) Da Citação. Pode o réu ser cientificado da acusação antes da citação? 9 ^ Conseqüências do não atendimento à citação. 8. . 23 . As hipóteses era que se permite a citatio edictalis 26» Se o . réu não for encontrado. Citação do funcionário ) público. 3. Citação do militar 18. 33:. Haverá ne­ cessidade de legalização consuiar? O art 210 do CPC. Conceito. Notificação e Intiinação ] ) ) SUMÁRIO: I.. 13. m 185 . Citação por meio de carta precatória. 22 A carta de ordem.. Conseqüências. 19 Citação do preso 20. em lugar não sabido 31 „Como se procede à citação ^ por edital? 32.. 10 Efeitos da ) citação válida. 4 Vinculação à instância Haverá necessidade de se ) proceder à citação na execução? 5 Quem pode ser citado.. Citação fícta. Quando o lugar era que estiver o citando for inacessível 29 Quando ^ incerta a pessoa do citando 30 Quando o réu se encontrar no ) estrangeiro. Das notificações e intimações . Ci- ’ tação em legações estrangeiras.

nasci­ do a citação. A propósito. 3. 8. lembrou que a citação constitui uma das garantias individuais e.429/92. que trata dos crimes falimentares e respectivo procedimento. alegando tudo quanto possa interessar à sua defesa. em conferência pronunciada na Fa­ culdade de Direito. Entre os romanos.1.. p. 4a da Lei n. mesmo nos especiais. Apesar disso. no prazo de 10 dias. a peça acusatória será recebida e o réu citado para ir a juízo defender-se. Foi.. numerosos diplomas empregam o termo notificação com essa mesma finalidade: levar ao conhecimento do réu ter sido intentada ação penal em relação a ele e ao mesmo tempo concedendo-lhe prazo para dar a sua “resposta”. após o pecado original. ubi es? Teria. os procedimentos se iniciavam com a citação do réu. como tal. mesmo no período das legis actiones. 2. conforme o art. inclusive juntando documentos e arrolando testemunhas. 8. no período Justinianeu que a citação adquiriu contornos que a marcariam na legislação dos povos civilizados. como ato de comuni­ cação ao réu no sentido de que a denúncia ou queixa contra ele não foi rejeitada liminarmente e que ele deve dar a sua resposta. a Lei Antitóxicos (Lei n.. De fato.. Os praxistas definiam-na como o chama­ mento de alguém a juízo para dizer sobre a pretensão do autor. 527). 11. no início da ação. Eduardo Couture. Em Paris. os processos da competência originária dos Tribunais. se dá ciência ao acusado de que contra ele se movimenta essa ação. o Criador chamou o primeiro homem: Adam. cit. Ia da Lei n. aí.038/90 c/c o art.22545/2001). entretanto. segundo Afonso Fraga. v. previstos ou não no Código de Processo Penal. a citação é “o ato oficial pelo qual. A Lei n.. naquele momento. mas também em todo e qualquer procedimento penal de l e grau. é consagrada em várias Constituições. nos termos do § 1~ do seu art 17 (introduzido pela MP n„ 2. então. 11. vejam-se a Lei n. Se esta for rejeitada. o procedimento dos crimes definidos na Lei n . ver-se processai e fazer a sua defesa” {Código. Considerações gerais Segundo o Gênesis. chamando-o a vir a juízo.101/2005. não só no proce­ dimento comum ordinário. 11 719/2008 emprega o termo citação. 186 . A audiência inicial do réu é indispensável para legitimar o procedimento judicial. sumário ou sumariíssimo. Conceito Para Espínola Filho.343/2006). assim.

nos crimes de responsabilidade de funcionário público. 1 L719/2008. ser ouvido. diz o art. havendo dois despachos recebendo a peça acusatória (o previsto no art. nos termos do art. da Defe­ sa e. Parece-nos que devemos empregar o termo citação para significar a comunicação dada ao réu de que a peça acusatória apresentada em relação a ele foi recebida. da competência do Juiz singular. seguindo-se a manifestação da Acusação. inclu­ 187 . Assim. 399. depois à Defesa.. Nesse julgamento faculta-se sustentação ora] peio prazo de 15 minutos. do despacho do relator e dos documentos por este indicados. (A referência ao procedimento do crime funcional foi apenas para mostrar o uso da palavra “notificação” no corpo do nosso CPP). Mesmo nos crimes funcionais inafiançáveis. declarações da vítima. primeiro à Acusação. acareações.658/93. o réu será notificado para responder à acusação no prazo de 15 dias. Apresentada a contestação. 117. em face da Lei n. na dicção do art. o Juiz recebê-la-á e determinará a citação do réu para dar a sua “resposta” Dada esta. ambos do CPP). reconhecimento e. interrompe a prescrição. receberá a peça acusatória. não se saberia qual deles teria a força interruptiva do prazo prescricional. Não se concebe possa o Juiz receber a mesma denúncia ou queixa duas vezes. even­ tuais esclarecimentos de peritos. Três observações: a) O nosso CPP não disciplinou o instituto da notificação. Hoje. I. final­ mente. se afiançáveis.. embora seja de trivial sabença tratar-se de ato de comunicação em que se leva ao conhecimento de um sujeito proces­ sual a notícia de que ele deve praticar determinado ato. Note-se que o despacho que recebe a denúncia ou queixa. o réu será citado para defender-se. por último. c) Vários diplomas. uma vez ofertada a denúncia ou queixa. ao tempo em que é chamado a juízo para assistir aos depoimentos das testemunhas. TRFs e Tribunais de Justiça).8. A notificação será instruída com cópia da denúncia ou queixa.. do Código Penal. se o Juiz não o absolver sumariamente. nos processos criminais da competência dos Tribunais (STF. b) O art. 399. antes de o Juiz rece­ ber a denúncia ou queixa. o julgamento. Se a peça acusatória for recebida. notificará o réu para contestar a acusação dentro em 15 dias. em todo e qualquer procedimento o réu será notifica­ do para dar a sua resposta antes do recebimento da denúncia. STJ. 396 do CPP dispõe que.. no art. 366 e o outro.. 514 do CPP. cumpre ao Tribunal proferir decisão rece­ bendo ou rejeitando a peça acusatória. se a denúncia ou queixa não for rejeitada limi­ narmente. TREs.

Se não for assim.”. ao tempo em que é chamado a juízo para ver-se processai'. No Processo Penal. o réu será notificado a dar a sua “res­ posta”. é o ato processual pelo qual se leva ao conhecimento do réu a notícia de que contra ele foi recebida denúncia ou queixa e. comunicado de que a denúncia ou queixa foi recebida. após a colheita das provas. aí. receberá a peça acusa­ tória e determinará seja o réu citado para a audiência de instrução e julgamento.. que é chamado a comparecer à audiência de instrução e julgamento. se não for rejeitada liminarmente. Logo. porém. então. não se pode acatar o que afirmava Walter P Acosta: que a citação não é apenas a comunicação feita ao réu de que contra ele se intentou a ação penal. Pare­ cendo-nos ser esse o seu real sentido. devemos entender que a ex­ pressão citação está empregada no corpo do art. será ele citado. por meio da citação se comunica ao réu ter sido recebi­ da a denúncia ou queixa contra ele intentada e. quan­ do. será inter­ rogado. será interrogado» É o que se infere dos arts..719/2008 e de outros diplomas processuais..sive aquele que trata do procedimento dos crimes da alçada da mais alta Corte de Justiça. Note-se que. pela citação se dá notícia ao réu da ação contra ele intentada. cabe ao intérprete excluir do corpo do art. 396 a expressão recebê-la-á. 11. ser interrogado. entendemos que a citação. empregam o termo citação no sentido de co­ municação ao réu de que a sua “resposta” não foi aceita. defendido e julgado. Se o Juiz não o absolver sumariamente. ficando o texto assim: “Nos procedimentos ordinário e sumário. 188 . mas sim. a peça acusatória foi recebida e ele é chamado para ver-se processar. é por meio da notificação que o réu toma conheci­ mento de que há uma acusação em relação a ele. Em face do novo diploma. não sendo rejeitada liminarmente. pelo que se infere da Lei n. então será feita a citação.. Ofertada a denúncia ou queixa.. ao mesmo tempo. 396 e 399 do CPP. Após a sua resposta é que o Juiz receberá ou não a peça acusatória. sim. é chamado a comparecer à audiência em que. Recebendo-a. isto é. 396 do CPP no sentido de notificação. o primeiro chamado que se lhe faz para vir a juízo. defender-se e ser julgado.. hoje. Se esta for desacoihida. ao mesmo tempo. o Juiz ordenará a notifi­ cação do réu para responder à acusação. com a sua nova vestimenta.. Por isso. oferecida a denúncia ou queixa. no Processo Civil. também. a fim de que possa defender-se. Hoje é assim» Primeiro será o réu notificado a apresentai' a sua defesa.

quando se tratar de citação de militar. Assim. todavia.. é o réu citado. Casos há. “com todos os ônus dai decorrentes” Em face do que dissemos. pois que o processo de execução constitui e informa nova relação processual No Processo Penal. observar-se-á o que dispõe o art 369.. a citação é ato do Juiz. Quando se tratar de citação que deva ser feita em legação estrangeira. Por isso é que a citação. 358. 164 da LEP). que. proposta a ação. então. embora a ordem emane do Juiz. nova citação se faz necessária. Proferida a sentença final.. Assim.” Diga-se de passagem que a citação é feita apenas uma única vez. ) ) ) ' 5. geralmente é a pessoa em relação a quem se propõe a ação que o pode ser Às vezes. somente o sujeito passivo da pretensão punitiva é que pode ser citado. terceiros. de regra. o réu fica vinculado à instância. a execução não constitui nova instância. posteriormente. segundo dispõe o art. Ninguém mais. No Processo Civil. Abre-se exceção quando se tratar de pena de multa (art. e. é feita uma só vez. ela se faz no processo de cogniçãò e no de execução. “uma vez notificado. uma vez proferida sentença condenatória.A 3. e. Quem pode ser citado Quem pode ser citado? No Processo Penal. ou mesmo absolutória com imposição de medida de segurança. Orgãos da citação Normalmente. e tal ato. com trânsito em julgado. ^ ) } ^ ) ) ^ ^ ^ ) j . ela é feita por intermédio do chefe do respectivo serviço. Este é quem determina se proceda à citação. assim. Haverá necessidade de se proceder à citação na execução? . Vincuiação à instância. no Processo Penal. constitui um prolongamento da relação processual. ) ^ J ) ^ ^ ) j ^ . isto ét nova relação processual sucedendo à instância de condenação. A pretensão deduzida na ação penal somente se realiza com o cumprimento da sentença condenatória.) ) Uma vez citado. no Processo Penal. melhor será afirmar que. começa a execução. são arrastados e vêm integrar 189 ) } ^ . a ela.. segue-se a fase da execução. fica o réu vinculado à instância. No Processo Civil. 4. entretanto. em que a citação é cumprida por pessoa diversa. inicialmente estranhos à relação processual. é cumprido pelo Oficial de Justi­ ça.

.605/98). 10 da Lei n. E a maior prova do nosso pensar está no fato de o art. tal como prevê o art. Se não há mais Curador ao “menor de 21 e maior de 18” durante o interrogatório. será feita na pessoa do Curador. tal circunstância. garantia individual. pois.. 215 do CPC se faça a citação “pessoalmente ao réu. Citação de incapazes Sem embargo de não haver na lei texto expresso. Nesse caso. com muito mais razão durante a instrução. ficar sabendo tratar-se de doente mental. tratando-se de réus doentes mentais (se o exame de insanidade foi posi­ tivo e realizado antes da citação). de 1M2-2003. o Juiz lhe nomeará Curador. 6. 7. Se o Oficial de Justiça. certificar. sendo ele incapaz. expressamente.do art. então. será solicitado exame de insanidade mental. porém. só será válida a citação quando feita na própria pessoa do réu. até há pouco tempo nomeava-se-lhe Curador. salvante o caso de citação por edital. permite o art. como exceção. não faz sentido tal cuidado para uma pessoa absolutamen­ te capaz.. Assim. se a pessoa jurídica for denunciada (!!!). como dizia Couture.a lide (pedido ou contestação). Hoje. caberá receber a citação. 10. que aos 18 anos o cidadão pode ser jurado. sem embargo do silên­ cio do Código. em benefício dos altos interesses da administração da Justiça. entendemos que. Note-se. tal como determinam os §§ l2 e 2. À citação como garantia individual A citação é. o art. que exigia a presença de Curador quando do interrogatório em juízo. ao seu representante legal ou ao procurador legalmente autorizado” No Processo Penai. ao fazer a citação. 32 do citado diploma. Outra exceção: quando proposta ação penal por crime ambiental (Lei n. 9. E quem vai ser interrogado será (lógico) o representante legal da pessoa jurídica. no nosso entendimento. a citação será feita na pessoa do seu representante legal ou de algum Diretor com poderes para receber citação. quando. Proclaman­ do a Constituição que “aos acusados em geral são assegurados o con­ 190 . e a este. Ademais. Tratando-se de réu menor de 21 e maior de 18 anos. 149 do CPP. haver revogado.. evidente que a citação. é óbvio que o réu já tinha Curador nomeado pelo Juiz. por derradeiro. que é permitida. como a maioridade é atingida aos 18 anos. cumprir-lhe-á.792. no verso do mandado. 194 do Código de Processo Penal.

Assim. com a redação dada pela Lei n. tão só. 8. e. O fim da citação foi alcançado. 52. Pode o réu ser cientificado da acusação antes da citação? Até há pouco tempo a comunicação da acusação antes da citação ocorria nos crimes funcionais. 564. <?. não se estaria dando aos acusados aquela ampla defesa de que fala o texto constitucional. porventura. LV). todos os procedimentos foram alterados. seja por meio de habeas corpus.. determinará o adiamento ou suspen­ são do ato. comparecer antes de o ato consumar-se.. nos crimes previstos na revogada Lei de Imprensa e no procedimento dos crimes da competên­ cia dos Tribunais. Lendo os arts. se afiançáveis. ou irregularidade da citação. inclusive para ser interrogado. por outro lado. e isso se faz por meio da citação A tal ponto chega a importância da citação que o CPP (e a notifi­ cação está no nosso ordenamento penal a ela equiparada) fulmina de nulidade insanável a ausência de citação do réu para ver-se processar (cf. III. em face do disposto no § 4Gdo art. para que possa ser ouvida. sen­ do a instrução criminal contraditória. 11. É certo que. 394 do CPP.. Sendo a citação o ato pelo qual se leva ao conhecimento do réu a notícia de que a denúncia ou queixa contra ele intentada foi recebida e ao mesmo é chamado a comparecer à audiência de instrução e julgamen­ to. o processo será inteira­ mente nulo a partir daquele ato. e.719/2008. se não se procedeu à citação (ou à notificação de que trata o art. mesmo haja sentença com trânsito em julgado. Ia parte). E a razão é por demais óbvia. 396 e 399 percebe-se 191 . no Processo Penal.. a parte contrária deve ser ouvida — audiatur et altera pars —. é claro que. entretanto. consoante prescreve o art. o Juiz reconhecer que a irregularidade poderá prejudicar direito da parte. seja pela revisão. embora declarando que ali fora apenas arguir a ausência. se existiu. 570 do CPP.traditório e ampla defesa. se a citação não existiu ou. Além disso. art. Agora.. sendo manifestamente nulo. estava eivada de nulidade. suprida estará a falta do chamamento a juí­ zo se. 648. Importa saber. a notificação também o é. art. Se. com os meios e recursos a ela inerentes” (CF. 396 do CPP). se não houvesse tal comu­ nicação. é indispen­ sável seja chamada a juízo. o réu.. evidentemente erigiu a citação à categoria de garantia individual Atualmente. espontaneamente. como o permite o art. poderá ser desfeita a res judicata. por acaso. VI. de necessidade impostergável. do CPP. o momento do compare­ cimento do réu.

. o processo correrá à sua revelia. sem comu­ nicar à autoridade processante o lugar onde passará a ser encontrado.. 367 . 192 . Recebendo-a. o Juiz simplesmente determina a notificação do réu para res­ ponder. Esta. será ele renovado. como se vê pelos arts. Por outro lado. contudo.que o legislador registrou dois recebimentos da denúncia. fica ele vinculado à instância. Feita a justificativa. determinar-lhe-á o adiamento. deverá este determinar nova data para a renovação daquele ato. E parece que. contudo. também. “com todos os ônus daí decorrentes” . que a tendência é fazer a citação depois que o Juiz receber a denúncia oú queixa. como se infere do art 367 Cabe ao Juiz apreciai' a escusa apresentada pelo réu. na hipótese de não haver rejeição liminar da denúncia ou queixa. Conseqüências do não atendimento à citação Uma vez citado (rectius: notificado) o réu. de regra. Dependendo do caso concreto. 343 do mesmo estatuto.se processar. e depois de feita a resposta é que o Juiz vai receber ou rejeitar a peça acusatória. por exemplo. 9. se mudar de residência ou dela ausentar-se por mais de 8 dias. Suponha-se que o réu. sofra um acidente e não haja tempo nem possibilidade de se dar o aviso ao Juiz. no dia em que deva comparecer a juízo para assistir à ouvida das testemunhas de acusação. Note-se que. O legislador já vinha adotando esse procedimento nos crimes da competência originária. Assim. Mas. À sua revelia correrá o processo. desatende à notificação e não justifica o seu não comparecimento. nos crimes de tóxicos. ao tempo em que é chamado a juízo paia ver. terá ele ciência dos demais atos processuais que forem sendo realizados. Parece. 327 e 328 do CPP. deve ser feita antes da realização do ato. se aceita pelo Juiz. Como não pode haver dois recebimentos da denúncia ou queixa. combinados com o art. se notificado para assistir à ouvida das testemu­ nhas. caso o Juiz a aceite. nos falimentares.. tal como determina o art. a es­ cusa poderá ser apresentada após a realização do ato e. as conseqüências serão mais graves. e. uma vez citado e atendendo ao chamamento. nos termos do art 367. se o réu estava afiançado. se validamente citado deixar de comparecer a juízo. ser ouvido e fazer a sua defesa. determinará seja o réu citado. ou consideramos a primeira comunicação feita ao réu como citação ou então a citação ocorrerá se o Juiz receber a peça acusatória. o processo correrá à sua revelia. dando-lhe ciência de que a acusação contra ele foi aceita.

11. p„ 191). diz o res­ pectivo Código que a citação válida previne a jurisdição. ou é a dis­ tribuição (art. E o que diz o art.. cit. constitui o devedor em mora e inter­ rompe a prescrição. também chamada de pessoal ou in faciem. não se encartou a citação válida. como se vê pela re­ dação do § 4a do art. o simples ato do Juiz de receber a denúncia ou queixa já interrompe a prescrição. a instância (cf Elementos.. surgindo. 2. quando houver dois ou mais Juizes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa. pois. apli­ cável a todos os procedimentos de primeiro grau. Espécies de citação A citação (o mesmo ocorre com a notificação). No Processo Penal ela apresenta apenas um efeito: a instauração da instância. v. as partes ficam sujeitas a uma série de deveres e ônus processuais. diga-se de passagem. 363 (é o que se infere do art. não se instaura com validez a relação pro­ cessual e. Pois bem: para que o réu se sujeite a esses deveres e ônus. 75) ou a prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa. conforme se infere do art. no Processo Penal. para não dizermos inexistente. entre elas. Hoje é a notificação que está fazendo esse papel. 83 do CPP. Efeitos da citação válida Quais os efeitos da citação válida? No Processo Civil.. pode ser real ou por edital Citação real. ainda que anterior ao oferecimento da denuncia ou queixa. o réu não ficará sujeito àquela série de deveres e ônus pro­ cessuais. 396). no Processo Penal. assim. na relação processual.Se não o for. 396 do CPP. A citação ficta é. O art. induz litispendência. tal como vem expresso no art.10. preciso se toma tenha sido citado (rectius: notificado) regularmente. O que toma a jurisdição preventa. estabeiece-se a angularidade da relação processual. diz Frederico Marques. torna a coisa litigiosa. é aquela feita na própria pessoa do réu„ Constitui a regra. 394 do mesmo diploma* É cora a citação (rectius: notificação) válida que se instaura a relação processual.. por isso mesmo. Com a citação válida.. enquanto não citado (rectius: notificado) va­ lidamente. Também não é a citação válida causa interruptiva da prescrição.. 117 do CP estabelece as causas que podem interromper a pres­ crição e. Aliás. em . o processo será manifestamente nulo. Sabe-se que.

salvo se ele se encontrar preso.. A citação pessoal ou real pode ser concretizada por mandado. embora estando no Rio de Janeiro. estiver em legação estrangeira. Nesses casos. não apresenta ela os mesmos efeitos que a citação pessoal. b) se a ação for iniciada por meio de queixa. a citação far-se-á mediante requisição. não se souber o bairro. Citação por mandado. Se não contiver o nome do réu. o nome do querelante. se desconhecido. Contudo. como exige o art.. Requisitos intrínsecos e extrínsecos Estando o réu no território do Juiz processante. 352. g) deve ser subscrita pelo escrivão e rubricada pelo Juiz. Se a finali­ dade da citação é levar ao conhecimento do réu a notícia de que a de­ núncia ou queixa contra ele intentada foi recebida e ele é cbamado a juízo para ver-se processar. os seguintes requisitos: Intrínsecos a) o nome do Juiz. providência de exceção. a comarca do Juiz pro­ cessante for a cidade do Rio de Janeiro e o réu estiver em legação es­ trangeira. se.. como veremos adiante. se for conhecida. mediante requisição. a rua e o número do prédio. não poderá ser citado por mandado. a citação (ou noti­ ficação) é feita por mandado. assinada pelo Juiz competente e que deve ser cumprida pelo Oficial de Justiça.nosso direito. carta rogatória. d) a residência do réu. por precatória. se não disser o fim para que é feita ou se não 194 . Se preso estiver. de regra. f) o juízo e o lugar. em lugar não sabido ou for militar. deverá o mandado conter. o dia e a hora em que o réu deverá comparecer. ou. c) o nome do réu. e) o fim para que é feita a citação.. somente admissível. De fato. 12. Este nada mais é do que uma ordem escrita. por exemplo. a citação far-se-á nos termos do art. será citado por edital Não ocorrendo nenhuma dessas hipóteses e o réu se encontrar na comarca do juízo processante. Um mandado que não contenha a subscrição do escrivão e a ru­ brica do Juiz não tem valor e pode ser acoimado de apócrifo. 369. se. depois de apurado que o réu se encontra em lugar incerto e não sabido E feita por meio de editais. os seus sinais caracterís­ ticos. a citação será feita por mandado.

Citação por meio de carta precatória Se. não se sabendo em que bair­ ro. deverá o Oficial de Justiça proceder à leitura do mandado ao citando (ou notificando) e entregar-lhe. mesmo não sabido. o lugar for certo e sabido ou. nos termos do art. Feito isso. A precatória.. por omissão de formalidade considerada essencial Em obediência ao dis­ posto no art. a seguir. salientando se foi aceita ou recusada. e proceder à citação. quer com isso dizer deva o mandado conter o teor da acusação. Encontrando o réu. e daí a denominação que se lhe dá de “carta precatória” Deverá esta 195 . uma cópia do inteiro teor do mandado. Assim.. o dia e a hora. rua e número do prédio. Extrínsecos De posse do mandado. mas se se tratar de lugar pequeno e onde se presuma seja a pessoa do citando por demais conhecida. evidente que a citação se toma nula. dentro da jurisdição do Juiz que determinou a expedição da ordem. o dia e a hora para o comparecimento daque­ le. mas em lugar certo e sabido. A citação tanto poderá ser feita num domingo como a qualquer hora. logo a seguir. se o processo estiver correndo em Bauru e o réu se encontrar em São Paulo. Pouco importa. a contrafé. a cita­ ção se fará. certificar no verso ou ao pé do mandado que fez a entrega da contrafé. Bem entendido: é preciso que o réu se encontre fora da comarca do juízo processante. Em suma: a citação poderá ser feita em qualquer dia e em qualquer lugar. em regra. por ele extraída e autentica­ da. Se. 353. por precatória. 357 do CPP Se assim não se proceder. uma vez que omitida formali­ dade essencial ao ato. onde quer que o encontre. cabe ao Oficial de Justiça ir à procura do réu. a citação deverá ser feita por precatória. o Oficial de Justiça entregará o mandado devidamen­ te cumprido para ser juntado aos autos 13. por acaso. Quando a lei diz dever o mandado conter “o fim para que é feita a citação”. é expedida sob a forma de car­ ta. respeitada apenas a inviolabilidade do domicílio. evidentemente que a precatória não pode­ ria ser cumprida-. haverá nuiidade do ato. também.indicar o juízo e o lugar. isto é. entretanto. mas fora dò território jurisdicional do Juiz processante. o citando (ou notificando) estiver no território na­ cional.. cumprirá ao Oficiai. 357. Tais formalidades extrínsecas são exigidas expressamente pelo art.

do Juiz deprecado (aquele a quem se pede). Cumprirá. o dia e a hora em que o réu deverá comparecer”. cumprirá ao Juiz deprecado remeter a precatória ao Juiz da comarca onde se en­ contra aquele paia cumprimento da diligência. certifique o Oficial de Justiça que o citando não se encontra naquela comarca. como também que é ele chamado a comparecer a juízo para ser interrogado. uma vez expedido o mandado pelo Juiz deprecado. deverá conter a subscrição do escrivão e a rubrica do Juiz deprecante. Já vimos que. 352. o nome do quereiante. às 14 horas. isto é.. 352 exige deva o manda­ do conter “o juízo e o lugar. do Juiz que determinou a expedição da precatória. porventura. Pode acontecer. a carta precatória será devol­ vida ao Juiz deprecante.conter a indicação do Juiz deprecante (o que solicita). Nesse caso. Pois bem: se o dia designado para o seu comparecimento for. que o réu se encontra em território sujeito à jurisdição de outro Juiz. o nome do réu. mas sim em outra (sujeita à jurisdição de outro Juiz) . o Oficial de Justiça certificar que o réu se oculta para não ser citado. ou. nos termos do art. cumprir-lhe-á proceder à cita­ ção por hora certa. se se tratar de ação iniciada por queixa. Recebendo-a. o inc. digamos. se for conhecida. Uma vez cumprida. ao escrivão expedir o mandado. do dia e da hora em que o réu deverá comparecer. VI do art. o juízo deprecante designará outra data para o comparecimento do réu e expedirá nova precatória. deverão . Recebendo-a.. cumprirá ao juízo deprecado devolver a preca­ tória. do lugar. a indica­ ção do juízo. porquanto não haveria tempo para a efetivação da dili­ gência. e o Oficial de Jus­ tiça do juízo deprecado certificar. com a citação. com aquela certidão do Oficial de Justiça. com aqueles requisi­ tos que se veem no art. o Juiz deprecado dará o seguinte despacho: “cumpra-se”. Nesse caso. Finalmente. se desconhecido. durante o cumprimento da precatória. o fim para que é feita a citação. Se. eviden­ temente não poderá o juízo deprecado remeter os autos da precatória àquele Juiz. Por isso. então. a residência. 5 de setembro. não apenas se comunica ao réu que a denúncia ou queixa contra ele intentada foi recebida. já agora endereçada ao Juiz do território em que aquele se encontra.. no juízo deprecado. no dia 2 de setembro. a indicação da sede da jurisdição de um e do outro. seus sinais característicos.. entregando-o ao Oficial de Justiça paia o devido cumprimento. 362 do CPP Como o estatuto processual penal não disciplinou essa modalidade de citação. desde que haja tempo para fazer a citação.

Rio de Janeiro. no primeiro caso. Mas. como proceder? Não poderia. e. não faz sentido possa o Juiz exigir que o réu se desloque do seu domicílio para ser interrogado no foro onde tramita o processo Não obstante. ed. conhecendo-lhe o caráter. O calor ou a frieza das primeiras respostas. Pode o réu ser ouvido no juízo deprecado? Poderá ainda o Oficial de Justiça do juízo deprecado certificar: a) que o réu se encontra era lugar incerto e não sabido. Por essas razões. num país com uma vastidão ter­ ritorial como o nosso. no juizo deprecante. entendia-se que o inter­ rogatório ficava a cargo exclusivo do juízo deprecante Se é este quem vai julgá-lo. em que a classe pobre predomina (mais de 70% dos processados são pessoas de baixa renda). principalmente agora que adotamos o princípio da identidade física do Juiz (§ 2a do art. tudo pode ser elemento da revelação moral. a que se inflama. dos seus raciocínios e. o gesto vivo ou fatigado e. principalmente. 3. deva ele. a eloqüência borbulhante da paixão.. aplicáveis por analogia. o próprio juízo deprecado ouvi-lo? Até há algum tempo. 399 do CPP). Em todas essas hipóteses. no segundo caso.. o réu deveria ser ouvido pelo Juiz sentenciante. manter esse contato com o sujeito passivo da pretensão punitiva. e na última hipótese. a seqüência. na bela observação do saudoso Magistrado carioca Oliveira e Silva (Curse de processo penal. p. circunstância importante para a individualização da pena. b) que o réu retomou à comarca do juízo deprecante. c) que o réu se encontra doente. procedei ao inter­ rogatório.. sentimental e mental do indivíduo. como veremos dentro em pouco..ser observadas as disposições dos arts 227 a 229 do CPC. e somente ele.. ainda entendemos deva o réu ser ouvido pelo juízo processante Tal circunstância. natural. será o réu citado (ou notificado) por edital. 78). não pode ser imperativa. . o clarão ou o fogo morto de suas pupilas. a precatória será devolvida. lenta ou vertigi­ nosa. impossibilitado de comparecer à sede do juízo processante.. por mandado. Freitas Bastos. entretanto. a emoção ou a displi­ cência com que faia. 14. a personalidade e fazendo o seu retrato psicológico. a quem o Juiz interroga. pois. 1956. às vezes. nesse caso.

Tratíalo.. ganharia o reino dos céus quem pudesse fazer essa mesma afirmação em se tratando de rogatória. por conta própria. di delegare ad altro giudice ü complimento di singoli ntti processuali” (cf. 24-11-1978. Mato Grosso do Sul Faz sentido exigir a presença do réu naquela comarca para o interrogatório? Quantos transtornos não lhe adviriam? E se ele não tiver condições de atender ao chamamento? Suponha-se alguém enfermo. em face das razões já expostas. Conflito de Competência n„ 2. cit. Ainda que o art 222 constituísse uma exceção à indelegabüidade da atividade jurisdicional. ou de competência. Deprecação. por que o mesmo princípio não pode ser estendido aos réus? Dir-se-á que o Poder Jurisdicional é indelegável. ou deixar de ouvi-lo. assim decidiu: “Ementa: Processo Penal..mas. decretando-se-lhe a reve­ lia é mil vezes preferível a primeira. 222. ao Amazonas. e. residente no Rio de Janeiro. mercê de precatória. v. 1. onde responde a ação penal. p.Deve.899). nada obsta se proceda com esse bom senso. no Rio Grande do Sul. pois o Juiz deprecante não pode delegar um poder que ele não tem. implicasse delegação de jurisdição. Entre as duas alternativas. Em outros casos excepcionais. che è ammessa solo nei casi tassativamente previsti. também. con­ forme a regra do art. deprecar o in­ terrogatório” (cf. O que não se concebe é deixar de ouvi-lo.. art 260). o extinto Tribunal Federal de Recursos. Por que razão não poderá ser ou­ vido onde estiver? Trata-se de puro bom senso. ouvi-lo por precatória. quando se pode fazê-lo. e a autoridade judiciária carece. Interrogatório do acusado. 281). sem condições para viajar. Suponha-se alguém processado na Comarca de São Leopoldo. Se a ouvida da testemunha em outra comarca.. com bastante acerto. de meios para mandar conduzi-lo (CPP. Se o acusado.. é perfeitamente defensável seu inter­ rogatório na comarca do seu domicílio ou residência. Não faz sentido exigir que o réu se locomova de uma cidade distante até a sede do juízo processante para ser interrogado. tendo domicílio e residência em Aquidauana. é admissível. não tem condições materiais de viajar.. na contingência. Aliás. não sendo possível. o que não é verdade.. porque melhor atende ao prin­ cípio da ampla defesa a que se refere a Constituição da República. uma vez que o poder de ouvir a testemunha é do Juiz do lugar em que aquela reside ou é do­ 198 . segundo Leone “non costituisce eccezione a tale principio la possi­ bilita... Se as testemunhas são ouvidas onde estiverem. conforme ementa publicada no DJIJ.

De­ sembargadores e Juizes dos Tribunais Regionais Federais para delega­ rem a realização do interrogatório ou de outro ato da instrução ao Juiz ou membro de Tribunal com competência territorial no local de cum­ primento da carta de ordem. sem que haja disposição expressa a respeito. sensibilizado com tais problemas. visando a dinami­ zar o andamento dos processos criminais e a evitar a locomo­ 199 .. nada obstaria a extensão do princípio aos interrogatórios. tanto mais quanto há pre­ cedente. E.. pelo fenômeno da autointegração da norma. alguma regra dispondo sobre a expedição de precatória para a ouvida da vítima quando residente ou domiciliada em comarca diversa daquela por onde tramita a causa penal? A resposta negativa se impõe. se a vítima pode ser ouvida por precatória. que tenha competência territorial no local onde devam ser produzidos”. No mesmo sentido o art.. fez baixar o Provimento CXCI. não há nenhum obstáculo legal em expedir preca­ tória para o interrogatório do réu. quando a vítima mora fora da jurisdição do Juiz da causa. Desse modo.miciliada. Porventura.038/90 confere poderes aos Ministros. a regra é a mesma para todos os Tribunais. 239 do Regimen­ to Interno do STF: “O Relator poderá delegai o interrogatório do réu (grifo nosso) e qualquer dos atos de instrução a Juiz ou membro de outro Tribunal.. não é ela ouvida por precatória? Claro que sim. E pomos exemplo: há. até o juízo processante para serem interrogados. de 19-11-1984. 225 do Regimento Interno do STJAliás. Eis o Provimento: “PROVIMENTO N. pouco importan­ do se presos ou soltos.. 9a da Lei n. permitin­ do a ouvida dos réus nas comarcas em que residirem. no CPP. uma vez que o § Ia do art. notadamente os presos em outras comarcas. Convém salientar que em face dos transtornos que havia e há para a locomoção dos réus.. E há no Código algum dispositivo disciplinando a ma­ téria? Claro que não! Ora. CXCI/84 O Conselho Superior da Magistratura. o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. 8. cai por terra a afirmativa de que os atos instrutórios somente podem ser praticados em outro juízo nos casos taxativamente previstos em leL.. aí está o parágrafo único do art. pelo seu órgão competente. dando alicerce bem caldeado a esse entendimento.

hoje. evidente que o art. Art. do interrogatório. nesse caso a precató­ ria será instruída com todo o material probatório. 5fi Este Provimento entrará em vigor no dia da pu­ blicação. de que trata o art. a precatória citatória também se destinará ao interrogatório. 394 do CPP). 4S do Provimento perdeu sentido. Art. esclarecendo-se ao acusado que o prazo para defesa começará a correr no juízo do processo no dia da juntada da carta precatória aos autos. e não da juntada da precatória.. não se aplicando a Súmula 710. cumpre lembrar: a) o prazo para o réu dar a sua resposta correrá da data da sua notificação.. b) como o interrogatório. para o fim único e exclusivo do interrogatório. dos depoimentos e de outras provas existentes no inquérito policial. vedada a prolação de despachos que não sejam os de cumprimento e devolução da carta. preso ou solto. 400) e em todo e qualquer procedimento de primeiro grau. caso ainda não citado o réu. São Paulo. independen­ temente de nova intimação. 19 de novembro de 1984” . 32 O Magistrado da Comarca deprecada estará auto­ maticamente designado para auxiliar na Vara deprecante. na hipótese de se entender como citação aquele ato do Juiz visando à “resposta do réu”. Não obstante o Provimento seja observado nos dias atuais. RESOLVE: Art. 4a A intimação para defesa prévia ocorrerá no inter­ rogatório no Juízo deprecado. é o último ato da instrução criminal (art. tal como dispõe a Súmula 710 do STF. Art.. pouco im­ portando se especial ou comum (§ 4a do art. estiver. 1GO interrogatório nos processos criminais poderá ser realizado na Comarca em que o acusado. 396 do CPP. a menos se entenda que essa citação é para o réu dar a sua resposta.ção desnecessária de acusados soltos ou presos para submissão ao interrogatório . 200 . revogadas disposições em contrário. Art. c) se o réu residir em outra comarca e se objetive apenas seu interrogatório. 2S Para realização do interrogatório será expedida precatória que conterá cópia da denúncia.

v. 182).. como bem diz Basileu Garcia. Citação do militar Tratando-se de réu militar. também. Nesse caso. e assim por diante. recorre-se. Atente-se para um empregado de circo: 15 dias num lugar. morosa e incerta. porquanto às vezes a Justiça se vê às voltas com criminosos que não têm paradeiro: ora aqui. pois. dela não se lançando mão. uma vez que a norma que se . em que passagei­ ramente se encontre.. É certo que o Código não a previu. se lance mão dessa via. nada obsta.Elementos. de providência a que se pode recorrer com grande benefício em alguns casos. Nesses casos. haveria sério prejuízo para a Justiça.. que conterá. Feita essa ressalva. não haverá razão paia citá-lo por meio do chefe do serviço. além de estar reconhecida a firma do Juiz deprecante. Trata-se. Evidente que o militar deverá ser da ativa. circuns­ tância esta que a estação expedidora do telegrama deverá mencionar. embora o CPP não fale em pre­ catória por telefone. 358. conquanto se observem as cautelas prescritas no art. desde que se tomem as precauções necessárias para averiguação da autenticidade do pedido. ora acolá. 30 em outro. Note-se que a própria lei civil a admite.15. em resumo. deverá o Juiz deprecante não se esquecer de que os ter­ mos por demais reduzidos do telegrama poderão criar embaraços ao cumprimento da diligência. às vezes. Trata-se de providência benéfica.. os requisitos exigidos para a precatória de carta. p. ou em que a via postal. haverá prejuízo para a boa mar­ cha do processo. não se pode negar que a medida é por demais salutar. e. por intermédio do chefe do respectivo serviço. se estiver na reserva. Se a citação não fosse possível por via telegráfica. Mas. em casos de urgência. a precatória poderá ser expedida por telegrama. ora ali. E possíyel a precatória por telefone? Lembra Frederico Marques que. 299). 207 do CPC (. 2. se admitiu a requisição da prisão por via telefônica (art. cit. a citação será feita nos termos do art. em que o retardamento dos atos processuais causaria dano.. poderia ser ineficaz paia alcançai1o citando em lugar conhecido. 17. com maior razão não vedaria a citação-precatória por telefone. Precatória por telegrama Havendo urgência. à chamada “pre­ catória itinerante” 16. em caso de urgên­ cia.

que tal ofício requi­ sitório deve conter todos os elementos que a lei considera essenciais ao contexto do mandado e que vêm expressos no art. o chefe do serviço dará sua resposta ao Juiz processante.contém no art. 358. e àquela hora. não se expede mandado. 359 dá a entender que o funcionário também será noti­ ficado Mas. atendendo à subordinação hierárquica. a cientificação prévia ao chefe permitirá a este designar alguém para substituir naquele dia. dirigido ao chefe do serviço onde se encontre o militar. expedindo. não seria justo que o funcionário pudesse sair da sua repartição sem que o seu chefe tivesse prévio conhecimento. exige a lei deva o chefe da sua repartição ser notificado de que. em tal dia e a tal hora. também. a forma legal de cientificação. o mandado. E certo que o art. ao mesmo tempo e se possível. deverá ser expedida precatória paia a comarca onde ele se encontre. Citação do funcionário público Se o réu for funcionário. Mas. 352. Segundo toda a doutrina. por acaso. cabendo ao Juiz deprecado proceder-lhe à requisição. Malgrado o en­ tendimento da doutrina. pelo qual o Juiz requisita o comparecimento do militar no dia e hora designa­ dos na requisição.. dependendo do caso con­ creto. mesmo porque. conforme ensinamento de Basileu Garcia. com Basileu Garcia. Assim. autorizá-lo a comparecer a juízo Claro que.. Apenas se exige deva o chefe da repartição ser cientificado de que o réu funcionário deverá comparecer a juízo em tal ou qual dia. é o mandado de citação. Assim. cientificando-o do recebimento da comuni­ cação feita. apenas um ofício. independentemente da sua citação. o funcionário cuja presença é reclamada pelo Juiz. o funcionário réu deverá comparecer a juízo. Trata-se de medida necessária. quando se tratar de citação de militar. procedendo-se. e não como privilégio Cumprirá ao Juiz processante expedir um ofício requisitório. também. cumprirá ao chefe do serviço fazer chegar ao conhecimento do militar o inteiro teor do ofício e. Se. pois. quer-nos parecer mais acertado encaminhar o ofício requisitório. 358 foi ditada tendo em vista as necessidades do ser­ viço e disciplina militares. à citação pessoal. ao receber o documento. o militar se encontrar' fora da comarca do Juiz pro­ cessante. 18. Observe-se. bem como da autorização para comparecer. nos termos do art. será citado por mandado ou precatória. na hipótese. deverá o Oficial de Justiça proceder à 202 . Repita-se: a citação será feita segundo a regra geral. conforme o caso.. Magalhães Noronha e Walter Acosta.

Assim. 360. já nos havíamos manifestado nesse sentido quando a Lei n. Esta disposição é aplicável mesmo quando o imputado esteja detido por causas diversas do processo para o qual deva praticar-se a notificação”. afastado do serviço até o dia designado para o seu comparecimento. dando nova redação ao art.. determinou que a citação do preso fosse feita pessoalmente.citação do funcionário e. comunicando-lhe ter sido designada esta ou aquela data para o comparecimento do funcionário citando. Se tal ofício não for expedido. entendemos.. que é a notificação ao chefe da repartição. dispunha: “as notificações ao imputado detido são realizadas pelo Oficial Judicial mediante entrega da cópia à própria pessoa. de 1Q-12-2003. para que não haja prejuízo ao bom andamento do serviço público. Convém ponderar. Mas não basta apenas essa requisição. 168. Citação do preso Tratando-se de pessoa que se encontre presa. mas cumprido o mandado. com Bento de Faria. é preciso se faça uma distinção: presa na comarca do Juiz processante ou presa em território sujeito à jurisdição de outro Juiz. que. Daí se conclui que. 1. contudo. deverá o Juiz ex­ pedir ofício ao diretor do presídio requisitando sua apresentação em juízo. que essa medida complementar.792. 19. em cumprimento à precatória expedida pelo Juiz processante. onde vai ser interrogado.. para diligenciar sua apresentação ao Fórum. 156 do amai Código peninsular: “Le notificazioni alfimputato detenuto sono eseguite nel luogo di detenzione mediante consegna di copia alia persona” 203 . ao mesmo tempo. justifica-se. desnecessária será aquela notificação E se o funcionário residir fora da comarca do Juiz processante? Tais providências deverão ser tomadas pelo Juiz daquela comarca. Como a lei não permitiu se fizesse a citação pelo diretor do presídio. inde­ pendentemente da citação pessoal. 408).. No primeiro caso. se o funcionário estiver.. em sua própria pessoa (c f Código. redação esta mantida pelo art. no dia e hora designados. deve ser expedido um ofício requisitório aò Delegado. entregar ao chefe da repar­ tição ofício do Juiz. 10. por qualquer motivo. cit. p. Note-se que procedimento idêntico era adotado pelo CPP italiano de 1930. Diretor do Presídio ou quem suas vezes fizer. no seu art. quer-nos parecer que. que a citação deva ser feita nos termos comuns. Aliás. conforme assinalamos. v. o funcionário não terá obriga­ ção de atender ao chamamento judicial.

tai como permitem os §§ l 2 e 2Qdo art. Réu que se encontra no estrangeiro. de l e-12-2003. 368 do CPP. A carta rogatória deverá ser encaminhada ao Ministério da Justiça. seja ele ouvido no próprio presídio ou por videoconfe­ rência. RT.Além disso. Anteriormente. tão logo retome a carta rogatória. e a este caberá soli­ 204 . E. 715/467. o preso não poderá sair do xa­ drez. o prazo recomeça a paitir da data do seu efetivo cumprimen­ to A carta rogatória é semelhante à carta precatória. 185 do CPR 20. A propósito. usam-se as expressões “Justiça Rogante” e “Justiça Rogada”. tal como assinalamos acima. é assim mesmo que se procede à citação do preso. “se o réu estiver preso. ou a quem suas vezes fizer.. pouco importando se a infração é ou não inafiançável. 609/345. se fará mediante carta rogatória. Haverá necessidade de legalização consular? O art. com esta particula­ ridade: enquanto a carta rogatória não for cumprida. a citação (e com mais razão a notificação).792. o prazo prescricional fica suspenso. naque­ la. Requisição e citação são coisas diversas. O direito pretoriano vai corrigir: o preso será citado pessoalmente e. nos teimos do art. mas omite a requisição. 360 dispunha que estando o réu preso era requisitada a sua presença em juizo.271/96. dependendo do caso concreto. cabendo ao Juiz deprecado fazer expedir o mandado de citação e encaminhar o ofício requisitório ao diretor do presidio ou a quem suas vezes fizer. O novo texto diz como se procede à citação. 9. 10. equi­ valentes a “Juiz deprecante” e “Juiz deprecado”. 703/315. Com a nova redação que lhe foi dada pela Lei n. com a redação dada pela Lei n. Se o citando estiver preso em outra comarca. o art. um ofício deverá ser dirigido ao diretor do presídio requisitando a apresentação do acusado em dia e hora designados no mandado citatório. indepen­ dentemente do mandado citatório. pois. do contrário. será citado pessoalmente”. A rogatória. a menos que. 717/404. uma vez suspenso. Não dizia como deveria ser feita a citação. Como se procede à citação. na prática. Nunca ficar esquecido deva ser remetido ao diretor do presidio. a citação far-se-á por meio de carta precatória. um ofício requisitório.. sendo que. mas em lugar sabido. 210 do CPC Se o réu estiver no estrangeiro.

tal como se vê pelo disposto do art„ 782 do CPP. e este. a quem nem o costume lhe conce­ de imunidade. 26. Normalmente. será remetida à autoridade judiciária estrangeira. dispondo sobre os requisitos da rogatória. Espínola Filho. p. Basileu Garcia. convenções ou regras de Direito Internacional. com apoio em Arthur Briggs. Todavia. Como o Processo Penal não explicitou os requisitos das rogatórias. Disciplinando o instituto das rogatórias. que sejam submetidas à legalização consular-. Assim. . então. Por essa razão. a via diplomática é prova suficiente da autentici­ dade da carta rogatória.. solicitará ao Ministro das Relações Exteriores o seu cumprimento. sejam acompanhadas da respectiva versão do idioma do país a que se destinàm. se um funcionário de uma embaixada. à falta desta. quanto à sua admissibilidade e o modo de seu cumprimento. observa que algumas legislações não atribuem autenticidade às vias diplomá­ ticas e reclamam a legalização consular. sua citação será feita por meio de carta rogatória. é aconselhável que as cartas rogatórias. sempre que possível.. 210: “A carta rogatória obedecerá. Citação em legações estrangeiras Ainda por carta rogatória se procede à citação de pessoas que não gozam daquelas imunidades a que se referem tratados. depois de traduzida para a língua do pais em que há de praticar-se o ato”. ao disposto na convenção internacional. o CPC estabelece no art. por via diplomática. 202 do mesmo diploma salienta dever a rogatória conter os mesmos requisitos exigidos para as precatórias. É como soa e como se explica o a rt 369 do CPP. residir na referida embaixada ou legação.) 21. 413) (Ver no Apêndice a Portaria n. dirigida ao Ministério da Justiça. devem ser aplicadas as normas do Processo Civil. para evitar possíveis dúvidas. pondera que. Por outro lado. e que se encontrem em legações es­ trangeiras. Do Ministério das Relações Exteriores seguirá a rogatória. pela via diplo­ mática. com acerto..citar ao Ministério das Relações Exteriores o seu cumprimento. que se reconheça por tabelião a firma do Magistrado signatá­ rio e. o art. por analogia. antes de serem enviadas ao Ministério da Justiça (c f Comentários ao Có­ digo de Processo Penal. finalmente. à justiça rogada.

9a da Lei nu 8. nem constituindo Defensor. A carta de ordem Cumpre. mas apenas por cortesia.Não porque o Brasil entenda que as sedes das embaixadas sejam território estrangeiro. TRFs e Tribunais de Justiça. Se o órgão que expedir for de grau superior. 1991. entretanto. há ainda a citação (ou no­ tificação) por edital. a nomear-lhe um patrono e proceder à produção antecipada das provas consideradas de natureza urgente. Da mesma forma que os diplomatas gozam de imunidade material e formal. finalmente. os locais onde funcionam as missões diplomáticas são fisicamente invioláveis. quanto ao órgão de que emana. são invioláveis em qualquer circunstância e onde quer que se encontrem (cf. Dela se distingue. ou até mesmo por meio de carta de ordem. Não atendendo ao chamado. após o que o processo e o curso da prescrição devem ficar suspensos. evidentemente que este não solicitará a um inferior a prática de algum ato processual. TREs. de precatória. que. Daí a expressão “carta de ordem”. 396 do mesmo diploma. a exemplo dos diplomáticos. Saraiva. STJ. ou não.. adiantar que existe outra maneira de se pro­ ceder à citação pessoal. Ela é semelhante à carta precatória. 173) . fala-se em precatória. J. 206 . Ordenará. p. que se empresta àqueles “pedidos” formulados pelos STF. administra­ tivo e técnico. 23. 22. de ofício requisitório. Citação (ou notificação) por edital Ao lado da citação pessoal. nos termos do art. nas ações penais originárias. Quando o órgão que a solicita e aquele a quem se solicita são do mesmo grau. o Juiz pode limitar-se. Assim também os prédios onde residam os quadros diplomático.. realiza-se por meio de mandado. Rezek. a teor do § Ia do art.. 366 do CPP e parágrafo único do art. Quanto aos arquivos e documentos consulares.. Direito internacional público. segundo vimos. que é feita por meio da imprensa e de afixação do édito à porta ou no átrio do edifício onde funciona o juízo . única e exclusivamente. F. Trata-se da carta de ordem. e ante a dúvida se ele efetivamente tomou conhecimento. Já os locais consulares “são invioláveis na medida estri­ ta de sua utilização funcional”.038/90. de rogatória.

. § Ia. em certos casos (e como exceção— é bom que se frise). se for o caso. rarissimamente dela toma conhecimento o réu. 366.271/96. nos termos do art. A nosso juízo. adotando.). o processo e o curso do prazo prescricional ficam suspen­ sos. seria promessa vã ou platônica. prosseguindo o processo em seus ulteriores atos. podendo o Juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. nota 60) Sem embargo disso. p . 189. dando nova redação ao art. O CPP. a citação-edital. e. c/c o art. pois. dispondo que. Essas provas serão produzidas na presença do Ministério Público e do Defensor dativo.. se assim agiu. Mas. cit. Para Frederico Marques. nunca se lhe proclamou a inconstitucionalidade. 366 do CPP. ambos do CPP). Apesar disso. 209-10).24. sem prejuízo de poder o Juiz (faculdade) determinar a realização das provas consideradas urgentes. p. 9. não lhe estaria assegurado o pleno exercício da defesa. decretar prisão preventiva. a notificação-edital) é de duvidosa constitucionalidade. a citação-edital (hoje diríamos. findo o prazo da citação editalícia (notifica­ ção. ter-se-á por citado (ou notificado) pessoalmente. 396. fê-lo por entender que os altos interesses de uma reta e segura administração da Justiça falavam e falam mais alto.. v. Crítica Sendo a citação (ou notificação) publicada na imprensa ou sim­ plesmente afixado o edital à porta do Fórum. citado o réu por edital. Processo criminal brasileiro. poder-se-ia pensar que aquela ampla defesa. 2. repita-se. Comparecendo o réu. não acudindo ao in jus vocatio. 207 . O dispositivo contém duas normas: uma de índole penal (suspen­ são do prazo prescricional) e outra de ordem processual (suspensão do processo). O nosso João Mendes Júnior entendia preferível man­ ter íntegro o princípio de que nemo inauditus damnari potest (ninguém pode ser julgado sem ser ouvido) a permitir o perigoso expediente da citação-edital (cf. a Lei n. Citação ffcta. recuou à lição de João Mendes Júnior. nos termos em que a regula o nosso Direito Processual Penal (Elementos. se o réu não foi realmente citado. a que se refere a Constituição.. transigiu com o principio de que ninguém pode ser julgado sem ser ouvido.. v. 312. também. 2. nem constituindo Advogado.. o processo penal fica suspenso (art. assim.

. direitos e valores. 366. depois de tan­ tas condenações de revéis citados por edital. quis homenagear a Defesa. perturbada com a violação da ordem juridico-penal. pudesse o réu ser conde­ nado desconhecendo a existência de alguma acusação contra ele. porém. que o réu. como não se con­ cebe. Não pode ser condenada sem exercer. verdadei­ ro simulacro de citação. Presente o réu. verdadeiro dog­ ma de fé? O legislador. O processo ficará suspenso até que ele apareça. lesionava-se o direito de defesa. Mas não é a mesma coisa. Até aí o respeito e a homenagem ao direito de defesa.. dando destaque especial ao princípio do audiatur et altera pars„A parte contrária deve ser ouvida em qualquer cir­ cunstância. não admite a aplicação do art 366 do CPP. porquanto não se concebia. Se de um lado o Estado procurava preservar os interesses da sociedade em face da conduta daqueles que violavam a ordem juridico-penal. 394 do CPP.. haja vista que muitas vezes o cidadão era processado e condenado sem que lhe fosse dada real oportunidade para defender-se. contraditas e arguição de defeitos em relação às testemunhas. sem grave ofensa ao direito de defesa. como sugerir reperguntas. O audiatur et 208 . não será condenado sem ser ouvido. e ainda que se trate de Defensor dativo.613. Todavia. principal­ mente em razão do art. a presença do acusado é importante. que não acudir ao chamamento a juízo. visto presumir-se que o réu tomou conhecimento da acusação contra ele intentada. por outro. que dispõe sobre os crimes de “lavagem” ou ocultação de bens. citado por edital. porquanto pode não só indicar tes­ temunhas. Há uma exceção: a Lei n. em face do que dispõe o § 4a do art. 9.. em toda a sua am­ plitude. 396 do CPP. Não será julgado sem ser ouvido. terá ele liberdade para escolher o seu Advogado. o legislador. Pouco importa a natureza da infração. estabeleceu. no art. simplesmente. 363 do CPP. o seu direito de defesa. Após mais de meio século de vigência do Código. como continua fazendo. por óbvio que essa exceção não mais faz sentido. Como conciliar. não permitindo que criminosos astutos pudessem burlar a ação da Justiça.Sempre houve enorme grita a respeito da citação-edital. agora. A mesma regra está no parágrafo único do art. Certo que o Juiz lhe nomeava. um Defen­ sor. Pre­ sumia-se que ele sabia estar sendo processado. Por isso mesmo a citatio edictalis era considerada ficta. os interesses da sociedade. na sua nova redação. e a ampla defesa. de 3-3-1998.

Todos os povos sabem e reconhecem que o passai do tempo exerce poderosa ação sobre as relações jurídicas. no dispositivo em análise. apare­ ce o autor e confessa o crime. mude de endereço... de con­ seqüência. E assim procedendo. Verdadeiro encima­ do disparate. autor de lesão corporal leve.altera pars permanece intangível na sua imperativa determinação: a Defesa é medida imperiosa.. Certo que a Constituição prevê. seja com a transação. não havendo denúncia. por encontrar melhores condições de vida em outro lugar. não atende ao chamado. à sua maneira. seja com o julgamento antecipado de que trata o art. o réu não pode ser citado e. se o fato praticado já foi coberto pelo manto do esquecimento? Qual a vantagem. não se aplica a regra do art. como as penas alternativas. Por outro lado. já está superado o entendimento dos positivistas que considerava a prescrição como “um prêmio dado à habilidade ou à astúcia do criminoso que lograva iludir a lei” . em face da prescrição. do curso da prescrição. tráfico ilícito .. Quarenta anos depois. 366. notadamente numa época em que o nosso Direito Penal atingiu uma etapa mais humana. o legislador procurou. deve pros­ seguir. o que é defeso . 397. se as provas se esvaíram e se desvaneceram? Por que processar se a força natural do tempo fez esfumar o alarma social? A suspensão do curso prescricional é um verdadeiro retrocesso. seja com a admissão da suspensão condicional do processo. Sendo desconhecida a autoria. resguardar os interesses da sociedade. Poderia ser severo sem conduzir ao absurdo. mais digna. nomeadamente sobre o direito de punir. tornando-se revei. uma vez que a lei determina. Qual o in­ teresse da sociedade em instaurar um processo contra alguém. conduzindo os aplicadores da lei ao absur­ do. Citado por edital. não pode ser ofertada denúncia. O despropósito é inimaginável. que. Mas essa vantagem é apenas aparente: paralisado o processo. Vinte anos depois. E este.. não poderá o imputado beneficiar-se com even­ tual prescrição. também. volta à Comarca e alguém se lembra daquele processo. Em outra hipótese: comete-se um bárbaro assassinato. excepcionalmente. seja com outros institutos. Suponha-se um cidadão. Autoria desconhecida. logo após o fato. que somente recomeça­ rá tão logo ele se apresente.. sua severidade foi inominável. na ótica do legislador. já velho. tortura. Contudo. a suspensão. Nada mais poderá fazer a Justiça. a imprescritibilidade em se cuidando da prática de racismo.

o titular da ação penal delas tomar conhecimento. durante ou após a instauração do processo. E diferente das hipóteses cuidadas na Lei das Leis. são imprescritíveis. a nosso juízo. 5a. se foi citado pessoalmente. dos crimes definidos como hediondos e da ação de grupos armados. uma vez instaurado. não comparecer nem constituir Defensor. não o fez. dar combate às infrações gravís­ simas e preservar o Estado Democrático. Se condenado. citado por edital. tenha sido o réu citado por edital ou pessoalmente. essa sus­ pensão do curso da prescrição por prazo indeterminado não implica imprescritibilidade de conduta. de exceções ditadas por motivos outros: eliminar os conflitos raciais. Ali é o crime que é imprescritível: antes. em todas essas hipóteses não há cuidar-se de imprescritibilidade. O art 366 objetiva impedir que os citados por edital. ficar 30 anos desaparecido.. em qualquer desses casos. A hipótese tratada no art. citado por edital. sim. se após 20 anos. XLIU e XJLIV). Se o réu. civis ou militares. no CPP. pode­ rá instaurar o processo.. a teor do art. não haverá prescrição. Se. ao contrário daquelas hipóteses tratadas na Lei Maior. É o prazo prescricional que fica suspenso se. 52. não se pode estabelecer. data venia.. comparação entre a imprescritibilidade a que se refere o art.. não atendeu ao chamado. não Não e renão. e não for encontrado paia o cumprimento da pena. 366 não é símile daquelas previstas no texto da Lei Maior. naque­ les incisos do art. não atender ao chamado. por sinal). em se tratando daquelas condutas imprescritíveis. ficar tramitando por tempo superior a 20 anos (suponhamos). O legislador ordinário 210 . logrem a impunidade. não haverá prescrição. Os crimes a que se refere a Constituição Federal. mas constituiu Advogado. XLH. terrorismo. A diferença é bem grande. 366. foi citado (ou notifica­ do) por edital. não pode ser estendida pelo legislador ordinário a outras condutas E este. 733/600). a prescrição fica suspensa se. a toda evidência.de entorpecentes e drogas afins. Essa perenização (ab­ surda. Se este. vier a ser conde­ nado.. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. Aqui. se atendeu e depois deixou o processo à revelia. Trata-se. e não atendeu ao chamado. Sem embargo de entendimento contrário (RT. 366 do CPP com a tratada no corpo da Lei Básica. efetivamente. Logo. Já as infrações praticadas por aqueles citadòs por edital que não acudirem à citação nem consti­ tuírem Advogado. prevalecen­ do-se dessa circunstância. Desse modo. a prescrição será regulada pela pena imposta.

Hoje. por exemplo. findo o mandato. Aquele dispositivo prevê três hipóteses em que se admite a suspensão: a) quando suscita­ da questão prejudicial que leve o Juiz a suspender o curso do processo até que a questão seja solucionada. E os §§ 42 e 52 complemen­ tam: “O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias do seu recebimento pela Mesa Diretora”. sustar o andamento da ação” . b) quando o réu estiver cumprindo pena no exterior. 29161).. ReL Celso de Mello.. p. a menos que o congressista seja. dispõe o § 32 do citado artigo que. teria afrontado a Lei Maior. A nosso juízo.. por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros. Na verdade. excepcionalmente. que. 53 da Lei Maior.Mais ainda: cremos que. em face daqueles incs. o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva. 27-10-1994. que. “Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado. ao que parece a situação continua a mesma. persona non grata. o objetivo foi e é um só: impedir a impunidade. ou simplesmente quando este não se manifestasse sobre a licença solici­ tada (e então a prescrição ficava suspensa a partir da data do indeferi­ mento ou daquela em que o Ministro-Relator exarava despacho solici­ tando a autorização exigida pela Constituição — STF. A prerrogativa continua íntegra. Inq. tenha dado nova redação aos diver­ sos parágrafos do art.. não obstante a Emenda Constitucional n„ 35/2001. 242-9. enquan­ to durar o mandato”. o prazo prescricional continuará sus­ penso. A Constituição também previa fosse suspenso o prazo prescricional quando a Câmara ou o Senado indeferisse pedido de licença para a instauração de processo penal contra membros do Congresso. implicita­ mente. c) se. poderá.. E se o crime for praticado antes 211 . “A sustação do processo suspende a prescrição. por crime ocorrido após a diplomação. proibiu que normas subconstitucionais estendessem a imprescritibilidade a outras infrações. até a decisão final. condenado definitivamente.. E se o fizesse não teria razão. cremos. Em todos esses casos. apenas com roupagem diferente.. que o art 116 do CP há mais de cinqüenta anos prevê a suspensão do curso da prescrição. DJU.não estabeleceu a imprescritibilidade para determinadas condutas. se houver reeleição. Note-se. e jamais alguém ousou criticar o legislador.haverá sustação. não cremos que o espírito corporativista fale menos alto. a prescrição não corre durante o tempo em que está preso por outro motivo. Se assim o fizesse. XLII e XLIV do a rt 5a.

. nesse caso. nas hipóteses ali indicadas. E uma vez suspenso. agindo como agiu.Depois de tantos anos. 53 da CF.E que in­ teresse teria a sociedade em puni-lo? O Juiz e o Promotor que vão dar continuidade ao processo nem eram nascidos quando da prática da­ quela contravenção. 53 da Mag­ na Carta. Oitega Tones. Citado por edital. a estabelecer a suspensão do curso da prescrição durante o man­ dato do congressista. Como ninguém lê os editais afixados no átrio do Fórum. 366 do CPP: evitar a impunidade* Contudo.. E a resposta negativa se impõe porque não se criaram figuras delituais imprescritíveis. trad. uma vez que a competência para o processo. Qual o interesse do Estado em puni-lo? “Seria ir contra una ley natural inexorable. que inspirou a redação do art. nem por isso os crimes come­ tidos por Deputados Federais.da diplomação? Seguindo à risca o disposto no § 3a do art. se transfere para o STE Evidente que a circunstância de o prazo prescricional ficar sus­ penso por tempo maior ou menor é irrelevante. notadamente a testemunhai e a pericial.. se retornar à Comarca cinqüenta anos depois. ope constitucionis. en­ tendemos que o legislador foi por demais severo. Mas o processo fica suspenso e o curso da prescrição tam­ bém. o legislador ordinário afrontou a Constituição da República. é bem provável que a Câmara ou o Senado estenda o bene­ fício... v. O processo ficaria suspenso. sem tirar nem pôr uma vírgula. independentemente de qualquer comunicação ao Legislativo. Senadores e Deputados Estaduais torna­ ram-se imprescritíveis. p 364)... 53 da CF. às vezes até a cidade mudou de nome. Não. Permitindo a Constituição da Repú­ blica e as Constituições Estaduais a suspensão da prescrição naquela hipótese objeto do § 52 do art.. aí é que o prazo prescricional vai começar a fluir. o infeliz nem sabe o que aconteceu . o fato já caiu no esque­ cimento. Interessa saber se. 116 do Có­ digo Penal e do art. desconocer la acción corrosiva dei tiempo en la relación juridíco-penal” (Giuseppe Maggiore. 212 . 2. Pensamos que o legislador podia ter sido severo sem perder o bom senso. não atende ao chamado. Derecho penal. Suponha-se que alguém processado por uma contravenção mude de endereço. o processo deverá ser instaurado e tramitai' normalmente. com a produção antecipada das provas de natureza urgente. posto desconhecê-lo.. Mas. no § 5a do art. Bogotá. foi a mesma. 1954. A razão que levou o legislador constituinte. Editorial Temis.

venha a emprestar-lhe interpre­ tação condizente com a necessidade da reprimenda. é sinal evidente de que sabe que está sendo processado. Note-se. Ou que se fixasse em dobro o prazo prescricional para essas hipó­ teses. VII. se não atender ao chamamento judicial e. considerada a pena em abstrato. “vivo”. relativo a processos findos. considerando que o texto legal pode conduzir ao absurdo.. também. como inclusive porque o Estado não pode exigir a punição de uma infração de que ninguém mais se lembra. O Direito Penal não pode ficar preservado das injúrias do tempo. é a prescrição longissimum tempus. que mais de 40% dos processos criminais em todo o Pais dizem respeito a réus citados por editais. observadas as regras dos arts. e tempo útil.. é bem possível que o direito pretoriano.. ao mes­ mo tempo. sustentar que o prazo prescricional será o atinente à pena máxima cominada ao crime . porém. o curso da prescrição até o limite máximo fixado para a espécie pelo art.Haja Cartório para a guarda de tantos processos. a pres­ crição voltaria a fluir. 109. também. E isso numa época em que se procura agilizar a Justi­ ça. Por outro lado. no campo penal. suspender-se-ia. o prazo . Poder-se-ia. constituir Advogado para patrocinar-lhe a causa. da mesma forma que se fixou pela metade o lapso prescricional para os maiores de 70 anos. do CPP). obrigando o Juiz a proferir decreto absolutório com fundamento no art. desformalizar certos procedimentos e despenalizar determinadas condutas. nesse caso.como dever do Juiz (e não como mera faculdade. a prescrição em vinte anos.. lá se disse que no coiTer dos anos a recordação do crime mais ou menos se apaga. 110 e 117 do CP. mas isso enquanto houver consciência do mal causado. e outro. 386. mesmo porque de nada adiantará suspender o processo e não serem tomadas aquelas providências. e a própria sociedade modifica-se com a mudança dos indivíduos que a compõem» Claro que o criminoso deve sofrer a sua reprimenda... Nesse caso. nesses casos.»» E com dois arquivos: um arquivo “morto”. não haveria suspensão. mas interrupção. além de tudo. e por isso mesmo o jus punieridi deve ser exercido no tempo. Mas. que. atinente aos cita­ dos por edital. e. não só porque o moderno Direito Penal repudia a perenização do jus persequendi. pois a ação deletéria do passai' dos anos esvaziará toda a instrução criminal. 109 do CR Findo o prazo. fixando. mas o revel não faria jus à prescrição retroativa. Outra solução: a prescrição fluiria normal­ mente.

a tarefa será um tanto quanto árdua. como bem proclama o art. Hoje. que. por encontrar amparo no a rt 312 do CPP.. nesses casos. Nestes. Não é justo. ser absolvido. nos termos do parágrafo único do art. a revelia implica con­ fissão quanto à matéria fática. não tem a extensão que se lhe confere no Processo Civil ou mesmo no Direito do Trabalho. pois que ninguém pode ser proces­ sado ou julgado sem defesa. pode ser até um indício sério e grave de pretender não se submeter a eventual pena que lhe possa ser imposta. felizmente. Nada im­ pede que ele. 26 L Houve uma época em que a revelia tinha conseqüência séria. pois. O que passar daí é violência sem nome. o que dificulta formulação de reperguntas às testemunhas. pelo fato de desconhecer certas particularidades. para a Justiça. não... p„ ex. A revelia.. Mas. se houver prova de que realmente fugiu com receio de uma condenação. que.).para ser dada a “resposta” de que trata o art. Dizia-se até: contumax pro convicto et confesso habetur.. uma conseqüência desagradável: se o réu não atende à citação nem constitui Advogado. O réu contumaz (que desatende ao chamado) é tido e havido como culpado e confesso. pois. compareça. se satisfeitas as exigências previstas no art. estando em jogo interesses disponíveis. embo­ ra revel. para este. No Processo Penal.312. Muitas vezes o autor da conduta punível muda de endereço por uma série de motivos (despejo. esboçou-se movimento por parte de alguns Juizes no sentido de decretar a prisão preventiva de todos aqueles que fossem citados por edital e não acudissem ao chamamento. no Processo Penal. é arbitrariedade manifesta. Ele pode ser revel e. 214 . Valendo-se. se contratou um Advogado. procura de outro lugar onde encontre melhor colocação. Dependendo das circunstâncias. terá direito a um Defensor. a final. Por outro lado. mas. Há. desavisadamente. 366 começará a fluir nor­ malmente-. nenhuma obrigação de chamá-lo. Mas. esta a conseqüência: o réu não mais será intimado para qualquer ato do processo. não obteve completo êxito. Manifesta a absurdez dessa corrente. o Juiz poderá até decretar-lhe a prisão preventiva. contudo. Certo que o Juiz lhe nomeia um defensor. 396. do novo disciplinamento da citação-edital. Não é pelo fato de o réu não atender ao chamamento em juízo que o alegado em relação a ele deva ser aceito como verdade. seja-lhe decretada a medida extrema. violenta por na­ tureza. menos para deixar de receber a citação. a medida odiosa até que se justifica. o processo e o curso do prazo prescricional ficam suspensos.. querendo e sabendo da sua realização. não havia razão para desatender à citação (rectius: notifi­ cação).

deverá continuar ainda à frente do processo por mais 10 dias. sendo susci­ tada questão prejudicial. Afinal de contas ele. Na verdade. se com a simples suspensão do processo. se o adjetivo “outras”. 215 . ciente da nomeação. Que provas são essas? Depende do caso concreto. pode o Juiz determinar a produção “das provas consideradas urgen­ tes”. a respeito de estado civil das pessoas.. busca e apreensão. 92 do CPP. pois. suspenso o processo. não se lhes pode negar o caráter de urgente. não atender ao chamado nem constituir Advoga­ do. retoma sempre a ideia ou conceito dado anteriormente. Insta esclarecer que. Não são apenas aqueles testemunhos das pessoas elencadas no art. cuja solução no cível não dura mais que 2 ou 3 anos. sem que se saiba onde foi morar. parece claro que o legislador consi­ derou o testemunho como prova de natureza urgente. Este dispõe que. citado por edital. e até mesmo de audiência de testemunhas. uma destas será a testemunhai. em face da ampla defesa. e. num discurso. a nosso juízo. falecer. séria e fundada. É claro que a testemunha pode mudar de endereço. na hipótese de o réu. 366 do CPP. na verdade. a teor do art. considerando a imprevisibilidade da morte. nada impedindo que o réu. pode ausentar-se do Estado ou do País. mesmo assim. XI. referido no art. o curso da ação penal ficará suspenso até que no juízo cível seja a controvérsia dirimida por sentença passada em julgado. Todavia em se tratando de perícias. 366.E se o Advogado constituído. Ora. Tais circunstâncias já indicam que. em face de uma questão prejudicial. ficar gravemente enferma de molde a nem poder comunicar-se com o mundo exterior.. da inquirição das testemunhas e de outras provas de natureza urgente”. na dicção do art. o Juiz será obrigado (art. deverá apresentar razões convincentes. “sem prejuízo. nos termos do art 34. é sinal de que considerou a prova testemunhai como urgente. na hipótese de o Juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes. 265. sob pena de multa de 10 a 100 salários mínimos. após o que. renunciar ao mandato? Para fazê-lo. 225 deste Código que apresentam a marca da urgência. do Estatuto da Advocacia. constitua outro. se o réu não vier a constituir outro. entretanto. E. à semelhan­ ça do que ocorre com o art. o legislador determinou a “ouvida das testemu­ nhas e de outras provas de natureza urgente”. a inquirição de testemunha é providência que deve ser tomada com certa urgência. tem esse direito. 261) a nomear-lhe um. De concluir.

deve não só colher antecipadamente os depoimentos. indispensável.. far-se-ia a citação por edital. constituir Defensor. como. não obstante revel. o lugar em que estivesse o réu. o réu não será encontrado» 216 . inclusive. como exceção. 25. pois do contrário haveria um simulacro de prova. aparecendo o acusado. 3a) far-se-ia a citação-edital quando inacessível. como se presente estivesse. As hipóteses em que se permite a “citatio edictalis” Havia cinco hipóteses em que se permitia. malgrado a omissão do legis­ lador. com o prazo de 5 dias.. determinar perícias e busca e apreensão. se for o caso. 2a) verificando o encarregado da citação que o réu se ocultava para não recebê-la. não deve o Juiz limitar-se a inquirir as testemunhas que estejam enfermas ou idosas. constituir Defensor paia substituir o nomeado Não aparecendo. pouco importando a natureza da infração penaL Hoje a lei se limita a dizer que o réu será citado por edital se não for encontrado (e evidentemente numa dessas hipóteses.que em se tratando de réu que não atendeu à citação editalícia. deverá estar presente o Defensor nomeado. 4a) quando incerta a pessoa que tivesse de ser citada. o processo seguirá seu curso normalmente. facultando-se-lhe. em hipóteses dessa natureza. a presença do querelante» Antes. além do Ministério Público. nem constituiu advogado. sem prejuízo de eventual produção ante­ cipada das provas urgentes» Se. durante ou após a produção dessas provas. E se o réu comparecer 10 ou 15 anos depois? As testemunhas seriam capa2 es de relatar pormenores? Não poderiam morrer nesse espaço-tempo? Mudar de endereço sem que se possa localizá-las? Evidente que o Juiz. de guerra ou por outro motivo de força maior. Tratando-se de ação penal privada. o processo e o curso do prazo prescricional ficam suspensos. em virtude de epidemia. Ordenando o Juiz a produção antecipada das provas consideradas urgentes. e o processo prosseguirá normalmente. ele será considerado como citado. 5a) se o citando estivesse no estrangeiro em lugar não sabido. ressalvada a segun­ da — que hoje é feita por hora certa —. a citação-edital: Ia) se o réu não fosse encontrado. se for o caso.

mas nâo sabido (não se sabe o bairro. está ele em lugar incerto e não sabido”. RT. diligenciar a localização do réu e. Às vezes. enfim. mesmo grande. De regra. real. No mesmo sentido.'e. às vezes. Se o réu não for encontrado Expedido o mandado de citação. no verso do mandado. o encarregado da diligência localiza-o em lugar certo (está em São Paulo). na prática. que o réu “se encontra em lugar incerto e não sabido” Com acerto. é muito usada e tem dado resultados benéficos. ou. Haja vista que a citação pessoal. 609/445). Ocorre que.. . Assim. sem maiores e mais intensas buscas. Com referida expressão quer-se dizer que o oficial da diligência nem sequer conseguiu saber em que parte do território. encar­ regado de cumpri-lo. a despeito de certo e não sabido o lugar. o Ofi­ cial de Justiça usa da expressão “. nacional ou estrangeiro. rua e número do prédio onde resida. deve o Oficial de Justiça. é a que corresponde com exatidão à garantia constitucional da defesa e ao direito natural. que não conseguiu localizá-lo nem obteve informações do seu paradeiro. Também nesse caso o réu não pode ser encontrado... 678/395 e 734/737. deverá o Juiz oficiar à Polícia para tentar localizá-lo. o lugar certo for pequeno ou. de providência que. Lembra Espínola Filho que todas as vezes que o encarregado da diligência informar que o réu não foi encontrado. caso não o encontre. proclamou o Supremo Tribunal Federal: “A citação-editai é medida excepcional no chamado do acusado a Juízo. no verso do mandado. trabalhe.26. a pessoa que deva ser citada. sey por acaso. nem obtenha informações a respeito do lugar onde possa estar. aliás. pois Oficiais de Justiça há que descuram os seus deveres e. ainda é possível a citação pessoal. se encontra o réu. pelos meios normais. sabido que a Polícia dispõe de melho­ res meios para diligências tais. cumpre-lhe certificar. e não presumida como aquela. por demais conhecida. o chamamento por editais só se justifica quando exauridos os meios normais disponíveis para a localização do réu” (RT. pelo que pude apurar. onde possa ser encontrado). limitam-se a lançar. Trata-se.

a citação seria feita com "hora certa”. Desse modo. o feito correrá à sua revelia. 798.).. v. Trata-se de lex specialis que derrogat legem generalem. como a citação-edital é excepcional. então. Entretanto tem-se admitido o termo final como sendo o dia 17. se houver. a nosso ver. com eventual produção antecipada das provas consideradas urgentes).. com o prazo de 15 dias. 2. Todavia. se as buscas forem infrutíferas e não se puder mesmo localizar o réu. 218 . dependendo do caso (se constituiu Advogado. onde houver. Cumpre esclarecer que. não se deve confundir início do prazo com início da sua contagem. e afixado à porta do edifício onde o juízo tenha a sua sede. foi extinta. ex.. em rigor o prazo se expiraria no dia 16. à evidência quis o legislador computar o dia do começo. 365. 570). 798 do CPP. aplicar-se-ia a regra do § Ia do art. caso não compareça o citando no dia e hora designados. e isso porque. ter-se-á por citado pessoalmente. sendo o prazo fixado em dias. será ele citado por edital. na data aprazada. que estava disciplinada no art. cit. p. 361 do CPP. se a data designada para o compare cimento do citando for anterior ou mesmo coincidir com o último dia do prazo. arcará com as conse­ qüências previstas em lei (suspensão do processo e do prazo prescri­ cional. que o prazo será contado do dia da publicação do edital na imprensa. conforme está disciplinado nos arts. afixado o edital e publicado pela imprensa no dia 2 de fevereiro. tal como ocorre no Processo Civil. segundo a qual dies a quo non computatur.Todavia.. Nessa hipótese. 362 do CPP. 227. ainda que para alegar a nuiidade da citação (art. Processo.. após o que. Se a lei houvesse dito que o prazo seria de 15 dias a partir da publicação. ou da sua afixação. V do art... 27. assim como determina o art. como disse. salvo se o réu. Comparecendo o réu. nula será a citação. no inc... aplicar-se-ia a regra de que não se computa o dia do começo. publicado o edital na imprensa. aguarda-se o decurso daquele prazo. quando. 387). Borges da Rosa é desse entendimento (cf. não vemos mal nenhum em que se leia aquela expressão “o prazo será contado” como se estivesse escrito “o prazo correrá. poderá parecer deva aplicar-se a regra contida no § Ia do art. Cumpre adiantar que. louvável será a interpretação que beneficie o réu. p. ou. Desse modo. Quando o réu se oculta Esta segunda hipótese. Mas dizendo. ” . comparecer ao ato. Entretanto..

Na verdade. diz. Estando o réu em lugar inacessível significa que ele não foi encontrado. à interdição por motivo de ordem pública e ao perigo de ser atacado o Oficial de Justiça (cf. dá outro exemplo de força maior. dever ele ser citado por hora certa. nesse caso. alegando que a sua lei não o auto­ riza a tanto. v.. nome. 366 não se aplica àquelas hipóteses em que o réu se oculta para não receber a citação.. Comentários. naturali­ dade. 363 (ao qual estava atrelado). p.. uma vez que o art. como motivo de força maior. idade. à pri­ meira vista. poderá parecer. pelo prazo de 15 dias. e não por edital . o lugar toma-se inacessível. alcunha etc. Por isso mesmo exige o art. a citação será feita nos termos do art 361. não pôde ser perfeitamente individualizado pelo prenome. Quando incerta a pessoa do citando Cuidando-se de citação de pessoa incerta. mas sim para indicar o réu que. 575. cit. . por circunstâncias várias. a propositura de ação penal contra pessoa desconhecida. 107). profissão. 2. sinais particulares etc. Nesse caso. que torna inacessível o lugar em que estiver o réu: quando o Juiz estrangeiro recusa cumprir a rogatória. legitimando assim a citação-edital (cf Código. e. cor. filiação.228 e 229 Hoje pode-se dizer que a regra do art. Quando o lugar em que estiver o citando for inacessível Sempre que o réu não for encontrado. 28. caiu no vazio.. b) em virtude de guerra. 29. pelo simples fato de. nem se conceberia. Espínola Filho. mas que o foi por meio de certos esclarecimentos. n„ 711). ser possível a instauração de processo contra desconhecidos. c) por outro motivo de força maior.. t 3. nesse caso. 41 do 219 . sequer. Pontes de Miranda faz alusão. Não é nesse sentido que a expressão “pessoa incerta” está empregada. com a nova redação dada ao art. idade. será citado por edital. tais como altura. cit. O Código estabelece em que consiste a inacessibilidade do lugar em que estiver o réu: a) em virtude de epidemia. por seu turno. 364. p.

b) o nome do réu. Mas. pouco importando seja ou não afiançável. o processo observará o disposto nos arts. 31. ou. com suspensão do prazo prescricional até o efetivo cumprimento do ato citatório. em lugar não sabido Antes da Lei n. 394 e seguintes deste Código”. ou da sua afixação.. quando oferecida denúncia contra uma pessoa individua­ lizada apenas por meio daqueles esclarecimentos. será citado por edital. 30. far-se-á a citação por edital. a hora e o lugar em que deverá o réu compare­ cer. 368 silencia.271/96. ainda que em lugar sabido. 363 do CPP. nesse caso. se houver. fala-se em pessoa incerta. c) o fim para que é feita a citação. bem como sua residência e profissão. nos termos do § 4a do art. Atualmente. se não for conhecido. d) o juízo e o dia. fazia-se a citação por edital de réu que estivesse no estrangeiro. Inteiramente aplicável aqui o ait. com o prazo de 15 dias. 361 do CPP. se a infração fos­ se afiançável. “com­ parecendo o acusado citado por edital. por extensão. nos termos do art„ 36 L Evidente que para o réu não haverá nenhum prejuízo.CPP. uma vez que. Assim. Quando o réu se encontrar no estrangeiro. da portaria. Assim. Como se procede à citação por editai? O edital nada mais é que a reprodução do mandado do Juiz publi­ cado na imprensa ou afixado à porta do edifício onde o juízo tenha a sua sede. e. os seus sinais carac­ terísticos. que será contado do dia da publicação do édito na imprensa. se estiver em lugar sabido. será citado mediante rogatória. se constarem do pro­ cesso. a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo. 220 . Qual o prazo fixado nesse edital? O art. e) o prazo. 9 . em qualquer tempo. não sabido o lugar em que estiver. como um dos requisitos da denúncia ou queixa e. não Seja ou não afiançávei. deverá o edital conter: a) o nome do Juiz que a determinar.

. ou simplesmente certidão do escrivão. como causa de nulidade. deverá ser extraído em duas vias: uma será afixada. não haja. ainda mais. ao mesmo tempo que o convoca a comparecer a juízo. a plenitude da defesa e o contraditório” (cf JTACrimSP. encaminhada à imprensa. Isso mesmo decidiu o Egrégio (hoje extinto) Tribunal de Alçada. o certo é que nossos Tribunais. Afixado ou publicado o edital. reco­ nhecível mediante habeas corpus” (cf. a citação se não aperfeiçoa. V do a rt 365 e do parágrafo único desse dispositivo. se constitui forma excepcional de se cientificar alguém de uma acusação que se lhe im­ puta. 1967). a não publicação quando. “Se cópia do edital não foi afixada à porta ou no átrio do edifício onde funciona o juízo. induz presunção da realidade da falha. 33 trim. como corolários. se houver.O edital. se houver. e a outra. é por demais evidente devam ser observadas todas as formalidades prescritas em lei. em homenagem aos princípios constitucionais da justiça penal. cumprirá ao serventuário: á) certificar de que procedeu à afixação do édito no lugar do cos­ tume. 3/16. E a omissão nos autos. b) juntar aos autos exemplar do jornal da data em que foi publi­ cado o edital. deve conter-se das rigorosas e indeclináveis formalidades. 49 trim. verba específica (ou. porven­ tura. segundo se vê do inc. onde houver. se a citação-edital é presumida. não têm admitido. porque de sua eficácia resultam. por se tratar de requisito essencial e dos mais importantes dos atos processuais. 1967). por unanimidade: . Por isso mesmo proclamou o saudoso Tribunal de Alçada: “A citação do réu. de certidão relativa ao cumprimento da exigência legal. obrigatoriamente. na comarca. JTACrimSP. tenha-se esgotado) para tais publicações. Sem embargo de a lei exigir a publicação do edital na imprensa. Na verdade. esclarecendo ter sido feita a publicação. devendo fazer referência à página do jornal com a data da publicação. o direito do réu. para publicação. 3/26. à porta do edifício onde o juízo tenha a sua sede (Fórum). ultimamente. a fim de que não se coarte.

Nesta última hipótese. dos editais citatórios. Cumpre. no caso de mu­ dança de residência. RSTJ. pouco importando o modo pelo qual se procedeu à in jus vocatio (mandado. 636/376)» No mesmo sentido. ainda. 343 do mesmo estatuto.. na Sümula 366. requisição ou edital). fixou: “Não é nula a citação por editai que indica o dispositivo da lei penal.JTACrimSP. o nome técnico seria contumácia. ou não resuma tais fatos em que se baseia”.. Hipóteses. porém inacessível ao Juízo. A despeito disso. deixar de comparecer perante a autoridade que o convocou. deixar de comparecer sem motivo justificado. regularmente citado. Todavia o Código não faz distinção. com as conseqüências apontadas no art. ainda uma vez. não atender ao chamamento. Conseqüências O acusado que. 32. sempre que para tal haja na comarca verba específica e ainda não esgotada” (cf. no dia e hora previa­ mente designados. Revelia. Verbis: “Existindo imprensa local na comarca. Revel. a jurisprudência atual. 5/193 . ou. aperfeiçoando-se a citação por edital com a só afíxação do édito no edifício do Fórum” (RT. 2/16) Nesse sentido. por falta de verba. nos termos do art. esta será tida como quebrada. precatória. se havia prestado fiança. rogatória. para que ele venha defender-se. 222 . citado ou intimado pessoalmente para qualquer ato. salientar que a causa finalis da citação é levar ao conhecimento do réu a notícia da imputação que se lhe faz. o Excelso Pretório. A revelia é conse­ qüência da contumácia (não comparecimento das partes). será considerado revel Em rigor. se.. não comunicar o novo endereço ao juízo. inclusive do STF e STJ.“Em havendo imprensa local é obrigatória a publicação. embora não transcreva a denúncia ou queixa. isto é. pela mesma. tal situação equipara-se à inexis­ tência de imprensa local. 328 do CPP.

entretanto.Em ambos os casos. devidamente citado ou regularmente no­ tificado. se fosse o caso. A conseqüência da revelia. não possa ser realizado. evidente não poder ser considerado revel. 260 usa da expressão “mandado” e ainda determina sejam obser­ vados os requisitos estabelecidos para essa ordem escrita. como diz o parágrafo único do art.. além da ordem de condução. e isso foi o que o STF inseriu na Siímula 351: “É nula a citação por edital de réu preso na mesma uni­ dade da Federação em que o Juiz exerce sua jurisdição”. teria determinado que. Se o réu alegar que não atendeu ao chamamento em virtude de ter sido submetido a uma intervenção cirúrgica. que lhe exigiu ficar de cama. sem motivo justificado. ou qualquer outro ato que. para o interrogatório. publicado e afixado o edital. entretanto. mesmo porque o parágrafo único do art. porque estava preso na mesma unidade da Fede­ ração onde a autoridade que expediu a ordem citatória exerce a sua jurisdição. Quisesse o legislador permitir tal providência por precatória. sem ele. reconhecimento. no que lhe forem apli­ cáveis”. Todavia. se obedecessem às disposições do art. e. quando se proclamava que contumaxpro convicto et confesso habetur Tampouco as conseqüências 223 . deixar de comparecer.. os requisitos mencionados no art. Nesse caso. não tem aquele rigorismo de outras épocas. sem prejuízo das provas de natureza urgente. Assim também se justificar seu não comparecimento. no Processo Penal pátrio. Convém. purgada a revelia (isto é.. perante a auto­ ridade competente. 260. se mais tarde o réu provar que não teve notícia da citação. assinalar que a autoridade processante so­ mente poderá tomar a medida acima indicada se o réu se encontrar no território sujeito à sua jurisdição. o processo e o prazo prescricional ficarão suspensos. deixar de comparecer no dia e hora designados? Nesse caso. devendo o processo ser anulado a partir daquele ato. a citação tomar-se-á imprestável. o processo tramitará normalmente. “o mandado conterá. 354. poderá a autoridade determinar seja ele conduzido à sua presença. se ele comparecer). quando da data do seu comparecimento. E se o Oficial de Justiça certificar que o réu se encontra em lugar incerto e não sabido. 352. Observe-se que. se o réu.

recebeu a denúncia ou queixa. ou seja: se não contestar o pedido. a distinção não é apenas doutrinária. sem embargo de ter sido devidamente citado. Aliás.do Processo Civil. 396-A. citado ou inti­ mado pessoalmente para qualquer ato. seria diferente: o Juiz nomear-lhe-ia Defensor e deter­ minaria a abertura de vista àquele que iria patrocinar a defesa do au­ sente. e. mas deixou de acudir ao cha­ mamento Certificado o seu não comparecimento no dia e hora desig­ nados. são sinônimas as palavras “intimação” e “notificação” E. o Juiz a rejeitou.271/96. não compareceu à audiência. mesmo porque não existe na área penal a confissão tácita. 343. sem comunicar ao juízo o novo endereço. nos termos e para os fins do art. § 2S. na 224 . deu a “resposta”. Por que não cuidou das notificações? Decerto por não haver o legislador vislumbrado qualquer interesse prático na distinção entre intimação e notificação. Se houvesse sido efetivamente notificado para dar a sua “resposta” e não o fizesse. deixar de comparecer sem mo­ tivo justificado. no caso de mudança de residência. se houver recusa para prestai depoimento pessoal. temos de distinguir duas situações: a) Se o réu citado por edital não comparecer nem constituir Advogado. 367 do CPP. O fato de ser ele tido como revel não significa deva ser considerado culpado. podendo o Juiz determinar a produção antecipada das provas de natureza urgente. a teor do art. 319 do CPC). 9. § 22. o Código trata. determinou a citação. Das notificações e intimações No Capítulo II do Título X do Livro I. e o processo andaria como se o réu estivesse presente. do CPP (resposta do réu). a audiência de instrução e julgamento se processará normalmen­ te. 33. das intimações. b) Se o réu. ficarão suspensos o processo e o prazo prescricional. no sistema do vigente estatuto processual penal. Não se lhe fará mais qualquer notificação Com as alterações introduzidas no Capítulo das citações pela Lei n. como veremos a seguir. haverá confissão tácita (art. todos os atos praticados na sua ausência serão válidos. Para Basileu Garcia. ou. Exemplificando: a) O réu foi citado pessoalmente. o processo correrá à sua revelia. haverá confissão tácita (art. do CPC). apenas. Ela apresenta reflexo também na prática. b) Se atendeu ao chamado.

p. Comentários. é. às vezes até em sentido inadequado e impróprio. Notificação. cit. 82). Observem-se estes exemplos.. visto que leva ao conheci­ mento do sujeito processual. ensina que a notificação se projeta no futuro. ou ceitos atos. o meio judicial de se dar conhecimento a alguém de que^ se não praticai. com apoio em Camara Leal e Pontes de Miranda. 271 fala ém intimação do assistente em lugar de notificação do assistente. Já a intimação é a comunicação de ato já praticado (cf. a lição de Gabriel de Rezende Filho: “notifi­ cação é o conhecimento que se dá a alguém. cit. estará sujeito à cominação. o § 22 do art. o art. 489-90).. a diferença existe na doutrina. de notus ficare. 225 . p. embora o Código não se tenha interessado em distinguir um instituto do outro. sob certa cominação. mas sempre a indicar sua causa finalis. conclui-se que o legislador não se pre­ ocupou era estabelecer distinção entre ambas. Intimação é o modo de levar algum ato do processo ao conhecimento das partes ou de terceiros” (cf. uma vez que é por meio da notificação que se dá ciência ao réu de que foi ofertada denúncia ou queixa em relação a ele e se pede para que ele dê a sua “resposta”. a fim de prestar depoimento pessoal sob pena de confissão (cf. um despacho ou uma sentença (cf. cit.verdade. v. o pronunciamenrò jurisdicional determinando um facere ou um non facere. 218 fala em testemunha intimada em lugar de testemunha notifi­ cada. 373). para praticar ou deixar de praticar algum ato. o art. Comentários.. p. p. 2. 2. compulsando o CPP.. v.. 367 fala em revelia do réu intimado para qualquer ato do processo. isto é. Na doutrina processual penal. Frederico Marques. ou de outra pessoa que intervenha no proces­ so.Ainda a propósito. como ensina Pontes de Miranda. A intimação. ao revés. a finalidade de ambas: cien­ tificai. Instituições. 3. relaciona-se com atos pretéritos: E expli­ ca: intima-se o Advogado de uma das partes sobre determinado despa­ cho e notifica-se a parte para comparecer. ou se praticar certo ato. v. e atualmente tem grande importância na prática. encontram-se as mesmas conceituações Basileu Garcia ensina que a notificação envolve uma determina­ ção da autoridade para a prática ou abstenção de um ato Já a intimação consiste na cientificação de um ato já praticado. emprègando-as indife­ rentemente. quan­ do deveria ter dito do réu notificado para qualquer ato do processo.. dar ciência a alguém. Curso de direito processual civil.. Mas. 4).

1930. E se notificado não der a resposta? O Juiz nomeia-lhe um Defensor para fazê-lo. por força do que dispõe o art. isto é... o Juiz nomear-lhe-á um Defensor para tanto. a sentença) . o assistente de Acusação deve ser notificado. 122).do art.E se não atenderem ao chamamento? Sujeitar-se~ão às sanções previstas nos arts. 60. sob certa cominação. então se pode falar. porque se lhe dá ciência de um pro­ nunciamento do Juiz.Esse. pois sua desa­ tenção pode levar o Juiz. testemunhas. 218 e 219 Notifica-se o réu para dar a sua resposta. III do art. a testemunha é notificada. a fim de comparecer à sede do juízo em dia e hora designados. já consumado. a comunicar o fato ao 226 . Notifica-se o perito a com­ parecer perante a autoridade ou em local designado. uma vez que sua desatenção implicará a medida inserta no § 1. nos termos do inc. O representante do Mi­ nistério Público e o Defensor são também notificados. em notificação. ed. seja uma sentença. 277 Idên­ tica medida se tomará contra o intérprete. p. Se o réu for notificado para dar a sua “resposta” e não o fizer. quando notificado. o ensinamento de Galdino Siqueira (Curso de processo criminal. Todas as vezes que a autoridade determinar seja alguém cientifi­ cado de que deve praticar ou abster-se de praticar algum ato. pois seu não comparecimento acarretará a perempção. por outro lado. A desatenção sujeitá-lo-á à cominação prevista no parágrafo único do art. notificam-se as testemunhas para que venham depor. como diz Pontes de Miranda. A notificação. 28 L A vítima é notificada para comparecer peran­ te a autoridade para prestar declaração. estará ela sujeita àquelas sanções a que se referem os arts. 396-A do CPP. 2. 271. seja um despacho. peritos etc. intima-se o réu de uma sentença (note-se que o réu está sendo cienti­ ficado de um ato já consumado. pois sua desa­ tenção acarretará a cominação prevista no § 2a do art. pois. Para qualquer ato do processo. ou. Pergunta-se: somente se fará notificação às testemunhas e aos réus? Não. quando se tratar de ato processual a que deva estar presente. tecnicamente. Assim. 218 e 219 do CPP. já praticado. Se não comparecer. sob as cominações legais.. uma vez que a defesa é uma injunção legal A propósito o § 2a do art. A intimação é. Notificado também deverá ser o querelante.. é a comunicação de ato praticado. também. a ciência que se dá a alguém de um ato já praticado.) de um despacho ou decisão que ordena fazer ou deixar de fazer alguma coisa. no primeiro caso. partes. é a cientificação que se faz a alguém (réu.. implican­ do o desatendimento a aplicação de uma sanção. Assim. 201. Assim.

não tem direito algum a ser preservado. 353 e 780). se a notificação deve ser feita ao réu. Se presa no território sujeito à jurisdição do Juiz processante. far-se-á a citação. o réu é sempre insubstituível. a qual­ quer pessoa que deva estar presente à realização do ato. se a pessoa que deve ser notificada residir no território do Juiz proces­ sante. 265 do CPP. enfim. 360. será requisitada sua presença à sede do juízo. porque ele tem o direi­ to de defender-se e. de alguma sorte. E como se fazem as notificações e intimações? Deverá ser obser­ vado. 396 use o termo citação. no que for aplicável. intérpretes e. qual seria a vantagem de notificá-la por edital? Cita-se (notifica-se.. réus. peritos. melhor dizendo) o réu por edital. dada a sua qualidade personalíssima. será expedida carta precatória... testemunhas. Não se concebe. será ela ouvida (art. aplicar-se-á a regra contida nos arts. Se ela for rejeitada. de regra. são. a aplicar a regra contida no § 2a do art. Note-se que. se o réu se ocultar para não ser notificado. Em resumo: as notificações poderão ser feitas às partes proces­ suais. tanto o poderá ser por precatória como por rogatória (CPP. Não assim a testemunha. aplicável por analogia). 222). uma vez que a citação é o modo de se levar ao conhecimento do réu que a peça acusatória contra ele foi recebida e ao mesmo tempo é chamado a juízo para ver-se processar e ser interrogado. por razões óbvias. e as tes­ temunhas. sim. o réu está sendo cientificado de que deve dar a sua “resposta” no prazo de 10 dias. Tratando-se de testemunha que esteja presa. arts. no juízo deprecado. contudo. procura-se resguardar tal direito por meio da citação ficta. queTdiga-se de passagem. § 3a E. Assim. Se residir fora.Chefe do Parquet e. no segundo. ou em lugar' inacessível. nesses casos. Na hipótese prevista na disposição supra. será feita a notificação por mandado. Ademais.. a notificação de testemunha por edital Se ela estiver em lugar incerto ou não sabido. ainda assim poderá ser feita por edital? Atualmente. 222 e 221. far-se-á a notificação por hora certa. mediante simples ofício (art. vítimas. observado o disposto no art 360. e. é preciso distinguir: se presa em outra comarca do território nacional. então. tudo quanto falamos sobre citação. sob uma co227 . Sendo funcionário público. embora o parágrafo único do art. substituíveis. devemos entender notificação.

os Juizes continuam com o mau vezo de deter­ minar a intimação apenas da expedição da precatória. 359. é de ser observado. sob pena de nuiidade. 370. Serão feitas por mandado.. precatória. pela imprensa. a nosso juízo. deverá fazer pesquisa junto ao Distribuidor e. resta indagar se são pu­ blicados pela Imprensa Oficial que se edita na Capital do Estado. para saber a que Vara foi ela distribuída. 222 do CPP Se as partes devem ser intimadas e notificadas das decisões e despachos. obviamente passa a saber que a precatória foi expedida. Tratando-se de Defensor constituído. quando se tratar de ouvir teste­ munha por precatória. Não havendo. As intimações são comunicados de atos já praticados.. a intimação será sempre pessoal (§ 4a do art. Mas. fere o princípio da ampla defesa não ser o Advogado notificado (ou intimado) do despacho designando data para ouvida de testemunha no juízo deprecado. Intimado o Advogado da expedição da precatória. Se na comarca houver jornal que publique os atos judiciais. em se tratando de funcionário público. Se não houver nem um nem outro. a intimação é feita por publicação no órgão incumbido da publicidade dos atos judiciais da comarca. pessoalmente. Malgrado todas essas novidades. Intima-se o réu. agilizam o processo. ou via postal com aviso de recebimento (AR). e Advogados do que­ relante e do assistente. do Advogado do querelante e do assistente da Acusação.. ofício requisitório e. tal como previstas no § l 2 do art. ou por qualquer outro meio idôneo. 370 do CPP). As intimações dos Defensores constituídos. no que for aplicável. testemunhas e demais pessoas que devam tomar' conhecimento de qualquer ato do processo. Se forem.. as intimações serão aí publicadas. o disposto no capí­ tulo das citações. tanto melhor. Em suma: intima-se a pessoa que deva ser cientificada da realiza­ ção do ato. incluindo. Tratando-se de Ministério Público e Defensor dativo. nos precisos termos do art. ou por mandado. absoluta falta de sensibilida­ de. 370 do CPP. a intimação far-se-á diretamen­ te pelo escrivão. com as cautelas apontadas no art. nos termos do art . Nas intimações (e notificações também) dos réus. nova pesquisa no balcão para saber se 228 . uma vez localizada a Vara.minação. tais condutas representam.. Além de um não senso. seja sentença. o nome do acusado. sem dúvida. seja simples despacho.

não comparecendo o Advo­ gado. 222 tem outro sentido... apreciando o Ha~ beas Corpus n.. comunicando-lhe o dia e a hora da audiência. E que reperguntas pode­ ria formular esse Advogado ad hoc.. Oitiva de testemunha de defesa. segue-se. relator o eminente Ministro Marco Au­ rélio. p. não é para a Defesa tomar ciência de que deve comparecer em tal dia e a tal hora no juízo deprecado. 73. Sendo assim. a falta de observação. . Era preciso fosse feita a distinção entre intimação da expedição da carta precatória e intimação . que prejuízo advirá para a Justiça em registrar o Magis­ trado: “J. assim decidiu. nesse campo. impedindo o exercício da ampla defesa. não haver espaço. Às vezes a carta-precatóiia ainda nem chegou. 370 do CPP.822-2-PB. à unanimidade. em caso positivo.. nos termos do § Ia ou 22 do art.. a Defesa fica prejudicada. implicando. ao receber essa notícia. sem conhecimento do processo? Haveria um arremedo de defesa.. nem para nulidades relativas (Aj nulidades. não agindo assim. Às vezes o juízo deprecado está localizado bem distante e até mesmo em outro Estado. ante a falta de infor­ mação a respeito? Observe-se que o juízo deprecado oficia ao depre­ cante. evidente deva o Advogado ser intimado.. Intimação. volta à sua comarca. parece-nos. outras vezes ainda não se designou data.. procura saber a data e a hora da audiência. em 20-8-1996: “Devido processo legal Carta precatória. e como esta é uma das garantias do “devido processo legal”. 222. A intimação a que alude o art. para atos irregulares sem sanção... A formalidade é essencial à valia do ato.. o Juiz nomeará um apenas para o ato. a nulidade do processo. visando à oitiva de testemunha. Como poderia comparecei. como bem afirmado por Ada Pellegrini Grinover. Se a Defesa não for intimada da designação.já houve designação. O exercício do direito de defesa pressupõe a necessidade de intimação para a audiência designada. 21). principalmente se se tratar de Defensor da­ tivo. no juízo deprecado. Nem se diga que o Advogado deve ir todos os dias à Vara por onde tramita o processo para saber se já chegou o ofício do juízo deprecado. que a omissão fere princípio constitucional. como efetivamente é. cit. com a devida vênia. Por isso mesmo. A ciência referente à ex­ pedição da carta precatória não a supre”. Em caso negativo. Scarance Fernandes e Magalhães Gomes Filho. Dir-se-á que no juízo deprecado. Ciência às partes”? Por outro lado. obviamente. o Supremo Tribunal Federai.. E. Repita-se: a intimação a que se refere o art.

Todavia.da designação da audiência. E a Suprema Corte. o STJ fez editar a Súmula 273 em sentido oposto: “Intimada a defesa da expedição da carta precatória. 230 . Era de esperar que essa veneranda decisão fosse observada em todos os Juízos. toma-se desnecessária intimação da data da audiência no juízo deprecado”. assim o fez. embora tardiamen­ te.

É sabido. p. Provar é. 7 Realização da perícia. Noções preliminares Que se entende por prova? Essa indagação constitui a primeira dificuldade para aquele que aborda o tormentoso problema das provas judiciais. Ônus da prova. diz Brichetti. por prova. e as provas são os meios pelos quais se procura estabelecê-la. em particular. demonstrar a certeza do que se diz óu alega.. 7). dentro do processo. Prova emprestada. Necropsia. 10 Exame complementar. também. é reconhecer e estabelecer uma verdade jurídica. antes de mais nada.capítulo 40 Da Prova SUMÁRIO: I. 9.. 1. Provar é.. cit. os elementos produzidos pelas partes ou pelo próprio Juiz visando a estabelecer. 8. Entendem-se. enfim.. Tal fim se alcança por meio das provas que se produzem e se valoram segundo as normas prescritas em lei (U evidenza. a exis­ tência de certos fatos É o instrumento de verificação do thema probandum. Noções preliminares. emprega-se a palavra prova com o sentido de ação 231 ... e do Direito Processual Penal. em geral... 5. Exumação. que a finalidade do Direito Processual. Liberdade de prova. de ordinário. Das perícias era geral... estabelecer a existência da verdade.. 4. 11 Exaraes dos escri­ tos 12„ Exames por precatória. Apreciação das provas 6. 2.3. Às vezes.

de provar. Na verdade, provar significa fazer conhecer a outros uma
verdade conhecida por nós. Nós a conhecemos; os outros não.
Cumpre-nos, então, se quisermos provar, isto é, se quisermos tomar
conhecida de outros a verdade de que temos ciência, apresentar os ne­
cessários meios para que dela tomem conhecimento. De fato. Esse é o
significado da palavra prova quando se diz que o ônus da prova incum­
be a quem faz a alegação, ou, segundo a fórmula latina, actori incumbit
probatio, isto é, a prova incumbe ao autor da tese que deve ser provada.
Cumpre àquele que faz uma afirmação em juízo prová-la. Sè óPrómotor afirma, na denúncia, que Tício subtraiu, para si ou para outrem, a
importância de R$ 300,00 de Mévio, cumpre-lhe provar essa alegação;
cabe-lhe carrear para os autos os necessários meios, elementos, por
intermédio dos quais se demonstre o aceito da sua afirmação.
Por isso, com acerto diz Dellepiane: provar um fato é estabelecer
no processo a sua existência, é demonstrar que existiu antes ou que
existe na atualidade.
Com acerto, diz Germano Marques da Silva: o termo “prova” é
utilizado em tríplice significado: a) prova como atividade probatória:
ato ou complexo de atos que tendem a formar a convicção do Juiz
sobre a existência ou inexistência de determinada situação factual; b)
prova como resultado: a convicção do Juiz formada no processo sobré
a existência ou não de uma dada situação de fato; e c) prova como meio:
o instrumento probatório para formar aquela convicção (Curso de pro­
cesso penal, Lisboa, Ed. Verbo, 1993, v. 2, p, 82),
Objetivo da prova. O objetivo ou finalidade da prova é formar a
convicção do Juiz sobre os elementos necessários para a decisão da
causa. Para julgar o litígio, precisa o Juiz ficar conhecendo a existência
do fato sobre o qual versa a lide. Pois bem: a finalidade da prova é
tornar esse fato conhecido do Juiz, convencendo-o da sua existência.
As partes, com as provas produzidas, procuram convencer o Juiz de
que os fatos existiram, ou não, ou, então, de que ocorreram desta ou
daquela maneira,.
É o Juiz quem vai dizer se o acusado é culpado ou inocente, e para
tanto ele precisa saber o que realmente aconteceu, quando e como aconteceu..
Seu trabalho se equipara ao de um historiador que procura, com os meios
de que dispõe, reconstruir fatos passados. Assim, a finalidade das provas é
mostrar para o Julgador o que realmente ocorreu, para que ele faça um juí­
zo de valor e procure restaurar, na medida do possível, a verdade real.
232

Objeto de prova. O objeto de prova, diz Manzini, são todos os
fatos, principais ou secundários, que reclamem apreciação judicial e
exijam comprovação Insta acentuar que a palavra fa to, em matéria
processual, principalmente no campo probatório, tem um conceito
bastante amplo: compreende os diversos acontecimentos do mundo
exterior, e, segundo Florian, esse conceito se estende e alcança coisás,
lúgares, pessoas e documentos- Tão extenso é seu conceito, do ponto
de vista da prova, que Alcalá-Zamora chega a esta afirmação: é fato o
que não é'direito,. Por isso, acrescenta o festejado mestre, a prova pode
recair sobre fatos de natureza diversa: um cadáver, armas, instrumentos,
substâncias nocivas, insanidade mental etc.
Somente os fatos que possam dar lugar a dúvida, isto é, que exijam
comprovação, é que constituem objeto de prova,. Desse modo, excluem-se
os fatos notórios. Provai a notoriedade é tarefa de louco, já se disse.
Tanto a evidência como a notoriedade não podem ser postas em dúvida.
Ambas produzem no Juiz o sentimento da certeza em torno da existência
do fato. Explica Manzini: se um fato é evidente, não pode o Juiz desco­
nhecê-lo, pois sua discricionariedade na valoração da prova se exercita
no terreno da dúvida, não se podendo admiti-la no da certeza (cf. Trata­
do de derecho procesal penal, trad, Sentis Melendo, v. 3, p. 206),
Daí a máxima notoria vel manifesta non egent probatione (o no­
tório e o evidente não precisam de prova). É verdade, como diz Man­
zini, que "probar lo evidente és algo, no sólo supérfluo, sino estúpido,
por lo menos para el derecho” Se um homem se move e fala, não há
necessidade de prova para demonstrar que está vivo, ou, “se se encuentra un cuerpo humano putrefacto, ni un filósofo siquiera podría poner
en duda que se trate de un cadáver. ,,” (V., Manzini, Derecho procesal
penal, trad.. Sentis Melendo, Buenos Aires, EJEA, 1952, v. 3, p.. 205).
Sem embargo, se se trata de homicídio, embora não se duvide nem se
possa duvidar de que aquele corpo seja de uma pessoa morta, a lei
exige, malgrado o princípio do Üvre convencimento do Juiz, sob pena
de nulidade, o exame de corpo de delito, não para constatar que a pes­
soa está morta (o que é evidente), mas para precisar a causa mortis,
ou, quando assim não seja, por ter sido evidente pelos sinais externos,
para que fique memória daquele fato no processo, uma vez que nos
crimes que deixam vestígios o exame de corpo de delito direto ou in­
direto é pressuposto processual de validade, nos termos do art. 564,1H,
b, do CPP.

O fato evidente representa o que é certo, indiscutível, induvidoso,
de maneira segura, rápida, sem necessidade de maiores indagações.
Notórios são os fatos que pertencem, como diz Brichetti, ao patrimônio
estável de conhecimento do cidadão de cultura média, em determinada
sociedade , Esses fatos devem considerar-se conhecidos do Juiz, já que
sua noção forma parte de sua ordinária cultura (Uevidenza, cit,. p. 98),
E Betti ensina que de tal gênero são alguns fatos da natureza, os fatos
históricos, os acontecimentos mais notáveis da vida nacional (cf. Diritto
processuale civile, 2. ed.., 1936, p, 318, n, 85). A evidência se_ compõe
da noção tão perfeita de uma verdade que dispensa toda e qualquer pro­
va, como bem o disse Marco Antônio de Barros {A busca da verdade
no processo penal, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2002, p, 48),
Sabe-se que na década de 30 a nossa moeda era o “mil-réis” e que
desde julho de 1994 passou a ser denominada “real”; sabe-se que no
dia 25 de dezembro comemora-se o Natal., São fatos notórios e que não
precisam ser provados, posto fazerem parte da nossa cultura.
Já se afirmou até que o grau de certeza que deriva da notoriedade
de um fato é maior que o nascido da prova. Lxi noíoriedad, precisa­
mente por ser tal, no tiene necesidad de prueba (cf. Brichetti, La
evidencia en el derecho procesal penal, trad. Sentis Melendo, 1973),
O que não se deve é confundir a notoriedade com a vox populi,
“porque esta pode divulgai um fato que não é verdadeiro, enquanto que
a notoriedade de um fato constitui prova da sua verdade”. Note-se,
contudo, que o conceito de notoriedade é relativo. Um fato pode ser
notório em determinado lugar e para determinadas pessoas. Respeitante ao Direito, este não precisa ser provado; presume-se do conhecimen­
to do Juiz. Todavia os costumes, regulamentos, portarias. Direito es­
trangeiro podem ser notórios em determinado lugar e em determinada
esfera social, mas, se não forem da ciência do Juiz, devem ser provados,
A propósito, o art 337 do CPC Se alguém alega a ausência de uma
condição objetiva de punibilidade, qual a de não constituir infração
penal o fato cometido no exterior (CP, art, 7-, § 2-, b), cumpre-lhe
provar a vigência e o teor da lei, Se o Juiz dela tiver conhecimento,
dispensável será a prova.. Certo ser difícil, muitas vezes, provar o teor
de uma lei estrangeira.. Bastará, então, indicá-la por intermédio de uma
obra jurídica de real valor.
Ao lado dos fatos notórios, as denominadas máximas da experi­
ência, “noções e conhecimentos ministrados pela vida prática e os
costumes sociais” São juízos formados ante o quod plerumque accidit
234

(o que normalmente acontece) “e que, como tais, podem ser formados
em abstrato por qualquer pessoa de cultura média”. Sabem, por exem­
plo, os Juizes das Comarcas de Jaú, Barra Bonita, Lençóis Paulista,
todas do Estado de São Paulo, que, durante a safra canavieira, é gran­
de o movimento de caminhões e até de treminhões pelas estradas.
Sabem todos que um veículo com pneus lisos, trafegando em estrada
pavimentada molhada, apresenta grande possibilidade de derrapagem;
nas cidades banhadas pelo mar, as praias são mais movimentadas nos
fins de semana..,.
Mas é de notar que tais circunstâncias “no suponen la prohibición
de una prueba contraria”. As máximas da experiência, com o passar
dos anos tendem a alterar-se, Couture observava que uma máxima da
experiência para um Juiz romano do tempo de Augusto dispensava a
prova de que uma mesma pessoa não podia estar presente no mesmo
dia em Atenas e em Roma (E, J , Couture, Fundamentos dei derecho
procesal civil, Buenos Aires, Depalma, 1972, p. 230).
O art, 224 do CP, que previa a presunção de violência quando a
vítima fosse menor de 14 anos, foi expressamente revogado pelo art- 7S
da Lei n, 12.015/2009 Este mesmo diploma, contudo, criou no art.
217-A a figura do “estupro de vulnerável”, Se a vítima for menor de 14
anos, a pena será de 8 a 15 anos de reclusão e a ação penal será pública
incondicionada, à dicção do art. 225 Agora, não mais haverá a presun­
ção.. Sendo a vítima menor de 14 anos, haja ou não seu assentimento, o
crime se configura.
E o fato incontroverso? Em princípio, não,. Contudo, a circunstân­
cia de Acusador e Defensor acordarem quanto à sua existência ou ine­
xistência não priva o Juiz de fazer diligências a respeito, tal como lhe
permite o inc. II do art., 156 do CPP, mesmo porque “el juzgador debe
llegar a la verdad de los hechos tal como ocurrieran historicamente”
Fonte de prova. Entende-se por fonte de prova tudo quanto possa
ministrar indicações úteis cujas comprovações sejam necessárias.Assim,
a denúncia, embora não seja elemento ou meio de prova, é fonte desta,
uma vez que contém indicações úteis, exigindo comprovação
Meio de prova. É tudo quanto possa servir, direta ou indiretamen­
te, à comprovação da verdade que se procura no processo: testemunhas,
documentos, perícias etc.
Elementos de prova. Como tais se entendem, na lição de Manzini,
todos os fatos ou circunstâncias em que repousa a convicção do Juiz.
235

As provas podem ser diretas ou indiretas, conforme se refiram ao
próprio fato ou thema probandum, ou, então, a outro, mas que, por
ilação, levam ao fato probando. O testemunho de auditu é prova indi­
reta. Já o testemunho de visu é prova direta.
A prova pode ser pessoal ou real.. A primeira é “toda afirmação
pessoal consciente, destinada a fazer fé dos fatos afirmados”. O teste­
munho, o interrogatório, a declaração da vítima. Diz-se real quando a
prova emerge do próprio fato: a mutilação de um membro, a exibição
de uma arma, uma fotçgrafia, por exemplo.
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Quanto à forma, a prova pode ser pessoal, significando a afirmação
feita por uma pessoa: testemunho, interrogatório, declaração; documen­
tal, que é a afirmação feita por escrito; e material, “consistente em
qualquer materialidade que sirva de prova ao fato probando”: o instru­
mento do crime, os producta sceleris, as coisas apreendidas, os exames
periciais.
Princípios. As provas são regidas por princípios diversos, destacan­
do-se, entre eles, o da oralidade (normalmente as provas são produzidas
oralmente), o da comunhão da prova (produzida a prova, esta pode ser
aproveitada tanto pela Acusação como pela Defesa, inclusive, obvia­
mente, pelo Juiz); o do contraditório (produzida a prova, a parte ex
adversa tem o direito constitucional de poder manifestar-se sobre ela;
se produzida pelo Juiz, sobre ela têm as partes o direito não só de tomar
ciência da sua produção como, também, o de se pronunciar sobre ela)„
2. Prova emprestada
Como o próprio nome está a indicar, prova emprestada é aquela
colhida num processo e trasladada para outro. Ora é um testemunho,
ora uma confissão, uma perícia, um documento, enfim, uma prova
qualquer produzida em um processo e transferida para outro., Não há
dúvida quanto a essa possibilidade. Contudo, vigorando entre nós os
princípios do contraditório e da ampla defesa, parece claro que o valor
probatório dessa “prova emprestada” fica condicionado à sua passagem
pelo crivo do contraditório, do contrário ela se torna ilícita, visto que
obtida com violação de princípios constitucionais.
Se a prova, para ser válida, deve passar pelo exame das partes, é
induvidoso que uma prova colhida em um processo e transferida para
outro não pode ter o menor valor. E o eminente Ministro Vicente Cernicchiaro chega a dizer, e com razão, que a prova emprestada é um
236

fato, apenas um fato, suscetível de ser objeto de prova e, como toda
prova, urge passar pelo contraditório.. Se assim não ocorrer, cumpre ser
repelida, sob pena de invalidade: contr asta com o devido processo legal
(Prova emprestada, artigo publicado no Correio Brasiliense, Coluna
“Direito & Justiça”, 2-9-1996).
E, na verdade, o contraditório é, como professa Germano Marques
da Silva, essencial para a valoração da prova, em termos tais que a
prova que não lhe for submetida não vale para formar a convicção. O
fato só pode ser julgado provado ou não provado após a submissão dos
meios de prova ao contr aditório em audiência (Curso de processo penal,
Lisboa, Ed.Verbo, 1993, v. 2, p. 84)» Assim, a prova emprestada nãp
submetida ao contraditório no processo paia o qual foi trasladada não
tem nenhuma valia, não podendo formar validamente a convicção do
Julgador.
;
Actafacta in uno judicio in alio judicio non fidem faciunt Os atos
produzidos em juízo não têm eficácia em outro... E se o processo de
onde se trasladou a prova houver sido anulado? Com muito mais razão
é de ser aplicado o aforismo, uma vez que a nuiidade contaminou tam­
bém a prova.. “Não vale prova emprestada, quando colhida sem caráter
contraditório e sem a participação daquele contra quem deve operar,
como é o caso de prova colhida em inquérito policial” (RJTJSP,99/2Ql;
Revista de Processo, 43/289).
3. Liberdade de prova
Grosso modo, os Códigos de Processo Penal fazem enumeração
dos meios de prova e, às vezes, com ou sem enumeração, deixam vál­
vula aberta para a introdução de outros meios probatórios. Desse naipe
eram o CPP italiano de 1930 e a Ordenação Processual Penal alemã:
Assim é que o art. 459 daquele diploma dispunha sobre a apresentação
de qualquer outra coisa que pudesse servir de convicção ou de descul­
pa. Assim, também, o § 245 da Strafprozessordnung (Umfang der
Beweisaufnahme).
Vigorando no Processo Penai o princípio da verdade real, é lógico
não deva haver qualquer limitação à prova, sob pena de ser desvirtua­
do aquele interesse do Estado na justa atuação da lei, A atitude do Juiz
no cível, doutrina Dellepiane, é, em certo modo, passiva, e a prova
reveste, então, o caráter de uma confrontação. No juízo criminal é di­
ferente Não se achando em presença de verdades feitas, de um acon­
237

tecimento que se lhe apresente reconstruído pelas partes, está obrigado
a procurar, por si mesmo, essas verdades.
Apesar disso, os Códigos de Processo Penal, em sua maioria,
estabelecem restrições quanto à prova. Não vigora, como se poderia
pensar, o absoluto princípio da liberdade de prova.
E entre nós? Quais as provas que o nosso CPP admite? Apenas
aquelas alinhadas nos arts. 158 a 250? Pondere~se, por primeiro, que
de modo geral os Códigos fazem uma enumeração dos meios probató­
rios sem, contudo, exauri-los, até porque seria muita pretensão do legis­
lador não prever sua própria falibilidade. Por isso mesmo grande parte
da doutrina entende que essa enumeração não é taxativa. Tal doutrina
é tão importante que chega a refletir-se sobre o Direito Positivo. É o
caso, por exemplo, do art. 332 do CPC, do art. 295 do CPPM e do art,
257 do Projeto n. 1.655/83 do CPP. Verbis:
“Todos os meios legais, ainda que não especificados
neste Código, são admissíveis para provar a verdade dos fatos,
e, quanto ao estado das pessoas, devem ser observadas as
restrições à prova estabelecidas na lei civil”.
Aqueles que defendem a tese da taxatividade (e entre eles Giovanni Leone) fazem-no receosos de se permitir o uso de provas que possam
repugnar “al nostro senso morale” e que possam afetar a dignidade da
pessoa humana.
Por outro lado, os que defendem a tese da não taxatividade fazem
restrição a todo e qualquer meio de prova que atente contra a morali­
dade ou viole o respeito à dignidade humana..
Sendo assim, podemos afirmar que a tendência, hoje, é no sentido
de se abolir a taxatividade, tendo-se, contudo, o cuidado de se vedar
qualquer meio probatório que atente contra a moralidade ou violente
o respeito à dignidade humana.,
Nesse sentido o art. 189 do atuai CPP italiano, Verbis: “Prove non
disciplinate dalla legge, 1, Quando è richiesta una prova non discipiinata dalla legge, il giudice può assumerla se essa risulta idonea ad
assicurare 1’accertamento dei fatti e non pregiudica la libertà morale
delia persona. II giudice provvede airammissione, sentite le parti sulle modalità di assunzione delia prova”
O CPP não faz esse tipo de restrição. Contudo não limita os meios
de prova Logo, não há nenhum impedimento à produção de outras
238

provas além daquelas indicadas nos arts. 158 a 250 do estatuto proces­
sual penaL O veto às provas que atentam contra a moralidade e digni­
dade da pessoa humana, de modo geral, decorre de princípios consti­
tucionais, por isso que não pode ser olvidado
E a demonstração da não taxatividade dos meios de prova no sis­
tema do nosso CPP pode ser aferida pela própria redação do parágrafo
único do art. 155.,
Em princípio, há, pois, uma liberdade na procura da verdade real,
quer na fase de investigação policial, como se; infere' dos incs„ IV, V,
VI, VII, Vm, IX do art., 6a do CPP, com especial ênfase para o inc. III,
onde se fala de “todas as provas que servirem para o esclarecimento
do fato e suas circunstâncias”', quer na fase instratória, como se dessume pela redação do parágrafo único do art. 155 do mesmo estatuto
Assim, não há, em princípio, nenhuma restrição aos meios de
prova, com ressalva, apenas e tão somente, daqueles que repugnam a
moralidade ou atentam contra a dignidade da pessoa humana. E por
que não são admissíveis? Em face de limitações impostas por princípios
constitucionais e até mesmo de Direito Material.
Por essas razões, não se admitem as provas conseguidas median­
te tortura, como os interrogatórios fatigantes, exaustivos, mesmo porque
obtidos com preterição da norma contida no art, 5a, IH, da Lei Maior„
Metem-se a rol entre as provas não permitidas aquelas objeto de cap­
tação clandestina de conversações telefônicas (CF, art. 5-, XII), de
microfones dissimulados para captar conversações íntimas, o diário,
onde algumas pessoas registram, com indisfarçável nota de segredo, os
acontecimentos mais importantes do seu dia-a-dia. Tais provas não
podem ser permitidas porque violatórias da vida íntima da pessoa, e,
como se sabe, a Constituição dá proteção à privacidade, como se cons­
tata pelo art, 5a, X e XIL
A propósito, Ada Pellegrini Grinover: "É, assim, nas normas cons­
titucionais e nos princípios gerais da Lei Maior que se devem subsumir
a avaliação substancial do ilícito extrajudicial e a qualificação proces­
sual de sua repercussão dentro do processo, deduzindo-se a proibição
de admitir as provas obtidas contra a Constituição e sua ineficácia,
diretamente desta” (cf. Liberdades públicas e processo penal, Saraiva,
1976, p., 200)..
Também porque violadoras das normas contidas nos incs. II e HI
do arL 52 da Lei das Leis, não podem ser admitidas as provas conse­
239

guidas por meio de hipnose, narcoanálise (estupefacientes em geral),
lie-detector, retinoscópio etc.
O soro da verdade, em face do Direito, ensina Frederico Marques,
é método investigatório absolutamente inaceitável, porque, em nome
de uma falsa ciência e de. uma técnica de resultados hipotéticos e alea­
tórios, pretende obrigai’ o acusado a depor contra si próprio,, o que
constitui violação frontal de uma das garantias mais intangíveis do
direito de defesaDe fato, sabe-se que a aplicação de certas substâncias-químicas,
como pentotal sódico, evipan, amital, actedron, deixa a pessoa meio
sonolenta, com perda de autogoverno, e, assim, semiconsciente, vai
respondendo às perguntas que lhe são feitas...., desse modo conseguin­
do a Autoridade Policial informações úteis às investigações. Mas esse
soro da verdade (truthserum), devassando o íntimo das pessoas, impli­
ca profundo desprezo ao ser humano; violenta, por meio oblíquo, o
direito constitucionalmente garantido de ninguém ser obrigado a de­
clarar contra si mesmo.
A advertência é extensiva a todos e quaisquer processos que se
possam utilizar para a obtenção de prova e que possam produzir alte­
rações do estado físico ou psíquico da pessoa,,
Apenas essas as restrições à prova? Não. O parágrafo único do art
155 do CPP restringe a prova no que tange ao estado civil das pessoas:
“somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições
estabelecidas na lei civil”,.
E a razão dessa restrição é acentuada muito bem por Manzini:
“Las cuestiones relativas al estado de las personas no son de Interés exclusivamente privado, sino que implican graves y delicados intereses de orden público en cuanto se refíeren al ordenamiento elemental
y fundamental de la sociedad Precisamente por ello exige Ia ley pro­
cesal civil, bajo pena de nulidad denunciable de oficio, Ia intervención
dei ministério público en las causas que dicen relación al estado de las
personas” (Tratado, c it, v. 3, p.. 218-9),.
Desse modo, se a prova deve versar sobre “estado das pessoas”, o
Juiz penal somente terá o fato como provado se lhe forem obedecidas
as restrições estabelecidas na lei civil. Assim, se o Promotor oferecer
denúncia em relação a B, pelo crime de bigamia, juntando apenas a
certidão do primeiro casamento e louvando-se em depoimentos de
várias testemunhas de que o réu convolara núpcias pela segunda vez
240

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na vigência do primeiro casamento, parece óbvio que o Juiz nem poderá receber a peça acusatória, porquanto cumpria ao Promotor fazer
a prova desse segundo casamento. E tal prova se faz nos termos do art.
1.543 do atual Código Civil, com a exibição da certidão de casamento,.
No caso extraordinário de perda ou falta do registro civil, admite-se
qualquer outra prova, tal como permite o parágrafo unico do citado
artigo . Quando se trata de verificação de idade (e muitas e muitas vezes
há necessidade de saber a idade da pessoa, para fins penais),, o normal
é a prova mediante certidão, uma vez que o art.. 9a do Código Civil
exige o registro de nascimento. Mas sabemos todos que no Brasil a
evasão ao registro atinge proporções alarmantes. Em face disso, em
caso de ser necessário proceder à verificação de idade (ante a falta de
registro), haverá uma perícia médica, que se baseia na análise dos ossos
(normalmente peía radiografia), dentes, caracteres sexuais secundários,
pele e peso. Assim, o núcleo do crescimento dos ossos (até os 20 anos);
nos dentes definitivos há uma certa ordem na sua irrupção (há tabelas
indicando a época dessas irrupções); os pelos axilares e pubianos, a
menarca (primeira menstruação) etc.
:
Há outras restrições à prova. O Juiz penal não pode determinar a
realização de provas a respeito de questões prejudiciais heterogêneas
(CPP, arts, 92 e 93); o Juiz penai não pode fazer pesquisa sobre a va­
lidade ou invalidade da sentença declaratória da falência.. A reincidência só se prova mediante certidão da sentença condenatória com a nota
explicativa de haver transitado em julgado. O Juiz penal não pode decretar extinta a punibilidade pela morte do agente se não for juntada
aos autos a respectiva certidão de óbito, nos termos do art, 62 do CPP
E mais restrições existem, haja vista as normas que se contêm nos arts.
207, 233, 243, § 2a, e 158 do CPP, Acrescente-se, ainda, a exigência
da cópia do decreto para o reconhecimento da graça ou indulto (art.
192 da LEP), das certidões e atestados referidos nos incs I, II e m do
art 744 do mesmo estatuto, da autenticação e legalização da sentença
estrangeira para ser homologada (CPP, art.. 788).
Às vezes é o tempo que exerce influência na liberdade da prova.
Assim, se o órgão da Acusação ou o querelaute não arrolar testemunhas
quando da oferta da denúncia ou queixa, nos termos do art,. 41 do CPP,
não mais poderá fazê-lo. Diga-se o mesmo a respeito da Defesa, se
deixar de aproveitar a oportunidade de que trata o art, 396-A do CPP
É verdade que, nesses casos, bem pode o Juiz fazer suas as testemunhas
arroladas serodiamente...
241

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Outras vezes a iei impede se produza determinada prova em certa
fase procedimental; é o que ocorre nos processos de crimes da compe­
tência do Júri: o art. 479 do estatuto processual penal proíbe a leitura
em plenário de documento cujo conteúdo não tiver sido comunicado à
parte contrária, com antecedência mínima de 3 dias úteis, se relacio­
nado com o fato objeto do processo, compreendendo-se nessa disposi­
ção a leitura de jornais ou qualquer outro escrito, bem como a exibição
de vídeos, gravações, fotografias, laudos, quadros, croqui, ou qualquer
outro meio assemelhado, cujo conteúdo versar sobre a matéria de fato
submetida à apreciação e julgamento dos jurados,
Percebe-se, desse modo, que a liberdade de prova no Processo
Penal não é tão absoluta quanto se cuida, de molde a permitir todas e
quaisquer espécies de meios probatórios.
Ilegitimidade e ilicitude da prova. Quanto ao problema da ilicitude e ilegitimidade das provas, merece maior exame. Há uma distinção
doutrinária entre provas ilícitas e provas ilegítimas. Enquanto aquelas,
segundo Nuvolone, são as obtidas com violação de normas materiais,
as ilegítimas são as introduzidas no processo contra as determinações
de normas processuais (cf. Nuvolone, apud Ada Pellegrini Grinover,
Jurispenal do STF, 37/20). Assim, por exemplo, a confissão do indicia­
do conseguida pelo lie-detector seria uma prova ilícita porque conse­
guida criminosamente Na verdade sua obtenção infringiria o disposto
no art. 146 do CP. Em se tratando de cartas particulares, interceptadas
ou obtidas por meios criminosos, além de ilícitas, em face do processo
de obtenção, são ilegítimas, porque vedadas pelo art. 233 do CPP., O
mesmo poderá ocorrer se houver transgressão ao art, 479 do CPP'
A expressão prova ilícita ganhou foros de cidadania jurídica, e
segundo Eduardo de Urbano Castrillo, “suplantando outras expressões
como ‘prova ilegal’, ‘prova viciada’, ‘nula\ etc,,, que eram usadas
anteriormente e que constituíram avanços para configurar o que hoje
se entende por ‘prova ilícita’.,,. Prova ilícita — observa — é uma ma­
nifestação espúria do jurídico” (La prueba ilícita penal, Navarra,
Aranzadi Ed,, 1996, p.. 52/53),,
A Constituição Federal de 1988 extinguiu o discrime entre provas
ilegítimas e provas ilícitas» Na verdade, dizendo o art.. 52, LVI, da Lei
Maior serem “inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios
ilícitos”, isto é, conseguidas por meio de violação de normas de direi­
242

to material e constitucional, evidente que as provas até então denomi­
nadas ilegítimas, como as cartas interceptadas ou obtidas por meios
criminosos, posto terem sido obtidas ilicitamente, inserem-se no rol
das provas ilícitas.
Mais incisivo foi o art, 157 do CPP: “são inadmissíveis, devendo
ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as
obtidas em violaçao a normas constitucionais ou legais”
Antes mesmo da promulgação da Lei Maior, em 1988, havia, na
doutrina, grande discussão sobre a possibilidade de o Juiz levar em con­
sideração uma prova obtida ilicitamente. AdaPeUegrini Grinover, já em
sua tese de concurso (Liberdades, cit.,, p., 200), fez primoroso estudo
acerca das tendências da doutrina. Parte desta entende que nada imper
de a admissão de provas ilícitas no Processo PenaL Se a prova foi
conseguida com transgressão a normas de Direito Penal, de Direito
Civil ou de Direito Administrativo, por exemplo, o seu autor sujeitar-se-á às sanções respectivas, nada impedindo sua admissão no pro­
cesso, “Quem agiu contra jus deve ser punido, mas a prova é valida­
mente introduzida no processo, toda vez que a lei processual não o
impeça: male captum bene retentum”
Parte da doutrina, entretanto, sustenta que, “mesmo do ponto de
vista processual, não é possível ao Juiz colocar, como fundamento da
sentença, prova obtida ilicitamente”
Repugna ao bom senso possa o Magistrado valer-se de uma prova
obtida criminosamente como razão para a sua sentença.
Na Argentina, onde o princípio tem, também, foros de constitucionalidade, por várias vezes os Tribunais têm rechaçado as provas obtidas
ilicitamente, ao argumento de que “en la comparación de los valores
en juego — el respécto a las garantias- individuales por un lado, y el
interés de la sociedad en que los delitos sean investigados por otro
— debe acordarse primacía a los primeros por tiatarse de dictados de
la Ley Suprema”,
Como bem diz Vélez Mariconde, o processo penal cumpre uma
dupla função de tutela jurídica: protege o interesse social pelo império
do direito, isto é, pela repressão do delinqüente, e o interesse indivi­
dual (e também social) pela liberdade pessoal (cf. Derecho procesal
penal, Buenos Aires, 1982, v. 2, cap. III, n, 5, p. 127). De nada valeria
a ação repressiva do Estado se, para a obtenção dos meios probatórios,
os órgãos agentes do Poder Público transgredissem aquela “serie mí­
243

nima de líbertades y garantias que conforman, en conjunto, lo que
antes se Uamaba seguridad individual y ahora se menciona como dig~
nidad humana”, Por isso mesmo o Juiz Gil Lavedra, da Coite Suprema
argentina, acentuou com absoluto acerto: “...existen limites en la persecución penal... la tutela de los derechos dei individuo es un valor más
importante para la socíedad que el castigo dei autor dei dèlito. Él respeto a la dignidad deí hombre y a los derechos esenciáles què Üerivan
de esta calidad constituyen el vértice fundamental sobre el que reposa
la existencia misma de todo Estado de derecho. Porello, ha dicho la
Suprema Corte que el conflicto sobre dos intereses fundamên tales de
la sociedad: su interés en una rápida y eficiente ejecución de la ley y
su interés en prevenir que por métodos inconstitucionales de ejecución
de la ley, ha sido resueito en nuestro país en favor deste último (cf.
Fallos, t 303, p. 1938). En la comparación de valores es preferible
dejar sin castigo los delitos, que permitir que una garantia constitucio­
nal se tome en letra muerta o a merced de cualquier eventual pretexto”
(cf. Julio B J Maier, Jurisprudência, Doctrina Penal, enero-marzo
1985, n. 29, p 63).
Argumenta-se, também, que se não houver a exclusão das provas
ilícitas, o valor “Justiça” se vê seriamente ressentido, porquanto aque­
les que devem velar paia que as leis sejam cumpridas — os policiais
— são os primeiros a violentá-las, e “quienes tienen como función
aplicar e interpretai la ley — los jueces — basan un juicio de reproche
penal en la prueba obtenida mediante la comisión de otro delito” (Fun­
damento ético invocado pelo Procurador-Geral, na Suprema Corte
Argentina, na causa “Fiorentino” — apud Alejandro D , Cairio, Garan­
tias constitucionales en el proceso penal, Buenos Aires, Ed. Hammurabi, 1997, p. 157).
Hoje, contudo, a Constituição de 1988 proclama, no art„ 5a, LVI,
serem inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos.
Se a Lei Maior assim o diz, evidente não mais poderem ser admitidas
aquelas provas obtidas em afronta à dignidade humana e àqueles direi­
tos fundamentais de que trata a Lei das Leis. Assim, as buscas domi­
ciliares ao arrepio da lei, as confissões e depoimentos conseguidos
através de processos condenáveis, as cartas interceptadas ou obtidas
por meios criminosos, a gravação de conversa ou de cenas fotográficas
ou cinematográficas das pessoas em seu círculo privado, ou em cir­
cunstâncias íntimas ou que lhes sejam particularmente peuosas, a au­
dição de conversações privadas por interferência mecânica de telefones,
244

)
microgravadores ou quaisquer aparelhos, tudo é coisa do passado.
Temos, agora, o nosso right o f privacy,..
O problema da ilicituàe e ilegitimidade das provas merece maior
exame. A Constituição Federal de 1988, conforme vimos, extinguiu o
discríme entre provas ilegítimas e provas ilícitas»
A busca da verdade real e os valores éticos. Se a Magna Carta
proíbe a admissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos, evidente não mais poderem ser admitidas as provas obtidas em afronta à
dignidade humana e a outros direitos fundamentais do homem, de que
trata a Lei das Leis. A busca da verdade real, ou verdade processual,
como preferimos, nos dias de hoje, “non es un valor absoluto sino que
se halla limitada por los valores éticos y jurídicos dei Estado de Derecho”„ Se a Lei Fundamental garante que “ninguém será submetido a
tortura nem a tratamento desumano ou degradante”; se ela declara in-*
violáveis “a intimidade e a vida privada”, se ela assegura aos presos, “p
respeito à integridade física e moral”; se ela proclama “a inviolabilidade do domicílio e o sigilo da correspondência” e, coroando toda essa
série de garantias, declara “serem inadmissíveis, no processo, as provas
obtidas por meios ilícitos”; se a Lei das Leis proclama que “ninguém
será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória'\ evidente que essa presunção somente poderá ser enfraquecida por provas que hajam sido colhidas com as garantias do devi­
do processo legaL A lisura moral e ética, diz Marco Antônio de Barros,
efetivamente impõe restrições à busca da verdade e até forma uma
espécie de barreira intransponível que prejudica a reconstrução fiel e
integrai de fatos (A busca da verdade, cit,., p„ 37) .
Provas espúrias (ilegítimas e ilícitas). Assim, as buscas domiciliares ao arrepio da lei; as confissões e depoimentos conseguidos median­
te processos condenáveis, as cartas interceptadas ou obtidas por meios
criminosos, a gravação de conversa ou de cenas fotográficas ou cinematográficas das pessoas em seu círculo privado, ou em circunstâncias
íntimas ou que lhes sejam particularmente penosas, a audição de con­
versações privadas por interferência mecânica de telefones,, microgravadores ou quaisquer aparelhos, tudo passou a ser coisa do passado.
Tudo são provas espúrias.
A Magna Carta prescreve que “ninguém será submetido a tortura
nem a tratamento desumano ou degradante” (art.. 5a, 131), que “ninguém
será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
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envilecem. dentro do possível. preservar-lhes-á a saúde ou até a própria vida. que se façam explorações em cavidades normais do corpo. apesar do que dispõe o art. se positivo. há certa razoabilidade nesse proceder. o art. pedras preciosas e até mesmo entorpecentes. se ninguém é obrigado a declarar contra si mesmo — nemo tenetiir se ipsum accusare —. Na hipótese de alcoolemia. É comum nos aeroportos pessoas serem presas ao argumento de terem ingerido cápsulas de coca­ ína ou conduzirem-nas pela via anal. De outra banda. se sua intimidade é inviolável. como a análise do sangue. entre o respeito às garantias individuais e o interesse da sociedade em que os delitos não fiquem impunes. se há fundadas suspeitas de que uma mulher está fazendo tráfico de entorpecente. 5G. vulgarmente denominado bafômetro (que mede o índice de álcool exalado). LYII). aquele se sobrepõe a este. indaga-se: a) Pode o indiciado ou acusado recusar-se a fornecer elemento gráfico para exame de um escrito? b) Pode ele não aceitar submeter-se a exame de alcoolemia. e. Como proceder? Parece-nos que. dependendo da gravidade do caso. Assim. a dignidade da pessoa. na redação dada pela Lei n. Parte da doutrina entende que tais exames humilham. 52. legalmente. se houver fundadas suspeitas. ali. outra mulher ou um médico proceda à busca e apre­ ensão. 5a). e um deles é o que consagra a dignidade da pessoa como uma das pilastias da ordem político-social. erige à categoria de crime “con­ 246 . 249 do CPP. inclusive. aviltam e quebram a resistência física ou moral da pessoa. 11 705/2008. proceder-se-á a um exame radiológico.. 306 do Código de Trânsito Brasileiro. outra solução não haverá senão ministrar-lhes um emético. seja por intermédio de etilômetro. consagra o “direito ao silêncio” (art. com o intuito de apreender joias. por exemplo. quando há fundadas suspeitas de que tais objetos ou substâncias estão guarda­ dos naqueles esconsos naturais? Todas essas questões ainda não encontraram uma solução unifor­ me. transgredin­ do direitos fundamentais.condenatória” (art.. que. diz-se que. LXIII) e declara inviolável a “intimidade” (inc„ X do art. nada impede seja ela conduzida a uma sala reservada e. Assim. conduzindo em alguma cavidade natural o produto proibido. que serve para determinar o volume de álcool nele existente? c) Pode o homem ou a mulher não permitir. conquanto se procure preservar. seja por outro exame alcoolimétrico. se não pode sofrer tratamento degradante. e.

em via pública.) shall be compelled in any criminal case to be witness against h im s e lf É preferível que ele fique impune do que permitir seja a Constituição desautorada. E aí. além de reconhecer o fato como infração gravíssima. que participe de uma acareação ou de uma reprodução simulada. não haveria o crime (conjugando-se os arts.. 5 ou 6 decigramas de álcool no sangue. A Suprema Corte norte-americana. estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 decigramas. esclarece que. ao distinguir duas classes de procedi­ mentos coativos: a) os que requerem a participação ativa do acusado.. no art. 277. ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine de­ pendência”. como proceder? E se por acaso houver recusa do condutor de veículo em se submeter aos testes de alcoolemia previstos no art.. dentre eles o famoso etilômetro. e b) aqueles nos quais o acusado nada mais representa senão simples fonte passiva de elementos de prova contra si próprio. tampouco a prova teste­ munhai poderia precisar a quantidade de álcool concentrada no sangue. 276 desse mesmo diploma. exigir que ele forneça material gráfico para exame de um escri­ to. não seria justo ficasse ele impune. 5-. Na primeira hipótese haveria transgressão ao princípio de que o acusado não está obrigado a fornecer prova contra si mesmo (privilege against self incrimination) ou. sim. 165 deste Código ao condutor que se recusar a se sub­ meter a qualquer dos procedimentos previstos no caput deste artigo”. a re­ tenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e o reco­ lhimento do documento de habilitação. ex. mais conhecido por bafômetro? Não se podendo presumir esteja com 4. 165 deste Código”. Do contrário. e o art . p. no caso “Schmerber v.Os precei­ 247 . como bem diz Sylvia Helena de Figueiredo Steincr. disposição essa que. LXIII. também com a redação dada pela Lei n„ 11. e. O § 3a do art. Cali­ fórnia*’.705/2008. prevê multa (5 vezes) e suspensão do direito de dirigir por 12 meses. E. “No person ( . 306 e 276 do CTB). “. A nossa Carta Magna. nos termos da Constituição norte-americana.duzir veículo automotor. 277 dispõe que “serão aplicadas as penalidades e medidas administrativas estabe­ lecidas no art. hoje no Tribunal de Haya. “qualquer concentração de álcool por litro de sangue sujeita o condutor às penalidades previs­ tas no art. como medida administrativa. acolheu o princípio con­ sistente no direito de permanecer calado. adotou uma solução que parece estar dentro nos parâmetros do princípio da razoabilidade. Se for menos de 6 decigramas.

mesmo porque o procedimento deve equiparar-se à violação de domi­ cílio. não nos parece haja menosprezo à Lei Maior.. Observe-se que nos aeroportos. à procura de entorpecentes por acaso transportados por passageiros. para nos referirmos a lugares mais conhe­ cidos. de qualquer forma. Se ninguém pode ser compelido a fazer prova contra si mesmo. Depaíma. Revista dos Tribu­ nais. E se for revelada a presença da droga? E se o passageiro estiver realmente portando arma? Não haverá flagrância? Por óbvio não se pode permitir que o passageiro prossiga viagem» Dependendo do lugar onde estiver a droga. nesses casos. pode-se 248 . se no caso de flagrante a Magna Carta permite a entrada em domicílio. não implica uma situação vexatória para a pessoa? Dependendo do caso. compelido a declarar contra si mesmo ou a colaborar para a colheita de provas que possam incriminá-lo” (A Convenção Americana sobre Direitos Humanos e sua integração ao processo penal brasileiro. Senado Federal bancos e até mesmo nos edifícios onde funcionam os órgãos jurisdicionais (Tribunal. E se porventura for detectada a presen­ ça de metal? Obviamente haverá revista. Câmara Federal. com cães farejadores. A estreita analogia entre a violação e a inspeção corporal parece clara se se considerar que tanto o domicílio como o corpo humano são “recintos privados” e que o objetivo da garantia da inviolabilidade domiciliar é. 125). Fórum). a toda evidência a inconstítucxonalidade do § 3S do art. tal con­ duta não provoca humilhação que “alcança um nível insuportável para a dignidade humana”? Em alguns aeroportos europeus. 277 do CTB atinge as raias da palpabilidade. há detectores de metais. São Paulo. que dizer da pessoa que está levando consigo entorpecente e objetos furta­ dos? Não está em estado de flagrância? Já na hipótese de extração de sangue. no fundo. Na segunda hipótese. 2000. quer-nos parecer que a autorização judicial é de rigor. precisamente. como o de Roma. Doctrina Penal. Por outro lado. deverá haver prévia autorização judicial (Hemán Victor Gullco. 1989. ^Es necesario el consentimiento dei interesado para una inspección corporal?.tos garantistas constitucional e convencional conduzem à certeza de que o acusado não pode ser. A conseqüência prática dessa distinção é que. a tutela da esfera da intimidade pessoal. Buenos Aires. p. p» 117). a Polícia fica. e esta. E é profundamente lamentável que disposição desse naipe tenha passado pela Comissão de Constituição e Justiça do Congresso.

. nesse caso. e sim a própria Constituição. deverá haver ordem judicial. obtemperou: “se pessoas culpadas da prática de um delito ficam impunes. p. etc. não é a regra proibitiva da admissibilidade das provas ilícitas que determina fiquem os culpados impunes. algum marginal perigoso fique impune. nem outras provas colhidas no curso da instrução podem servir para demonstrar a prática delituosa. p. A essa observação o Professor Yale Kamisar. deve-se impor a nulidade do procedimento. São elas que impedem a Policia de obter confissões e declarações mediante tortura. Sobre a proibição de provas em processo penal. Apreensão ilegal de documentos “Se o processo criminal foi instaurado com base em documentos apreendidos de modo arbitrário e contraveniente com os preceitos constitucionais. proceder a buscas domiciliares sem ordem judicial.” (apud Alejandro D. obrigatoria­ mente. 157). cit. indistintamente. Na Capital paulista foi posto um detector de metais no Fórum da Barra Funda (Foro Central). É possível que. na verdade tal fato não é atribuído à regra de exclusão. tal como o domicílio. 129). Carrio. Então a questão passará a ser desse modo. o Tribunal es­ tendeu a medida a todos.. 249 .. Garantias constitucionales. Toda e qualquer pessoa que quiser adentrar aquele recinto deverá. 1992. 740/553). e. Por certo que se eliminarmos tais garantias haverá mais delinqüentes na cadeia. Coimbra. tra­ tando-se de crime de sonegação fiscal.invocar a lição da Suprema Corte norte-americana. em conferência proferida na Faculdade de Direito daLouisiana State University. se desejarmos viver em uma sociedade regida por tais princípios. graças aos esforços da OAB de São Paulo. Jurisprudência: Provas ilícitas. eis que só os documentos fiscais são imprescindíveis no conjunto probatório” (RT. Na Alemanha também se faz distinção entre “colaboração de con­ duta meramente ativa” e “meramente passiva” (Manoel da Costa An­ drade. Em sín­ tese. e. em face da exclusão das provas ilícitas. passar pelo detector. mas. hoje.. ela já alcança nume­ rosas comarcas. ao considerar o corpo humano um “recinto privado”. pois. e sim às garantias que a Constituição enuncia. prender pessoas sem provas. A princípio excluíam-se Juizes e Promo­ tores.

os quartos de hotel. Writ indeferido. Bus­ ca e apreensão de materiais e equipamentos realizada. pelo Ministério Público. “Interceptação telefônica. Qualifi­ cação jurídica desse espaço privado (quarto de hotel. para efeito da tutela constitucional da inviolabili­ dade domiciliai'. “Prova penal Banimento constitucional das provas ilícitas (cf. Nel­ son Jobim.. 5a.Provas ilícitas. 5-. DJU. 250 . DJU. E lícita a gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores. desde que ocupados): necessidade.. de prova obtida com transgressão à garantia da inviolabilidade domiciliar. de mandado judicial (CR art. por exemplo. art. DJUf 23-4-2001). Min. art» 150. É inconsistente e fere o senso comum falar-se em violação do direito à privacidade quando interlo­ cutor grava diálogo com seqüestradores.. Prova ilícita» Gravação de telefonema por inter­ locutor. Ilicitude (originária e por derivação).... Habeas Corpus. Hí — Considera-se nula a autorização judi­ cial para interceptação telefônica concedida por juiz incompetente. 25-9-1995). sem ciência do outro. ou com a sua autorização. Competência. Impossibilidade de utilização. “Habeas Corpus. sem mandado judicial. § 42. desde que ocu­ pado) como ‘casa’. II — O juiz competente para a ação principal é quem deve autorizar ou não a interceptação das comunicações telefônicas. mesmo em sua fase pré-processual Conceito de ‘casa’ para efeito da proteção constitucional (CF. XI). art.. e CP. II). Ordem indeferida” (HC 75 J38/RJ. LVI).277/MG.. ReL Min. que também compreende os aposentos de habitação coletiva (como. 18-3-1994). I — Inexistindo prerrogativa de função é da competência do juiz de primeiro grau o processamento e julgamento do feito. Inadmissibilidade. para que se declare a competência do Juízo de primeiro grau para processamento e julgamento do feito e anular os atos até então praticados pelo Juízo incompetente” (HC 10. XI. em tal hipótese... quando há investida criminosa deste último. 5a. Felix Fischer.243/RJ. Amplitude dessa noção conceituai. Rei. Garantia que traduz limitação constitucional ao poder do estado em tema de persecução penal. pensão. ReL Min. estelionatários ou qualquer tipo de chantagista.. motel e hospedaria. em quarto de hotel ainda ocupado Impossibilidade. Sepiilveda Pertence. Prisão ilegai “Prova: obtenção ilícita mediante prisão ilegai do indiciado — sem flagrante nem ordem judicial — e em razão dela: falta de justa causa para a condenação que se alicerçou exclusivamente na prova ilicita­ mente colhida” (HC 70.

A ação persecutória do Estado. no ordenamento normativo brasileiro. até mesmo. XI. por isso mesmo. em conseqüência. os quartos de hotel. o conceito normativo de ‘casa’ revela-se abrangente e. porque im­ pregnada de ilicitude originária. ingressar. Doutrina. repelindo.. Inadmissibilidade de sua produção em juízo (ou perante qualquer instância de poder). II). Subsunção desse espaço privado.. observada essa específica limitação espacial. sem mandado judicial. compreende. em matéria de atividade probatória. sob pena de ofensa à garantia constitucional do ‘due process of law’. unicamente. do direi­ to processual). qualquer que seja a instância de poder perante a qual se instaure. sob pena de a prova resultante dessa diligência de busca e apreensão reputar-se inadmissível. que tem.. Dou­ trina. quaisquer elementos probatórios que resultem de violação do direito material (ou. durante o dia. em 251 . por estender-se a qualquer aposento de habita­ ção coletiva. em norma revestida de conteúdo vedatório (CF.. Doutrina. no dogma da inadmissibilidade das provas ilícitas. Precedentes (STF). art. contra a vontade de quem de direito (‘invito domino’). nenhum agente público poderá. bene retentum’. desautoriza. qualquer prova cuja obtenção. denunciado ou condenado com base. Ninguém pode ser investigado. derive de transgressão a cláusulas de ordem cons­ titucional.. 5a. ínidoneidade jurídica — Recurso ordinário provido Bus­ ca e apreensão em aposentos ocupados de habitação coletiva (como quartos de hotel).. Precedentes. pelo Poder Público. I2). A Constituição da República. da Constituição da Republica. para revestir-se de legitimidade. não pode apoiar-se em elementos probatórios ilicitamen­ te obtidos. Sem que ocorra qualquer das situações excepcionais taxativamente previstas no texto constitucional (art. em tal hipótese. ao conceito de ‘casa’ Conseqüente necessidade. de mandado judicial.Prova ilícita. A questão da doutrina dos frutos da árvore envenenada ( 'fruits o f the poisonous tree A questão da ilicitude por derivação. Ilicitude da prova. Precedentes. § 42. 5a. XI). art. 150. a fórmula autoritária do ‘male captum. art. ressalvadas as exceções previstas no próprio texto constitucional Para os fins da proteção jurídica a que se refere o art. por incompatível com os postulados que regem uma sociedade funda­ da em bases democráticas (CF. LVI). 5-. não prevalecendo. desde que ocupado (CP. desde que ocupado. uma de suas mais expressivas projeções concretizadoras no plano do nosso sistema de direito positivo.. em aposen­ to ocupado de habitação coletiva. ínidoneidade jurídica da prova resul­ tante da transgressão estatal ao regime constitucional dos direitos e garantias individuais.

. Hipótese em que os novos dados probatórios somen­ te foram conhecidos. ainda que produzido. NIX v. United States (1920). Se. v. de direitos e garantias constitucionais e legais. Murray v. por efeito de re­ percussão causai. Precedentes. de modo válido. United States (1984). contaminando~os. A exclusão da prova originaiiamente ilícita — ou daquela afetada pelo vicio da ilicitude por deri­ vação — representa um dos meios mais expressivos destinados a conferir efetividade à garantia do ‘due process of law’ e a tomar mais intensa. 252 . no entanto. Qualquer novo dado probatório. pelo Poder Público. porque não contaminados pela mácula da ilici­ tude originária. que desrespeitaram a garantia constitucional da inviolabilidade domi­ ciliar. o órgão da persecução penal demonstrar que obteve. validamente. os meios probatórios que. em momento subsequente. traduz signi­ ficativa limitação de ordem jurídica ao poder do Estado em face dos cidadãos. Segura v. originariamente. United States (1988)’. que a eles se transmite. no entanto. não podè apoiar-se. não pode ter fundamento causai nem derivar de prova comprome­ tida pela mácula da ilicitude originária. tais dados probatórios revelar-se-ão ple­ namente admissíveis. Doutrina. Revelam-se inadmissíveis. A doutrina da ilicitude por derivação (teoria dos ‘frutos da árvore envenenada’) repudia. A questão da fonte autônoma de prova ( ‘an independem source’) e a sua desvinculação causai da prova ilicitamente obtida. não obstante produzidos. por constitucionalmente inadmissíveis. por agentes esta­ tais. g. a tutela constitu­ cional que preserva os direitos e prerrogativas que assistem a qualquer acusado em sede processual penal. os elementos probatórios a que os órgãos da per­ secução penal somente tiveram acesso em razão da prova originaria­ mente ilícita.. pelo vício (gravíssimo) da ilicitude originária. legitimamente. em momento ulterior. com esta não mantendo vinculação causai. no plano do ordenamento positivo brasileiro.. em razão de anterior trans­ gressão praticada. v. Doutrina. quer se cuide de ilicitude por derivação.. Precedentes do Supremo Tribunal Federai Jurisprudência comparada (a experiência da Suprema Corte americana): casos ‘Silvenhome Lumber Co. obtida como resultado da transgressão.provas ilícitas. cuja eficácia condicionante. novos elementos de informação a partir de uma fonte autônoma de prova — que não guarde qualquer relação de de­ pendência nem decorra da prova originariamente ilícita. Williams (1984).. pelos agentes da persecução penal. quer se trate de ilicitude originária. desse modo. acham-se afetados. pelo banimento da prova ilicitamente obtida. em decorrência da ilicitude por derivação.

788/RÍ. pois o Estado. limites intransponíveis. está su­ jeito à observância de um complexo de direitos e prerrogativas que assistem. Apreensão de livros contábeis e documen­ tos fiscais realizada. e para esse espe­ cifico efeito. as limitações jurídicas decorrentes do próprio sistema instituído pela Lei Fundamental. Não são absolutos os poderes de que se acham investidos os órgãos e agentes da administração tributária.. art. nos termos do voto do Relator. era escritório de contabilidade. que também compreende os espaços 253 . em tema de tributação. dos limites jurídicos impostos pela Consti­ tuição e pelas leis da República. A administração tributária. ao Estado. Poderes. Impossibilidade de utilização. por parte de seus órgãos e agentes. nos direitos e garantias individuais. por isso mesmo. sujeito à proteção constitucio­ nal da inviolabilidade domiciliar (CF. por votação unânime. Min. por agentes fazendários e policiais federais. cuja eficácia — que prepondera sobre todos os órgãos e agentes fazendários — restringe-lhes o alcance do poder de que se acham investidos. 18-5-2007. ” (HC 82. Dever de observância. DJ. paia restabelecer a sentença penal absolutória. cujo desrespeito pode caracterizar ilícito constitucional. Administra­ ção pública e fiscalização tributária. sobretudo. ‘Habeas corpus’ deferido. Conceito de 'casa’ para efeito de proteção constitucional. ‘respeitados os direitos individuais e nos termos da lei’ (CF. especialmente quando exercido em face do contribuinte e dos cidadãos da República. Fiscalização. Inadmissibilidade. deu provimento ao recurso ordinário. p„ 113)... Subsunção aò con­ ceito normativo de ‘casa’»Necessidade de ordem judicial. não aberto ao público. 145^ § Ia). aos contribuintes e aos cidadãos em geral» Na realidade. Rei. constitucionalmente. não podem ser transgredidas por aqueles que exercem a autoridade em nome do Estado A garantia da inviolabilidade domiciliar como limi­ tação constitucional ao poder do Estado em tema de fiscalização tri­ butária.Decisão: a Turma.. consideradas. embora podendo muito. Prova ilícita. sem mandado judicial. Ne­ cessário respeito aos direitos e garantias individuais dos contribuintes e de terceiros. que são titulares de garantias impregnadas de estatura constitucional e que. Amplitude dessa noção conceituai. XI). é somente lícito atuar.. inclusive em matéria de fiscalização tributária. os poderes do Estado encontram. art„ 5Q. de prova obtida em transgressão à garantia da in­ violabilidade domiciliar.. Administração tributária. Espaço privado. Celso de Mello. “Fiscalização tributária. por tal razão.. não pode tudo E que. pelo Ministério Público. ínidoneidade jurídica.

em espaço privado não aberto ao público. inclusive os de contabilidade. ingressar. A ‘Exclusionary Rule’ consagrada pela jurisprudência da Suprema Corte dos Estados Unidos da América como limitação ao poder do Estado de produzir prova em sede processual penal. os escritórios profissionais. XI). Inadmissibilidade de sua produção em Juízo (ou perante qualquer instância de poder).. XI. sob pena de a prova resultante da diligência de busca e apreensão assim executada reputar-se inadmissível. art. sem mandado judicial. Sem que ocorra qualquer das situações excepcionais taxativamente previstas no texto constitucional (art. III). nenhum agente público. da Constituição da República. A Constituição da República. não pode apoiar-se em elementos probató­ rios ilicitamente obtidos. § 42. sob pena de ofensa à garantia constitucional do ‘due process of law’. de mandado judicial (CF. Necessidade. 5S. onde alguém exerce profissão ou atividade (CP. Inidoneidade jurídica da prova resultante de transgressão estatal ao regime constitucional dos direitos e garantias individuais.privados não abertos ao público. que tem. Doutrina. 52. desautoriza. no dogma da inadmissibilidade das provas ilícitas. em tal hipótese. qualquer que seja a instância de poder perante a qual se instaure. Para os fins da proteção jurídica a que se refere o art. o conceito normativo de ‘casa’ reveia-se abrangente e. que traduz expressão concretizadora do ‘privilège du preálable’. ainda que vinculado à administração tributária do Estado.. não prevalece sobre a garantia constitucional da inviolabilidade domiciliar. observada essa específica limitação espa­ cial (área interna não acessível ao público).. por incom­ patível com os postulados que regem uma sociedade fundada em bases 254 . Ilicitude da prova. Doutrina.. 5a. durante o dia. onde alguém exerce sua atividade profissional. art. A ação persecutória do Estado. art. uma de suas mais expressivas projeções concretizadoras no plano do nosso sistema de direito positivo. ainda que se cuide de atividade exercida pelo Poder Público em sede de fiscalização tributária. por estender-se a qualquer compartimento privado não aberto ao público. Precedentes. poderá. 150. em tema de fiscalização tributária. LVI).. Pre­ cedentes. compreende. onde alguém exerce atividade pro­ fissional. para revestir-se de legitimidade. XI).. 52.a propósito de escritórios de contabilidade (STF)„ O atributo da autoexecutoriedade dos atos administrativos. porque impregnada de ilicitude material. ‘embora sem conexão :com a casa de moradia propriamente dita’ (Nélson Hungria) Doutrina. con­ tra a vontade de quem de direito (‘invito domino’). em norma reves­ tida de conteúdo vedatório (CF. Pre­ cedentes específicos.

sob pena de inadmis­ sível subversão dos postulados constitucionais que definem.711. O sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. por votação unânime.03.. do direito proces­ sual). de 27-8-1962. até mesmo.. a fórmula autoritária do lmale captum. p. mediante requisição ou intimação deste” Mas o TRF da 3a Região. bene retentum7. XII. 43). e. de dados e das comunicações telefônicas. o certo é que por inúmeras vezes tal sigilo era quebrado. quando do julgamento do Habeas Corpus n.1I274-6. art. o si­ gilo pertinente a dados (informática e telemática) e comunicações telefônicas podia ser quebrado “nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal e instrução processual penal” Não obstante a violação desse sigilo estivesse condicionada à existência de uma lei. Decisão: a Turma. por ordem judicial. deferiu o pedido de habeas corpus” (HC 82.738/RJ. os limites impostos pela Constituição e pelas leis da República. no último caso. quaisquer elementos probatórios que resul­ tem de violação do direito material (ou. para efeito do legítimo desempenho de tais prerrogativas. de modo estrito. ser “inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. Precedentes. sob o fundamento de que o Código de Telecomunicações. em conseqüência. no seu art„ 57.democráticas (CF. pelo Poder Público. 4. derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional. A circunstância de a administração estatal achar-se investida de poderes excepcionais que lhe permitem exercer a fiscalização em sede tributária não a exo­ nera do dever de observar. no ordenamento normativo brasileiro. sob pena de os órgãos governamentais incidirem em frontal desrespeito às garantias constitucionalmente asseguradas aos cidadãos em geral e aos contribuintes era particular: Os procedimentos dos agen­ tes da administração tributária que contrariem os postulados consagra­ dos pela Constituição da República revelam-se inaceitáveis e não podem ser corroborados pelo Supremo Tribunal Federal. Observe-se que a Carta Magna proclamou. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal” Assim. II. Lei n. 1-). 2-6-2006. em matéria de atividade probatória. por isso mesmo. os limites — inultrapassáveis — que restringem os poderes do Estado em suas relaçSes com os contribuintes e com terceiros. repelindo. 255 . 90. Doutrina. proclamava não cons­ tituir violação de telecomunicação “o conhecimento dado ao juiz com­ petente. também. no arL 52. não prevalecendo. DJ. qualquer prova cuja obtenção. salvo.

. 526:291 A ilicitude desse meio de prova. Contudo. 153. à garantia do § 15 do art. e as gravações clandestinas além de afrontarem o princípio da inviolabili­ dade do sigilo das comunicações (§ 9Gdo a rt 153. por incompatível com a tutela constitu­ cional da intimidade {RTJ.296. desse modo. pelo § 9a do art.. Ressalte-se que a exigência do due process o f law destina-se a garantir a pessoa contra a ação arbitrária do Estado e a colocá-la sob a imediata proteção das leis. a “inviolabilidade do sigilo das comunicações telefônicas”. ed. 1 de 1969. da CF) cerceiam a defesa e inibem o contraditório. 256 . José Celso de Mello Filho. 153 da Carta Política de 1967. mais uma vez. proclamada pelo STF. Na verdade. pelo que a jurisprudência inadmitia. ofendem diretamente a cláusula do devido processo legal. RPGESP. de ligações telefônicas da mulher (RTJ. por ofensa à Constituição. com a redação dada pela EC n.. no art. 441) Muito a propósito esse v. 770:798)” {Constituição Federal anotada. ou dê gravações.. a utilização em processo judicial de gravação magnética. § 92. que a desautorizou. Não pode fundamentar juízos acusatórios ou condenatórios. 2. 16:91.. legem habemus. Agora. é materialmente ilícitá. 153 da Lei Magna” {RTJ. sem ressalvas.. A tutela judicial da liberdade. -í Nesse sentido. Os atos de gravar clandestinamente ou de interceptar comunicações telefônicas. p.. os meios de prova ilícitos não podem servir de sustentação ao inquérito ou à ação penal. aquele diploma maior. limitada ao indis­ pensável. Nesse sentido já se pronunciou o STF. consistente na ilegítima interceptação de comunicação telefônica. que proibia. RT. C f Ada P Grinover. além de criminosos. ficando. por ilícitas. em ofensa. o eminente José Celso dè Mello Filho: “A prova oriunda de interceptações1telefônicas-. aresto: “ . de 24-7-1996. Provas ilícitas. 84:609). as gravações clandestinas. a permissão veio acompanha­ da de uma série de restrições.telefônicas clandestinas. tais comunicações. igualmente. que julgou inadmissível. para que a garantia constitucional não caísse no vazio nem se transmudasse em simples flatus voeis. 9 .observou que referido dispositivo foi revogado. 122/47). foi. feita clandestinamente pelo marido. .. tacitamente. Ninguém pode se r. . acusado ou julgado com base em provas ilícitas. assegurava. As interceptações telefônicas e de dados. As interceptações te­ lefônicas e de dados foram autorizadas pela Lei n.

São Paulo. Ada Pellegrini Grinover (A marcha do processo. q RTJ. equilibrando os interesses do Estado e o direito à privacidade. transmissões de dados que se fazem via informática ou telemática. Nesse sentido. 42/47). também.Não são apenas as conversas por intermédio do telefone que podem ser interceptadas.. Sarai­ va. 1996. Ela de­ veria restringir-se às “comunicações telefônicas”. São Paulo. voltado para o combate à criminalidade que a cada dia assume proporções descomunais. e. Se porventura os complementos “correspondência”. 2000. Como o legislador constituinte queria. ~ Diz-se que o último caso ali referido pertine às comunicações te­ lefônicas. em texto perfeito. mas apenas os últimos comportam ressalva. excepcionasse a inviolabi­ lidade de dados e comunicações telefônicas.Interceptação telefônica. pensamos. “dados” e “comunicações telefônicas”. de dados e das comunicações telefônicas. Luíz Flávio Gomes e Raul Cervini (. ali no inciso XU do art.). cuida “dos dados e das comunicações telefônicas”. Dispõe o inciso XU do art. 2/6). “dados” e “comunicações telefônicas” estivessem separa­ . p. e. e fez o mesmo com os dois complementos restantes — “dados” e “comunicações telefônicas” — . que o legislador ordinário. Rio de Janeiro. Forense. é inconstitucional. 5a da CF: “É inviolável o sigilo da correspondência e das comuni­ cações telegráficas. mas.. isto é. por isso mesmo. por meio da vírgula. p. coordenou por meio da conjunção aditiva “e” os dois primeiros complementos — “coitespondência” e “comunicações tele­ gráficas” —. têm elas condições de interceptá-las» Há entendimento de que essa lei. “comunicações telegráficas”. como a Telefônica em São Paulo. em seguida. no que respeita à quebra do si­ gilo de dados da informática e telemática. Vicente Greco Filho (Interceptação telefônica. justapôs os dois últimos aos dois primeiros para mostrar que todos eles são invioláveis. Essas comunicações passam pela Embratel ou até mesmo pela empresa polo existente em cada Estado da Federação. A inviolabilidade do sigilo abrange os quatro complementos: “correspondência”.. Não nos parece. salvo. Revista dos Tribunais. formando assim dois blocos distintos. O último caso. p„ 94. 1997. “comunicação telegráfica”. as informações passadas sem o uso da voz. no último c a s o . 148/367 e s. 52. e assim por diante.

indispensável a observância das seguintes regras: 1) devem ser realizadas por determinação exclusiva do Juiz da causa para prova em investigação criminal e em instrução processual penal. a quebra do sigilo das comunicações telefônicas. É como entendemos. estabeleceu uma série de exigências. de um lado. ou dados estáticos. não malferiu a Constituição. a ressalva recairia exclusivamente sobre as comuni­ cações telefônicas. A quebra tem destino certo: investigação criminal e instrução processual penal. em causas cíveis. mas. de outro. valem-se das comunicações telemáticas. pois é sabido que. por e-maih. e principalmente..dos por vírgulas. ao permitir a quebra do sigilo. isto é. nos casos graves. aqueles registrados no Winchester ou disco rígido do computador. Sabido que as organizações criminosas. o legislador. veda­ das. posto ser o último complemento Como ficou no texto. Mesmo que esses dados estiverem armazenados. a ressalva recaiu sobre o segundo bloco. 2) podem ser determinadas de ofício. vale dizer. Nenhuma ofensa à privacidade do cidadão. pore'm. de nada adiantaria ao constituinte permi­ tir. os traficantes. a nosso juízo. Sem a quebra do sigilo das comunicações telemáticas. A ressalva se fez em relação à última delas: “de dados e comunicações telefônicas” . com o avanço da tecnologia. na defesa dos interesses sociais.. ou a requerimento da Autoridade Policial (na fase do inquérito) ou do Ministério Público (na fase do inquérito ou da instrução). apenas e tão somente. como se ficassem incólumes dentro de uma redoma inquebrantável Daí a res­ salva feita quanto à quebra do sigilo das comunicações telefônicas e de dados. Assim. com rígido controle judiciai . a boa intenção do constituinte cairia no vazio e não passaria de ossos de borboleta. as pessoas. sobre os dois últimos complementos do sujeito gramatical “sigilo”. 4) elas não serão permitidas quando 258 . b) de dados e das comunicações telefônicas. de conseguinte. os “planos criminosos” e toda a pati­ faria dessa corja. tudo fica armazenado nos discos rígidos. A lei. Dizendo a última parte do texto constitucional “de dados e das comunicações telefônicas”. não só permitiu a quebra do sigilo das comunicações de dados como também a dos dados armazenados. 3) serão realizadas sob segredo de justiça.. Como se cuida de medida excepcional. nessas interceptações. os homens do “colarinho branco” e outros não se comunicam apenas por telefone. Trata-se de duas hipóteses: d) correspondência e comunicação telegrá­ fica.. E os “esquemas”. receosas de um “grampeamento”. de que são exemplos os e-mails passa­ dos via fone.

notadamente da Embratel.. XII do art. sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei. 8) o ato permissivo deverá ser fundamentado. antes do relatório. 10) a diligência fica a cargo da Autoridade Policial. b) a prova puder ser feita por outros meios disponíveis. 7) excepcionalmente o pedido pode ser formulado verbalmente (reduzindo-se a termo). 11) a Autoridade Policial poderá requisitar serviços e técnicos especializados às concessionárias de serviços públicos. renovável por igual tempo. se comprovada a indispensabilidade desse meio de prova. 502 e 538 deste Código (hoje. com pena de detenção. 1L689. no máximo. 9) esta deverá ser realizada dentro no espaço-tempo de 15 dias. 12) realizada a diligência. que puniam a divulgação de registros. 17 e 26 da antiga Lei Antitóxicos (Lei n. gravações e transcrições respectivas. sob pena de nuiidade. ou quebrar segredo da justi­ ça. bem como dos autos de prisão em flagrante e até mesmo do inquérito policial para a apuração dos crimes definidos nessa lei. 6) o pedido deverá conter a demonstração de que a sua realização é necessária à apuração de infração penal. de informática ou telemática. 5) em qualquer hipótese deve ser descrita com clareza a situação objeto da investigação. 259 . aplicável a qualquer procedimento). quando os autos forem conclusos ao Juiz para o despacho decorrente do disposto nos arts.. É de esperar que o art. indicando também a forma de execução da diligência. esses artigos correspondem ao art 396. 9 296/96 estabeleceu no seu art. dês que satisfeitos os pressupostos de admis­ sibilidade. com indicação dos meios a serem empre­ gados. 13) será preservado o sigilo das diligências. 407. e.368/76).ocorrer uma das seguintes hipóteses: d) não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal. ou ao processo. inclusive pela televisão. em decorrên­ cia da Lei n. ao que nos consta. 14) as gravações que não interessarem à prova serão inutilizadas. seu resultado e eventuais transcrições serão objeto de autos apartados e que serão apensados ao inquérito. 10 dessa Lei não tenha o mesmo destino que o uso reservou aos arts. documentos ou peças de infor­ mação. inclusive com indicação e qualificação dos investigados. E para resguardar o direito à privacidade de que trata o inc. c) o fato investigado constituir in­ fração penal punida. 6. ninguém foi punido pelas divulgações que se faziam. de 9-6-2008. presente o órgão do Ministério Público. a Lei n. podendo o órgão do Ministério Público acompanhá-la. 5S da Lei Maior. 10 constituir crime punido com 2 a 4 anos dé reclusão e multa (sem fixar o quantum) realizar interceptação de comunicações telefônicas..

a despeito da sua mag­ nitude constitucional. por ordem judicial. houve uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que recebeu o n. A juris­ prudência pretoriana é unissonante na afirmação de que o direito ao sigilo bancário. e utilizada com violação à privacidade alheia (art. X e XI. da CF). Anteriormente à vigência da Lei n. o STF assim decidiu: “Inadmissibilidade como prova de laudos de degravação de conversa telefônica e de registros contidos na memória de microcomputador. havendo a degravação sido feita com inobservância do princípio do contraditório. sob segredo de justiça”. I2 e respectivo parágrafo único da Lei n„ 9. da CF)” (Ap„ 307/DF. X. bem como ao sigilo de dados. para prova em investigação criminal e em instrução proces­ sual penal. no segundo caso. não é um direito absoluto. Indaga-se: a lei permite essa “apreensão” de dados? Há entendimento no sentido de que a lei não poderia permitir a interceptação de “fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática” porque violatória do sigilo da comunicação de dados. da CF). Em novembro de 1996. 9. observará o disposto nesta Lei e dependerá de ordem do juiz competente da ação principal. ponha em destaque o direito à privacidade. O plenário da Suprema Corte. sem conhecimento do outro. não temos dúvida em afirmar: a lei permite. e os peritos passam a examinar tudo quanto se contém no Winchester ou disco rígido.. entretanto. LVI. 13-10-1995. e. dispondo o art. contém expressa ressalva para admitir a quebra do sigilo para fins de investigação criminal ou instrução processual penal (art. 1 488-9/DF. no capítulo das franquias democráticas.296/96 que “a interceptação de comunicação telefônica. e que “o disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática”. indeferiu o pedido. p. obtidos por meios ilícitos (art/-5a. deixando de apreciar o mérito. por estar-se diante de microcomputador que.. o STJ.. 52. Em 2002. são apreendidos computadores. no primeiro caso.026/SC. inc. DJU. por se tratar de gravação realizada por um dos interlocutores. de qualquer natureza. cedendo espaço quan­ 260 . tendo sido relator o Ministro Néri da Silveira. XII). teve a memória nele con­ tida degravada ao arrepio da garantia da inviolabilidade da intimidade das pessoas (art. ao julgar o Habeas Corpus n„ 15. além de ter sido apreendido com violação de domicílio. 52.Às vezes.296/96. 52. por unani­ midade. 34247) Mas. assi­ nalou: “Embora a Carta Magna.

Relator o eminente Ministro Gilson Dipp. Se. 51. DJU. art.. em desacordo com o art. p. Aí haverá interceptação. bem como ‘a interceptação do fluxo de comunicações em sistema de informática e telemática’ (Lei n. em operação con­ junta com a Polícia Federal. RHC 10. Na verdade. tendo sido instauradas diversas ações penais com base no material apreendido II — Este STJ já se pronunciou no sentido de que a apreensão de documentos em es­ critório. se a inadmissibilidade das provas ilícitas está no capítulo destinado aos direitos e garantias fundamentais do homem.. No Habeas Corpus n. parágra­ fo único). DJU. em acórdão ainda não publicado. V — Ordem concedida nos termos do voto do relator”. 9. HC 14. 18-12-2000. um dos interlocutores procede à gravação. 2a.034/95.089. sem au­ torização judiciai e em afronta à garantia de inviolabilidade de domicí­ lio. numa conversa telefônica entre duas pessoas. ‘o acesso a dados. A legislação integrativa do cânon constitucional autoriza.336/ RJ. da CF. inciso XI. bem como livros de me­ mórias de computador. art. 224. Não se deve confundir interceptação de comunicações telefônicas com gravações. não comete crime.do presente era maior dimensão o interesse público. mediante autorização judicial. documentos e informações fiscais. 218. isto é. bancárias.. hábil a contaminar toda a ação penal HI — Precedente desta Corte e do STF. Poder261 . assinalou: “I — Hipótese em que a Receita Federal. 11-12-2000. 78).534/RJtJDJÍ/. Habeas Corpus denegado” (RSTJ. financeiras e eleitorais’ (Lei n. já se esboça na doutrina um movimento no sentido de não emprestar a esse princípio constitucional que inadmite as provas obtidas ilicitamente uma importância que supere o direito de liberdade. o STJ.. sem autorização judicial. p. Pode até usá-la como prova (STJ. A ilicitude ocorre quando terceiro estranho à conversa procede à gra­ vação. em sede de persecução crimi­ nal.. 9:296/96. 5a. IV — Deve ser cassado o acórdão recoirido e determinada a anulação da ação penal instaurada contra o paciente pela suposta prática de crime contra a ordem tributária. só admissível nos termos da lei já re­ ferida. Sem embargo. p. teria ingressado em dois escritórios con­ tábeis da empresa de propriedade do paciente e apreendido documentos relacionados a clientes da referida sociedade. o material obtido configura prova ilícita.703/RJ (j. em 6-6-2006). não pode repugnar à comum consciência jurídica o fato de a Defesa conseguir por meio ilícito prova que demonstre a inocência do imputado. 17-4-2000. 163/535). REsp 214. JH). I2.

251 US 385 (1920). temos a doutrina do “fruit o f the poisonous tree”. é apreendido com todas as formalidades legais. e que teve sua maior repercussão no caso Silverthome Lumber Co.. chegou a inspirar a Súmula 50 das Mesas de Processo Penal da Facul­ dade de Direito da USP. surgida na jurisprudência tedesca. Prova ilícita por derivação. e nos Estados. que.. quando a Corte decidiu que o Estado não podia intimar uma pessoa a entregar documentos cuja existência fora descoberta pela polícia por meio de uma prisão ilegal. então. por imperativo constitucional.). obtém-se informação da localização da res fu r tiv a que é apreendida regularmente» Mediante escuta telefônica (prova ilícita). mareando-a. Essa doutrina da proporcionalidade.. este supera aquele. mesmo ao arrepio da iei. a seguir. Entre o sigilo das comunicações e o direito de liberdade. obtenção de confissões mediante toda sorte de violência etc.-se-á. ao lado das provas ilícitas. por esse “critério de proporcionalidade sobre o qual se baseia a exceção aos princípios de exclusão da prova ilícita” (Verháltnis-màssigkeitsprinzip). uma interceptação telefônica.. a tutela do direito de li­ berdade do indivíduo “es un valor más importante para la sociedad” que a tutela do outro bem protegido pela proteção ao sigilo. escuta tele­ fônica sem autorização da autoridade judiciária competente.. ou da razoabilidade. a obtenção ilícita daquela informação se projeta sobre a diligência de busca e apreensão. bene retentum„ Essa mesma corrente. se for necessa­ riamente essencial a demonstrar a inocência do acusado. não empresta um valor inquebrantável àquela proibição cons­ titucional É preciso que nos pratos afilados da balança sejam pesados os bens jurídicos envolvidos. Na verdade. não pode ser expungida dos autos.. aparentemente legal. desde 1961. obtém-se informação do lugar em que se encontra o entorpecente. ou simplesmente Ufruit doctrine”. nela transfundindo o estigma da ilicitude penal. dizer: male captum. adotada nos Estados Unidos desde 1914 para os Tribunais Federais. e. no sentido de se autorizar a prova ilícita se necessariamente indispensável para a defesa do réu. Não só as provas obtidas ilicitamen­ te são proibidas (busca domiciliar sem mandado judicial. 262 . v: United States. como também as denominadas “provas ilícitas por derivação” Mediante tortura (condu­ ta ilícita).Assim.. “também denominada teoria do balanceamento ou da preponderância dos interesses”. à evidência. “fruto da árvore envenenada”. Nisso consiste a doutrina do fruto da árvore envenenada.Assim.

por exemplo. ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independen­ te das primeiras”. o STF.690/2008. 157 do CPP e acrescentando-lhe parágrafos. Aliás. seguindo os trâmites típicos e de praxe. evidentemente. No Habeas Corpus n. E finalizando: ou se leva às últimas conseqüências a garantia constitucional ou ela será facilmente contornada pelos frutos da informação ilicitamente obtida” (Informativo STF n. alterando a redação do caput do art. a Polícia se dirige ao verdadeiro culpado. observou: “Vedar que se possa trazer ao processo a própria ‘degravação’ das conversas telefônicas. concedendo o writ. ou da doutrina denominada fruit o f the poisonous tree. o Ministro Sepúlveda Pertence. assim dis­ pôs no § Io: “São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas. podendo as partes. A apreensão dos 80 quilos de cocaína só foi possível em. 36. de 15-5-1996). e não reprimir a atividade ilícita da escuta e da gravação clandestina e con­ versas privadas. 69. 30.Os Tribunais norte-americanos têm-se valido dessa doutrina “com a finalidade de reafirmar os fundamentos éticos e dissuasivos da ilega­ lidade estatal em que se baseia aquela regra”. próprios da investigação ou instrução crimi­ nal.. se assim o quiserem. é estimular. que sem tais informações não colheria. um depoimento conseguido mediante tortura. a empregada da casa. por decisão judicial será ela inutilizada. para chegar a outras provas. legem habemus. 73.912/RS.. e no § 2. e este.. como Relator. de­ 263 . E preferível que o criminoso fique impune a permitir o desrespei­ to à Lei Maior. salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras. de 21-61996). virtude de interceptação telefônica.explicitou o que seja fonte independente: “Considera-se fonte independente aquela que por si só. sem a menor resistência.35 l/SP. que agiu ilicitamente. sem qualquer atitude agressiva da Polícia. a Suprema Corte vinha sufragando a tese da inadmissibili­ dade das provas ilícitas por derivação. seria capaz de conduzir ao fato típico objeto da prova”. Se... mas admitir que as informações nela colhidas possam ser aproveitadas pela autoridade.” {Informativo STF n. Hoje. A Lei n 11.. em decorrência de prova obtida ilicitamente. confessa o crime? E se durante uma busca domiciliar realizada sem mandado judicial. acompanhar o incidente. No Habeas Corpus n. Uma vez desentranhada dos autos a prova considerada inadmissí­ vel. observou que “a prova ilícita contaminou as provas obtidas a partir dela.

não haverá invalidade do processo. sin importai que ellos reconozcan como origen una violación constitucional. Relator Moreira Alves) . 115. este. reconhece a sua culpa. Nesse sentido o julgado do STF no Habeas Corpus n. indo a Polícia ao local onde o objeto procurado deveria estar. Sem mais provas. no curso da instrução ou antes de pro­ ferir sentença. Los funcionários poiiciales podrán seguir ‘apremiando’ individuos o alianando (invadindo) sus domicílios sin orden judicial. mesmo antes de iniciada a ação penal. 75. observando a necessidade. cit.. alguna vez. Havendo outras consideradas autônomas..23 l/RJ (Informativo STF n. sem qualquer coação. a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante”. é este encontrado e apreendido? Quid indel Será que aquela ilegalidade inicial (tortura da testemunha. 178). a produção antecipada de provas consideradas urgentes e rele­ vantes. ou. 4. 156 do CPP assim dispõe: “A prova da alegação incumbirá a quem a fizer. a la espera de que ese proceder ilegal los condusca. 264 . perdura a ilegalidade. diz-se. Ônus da prova O art. 76. com o precedente publicado no Informativo STF n. busca domiciliar ao arrepio da lei) se projeta sobre outras provas obtidas a partir dela (da ilegalidade) ou em decorrência dela? Dir-se-á que a confissão do criminoso e o depoimento da tes­ temunha foram prestados com inteira liberdade e. Alejandro D... 33 — determinar. entonces es claro que los propósitos de la regia de exclusión quedarán satisfechos sólo muy parcialmente. por isso mesmo. no outro exemplo.. adequação e proporciona­ lidade da medida. uma vez procurado o criminoso. Carrio explica: “Si por alguna razón no de­ masiado clara se privilegian los testimonios como pruebas válidas de cargo (de acusação). sendo porém facultado ao Juiz de oficio: 1 — ordenar. se constituíram em fontes independentes. isto é. O Prof. colhidas sem necessidade dos elementos informativos revelados pela prova ilícita. ” (Garantias. a un testimomo incrimi­ nante prestado por tercero. p.lata o criminoso ou indica o lugar onde se encontra o entorpecente procurado? E.

201). c it. vigorando no Processo Penal o princípio da ver­ dade real. esse é o princípio. 265 . tal como ocorre em numerosos países da Euro­ pa. nem sendo o pro­ cedimento escalonado. aquele alcance que se lhe coácede na esfera civil. parece claro que o ônus da prova incumbe a quem alega. ao encaigo de provar. uma mera afirmação de sentido comum. no Processo Penal. Em regra. p.. Nenhuma aplicação. malgrado a regra constante dos incisos I e II do art. isto é. pois. reus absolvitur ou secundum allegata et probata judex judicare debet. o princípio de que o ônus da prova incumbe a quem alega é mais um simples prin­ cipio lógico. Principi. Não havendo entre nós o Juizado de Instrução. v. deve incumbir-se da prova o autor da tese levantada.A regra concernente ao onus probandi. Outro não é o ensinamento de Manzini: dados a natureza e o fim do Processo Penal e o critério da livre convicção do luiz. 156 do CPP É claro que as partes não estão obrigadas a fazer prova do que alegam. cumpre ao órgão da acusação carrear paia os autos os elementos de prova necessários para convencer o julgador de que B produziu lesão corporal em jL Se a Defesa alegar qualquer causa que vise a exculpar a conduta de B . as­ sume no Processo Penal uma atitude inteiramente própria e distinta da aplicação que encontra no cível e que é em certo modo formalística. mas submeti­ das ao ônus de demonstrar o que alegam. p„ 86) arremata: o princípio do ônus da prova. E Sabatini (:Trattato delle prove nel diritto giudiziario. pois. Existe no Pro­ cesso Penal pátrio um onus probandil Ensina Florian que o onus pro­ bandi não tem. ainda que mantido firme. Ou. Se o representante do Ministério Público denuncia B por haver praticado lesão corporal em L. poderão ter no Processo Penai os aforismos actore non probante.. v. p.. 3. do que regra de direito (cf Tratado. o Juiz dispõe de faculdades mstrutórias paia suprir a inércia ou conjurar a astúcia das partes (cf.. 2. cit. inverte-se o onus probandi: cumprirá à Defesa a prova da tese levantada. é regida pelo princípio actori incumbit probatio ou onus probandi incumbit ei qui asserit. segundo a máxima latina: Actori incumbit probatio et reus in excipiendo fit actor„ Que se entende por onusl Ura imperativo que a lei estabelece em função do próprio interesse daquele a quem é imposto. 251-2).

Manzini. Sabatini e a tantos outros que minimizam o ônus da prova no processo. “no podrían ser tomadas en cuenta como base para la decisión” (cf. Diga-se o mesmo se a Defesa alegar a extinção da punibilidade. Se. que. v. conforme adverte Espínola Filho. compromete. 3. obrigação de provar.. mesmo no cível. quer a parte subjecti. quer a parte objecti. o descaso. . é claro que. à parte acusadora provar a existência do fato e demons­ trar sua autoria.. quando não provadas. isto é. Não se deve olvidar.É de acentuar. mesmo porque nenhuma sanção Lhes po­ derá ser imposta pelo seu não cumprimento.. um risco ou um prejuí­ zo. p„ 27)Para evitar esse risco ou esse prejuízo. cit. Haverá. “En tales condiciones no es necesario ni seria conveniente obligar ai Juez a descender al palanque de la Liza. por acaso. v. em . temos um Juiz único: o que instrui é o mesmo que julga. pois. Derecho. a Defesa arguir em seu prol uma causa excludente de ilicitude. Já se referiu que o inc. poderá trazer-lhes amar­ gas decepções. por outro lado. No nosso sistema. para evitar uma sensível quebra da sua impareialidade. para proceder à pesquisa e colheita do material probatório. 3. 156 do CPP praticamente toma inútil a regra contida no caput. deve ficar a cargo da Acusação. 29). para as partes. Não há. para obtener un descubrimiento de la verdad que en la inmensa mayoría de los casos se encargarán de aportarle los contrapuestos esfuerzos de las partes” (Alcalá-Zamora. o Juiz que desce do seu pedestal de órgão superpartes e destas equidistante. que o Juiz somente em casos excepcionais deve empreender a pesquisa de ofício. inteira razão assiste a Florian. as posições se invertem. entretanto. as alegações das partes. II do art. Se o réu goza da presunção de inocência.. o ônus da prova não significa nem traduz dever jurídico da parte. Naqueles países em que o procedimento penal é escalonado (instrução afeta a um órgão e julgamento a outro). se­ gundo a clara manifestação de Alcalá-Zamora. Cabe. tão somente. tendo inteira aplicação a máxima actori incumbit probatio et reus in excipiendo fit actor. nessa hipótese. contudo. Ademais. sem embargo daquela faculdade do Juiz. é evidente que a prova do crime. Seu campo de ação na área de pesquisa probatória deve ser por ele pró­ prio limitado.. devem as partes procurar provar a tese levantada. Também lhe cabe demonstrar o elemento subjetivo que se traduz por dolo ou culpa. Derecho procesal penal. p. pois.

Entretanto. decretar de ofício prisão preventiva. Arredada a hipótese de o Juiz assumir o papel de parte acusadora ou defendente. Por outro lado. e se os autos do inquérito estiverem com o Ministério Público. e sim medida extraordiária..156 diz “facultado ao juiz”. tratar-se da hipótese de ser colhido um depoimento ad perpetuam rei memoriam. não tem ele o dever de determinar tal ou qual diligên­ cia. sob pena de sua desídia levá-las a um resultado desfavorável Já o inc. pois. II do art. cuja função é dirimir o conflito. v. ser destinatário de representação.. é claro que a regra constante do inc. este poderá requisitar a tomada do depoimento. Os interesses da repressão ao crime ele os encarna não só para movimentar inicialmente a ação penal como ainda para atuar. p. o mesmo dispositivo proclama que “a prova da alegação incum­ birá a quem a fizer. poderá este procurar dirimi-la determinando a realização de diligências com tal objetivo. se temos um Minis­ tério Público adestrado e bem constituído. atente-se para a circunstância de que o art. mes­ mo antes de iniciada a ação penal. 285). ali permanecendo em posição secun­ dária ou simplesmente decorativa. I do art. pode co­ lher essa prova. cit. mesmo porque. quando a dúvida assaltar o espírito do Julgador. a sua imparcialidade e “no se comporta funcionalmente como autêntico órgano jurisdiccionai” Por outro lado. durante a instrução e demais fases do processo (cf. com energia e dinamismo. a Autoridade Policial. a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes. adequa­ ção e proporcionalidade da medida” Evidente que a hipótese não será comum. como diz Frederico Marques. antes de iniciada a ação penal. 225 do CPP Mas. em relação às partes.” A atividade do Juiz. Como se não bastante requi­ sitar inquérito.Nem poderia ter. Pareceu-nos.muito. Elementos. é meramente supletiva e. à primeira vista. Por isso. de que trata o art. não se compreende que ele figure como quinta roda do carro. 156 deixa entrever que o nosso processo mais se aproxima do misto que do acusatório. após as provas apresen­ tadas pelas partes. para tanto. observando a necessidade.. 267 . 156 do CPP não é simplesmente decorativa. assim mesmo.2. o legislador de 2008 permitiu ao Juiz “ordenar. Em casos excepcionais..Não há nenhuma obrigação para ele. para conservar a sua posição de autêntico órgão jurisdicional.. devem as partes diligenciar a realização das provas. a Autoridade Policial não precisa de autorização do Juiz. mediante simples requisição do Ministério Público..

outras podem ser produzidas. ao reconhecimento de pessoas ou coisas.poucos o legislador vai vetando ao Juiz a prática de atos que não se incluem no seu poder de dirimir a lide. mas no CPC... podemos lembrar as justificações. b) admissão. como expediente de consecução de prova. documentos. embora não disciplinadas no estatuto processual penal. decretar prisão preventiva. ser destinatário da representação. que. limitando-se a presidir a audiência com irrepreensível fairness e recolher o material probatório para sobre ele se manifestar. E duvidamos que a colheita dessa prova urgente e relevante venha a ser feita em prol da Defesa.. Quanto ao momento para a proposição das provas. aos. Ao lado desses meios de prova. VIII). O nosso CPP dá especial atenção ao exame de corpo de delito.Note-se. Além dessas provas. 232 do CPP. as fotografias. ao interrogatório do réu. são referidas pelo CPP no seu art. Mas. às testemunhas.o art. acareações.na sessão plenária do Tribunal do Júri (art. à confissão. 406.. regula a busca. tais como requisitar instauração de inquérito.. às perícias em geral. As provas devem ser juridicamente admissíveis. como acontece. embora não possam ser encartadas na moldura do art. esquemas ou desenhos (CPP. 6a. e alguns até ex­ clusivos dos acusadores e defensores. § 3a. 156 do CPP. d) valoração. que essa diligência poderá ser ordenada ate' mesmo na fase pré-processuaL Mais uma vez repetimos: não é função própria de uma pessoa de quem se exige absoluta imparciali­ dade. além daquelas diligências a que se referem os incisos I e II do art. e § l 2 do CPP). finalmente. pode-se afirmar que as testemunhas de acusação devem ser indicadas 268 . que define os documentos. embora não haja no CPP disciplinamento semelhante àquele do Processo Civil. As provas fònográficas e até mesmo cinematográficas.. 164 e 165) . indícios e. dês que não atentem contra a moralidade nem violentem a dignidade da pessoa humana. As regras dos arts. como . às declarações do ofendido. Discriminação das provas. O Juiz deve ficar equidistante das partes. Procedimento probatório» As atividades atinentes ao procedi­ mento probatório desdobram-se em quatro momentos: a) proposição ou indicação. A ficha dactiloscópica (CPP. 212 permite que as perguntas sejam feitas por primeiro pelas partes. c) produção. 212 e 473 já constituem um grande avanço. pelo que diz o inc I. como ouvir testemunhas além das indi­ cadas pelas partes. arts. art. 473. são documentos.

o momento adequado é o da sua “resposta”. 23Í)„ Por vezes o rol de teste­ munhas pode ser ofertado em outro momento procedimental. Muito embora as partes. É uma análise crítica que deve ser elaborada cora o máximo escrúpulo. II. dando lugar à sua última etapa. 41 do CPP). nos termos do art. não se deve olvidar que o Ministério Público deverá ser ouvido previamente. finda-se. nessas alegações.. Deve. a instrução criminal se inicia com a declar ação da vítima (se possível). 396-A e 422 do CPP Quanto às diligências complementares. Na ver­ dade. por assim dizer. um espírito presidido por austeros princípios morais. a propósito. seguindo-se a oitiva das testemunhas da Acu­ sação. Em se tratando de testemunhas da Defesa e diligências por esta requeridas. e reconhecimento. são impor­ tantes as regras contidas nos arts. do CPP No Processo Penal. a primeira fase da instrução criminal.. CPP. 98.. . tanto e talvez mais que um espírito moralmente menos rígido. a prova deve ser inclicàda ou produzida em momentos distintos. como se infere dos arts. Outras diligên­ cias poderão ser requeridas também nessa fase. 5. diz Manzini. com cuidado. o certo é que somente o Juiz pode valorá-las . e 277.quando do oferecimento da denúncia (art. § l 2.105. Paia certos incidentes do processo. não iluminada pelo gênio nem guiada pela objetividade. pode encontrar-se exposto ao perigo da injustiça e da iniqüidade. eventuais esclarecimentos de peritos e acareações. o Magistrado. isto é. todos do CPP Respeitante ao momento para a admissão das provas. 396-A do CPP Em se tratando de prova documental. 135. a qualquer momento poderá ela ser proposta e produzida (cf. pode levá-lo à injustiça. 41. A mesma inflexível virtude do Magistrado.. “Nadie es más inconmovible269 . como se infere do art. 61. da Defesa. Apreciação das provas Produzidas as provas. 106. Tratando-se de prova requerida pelo assistente da Acusação. as regras contidas nos arts.. 271. quando estes pos­ sam conduzi-lo a erro . Trata-se de trabalho meti­ culoso e muito delicado. art. que é a fase das alegações. feitas oralmente. 422 e 523 do CPP. Vejam-se. animado por uma quase religiosa ideia do dever.384 e parágrafos. 145. parágrafo único. pois. afastar da sua mente determinados pré-julgamentos. veja-se o conteúdo do art. 402. § l2. a fase probatória. auxiliem o Juiz na valoração das provas.

v. ao qual não sobrevêm desgraça prontamente. para usarmos da expressão de Toraaghi. deve ser considerado como verídico em seu juramento” Embora conhe­ cido de outros povos. Os ordálios (ordalie.. encontrarán en ella los gérmenes de alteración que el perjuicio predispuso en ella. não podia vingar. v. tão fortes. deixava demonstrado se o réu era ou não culpado.. p. era culpado. o papel de fiscal do resultado delas. ordal. em que se fazia um julgamento de fancaria. o sistema ordálico desenvolveu-se e aprimorou-se na Idade Média. O sistema ordálico unia a incerteza da loteria à crueldade de várias de suas provas e à irracio­ nalidade de todas elas (cf Alcalá-Zamora. na Inglaterra.. na França. num passe de mágica. grande quantidade de alimento — notadamente farinha de trigo. 3. 199-200). ordeal.. “sob o domínio germânico-barbárico’\ Submetia-se o pretenso culpado a uma prova. 3. ao tempo do procedimento inquisitivo. teria de passar por uma chapa de ferro em brasa. cit. 41). com os pés descalços. 99 do Código de Manu: “Aquele a quem a chama não queima. se submergisse..... “amoldando-se às convicções.mente injusto que quien actúa con la errônea conciencia de obrar justamente. entre os germânicos) eram denominados Juízos de Deus. como dizia o art. era culpado..” (Tratado. p. produto da ignorância ou da superstição. Se nada lhe acontecesse.. 270 . A apreciação das provas. Ou. A do fer­ ro em brasa: o pretenso culpado.. percibidos por su men­ te.. Muito embora os ordálios tenham tão somente interes­ se histórico. cabia-lhe “assistir o ex­ perimento probatório. às conveniências. sua culpa era manifesta. aos costumes e ao regime político de cada povo”. Os poderes dos Juizes.. através da história.. de uma só vez. cit. que. Ordálios.. como diz Moacyr Amaral Santos. Todos los elementos de la prueba.. Se não o fizesse.. declarando o seu resultado” Tal sistema probatório. a quem a água não faz sobrenadar. não deixaram de ser um sistema de apreciação das provas em que o Juiz assumia. Com a abolição dos ordálios. se viesse à tona. passou por diferentes fases. Derecho. Ou. concedeu-se ao Juiz ampla liberdade quanto à indagação da verdade. entre os europeus. para se aferir a sua responsabilidade.. sob a falsa crença de que a Divindade intervinha nos julgamentos e.. se se queimasse. grosso modo. para “conjurar o risco do despodsmo judicial”. O Juiz limitava-se a comprovar o resultado das provas. era inocen­ te. era inocente. O judicium offae: o in­ divíduo devia engolir.. Havia a prova da água fria: jogado o indiciado à água. eram tão amplos..

o art.. e. e a lei exigia que tais ou quais fatos se provassem dessa ou daquela maneira.. a Bíblia estipu­ lava que um só testemunho não valia. Assim. é como se não existisse). p. no sistema das provas legais. esta prova se sobrepunha àquela. Sistema das provas legais.. o Juiz não podia recorrer a todos os meios de prova. Daí proclamar-se: no Deuteronômio: “testis unus testis nullus. que permitia o reexame da decisão. que lhe parecessem úteis e oportunos: restringia-se às disposições legais.. O conhecido brocardo testis iinus testis nullus (um só testemunho não tem valor) tinha. o que não está dentro do processo não perten­ ce ao mundo. Quanto ao da mulher.Em igual pena incorrerá: l 2 O marido. então.. previa-se o valor dos meios proba­ tórios se satisfeitas certas condições ou pressupostos ... “la preuve est soumise aux règles du droit commun Também entre nós a situação era a mesma: o Código Penal de 1890 assim definia o crime de adultério: “Art: 279 A mulher casada que commetter adultério será punida com a pena de prisão cellular por um a tres annos” § 1. o art. sem embargo da sua inverossimilhança. por meio de cartas ou escritos do seu próprio punho . Buenos Aires. Dizia. uma testemunha idônea desse a sua versão e outra inverossímil houvesse sido apresentada por duas testemunhas. ” (Mateo Goldstein. finalmente. b) a regra segundo a qual quod non est in actis non est in hoc mundo (o que não está escrito. 401 dispõe: “A prova exclusivamente tes271 . que suprimia ou restringia a faculdade de apreciação das provas. ex. Por outro lado. no Processo Civil. inteira aplicação. às vezes.surgiram três freios: a) a apelação. Aliás. que tiver concubina teúda e manteúda. 338 do Code dlnstruction Criminelle qué o adultério do homem só se provava ou com o flagrante delito ou. Ed„ Atalaya. Contra o co-réo adúltero não serão admissiveis outras provas sinão o flagrante delicto e a resultante de docu­ mentos escriptos por elle. Até hoje os nossos Códigos de Processo Civil e Processo Penal ainda guardam reminiscências do sistema das provas legais. c) a prova legal. 1947) Se. num processo. Derecho hebreu a través de la Bihlia y el Talmud.. 280. cora a qual se jugulava o arbí­ trio do Juiz na apreciação das provas. O Juiz devia decidir segundo as provas existentes nos autos. Art.. por exemplo.

nada mais fácil a um Juiz medianamente hábil. Sistema da livre convicção ou persuasão racional. entre nós.temunhal só se admite nos contratos cujo valor não exceda o décuplo do maior salário mínimo vigente no país. direto ou indireto. normalmente. De acordo com o sistema da íntima convicção. o Juiz a externou? Quantos Juizes não profeririam sentenças absolutó­ rias. decidir valendo-se de conhecimento particular a respeito do caso. sem fundamentar seu voto. em pleno século XIX. nos crimes que deixam vestígios. a íntima convicção do Juiz? Sentenciando. que “hacer pasar su prevaricación por libre convicción”. Dada a absolu­ ta impossibilidade de se devassar o intimo dos Juizes. como acontecia com o sistema das provas legais. Ele decide de acordo com a sua convicção íntima. nos julgamentos pelo Tribunal do Júri. Inteira liberdade tem ele na valoração 272 . admitem-se todos os meios de prova. conferindo aos Juizes o poder de valorar as provas de acordo com a sua ciência e consciência. Sem o perigo do despotismo judicial que o sistema da íntima convicção ensejava e sem coarctar os movimentos do Juiz no sentido de investigar a verdade.. qual teria sido seu voto. E mais até: sem que se saiba. o exame de corpo de delito. na sentença. do CPP). sem necessidade de fundamentar a decisão» Aí está o inconveniente. o julgador não está obrigado a exteriorizar as razões que o levam a proferir a decisão. ao tempo em que foram celebra­ dos”. de acordo com a sua íntima convicção. podendo. 62 do CPP exige a certidão de óbito como prova da morte. exteriorizando sua íntima convicção? Quem poderia afirmar que. se contra ou a favor. inclusive. Trata-se de sistema diametralmente oposto ao das provas legais. De modo geral. os jurados decidem. mesmo não havendo provas nos autos .. realmente. estaria o Juiz. a honra dessa iniciativa transcendental. na verdade. Coube à França. O art.. O Juiz atribui às provas o valor que quiser e bem entender.. De fato. intimamente convencidos da culpabilidade e vice-versa? íntima convicção? “Sólo Dios y el propio Juez la conocen. Sistema da íntima convicção ou da prova livre. é de rigor. está o sistema da livre con­ vicção ou do livre convencimento. naquele (íntima con­ vicção) há inteira e absoluta confiança.. 564. m . sob pena de nuiidade (art. Tal sistema vigora. A sentença revelaria. diz Alcalá-Zamora. O Juiz pode desprezar a palavra de duas testemunhas e proferir sua decisão com base no depoimento de uma só . Enquanto neste o legislador demonstra sua desconfiança no Juiz. b. sigilosamente.

Von Kries sustenta. a fim de comprová-los. assessor do Juiz. valor absoluto. porém. artísticos ou expe­ riência qualificada acerca de fatos. E tanto é certo que o legislador tratou do peri­ . mas sim um apreciador técnico desta. a verdade material. não é prefixada uma hierarquia de provas. não é menos certó que não fica su­ bordinado a nenhum critério apriorístico no apurar.. circunstâncias ou condições pessoais inerentes ao fato punível. também. o perito. Das perícias em geral Entende-se por perícia o exame procedido por pessoa que tenha determinados conhecimentos técnicos. Se o Juiz tiver conhecimento da existência de algum elemento ou circunstância relevante para o esclarecimento da verdade. Como esclarece o Ministro Francisco Campos. os peritos podem ser caracterizados como auxiliares do Juiz. O perito não é sujeito de prova. a testemunha é examinada.. Nunca é demais. nenhuma delas terá. Não pode julgar de acordo com conhecimentos que possa ter extra-autos. em geral. científicos. na Expo­ sição de Motivos que acompanha o atual CPP.das provas. ex vi legis. o Juiz chama a teste­ munha para que deponha sobre o fato e chama o perito para que o conheça. advertir que livre convenci­ mento não quer dizer puro capricho de opinião ou mero árbitrio na apreciação das provas. uma função ativa. Se é certo que o Juiz fica adstri­ to às provas constantes dos autos. Com originalidade procura ele estabelecer distinção entre a perí­ cia e os demais meios probatórios. que. na livre apreciação destas. Não está dispensado de motivar a sua sentença.. a testemunha comparece como objeto. Entende Camelutti que o perito exerce a função de auxiliar do Juiz. comunga desse entendimento o grande processualista Hélio Tomaghi. e o perito examina. como sujeito. ilumina a prova. 6.. Perícia e prova. e o perito. principalmente entre os autores estran­ geiros. principalmente o testemunhai. Entre nós. deve ordenar que se carreiem para os autos as provas que se fizerem necessárias. A perícia é um simples meio de prova? Tal in­ dagação tem suscitado debates.. di­ zendo que a testemunha tem uma função passiva. por meio delás.. O Juiz está livre de preconceitos legais na afe­ rição das provas. mas não pode abstrair-se ou alhear-se ao seu conte­ údo. o Juiz formará hones­ ta e lealmente a sua convicção Todas as provas são relativas. para quem o perito está investido do múnus público de assessorar tecnicamente o Juiz. E conclui: a perícia não prova.

No Processo Penal. pelo menos no nosso jus positum. v. no quiere decir que el perito. de todas as perícias. que traz a se­ guinte rubrica: “Do juiz. para que se constate sua importância e relevância. v„ 3. 3. en sentido estrito. ao perito a qualidade de auxiliar do Juiz: “esto. p. 275. diz Tornaghi. por lo demás. do Ministério Público. mas como auxiliar do Juiz.. sea. Basta atentar para a circunstância de lhe haver o legislador dado real­ ce. Nega. como parece a alguno.to no capítulo em que disciplina a atividade do Juiz.. cit. Defensor e funcionário da Justiça. do acusado e defensor. os exames periciais são de natureza vária: de insanidade mental. persona auxiliar dei Juez” {Tratado. a perícia representa um elemento subsidiário para a sua valoração ou para a solução de uma dúvida. dos instrumentos do crime etc„ Mas. 167. no art. Conjunto de vestígios materiais deixados pelo crime. p. v 2... a mais importante é a do corpo de delito. ” (Derecho. dos assistentes e auxiliares da justiça’'' (grifos nossos). tanto que o fez no Título VIII do Livro I. p„ 122. Assim... “sino también porque el perito aporta una contribución original suya de observaciones y de juicios al ob­ jeto de la praeba” No mesmo sentido são os ensinamentos de Lucchini e Sabatini (Elementi. nota 213). se pode considerá-lo como comple­ mentar ou suplementar da atividade jurisdicional. sujeitou-o à disciplina judiciária e. p.. p. E acrescenta: não só porque o exame pericial não é. 121 )„ Também Alcalá-Zamora investe contra a pretensa equiparação do perito a auxiliar do Juiz e conclui afirmando que. Teorie delle prove. temos que a perícia é mais que um meio de prova e que. do Ministério Público.. porquanto o Juiz não fica adstrito aos exames periciais. Que se entende por corpo de delito? Diz João Mendes Júnior: é o conjunto de elementos sensíveis do fato criminoso (Processo penal brasileiro. entretanto. do intérprete. indispensável e. 379). o legislador não considerou o perito como simples sujeito de prova. 276. “todos los medios de prueba cumplen una función de auxilio al Juez. Do corpo de delito. cit. Muito embora a perícia esteja encartada no capítulo pertinente às provas. em nenhum caso. em rigor. citando Farinácio 274 .. na verdade. que o legislador cuidou do perito como auxi­ liar do Juiz. 2. contudo. de ordinário. mais que um meio de prova. v. No art. 7). impediu que as partes interviessem na sua nomeação. é certo... Concorda Manzini que.

a comprovação dos vestígios materiais por ela deixados toma-se indispensável O “exame de corpo de delito”. sem o exame de corpo de delito não pode ser proposta a ação penal Tal acontece nos crimes contra a propriedade imaterial. A forma imperativa usada pelo legislador no artigo em èstudo — “Será indispensável o exame de corpo de delito” — revela. é. isto é. b. erigiu sua ausência à categoria de nulidade insaná­ vel. como a injúria. colhidos à ventura. sobretudo. quando deixam vestígios. 275 . difamação. assim. cometidos verbalmente. no art. de que houve o “resultado de que depende a existência do crime”. As vezes (observe-se sua necessidade). por exemplo. Diz o art. a queixa ou a denúncia não será recebida se não for instruída com o exame pericial dos objetos que constituam o corpo de delito”. É o exame inspecionai do fato — como disse Duarte de Azevedo — . ao evento produzido pela conduta delituosa. exame esse realizado pelos peritos do juízo para a comprovação. O art. 130/541). não podendo supri-lo a confissão do acusado” . a que alude ó CPP no art. principalmente. Homicídio. 525 do CPP: “No caso de haver o crime deixado vestígio.. será indispensável o exame de corpo de delito.. Estes acórdãos. no que diz respeito. a ausência do exame de corpo de delito anula o processo” (RF. es­ tupro etc . a com­ provação pericial dos elementos objetivos do tipo. 158 do CPP assim dispõe: “Quando a infração deixar vestígios.. patenteiam-lhe a necessidade: “Nos crimes que deixam vestígios como o de falsificação de papéis públicos. 158. direto ou indireto. a necessidade de se lhe proceder ao exame. Quando a infração deixa vestígios. “A ausência do exame de corpo de delito e o não suprimento pela prova testemunhai acarretam a nulidade do processo'’ (RF. quando a infração deixar vestígios Tão importante é o exame pericial que o legislador. calúnia. de logo. é necessário o exame de corpo de delito. III. entram no rol dos delicia facti permanentis„Outros. 564. do CPP.Há infrações que deixam vestígios — delicia facíi pennanentis — e outras que não os deixam — delicia facti transeuntis. Assim. 99/101). não deixam vestí­ gios: são os delicta facti transeuntis. um crime de lesão corporal deixa vestígios.

b. RSTJ. 39/222. proferir sentença condenatória com o simples exame indireto de corpo de delito? Que liberdade mais se lhe deveria conceder? Como se realiza esse exame indireto de corpo de delito? Há dois entendimentos. isto é. via de regra.. de Pimenta Bueno. 692/349. que. que não se encontra em nenhuma legislação processual da atua­ lidade” (p. à docimasia pulmonar hidrostática. que não podiam tirarr à simples vista do ca­ dáver. admite e consagra o sistema do livre convencimento.“A ré não deve ser punida peio crime de infanticídio que se ihe imputou. Não pode. Realmente. Haverá antinomia entre a regra que se contém no art. poderá pro­ ferir sentença condenatória. para demonstrá-lo. com os exames de corpo de delito. para os crimes que deixam vestígios. a que extremos não chegaríamos se a lei os dispensasse? Ademais. é absurdo sem nome. o legislador pátrio exigiu paia os delicta facti permaneníis. sem o auto de corpo de delito. Cíngir o Julga­ dor ao auto do corpo de delito. que. e a que se encontra no art. RTt 688/391. desde que haja prova testemunhai a res­ peito da materialidade delitiva. Segundo Tomaghi. não se procedeu. 8/434). que erige à categoria de nulidade a ausência do corpo de delito? Frederico Marques. mas é de convir que o legislador quis ser bastante prudente. Reminiscência das provas legais. 709/315. o corpo de delito. não deixa de haver certa antinomia. do mesmo estatuto.. 155 do CPP. o exame indireto não é propriamen­ te exame. em suas Anotações ao Processo criminal bra­ sileiro. limitando-se toda a prova a declarações contraditórias da apelante e a informes de teste­ munhas não presenciais. 686/376. Mas nem por isso se poderá dizer que o legislador volveu aos tempos das provas legais„ O Juiz. 684/307. Se. No mesmo sentido. Na espé­ cie. conclusões. nem mesmo a um simples exame cadavérico. muitos erros judiciários têm sido cometidos. por não ter ficado provado o nascimento com vida. às expressas. Se a prova do corpus criminis não é pericial. nesses casos. 346). mas sim o raciocínio e mesmo as experiências dos peritos 276 . 564.. D3. assim. impossíveis aos próprios profissionais” (Jurisprudência e Doutrina. que o examine o Juiz com o critério do livre convencimento. deve o réu ser absolvido. Se não há prova de materialidade do delito. assim se manifesta: “Anular um processo porque falta o exame de corpo de delito é um desses absurdos que clamam aos céus. é a prova por excelência da materialidade delitiva. como fez o Código.

quando o reputar para formar a sua convicção” (Código. 277). Só é possível prescindir do exame de corpo de delito direto quando houver impossibilidade. difi­ cultar o exame direto. 167. como prevê o art. v... Nesse caso. No particular'. o “exame se fará. 167. como aconteceu” (Jurisprudência e Doutrina. por sinal consagrada pela jurisprudência: “Não há qualquer formalidade para a constituição desse corpo de delito indireto. não se lavra termo algum. como sobre as demais circunstâncias. p... Nos próprios termos do art. depois. por determinada substância. sabem ser sintomas de envenenamento. Sobre este ponto todas as testemunhas se manifestaram. de acordo com o princípio da livre apreciação . de comparecer em juízo. v. cit. impedida. o exame de corpo de delito pode ser direto ou indireto. v. Se. sabido que pode ser suprido pelo corpo de delito indireto. eis que perdurem os vestígios” (Código. E.. podem eles concluir a respeito da causa mortis (cf. Assim. entretanto. 167 do CPP. poderá suprir-lhe a falta. por absoluta impossi­ bilidade material. pelo desaparecimento dos vestígios. antes de levar-se a efeito. “A falta de corpo de delito direto nunca foi motivo de nuiidade. 465) . 2. Isso porque. 158 do CPP. é o desaparecimento dos vestígios. c it. e. como o falecimento. por exemplo. 4. é de atentar para a justa ponderação de Espínola Filho: a prova testemunhai para evidenciar o corpo de delito é mera­ mente supletiva. Diz-se “direto” quando procedido por inspeção pericial. Entretanto quer-nos parecer que a melhor lição é a de Espínola Filho. obstando à realização do exame direto. se as testemunhas descreverem para os peritos tudo aquilo que estes. quando os peritos procedem diretamente ao exa­ me. diz o art. que podem desaparecer facilmente. a prova testemunhai. 502). 6/340). O impedimento comum. p. normalmente. perguntará sobre a materialidade do fato. não for possível o exame de corpo de delito direto.. 2. se somente no inquérito se tiver conseguido ouvir a única testemunha presencial do fato. . graças a seus conhecimentos técnicos. E o caso contemplado expressamente pelo art. atestando as lesões de natureza leve. Instituições.baseados no que dizem as testemunhas. inquirindo o Juiz a testemunha. c it. p. o Juiz não fica inibido de atender a esse depoimento. diz-se “indireto”. e a palavra de uma única testemunha bastará para firmar o convencimento do jul­ gador. por exemplo.

não só acerca dos criminosos. ante a impossibilidade de exame dos vestígios do crime. quando os Estados-Membros legislavam sobre processo penai. na formação da culpa são as testemunhas inquiridas. mas também a respeito do fato e das suas circunstâncias” Não haven278 . Mas se não houver nem um nem outro. afirmando ter presenciado o crime ou visto os vestígios. como salienta o art. falsamente atribui a si próprio a prática da infração penal. Tanto é verdade que o art. ao exame indireto. 564. Ouvindo-se a testemunha. Aliás. mercê de testemunhas. n. 365. Por outra parte. Só não é possível suprir o exame direto de corpo de delito com a confissão do pretenso culpado. IHTb.. Se faltar o exame direto. pois o Juiz decide de acordo com o seu livre convencimento. em que há necessidade do exame de corpo de delito.Conforme já vimos. 158 A experiência tem demonstrado que o indivíduo. à discrição do Juiz atribuir ou não valor probatório. Para esse fim. à palavra da testemunha. p. é realizado. A expressão “ressalvado o disposto no art. a menos que se proceda ao exame indireto. 167 dispõe que “não sendo possível o exame de corpo de delito. segundo vimos. por haverem desaparecido os vestígios. n. a prova testemunhai poderá suprir-lhe a falta”.. ressalvado o disposto no art 16T\. HI. ressalta o art. cit. é certo. a nulidade é absoluta O art 564.. o corpo de delito é indireto. o que se infere é que o auto ou exame de corpo de delito deve ser re­ alizado em todo o delito que deixa vestígios. inquirida sobre a infração. que. III. o art. por motivos os mais diversos. lança-se mão do indireto. de acordo com os demais elementos dos autos. é o suficiente para suprir o exame direto Ficará. sob pena de nulidade. Por isso mesmo Frederico Marques professava: “Da con­ jugação desses três dispositivos (arts 158.. esta.. e 167 do CPP). 140 do Código gaúcho dispunha: “nos delitos que não deixam vestígios. como. Quis e quer dizer o legislador que a ausência do exame direto de corpo de delito nos crimes que deixam vestígios carreta nulidade. b. a palavra insulada do pretenso culpado não o suprirá. declara que haverá nulidade por falta do “exame do corpo de delito nos crimes que deixam vestígios. não há qualquer formalidade para tal exame. v. Nos crimes que deixam vestígios. aliás. precisamen­ te. a prova testemunhai é a única que o pode suprir” (Elementos. não pode a confissão supri-lo. 167” refere-se. do CPP.516). 564.. e.. ou quando estes já não existem. b.. na grande maioria das vezes.

surge.do nem o direto nem o indireto (art. conferida — à comprovação do crime investigado” (Rogério Lauria Tucci. visto tratar-se de ato estrutural do processo Não há duas modalidades de exame de corpo de delito (direto e indireto) e mais o suprimento por prova testemunhai O exame indireto consiste. cit. n. consiste exatamente nesse suprimento feito por testemunhas. 279 .. se restaram provadas a materialidade e autoria pelos depoimentos de testemunhas e das vítimas” (RT. 158-2). 158 do CPP... p. Trata-se de exigência peculiar aos delitos materiais.. por nulidade absoluta. A pro­ pósito. p 233. ed. 784/564. feito geralmente por testemunhas.deslizam até mesmo os que escrevem com tinta de ouro . O que há é o seguinte: para Tomaghi. a própria regularidade do procedimento penal-persecutório” (RTJ. JSTF. 298). . 64/68. por haverem desaparecido os ves­ tígios do cometimento delitivo. imposta pelo art. não há falar em nulidade da sen­ tença condenatória porque não determinada a perícia grafotécnica nas cártulas apreendidas.. a prova testemunhai — que materializa o exame de corpo de delito indireto — supre a ausência do exame direto” (RTJ. Lauria Tucci: ". cit. exatamente. Quando. a nulidade é absoluta. em Unha supletiva. 40/388. dada a impossibilidade de sua efetuação.. 483.Dispensável o exame de corpo de delito. São Paulo. portanto. 9. repetimos.. Para a corrente majoritária. legal­ mente.. 48/672.. 777/541)... Também nesse sentido Mirabete (Código.. quando a infração penal deixar vestígios. especialmente p. por haverem desaparecido os vestígios da infração penal. p. A omissão dessa formalidade — considerada juridicamente relevante pelo próprio esta­ tuto processual penal — constitui circunstância apta a invalidar. entretanto. RTJ. É bem verdade que Tornaghi deixa entrever essa possibilidade (Código. O exame indireto. basta que as testemunhas des­ crevam à autoridade o que viram. 171/360. 34/29. Bem elucidativos estes v arestos do STF: “ . "Ê inquestionável a imprescindibilidade do exame de corpo de delito.No estelionato praticado mediante a emissão de cheque em nome de ter­ ceiro com falsificação de assinatura. o exame indi­ reto é feito pelo perito à vista do que lhe disseram as testemunhas. no entanto. nesse su­ primento. ao afirmar: “somente quando impossível o exame direto e também o indireto (gri­ fo nosso) é que a lei admite o suprimento pela prova testemunhai” .. 76/969. a prova testemunhai como hábil — graças à equivalência àquele.. RT. 320). Contudo. Do corpo de delito no direito processual penal brasilei­ ro. Saraiva. 1978. “não for possível o exame de corpo de delito direto. 56/632. sem a intervenção de perito. 771/544.. 167). 114/1064).

167 do CPP. uma vez que a Lei n. Consoante a regra do § 2a do art. Em se tratando de peritos oficiais. IV. Assim. 276): “As partes não interdirão na nomeação dos peritos”. 112/167). A própria lei o considera in­ capaz para tanto (CPP. 15409). 103/1040. 159 do CPP. do Código de Processo Penal.. p. Aliás. art. de preferência. é esta: basta um perito oficial. Peritos inoficiais. preferencialmente na área especifica. o exa­ me será feito por duas pessoas idôneas. “Desaparecidos os vestígios capazes de propiciar. portador de diploma de curso superior. muito embora se trate de nulidade sanável. segundo prescreve o art. Compromisso. devem os peritos não oficiais prestar compromisso de bem e fielmente desempe­ nhar o encargo. entretanto. As partes'podem indicar peritos? Não. como se infere da leitura do art» 278 do CPP 280 .302/ SP. porquanto este foi prestado quando da as­ sunção ao cargo. 572 do mesmo diploma. não haverá neces­ sidade desse compromisso. Entendemos que tal compromisso é necessário. O procedimento retrocitado. não é absoluto. cabe o suprimento da prova pericial pelo exame indireto preconizado no art. uma convicção se­ gura sobre se a causa mortis da vitima decorreu da doença não conve­ nientemente diagnosticada. os exames de corpo de delito e as outras perícias serão feitos por perito oficial. se não houver perito oficial. por meio de exame pericial. portadoras de diploma de curso superior. 11 690/2008 expressamente exige seja apenas um perito oficial com dipioma de curso superior Não havendo. A discussão que havia a respeito perdeu razão de ser. 18-9-1992. Somente a Autoridade (Policial ou Judiciária) é que pode nomeá-ios. dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame”. éntão. III). portadoras de diploma de curso superior. Admite exceções. nos termos do § Ia do art» 159 do CPP. O analfabeto pode ser perito? Não. À regra. o qual se realizou por meio de prova testemunhai. nos termos do art. para proceder aos exames de corpo de delito e às outras perícias. 564. art. escolhidas. e sua falta acarretará nulidade.76/696. “o exame será realizado por duas pessoas idôneas. 279. Nos termos do art. Peritos oficiais. há até disposição expressa nesse sentido (CPP.. DJU. as que tiverem habilitação técnica relacionada à natureza do exame. 159. Habeas Corpus indeferido” (HC 69. 879/109.

Mas.. até. 177 do CPP poderia levar o intérpre­ te a vislumbrar. essa nomeação poderá ser feita pelo Juiz deprecante”» Entretanto. Sé a prova pericial deve ser contraditória. ambos do CPC. A Lei n. para que assisten­ te técnico se este não poderá participar de sua produção? Se as perícias em mais de 90% dos casos são feitas na Polícia. 276„ Diz aquele: “No exame por precatória. A Autoridade Policial tem. naquela hipó­ tese. desde que haja acordo entre as partes. Usando o legislador. É assim que está também redigido o art. naquele dispositivo. mesmo na ação penal privada. a nomeação será feita pelo Juiz deprecante. 316 do CPP Militar. A propósito o § 4a do árt 159 do CPP. 431-B do CPC.Uma análise apressada do art. a autoridade deprecada (seja Juiz. que dispõem ser contraditória a pro­ va pericial e que os assistentes técnicos atuam na sua produção. 177.Diz o § I a do a rt 159 que se a perícia for complexa haverá mais peritos e as partes podem indicar dois assistentes-técnicos. no caso de ação privada.. no art. somente a autoridade é que poderá nomeai* peritos. A quem cabe a iniciativa da perícia? À Autoridade (seja Judiciária. quis salientar a possibilidade de. quem pagará os honorários do assistente técnico? Vai ser privilégio dos abonados. sendo as partes intimadas dessa decisão”.690/2008 criou a figura dò “as­ sistente técnico” no Processo Penal. o dever jurídi­ co de determinar. acordo das partes. seja Delegado) é que nomeará os peritos . ser nomeado perito pelo Juiz deprecante e não pelo deprecado» Quando as perícias devam ser realizadas fora da jurisdição onde tramita o processo. a nomeação dos peritos far-se-á no juízo deprecado. sob pena da sua imprestabilidade. “O assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz e após à conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos peritos ofi­ ciais. Esqueceu-se o legislador dos arts. se for o caso. -:T Assistente técnico. a realização de exames periciais (CPP. 429 e 431-A. responsabilizando-se as partes pelas despesas a serem fei­ tas com diligências dessa natureza. seja Policial) e às partes.. uma exceção à regra do art. 11. paia que assistente técnico em juízo se não pode ele participai' da sua elaboração? Se a maioria dos acusados é constituída de pessoas pobres. porém. a expres­ são acordo das partes. . Havendo. em se tratando de ação penal privada. Melhor andaria o legislador' se adotasse a regra do art.

em princípio não haverá nenhuma medida a ser tomada. inteira liberdade assiste ao Juiz de aceitar ou rejeitar o laudo pericial. Se. ante o indeferimento da Autorida­ de Policial. Cremos que somente da correição parcial poderia valer-se a parte. en­ tretanto. E se o indeferimento for levado a cabo pelo Juiz? Não há recurso específico para combater despacho dessa natureza. VII). ó2. em se tratando de requisição do Juiz ou do órgão do Ministério Público. se ainda for possível a realização. se necessário ao esclarecimento da verdade. não poderá a Autoridade Policial deixar de atender. em eventual recur­ so. 13 do estatuto processual penal.. inteira liberdade de determinar que se procedam a quaisquer exames periciais Respeitante às partes.. poderá o Tribunal converter o julgamento em diligência para aquele fim. 182 do CPP.. como se per­ cebe pela leitura do art. realçando o cerceamento do direi­ to de defesa ou de acusação. ou. ou mesmo na fase da “resposta”. b) se a demora para a sua realização importar em prejuízo insa­ nável.. possuindo. De acordo com o primeiro. E se a perícia for necessária e a autoridade indeférír o requerimen­ to? É preciso distinguir: se o indeferimento partir da Autoridade Poli­ cial. Ela não deve negar. De acordo com o prin­ cípio liberatório. vigora o princípio liberatório. à vista do sistema do livre convencimen­ 282 .art. vier a indeferir. E não podia ser de outra forma. quando da propositura da ação. leve o fato ao conhecimento do Juiz ou do Promotor de Justiça. No nosso Direito.. o art. Se não mais for possível. como se infere do art. então. o Juiz não pode deixar de ficar adstrito à perícia. poderão elas requerê-los àquela.. no todo ou em parte. poderá reiterar o pedido em juízo. nada obsta que o interessado. Se é certo que o art. 14 do CPP lhe permite indeferir pedi­ do de diligências formulado pelo ofendido ou seu representante legal e até mesmo pelo indiciado. que poderão requisitar a medida. 184 restringe-lhe essa faculdade se se tratar de exame de corpo de delito ou de qualquer exame pericial indispensável ao esclarecimento da verdade. A Autoridade Judiciária não tem tal dever. então. e. alegar o fato em linha de preliminar. Somente não será possível indeferimento quando se tratar de requerimento visando à realização de exame de corpo de delito ou.. É óbvio que. O Juiz fica vinculado à perícia? A respeito do assunto há dois princípios: o vinculatório e o liberatório. mesmo assim. poderá anulai' o processo... mas a autoridade deverá indeferir o pedido se a perícia não for necessária ao esclarecimento da verdade. dependendo da diligência. das duas uma: a) o interessado.

Tratando-se de perícia realizada na fase do inquérito. se julgar conveniente. seja ex officio. Concernente à avaliação. Mas. Realização da perícia Determinada a realização do exame pericial. 182. por outro lado. 176 dó CPP. essas perícias não podem. podendo inclusive fazê-lo a autoridade. determinar. de imediato. temos 283 . o art. segundo preceitua o parágrafo único do art. 181 e parágrafo único).to. não devem as Autoridades Policiais. à maneira do que ocorre com a Justiça Militar. seria até dispensável a regra do art.. Grosso modo. também. deverão elas formular’seus que­ sitos. Quanto a este. acabamos de ver que o Juiz não fica adstrito ao laudo. Às vezes. Quanto à conveniência. podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo. como se infere da leitura do art. a indicação de assistente técnico. Por isso mesmo. por força do disposto no a rt 184. não. suprem a falta de formulação de quesitos. 181 do CPP. em determinadas infra­ ções. em juízo. como. 7. Idêntica faculdade se concede à Autoridade Policial (art.. pela Acusação e Defesa. pelo passar do tempo. seja a requerimento de qualquer das partes. por outros peritos. que vigora entre nós. poderá também ordenar que se proceda a novo exame. normalmen­ te os quesitos são formulados pela própria Autoridade Policial. Assim. constitui o ponto alto do conjunto probatório. ser renovadas em juízo. salvo a hipótese do art. em juízo. Poder-se-ia conjurar esse prejuízo por meio do pedido de escla­ recimentos aos peritos. o exame pericial No Anteprojeto Frederico Marques. vimos que a realização da perícia fica a critério do Magistrado. tanto para a vítima como para o indi­ ciado. as indagações formuladas a eles. Mas. Os quesitos poderão ser formulados até o ato da diligência. cônscias de que estão apenas procurando a colheita de me­ lhores informações para esclarecimento da verdade. Essa liberdade do Juiz no respeitante à perícia pode ser encarada quanto à conveniência e quanto à avaliação. haveria a possibi­ lidade de prejuízo irremediável. 158. e. no todo ou em parte. haverá mais vantagem que inconveniência em se permitir aos interessados (indiciado e vítima) a formulação de quesitos. e como o exame pericial. 369 não só possibilitava à vítima e indiciado a formulação de quesitos. outras vezes.

ou deformidade permanente? 284 .séria dúvida: o rico poderá. O laudo.. a qualificação do examinando. Apesar da clareza dos dispositivos legais. contendo a qualificação dos peritos.. Não se deve. por exemplo. por já haver percebido sintomas dessa doença. No laudo destacam-se: a) O preâmbulo.. os peritos descreverão minuciosamente o que examinaram e responderão aos quesitos formu­ lados. fazendo perguntas que já envolvem um conhecimen­ to técnico. Devem ser claros e preci­ sos. quer pela autoridade. confuso. indagar se ele é esquizofrênico. professa Tomaghi. quer pelas partes. ou por outro meio insidioso ou cruel? 4) Resultou incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias? 5) Resultou perigo de vida? 6) Resultou debilidade permanente ou perda ou inutilização de membro. asfixia ou tortura. cumpre indagar: 1) Houve ofensa à. se for o caso. Inteira razão assiste a Tomaghi ao ensinar que. o perito pode ter dúvida da verdadeira inteligência da lei e ficar perplexo. ao tem­ po do crime. Quando da lavratura do laudo. perguntar: “O réu está nas condições do art. Por exemplo: em vez de perguntar se o acusado sofre de doença mental. estava na situação referida no art 123 do CP?”. Tampouco deve o proponente dos quesitos (autoridade t partes) subs­ tituir-se ao perito. embaraçado. de molde a permitir aos peritos fácil entendimento para que possam res­ pondê-las. Já o pobre contentar-se-á com o laudo oficial. integridade física ou à saúde da vítima? 2) Qual o instrumento ou meio que a produziu? 3) Foi produzida por meio de veneno. indicar o melhor técnico como seu assistente.. o tipo de exame soücitado. num crime de lesão corporal. não devem ser articulados quesitos genéricos.por outro lado. b) Os quesitos„ Estes são proposições redigidas com clareza. Os quesitos devem ser formulados com clareza. “A ré. sentido ou função? 7) Resultou incapacidade permanente para o trabalho ou enfermidade incurável. e. porque o réu pode não ser esquizo­ frênico. Esta pergunta. a autoridade que determinou a perícia. 26 do CP?”. faz do interrogante perito e exclui a pos­ sibilidade de resposta conveniente.. hora e local da realização da perícia e seu objetivo. para que o perito diga “sim” e qual é. inclusive. as partes não devem supor que os peritos conheçam a lei e que estão em condições de interpretá-la como juristas. Assim. fogo. explosivo. ao propor os quesi­ tos. mas ter doença mental..

“É a parte essencial e básica e mais impoitante do relatório Visto e referido. São Paulo. natural­ mente. Esta é “o sumário de todos os elementos objetivos observados e discutidos pelos peritos. 26 e seu respectivo parágrafo: 1 ) 0 réu. era portador de doença mental? 2) Em caso positivo. Compêndio de medicina legal. Nessa oportunidade os peritos farão os diagnósticos e prognósticos que julgarem necessários . à época do fato (indicar dia. e formulando hipóteses plausíveis capazes de elucidar as dúvidas expos­ tas nos quesitos” . ou indiciado. Saraiva. cotejá-los cora os informes disponíveis relatados no histórico. encaminhando. constituindo a dedução sintética natural da discussão elaborada.. Convém assinalar que os peritos nomeados pela autoridade serão obrigados a aceitar o encargo. Deve ser redigida de modo claro. Manual de medicina legal. f) A conclusão.Se se tratar de lesão corporal em mulher. p.„ d) A descrição contendo o visum et repertum. sob pena de multa de R$„ a R$. tinha ele discernimento ético para eutender o caráter ilícito dó fató e determinar-se de acordo cora esse entendimento? c) O histórico. 32). o raciocínio do leitor para o entendimento da conclusão. também chamado “comemorativo”. 26). com exposição minuciosa dos exames e técnicas empregadas e de tudo o que for observado pelos peritos” (Delton Croce. indaga-se: em decorrência dessa doença mental. tinha ele discerni­ mento para entender o caráter criminoso do fato ou determinar-se de acordo com esse entendimento? 5) Se tinha desenvolvimento mental incompleto ou retardado. p. “Consiste em analisar. formulam-se os quesitos de conformidade com o que dispõem o art. metódica e objetivamente.. São Paulo. cuidadosamente. Num exame de insanidade men­ tal. ou desse desenvolvimento mental incompleto ou retardado. . que nada mais é que um relato do fato que ensejou a perícia. evi­ tando-se nomenclatura complexa” (Hilário Veiga de Carvalho et al. tal circunstância lhe acarretou incapacidade absoluta ou relativa paia entender o caráter ilícito do fato e determi­ nar-se de acordo com essa compreensão? 6) Era ele portador de per­ turbação da saúde mental? (é o caso dos demi-fous) 7) Em caso posi­ tivo. indagar-se-á também se houve aceleração de parto ou aborto. e) Discussão. 2004. Saraiva. sua função é reproduzir fiel. mês e ano). os dados fornecidos pelo exame e registrados na descrição. . qual a doença? 3) Em caso negativo* tinha ele desenvol­ vimento mental incompleto ou retardado? 4) Positivo o primeiro ou o terceiro.

c) cessação da respiração. Necropsia Conhecida também por autópsia ou necroscopia. porém. b) perda da sensibilidade. 6 horas após o óbito. os que tiverem prestado depoimen­ to no processo ou opinado anteriormente sobre o objeto da perícia e. Os casos de morte aparente (catalepsia). com essa idade. artísticas ou técnicas. no que lhes for aplicável. comparecer.. tenha ele aptidões científicas. E isso por razões óbvias. finalmente. os sujeitos à interdição de direito mencionada nos incs. a necropsia não é um simples exame feito no cadáver. mas como autópsia ou autópsia é o exame em si mesmo. c) se não fornecerem o laudo. Nos termos do arL 162 do CPP.. E é assim precisamente porque após 6 horas aparecem os sinais da morte (o resfriamento do cadáver. embora não muito freqüentes. a fim de ilustrar a justiça com os seus conhecimentos. Dependendo da hipótese. Assinale-se. nele procedido a fim de constatar a causa mortis. O art. E preciso. e o incidente de exceção de suspeição vem traçado no art. que esse ato de coerção não impede a imposição da multa. deixar de. a rigidez cadavérica) que se aliam aos que surgiram inicialmente. mais acertado dizer necropsia. 47 do CP. não podem ter “diploma de curso superior”). pelo menos. 162 fala em “autópsia”. b) se não comparecerem no dia e loca] designados para o exame. É extensivo aos peiitos.. mas um exame interno. isto é. ou concorrerem para que a perícia não seja feita nos prazos estabelecidos.salvo escusa atendível Essa mesma multa poder-lhes-á ser imposta. sem justa causa. que traduz fiel­ 286 . afilamento nasal. poderá a autoridade determinar a condução coercitiva do perito se este. Indispensável tenha diploma de curso superior Não poderão. pois. salvo justa causa provada imediatamente: a) se deixarem de acudir à intimação ou ao chamado da autoridade. I e II do art. são registrados na crônica médico-legaL Somente após aquele lapso de tempo é que se procede à necropsia. 105 do CPP 8. ser peritos os menores de 21 anos (mesmo porque. o exame necroscópico será feito. e) fácies hipocrática. tais como: a) perda da consciência. Qualquer pessoa pode ser perito? A condição essencial é que o perito possua conhecimentos na área que reclama sua intervenção. os analfabetos. d) ausência de pulso. palidez intensa. contudo. o disposto sobre suspeição dos Juizes.

. Quando B voltou ao locus delicti e disparou quatro tiros contra A na região lom287 . pela evidência dos sinais da moite. Muito embora. fácil seria aos experti. Suponha-se este exemplo: A. a palavra autópsia ou autópsia já adquiriu foros de cidadania na vida forense. B volta ao lugar onde ocorreu a infração e. procurou reviver o velho desentendimen­ to. A certo momento. dilacerando-a. declarando tal circuns­ tância no auto do exame necroscópico. não havendo infração penal a ser apurada. dispensa a necropsia: a) nos casos de morte violenta. A imediatamente cai ao solo. embora B dissesse que tudo já havia passado. nesse exemplo. se os peritos. Apesar disso. pelo simples exame externo das lesões.se as lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver necessidade de exame interno para a verificação de alguma circunstância relevante. como diz Manzini. Dispensa da necropsia. dispara-lhe mais quatro tiros na região lombar. a antiga revista O Cruzeiro deu-nos notícia vinda de Massapé. que atinge a aorta torácica de A. encontrando a vítima em decúbito ventral. Entretanto há um ponto relevante. procederão ao exame interno do cadáver. porém. No Direito italiano. A investe violenta­ mente contra B. em dois casos. a “defunta” levantou-se do caixão Houve de­ bandada geral. Houve testemunhas. em virtude de antiga desavença com B. b) mesmo havendo infração penal a ser apurada. ao encontrá-lo ná estrada. Vinte minutos depois.. jul­ garem possa ser feita a necropsia antes do prazo estabelecido no art. Depois o velório se transformou em festa. julgando-a viva. quando será suficiente um simples exame externo do cadáver. a expressão causa da morte seja ampla. Estado do Ceará. B saca seu re­ vólver e dispara um único tiro. de que estava sendo realizado o velório de Maria Rodrigues. vitimada por um colapso cardíaco.mente a ideia de exame em cadáver. e. pontapés e golpes de faca. 162. só se permite a autópsia quando necessária “per stabilire la causa di morte”.. determinando o exame interno do cadáver quando houver ne­ cessidade de se verificar alguma circunstância relevante . Ora. mais acertado andou o legislador pátrio. deter­ minar a causa mortis. . aos socos.O CPP.. Entretanto. comprometendo órgãos vitais. Certa vez. 7 horas antes.

ou de seu defensor. salienta o CPP: “Os cadáveres serão. 330). a morte adveio quase que com instantaneidade. porquanto não se mata cadáver. se o primeiro tiro dila­ cerou a aorta torácica. deverá indicar o lugar da sepultura. deverá a autoridade tomai' todas as providências a fim de que. Ora. desfigUr rando a legítima defesa. os peritos. fotografados na posição em que forem encontrados. sob pena de responder pelo crime de desobediência (CP. porventura. no caso de recusa ou à falta de quem indique a sepultura. 168 e parágraf os do CPP: “Em caso de lesões corporais. a seguir. não haveria excogitar-se de excesso. seja particular. Exame complementar Assim dispõem o art. se realize a diligência. lavran­ do-se. de oficio ou a requerimento do Ministério Público. 163 do CPP. o exame. o administrador do cemitério. Todavia. os tiros desferidos na região lombar. quando possível. ou de encontrar-se o cadáver em lugar não destinado a inumações. proceder-se-á à sua exumação. Nos termos do parágrafo único do art. Exumação Se. a respeito. fazendo constar todo o ocorrido no auto. ao desenterramento do cadáver. a autoridade procederá às pesquisas necessárias. vinte minutos após o pri­ meiro» mesmo comprometendo órgãos vitais. Assim.. A já estava morto? Se não. Para a exumação. 10. externo ou interno. não foram a causa mortis. Ainda a respeito da autópsia e exumação. art. juntarão ao laudo provas fotográficas. o cadáver já foi sepultado e houver necessidade de se proceder a exame cadavérico. seja público. teria havido excesso doloso. 288 .. Para representar as lesões encontradas no cadáver. 164 e 165). proceder-se-á a exame complemen­ tar por determinação da autoridade policial ou judiciária. Se estava morto. em dia e hora prefixados. se o primeiro exame peri­ cial tiver sido incompleto. realizando-se. para a consta­ tação da causa mortis. esquemas ou desenhos devidamente rubricados” (arts. isto é.. embora pudessem sê-la 9.bai. do ofendido ou do acusado. auto circunstanciado. sempre que possível.

adviesse aò ofendido úmá J§ peritonite. deverá ser feitõ lo g o ||p que decorra o prazo de trinta dias. relevantíssima. a fim de suprir-lhe a deficiência o u jljj retificá-lo. logo ao primeiro exame. e. ficar incapacitado para as ocupações habituais por mais de 30 dias. os peritos terão presentej||| o auto de corpo de delito. :.^ § 32 A falta dè exame complementar poderá ser supridá^rpela prova testemunhai”. os peritos não podem afirmar se o 4 ofendido ficará ou não incapacitado para as ocupações habituais por mais de 30 dias. e. a principio. se o ofendido. Quando o Promotor recebe os autos de inquérito policial instau­ rado para apurar crime de lesão corporal. . atentariam para a circunstância de que houve inflamação do. por conseguinte. § l2. I. nos termos do art.peritômo"^. respondendo ao quesito pertinente à incapacidade paia as ocupações habituais por mais de 30 dias. n.. pareceu aos peritos leve. nesse mesmo diá. cumpre-lhe. exame complementar. logo que decorra o prazo de 30 dias. elaborado o laudo. contado da data do criiné.. atestariam ter havido perigò de vida. 129. que B tenha recebido um golpe de faca na cavidade abdominal 'Hi­ no dia l2-6-2002 e. a pena é exasperada. . E essa circunstância é. contado da data do crime. tomando-se indispensável o exame complementar» Suponha-se. § Ia. a fim de constatar a natureza da lesão: Muitas vezes aquela lesão que. a lesão corporal passará a ser grave. . em virtude da lesão sofrida. 168. Nesse exame complementar.-■ der à leitura do laudo pericial. do Código Penal. 3 ou 6 dias após.. 129. de logo. g. tendo os peritos salientado que se tratava de lesão corporal'jjí leve. pois. poderia transformar-se em grave .l" : '^ Muitas vezes os peritos não podem. o Promotor e o Julgador não saberão se houve ou não a compli­ cação e se esta incapacitou o ofendido para as suas ocupações habitu­ ais por mais de 30 dias.. se não houver o exame complementar. dizem: “não. dependendo de complicações posteriores”. também.’S ficar a lesão. ao primeiro exame. tenha sido feito o exame de corpo J | de delito.. que será realizado conforme dispõe o § 2a do art.. Ora.§ l 2 No exame complementar. Outras vezes os peritos.. do CR Desse modo. . porque. classi. I.. haverá necessidade de . § 2Q Se o exame tiver por fim precisar a classificação delito no art. E tal exame e importantíssimo. Tomar-se-ia indispensável um exame complementar^ que % poderia ser realizado por determinação da própria Autoridade Judiciária % ou Policial ou a requerimento das partes. prece. havendo perigo de vida. f Às vezes. fç e.

por ele.. respondem: “sim. Quanto aos peritos que devam proceder ao exame complementar. precipitadamente. poderá acontecer que. todavia. deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 dias. de calo ósseo vem confirmar a incapacidade para as ocu­ pações habituais por mais de 30 dias. contado da data do crime.Acontece. Esteve. a ju ­ risprudência tem sido tolerante com o prazo dentro do qual deva proceder-se à complementação desse exame. pouco importa sejam os mesmos do primeiro exame ou outros. às vezes. Apesar dessa liberalidade. é sempre conveniente obedecer à pres­ crição do § 2Üdo art. contado da data do crime’.E tal exame deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 dias. 210/93). assim. ‘se o exame tiver por fim precisar a classificação do delito no art. o ofendido já esteja perfeitamente restabelecido. aliás. impossibilitada de serviço ativo por mais de 30 dias” (RT. a vítima. Penal. P. por qualquer circunstância. Ainda nessa hipótese. 168: logo que decorra o prazo de 30 dias. do C. § l 2. na espécie. pois. 168 do CPP 290 . segundo prescreve o § 32 do art. respondendo ao quesito pertinente à incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias. se requeira o exame complementar. 129. Às vezes... Ora. o exame complementai se realizou muito depois de 30 dias. urge. A expressão logo que tem. o sentido de quase que absoluta imediatidade. com prova testemunhai. não acarretará a imprestabilidade do exame que. Esse retardamento. evidentemente. “Sem embargo do exame complementar de saiiidade fí­ sica ter sido feito 14 meses após o delito. às vezes. n„ I. Far-se-á o exame complementar indireto. não é possível a realização do exame complementar Nem por isso se deixará de proceder à clas­ sificação da verdadeira lesão. a constatação. dependendo da natureza da lesão. É verdade que. do Código Penal. aí. teve como escopo apurar se houve fratura. 208/80). Haja vista estes exemplos: “Segundo o artigo 168. E. E a fratura é fato cujos vestígios não desaparecem com o tempo por deixar o calo ósseo” (RT. no 202 dia. isto é. em virtude da fratura do cúbito esquerdo. resulta­ rá incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias”. § 2a. que os peritos. logo ao primeiro exame.

para a devida comparação. a autoridade ju­ diciária mandará suprir a formalidade. j Esses exames. 174 do CPP ministra as regras necessárias: “No exame para o reconhecimento de escritos. obscuridades ou contradições. como autênticas. lacunoso. observar-se-á o seguinte: 291 . Aos peritos cumpre afirmar se.. Mas. se julgai conveniente” . Sem a finalidade de classificar lesão corporal. as cartas atribuídas a Arthur Bemardes. obscuro. os exames periciais. Se o laudo for deficiente. por com­ paração de letra. Lembrem-se de que o grande Edmond Locard deu. a fim de serem elas mais bem classifi­ cadas. A autoridade poderá também ordenar que se proceda a novo exame. 11. de oficio.de lesões corporais. o art. comportam complementação.É de ponderar que o exame complementar tem por finalidade melhor classificar a lesão. à época em que o realizaram. não poderiam ser realizados se os peritos não dispusessem dos necessários elementos de comparação. complementar ou es­ clarecer o laudo Parágrafo único. não podiam. por isso mesmo. 181 In verbis: “No caso de inobservância de formalidade. determinar seja completado ou esclarecido. para proceder a tais exames. real­ mente. ou a requerimento das partes. Exemplo: Mévio está sendo processado porque teria falsificado a assinatura de Tício em uma nota promissória. falho. devem ser entregues a pessoas altamente credenciadas. real­ mente. ou porque o primeiro exame foi deficiente ou porque os peritos. apresentar contradições.. Exames dos escritos Frequentemente os peritos são chamados a proceder a exames grafológicos ou grafo técnicos. Entretanto a expressão exame complementar é reservada para as hipóteses. Trata-se de exames delicados e que. contudo. como prescreve o art. por outros peritos. ou no caso de omissões.. deverá a autoridade. às vezes. classificá-la. necessitam de escritos do próprio punho do pretenso culpado. Mévio foi o autor da falsidade. A esse respeito.

confrontai o “t” de Tício com o “t” de tartaruga. os peritos vão. dez.. nos termos do art. alegan­ do que não somente os documentos podem servir para a comparação.. por várias vezes. Convidado a escrever a palavra “Tício”. instrumentos ou papéis. a autoridade mandará que a pessoa escreva o que lhe for ditado. apenas. 232 do CPP. se daí não puderem ser retirados. em uma lauda. mas em lugar certo. vinte ou mais vezes o que lhe for ditado. mas palavras difere ates. esta última diligência poderá ser feita por precatória. ou.. deverá determinar que esta pessoa. contendo sinais gráficos idênücos aos do nome ou expressão que vai ser objeto do exame.É que. Quando a autoridade notificar a pessoa a quem se atribua o escri­ to a comparecer perante ela para fornecer elementos de comparação. se Mévio falsificou o nome de Tício. seria bem capaz de procurar 292 . quando da colheita do material para o exame grafológico. Não nos parece. as palavras Tribuna. deverá a autoridade determinar-lhe que es­ creva. paia o exame. ou nestes realizará a diiigência. II do artigo em exame. quando necessário. Tomaghi critica a redação do inc. Assim. acertado tal entendimento. escreva cinco. Deverá a autoridade ter o cuidado de não ditar o mesmo nome. referir-se a quaisquer escritos. IV — quando não houver escritos para a comparação ou forem insuficientes os exibidos. data venia. usando o legislador da expressão “quaisquer documentos”. em que se consignarão as palavras que a pessoa está intimada a escrever”. se for encontrada. ’ r ~r " III — a autoridade.' quis. a palavra Tibério. mas qualquer papel escrito pela pessoa.. Se estiver ausente a pes­ soa. nessas palavras. Tartaruga. pois. os documentos que existirem em arquivos ou esta­ belecimentos públicos. públicos e particulares. Tibiriçá e tc . poderão servir quaisquer docu­ mentos que a dita pessoa reconhecer ou já tiverém sido judi­ cialmente reconhecidos como de seu punho/ õii sobre cuja autenticidade não faòuvèr dúvida. a mesma frase. tam1bém. consideram-se documentos quaisquer escritos. porquanto. de cuja autenti­ cidade se duvida. em uma lauda.I — a pessoa a quem se atribua ou se possa atribuir o escrito será intimada para o ato. então. requisitará. EE— para a comparação.

do CPP (‘quando não houver escritos para a comparação ou forem insuficientes os exibidos. deverá solicitai à autoridade competente 293 ) ' ) ^ } . e iludir os menos avisados. art. ) ) ^ T } ) > } ) ' 12. Considerou-se que o art. O que não se pode nem se deve. a autoridade encaminhará aos peritos o documento tido como falsificado e a lauda contendo os escritos do punho do suspeito. à autoridadeprocessante caberá determiná-los e nomear os peritos. Normalmente. ) ^ ^ ) ) ^ ) ) ) ) ) . Se o indiciado ou réu goza do privilégio de não poder automcriminar-se. No exemplo dado. mas apenas determina a intimação deste para. a autoridade mandará que a pessoa escreva o que lhe for ditado’) não obriga o indiciado a fornecer prova para caracterizar sua própria culpa. Informativo STF n. tentando grafá-la de modo diferente. muitas vezes. fornecê-la” (cf. é determinar à pessoa escrever o nome “Tício” tal como se encontra no documento submetido a exame.. proveio do punho de Mévio? E se o indiciado se opuser à determinação da autoridade para fornecer elementos gráficos para o exame? Obviamente nenhuma in­ fração cometera. em 8-9-1998. tudo de­ pendendo da hipótese concreta. querendo. 174. que se vê no verso do documento anexo. 330) porquanto este se recusara a fornecer à autoridade policial padrões gráficos de próprio punho para instrução de procedimento investigatório do crime de falsificação de documento.) ) burlar a perícia.. Nesse caso. não pode a autoridade exigir que o indiciado ou réu participe de uma reconstituição simulada ou de uma acareação. Nessa ordem de ideias. seja a Judiciária. no exemplo dado.. em casos que tais. 77. costuma-se formular apenas um quesito. Aliás. devam os exames ser feitos em outras comarcas. Podem ser formulados outros. Ocorre. bastaria este: a as­ sinatura Tício Semprônio.-. não faz sentido a Autoridade Policial exigir-lhe o fornecimento de material probatório que possa incriminá-lo. a autoridade que estiver presidindo ao processo..a Turma deferiu Habeas Corpus para trancar ação penal instaurada contra o paciente por crime de desobediência (CP. 122. ao apreciar o Habeas Corpus n. IV.135/SP. set„ 1998). A imitação pode sair perfeita. o STF. Exames por precatória ) Se os exames periciais deverem realizar-se dentro da jurisdição da autoridade perante a qual tramita o processo. seja a Policial. assim decidiu: “. Feita essa colheita do material.

.do lugar onde o exame deva ser realizado que o determine. 294 . por outro lado. a nomeação dos peritos. Tratando-se de ação penal privada. . devendo os quesitos da autoridade e das partes ser transcritos na precatória. se querelante e querelado acordarem. caben­ do. os peritos poderão ser nomeados pela autoridade depre­ cante. conforme o a rt 177. à autoridade deprecada.

14-Espontaneidade. Oportunidade. com o advento da Lei n. 5. Corréus. o interrogatório é meio de defesa. Confissão 12. se quiser. que era. antes da reforma operada em 2008. Força probatória da confissão. 16 Dívisibilidade 17 Confissão ficta. Necessidade. sacramentais. sem dúvida. 4.capítulo 4Í Do Interrogatório SUMÁRIO: 1' Noções gerais.. manifestando-se. 13. 9 Oralidade. • 1. sobre tudo quanto se apurou em relação a ele. 11. 11 719/2008 passou a ser a última. ao mesmo tempo. Noções gerais Um dos atos processuais mais importantes é. por meio do qual o luiz ouve do pretenso culpado esclare­ cimentos sobre a imputação que lhe é feita e. 7 Conteúdo 8.. Caracteres.. Divisão.. como acontecia na legislação anterior. não se limita a responder. 6 . Depois de co­ lhidas as provas é que o réu deve ser ouvido. durante o interrogatório. 3. a primeira peça da instrução criminal. 2. Faculdade de não responder. 15.. colhe dados importantes para o seu convencimento. O interrogatório. o inter­ rogatório. 10 Acu­ sado menor. 295 . A despeito da sua posição topográfica — no capítulo das provas—.. Não^ participar ção da Defesa... É a grande opor­ tunidade que ele tem de realmente se defender O acusado. às quais dava suas respostas bem pensadas. Retratabilidade. a uma série de perguntas prede­ terminadas.

E como tal era e é considerado . um meio de defesa. normalmente.. pode formulai perguntas oportunas e úteis. destacam-se: a) a indispensabilidade da presença do Advogado constituído ou nomeado quando da qualificação e interro­ gatório do réu. fazer consignar o seu protesto ante esse manifesto abuso de autoridade. se estivesse presente.. seu Defensor. completa a resposta à peça acusatória com “as alegações finais”. LXUI. e. fosse o interrogatório. no art. ouvindo o acusado. chegamos à conclusão de ser ele. já se disse. 10. em face da consagr ação do direito ao silêncio como dogma constitucional. Qualquer insistência do Magistrado no sentido de exigir que o acusado falasse.. pela Lei n. de 1M22003. Evidente que o Juiz. uma vez que o interrogatório-‘sè fázápós'á co­ lheita de todas as demais provas. tendo. em seguida. apenas. não teria nenhum valor. a pro­ va colhida era supinamente ilícita. O réu não é obrigado a res­ ponder às perguntas que lhe forem formuladas. ‘‘pode constituir fonte de prova. assim. ante aquela ameaça de que o seu silêncio poderia prejudicar-lhe a defesa? Assim.”. Embora o Juiz possa formular ao acusado uma série de per­ guntas que lhe parecerem oportunas e úteis. mas não meio de prova: não está ordenado ad veritatem quaerendam”. 186 do CPP De que lhe serviria o direito de calar-se.792.. Ou. de modo técnico. o acusado dele se prevalece para contestar a acusação. 400 e 531 do CPP. o interrogatório do 296 . à dicção dos arts. Meditando sobre o assunto — principal­ mente agora que a Constituição. se ficasse provado que o réu falou diante da insistência e ameaça do Juiz. oportunidade de tomar conhecimento a respeito de dados para a descoberta da verdade real. compelled in any criminal case to be a witness against himself. como diz a Emenda n. com a redação dada pela Lei n. V da Constituição norte-americana: “No person shall be. o legislador. o certo é que a Constituição de 1988 consagrou o direito ao silêncio. deu nova redação ao capítulo destinado ao interrogatório. e.. transformando o ato numa oportunidade para a obtenção de provas. E. Não se trata daquele direito já consagrado pelo art. reconheceu o direi­ to ao silêncio — .. em face da sua posição topográfica (no capí­ tulo da instrução). eviden­ te que o Juiz não poderia fazer a advertência do art. 5a. sob pena de ser a sua defesa prejudicada. para não se comprometer O in­ terrogatório. 1L719/2008. dentre as novidades. meio de prova. 186... No interrogatório.. cabendo ao Advogado. Embora tardiamente. b) havendo as devidas garandas.porque estudadas com anterioridade. Sempre pensamos. também.

. estabeleceu que. não se pode dizer seja o interrogatório um meio de prova. no art. o Juiz indagará das partes se restou algum fato para ser esclarecido. e. o réu será informa. tal como afirmado na doutrina. ficando o Juiz obrigado a respeitar-lhe o silêncio. No plenário do Tribunal do Júri. a revo­ gada Lei de Imprensa o exigiria também. 474 do CPP). 359 do Có­ digo Eleitoral.. do contrário. Na verdade. 188. o Juiz assegurará o direito de entrevista reservada do acusado com seu Defensor. 188.792/2003. após o interrogatório. finalmente. mesmo porque.do pelo Juiz do seu direito constitucional de permanecer calado e . pela Lei n.preso será realizado no próprio estabelecimento prisional. Ainda assim mantemos o entendimento de ser o interrogatório meio de defesa. dando nova redação ao art. Fosse o interrogatório meio de prova. Pode o Magistrado. e) nãò poderá ser in­ terpretado em prejuízo da defesa o silêncio do réu.732. seria obrigado a responder. Certo que o art. f) após o interrogatório. 10. e sendo ela integrada pelo interrogatório. Mas. não havendo. se a instrução criminal é contraditória. formulando as perguntas correspondentes se o entender pertinente e relevante”. Mesmo nessa hipótese. o CPP. como realmente o dis­ pensou durante mais de trinta anos.. Se se tratasse de meio de prova. o Juiz designará dia e hora para o depoimento pessoal do acusado. segue-se o critério tradicional. não se pode dizer seja o interrogatório submetido ao contra­ ditório. se o acusado pode calar-se. não estando ele obrigado a acusai a si próprio. formulando as perguntas correspondentes se o entender pertinente e relevante. Se fosse meio de prova. ser informado de determinadas circuns­ tâncias que poderão auxiliá-lo na solução do caso. que não importará em confissão.. de 5-9-2003. com a redação dada pela Lei n„ 10. Assim. d) antes de proceder ao interrogatório. ò interroga­ tório não pode ser considerado meio de prova. c) antes de ser realizado o interrogatório. não impediria a intervenção dás partes. 297 . erigido à categoria de direito fundamental. afrontaria a Lei Maior a não intervenção das partes. se o réu tem o direito ao silêncio. Entretanto ali se dizia que o réu seria interrogado “se o requeresse”.de não responder perguntas que lhe forem formuladas. Por outro lado. eventualmente. “não tem nenhu­ ma obrigação nem dever de fornecer elementos de prova”. Agora é que o legislador. indagar “das par­ tes se restou algum fato para ser esclarecido. a Lei Eleitoral não o teria dispensado. permite ao Juiz. as perguntas são feitas diretamen­ te pelas partes (§ Ia do art. uma vez recebida a denúncia.

sem que daí decorra qualquer prejuízo à defesa. na justificativa do Decreto n. se ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (CF. 10. sem o devido processo legal (CF.. Maier. Mendoza. daquele direltò de calar-se. que comumente se vê travado 298 . nada pode ser mais prejudicial à causa da justiça do que este duelo pungente de argúcias e sutilezas. entre as providências mais salutares ficou estabelecido um limite. preservando. acentuou: “No empenho de rodear das mais sólidas garantias a liberdade individual e de assegurar a imparcialidade do julgamento.792/2003. Se a República Federativa brasileira tem como fun­ damento a dignidade da pessoa humana (CF. tal como dispõe o art. pode ele manter-se em silên­ cio. que a Constituição argentina proclama no art. “Não obrigado a declarar contra si mesmo” — “direito ao silên­ cio” —. art. é obrigado a informar ao réu do seu direito de permanecer cala­ do e de não responder perguntas que lhe forem formuladas. art. v: 2. é “el ejercicio de su defensa material. com a nova redação que lhe foi dada pela Lei n. J.. é induvidoso que o interrogatório (melhor seria denominá-lo declaração) é meio de defesa e não de prova. se o Juiz. se o réu tem o direito ao silêncio (CF. do nemo tenetur se detegere. como se infere do § 133 da StPO.. LIV). Aliás. por lo tanto. II). San Juan” (J. E assim deve ser Na Alemanha. o interrogatório do réu (Vemehmung des Beschuldigten). Así. 186 do CPP. Com efeito. seja na sessão do Júri. E. eventual­ mente." 108) Observe-se. 848. 1982. primordialmente. y no un medio de prova. 5S. de subterfúgios e ciladas. LXUI). p. se ninguém poderá ser privado da sua liberdade. sem que a autoridade possa extrair desse silêncio qualquer indício de culpa. III). o Ministro Campos Sales. La Rioja.. La ordenanza procesal penal alemana. fez adotai o direito de o réu responder laconicamente (sim ou não). preocupa­ do com a maneira de se proceder ao interrogatório. para o interrogatório dos acusados. es un acto de naturaleza defensiva. antes de iniciar o interroga­ tório. assim. se não há lei que obrigue o réu a falar a verdade. Depalma. art.... tudo não passa do velho princípio do “privilege against self-incrimination”. tambiéh én Ios códi­ gos de Córdoba. Salta. art. isto é. 5-. 5-. 18 ser inviolável a defesa em juízo e que ninguém está obrigado a declarar contra si mesmo. pueda contener elementos de prueba. ainda. de 11-10-1890.seja na audiência. o princípio da inviolabilidade de defesa. B. Ia. na primeira República.. aunque.

em relação à quem se pede a aplicação da sanctio juris. como o mais apetecido triunfo. como também paia que o Juiz conheça sua per­ sonalidade. É pelo interrogatório que o Juiz mantém contato com a pessoa contra quem se pede a aplicação da norma sancionadora. cientificar-se dos motivos e circunstâncias do crime. elementos valiosos para a dosagem da pena. Se faltar com a verdade/haverá perjúrio. Necessidade A necessidade de ser ouvida. constituído ou nomeado”. a pessoa em re­ lação a quem se pede a atuação da pretensão punitiva. mas se for vontade súa prestar esclarecimentos.em pleno tribunal.. Nada lhe acontece. poderá mentir à vontade. infere-se da própria redação do art. Por outro lado. de viva voz. extorquida à força de uma sagacidade criminosa” . a necessidade desse contato entre julgador e imputado. no curso do processo penal. O réu. Nos Estados Unidos. Entre nós. 299 . tem. E o legislador quer que o julgador ouça o acusado não só para que se tenha certeza de que ele é. e em que. malgrado meio de defesa. não raro. não. a resposta do réu à acusação que se lhe faz . pois. quan­ do aquele ouvirá. E tal contato é necessário porque propicia ao julgador o conhecimento da persona­ lidade do acusado e lhe permite. se o réu quiser manter-se caiado. respeitar-se-á esse direito. também. durante o interroga­ tório colhe o Juiz elementos para o seu convencimento. a pessoa contra quem se propôs a ação penal. se quiser ser inter­ rogado. É natural. salvo se fizer uma autoacusação falsa» 2. Seu Defensor lhe formula perguntas (direct examinatiòn) e a seguir a Acusação (cross examination). entre o juiz e o acusado. ouvindo-o. aquele que devera ser o órgão circunspecto e severo da austera majestade da lei. saiba em que circunstâncias ocorreu a infração — porque ninguém melhor que o acusado para sabê-lo — e quais os seus motivos determinantes. su~ jeitar-se-á ao compromisso . a confissão do acusado. 185 do CPP: “O acusado que comparecer perante a autoridade judi­ ciária. no Processo Penal. realmente. será qualificado e interro­ gado na presença de seu defensor. no entanto.

a razão da condução coercitiva. se o acusado tem o direito cons­ titucional de permanecer calado.. Tendo tais normas caído no vazio.. última parte. determinará sua citação para que ele saiba que a acusação contra ele foi aceita e ao mesmo tempo é chamado a comparecer à audiência. se houver alguma dúvida quanto à sua identidade. Do contrário. mas está de­ monstrado não querer dita reconciliação ou até mesmo retratar-se”. no particular.nos termos do art . desse modo. injustificável seria a condução coercitiva. É verdade que o art. Parece mesmo que o art. para que o Juiz pudesse valer-se das regras dos arts. Obrigá-lo a comparecer a uma audi­ ência seria demasia. parece claro que. 520 do CPP? A jurisprudência majoritária é no sentido de que se o querelado não atende à intimação para a audiência de conciliação. nem por isso deve o Juiz determinar sua condução coercitiva. Todavia. É o que diz o texto lega1. com elas.. basta atentar para a regra imperativa do art. na sua redação pri­ mitiva. por óbvio não se justifica sua condu­ ção coercitiva para que se proceda ao interrogatório. conforme preceitua o a rt 260 do CPP. Nes­ se sentido. acareação ou qualquer ato que sem ele não possa ser realizado Quanto ao reconhecimento e acareação. ao receber a peça inicial da ação penal. 260 cuida também da necessidade da presença do acusado para um reconhecimento. que o Juiz pode­ rá mandar conduzi-lo à sua presença. e o processo prossegue. e mais demasia seria processá-lo por desobediên­ cia. consiste em determinar a notificação do réu para dar a sua res­ posta. em que será interrogado. 84/35: “Para a audiência de reconciliação não se torna obrigatória a presença do querelado. veja-se JTAERGS. até.E tão necessário é o interrogatório que uma das primeiras provi­ dências a serem tomadas pelo Juiz. Mas. Simplesmente há de se entender que ele não quer a conciliação. para que se realce a necessidade do interrogatório. e. 185 300 . 186. Que outro ato exigiria a sua presença? A conciliação de que trata o art. não mais se justifica a condução coercitiva do acusado. 260 E. também desapareceu. 397. Se ele não comparecer. impossível a reconciliação.. e 198. pela disponibilidade dele não pretender reconciliar-se. ai sim. ambos do CPP. na hipótese de o Juiz não o absolver sumariamente. e o Magistrado entender necessária a sua presença. sabe-se que o réu não está obrigado a fornecer provas contra si mesmo. De observar. e. Seu direito ao silêncio e inclusive o de não ser obrigado a fazer prova contra si mes­ mo tomaram espécie de texto morto a regra do art.. 260 tinha razão de ser antes de a Constituição haver con­ sagrado o direito ao silêncio.

Mas não é só: a ausência de interrogatório. Não apenas a defesa técnica (art. 185 dispõe que “o acusado que comparecer perante a autoridade judiciária. estando presente o acu­ sado. não haveria processo contra o reveL O próprio art. e. E tal necessidade decorre do fato de ser a declaração do réu meio de defesa.” Se o acusado desatende ao chamado da Autoridade Judiciária para ser interrogado. o processo correrá à revelia. dentre outras.. do CPP (cf. EI. Tal dispositivo não lhe implica nem importa dever jurídi­ co. no curso do processo penal. III. a nuiidade não admite sanatória.. Data venia. se o interrogatório não se realizou porque o acusado não compareceu em juízo. Logo. Cuidando das nulidades sanáveis. III. 564. E o Estado quer que o acusado se defenda. 73/758). não nos parece correta.. e tão necessário que o legislador erigiu a sua falta à categoria de nuiidade. A defesa é uma injunção legal. entretanto. Assim. e. 572 do CPP faz referência. parte da letra e do inc„ III do art. 564. será qualificado e interrogado. mas sim mera faculdade. Aliás. 564.1.estando o in­ terrogatório na primeira parte. mas nem por isso perderá ele seu direito à defesa. prescreve o art. RTJ. como também a autodefesa ou defesa mateirial„ É necessariamente Imprescindível o interrogatório? Embora seja o interrogatório um ato processual necessário. quando presente o acusado. será processado ou julgado sem 301 . não há. <?. segunda parte. quando necessário nos termos do art. É de acentuar que. e 572. a segunda. o próprio art.. o art. 185 do CPP. diz que baverá nuiidade se não for realizado o interrogatório. Estadeando uma das maiores con­ quistas da humanidade. 261 do CPP que nenhum acusado. essa exegese. ainda que ausente ou foragido. que se excogitar de nulidade. constitui nuiidade insanável O STF. primeira parte. àquela prevista no art.. evidentemente. não se segue que o Juiz deva aplicar o disposto no art. 564 do CPP é constituída pela expressão “e os prazos concedidos à acusação e à defesa” . segundo os arts. se o acusado não atende ao chamado da auto­ ridade para a audiência em que será interrogado. Ora. não se trata de ato necessariamente imprescindível Se assim não fosse. que continuará sendo a mais ampla possível. 260 do CPP. 261 e respectivo pa­ rágrafo do CPP). constitui nuiidade sanável se não for alegada ou arguida em tempo oportuno. já decidiu que a falta de interrogatório do réu..

. de acordo com o art. 185 só é aplicável no curso do processo e. o art. 616 é facultativa e nada indica possa ser convertida em compulsória pelo fato de não ter sido realizado o primeiro interrogatório.Defensor. 396. todos do CPP. 167/48 e 157/636). refle­ tindo-se tais elementos. obrigatória há de ser a norma do art.. nessa oportunida­ de. ouvir o réu pela segunda vez. Outros defendem a tese de que o interrogatório só poderá ser realizado no ‘‘curso do processo”. 616 outorga à instância superior a faculdade de proceder ao interrogatório do réu. Mas. 616 fala em novo interrogatório. 616 do CPP. sendo que este deverá ser realizado na 2. se a sentença não passou em julgado e se os Juizes de segunda instância vão conhecer do mérito. A regra do art. O acusado não foi interrogado.. porque revel. está com o saudoso Odilon da Costa Manso. Deverá o julgamento do recurso ser convertido em diligência. a fim de ser ouvido o réu na instância inferior De fato. Afinal. parágrafo único. Se o Juiz não cum­ priu o disposto no art 185. Deverá ser ele interrogado? Há quem entenda ser dispensável o interrogatório. se con­ veniente. entretanto. 302 . 152/66) Espínola Filho entende ser necessário o interrogatório. pró ou contra a apelação Objeta-se que o art. Ademais. pois. permitindo ao Tribunal. desde que tenha sido ampla a defesa. pensamos. A sentença ainda não transitou em julgado . e tc . 261. e 396-A. isto é. no período que vai da citação à prolação da sentença (RT. não se trata de novo interrogatório. E arremata: o art. às circunstâncias do crime. Odilon da Costa Manso sempre defendeu a tese de que. não se segue deva a superior instância suprir-lhe a inércia. pressupondo ter sido realizado o primeiro interrogatório na instância inferior Quando tal ato processual não se realizou. Aqui. 263. 616.. a fim de ser interrogado o réu. O julgamento deve ser convertido em diligência.. nas razões de decidir. Suas estas palavras: “o interro­ gatório poderá fornecer ao Juiz elementos de convicção relativos à personalidade do delinqüente. antes da sentença condenatória. não se pode negar que o processo esteja ainda em cursolT(RT. uma vez que são os juizes da 2a instância que. E a Constituição coloca a ampla defesa do réu entre os di­ reitos e garantias individuais.instância. em casos que tais. § 2-. foi proferida sentença condenatória e. em seguida. deverá a superior instância converter o julgamento em dili­ gência. Daí as regras que se contêm nos arts 185. vão conhecer do mérito. são eles que terão de formar seu livre convencimento. cumprido o mandado de prisão. A razão.

deve ser realizado o interrogatório. que ocorre após a '‘resposta” do réu. RT. Tomaghi acrescenta outro caráter: a judicialidade. diz a lei. JTACrimSP. 3. proceder a outro. quando o interrogatório não se realizou no curso da ação penal. ou em outra oportunidade se apresentar em juízo. Se o Juiz entender conveniente. nesses casos. no curso do processo. 185 do CPP. Caracteres r . de ofício ou a pedido fundamentado de qualquer das partes. o entendimento de que.. o imputado será in~ terrogado no curso do processo. Se não o fizer. Somente o Juiz é que pode procedei ao interrogatório Na verdade. é eie imprescindível até o trânsito em julgado da sentença final. quando o interrogatório se faz na pessoa do seu representante legai. mesmo depois da sentença condenatória e antes do julgamento da ape­ lação. Não é possível a representação. proceder a novo interrogatório. 393/371. havendo recurso de apelo.Se atender à citação. poderá a instância superior determinar sua realização se o entender necessário ao esclarecimento dos fatos (cf. Há. STF. isto é. 2-9-1974.t ■ Cumpre adiantar que o STF entende que.DJU. determina a lei que 303 . também.. para a audiência de instrução e julgamento com o interrogatório. 9. 196 do estatuto processual penai 4. enquanto não transitar em julgado a sentença. > O interrogatório é um ato personalíssimo. sê-lo-á.913. Não pode o Defensor ou outra qualquer pessoa substituir o impu­ tado na realização desse ato processual. necessário se faz o interrogatório (cf. 8/163. o Juiz designará dia e hora. 3a da Lei n.605.. salvo na absurda hipótese de ação penal em relação à pessoa jurídica de que trata o art. se o interrogatório não se fez no curso da ação penal. 7012). Só o imputado é que pode e deve ser interrogado. No curso do processo. será interrogado. Logo. 13/346 e 19/344) . Assim. de 12-2-1998. conforme prescreve o art. HÇ 51. p. a todo tempo. será lícito fazê-lo. Convém até salientar que o Juiz tem a faculdade de. O portunidade * r ^ Segundo a regra contida no art. Ao receber a denúncia ou queixa. mas for preso.

se o Juiz não o interrogar.. se o imputado não respondia às perguntas. E tanto é certo que. Quando presente este. fazer-lhe as perguntas. Deve-se entender por judiciàlidade o fato de ninguém poder in­ tervir no interrogatório: só o Juiz. que. formulando as perguntas correspondentes se o entender conveniente e relevante. pois. tal expressão foi usada pelo legislador não pelo fato de não poder a Autoridade Policial proceder ao interro­ gatório. É natural. quando o interrogatório for realizado no plenário do Tribunal do Júri. In verbis: “Apresentado o preso à autoridade competente. pois é ele quem vai julgá-lo. por conseguinte. Às partes não podem intervir. somente o Juiz é que pode proceder ao interrogatório.. procederá à oitiva das testemunhas que o acompanharem e ao interrogatório do acusado sobre a imputação que lhe é feita. contudo. no art. são as partes que fazem suas perguntas diretamen­ te ao réu — trata-se do direct examination —. 304. entregando a este cópia do termo e recibo da en­ trega do preso.(Onde está acusado. do CPP fale era “ouvir o indiciado”. ao tratar do flagrante. suas escusas etc. era torturado. 304 . Convém esclarecer. o interrogatório é levado a cabo pela Autoridade Policial. no inquérito. desde logo. deva o Juiz. sua assinatura. visto inexistir acusado antes da acusação. Quando muitos conforme vimos. contudo. ouvirá esta o condutor e colherá. Faculdade de não responder O imputado é obrigado a responder às perguntas que lhe forem formuladas? No Direito medieval. leia-se indiciado. o Juiz indagará das partes se restou algum fato para ser esclarecido.. Em seguida. após o interrogatório. V. o legis­ lador usou a expressão “interrogatório” .. 6a.. por primeiro. e que se inicia com o ofe­ recimento da denúncia ou queixa. interrogar o imputado. conhecendo-lhe a personali­ dade. .. Muito embora o art.o Juiz interrogue o acusado. sendo. O interrogatório enseja ao Magistrado tomar contato com aque­ le contra quem se propôs a ação penal. obrigado a falar. Hoje.) Na fase processual propriamente dita. sempre que possível. 5. muito embora caiba ao Juiz. ouvindo-lhe a confissão. o processo será nulo. como sucede na oitiva de testemunhas.

O nosso CPP. nunca o imputado. mesmo sendo mendazes as palavras do imputado. art.. isto é. aceitando o princípio liberal e moral expresso na fórmula latina nemo tenetur se detegere. mesmo havendo muitas provas contra ele. ou multa”. a narcoanálise. do seu direito de permanecer caiado e de não responder perguntas que lhe forem formuladas”. Eunarcón. impunemente. o acusado será informado pelo juizy antes de iniciar o interrogatório. são punidos.. lograr una disminución notable de la capacidad de resistencia intelectual y volitiva dei paciente. vigora o princípio do nemo tenetur se detegere.Atualmente. Assim também a “labectomia”. O acusado tem a faculdade de responder. 342 do CP. 146). o liedetector. mediante ellò. Pentothal. Evipa e Methedrina etc. perante a autoridade. É a consagração do direito ao silêncio . Nem poderia ser de outra forma. nem por isso se estará violando o disposto no art. pois os sujeitos ativos do crime de falso são a testemunha. às perguntas que ihe forem formuladas pelo Juiz. que se adapta con la mayor facilitad a las sugerencias ajenas” . configurando o crime de constrangimento ilegal (CP. fazer uma autoacusção falsa. o tradutor e o intérprete. consistente em dissociar cirurgicamen­ te “los canales nerviosos que iigan algunos lóbulos cerebrales al resto dei cérebro. O imputado tem ampla li­ berdade: responderá às perguntas se quiser. o perito. crear una barrera frontal y.. a impunidade do verdadeiro culpado. ou não. de que ninguém é obrigado a acusar-se.. correspondentemente. Daí a norma do art. entre nós. 341 do CP: “Acusar-se. Por outro lado. Poderá negar a pratica do crime. de três meses a dois anos. Tais expedientes. porquanto se trata de um fato perturbador “do normal funcionamento finalístico da polícia judiciária ou do juízo penal” . Proibidos estão todos aqueles meios e expedientes como o hipnotismo. Da autoacusção falsa pode resultar a condenação de um inocente e. 186: “Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da acusação. Todavia semelhante liberdade de dizer o que quiser e de não responder a todas ou a algumas perguntas não vai ao extremo de se lhe permitir. prescreveu no art. que violam a liberdade psíquica do imputado. o uso de narcóticos como Amital sódico. Mas o que se lhe não permite é atribuir a si a autoria de um crime que realmente não tenha cometido. de crime inexistente ou praticado por outrem: Pena — detenção...

E ninguém pode impedir-lhe o exercício desse direito. Não pode o Juiz. É possível que o Magistrado tenha uma impressão desfavorável quando o acusado guarda silêncio. 198 do CPP As duas disposições. Grinover. preceituando o inc. LXIII do art. prevalece a mais nova por estar em harmonia com o texto consti­ tucional. “ . em virtude de haver discipli­ nado a matéria de modo diverso Se assim é em Juízo. Mas isto não pode nem quer dizer que ao indiciado ou acusado que não esteja preso não seja estendida a mesma proteção..”. a Lei Maior denota simplesmente sua preocupação inicial com a pessoa capturada: a esta. mesmo fora e antes do interrogatório. Contu­ do. 5Qda CF que “o preso será informado de seus direitos. Que direito fundamental é esse que. não poderá ser interpretado em prejuízo da defesa”. Não se diga.. “Do seu silêncio não podem deduzir-se presunções que superem a presunção de inocência do réu”. nem se deve dizer. introduzido pela Lei n. e ninguém pode ser prejudicado quando exerce o seu direito. Do contrário. o parágrafo único do art. entretanto não se pode admitir que tal impressão se converta em indício para um decreto condenatório. com maiores razões quando se trata de si­ lêncio perante a Autoridade Policial. 10. sob a alegação de que o seu silêncio poderá prejudicar-lhe a defesa. de responder.792/2003. agindo atropeladamente. como estão. O legis­ lador. que não importará em confissão. reconhecer indício de culpa na circunstância de o réu. na Polícia. 306 .. o direito ao silêncio seja apenas do preso. quando da sen­ tença.. Muito menos ameaçá-lo.que lhe foi conferido constitucionalmente como decorrência lógica do princípio do nemo tenetur se deíegere e do da ampla defesa. 198. O acusado é o único árbitro da conveniência. Do contrário a defesa não estaria sendo ampla. 186 esqueceu-se de dar outra redação ao art. entre os quais o de permanecer calado. Scarance e Magalhães quando afirmam que. são asseguradas as men­ cionadas garantias. 186 do CPP. nem respeitado o seu direito ao silêncio. estabe­ lece que “o silêncio. se contradizem. se exercido. elevado à categoria de direito fundamental do homem. como sempre. conferir-lhes um direito. nenhum réu ousaria exercer aquele direito ao silêncio. Inteira razão assiste a Ada P. além do que a lei nova implicou a revogação tácita do art... ter guardado silêncio. pode complicar-lhe a posição no processo? Evidente que a Magna Carta não quis estabelecer ou construir uma armadilha para os acusados. Aliás. ao fixar a regra contida no parágrafo único do art. que confere o direito ao silêncio. mas.. simplesmente.. que.aludindo ao direito ao silêncio e à assistência do advogado para o preso. ou não.

entretanto. Nesse exato sentido. Tratan­ do-se do interrogatório de qualificação. A Defesa pode intervir? Nem a Defesa nem a Acusação. evidentemente seria um não senso pudesse o réu ocultar sua identidade. 709/313: “„. O interrogatório é um contato entre o Juiz e aquele contra quem se propôs a ação penal. Quando muito. sob pena de cometer o crime previsto no art... Não participação da Defesa Na fase do inquérito. A Lei n . dando nova redação ao capítulo do CPP destinado ao interrogatório. como permitido pelos §§ l 2 e 2~ do art. 307 do Código Penal. este. mas somente o Juiz é que fará ao imputado as perguntas necessárias e julgadas convenientes. À acusação é que cumpre produzir a prova da culpabilidade lato sensu do acusado”.792/2003. Na verdade. RT. por que somente o preso teria o direito de ficar calado? Se o preso tem esse direito.como já se disse. 6. E se o Juiz formular-lhe perguntas outras quê não o afetem. essa ta­ refa é exclusiva do Juiz. qualquer pessoa poderá presenciá-lo (pú­ blico em termos. mas capazes de comprometer outras pessoas? A nós nos parece que o réu não é testemunha. o Juiz indagará das partes se restou algum fato para ser esclarecido. além de dever o Juiz informar ao réu do seu direito ao silên­ cio. permanecendo silente. 342 do Código Penal. somente a Autoridade Policial é que poderá interrogar o indiciado.no momento maior da autodefesa. 10. cit. Assim.. se realizado no presídio ou por videoconferência. que não importa em confissão. Nenhuma das partes poderá interferir no inter­ rogatório. obviamente não haverá publicidade).792/2003 veio confirmar o acerto dessa decisão. formulando as perguntas correspondentes. 67). que. não infringe o art. 185.. com muito mais razão ainda quando deve ser ouvido pelo Juiz. que é o interrogatório” (As nulidades. Ele continua com o mesmo privilégio de permanecer calado.„não mais prevalece a advertência final do art. conforme vimos. 10. após proce­ der ao interrogatório.. esse direito ao silêncio so­ mente poderá ser exercido quando do interrogatório de mérito. simplesmente porque permaneceu silente. 186 do CPP. quanto mais o que esteja em liberdade e. p. não poderá ser interpretado em prejuízo da defesa. O ato é público. se o 307 .. E tanto é verdade que a Lei n. Na fase processual propriamente dita. pois não será lícito ao Juiz considerar culpa­ do o réu. Cumpre observar. deixou bem claro que.

e. Por qualquer circunstância o Magistrado pode deixar de registrar tudo quanto disse o réu ou. o eminente Desembargador e Professor Carlos Ra­ fael dos Santos Júnior Até então era entendimento isolado da doutrina e jurisprudência. Nes­ se sentido já se manifestou o STF.. Outro não é o ensinamento de Frederico Marques: “na falta de defensor do acusado o Juiz está obrigado a nomear pelo menos um patrono ad hoc. No plenário do Júri. v. Galdino Siqueira. Pimenta Bueno. pois. 3.. e nesses casos. Espínola. 308 . para assistir à realização do interrogatório (arts. ao designar data paia a realização da audiência de instrução e julgamento. p. A pre­ sença do causídico é.. 326). Hoje. registrar erroneamente.entender pertinente e relevante. Juizes há que de­ terminam ao réu contar a sua versão e. antes de subscrevê-lo. O Promotor deverá estai1presente ao interrogatório. e. oportunidade em que o réu será interrogado. 2. por expressa disposição legal. por falha do estenotipista. v. ser-lhe-á nomeado defensor pelo Juiz. Código. às testemunhas e ao réu. 188 com a sua nova roupagem. 263 e 265. indispensável É comum. em acórdão da lavra do eminente Ministro Marco Aurélio. 263: “Se o acusado não o tiver. há inúmeras omissões. todos assinam o documento e. não comparecer. Por isso. dentre outros (cf. parágrafo único)” (Elementos. Do mesmo sentir. legem habemus. entretanto. 13). cit. a notificação do Ministério Público' Evi­ dente que na audiência deverá estar presente também o Defensor Se. na 11a Semana de Estudos Jurídicos levada a cabo entre 8 e 11 de setembro de 1999. A propósito o art. o Juiz nomear-lhe-á outro. É como soa o art. deverá determinai. Espínola Filho. com a sua nova redação. então. cit. muitas vezes. Sua presença se consona e se harmoniza com a ampla defesa. p. o interrogatório ser estenotipado. intimado. ressalvado o seu direito de. nos termos do art. 474 do CPP. as perguntas das partes são feitas por elas mesmas diretamente ao ofendido (se for possível). ou é registrada diferentemente. aí. depois.. na Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul. caso tenha habilitação”. confiando na memória. ou a si mesmo defender-se. exige a presença do Defensor constituído ou nomeado. a todo tempo. nomear outro de sua confiança. deve a Defesa.. passam a ditar para o escrivão a manifestação do acusado. em algumas co­ marcas. também.. 399 dispõe que o Juiz. muita coisa deixa de ser consignada. ainda que ad hoc (só para aquele ato). pois o art. O arL 185 do CPP. Concluído o ato.

A Lei paulista n„ 11. em virtude da adoção de procedimento nem sequer previsto em. Evita dissabores. 11. transformar a exceção em regra. com a redação dada pela Lei n.. que a inteireza do processo penal exige defesa efetiva. de criminosos altamente perigosos e cuja saída da unidade prisional onde se encontrem possa acarretar perturbação da ordem pública. por sinal. em tempo real. que a garante em plenitude.. E. no seu art. o governo se propôs a regulamentar a disposição em cento e vinte dias. em cujas razões não entra a comodidade do juí­ zo. já correm o Brasil inteira por e-maiis. segundo circunstâncias limitadas e decisão devida­ mente fundamentada.lei. con­ tudo. 2a. Ele deve ser realizado coram judice. viola o princípio da publicidade e. restringir-se-ia a defesa plena. considerou que o interro­ gatório por meio de teleconferência viola a publicidade dos atos pro­ cessuais e que o prejuízo advindo de sua ocorrência seria intuitivo. por força da Cons­ tituição.' poderão ser utilizados aparelhos de videoconferência com o objetivo de tomai1 mais célere o trâmite processual. adotam o uso da videoconferência. 185 do CPP. Ainda assim.solicitar ao Juiz que o funcionário proceda à conversão dos caracteres para a linguagem escrita. Itália. por política criminal. Ia estabeleceu: “Nos procedimentos judiciais destinados ao interrogatório e à audiência dè presos. no julgamento. E o eminente Ministro acrescentou: “Não fujo à realidade por reconhecer que. não pode perceber se o interrogado está ou não sofrendo qualquer tipo de pressão. devendo ser empregado com extrema cautela e rigorosa análise dos requisitos legais que o autorizam” . como já fez sentir o STJ (RT. todavia. além disso. 742/579) E é como soa o § 22 do art. pro­ mulgada em 5-1-2005. estando o Juiz a distância. Não se deve. embora de demonstração impossível.900/2009. Interrogatório on tine. e que. só para citar alguns. aí. o uso desse meio é previsto em lei. quando impedido o regular exercício da autodefesa. julgando o pedido de Habeas Corpus n . permitindo que um mesmo ato seja realizado em lugares distintos na práxis judicial. mesmo antes da regulamentação. no art. ressalvadas as hipóteses. con­ tudo. observadas as garantias constitucio­ nais”.914/SP. na presença do Juiz. É certo. sistema de comunicação interativo que transmite simultaneamente imagem. diversos países. que. O interrogatório on Une (por videoconfe­ rência). som e dados. As críticas. em 14-8-2007. Espanha. O Supremo Tribunal Federal. França. relatoria a cargo do Ministro Cezar Peluzo. Concluiu-se.819. raras. o uso da videoconferência é considerado mal neces­ sário. 88. a nosso juízo.

11. poderá realizar o interrogatório do réu preso por sistema de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real. acrescentado pela Lei n. tantos serão os transtornos que surgirão com a videoconferência que a requisição vai ser a regra. de ofício ou a requerimento das partes. o juiz. dispôs: “O interrogatório do réu preso será realizado. por enfermidade ou outra circunstância pessoal: IG — impedir a influência do réu no ânimo de testemunha ou da vítima.900/2009). “excepcionalmente. profundamente econômica. se não for possível ouvir o réu no presídio nem por videoconferência. O legislador.do art. deixa bem claro que. em sala própria. 217 deste Código: TV — responder à gravíssima questão de ordem pública”. nos termos do art. salvo a hipótese de alguém querer aparecer no Jornal Nacional. 222-A). quando exista fundada suspeita de que o preso integre organização criminosa ou de que.. 185 do CPP. de 8-1-2009 (que alterou os arts. ao que parece. desde que a medida seia necessária para atender a uma dás seguintes Finalidades: J — prevenir risco à segurança pública. por decisão fundamentada.900. II — viabilizai a participação do réu no referido ato processual. 310 . por outra razão. possa fugir durante o deslocamento. instituindo o interrogatório por videoconferência. Nos termos do § 2a do art.. Verbis: “Será requisitada a apresentação do réu preso em juízo nas hipóteses em que o interrogatório não se realizar na forma prevista nos §§ l2 e 2S deste artigo”. será ele requisitado. 185. 11 ... Interrogatório no presídio. Não se deve olvidar que o § 7. 185 (Lei n. dando nova redação ao § l2 do art. que tenta evitar as espetaculares e cinematográficas fugas no trajeto entre o Fórum e o presídio. desde que não seia possível colher o depoimento destas por videoconferência.. no estabelecimento em que esti­ ver recolhido. E. desde que estejam garantidas a segurança do juiz.. 11. Trata-se de medida criteriosa.. ao mesmo tempo. quando haia relevnnte dificuldade para seu comparecimento em juízo.Logo em seguida foi promulgada a Lei n.900/2009. do membro do Ministério Público e dos auxiliares bem como a presença do defensor e a publicidade do ato”. 185 e 222 do CPP e lhe acrescentou o art. a não ser naquelas hipóteses de réus altamente perigosos capazes de engendrar fugas rocambolescas. e.

antes de ser inter­ rogado pela Autoridade Policial. Decerto as autoridades responsáveis pelo presídio não irão abrir as portas do estabelecimento para que as pessoas que quise­ rem assistir ao interrogatório possam fazê-lo. se o réu não é obrigado a fazer prova contra si mesmo. os acusados entrevistam-se por uma. dogma constitucional. Não irão nem poderão. reservadamente. Defensor e Escrivão ao presídio gera uma inestimável perda de tempo. Difícil será fazer respeitar o princípio da publicidade. não teria sentido devesse o Juiz proceder ao interrogatório de um réu sem lhe permitir. 185. também acrescentado ao art. se. uma entrevista reservada com o De­ 311 . em segundo lugar. por razões óbvias. Defensor e réu são “una parte processuale unica rappresentata da due organi” . o interrogató­ rio no presídio maltrata o princípio da publicidade e.do art 185. nada mais legítimo do que a permissão da entrevista tal como disciplinada em lei. Não. antes do interrogatório. com os interrogatórios entre quatro paredes. por outro vamos voltar ao tempo da Inquisição. contudo. Mas. Investigação sem sigilo é a encarnação do engodo. deverá assegurar ao réu o direito de. órgão do Ministério Público. em primeiro lugar. na prática. será requisitada a apresentação do réu preso em juizo nas hipó­ teses em que o interrogatório não se realizar na forma prevista nos §§ J~ e 2B deste artigo. na fase da investigação preparatória da ação penal. Entrevista com o Defensor antes do interrogatório. No Anteprojeto já no Senado permite-se ao investigado. será sempre lembrado e invocado Parece-nos que esse entendimento vai prevalecer porque. Se por um lado há a vantagem de evitar eventual fuga. sem falar ainda nos gastos com o transporte dessas pessoas ao presídio. E. Este ultimo parágrafo alude ao interrogatório por videoconferência. porque o deslocamento do Juiz. como dispõe o § 7. se bem conhecemos nossa terra. entrevistar-se reservadamente com seu Defensor. Ademais. esse § 72. se o reque­ rer. duas ou mais vezes com o seu Defensor. quando se sabe que os Cartórios estão sotopostos a uma avalancha de processos. por medida de segurança.Os gastos do Estado em manter todo o aparato com a locomoção do preso para ser interrogado tenderão a desaparecer. da tapeação. tanto mais quanto. realça mais ainda o princípio cons­ titucional da ampía defesa„ Antes de o Magistrado proceder ao inter­ rogatório. entrevistar~se com o seu Defensor Se a defesa técnica “é exigência insuprimível e constante”. O § 5-. dogma constitucional. como afirmou Alfre­ do de Marsico.

que não admitem possa o corréu atuar como testemunha no mesmo processo. incrimina outro. 95). 2.. v. Non possono essere assunti come testimoni: a) i coimputati dei medesimo reato. T. lambem denominada “chamada de correu”.. uma das bases do processo criminal. p 84).ou “chamamento de cúmplice”.. Lisboa. p.. Camargo Aranha? “Não se trata de testemunho. Como a afirmativa surge no interrogatório. igualmente sem in­ fluência. peça sem influência das partes. pois. 1987. Qual o valor probatório dessa provaanô­ mala. pois como testemunhante somente podem servir aqueles equidistantes das partes e sem interesse na solu­ ção da demanda. O contraditório é. como a italiana e a portuguesa.ocorre quando no interroga­ tório o réu. Da prova no processo penal.. o que não acontece com o delator. de Camargo Aranha. Não guarda seme­ lhança com nenhuma prova nominada. total­ mente irregular.fensor. mesmo porque não passa de um anômalo testemunho. “delação”.” 312 . . Aliás. esta torna-se imprestável.. assim muito bem adjetivada pelo eminente Des. Assim. Imputação de corréu. Assim também o art. Ed„ Verbo. ou na ouvida policial. deixa de existir o contraditório. além de reconhecer sua responsabilidade.. pois o atingido nada pode perguntar ou reperguntar” (Adalberto José Q. atribuindo-lhe participação.” . Melhor seria fosse deixado de lado esse fino traio e se preocu­ passe o legislador em exigir penitenciárias e cadeias com um mínimo de decência. enquanto mantiverem aquela qualidade. Saraiva. Ê uma prova anômala. em termos tais que a prova que não lhe for submetida não vale para formar a convicção. não havendo nos autos qualquer eiemento idôneo a respal­ dai a delação. Curso de processo penal. O facto somente pode ser julgado provado ou não prova­ do após a submissão dos meios de prova ao contraditório em audiência (Germano Marques da Silva. essencial para a valoràção da prova. 133 do CPP português: “Estão impedidos de depor: a) o arguido e os coarguidos no mesmo processo ou em processos conexos.. legislações há. A propósito o art. 197 do CPP italiano: “Incompatibilità con l’ufficio di testimone.. pois viola o princípio do contraditório.

ao mes­ mo tempo. com justa razão.) .) . a pessoa nesse ato chamada à ação delitiva ficaria praticamente condenada. quando isolada (Carmignani. § 555. repelido essa prova anômala. no nosso sistema processual. Embora não haja hierarquia prévia de provas. coerência etc. Por isso mesmo numerosos julgados dos nossos Tribunais têm. Atribuir valor probatório. da prepotência e do desrespeito aos princípios basilares da Constituição. que não pode ser contraditada. 224.). o delatado. é violência inominável. o delatado estaria à mercê do delator Não se cumpre. feita com algum engenho e coberta de aparente verossimilidade. reputando ser prova de menor valor. próprio de épocas recuadas da nossa civilização. pois. diminuindo-lhe a força do convencimento e o valor probatório. Elementos de derecho penal. no interrogatório do corréu. É a entronização do arbítrio. Se suficiente. sem que haja elementos outros a dar-lhe respaldo. de modo que as garantias da defesa não se concretizam Se só pela delação.. não se justifica possa a chamada de corréu servir de lastro a um decreto condenatório. pudesse aflorar a condenação.Reconhecendo o réu. antiga regina probationum. a delação suscita certo cuidado pró­ prio. ele se transmuda em testemunha. vigendo o livre convencimento jurídico motivado. nem se admitindo que o delatado faça perguntas ou reperguntas. Se a própria confissão. São conhecidas as reservas que já antiga doutrina fazia à delação. 1979. precisa. quando imperava o processo inquisitivo. é fazer tabula rasa da Lei Maior. p. imputando a outrem coparticipação. à palavra do delator. Lógicas de las pruebas en material criminal. a sua culpa e. a teor do art. sem que haja qualquer elemento de prova a dar-lhe suporte. colombiana. É que do interrogatório do delator não participa. para ter valor probatório. trad colombiana. ' } ) ^ 9 ) ^ J ) ) ^ ^ ) } j ^ . bastando que o delator articulasse com alguma habilidade a trama (verossimilhança. nesse caso.. 1981. que não pode ser processada por falso testemunho. Malatesta. ajustar-se aos demais elementos de prova. nem o contra­ ditório nem a ampla defesa. trad. para deleite de um sentimento atrabiliário. 197 do CPP. reclamador de que alguma ponderável circunstância ou fonte de informação lhe dê conoboracão. E o que é pior: testemunha que não presta compromisso. no seu interrogatório.. decisiva e irremediável fosse a delação isolada.

Mittermayer. embora seja pacifica a necessida­ de de sua reprodução em juízo. 351-53. e pro­ 314 . p. 4. 1990. nenhuma dúvida se põe quanto às testemunhas. 445. v. Novas tendências de direito processual. E inegável que a palavra de um acusado. Tratado das provas em direito criminal. 504 e s. não temos dúvidas em afirmar que a proibição de reper­ guntas.. Fragoso (Jurispru­ dência criminal. com citações e acórdãos. infringe frontalmente o inc. com relação aos demais. 25-26).. p. ed.. p. 3. trad. v.. ya porque no se puede presumir en el impu­ tado la libertad moral que se presupone en el testigo” (Derecho. n. 1987.. 187 e 189 do CPP estabelecem a proibição de reperguntas pelo defensor ao acusado e ao corréu Deixando de lado o art. 1996. 253 e s. 2. Forense Universitária. n.. III. Ada Pellegrini Grinover adverte que uainda que se quisesse acei­ tar. e 491 es.... incriminando outro. trad. meio de prova. Testemunho e. ressalta a insuficiência da “chamada do corréu" para armar1a conde­ nação. 2. v. trad. 311. ya para evitar fáciles y frecuentes tentativas de venganza.. quando o corréu incrimina o outro.v.).. como elemento probatório. colombiana. 275 e s. acrescenta: “No Brasil. 184 — que não constitui ‘ponto sensível* para a espécie em concreto —. p. como Adalberto José Q. de extorsiones y de chantaje de terceros. 3. tratar-se-ia então de depoimento testemunhai. Anota Manzini: “No seria conveniente por otra parte forzar la lógica jurídica para asignar valor de testimonio a las declaraciones dei imputado en relación al hecho ajeno. 1917. LV. 93) e Ada Pellegrini Grinover (O processo em evolução. p. argentina.. T de Camargo Aranha (Da prova no processo penal. Saraiva. Observações alertadoras fazem Manzini (Derecho procesal penal. mais adiante. cit.. n. p. a palavra do corréu. e 335) e Florian (De las pruebas penales. p. brasileira.. da Constituição Federal de 1988. p. do art 52. 352). 52-53. 276) . Isso observam os autores. com relação ao interrogatório. 405). E.. consequentemente. ya por razones de moralldad. é testemunho.. 1976. necessariamente sujeito a reperguntas da defesa1''' (O processo em evolução.. 1996. problemas surgem com relação à in­ quirição É que os arts. p. p. Toda­ via... 1 9 » .

tem-se afirmado: “Em face do art.926. 696/394). se não se permite a presença de um corréu no interrogatório do réu que o acusa? Como falar-se em estar sendo obedecido o principio.. ainda mais que do in­ terrogatório não participa. inequivo­ camente. em relação lógica. 109. p. de. TACrímSP.510. ‘pois pode muito bem acontecer que um acusado. postos com elas. como poderá o contraditório tomar-se efetivo. pergunta Adauto Suannes. Por isso. Lex. § 16. inidônea. rei. lhes confiram caráter 315 . 1986). tese aprovada por unanimidade no VI Encontro Nacional de Tribunais de Alçada — in Revista dos Tribunais. p. suficiente para exigir pelo menos confirmação de outras fontes de prova. desde que confirmadas por outros ele­ mentos que. Capital. como con­ cretização do princípio constitucional do contraditório” (Rev.Grupo de Câmaras. procure arrastar consigo desafetos ou inimigos seus’ (Magalhães Noronha. §§ 15 e 16. precária. E se uma sentença se fundamenta numa prova dessa ordem. Juiz Silva Franco — RT. 498/335). revela-se. em trabalho específico sobre a matéria... cit. não havendo possibilidade de dar efeitos de solidariedade a tal confissão. u. através de reperguntas. 153.. nem nele intervém. 1. Pellegrini Grinover.São Paulo. contrária à evidência dos autos” (Rev 67. JTACrimSP. 352-53). ‘0 interrogatório judicial e o art. depoimento de réu somente pode ser aceito como prova contrária a corréu se ao defensor do comparsa se assegurou direito de reperguntar. O processo em evolução. p . grandes são os pe­ rigos da indevida incriminação de outras pessoas pelo imputado. Ademais. Bem por isso é que. 289)” (Ada. 572. “As declarações de corréu. em diversos julgados. 153. 118. j.. procurar mostrar que o imputado está mentindo?’ (Adauto Suannes. a pessoa acusada” (RT... “Merece a delação alguma reserva. vendo-se perdido diante de provas contra ele colhidas. da Constituição Federal’.. se ao defensor do corréu imputado não se per­ mite.senão sob o pálio do contraditório. 76/29). Saraiva. em 6-4-1983. ‘Curso de Direito Processual Penal'.. “À exclusiva palavra do coacusado constitui-se numa palavra de­ ficiente. Eqüivale a prova ‘nenhuma’. da Constituição Federal.va alguma pode ser colhida . ‘Assegurando a Constituição Federal ampla defesa (da qual não se pode excluir o princípio do contraditório). Não pode o corréu confessar pelo outro.

escoteira nos autos. não pode ser tida como prova bastante paia alicerçar sentença condenatória” (Rev Crim. “No processo criminal a imputação de corréu só tem valia proba­ tória quando é confirmada por outros elementos de convicção.de certeza. deve observar o princípio constitucional do contraditório” (Ap. 710/309 “(. 282„8711TACrimSP. nem seu de­ fensor. sequer. TACrimSP. ver assegurado o seu direito de formulai reperguntas aos conéus. porque acolhe-se como elemento de convicção um dado probante sobre o qual o impu­ tado não teve a mínima oportunidade ou possibilidade de participar. 102. não podem deixar de ser acolhidas como prova suficiente para autorizai a condenação” (Rev. 706/328. RT. designativo de sua culpa. 96). Crim.) Possibilidade jurídica e de um dos litisconsortes penais pas­ sivos. para enredar a outrem. TACrimSP.827.544. invocando a garantia do due process of law. A adoção dessa declaração isolada do corréu.. No mesmo sentido. consagrado no art. “Se as declarações dos réus não bastam.. para suporte de um veredictum condenatório. formando um todo coerente e encadeado. 52. influir ou reagir” (RT. porque seria instituir~se a insegurança no julgamento criminal. 251. “A incriminação feita pelo corréu. reL Juiz Márcio Bártoli). muito menos servirão.516. Da prova no processo penal. imputando-lhe a prática de infração que repelem1’ (Ap. ibidem). 19. com possibilidade de erros judiciá­ rios” (RT. Não se pode reconhecer como prova plena a imputação isolada de corréu. “Não se pode aceitar como prova a imputação feita por corréu em juízo se o imputado não estava presente neste momento. TACrimSP. para valer como prova. “Imputação feita por corréu. para autoacusarem-se. quando do respectivo in316 . ibidem). c it. p. constitui profunda ofensa ao princípio constitucional do con­ traditório. da Carta Magna. ibidem). 103 . É preciso que ela venha acompa­ nhada de outros elementos de informação processual produzidos no curso da instrução judiciai contraditória. ibidem). a quem se deve assegurar o direito de reperguntar” (Ap. “Não basta a mera e simples delação de um corréu para se afirmar a culpabilidade de outro coacusado. LV. como base e fundamento de pronunciamento conde­ natório. 410/316) . por si só. TACrimSP. TACrimSP..663. apud Camargo Aranha.

o Juiz. resultante da arbitrária recusa em lhe permitir a formulação de reperguntas. 7. qual a pena imposta e se a cumpriu. 5a. não estão obrigados a respondê-las. porquanto. em seguida. 2a x / v . passará ao interrogátório de mérito. 188. incisos LIV e LV) — de formular reperguntas aos demais corréus. por estar presente à audiên­ cia — . o Juiz deverá dar ciência ao imputado da acusação que pesa sobre ele (a menos que ele esteja presente à audiência e todas as testemunhas já tenham sido ouvidas. meio de vida ou profissão. e. notadamente se foi preso ou processado alguma vez e. o direito — fundado em cláusulas constitucionais (CF.. de que também são titulares. supre deficiências das qualificações indiretas. em caso afirmativo. > ) -.terrogatório judicial. sendo sigiloso o inquérito. que o im- ) ) / 1 > > . É de ponderai. qual o juízo dò processo. por implicar grave transgressão ao estatuto constitucional do direito de defesa. art. interrogatório objetivo. como previsto no art. em face da prerrogativa contra a autoincriminação. O-desres­ peito a essa franquia individual do réu. Assiste. a cada um dos litisconsortes penais pas­ sivos. o interrogatório de identificação. Dando início a essa segunda parte. interrogá-lo-á sobre as provas contra ele apuradas (parece à primeira vista que essa indagação é descabida.Precedentes do STF” (HC 94. entretanto. com sua nova redação. Depois de cientificado — ou já ciente da acusação. O chamado interrogatório de identificaçao é aquele por meio do qual o Juiz colheinformações sobre a residência. lugar' oride o impu­ tado exerce a sua atividade. qualifica-se como causa geradora de nuiidade processual absoluta. 11-9-2009). se houve suspensão condicional ou condenação. 400 do CPP). o imputado não poderá conhecer as provas contra ele produzidas) . vida pregressa. Doutrina.*■ "i O interrogatório será constituído de duas partes. Min. como o chamam os autores italianos.E como soa o art. muitas vezes. u. Terminado o interrogatório de identificação. a que se refere o art. o Juiz lhe perguntará onde estava ao tempo em que foi come­ tida a infração e se teve noticia desta. tais qua­ lificações são necessárias para o preenchimento do boletim individual a ser remetido ao Instituto de Identificação e Estatística. 809 do CPP. que. oportunidades sociais. além disso. Por outro lado. e outros dados familiares e sociais. DJe.601/CE. 1 ) ) ^ 1 ) ) ) x [ 1 . Rei. no entanto.. Conteúdo ) ) ) ) . ou. Celso de Mello.

sendo as respostas ditadas ao escrivão. Não sendo verdadeira a imputação. e desde quando. no caso afirmativo. sobre os motivos e circunstâncias da ação e se outras pessoas concorreram para a infração. Oralidade O interrogatório é feito oralmente. deverá o Juiz adverti-lo das sanções de que trata o art. será lido e rubricado pelo escrivão em todas as suas folhas e assinado pelo Juiz. pelo acusado e pelo Promo­ 318 . segundo prescreve o art. Ao concluir o ato. se conhece a pessoa ou pes­ soas a quem deve ser imputada a prática do crime. òu qualquer dos obje­ tos que com esta se relacionem e tenham sido apreendidos. e depois dessa cientificação é que aquele passará a ouvi-lo sobre as provas contra ele aparadas. será notificado para dar a sua resposta. bem como sobre sua vida pregressa. O Juiz formula a pergunta e o acusado responde. se verda­ deira a imputação que lhe é feita. se conhece o instrumento com que foi praticada a infração. qual a pena imposta e se a cumpriu. no início do interrogatório de mérito. notadamente se foi preso ou processado alguma vez. depois de oferecida a denúncia. Corréus Havendo dois ou mais imputados em um só processo e coincidin­ do a realização de seus interrogatórios no mesmo dia. quando então será inteirado de todas as provas. sobre todos os demais fatos e pormenores que conduzam à elucidação dos antecedentes e circunstâncias da infra­ ção. e. 369 do CPP 8.. Além disso. se tem o que alegar contra elas. e quais são. cumpre ao Juiz cientificar ao interrogado da acusação que se lhe faz. Sendo verdadeira a imputação. também. Perguntará se conhece a vítima e as testemunhas inquiridas e por inquirir. e se com elas esteve antes da prática dã infração ou depois dela. 9. de modo que um não ouça o que o outro diz..putado. que as con­ signará no respectivo auto. 190 do CPP. qual o juízo do proces­ so. Perguntará. e quais foram. Concluído o interrogatório. o Juiz perguntar-lhe-á se tem algum motivo particular a que atribuí-la. será especialmente perguntado. cada um deles será interrogado separadamente..

Mais que isso. Confissão Que se entende por confissão? É o reconhecimento feito pelo imputado da sua própria responsabilidade.792. 10.. inclusive. e este. surdo-mudo. em se tratando de imputado surdo. e por escrito dará ele suas respostas. todos do CPR Nem sempre o interrogatório é realizado oralmente. A exigência da presença do Curador ao réu menor de 21 e maior de 18. 195. é obrigatória. mudo. intervirá no ato. e as respostas dadas por escrito. as perguntas serão formuladas por escrito. como intérprete e sob compro­ misso. o interrogado mudo.. e ele as responderá oralmente. perdeu sua razão de ser não só em virtude de o novo CC haver estabelecido o fim da menoridade aos 18 anos. quando o acusado não falar a língua nacional. as perguntas serão apresentadas por escrito. 10 da Lei n. 62. § 3-. proceder-se-á de maneira inversa: as perguntas serão formuladas oralmente.tor e Defensor. bastando se consigne tal fato no termo de inter­ rogatório. expressamente revogou o disposto no art. porque o art. Se mudo for o imputado. porventura. o interrogatório será feito por intérprete. Se se tratar de surdo-mudo. A resposta dada será transmitida ao Juiz pelo intérprete. 194 do CPP. Tratando-se de interrogatório levado a cabo pela Autoridade Policial. não puder ou não quiser assinar. reclamada pelo art. 194. Acusado menor Já vimos que a presença do Defensor ao ato do interrogatório é necessária. surdo ou surdo-mudo não souber ler ou escrever. De qualquer sorte. 11.. Se. ao acusado. Assim é que. 319 . segundo prescreve o parágrafo único do art. não haverá necessidade de que alguém assine a rogo. 10. V. O Juiz formulará a pergunta ao intérprete. 192. Tratando-se de interrogatório de surdo. de l2-12-2003. se estiverem presentes Se o imputado não souber es­ crever. como. e 304. proceder-se-á de acor­ do com as regras estabelecidas no art. pessoa habilitada a entendê-lo. tudo se passa diferentemente Haja vista as prescrições dos arts.

que a confissão. Todavia todos aqueles que se dedicaram e se dedicam ao estudo das provas no campo do Processo Penal salientam que. se o imputado confessou a prática da infração. prima facie. não mais haver necessidade de se re­ correr a outros elementos de prova. como desafogo da consciência atormentada pelo remorso. porque ninguém melhor do que o autor da infração pode saber se é ou não culpado da imputação que se lhe faz. Tão importante era ela que se torturava o pretenso culpa­ do para arrancar-lhe o reconhecimento de sua culpabilidade. o que levava o indivíduo. fê-lo. mas não tenha coragem para a autoexecução Confessa. dentro em breve. Considerada como regina probationum.. 12. Manzini faz referência. porque ninguém melhor do que o acusado pode saber se é ou não culpado. Veremos. a confissão repre­ sentará e traduzir á a expressão cínica de um delinqüente sem sentido moral. não é de estranhar a fala de Ulpiano. E. parecerá. em princípio tal reconhe­ cimento de culpa deve ser tido como verdadeiro. É certo que. circunstâncias várias podem levar um indivíduo a reconhecer-se culpado de uma infração que realmente não praticou. particularmente. às vezes. Pode ocorrer que um indivíduo queira liquidar a vida. haver praticado determinado crime de autoria incerta. Houve tempo em que a confissão era considerada a rainha das provas.. a despeito da sua importância. pois. se confessa haver praticado a infração. se um indivíduo confessa haver praticado uma infração penal. Um doente mental pode deciarar-se culpado de uma infração que não cometeu. o desejo de encontrar a morte em mãos do verdugo. não é prova tão absoluta de molde a dispensar outras in­ vestigações . com isso. Podemos citar’ algumas: Ia) Nos países que admitem a pena de morte. mesmo inocente. ou. ao 320 . muitas vezes.Se reconhece sua culpabilidade. ser condenado à morte. a tortura era pior que a pena cominada à infração. muitas vezes. no sentido de que “os que confessam em juízo devem ser tidos como julgados” (“In jurí confessi pro judicatis habetür”). Nem é de se estranhar houvesse o grande Farinácio atribuído à confissão a força de coisa julgada. desejando. 2a) Enfer­ midade mental. então. Força probatória da confissão A experiência tem demonstrado que à confissão não se pode nem se deve atribuir absoluto valor probatório. como diz Alcalá-Zamora. a confessar sua pretensa culpa.

Alguns anos depois. 3a) Razões de lucro podem. Acrescentou. Foi condenado à morte. Ouvido a respeito. a filha de Bratuscha retornou à sua cidade.. Entretanto. Por ai se vê que a confissão.. tinha uma filha. Assim. em outro lugar próximo. ainda. sabendo disso.. Suspeitou-se houvesse sido assassi­ nada pelo próprio pai . também. houve outro crime apenado mais brandamen­ te e de autoria ignorada. e para a sua apreciação o Juiz deverá confrontá-la com as demais provas do proces­ so. devendo o Juiz confrontar a confissão com as demais provas. pode oferecer vantagem pecu­ niária a um terceiro. entretanto. fugir à responsabilidade do deüto mais grave. 6a) A intenção de dar tempo ao verdadeiro culpado de fugir. de onde fugira em companhia do amante. tendo sido. sem embargo de ser excelente e va­ lioso meio de prova. 197. o amor fraternal. 7a) Para ocultar delitos mais graves.caso de Bratuscha. assim. no art. Há. e. pois. Bratuscha foi absolvido e internado em um manicômio. confessa haver praticado o crime por aquele perper trado. para não inci­ dir' no erro de aceitar como verdadeira uma autoacusção falsa.. verificando se entre ela e estas existe compatibilidade ou concor­ dância. um pai. para não ver o filhò nas grades da cadeia. que assim procedera influenciado pela lei­ tura de uma novela que narrava fato semelhante. paternal. por exemplo. 4a) Outras vezes é o espírito de sacrifício. B. interesse publico em jogo. certo dia. iugoslavo. que B haja praticado um homicídio em determinado lugar. poderá atribuir a si a práti­ ca desse outro delito. procurando. Suponha-se. 5a) O fanatismo.. Há suspeita contra ele. Por isso mesmo dispõe o CPP. a mocinha desapareceu. assando-os no forno. que conduz o indivíduo a atribuir a si a autoria de um crime que não praticou. naquele mesmo dia e à mesma hora. . e. 83) O desejo de se livrar de interrogatórios atormen­ tadores. Feita a revisão do processo. 9a) O desejo de encontrar abrigo e alimento por conta do Es­ tado etc. Francisco Bratuscha. levar um indivíduo a fazer uma autoacusção falsa. Bratuscha confessou que a houvera reduzido a pedaços. convertida tal pena em prisão perpétua. Nem poderia ser de outra forma. que o valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para os outros elementos de prova. em seguida» co­ mido.. Um indi­ víduo. para não ser recolhido à prisão. tião tem força probatória absoluta. para que este confesse haver praticado a infração imputada ao primeiro. pesquisando possível compatibilidade ou concordância. O Estado não quer que um ino­ cente pague pelo verdadeiro culpado.

por exemplo. por reconhecer este. não se deve deslembrar que. Assim. não tem o Juiz de indagar se a confissão é ou não verdadeira. também. indagar dos motivos e das circunstâncias em que ocorreu o fato. embora reconhecendo ser o autor da infração. seja por meio de processos que devassam o íntimo psíquico dos réus. A confissão poderá. muitas vezes. eqüivale a prova indiciária de alto valor. quando feita em juízo Extrajudicial. os “lie-detectors” etc.. Judicial. às claras. O princípio de que confessus pro convicto habetursó pode vigorar no Processo Civil. nos termos do art 190 do CPP. 322 . se negada em juízo. não tem o Juiz de indagar se tal confissão é verdadeira ou não. essa confissão será extrajudicial. seja por meio de coações. como diz Fenech. espontaneamente. as qualidades psíquicas do imputado. Por outro lado.Além disso. Divisão A confissão pode ser explicita ou implícita. não se pode emprestar à confissão um valor probatório absoluto. Nessa hipótese. com os irmãos Naves em 1937.. deverá ainda o Magistrado. perante a Autoridade Policial. ser simples ou qualificada. Para que tenha o valor que se lhe atribui. haverá necessidade de ser renovada em juízo. Se Felisbino propõe uma ação contra Sicrano. os motivos da confissão etc. como a narcoanálise (“serum truth”). confessada a autoria. interesses disponíveis. No campo cível. qualquer fato ou circunstância que exclua o crime ou o isente de pena. em que normalmente há em jogo interesses pri­ vados. 13. e se o réu confessa a dívida. quando o pretenso autor da infração procura res­ sarcir o ofendido dos prejuízos causados pela infração. cobrando-lhe a importância de 5 mil reais. terá. Por todas essas razões. alguém confessa haver praticado determinada infração. Simples. as con­ fissões são conseguidas criminosamente. o valor de indício. quando o confitente se limita a atribuir a si a prática da infração penal. o princípio de disposição das paites sobre o conteúdo material do processo. Implícita. se. alega. também. como aconteceu.. quando. e. Qualificada. Deverá apreciar o animus confitendi. tão somente. ser o autor da infração. quando não realizada perante o Juiz. se é livre ou não. Distingue-se ainda a confissão em judicial e extrajudicial. o psicogalvanômetro. Diz-se explícita quando o confitente reconhece.

a confissão por intermédio de mandatário com poderes especiais. e as provas. isso não é possível.y 1948. Configuram tais expedientes o crime de constrangimen­ to ilegal. a fim de tomá-la por termo nos autos.. uma confissão feita sob a ação hipnótica. 146 do CP. pelo Juiz. como confissão Cumprirá. 195 do CPP. 645). No Processo Civil. 323 . todas as vezes que ocor­ resse extrajudicial mente. contra a sua vontade. do CPC No Processo Penal. nesses casos. como também porque há em jogo interesse público e. 196. pois. são ilícitas. ao Juiz notificar o réu. Espontaneidade A confissão deve ser espontânea. p. o art. Tão cauteloso foi o legislador em matéria de confissão que deter­ minou fosse ela tomada por termo. 14. não haverá a mínima garantia dé veracidade. de excitantes. Entende Tornaghi que. observando-se o disposto no art. no campo penal. nesse caso. a respeito dessa confissão extraju­ dicial. Data venia. então. por si só. conforme disciplina o art. sendo mais aconselhável que o Juiz o reinterrogue. Pen. confessar por intermédio de procurador. indisponível. 199 é inútil. muito mais simples que um interrogatório será reduzir a termo a con­ fissão. conforme prescreve o art~ 199 do mesmo estatuto. pois. assim se pronunciou nos idos de 1948: “carece de motivação a sentença que atribui valor probatório à confissão extrajudicial. do contrário. previsto no art. esses meios são contrários à lei. parágrafo único. até. uma vez que.. não só porque a confissão. assim colhidas. Não é possível. De nada valerá.. por mais extensos e especiais que sejam os poderes a ele conferidos. é ura ato processual persona­ líssimo. pelo menos entre nós. admite-se. 349. por isso mesmo. limitar-se-á o Juiz a tomá-la por termo. por devassarem ou pretenderem devassar a intimidade psíquica do suposto culpado.A Corte de Cassação italiana. Pode acontecer que o Advogado ou qualquer pessoa interessada faça chegar às mãos do Juiz uma declaração assinada pelo imputado reconhecendo sua responsabilidade. não pensamos assim Tratando-se de confissão ocorrida fora do interrogatório. ou de engenhos como o lie-detector. Assim. tal docu­ mento não valerá.. Nesse caso. de drogas que produzem estupefação. sem demonstrar o requisito de sua certeza” (Riv. conforme prescreve o art.

. é relativo. é natural que. Logo. entretanto. rechaçando o restante. alega que o perpetrou em legitima defesa. ao mesmo tempo. Por outro lado. a fim de constatar se a retratação é ou não sincera. reco­ nhecido sua responsabilidade. E não poderia sei de maneira diferente. se a confissão encon­ tra eco nas demais provas. por lhe não parecer sincero. só atribuirá valor à alegada justificação se sua palavra for fortalecida por outros elementos de prova* Se não o for. Se o imputado confessa haver praticado um homicídio. desdizer-se. se outros elementos existentes nos autos realçaram a veracidade da palavra do confitente. O Juiz poderá aceitar. perceba e sinta tratar-se de uma reve­ lação espontânea e livre* 15. por sincera. o Juiz aceitará a confissão.É preciso que o Juiz saiba. Dependendo do conjunto das provas. Divisibilidade Também é divisível a confissão. 200 do CPR Na verdade. é evidente que o Juiz somente poderá aceitar a confissão em parte. fundado no exame das provas em conjunto. e. Por isso mesmo. no processo. O Juiz tem absoluta liberdade de pôr em confronto a retratação com os demais elementos de prova carreados paia os autos. a retratação. Retratabilldade A confissão é retratáveL Mesmo tendo confessado. 324 . a confissão apenas representa. por si só. Assim. o princípio da indivisibilidade da confissão não tem aplicação uo campo penal. não podendo o Juiz dedicar-lhe qualquer consideração* 16. sem preju­ ízo do livre convencimento do Juiz. poderá o confitente xetratar-se. como sincera. voltar atrás. um elemento a mais para o livre convencimento do Juiz. uma parte da confissão e despre­ zar a outra. 200 do CPP que a confissão será divisível e retratável. insuladamente. no sentido de ter sido ele o autor do homi­ cídio. a retratação poderá ou não infirmar a força probatória da confissão. O valor da retratação. será irrelevante. estatui o art. Di-lo o art. isto é.

} ) ) > ) •J J 325 .. regra semelhante àquela estabelecida no § 2a do art 343 do CPC. § 22. Ainda que o imputado deixe de responder às perguntas do Juiz. o Defensor que o Juiz lhe nomear (art. ^ ) V ( .) ) . do CPC). b) quando o réu se recusa a prestar depoimento (art 343.. no Processo Penal moderno. No Processo Civil. usando de todos os meios de prova. nos casos de fuga. como ocorria antigamente. ou silêncio durante o interrogatório. consoante dispõe o art.\ y 17. aplícava-se-lhe a pena de confesso. entretanto. 261) poderá demonstrar sua inocência. além disso. seu silêncio não importará em confissão. Antigamente. incompatíveis com o sistema do livre convencimento e com o princípio da verdade real. Esta ocorre em duas hipóteses: a) no caso de revelia. Tais presunções. 319 do CPC. a confissão pode ser expressa ou tácita. Mesmo que o imputado deixe o processo correr à revelia. nem por isso os fatos contra ele alegados serão tidos como verdadeiros. revelia. não puderam nem podem subsistir. C onfissão ficta •> A confissão ficta ou presumida não tem amparo na iei processual penal. ) ) ) ) ) ^ ) ) ) ) ■ . Não há. e.

capítulo 42 Ofendido e Testemunhas SUMÁRIO: 1 Conceito de ofendido ou vítima 2. 10 Oraíidade 11. Exceções ao dever de comparecer. De­ poimento: verificação de identidade. 25 Número de testemunhas 26.. integridade essa ofendida pelo sujeito advo do crime. Ou. 13. Subdeveres. Ausência de compromisso ... advertência e objeto concreto do depoimento. Valor probatório da palavra do ofendido.. 28.. 20. 17-. Conceito de teste­ munha. 23. Oportunidade para arrolar testemunhas. O ofendido presta compromisso? 4. 16. 15. é o dtuiar do direito lesado ou posto em perigo pelo crime Em suma: é quem sofre a ação violatória da norma penal. Valor probató­ rio 8 Classificação 9 Caracteres do testemunho. como diz Basileu Garcia. Sanções. Ofendido e testemunhas. 27. 12. Contradita. 22. 19.. B 327 . Providências que se tomam quando a testemunha depõe falsamente. 5. Objetividade... Capacidade. Exceções ao dever de depor. 29 Arguição de defeito. Contradita e arguição de defeito. Retrospectividade. 14 Dever de depor. 21. 24. T. Sanções. Comparecimento. Importância do compromisso.. titular do direito à integridade física. 3... 6 Fundamento da prova testemunhai.. Se B fere C. 1. este é o sujeito passivo. verificação de possível vincuiação com as partes. Conceito de ofendido ou vítima Ofendido ou vítima é o sujeito passivo da infração.. 18. Dever de prestar compromisso. no caso.

por conseguinte.. ela não se está referindo ao Estado. Mas. mas. àquele que sofre a lesão. honra. esta­ rá. atendendo ao interesse publicistico da repressão às infiações penais. aquele que foi objeto material do crime. de imediato.. bem jurídico que a lei penal protege. Ouçamos Tornaghi. pois B estava-lhe devendo. integridade física. o crime definido no art. a qualidade de ofendido* Assim.. os efeitos da ação violatória da norma. 328 . quando a lei fala em ofendido. ou.. Há certas infrações penais cujo sujeito passivo é mesmo o Estado. E tanto é exato que. arL 345). 444). 345 do CP tem como sujeito pas­ sivo o próprio Estado De fato Só o Estado é que pode exercer o Poder Jurisdicional.. Sua pretensão era legítima. Se Tício passa a Caio moeda falsa. o ofendido pode­ rá fazê-lo (CPP. nesse caso (CP. Ofendido. pois então não teria sentido. foi o particular. cit. sujeito passivo do crime é o Estado. também. praticando um crime contra a Administração da Justiça. também. o indivíduo que foi objeto material do crime. evidentemente. o crime é de ação privada. que. 29). há quem diga que em toda e qualquer infração penal o único sujeito passivo é o Estado... quando a lei diz. como diz Maggiore. nesse caso. 4. como sujeito passivo a pessoa que sofreu o efeito da ação delituosa. O Estado. Se o particular arrogar-se o direito de fazer justiça com as próprias mãos. sem recorrer ao Estado-Juiz. De fato Toda infração penal constitui um atentado à ordem jurídica e. p. embora legítima a pretensão. quer referir-se àquele que diretamente sofre a ação violatória da norma. e a única maneira de garantir seu crédito era impedir-lhe a saída dos móveis Pois bem: nessa hipótese. por exemplo. art. o verdadeiro sujeito passivo é o Estado.Por outro lado. entretanto. a ele se reserva. o colono que estava devendo à fazenda quis retirar-se para outra propriedade. Entretanto considera-se ai. ao Estado.)„ . Mas. propriedade etc.. Exemplo: B é colono da fazenda de X Certo dia. o titular do direito ou do bem jurídico injuriado (vida. como o particular sofre.. se o Minis­ tério Público não mover a ação penal por esse crime. titular da fé publica. Instituições. é o verdadeiro sujeito passivo. X im­ pediu a saída de sua mudança. v. mas sim ao particular cujo patrimônio foi desfalca­ do (cf.

uma vez que ofendido não é testemunha. Ofendido e testemunhas. segundo a regra do art . 330 do CP. Assim. p 441). Sanções ' O legislador. à designação de data para audiência e à sentença e respectivos acórdãos que a mantenham ou modifiquem” Essas co- ) ^ ■ 329 ^ ) ) ) N ) ) ) ) ) ) ) ) ^ ■ * 1 > . Assim. segundo a regr a do § Ia do art. observa Hungria: “se pela desobe­ diência de tal ou qual ordem oficial. evidenciando.2. no máximo. 201 fala. Se. nada obsta possam* também. Rio de Janeiro. 201 do CPP. 201 alguns parágrafos. o ofendido deixar de atender ao chamamento. v. IX. Código. Somente o Juiz poderá mandar conduzir à sua presença o ofendido desobediente? Cremos que não. sabiamente. cit. porventura. sem motivo justo. assim. também. ed... não se deverá reconhecer o crime em exame.. quando as partes arrolarem o número májümo de testemunhas. não se lhe pode impor. mesmo porque o § l~ do art. Guilherme Nucci. Preferiu tratar da matéria fora do capítulo destinado às testemunhas. genericamente. Poderá também processá-lo por desobediência? Comentando o art. na parte concernente às provas. dedicou um capítulo ao ofendido. ex. uma vez que o CPP impôs a medida administrativa de condução coercitiva ao ofendido que não atende ao chamado judicial. além dessas 8 testemunhas. 417). poderá a autoridade mandar conduzi-lo à sua presença. dando ao ofendido maior atenção. Pois bem. O legislador de 2008 agregou ao art. p... alguma lei comina determinada penalidade administrativa ou civil. 5.. a lei foi ciara.. cada uma das partes (Acusação e Defesa) poderá arrolar. um pro­ cesso pelo crime de desobediência. quer pela Autoridade Policial. Por primeiro.. não exorbitará o núme­ ro legal a parte que. Tratando-se de testemunha. também. 1958. arrolar. 330” (Comentários ao Código Penal.. Forense. não ter considerado o ofendido como testemunha. E. o ou os ofendidos. arrolar ofendidos. 8 testemunhas. no procedimento comum ordinário. por não o ter considerado como tal. como seconstata pelos arts. 401 do CPP.. em “autoridade”. p. sob a rubrica “Das Perguntas ao Ofendido”. salvo se a dita lei ressalvar expressamente a cumulativa aplicação do art. segue-se que. concedeu-lhe o direito de ser “comunicado dos atos processuais relativos ao ingresso e à saída do acusado da prisão. 218 e 219 do CPP (nesse sentido. donde se conclui que tal providência podeTá ser tomada quer pelo Juiz.

Dependendo do crime. em primeira mão. Pode até fazê-lo na audiência. vida privada. já em fase de elaboração. deverá o Juiz. do CPP Mas.. Mas.. estabe­ lecer sanções severas aos jornalistas que não preservam a imagem do acusado ou vítim a. uma vez que o ofendido receberá informações sobre todo o desenrolar do processo. quando habilitado como assistente. quando os autos dali saírem. honra e imagem do ofendido. deter­ minar se reserve espaço para que o ofendido possa assistir a todos os atos processuais. determinar o segredo de justiça em rela­ ção aos dados... na hipótese do art: 598 . como a grande maioria dos criminosos é gente pobre. O § 62 do art. de que não mais se poderá dizer que ele disporá do prazo de 15 dias para apelar. § l2. essas disposições ficarão em pé de igualdade com a Lei de Execução Penal.. não havendo verba em juízo para atender às medidas pre­ vistas no § 52 do art. Mesmo na audiência. salvo se o ofensor for pessoa de posse. depoimentos e outras informações constantes dos autos a seu respeito para evitar sua exposição aos meios de comunicação” .. podendo. encaminhar o ofendido para atendimento multidisciplinar. deve o Juiz.não passarão de mera “demagogice”.. antes de dar-lhe início. se mesmo nas investigações mais sigilosas. A nós nos parece que essas providências ficarão apenas registradas no texto legal. inclusive. como que por arte mági­ ca. 201.. o uso de meio eletrônico. de assistência jurídica e de saúde. se este não puder. se ele o preferir. e. à custa do Estado. o Brasil inteiro fica sabendo. De fato.. Quantas dezenas de infelizes não entram e saem do Fórum alge­ 330 .Entre nós. a expensas do ofensor ou. especialmente nas áreas psicossocial. a menos que se trate de um pobre diabo. inclusive. antes de mais nada deverá a nova Lei de Imprensa.municações deverão ser dirigidas ao endereço por eie indicado. a imprensa televisi­ va já relata o que está acontecendo. se assim o entendei. tal como previsto também no art. 792. 201 dispõe: uO Juiz tomará as providências neces­ sárias à preservação da intimidade.. Se a razão desse prazo maior decorria da circunstância de o ofen­ dido ficar alheio ao que se passava nos autos.. facul­ tado. não haverá obstáculo aos repórteres para divulgar.. Tem-se a impressão. agora não have­ rá mais razão para esse tratamento desigual.alguns chegam a despender numerário para obter um “furo de reportagem”. seu prazo era o mesmo conferido às partes. os fatos que a Justiça deve preservar. Para que essas providências sejam levadas a efeito. envolvendo “coisas” de suma gravidade.

.690/2008.. Acentuando as diferenças entre o ofendido e a testemunha. a ofendida.. só poderá ser a testemunha. assistem às audiências algemados. a lei é expres­ sa: art. é até mesmo aconselhável a aplicação do art.. agiu o Juiz. por analogia. finalmente. deve ser ouvido sempre que pos­ sível. 3. O ofendido presta compromisso? É de observar que o ofendido chamado a fazer declarações nem presta compromisso nem está obrigado a dizer a verdade. E nesse caso não há lei que possa conter o desvario desses homens sem alma. 342 do CP. ou o tra­ dutor. 203 do CPP só é aplicável às testemunhas. como se infere da leitura do texto. legem habemus: a Lei n. no instante em que seus olhares se encontraram. independentemente da iniciativa das partes. se se tratar de pessoa de nível social respeitável. e os jornais têm sua edição esgotada. não conseguiu dizer mais nada. 217. em certos casos. com a redação data pela Lei n. não passou despercebida ao atilado espirito de Tornaghi esta circunstância: o ofendido não precisa ser arrolado. a propagação do seu infortúnio fica na depen­ dência do seu nível social. 342 do CP. e. não pode o ofendido ser sujeito ativo do crime previsto no art. aplicando. Hoje. e. Já tivemos oportunidade de assistir a uma instrução criminal em que o acusado-sedutor olhava para a ofendida de tal maneira que. Quanto às vítimas. À regra prevista no art. dando nova redação ao art.. ainda des­ lumbrada com o olhar í4de cabra mona”. tipo Charles Boyer dos anos 40. ou o perito.mados. incluiu o ofendido. entretanto. e ninguém fica sabendo o nome daquele que sofreu tamanho tratamento humilhante e degradante? Mas. 1L690/2008. 331 . É de ponderar. De fato. Com acerto. Sujeito ativo do delito previsto no art. 11.. sem oferecer a menor resistência. 217. cremos.. o intérprete. 217 do CPP.. ainda que ghândica. o dis­ posto no art. Nunca o ofendido. 217 do CPP. por outro lado.. A íntima grosseria desses pequeninos divulgadores de infâmias é exposta aos quatro ven­ tos. Hoje. determinando a retirada do réu a fim de que a ofendida falasse livremente. na hora exata em que as algemas são postas em seus pulsos surge um verdadeiro delírio entre os teles­ pectadores. 225 e 220 do CPP. serem perfeitamente aplicáveis ao ofen­ dido as regras contidas nos arts. ou..

218 do CPP (cf. a outra conclusão não se poderá chegar.. De fato... Deve o Juiz procurar ouvi-lo. nem pode ser sujeito ativo do crime de falso testemunho.. por exemplo. obviamente não há de querer emudecer. nenhuma dúvida. inclusive. Que o ofen­ dido não é testemunha. Entretanto não se pode infe­ rir dessa circunstância estejam as partes impossibilitadas de fázer-lhe reperguntas. se as partes não pudessem formular-lhe perguntas. pode permanecer calado (sendo imune a qualquer sanção penal). Pouco importa tenham ou não as partes arrolado o ofendido. é claro. 332 . ante as perguntas que lhe forem feitas. Assim. tê-lo-ia feito. a prova de maior valia.. e. Nele não incide o princípio do contraditório. quem seja ou presuma ser o seu autor. obviamente se faz referência à circunstância de a pessoa não ser obrigada a responder às perguntas formuladas pela autoridade. 201 do CPP cria para o Juiz o dever jurídico de ouvir o ofendido. Mutatis mutandis é o que ocorre com o réu. por isso mesmo. inclusive. ousamos dissentir do venerando aresto. como o ofendido. que as pergun­ tas ao ofendido constituem um ato informal e praticado pelo Juiz ad clarificandum. tomando­ -se por termo as suas declarações”. Se se encontrar em lugar incerto. não vemos enormidade jurídica em dizer que ele goza do direito de permanecer caiado Evidente que se ele tiver interesse em responder às perguntas. ficariam cerceadas nos seus direitos. o ofendido será qualificado e per­ guntado sobre as circunstâncias da infração. As vezes.. Certo que o ofendido não presta compromisso.. não se lhe aplica a regra constante do art. e nem por isso estão as partes proibidas de fazer-lhes reperguntas. RTJ. ante a sua clareza: “Sempre que possível. as provas que possa indicar. verdadeiramente. as partes não intervém no seu procedimento» Se o ofendido não é tes­ temunha — tanto que não presta compromisso —. se possível. Este fica à vontade para responder ou não responder às perguntas da autoridade. e. Cumpre observar que o STF já entendeu. Também as pessoas referidas no art. Data vertia..O art. por isso. Se o le­ gislador quisesse impedir as reperguntas. a impossibilidade é manifesta. 83/938). 208 do CPP não prestam compromisso. Tem. a palavra do ofendido é.. à maneira como procedeu ao traçar normas quanto ao interrogatório do réu. direito ao silêncio Quando se fala em “direito ao silêncio”.

Suas palavras.. Sendo assim. El testigo tendrá el mismo derecho cuando.. nesse caso. sus parentes coláterales hasta el segundo grado de consanguinidad o afinidad. 4. suficientemente. É de ponderar. Valor probatório da palavra do ofendido Acusado e ofendido são os sujeitos da relação jurídico-materiaL Situam-se em polos diferentes» Um pratica a ação delituosa. entretanto. responde pelo falso testemunho. por si sós. em geral. parecerá que suas declarações devem ser aceitas sem reservas. e se esta é contraditória. é quem pode esclarecer. 201..tudo depeudendo do seu exclusivo interesse. O mesmo se dá com o ofendido . 260). aplicável por analogia. pois ninguém melhor que a vítima para esclarecer o ocorrido. por su declaración. lá vimos.. É claro que ele deve ser chamado a juízo. sob pena de de­ sobediência. as cautelas que devem ser tomadas quanto à palavra do acusado. su adoptante o adoptado)”. não se concebe estejam as partes im­ possibilitadas de fazer-lhe reperguntas. 406 do CPC. suas decla­ rações devem ser aceitas com reservas. le­ . ambos procuram narrar os fatos a sua maneira. pudiere incriminar a alguno de Ios parientes mencionados en el artículo 302.. estará apta a prestar os necessários esclarecimentos à Justiça. por isso mesmo. qual seria o valor probatório de suas palavras? Pri­ ma facie. sus ascendientes o descendientes. E quanto à palavra do ofendido? A vítima do crime. outro sofre essa mesma ação. Se calar. dados os interesses em jogo. respuesta pudiere acarretarle peligro de persecución penal por un delito. 305 do Código Procesal Penal do Chile: “Principio de no automcriminación. Ademais. é diferente. como e de que forma teria ele ocorrido . a defesa não seria ampla. que aquele que foi objeto material do crime. O mesmo se dá com o réu (art. Todo testigo tendrá el derecho de negarse a responder aquellas preguntas cuya. salvo se houvesse expressa proibição. a menos que a resposta possa acarretar-lhe grave dano. Já em se tratando de testemunha. Grosso modo. nos termos do § l fl do art. por isso mesmo. Foi ela quem sofreu a ação delituosa e. No mesmo sentido o art . como acentua o art. su pupilo o su guardador. por conseguinte. e.. se as declarações do ofendido integram a instrução crir minai.. Mas. inciso primero (cónyuge o el conviviente dei imputado. no capítulo anterior. não merecem crédito.

de testibus. a palavra da ofendida cons^titui o vértice de todas as provas.. cit.671/305. o ofendido nem presta compro­ misso nem se sujeita a processo por falso testemunho. g„. bastando para tanto que não haja prova contrária à sua precedente honestidade” (cf. v„ 7.. “Nos atentados contra a honra da mulher. 243).673/353. di­ ficilmente alguém seria condenado como corruptor. deriva de testando e. Miranda. RT. precioso elemento de convicção. se nada existe contra sua precedente honestidade” (RT. 334 . 220/92). p. naqueles delitos clandestinos qui ciam comittit solent — que se cometem longe dos olhares de testemunhas — . omite ou acrescenta particularidades. procura narrar os fatos como lhe pareçam convenientes. merece maior crédito que a do indigitado autor. 718/389. em regra.. é relevantíssima a palavra da vítima do crime . RT. Nos crimes contra os costumes. Assim. a sua palavra deve ser aceita com reservas.719/478. principalmente quando ajus­ tada a outras provas” (Darcy A. julgando estar narrando com fidelidade. ou de sedução.vado pela paixão.. constitui poderoso elemento de convicção. desvirtuando os fatos. No mesmo sentido. 727/462. “Tratando-se de delito de natureza clandestina. estuprador etc. Atendendo a tais circunstâncias. Na verdade. a palavra da mulher que se diz deflorada e aponta o autor de sua desonra. e. moça de bons costumes e noiva do acusado. segundo alguns autores. devendo o Juiz confrontá-la com os demais elementos de convicção. Conceito de testemunha A palavra testemunha. Nem é outro o ensinamento da jurisprudência: “A palavra da ofendida. a palavra da vítima é de valor extraordinário. que eqüivale a dar fé da veracidade de um fato. 220/94). pelo ressentimento e até mesmo pela emoção. 742/675. por se tratar de parte interessada no desfecho do processo. a palavra da vítima é. às vezes. uma vez que a natureza mesma dessas infrações está a indicar oão poderem ser praticadas à vista de outrem.. porém. se assim não fosse. segundo outros. pelo ódio. 5. a emoção causada pela cena delituosa é tão intensa que o ofen­ dido. Em certos casos. praticada às ocultas. Repertório.. Desse modo.. 663/285.

. Amado Adip observa: “Ningún testigo. a testemunhai é relativa. a prova testemunhai é uma necessidade. pois dificilmente. seja por um defeito sensoriaL seja por uma 335 .. p. a respeito de um fato passado e dirigida à comprovação da verdade. provam-se as infrações com outros elementos de prova. 7. ni cuito. domina o espírito da testemunha. Fundamento da prova testemunhai A prova testemunha]. com frequência. Às vezes a testemunha está incapacitada para depor. sin excepción. movido por simpatias o antipatías. fora do processo penal. Em geral.as infrações penais só podem ser provadas. positiva ou negativa. Depalma. por ejempío. em juízo. citado por Afrânio Pei­ xoto. escapa a la influencia de ios factores circunstanciales o de las motivaciones personales. Reflita-se sobre o medo que.econômicos o afectivos. seja em vir­ tude de sua imaturidade. não se segue seja absoluto seu valor probatório. y aun impulsionado por complejos que tierien origen en su infancia. e só em hipóteses excepcionais. De manera que si el testi­ go es. no interesse em prestar um depoimento falso. Valor probatório Sem embargo de. 1995.Von Kries define as testemunhas como terceiras pessoas chamadas a comunicar ao julgador suas percepções sensoriais extraprocessuais:. Aliás. o incidente com Sir Walter Raleigh. un hòmbre que ha fracaso en la vida. Actóa. Assim. sobretudo no Processo Penal. é de valor extraordinário. Como qualquer outro meio de prova. da verdade feita ante o Magistrado penal por uma pessoa (testemunha) distinta dos sujeitos principais do processo penal sobre percepções sensoriais rece­ bidas pelo declarante. 38). Com absoluto acerto. está a mostrar a precariedade do testemunho. a prova testemunhai ser uma necessidade. por pessoas que assistiram ao fato ou dele tiveram conhecimento. ni analfabeto. Pense-se na ruindade. Buenos Aires. intereses. na malignidade. muitas vezes. diz Manzini que testemunho é a declaração. Em outros termos. es casi segu­ ro que depondrá con oculto sentimiento de encono (raiva) contra quien se le aparece como un triunfador” (Pmeba de testigos y falso testimonio. e nesta reside seu fundamento. mas guardando o mesmo sentido. 6.

Quando um avião sobrevoa uma residência. de conseguinte. o maior ou menor grau de iluminação. Von Liszt. uma vez levados aos centros cerebrais. como a maior ou menor duração dos estímulos. finalmente. Afrânio Peixoto confirmam a palavra do Prof.. a desvirtuar os fatos. ainda. Pois bem: a ciência já demonstrou que as percepções dos sentidos. Há. a emoção. em afirmar que o ruído é de um avião.. distribuímos papel. Donde se concluir que a prova testemunhai. São estes que determinam as sensações. crianças e velhos. como qualquer outro meio de prova.anomalia psíquica. Quintiliano Saldana. a histeria. durante aula. a imbecilidade. Outras vezes a testemunha depõe na certeza de estar dizendo a verdade. durante 10 minutos. O silêncio exerce notável in­ fluência nas percepções . a epilepsia. Mario Pouzo. Erisman. o problema da duração dos estímulos. entre outras causas. Enfim: mente. A tal fenômeno chama-se percepção. previamente fixadas na memória”. aos surdos. Alberto Pessoa. sem saber que estámentindo. a melancolia e. e sem que os alunos soubessem o que pretendíamos fazer.. Em seguida. Estes. que podem levar o indi­ víduo. A falta de atenção é outro fator. geram sensação de barulho. Varendonck. Que valor poderia ter o depoimento de uma eriança de 3 anos? Uma pessoa portadora de arteriosclerose não poderá prestar depoimento completamente divorciado da realidade fática? Diga-se o mesmo quanto aos cegos. é de valor falível e precário. as percepções* A percepção “é o efeito da fusão de uma sensação atual com outras. então. anteriormente. Sabe-se que os fatos são apreendidos pelos sentidos que geram os es­ tímulos.. a paixão. o silêncio. no sentido de que o testemunho é prova falível. já teve semelhante sensação e identificou aquele ruído com o rumor de um avião. Aquele que mira um quadro. também atuais. determinam as sensações e. podem ser alteradas por circunstâncias e fatores vários. fixamos em 8 minutos o tempo para que eles dese­ 336 . a falta de atenção. as experiências de Claparède. sobre serem imprecisas. Em 1973. a paranóia. ainda que queira dizer a verdade. a imaginação. as alucinações. agora. as ilusões. sem que o esteja. intemas ou externas. tal fato é apreendido pelo ouvido. não tem nenhuma dúvida. o desvio da associação de ideias do seu curso normal. tem melhores condições de descre­ vê-lo do que outro que o olhou por 2 minutos: O grau de iluminação também altera as percepções sensoriais. a perturbação da memória. ou. o tem­ po. a falta de interesse. como se fôssemos fazer uma prova. Nesse parti­ cular. levados aos centros cere­ brais. e como a pessoa. formando-se os estímulos que.

é claro que. pois se recordava de tê-lo visto fazia pouco» Outro conselheiro declarou ser morador has proximidades do monumento e haver observado que o livro estava aberto e estendido sobre o joelho. conseguiram fazê-lo. ao erigir-se o monumento. Noutra Faculdade.. e a propósito. se o seu papel de comediante não é longo. havia sido furtado. de bronze.621/324. A investigação. .730/527.que. proclamava que escutar a voz de uma crian­ ça eqüivale a proferir a condenação do acusado por cara ou coroa. outras não têm interesse em guardar determinados fatos é.. E Le Bon. estava na posição sentada..604/333.. Vejam-se. atinentes à vista e ao ouvido e às falhas de memória. o livro tinha sido cravado com três grandes parafusos na perna da figura. o braço direito na atitude de escrever. num grupo de 79. 713/359. há aquelas que sofrem de perturbações (amnésias. as decisões publicadas na RT. No que respeita à memória. consegue tornar-se acreditada. En­ sina Evaristo de Morais. por sua vez. 560/363 e 553/362. em sua obra Testemunho na justiça penal. finalmente. Concernente ao testemunho infantil. Apenas 4. . perguntamos aos alunos quantos degraus havia na escada que ligava o interior da Escola à área de recreação. que. Entre os primeiros. no centro de uma cidade alemã.. deu como r esultado apurar-se que no monumento nunca houve livro algum. erguia-se um monumento a um sábio.579/351. . h ip erm n ésia„. Há pessoas com memória privilegiada. pro­ cede com arte.. Conta-se que. A estátua. sobre pedestal de pedra de cerca de quatro metros.604/417. que o livro de bronze. Testemunho infantil.nhassem a bandeira brasileira. dou­ trina Bemard Perez: quando ela tem grande interesse em mentir. é preciso distinguir' os fenômenos da senilidade normal e os da senilidade mórbida. posto sobre o joelho. logo se impõem as deficiências da percepção. fazendo a mesma experiência. à distância de um palmo do joelho direito Um conselheiro municipal denunciou. uma vez apreendidos. Outra testemunha afirmou. ordenada pelo alcaide. respeitante ao testemunho dos velhos. Todos os dias eles passavam por ali. Também as condições de sexo e idade são importantíssimas. com detalhes. os fatos são nela armazenados. Nenhum acertou! Isso demonstra que a falta de atenção torna im­ prestável um depoimento. certo dia.

. pela sugestionabilidade e confu­ sões oriundas de fantasias. da coerência que ele tiver com o tema objeto da prova. conforme ensina Ayarragaray. pode ser perturbado por sua sensibilidade especial ou por disposições psicofisiológicas próprias de seu ser. pode fantasiar. seus hábitos.. Sem embargo.Malgrado as lições da Psicologia (quando ela quer mentir procede com arte.. o direito pretoriano ainda não é pacífico. O certo é que o depoimento de uma criança não pode ter total desvalia. a criança ama as ficções. por maldade. se depuserem sobre fatos que foram ob­ jeto de diligências que contaram com a sua participação. das duas uma: ou foi instruída por alguém ou. pode querer transformar-se no centro das atenções. a imaginação enche a vida da criança . não o faz por perversidade.. diz-se também: ex ore parvulorum veritas — da boca das crian­ ças (sai) a verdade.Já se disse que cada idade tem os seus prazeres.). em face do ma­ nifesto interesse em demonstrar que o trabalho realizado surtiu efeito e que a ação por eles desenvolvida foi legítima. obviamen­ te não há nem pode haver nenhum impedimento de os Policiais servi­ rem de testemunha. pela insin­ ceridade de que por vezes é cercado. 604/333). JJçde inventar.... é natural que suas palavras devam ser recebidas com certa reserva. Essa reserva deve ser ainda maior se por acaso houver outras pessoas que possam servir de testemunhas.. 202 do CPP que qualquer pessoa pode ser testemunha. Depoimento de policiais.. Não se pode exigir de uma criança a maturidade de um adulto. seus costumes. sobre o tema.. pode criar... dependendo o seu valor probatório.. Aí... pode ser fruto da sua imaginação ou do seu total desinteresse por fatos que não integram seu pequeno-grande mundo “Inúmeros julgados têm lembrado o perigo consistente em conde­ nar alguém com base unicamente em depoimento infantil. Todavia... ou mesmo como reprodução de fatos pre­ téritos e que ficam gravados na memória do infante” (RT. Decisões há que conferem aos depoimentos de policiais total valia e outras que condicionam sua prestabilidade à circunstância de estarem em conformidade com as demais provas. aliadas à circunstância de serem as mulheres relativamente sugestionáveis. sempre e sempre. Dispondo o art. seu depoimento... Se mentir. se não coincidir com as demais provas colhidas. A respeito do testemunho da mulher. Sobre o tema a jurisprudência ainda não se pacificou. Problema que tem suscitado polêmica nos Tribunais é o que diz respeito ao valor probatório do testemunho dos agentes policiais que participaram da diligência. então. 338 .

é de todo em todo evidente ter ele interesse em ‘testemunhar’ em favor da legalidade do ato por ele praticado Logo. 8.. quando depõe sobre fatos cuja existência sabe por ouvir dizer. São Paulo. arts . Os maus policiais infiltram-se na Corporação denegrindo asua imagem. 129 do CPP português dispõe não servir como meio de 339 . o valor de suas palavras é bem relativo. São Paulo. há os depoimentos dos sugestionáveis. esta sim uma pessoa desinteressada” (Os fun­ damentos éticos do devido processo legal.898/65. 218).direta­ mente policiais. necessariamente. Se por acaso um cinegrafista amador não houvesse registrado aquelas cenas de brutalidade em Diadema. ou “testemunhos de ouvir dizer”. 32 e 4-). 4. como afirmado por Camargo Aranha. suas diligências é temerário. impróprias.. Dar crédito aos seus depoimentos quando eles têm interesse em de­ monstrar um pseudo-êxito em. Diz-se direta a testemunha. os americanos não lhes dão valor. 2004. Nesse sentido. tendo total interesse em demonstrar a legitimidade da investigação (Da prova no processo penal. p. 1987. indiretas. próprias. Veja-se a observação feita por Fernando Capez. Não são incomuns os flagrantes forjados. embora não estejam impedidos de depor. devendo. Quanto a estes. É a testemunha de auditu. no verbete flagrante forjado (Curso de processo penal. hearsay is no evidence. quando depõe sobre fatos a que assis­ tiu. como já se disse. ser cotejado com outros elementos.. 630/344. ninguém teria acreditado no que a televisão mostrou. pois. informantes. 492/355.E o admirável Adauto Suannes observa: “Ora. se por acaso o Ministério Público de São Paulo não houvesse registrado com filmes o tráfico de drogas na “Cracolândia”. Classificação As testemunhas podem ser diretas. Indireta. 128). p. 142). numerárias e referidas. E o art.. Saraiva.. se um agente poli­ cial está sujeito a ser processado pela prática do crime de abuso de autoridade (Lei n. Além disso. Ademais. que. Saraiva.. membro do Ministério Público paulista. sua palavra não pode ter a qualidade de alguém que não corra tal risco. 457/377. provocadas por policiais. 432/311. quando depõem. RT. 1998. p.. são os curingas no pôquer da prova testemunhai. Revista dos Tribunais. estão dando conta do trabalho realizado. São Paulo. envolvendo. 514/404.. em que policiais colocam entorpecen­ tes no veículo do investigado.

o agente infiltrado “versus" o agente provocador os princípios do processo penal. Própria é a testemunha que depõe sobre os fatos objeto do processo. nos termos do inc. o auto de interrogatório. ex. • • Dai dizer Fenech que tais testemunhas atuam. assim conceituado: “É 0 funcionário de investigação criminal ou tercei­ ro.. V do art. se a testemunha B. como “fedatarios de la realización dei acto cuya presencia garantiza’1 Assim. Dizem-se numerárias as testemunhas que prestam compromisso. nesse caso. trata-se da proibição da testemunha “por ouvir dizer”. que X é que assistiu à cena delituosa. por exemplo. e informantes aquelas que não o prestam. serão testemunhas em sentido próprio. Em última análise. e. p. Ainda há as chamadas teste­ munhas referidas. ou suspeitos. nesse caso..prova o testemunho da pessoa que não indicar a fonte pela qual tomou conhecimento do ocorrido. Em Portugal é denominado “agente infiltrado”. e com o fim de obter provas para a incriminação do suspeito. o cidadão particular. com os mais diversificados expedientes. tão somente. juntamente com o indiciado. que são terceiras pessoas indicadas no depoimento de outra testemunha... que actue sob o controlo da Polícia Judiciária que. Livn Almedina. Diz-se imprópria. Lei e crime. 264). são infiltrados nas organizações criminosas com 0 objetivo de obter informações importantes para se proceder às investigações e descoberta da verdade. Coimbra. e. em seu depoimento. cuja existência conhece de ciência própria ou por ouvir dizer. Assim. quando depõe sobre um atoy fato ou circunstância alheia ao fato objeto do processo e que se imputa ao acusado. ou sobre o thema probandum — objeto do processo —. disser. p. serão testemunhas impróprias ou instrumentais. com as finalidades exclusivas de prevenção ou repressão criminal. que são os informadores que. 2001. 62 do CPP. ou tão somente sobre a regularidade do interrogatório. Kronzeuge (dos alemães) —. aquelas pessoas convocadas pela Autoridade Policial para assinar. em ordem a obter in­ formações relativas às actividades criminosas de que é suspeito e provas contra ele(s). com ocultação da sua qualidade e identidade. para melhor 0 observar. temos que X ê testemunha referi­ da. Ainda há “as testemunhas da coroa” — King ‘s/Queen 's evidence (witness) state'$ witness. poderão depor em juízo. 340 . sem contudo o(s) determinar à prática de novos crimes” (Fer­ nando Gonçalves et al. os confidenti delia polizia. ganha a sua confiança pessoal.

sem prejuízo dos já previstos era lei.13. mediante circunstanciada autorização judicial”. HI). aviltar-se e perder o restinho de dignidade que lhe sobrava. ouvido o Ministério Público. não ser permitido ao Estado utilizar os meios empregados pelos criminosos* se não quiser perder. em tarefas de investigação..072/90 promete redução de pena ao participante ou associado que denunciar à autorida­ de a quadrilha. desonrar-se. O próprio Estado. V — infiltração por agentes de polícia ou de inteligência.Não obstante essa estranha figura do “informante”.. 2? Em qualquer fase de persecução criminal são permiti­ dos. também permite “o agente infiltrado”. o nosso ordenamento deu um passo a mais ao permitir. 2a. em determinados casos. Nos crimes contra a organização criminosa. atualmente. dispõe: “Art..034/90 abranda sensivelmente a pena quando “a colaboração espon­ tânea do agente levar ao esclarecimento de infrações penais e sua auto­ ria”. 16 da Lei n. 11. no art. enco­ raja e obriga-se a dar vantagem àquele que se humilhar.343. consagrada em numerosas legislações. permite essa intrusão. E o pior de tudo é que a Polícia que re­ cebe as informações não declina o nome dos “confidentes”. o art. além dessa insensatez.. possibilitando seu desmantelamento. infelizmente. 8. da Lei Antitóxicos (Lei n. de 23-8-2006. incita. o certo é que a nossa legislação. com a finalidade de identificar e responsabilizar o maior número de integrantes de operações de tráfico e distribuição.. a oralidade e a retrospectiv idade . citado por Anabela Miranda Rodrigues no prefácio da obra retrocitada. a Lei n„ 9.. estimula. os seguintes procedimentos e formação de provas.034/95. resguar­ dando-lhes o anonimato e a sigilação da fonte. rebaixar-se. V. no arL 53.. I. a objetividade. 9 . 11 343.137/90 concede idêntica regalia ao “delator” nos crimes de que trata a citada lei: o art. Lei n. Caracteres do testemunho Os caracteres do testemunho são. o parágrafo único do art. 6a da Lei n. E como poderá a Defe­ sa contraditar a testemunha “invisível”? E.. a figura execrável da “delação premiada”. de 23-8-2006) confere vantagens aos portadores de drogas. a sua superioridade moral. Ia.. e tal como disse Hassemer. O parágrafo único do art. 8 . 8S da Lei n. 9. 52. dês que haja autorização judicial. constituída pelos órgãos espe­ cializados pertinentes. A nova Lei de Tóxicos. cuja Constituição tem como um dos seus fundamen­ tos a dignidade da pessoa humana (art. por razões simbólicas e práticas.

898.. y solamente le exigirá las explicaciones complementarias que sean conducentes a desvanecer los conceptos oscuros o contradictorios. Nada obsta. breve consulta a apontamentos” . Outra exceção é a prevista no § l 2 do art. de 9-12-1965. formuladas pelas partes e de­ feridas pelo Juiz. 342 . As partes formulam as perguntas e recebem as respostas oralmente.10. Melhor seria como na Espanha: “El juez dejará al testigo narrar sin interrupción los hechos sobre los cuales declare.. entretanto.. por escrito. possa a testemunha fazer breves consultas a apontamen­ tos. 436). As partes formularão as perguntas que entenderem convenientes ao esclarecimento do fato. a testemunha deverá fazê-lo oralmente. O Código. todavia. cumprindo à testemunha respondê-las. caso em que as perguntas. prestação de depoimento por escrito. salvo a hipótese esdrúxula do § 1. intervirá no ato. 221 do CPP: “O Presidente e o Vice-Presidente da República. o art. Na Espanha. como os Presidentes da Câmara e do Senado. 4. 192 do CPP. se a testemunha for muda. pessoa habilitada a entendê-la. dará ela suas respostas.do art. 204: “Não será vedada à testemunha. as perguntas serão feitas oral­ mente. O ralidade Chamada a depor. Não se permite que a testemunha proceda àleitura do seu depoi­ mento previamente escrito. como intérprete e sob compromisso. Se surda-muda.. 223. não sendo per­ mitido à testemunha trazê-lo por escrito” . além de muda ou surda-muda também não sou­ ber ler e escrever. 204 do CPP: uO depoimento será prestado oralmente. as per­ guntas e respostas serão por escrito. segundo dispõe o parágrafo único do art. porém. Assim. a inquirição se procederá na conformidade do art... da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal poderão optar pela.. segundo o parágrafo único do art. Después le dirigirá las preguntas que estime oportunas para el esclarecimiento de los hechos” (art. lhes serão transmitidas por ofício” (grifos nossos). 415 da Ley de Enjuiciamiento Criminal estabelece a mesma regra para certas pessoas.. Incisivo é o art. e. 14 da Lei n... Se a testemunha. abre duas exceções. Tratando-se de mudo e surdo-mudo.. os Presidentes do Senado Federal.

consignando-se. Capacidade As causas de incapacidade para atuar no Processo Penal como testemunha.».. se fosse o réu.do art. Se B foi preso em flagrante.. não se teria aborrecido com as palavras pro­ feridas pela vítima etc. Deverá. em seu depoimento. 13. não podem relacionar-se com as normas gerais que regulam a capacidade para ser parte (capacidade processual) nem com as que regulam a capacidade de direito material. a pergunta e o indeferimento... precisamente. Com bastante acerto ensina Tornaghi que. pois. depondo em juízo ou perante a Autoridade Policial. 343 .. se um médico comparece em juízo para depor*. as testemunhas deporão sobre o fato que se passou. Retrospectividade As testemunhas depõem sobre fatos passados e jamais sobre fatos futuros. 194 que "il testimone non può deporre sulle voei correnti nel pubblico nè esprimere apprezzamenti personali salvo che sia impossibile scinderli delia deposizione sui fatti. ao dispor no § 3.. contribuye a distinguir el testimonio de la perícia... salienta Fenech.” . Há. E Manzini acrescenta: “esto. não poderá dizer que a lesão corporal sofrida pela vítima a incapacitará para as ocupações habituais por mais de 30 dias. haver objetividade.” (Derecho. sobre fatos pretéritos. Não se admite. ainda que formuladas pelas partes perguntas que ensejem apreciações pessoais da testemunha. por conseguinte. Por isso mesmo. p. 3. O bjetividade A testemunha não pode.. inclusive.. que uma pessoa. deverá a autoridade in­ deferi-las. diga que.. cit.. 213: “O Juiz não permitirá que a testemunha manifeste suas apreciações pessoais. disposição expressa nesse sentido . É o art. 0 Codice di Procedura Penale de 1988 é mais exigente. v. no termo..11. salvo quando inseparáveis da narrativa do fato”. 12. fazer apreciações pes­ soais. 262).

sexo. Já o novo Código Civil foi mais sensato. atribuindo ao depoimento o valor que merecer ante os demais elementos de convicção. e) os cônjuges. no cível. descendentes e os colaterais até o 32 grau de alguma das partes. nessa hipótese. no penal as testemunhas não podem ser escolhidas. um menor de 18 anos tem capacidade para ser testemu­ nha e não a tem para ser imputado. Não importam as imperfeições físicas. Esse. c) os cegos e surdos. qualquer pessoa física pode ser testemunha. prevalece a restrição imposta no Processo Civil. 202. nacionalidade. d) o interessado no litígio. De fato. nada impede que uma criança de 8 anos compareça em juízo paia depor sobre fatos a que. faz uma série de restrições. No art. Derecho procesal penal. E por que essa amplíssima liberdade? Responde Florian: ela encontra seu fundamento na exigência da mais larga e maior investiga­ ção dos fatos O CPC. Da própria condenação não decorrem indigni­ dades. a capacidade para ser testemunha é de uma am­ plitude extraordinária” (Fenech. ao tratar da prova testemunhai.. Na lei civil não há restrição às testemunhas de má fama. E a razão disso é acentuada pelo próprio Fenech: “dada a finalidade do processo penai. ao contrário do que se dá. porventura. no art. obstáculos preestabelecidos dificultariam a pesquisa da verdade real Quem pode impedir que uma criança de 8 anos. dispõe o legislador. quando a ciência do fato que se quer provar dependa dos sentidos que lhes faltam. 228 es­ tabeleceu que não podem ser testemunhas: a) os menores de 16 anos.. as circunstâncias que podem ocorrer em um fato delitivo e a liberdade dos julgadores na apreciação das provas.. por consangüinidade ou afinidade. também. mesmo porque servem elas apenas para as relações juridico-materiais .Realmente. Desse modo. a reputação ou fama”. se houver necessidade de seus depoimentos em juízo. ou uma horizontal ou um falsário presenciem um homicídio? Num crime ocor­ 344 . criando até as chamadas testemunhas “suspeitas” (as pessoas de má fama) . de regra.. os estados contingentes de inconsciência Não importam o estado social e condição econômica das pessoas. tomar as necessárias pre­ cauções. o amigo íntimo ou inimigo ca­ pital. “Não importa a idade. por enfermidade ou retardamento mental. que toda pessoa poderá ser testemunha. pois. b) aqueles que. tenha as­ sistido. não tiverem discernimento para a prática dos atos da vida civil. mesmo porque. v. Mas. Cumprirá ao julgador. Atendendo a tais considerações. 1. o princípio geral sobre a capacidade para tanto Assim. os ascendentes. Não importa. p„ 825).

305 do Código Procesal Penal do Chile é expresso: “Art. E o legislador chi­ leno foi além. Perguntas que comprometem a testemunha. casos em que as testemunhas intimadas impetravam habeas corpus junto ao STF para não responderem a perguntas que pudessem incriminá-las... o . O nosso Có­ digo de Processo Civil tem regra semelhante (art. uma vez chamada. E o writ foi concedido.Tivemos no Senado. ao fixar. 305. O art.rido a desoras ou mesmo na zona licenciosa da cidade. Dever de depor No Processo Penal. as­ cendente ou descendente. entretanto.I). e a própria lei o permite. isto é. quem poderia servir de testemunha senão aquele que ali estivesse? 14. o afim em linha reta. Todo testigo tendrá el derecho de negarse a responder aquelías preguntas cuya respuesta pudiere acarrearle peligro de persecución penal por un delito”. Há exce­ ções. o cônjuge. 15.”. não é tão absoluta quanto se cuida. Pode a testemunha negar-se a responder a perguntas que possam comprometê-la criminalmente? O nosso Código silencia. para ser' testemunha. à mulher cora quem o imputado viva. mesmo porque ninguém pode ser testemunha contra si próprio. E. Mas. Exceções ao dever de depor A regra. inciso primero” (o texto refere-se ao cônjuge. seus parentes colaterais até o segundo grau de consangüinidade ou afinidade. por su declaración. há expressa proibição. 4 0 6 . terá o dever jurídico de fazê-lo„ A imperatividade da norma que se contém na primeira parte do art. ainda que desquitado. não poderá fazê-lo: o ascendente ou descendente. durante a CPI do “mensaião”. pudiere incriminar a alguno de los paiientes mencionados en el artículo 302. as testemunhas podem recusar-se a depor. 206 do CPP dispensa maiores considerações: “A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor. Em alguns casos. levando em conta aquele prin­ cípio de que ninguém pode ser testemunha contra si próprio. seu tutor ou tulelado). parece-nos que a resposta positiva se justifica... no mesmo dispositivo: “El testigo tendrá el mismo derecho cuando. mesmo que a testemunha queira depor. Principio de no autoincriminación. toda pessoa tem capacidade para depor. Em outros casos.

Contudo. A primeira vista poderá parecer que as duas situações são idênti­ cas.irmão e o pai. a nosso juízo. Melhor seria que o art. se não for possível por outros modos obter ou integrar a prova do fato e de suas circunstâncias. companera o companero permanente o parientes dentro dei cuarto grado de consanguinidad. 206 do CPP. quando se tratar de qualquer daquelas pessoas enumeradas no art. devam guardar segredo. 74 párr. É que a iei fala em cônjuge. salvo se já houver entre elas uma união estável reconhecida pela Carta Magna. 207 do CPP. não poderá ela eximir-se da obrigação de depor. 206. 346 . respeitar-se-lhes-á a vontade. 33. a iei não faz distinção. 206.. Do con­ trário.. De fato. em razão de função. poderão depor. 206 tivesse a mesma redação do art. Contudo a amásia do acusado não pode recusar-se. a mãe. mesmo que tenham sido desobrigadas pela parte interessada. se quiserem.. ofício ou profissão. Se se opuserem. diferença.. qual teria sido a razão de serem elas dispensadas do compro­ misso? Veja-se logo adiante o verbete “Importância do compromisso”. 267 do Código de Procedimiento Penal da Colômbia: “Nadie podrá ser obligado a declarar contra si mismo o contra su cónyuge. ou fiiho adotivo do acusado estão dispensados de depor. O simples fato de a lei dispensá-las do compromisso já é suficiente para. A relevância do interesse público — Administração da Justiça — sobrepõe-se às relações de família. se essas pessoas derem um testemunho prestativo não cometem o falsum. O assunto está disciplinado na segunda parte do art. excluindo. segundo de aflnidad o primero civil” (Constitución Política. Também podem recusar-se a depor aquelas pessoas que. Tais pessoas podem ser arroladas como testemunhas e. entretanto. portanto. é evidente que tais pessoas não podem recusar-se a depor... se um pai maltrata o filho em sua residência e as únicas pessoas que podem esclarecer o fato são a esposa e a filha. Pouco importa seja o parentesco legítimo ou ilegítimo. Há. Assim. toda e qualquer ligação extramatrimonial. 2a). É a regra contida na parte final do art.se entender que o Estado não quis sobrepor o interesse público ao familiar.. É o que se infere do disposto no art. ministério.

não haverá crime. E. Por outro lado. Profissão é toda e qualquer forma de atividade habitual com fim de lucro (advogado. Se houver justa causa para revelá-lo. É o que se contém no art. diretor de banco. 269 do CP 347 . num táxi. o disposto no art . 207 do CPP. Em legítima defesa: o médico que. um médico que.. ainda que o sejam. Mas. A revelação de segredo constitui até crime. até mesmo. devam guardar segredo.Já na hipótese das pessoas que devam guardar segredo. 2) Seu conhecimento em razão de função. as pessoas que. mesmo que desobrigadas pela parte interessada. não poderão depor. eletricista). ministério. Define-o o art. decorre do interesse de todos. a propósito. é preciso que a pessoa saiba do segredo em razão do ofício etc. Assim. se não forem desobrigadas pela parte interessada. não estará impossibilitado de dépor sobre o que ouviu. .)~ Só haverá a proibição se houver um nexo causai. responderá criminalmente. A proteção ao segredo profissional. de moralidade. ministério. 3) Revelação 4) Ausência de justa causa. Mi­ nistério é o encargo que pressupõe um estado ou condição individual de fato (padre. se alguém revelar segredo que deva guardar. Função é encargo que cabe a uma pessoa por força de lei. Deporão se o quiserem... decisão judicial ou convenção (tutor.. Veja-se. ouve uma conversa. irmã de caridade e t c Ofício é a ocupação habitual consistente em prestação de serviços manuais (mecânico.. para que haja o crime. da necessidade que cada um tem de confiar e de estar seguro de que o segredo não será revelado. calu­ niado ou difamado. ofício ou profissão. isto é. Trata-se de norma ditada por razões de conveniência e. depo­ rão se quiserem. não se lhes poderá exigir que deponham. engenheiro etc. Assim. Simples conhecimento decorrente de relação ocasional não gera a obrigação de guardá-lo. curador. médico. Em decor­ rência de estado de necessidade: o médico que avisa a um amigo que sua empregada é tuberculosa. é indispensável a coexis­ tência dos seguintes elementos: 1) Segredo.. dos legistas). diz Tomaghi. para se defender tenha necessidade de revelar se­ gredo» Muitas vezes a revelação é obrigatória. ofício ou profissão. 154 do CP. A revelação pode ocorrer no estrito cumprimento do dever legal (as opiniões dos médicos-peritos. em razão de função.

Muitas e muitas vezes. A palavra dano. Entretanto. nos causaria desdouro. Como bem afirmava Hungria. 2) dos regulamentos que disciplinam o exercício da profissão. dissabores. é obrigado a guardar segredo? Há alguma lei obrigando-o a mantê-lo? Não há. com a violação do segredo.. . Mas pergunta Tomaghi: como saber que em razão de uma função. 6. devam guardar segredo. Algum regulamento ou norma consuetudinária? Também não há. os membros da sua igreja o procuram em bus­ ca de uma palavra de conforto ou mesmo de orientação Fazem-no em confiança. 3) das normas consuetudinárias. Comentários ao Código Penal. frívola ou arbitrária. v„ 4. 4) da própria natureza da função. para abranger todo e qualquer prejuízo que a pessoa possa sofrer em decor­ rência da revelação. aí. 247). Fala o Código em pessoas que. 6) Dolo. indaga-se: um pastor protestante.5) Possibilidade de dano a outrem. está empregada no sentido amplo. Não pode acontecer de um umbandista ir à procura do seu chefe e revelar-lhe nm segredo? Fá-lo. ofício etc {Instituições. 477). A lei penal não pode tutelar a vontade caprichosa ou imorivada. por exemplo. Por essas razões. surja a possibilidade concreta de um dano (Hungria. pela própria natureza do minis­ tério que exerce. a lei processual penal proíbe que tais pessoas deponham. o que a lei reconhece e assegura é o poder vinculativo da vontade. Evidente que somente o segre­ do cuja revelação possa ocasionar dano a outrem é que deve ser guar­ dado. É preciso que. Os católicos não fazem o mesmo no confessionário? Por que não os protestantes? E o chefe umbandista? Umbandismo é culto. porque ele é o seu guia espiritual. Não vejo razão séria para se distin­ guir o segredo revelado ao padre daquele confiado a chefe espiritual 348 . ofício ou profissão. se propalado. em razão do ministério que exerce. qualquer prejuízo material ou moral. Assim. deverá guardá-lo„ O pastor é um chefe espiritual. de um ministério ou de uma profissão alguém deve guardar segredo? Com acerto responde: a res­ posta há de provir: 1) de qualquer lei que obrigue ao segredo. de que seja manti­ do oculto tudo quanto. v. p. em razão de função. cit.. ministério. Não seria justo fosse ele obrigado a depor sobre os fatos de que teve ciência no exercício daquela sua atividade. expressa ou tácita. p. ofício etc..

qualquer que seja a sua natureza. referindo-se expres­ samente às pessoas que devam guiardar segredo. fala dos eclesiásticos y ministros de cultos disidentes. i consulenti tecnici e i notai. Há Códigos que fazem enumeração limitativa. dispunha: “Tout joumaliste... cuando non pudieren declarar sin violar el secreto que por razón de sus cargos estuviesen obligados a guardar.• etc. de 4-1-1993. § 6a. Assim. 93-2. incorporou ao CPP daquela Província. A diferença está apenas nisto: quando se tratar de religião católica. d) gli esercenti altri uffici o professioni ai quali la legge riconosce la facoltà di astenersi dal deporre determinata dal segreto professionalé'\ No mesmo sentido o art. como ferramenta indispen­ sável à liberdade de imprensa.. o Direito canônico proíbe a revelação do segredo obtido no confessionário. avendo notizia. Argen­ tina. no art. nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações” . no art.Mas o art. 268 do CPP da Colômbia. O Código italiano. funcionários públicos. diz: “Chiunque. Mas o dever de guardar segredo não decorre apenas de lei ou regulamento. dispõe que “Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato. c) i mediei e i chirurghi. definido como o direito de abster-se de declarar sobre a origem das informações que cheguem ao seu conhecimento. em razão da profissão que exercem.. 200 do atual Codice di Procedura Penale diz quais as pessoas que não estão obrigadas a depor em virtude de segre­ do profissional: “a) i ministri di confessioni reiigiose. 622. o segredo profissional dos jornalistas.. 417. tan­ to civiles como militares. di un segreto lo rivela la senza giusta causa. o delia própria professione o arte.: a Ley de Enjuiciamiento Criminal. est libre de ne pas en révéler V origine” (Todo jornalista ouvi­ do como testemunha sobre informações colhidas no exercício de sua atividade tem liberdade de abster-se de revelar sua origem). e cui statuti non contrastino con rordinamento giuridico italiano.. a Câmara dos Deputados de Mendoza. Coincidentemente a Lei francesa n. Em junho de 1993. sobre los hechos que les fueren revelados en el ejercicio de las funciones de su ministério. no art. b) gii avvocati. 53. le ostetriche e ogni altro esercente una professione sanitaria. de cualquier clase que sean.de outra religião ou culto. i farmacisti. Nossa Carta Política. entendue comme te'moin sur des informations recueillies dans Texercice de son activité. 1 procuratori legali. per ragione dei proprio stato o ufficio.

. as secretárias ouvem conversas particulares dos patrões. e. se o fizerem. levada de avião por um Senador da República. 207 do CPP Mas. Cosa n o s tr a . nos escritórios.. no fa­ moso processo de impeachment do Presidente Collor de Mello. 27 do mesmo diploma. LV1. a mulher que é confidente de outrem. as preocupações a respeito da proteção do segredo profissional do jor­ nalista são relativamente recentes. 52. O nome da própria profissão está a indicar tal fato: secretária. entre o empresário (seu chefe) e outras pessoas sobre a famosa “Operação Uruguai”. e mesmo sem cominação processual expressa” (Súmula 49). completam ligações telefônicas. ainda quando forem relevantes e pertinentes. enfim. marcam encontros para os chefes etc. Há trinta e. c) “Podem ser utilizadas no processo penal as provas ilicitamente colhidas. quatro anos depois que nos Estados Unidos os direitos dos jor­ nalistas e. Por esse motivo.. Sabem. da CF: “são inadmissíveis.. posto que é prova obtida ilici­ tamente. a Se~ cretária de uma Empresa estabelecida em São Paulo foi à Casa das Leis. à vista do art. no processo.Esse princípio se estende aos Deputados Estaduais por força do § l 2 do art. as Mesas de Pro­ cesso Penal realizadas na Faculdade de Direito do Largo de São Fran­ cisco (SP) deixaram bem claro: a) “Ilícitas são as provas colhidas com infringência a normas e princípios de direito material” (Súmula 48). 350 . de tudo ou quase tudo que se passa no escritório ou na empresa. as provas obtidas por meios ilícitos” Sem embargo. b) “São processualmente inadmissíveis as provas ilícitas que infringem normas e princípios constitucionais. não há essa especificação. em Brasília. nos termos do art.Aliás. os meios para guardarem reserva foram garantidos pela Cor­ te Suprema no famoso caso da difusão de “papéis do Pentágono”No Brasil. para depor sobre conversações telefônicas a que teria assistido. que beneficiem a defesa” (Súmula 50).. E se depuserem? Elas não podem fazê-lo. seu testemunho não terá nenhum valor. Evidente que as secretárias têm também o dever de guardar segredo. por força da sua função. Evidente não poderem elas depor sobre fàtos cujo conheci­ mento lhes chegou aos ouvidos em razão dessa função. Na verdade. cinco anos elas se refle­ tiram na legislação italiana. Euclides Cus­ tódio da Silveira entende que as domésticas são proibidas de depor sobre atos a que assistiram no local do trabalho ou conversas aí escutadas. anotam recados. Apesar de a imprensa estar transcorrendo seu sexto século de vida. e em 1975 foram incorporadas na legislação alemã.

. Quanto aos funcionários públicos. a expedição do mandado deve ser imediatamente comunicada ao Chefe da Repartição em que servirem. O chamamento da testemunha. p. Outra exceção ao dever de depor foi fixada pelo § 6. Código. Comparecimento Consiste o comparecimento no dever que tem a testemunha de apresentar-se em dia. 218. a testemunha deixa de comparecer. salientando: “se.. 154 refere-se ao exercício de atividade privada. E se o médico contou o segredo à esposa.. grosso modo. v.. muito embora se lhes aplique o disposto no art. deverão ser requisitados à au­ toridade superior. O dever de comparecimento pressupõe regular notificação. 16. nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações”... § 32). ou facilitar-lhe a revelação. E os segredos das crianças? Às vezes haverá necessidade de trans­ miti-los aos seus responsáveis para as providências que se fizerem necessárias. nesses casos..do art. pois.” (grifo nosso). Tratando-se de militares. 218 realça esse pressuposto. 2) o dever de prestar compromisso. estará esta obri­ gada a guardá-lo? Entendemos que sim. Luiz Ozório..Insista-se: o crime previsto no art. 53 da Constituição de 1988: “Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato. seria frau­ dada a finalidade da lei. Subdeveres O dever de depor compreende dois subdeveres: 1) o dever de comparecimento. 114. 17. a propósito. 370 do CPP. 351 .. Veja-se. in Espínola Filho.325 do CP: “Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo.. cit. Do contrário. hora e local designados pela autoridade compe­ tente para prestar seu depoimento. 221. é feito por meio de um mandado. regularmente intimada. O art. com indicação do dia e hora marcados (CPP. e esta se fará de acordo com o preceituado no art. art. 3. o crime a considerar é o definido no art.

e Jimenez Asenjo explica: “esta excepción es una consecuencia natural dei sentido maj es tático y dei caracter sagrado e inviolablè y por tanto irresponsables que siempre tuvieron aquellas personas en la tradición jurídica nacional” (Derecho procesal penal. Todos sabe­ mos que numa audiência inúmeras reperguntas das partes são fruto de certas respostas. os Presidentes do Senado Federai. ou por velhice. A nova lei processual penal. bem poderá qualquer das partes formular uma repergunta.. 99. formuladas pelas partes e deferidas pelo Juiz. 352 . nos termos do art. de compar ecer para depor serão inquiridas onde estiverem. 221 do CPP. os Ministros e Juizes dos Tribunais de Contas da União.de Estado. 220. 515). No Direito espanhol. dos Estados. de 12-2-1993). os Ministros. bem como os do Tribunal Marítimo serão inquiri­ dos em local. as pessoas impossibilitadas. caso em que as perguntas. uma vez que. 40. dispõe o § 12 do art.. dia e hora previamente ajustados entre eles e o Juiz. 2a) Nos termos do art. da Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei n. ante uma resposta. da Câmara dos Deputados e do STF poderão optar pela pres­ tação de depoimento por escrito. o Chefe de Estado não só está isento do dever de comparecimento. os Prefeitos do Distrito Federal e dos Municípios. ante as respostas dadas. _ ^ . 221 do CPP violenta o princípio do contraditório. novo oficio lhes seja encaminhado com novas reperguntas. do Distrito Federal. p. os Deputados às Assembleias Legislativas Estaduais.escrivão e as partes) transportar-se ao local em que se encontrar a testemunha para inquiri-ía. os membros do Poder Judiciário. ao Juiz (juntamente com o . I.. sobre o assunto Ada Pellegrini Grinover. o Presidente e o Vice-Presiden­ te da República. São Paulo. Cumprirá. então. 1977... Veja-se. Exceções ao dever de comparecer Esse dever de comparecimento comporta algumas exceções: Ia) Nos termos do art. Quer-nos parecer que a norma contida no § Ia do art. como também do de depor. v 1. 221 supracitado que o Presi­ dente e o Vice-Presidente da República. por enfer­ midade. Assim também os membros do Ministério Público. também. os Secretários de Estado..625. p. Por outro lado.18. lhes serão transmitidas por ofício.. os Governadores de Estado e Territórios. 8. os Senadores e Deputados Federais. A não ser que.

com prazo razoável. intimadas as partes”. poderá comparecer. o que se não pode é impor-lhe esse sacrifício.. Como bem diz Espínola. expedindo-se. Quando o julgamento estiver afeto ao Juiz singular. carta precatória. também. que é a estabelecida transitoriamente. o legislador nem exclui o domicílio. pelo menos. a testemunha será inquirida pelo Juiz do lugar da sua residência. sponíe sua. Por outro lado. os agentes diplomáticos estrangeiros podem ser. para não serem impostos sacrifícios. nada obsta que a pessoa. também. nenhum mal nisso. Assim. p. a fim de ser inquirida pelo Juiz da causa. uma vez que sejam testemunhas a ouvir (Código. transitoriamente. contemplados com igual atenção do Juiz. é óbvio que a precatória. 132). a despeito do silêncio do Código. e não haverá. 221 é taxativa? Ensina Espínola que. cit. porquanto ambos os Magistrados exercem a função jurisdicional. se a testemunha a despeito de ter residência em Bauru. E se. 3. conforme a urgência. ou em Santos.A tal respeito diz o art. 353 ' ) ) 1 ) ^ ^ ) ) ) * ) ) \ ) ) ) ^ ^ ) . estiver em São Paulo. v. e tão somente em função da competência que lhes é traçada é que não podem praticar atos processuais fora dos Umites territoriais onde a exercem. ■ ) . por exemplo. nem a residência temporária.) A enumeração feita pelo art. poderá ser cumprida em qualquer desses lugares onde ela estiver. Por isso mesmo. incômodos sérios às pessoas chamadas a esclarecer o fato à Justiça. 3a) Também está isenta do dever de comparecimento perante a autoridade que estiver presidindo ao processo a testemunha que morar fora da sua jurisdição. conforme já acentuamos.. Se ela aquiescer. conforme acentua Espinola.222: •' %) “A testemunha que morar fora da jurisdição do Juiz será inquirida pelo Juiz do lugar de sua residência. porventura. tratar-se de testemunha que deva depor em plenário? Evidente não se poder exigir da testemunha tamanho sacrifício. para esse fim. como não há. a regra que se contém no art. passando uma temporada de verão. mesmo porque não seria justo que o Estado pudesse exigir de um cidadão tanto sacrifício. . possa ir a sede do juízo. para tratamento de saúde.) ) ^ Com a expressão residência.. ou. Não há para ela nenhum dever. que é a residência estabelecida com ânimo definitivo. 222 é uma exceção ditada.

422 do CPP). além disso. segundo estabelece o art.» dentro na mesma comarca. 461 do CPP deixa entrever que a testemunha deverá comparecer onde se realizar o julgamento: “O julgamento não será adiado se a testemunha deixar de comparecer. 222 do CPP. Independentemente dessa condução coercitiva. 473 do CPP). 464/349.. 652/316. e... serão ouvidas através de carta de ordem.. o Juiz poderá requisitar à autoridade policial a sua apresentação ou determinar seja conduzida por oficial de justiça. a não ser que assim o queira. O mesmo se dá quando se tratar de ação penal originária. que poderá solicitar o auxílio da força publica”. 422 deste Código. Do contrário. seja do STF. Por isso mesmo prescreve o art. é possível sua reinquirição na réplica ou na tréplica. também. Nesse sentido: RT. a lei não estabelecesse as respectivas sanções. declarando não prescindir do depoimento e indicando a sua localização” (grifos nossos). seria um não senso exigir seu comparecimento ao Tribunal do Júri. É verdade que o art. 519/434. o Juiz poderá. aplicar à testemunha 354 . seja do STJt dos TRFs ou Tri­ bunais de Justiça.. mas.. Sem embargo. porquanto as testemunhas devem ser ouvidas em plenário (art.. Se a testemunha passou a residir em outra comarca ou em outro Estado da Federação..E se se tratar de julgamento afeto ao Tribunal do Júri e a testemu­ nha for arrolada para depor em plenário? E evidente não se poder aplicar o disposto no art. para as~ segurá-lo. podendo ser inquiridas pelos jurados (§ 22 do art.. nem por isso poderá o Juiz deixar de fazer expedir a precatória para notificá-la.. Sanções De nada valeria estadear o dever de comparecimento se. 19. a testemunha deixar de com­ parecer sem motivo justificado. 218: “Se. regularmente intimada. 219 do CPP. poderão... Se as testemunhas quiserem depor perante o Tribunal. Parece-nos que o dispositivo supra cuida da hipótese de a teste­ munha mudar de endereço. na oportunidade de que trata o art. 403/107. salvo se uma das partes tiver requerido a sua intimação por mandado.

350). 458. aliás. e. por determinação legaL Mas. por que razão não o poderá se se tratar de testemunha faltosa? Certo que o art. e condená-la. o juiz presidente suspenderá os trabalhos e mandará conduzi-la ou adia­ rá o julgamento para o primeiro dia útil desimpedido.. p. ao pagamento das custas da diligência. E afirma que de jure constituto não se pode obrigar alguém a comparecer diante da Autori­ dade Policial para depor (v. 484 e s. refere-se exclusivamente à fase judicial. 461 do CPP: uSe. Em suas Instituições de processo penal. por desobediência.. e da observância do preceito do a rt 218. parece-nos não haver dúvida. por sua própria natureza.. escrito e sigiloso {Processo penal. donde se concluir que a Autoridade Policial tem essa potestas coercendi para compelir as testemunhas a compare­ cer perante ela. Observe-se que o inquérito representa a primeira fase da persecutio criminis. v„ 1... O que a Autoridade Policial não pode é aplicar à testemunha faltosa a multa a que se refere o art. consoante dispõe o art. ordenando a sua condução” . com antecedência. entende Tornaghi que o disposto nos arts 218 e 219 do CPP. Se a parte. disser não prescindir do seu depoi­ mento. não comparecer sem motivo justo. intimada. é. também.faltosa a multa de R$ .. sem prejuízo do processo penal. apenas em Juiz. p. do CPP. a RS . Se pode fazê-lo quanto ao ofendido. Com a devida vênia. Se a testemunha for notificada a depor em plenário — perante o Tribunal do Júri — e não comparecer sem motivo justificado. Evidente que esse poder de coerção não implica o 355 .. e a testemunha. à multa de 1 a 10 salários mínimos. a testemunha não comparecer.. quanto a determinar-lhe a condução coercitiva. por desobediência. dependendo da sua situação econômica.. Na verdade ele é inquisitório e inquisitio sine coertione nulla est.. também. podendo. sem embargo de ter sido regularmente notifi­ cada. processá-las pelo crime de desobediência. sem prejuízo do processo penal. 4. Mas ali o legislador minus dixit quam voluit.do art. aplicada pelo Jniz-Presidente.). 219 do CPP. para depor. ensina Tornaghi. como.. caput. nos termos do art 458 do CPP.. respeitante ao dever de compare­ cimento. inquisitório. estará sujeita. destinada a preparar a ação penal.. porquanto se trata de sanção cuja aplicação cabe exclusi­ vamente ao Juiz.. inclusive. 218 fala. discordamos. aplicar-se-á o disposto no § 1. ainda.

a Autoridade Po­ licial poderá aplicar o disposto no art. 10 acentua que “no relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas.... E as testemunhas não deixam de sê*lo. cit. 282). no inc. mas sujeitos processuais. por intermédio de órgão próprio. Entendemos diferentemente: o dever de depor acarreta o de com~ parecer diante da autoridade . la obligación de dar testimonio que incumbe a todo residente en territorio nacional. do contrário... “mas o dever de depor não acarreta o de comparecer diante da autoridade”. por analogia.. A que extremos de inanidade se reduziria a ação da Polícia? Se assim não fosse. deposición” (Derecho. v..de multar. p. que é a Autori­ dade Policial. Entretanto é de ponderar que. de nada valeria a natureza inquisitiva do inquérito. Nem se concebe que a eficácia da investigação policiai ficasse à mercê dos cidadãos-testemunhas. exercendo esse poder de autode­ fesa. se abalançaria a marcar encontros com as testemunhas. per­ mite-se à Autoridade Policial “colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias”. estaria calando a verdade em “processo policial” (Processo. investigando o fato infringente da lei e seu autor para. p.). Outro não é o ensinamento de Manzini: “el deber de testimonio comprende tres obligaciones: comparecencia. entendemos que.. Dir-se-á que o art. E. o sea. E Fenech arremata: “el deber de testificar. para ouvi-las. Aí. que é exclusivo do Juiz como poder de disciplina que tem sobre os sujeitos processuais. acusar. cit. exercer esse poder de coerção sobre as testemunhas. evidentemente. bem como processar a testemunha desobediente. 3. os inquéritos dificilmente seriam peças informativas. inclui-se o poder de ouvir testemunhas. Sujeitos secundários ou impróprios. e tan­ to é verdade que o § 2Qdo art. Nem teria sentido que o Estado. Aliás. juramento y deposición” (Derecho. 6a do CPP não se refere à ouvida de testemu­ nhas. em seguida. 218 do CPP. JH do mesmo artigo. não pudesse. nas residências destas. mormente com acúmulo de serviço. 1. cit. 818 e 836 e s.. p„ 486). por infringir o disposto no art 330 do CP 356 . o próprio Tomaghi sustenta que a testemunha tem o dever jurídico de depor no inquérito. puede diíerenciarse en tres subdeveres. pois nenhuma Autoridade Policial. Ante essas considerações e sem nenhum deslustre à opinião do notável processualista. juramento. comparecencia. v. pois. por outro lado.

à exceção do flagrante. LXI do art.. A testemunha. Há algum exagero. toda prisão. atualmente.. 203 do CPP: “A testemunha fará.. Diz o art. A vingar entendimento diverso. Se não pode deixar de ir.Por outro lado. Dir-se-á: mas a testemu­ nha não deixa de sofrer uma restrição na sua liberdade ambulatória. é uma condição que reforça a consciência cívica da testemunha. se o inquérito é peça inquisitiva. É certo que. sob pena de processo por desobediência..Aliás. ” E o art. sob palavra de honra. 20. . restrição à liberdade ambulatória. está sofrendo restrição no seu jus libertatis. 434 da Ley de Enjuiciamiento Criminal.. no dizer de Asenjo. 52 da CF. Dever de prestar compromisso A testemunha. não faz sentido deva o Delegado solicitar ao Juiz a expedição de mandado de condução coercitiva para que a testemunha seja levada à Delegacia. há juramento e é feito em nome de Deus. somente o Juiz é quem pode determinar toda e qualquer prisão. Esta é a privação da liberdade mediante clausura. e assim mesmo fundamentadamente.. não pode deixar de ir à Delegacia. uma vez que tal ato impli­ ca. e como inquisitio sine coertione nulla est. argumentando que a condução coercitiva da testemunha implica restrição da liberdade ambulatória e. a Autoridade Policial também não po­ derá determinar a intimação de testemunhas. o que é diferente. há até. pela sua inutilidade. nos termos do inc. Na con­ dução coercitiva não há uma prisão. pois. so­ mente poderá ser determinada pelo Juiz. Certo Contudo. tem o dever de dizer tudo o que souber a respeito do que lhe for pergunta­ do Deverá falar a verdade e somente a verdade.. comparecendo perante a autoridade para depor... o que a Constituição veda é a prisão.. à exceção do flagrante. também. 210 completa: “ .devendo o Juiz adverti-las das penas cominadas ao falso testemunho” No Direito espanhol. legalmen­ te intimada (rectius: notificada). nos termos do art. quem procure analisar o problema sob a ótica constitucional. a promessa de dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado. Los testigos prestarán el jura­ mento con arreglo a su religión’\ (O juramento será prestado em nome .. “El jura­ mento se prestará en nombre de Dios. Muito embora Bentham pretendesse excluir o juramento ou com­ promisso. ele tem grande importância. o que não ocorre naquela.

toda a verdade e nada mais que a verdade. e nesse caso as razões são óbvias. mais ou menos nestes termos: “O Sr. Soleniza mais o ato. Também estão isentos do dever de prestar compromisso o ascen­ dente ou descendente. Assim é que. sans haine et sans crainte. o afim em linha reta..de Deus. aquelas enumeradas no art. igualmente. 206 c/c o art. É um simples compromisso. (Antes do início do depoimento. como diz Bento de Faria. de dire toute la vérité. nessa qualidade. quando não puderem recusar-se a fazê-lo (art. 208). 208. sob pena de ser processado pelo crime de falso testemunho” Entendemos até que a autoridade deverá ler-lhe o disposto no art. é tomado de maneira tão rápida que a testemunha nem sabe o que lhe foi solicitado. após a sua qualificação. 206. a autorida­ de far-lhe-á uma advertência. então. 208 “não podem avaliar e compreender a importância de tal compromisso”. a mãe ou filho adotivo do acusado. os doentes e deficien­ tes mentais e os menores de 14 anos não prestarão compromisso. 342 do CP. nos termos do art» 208 do CPP. como as pessoas a que se refere o art.) O art.) comparece aqui como testemunha e. e. Por outro lado. não o fizerem? 358 . é de ponderar que tal compromisso tem apenas um valor simbólico. a lei as dispensa de prestá-lo. ou. E se. 21.. o irmão e o pai. O dever de prestar compromisso admite exceções. não há tanta formalidade. que. As testemunhas prestarão juramento segundo sua religião. les témoins prêtent le serment de parler.) Entre nós. Dispensa. 331 do Code de Procédure Pénale estabelece: “Avant de commencer leur déposition. ainda que desquitado. porventura. rien que la vérité”.. trata-se de mero estímu­ lo moral. todas as demais chamadas a depor deverão prestar compromisso. Ausência de compromisso Salvante as pessoas citadas no art. o cônjuge. as testemunhas prestam o compromisso de dizer. deve dar sua palavra de honra de dizer a verdade e somente a verdade do que souber e lhe for perguntado. quando tais pessoas quiserem depor ou. (Sra. Comparecendo a testemunha. às vezes. sem ódio nem temor.

564. 488). Comentários. Diz o art. III do art. O depoimento de uma testemunha não é considerado ato essencial ou estrutural do pro­ cesso. 564. para os atos acidentais (e são todos aqueles não previstos no inc. a omissão ou inobservância de formalidade essen­ cial acarretará a nulidade.. p. Data venia.. pois. v. a ausência do compromisso poderá acarretar nuli­ dade se se provar haver decorrido daí prejuízo para uma das partes.. E. 564. não há cuidar-se de nulidade. IV do art.. Se não o houve nem afetou a apuração da verdade substancial.. IV). EU (cf. p.. muito menos o será a formalidade para ele pres­ crita (art. negar a verdade ou calar o que sou­ 359 . III do mesmo artigo enumerou”. Assim. E arremata: nem se compreenderia que a falta de um ato não es­ sencial deixasse de constituir nulidade. Instituições. Trata-se de ato acidental. Assim.. 564. pois. 3.. para constituí-la a simples omissão de formalidade a ele inerente. interpretando o inc. a nulidade ocorre­ rá quando for omitida alguma formalidade essencial ao ato. cit. Assim. um estímulo moral. IV.. 22. se houver prejuízo para a acusação ou para a defesa. cit. Importância do compromisso O compromisso que a testemunha assume de dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado representa. H í do art. 4. que deve ser reproduzido. 566). se ela afirmar uma falsidade. isto é. Apenas aqueles catalogados no inc. assim se externa: “dizendo o legislador que a nulidade ocorrerá por omissão de formalidade que constitui elemento essencial do ato... desde que este represente termo essencial do processo e sua preterição importe em nulidade.. Desse entendimento é Tomaghi (cf.. 4. p... o compromisso é formalidade essencial Camara Leal. no caso. 16). E. Tudo dependerá da hipótese sub judice. que haverá nulidade por omissão de formalida­ de que constitua elemento essencial do ato. v. com a prévia tomada daquele (Código. v. 99).Espínola Filho entende que a falta de compromisso invalida o ato.. apenas. permitimo-nos fazer uma distinção.. 564). cit.. ou se influir na apuração da verdade substancial (art. segundo o disposto no art. 563 c/c o art. os que o n. se tal ato não é essencial. devemos compreender que foi intenção sua refèrir-se somente àqueles atos considerados essenciais ou substanciais ao processo. Camara Leal. 564.

. poderá a testemunha ser processada pelo falso.. 488) Houve quem pensasse que. Em sentido contrá­ rio. que fa­ lava em “jurar falso em juízo”. ”. Asseverar em juizo como tes­ temunha. 392/115. o atual CP li­ mita-se a dizer: “Fazer afirmação falsa.. cit. 9. p. § 12)„ Logo. cit.. 492/287. ainda preso à ideia de que a testemunha para ser sujeito ativo do falso devia pr estar juramento ou compromisso. 342 do CP. uma falsidade. ve­ jam-se Nélson Hungria (Comentários. A contrario do Código Criminal de 1830. 360 . 429/376. 472). v. Bento de Faria (Código Penal. Outro não é o entendimento de Tomaghi (cf. a testemunha pode ser processada por falso. art 342. Magalhães Noronha (Direito penal. entretanto. 415/63. como testemunha. Heleno C. 2. tal como exigido pelo Código de 1890 (Art. v. qualquer que seja o estado da causa e a natureza do processo. preste compromisso ou não.). 1968. v. Não sendo o art 342 norma penal em branco.ber. Tomaghi: “Se depõem.. não teria sentido aperfeiçoar-se o tipo com elementares extraídas de outras normas. v. cit. 1958. v. 4. nos termos do art. 4. ou negar a verdade. 4. p. nos idos de 1940. 508/354. embora dispensados da promessa de lealdade. ed. prestando ou não prestando compromisso. ou em juízo arbitrai”. Bushatsky. os jul­ gados publicados na RT. 3. 489) No mesmo sentido. tradutor ou intérprete em processo judicial. perito. exigindo o CPP a prestação do compromisso. 4. p„ 1218). Mas será que deve ser assim? Por que desobrigadas desse dever? Se.. RT.. este passaria a ser da essência do testemunho. Na verdade. Instituições. p. v. p. o legislador.. que dizia “asseverar em juízo como testemunha sob juramento ou afirmação. sob juramento ou afftrmação. Fragoso (Lições de direito penal. A pena será aumentada “se o crime é cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal” (CP. e do de 1890. 261. Incisivo. policial ou administrativo. sem mentira nem reticência” (cf. também. E.. p. Não é ver­ dade.. 177). responderá pelo crime de falso testemunho. 440).. 321/71. pouco importando haja ou não prestado compromisso. ou negar ou calar a verdade. Vejam-se. 370/89.. têm o dever de ser verazes. Saraiva. por que desobrigar aqueles parentes do réu de pres­ tá-lo? A nós nos parece que quando da elaboração do CPP. o compromisso não e' pressuposto ou elemento essencial do falso testemunho. 448/359. Instituições.

não pretendendo envolver o cônjuge. essas dis­ torções não teriam ocorrido. Daí as palavras do inolvidável Hungria: “Tendo o Código abolido a condição ou pressuposto do ‘juramento ou compromisso’. 206 e 208 do CPP Já entendemos de modo diverso. materno. 342 do CP conjugado com os arts.. 597/333.. . 607/305.. ao tratai “Do processo e julgamento dos crimes de calúnia c injúria. e que nos parece o certo e justo. 261 do CP de 1890.. a desagre361 . É ainda o que nos resta. Fossem aquelas pessoas obrigadas a dizer a verdade. num processo envolvendo um ente querido. mesmo porque esse dispositivo legal não incluiu o compromisso entre as elementares do tipo. o entendimento majoritário. vin­ do a faltar com a verdade. do CP de 1890: “Julgar-se-ha i n j ú r i a b ) a imputação de fac tos offensivos da repu­ tação.”.. 342 do CP se a testemunha parente do réu vier a depor (seja voluntariamente. do decoro e da honra.) . cit. nada mais que a verdade. em face da tendência ao abastardamento de costumes (que se observa. é no senti­ do de que a testemunha descompromissada não comete o falsum (RT. paterno. pensa­ mos que o legislador processual penal não quis que aquelas pessoas relegassem a plano inferior os interesses familiares. 693/348 e 710/267). Essa a mens legislatoris.. Hoje. em suma. Fenômeno parecido pode ser encontrado no Capítulo 1H do Título II. à semelhança do que ocorria com o art. Se o legislador processual penal esti­ vesse em absoluta e plena sintonia com o legislador penal. Dizia a propósito o art. deste Código. acentuadamente no cenário polí­ tico). porquanto as relações de família deviam e devem sobrepor-se ao interesse públi­ co. Antes do Código Penal de 1940.e. os laços familiares. O elemento histórico é importante para se dimensionar o alcance do art. para tristeza dos brasileiros. 546/383. Sem embargo.. b. Na dicção do art. Livro II. na legislação anterior. já não pode esta prestar impunemente o testemunho falso” (Comen­ tários. não há distinguir entre testemunha numerária e testemunha informan­ te. podia. Nos dias que cor­ rem. seja quando não for possível obter ou integrar a prova do fato e de suas circunstâncias por outro modo). Por que a omissão da difamação? Pelo simples fato de que. descendente ou irmão do réu num processo criminal por falso testemunho. Pode-se até afirmar: o legislador processual penal quis exclui-las do processo pelo crime de falso. contudo. estará sujeita às penas do falso testemunho. ascendente. desobrigou-os daquele compromisso. de competência de juiz singular”. 317. com muito maior razão devem ser preservados o amor fraterno. a difamação não passava de modalidade de injúria.

esta pela do marido. a desordem.. victajacet pietas. enfim. sem nenhum senso de solidariedade familiar. como proclama o art. estaríamos caminhando. A ordem há de ser sempre esta: Deus. p. o abismo. Esse comportamento é da própria natureza humana. dos avós.. entendemos que as pessoas citadas no art. filius ante diem pátrios inquirit in annos. é obrigado a prestar depoimento em detri­ mento de qualquer deles... Daí ter observado Espínola Filho que “a circunstância de não prestarem compromisso coloca essas pessoas em situação tal que não são forçadas a uma estrita observância da verdade... v 3. o caos. normalmente. Repensando sobre o tema.. é sinal de que a desagregação da família já começou. Só mesmo um pai ou um filho desprovido de sentimento e de formação. entre a eventual impunidade do réu e a preservação da unidade familiar. Mesmo quando o Juiz as informa no sentido de não serem obrigadas a depor.. Imminet exitio vir conjugis.... *’ í . sem nenhum senso de solidariedade familiar.. naqueles testemunhos. ne­ nhuma mãe. O marido faz votos pela morte da esposa. um rico e valioso filão. a passos largos. é muito comum haver testemunhas que fazem um relato diferente dos fatos e.. muitas vezes. concórdia entre os irmãos também é rara. 109).„ E. Do contrário. e as adverte das conseqüências de um falso testemunho. a confusão. Poderão prestar informações que não impliquem comprometimento. 206 não podem ser processadas por falso testemunho.” (Código. com a desagregação da família. já se falar em falso teste362 .. com a desorganização do Estado. não há termo de comparação. A pie­ dade jaz vencida.. apressadamente. desnarurado mesmo. nenhum filho. e pelos motivos expostos. é sinal de que o sentimento familiar falou mais alto..” (a. deporia contra um filho..í ■h 7“ ? :ii ' I M ■\ ! gação familiar encontraria. se vierem a fazê-lo. dos cônjuges em procurar amparar e proteger uns aos outros. Há. cit. Família.. Só mesmo um pai desprovido de sentimento e de formação. sobre os anos de vida do pai.. a desorganização do Estado. antes do tempo. fratrum quoque gratia rara est.. illa mariL.. proporcionalmente. o filho consulta. dos filhos. Se houver inversão. um incomparável ponto de partida. Por outro lado. para aquela quarta idade de que falava Ovídio nas suas Metamorfoses: 11.. Essa conduta protetiva chega a ser de direito natural. e o mesmo se diga deste em relação ao pai.).. Todo respeito para com essa testemunha é pouco. Por isso nenhum pai.. 305 do Código Procesal Penal do Chile.I ! I j l I 1 l I < * 5 >■jj.. deporia contra o outro.. uma irreprimível tendência nos corações dos pais. E. Estado.

.. no século XIX. 531. em capítulos anteriores. houvesse dito que estivera na lua. o astrólogo estava convencido de que o fim do mundo chega­ ria mesmo No segundo. parágrafo único) Tratando-se de procedimento do Júri. fazer apresentar imediata­ mente a testemunha à Autoridade Policial (art. fazer apresentar imediatamente a testemunha à Autoridade Policial. O falso testemunho. Providências que se tomam quando a testemunha depõe faisamente Se a testemunha depuser falsamente. Por isso. outra. conforme determina o art. emoção. 342 do CP. no caso de proferir decisão na audiência (arts. ele sabia que nunca estivera na lua. não obstante esteja cer­ ta de estar dizendo a verdade. o disposto no art. a ponderada observação de Hungria: “A falsidade de que aqui se trata (art. remeter cópia do depoi­ mento à Autoridade Policiai paia a instauração de inquérito. mentira. aliud dicere mendacium (uma coisa é mentir.munho. 473). é bom que se diga. subconsciente traído pelas informações prestadas por outras testemunhas. 9. após a votação dos quesitos. já se dizia: Aliud est mentire. Se a testemunha depuser falsamente em sessão plenária (processo da competência do STF. Assim. a testemunha pode depor diferentemente daquilo que viu. se alguém. Muitas vezes.. 342) não é contraste entre depoimento da testemunha e a realidade dos fatos. Se o depoimento falso for prestado em plenário de julgamento. se o processo for da sua competência. dizia mentira. 403. p. ambos do CPP). Vimos. poderá o Tribunal. mas entre o depoimento e a ciência da testemunha” (Comentários. 211.. cumprirá ao Juiz.. aqui. que circunstâncias várias podem levar uma testemunha a fazer um relato infiel... nos processos da competência do Juiz singular. v... quando um astrólogo do século XVIII dizia que o mundo ia acabar antes do século XX. logo após a decisão. por conseguinte. se o falso for cometido antes da pronúncia ou em plenário do Júri. a 363 . como falta de atenção. cit. mas entre o que ela disse e o que sabia. violando. por razoes várias. não existe entre a afirmação da testemunha e a verdade objetiva. Mas. TRF. Tribunais Eleitorais ou Tribunal de Jus­ tiça). ao pronunciar a sentença final.. falta de memória. duração dos estímulos. No primei­ ro caso. dizer mentira). 1 23. 211 do CPP.. poderá este. Convém..

ou negou ou calou a verdade sobre fato relevante para o jul­ gamento da causa?” Se a resposta for afirmativa. o fato deixará de ser punível. Revista dos Tribunais. São conhecidas quatro correntes: Ia) Ação penal por crime de falso testemunho não pode ser iniciada enquanto não proferida a sentença no processo em que foi praticado.. que esta tenha transitado em julgado (RT\ 185/632. enten­ demos que se em plenário a testemunha depuser falsamente sobre fato relevante. remetendo-lhe. como bem lembrado por Magalhães Noronha. p. até antes da sentença final. deverá requerer ao Juiz-Presidente formule um quesito extra e derradeiro. TRFs. respondido afirmativamente ao quesito sobre o falso. São Paulo. a respeito do assunto. Por que motivo o Juiz. também.. que poderá ser assim redigido: “Fulano de Tal. 654). e. objeti­ vando a instauração de inquérito. e continuando ela no edifício onde atua o Tribunal Popular. pois. Não obstante discutível. Mirabete (Código. TREs. se tal fosse possível. entretanto. 303/67). deverá o Juiz encaminhá-la à Autoridade Policial. após a votação do quesito. 2a) Pode ser iniciada a ação penal por crime de falso testemunho antes de proferida ou transitada em julgado a sentença no processo em que foi cometido 3a) Pode ser iniciada e julgada a ação penal por crime de 364 . p„ 575) . e não por qualquer dos jurados. Entendemos que se o falso ocorrer em plenário e a testemunha ainda estiver presente. que depôs como testemunha. na fase da instrução criminal (ou em plenário. “estaria quebrado o sigilo da votação” Nesse mesmo sentido. confor­ me dispõe o § 32 do art. também. fez afirma­ ção falsa. cópia do depoimento considerado falso. 342 do CP É verdade que. 356/295. nesse caso. o Tribunal ou o Conselho de Sentença não podem tomar tal providência antes de proferir a decisão? É que. 225/75. compete ao próprio órgão julgador a medida já indicada. cit. cumprirá ao Juiz proceder de con­ formidade com o parágrafo único do art. Estamos convencido de que o quesito deve ser requerido pela parte interessada. Adriano Marrey e Alberto Silva Franco (Teoria e prática do júri. o agente poderá retratar-se e declarar a verdade. nada obsta seja ela presa em flagrante Nesse sentido. 2000. 211 do CPP.. STJ.parte que se sentiu prejudicada e entender que a testemunha fez afirma­ ção falsa. no processo n„ cujo julgamento acaba de findar. Tribunais de Justiça). há flutuação jurisprudência!. Da mesma forma se o falso for praticado durante julgamento da competência dos Tribunais (STF. e estando a testemunha ainda presente ao Tribunal Popular. não se exigindo. se for o caso).

nos termos do art. de regra. diante da conexidade.falso testemunho antes de proferida a sentença no processo em que foi cometido (RT. nada impede a instauração de processo por falso testemunho. 365 . Assim. 2-9-2002. na linguagem da Expo­ sição de Motivos que acompanhou o Anteprojeto do CPP. ReL Félix Fischer. A competência. quando há fiel correspondência entre o fato e o tipo legal do crime. A ação penai e seu julgamento.. na comarca onde prestou a testemunha seu depoimento? Entende Hungria que. Mesmo porque. DJU. Nesse sentido.013/SP. ainda em curso os autos do processo onde ocorreu a falsidade. a testemunha raendaz pode retratar-se... 421/89 e 460/83). ficam subordinados a dois princípios: a) se o falso testemunho foi praticado em processo criminal. porém. isto é. HC 16. p. determinada pelo lugar em que se consumar a infração A infração consuma-se. devem cor­ rer juntas. 70 do CPP. havendo um só julgamento. 4a) Nada impede que tenha início a ação penal por crime de falso testemunho antes de proferida a sentença no proces­ so que lhe deu causa. a ação penal só pode ser julgada depois de proferida a sentença naquele (RT. Ousamos divergir do ilustre mestre. con­ quanto a decisão respeitante ao falso suceda àquela proferida nos autos principais. o foro competente não é o do Juiz deprecado. mas o do Juiz deprecante. antes da decisão final nos autos em que se consumou o falso. se o falso depoimento é prestado quando do cumprimento de uma precatória. 210. 211 e parágrafo do CPP Todavia.. o foro competente para o processo e julgamento de testemunho falso é sempre o do lugar em que se cria o perigo de dano à Administração da Justiça. será. não porque o crime de falso tes­ temunho não se tenha consumado antes de proferida a sentença no processo em que foi cometido. Filiamo-nos à primeira corrente. Por que instaurar o processo por falso testemunho se ainda será possível a retratação? Parece-nos ser esse o espírito do art. b) se o falso testemunho foi praticado em processo extrapenal. mas sim por ser mais prático e por atender ao principio da economia processual. as duas ações. STJ. E se a testemunha for ouvida em outra comarca (art 222) e ai depuser falsamente? O processo pelo falso testemunho corTerá no juizo deprecante ou no juízo deprecado. 286/82). embora o crime se consuma com o fecho do depoimento.

a competência é do Juízo deprecado. quando se consuma o crime de falso testemunho? Pres­ tando o depoimento. 245/586. Na verdade.. às vezes.. esbarra num obstáculo: trata-se de detalhe que pode ser muito importante. o crime defalsum. como diz Soler: "‘El re­ lato no se toma falso. o venerando acórdão do STF na RT. 476). A consciência unão é chapa fotográfica.. O próprio STF tem aceito essa mesma tese (cf. v.. em princípio. Este se verifica quando surge discrepância entre o que ela disse e o que ela sabia.. o fato de haver desconformidade entre o que a testemunha disse e o que efe­ tivamente ocorreu não traduz. desinteresse ou outro motivo qualquer.Assim sendo. A propósito. o crime está consumado Logo. no se puede calificar como falso. quando a testemunha comparece perante a autoridade para reproduzir os fatos apreendidos pelos seus sentidos. No afà de pretender esclarecer o fato a que assistiu.. STF. por su posible 366 . é óbvio que. Veja-se. Seria até um anormal se dissesse para si mesmo: “vou observar todos os detalhes para não haver erro quando eu for depor. procura pre­ encher a lacuna com dados que lhe foram transmitidos por terceiros ou mesmo inconscientemente. também. Hungria. nem a memória é fonograma. 517/285. confusão.. cit. reduzido a termo e assinado pela testemunha e demais pessoas que intervieram no ato (Juiz e partes). há distorções provocadas por distúr­ bios psicossensoriais. Frederico Marques entende que o foro competente é o do juízo deprecado (cf. Aí. p. podem surgir. nota 8). e podem de­ formar os acontecimentos percebidos”. Não se deve deslembrar. falta de memorização e outros fenô­ menos. 595/344. 305. Da competência. quase sempre ditadas pela falta de atenção.. normalmente. Por isso. 1. cit.. a testemu­ nha.. p. repetimos. Evidente que quando alguém testemunha a prática de um crime não se preocupa em observar detalhes. ainda. Às vezes..” . Vejam-se. não há razão que justifique a violação do princípio de deter­ minação da competência ratione loci. e. 245/586. sim. 570/291. que. RT. os v. p. se o crime se consumou no juízo de­ precado. Comentários.. cit. pela própria imaginação. deformações da verdade.... inconscientemente. busca na memória a lembrança do acontecimento e.. Alcalá-Zamora noticia que os Tribunais argentinos têm aceito ambas as teses (Derecho. acórdãos na RT. haverá o falso testemunho ou.. à míngua de uma perfeita exatidão.. 174).

259). “a falsidade de que aqui se trata não é o contraste entre o depoimento da testemunha e a reali­ dade dos fatos. 1953. 206. 141/192). 24. inclusive. Sendo parente do acusado. sua profissão e lugar onde exerce sua atividade. No mesmo sentido. 1958. tal co­ nhecimento será relevante na aferição da prova a ser produzida. a testemunha não prestará compromisso. como já dissemos.. a teste­ munha arrolada.. o Juiz procederá à verificação pelos meios ao seu alcance. Tipográfica Editora Argentina. podendo. verificação de possível vinculação com as partes.. 9. 205: se ocorrer dúvida quanto à identi­ dade da testemunha. Hungria. cit.. Buenos Aires. sino por su discordancia con las percepciones de los hechos. podendo. E assim mesmo é preciso que ofalsum verse sobre ponto relevante para o de­ sate da causa (RT.cliscrepancia con los hechos. realmente. sua residência.. entretanto. Acrescenta o art. Forense. pues. a autoridade adiantar-lhe não estar obrigada a depor. La falsedad no consiste. para que se considere criminosa. advertência e objeto concreto do depoimento No depoimento podem distinguir-se quatro momentos: a) Verificação de identidade. 650/316. b) Verificação de possível vinculação com as partes. t. v... Assim.). Comentários. tomar-lhe o depoimento desde logo. ou de amigo ou inimigo de qualquer das partes. por meio da qual a autoridade pro­ cura cientificar-se de que a pessoa que vai depor é. Depoimento: verificação de identidade. sua idade. 5.. deve incidir sobre fato juridicamente relevante e pertinente ao objeto do processo de que se trate (Hungria... p. 367 . deverá a testemunha declarar seu nome. Se se tratar de parente do acusado. mas entre o depoimento e a ciência da testemunha” (Comentários ao Código Penal. ou da vítima. en 1a discrepancia entre el relato y los hechos reales. 473). fora da hipótese do art. RTJ. p. A falsidade do testemunho. sino en la discrepancia entre los hechos referidos y los hechos sabidos” (Derecho penal argentino. den­ tro daqueles graus apontados no art. Tal indagação é importante porquanto possibilita à autoridade saber das relações de parentesco ou amizade com as partes. seu estado civil. 206.

. por primeiro esta formulará as perguntas. um processo penal puro. Tratava-se do chamado sistema presidencial. já é hora de não mais se permitir ao Juiz a prática de atos que são próprios das partes. Requisitar inquérito. em seguida. in fine) . diz o parágrafo úni­ co do art. Somente o Juiz é que se dirigia à testemunha. ser destinatário da represen­ tação. decretar de ofício prisão preventiva. tudo precisa ser revisto para que possamos ter um processo eminentemente democrático. 203 do CPP. permitindo-se ao Juiz. o sistema adotado é o do cross examination. se o Juiz entender necessários outros esclareci­ mentos. Em seguida será dada a palavra à Defesa. ouvir testemunhas além das indicadas pelas partes. um poder complementar. Talvez seja um caminho para futuramente ser instaurado. deveriam requerê-las àquele. Agora. 11. ou quais as suas relações com qualquer delas.Assim. excepcionalmen­ te. entre nós. Ê o direct examination.690/2008 inverteu o sistema. será dada a palavra ao Ministério Público ou querelante para que formule diretamente à testemunha perguntas sobre os fatos objeto do processo e suas circunstâncias. Em face dessa nova redação dada ao art 212. ordenar diligências não requeridas. a autorida­ de tomará o compromisso da testemunha de dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado. 210. deverá a autoridade per­ guntar à testemunha se é parente. Cumpridas as formalidades sub a e b. A Lei n. cada uma das partes. nos termos do art. que as formu­ laria à testemunha (art. por primeiro são as partes que fazem diretamente suas pergun­ tas. à medida que vai 368 . c) Advertência. a advertência das penas cominadas ao falso testemunho (art. Por último. Adotávamos o “presi­ dencialista” : o Juiz inquiria a testemunha e em seguida concedia a palavra às partes. e em que grau. e estas faziam reperguntas por intermédio do Juiz. Se as partes quises­ sem formular reperguntas. 212 do CPP. 212). de alguma das partes. Compromissada a teste­ munha. Na América do Nor­ te. Se a testemunha for da Defesa. fazendo... por exemplo. em que as partes se dirigem à testemunha. ele mesmo fará as perguntas à testemunha. De acordo com essa maneira de produzir a prova testemunhai. que agirá da mesma forma.Concedeu-se ao Juiz um simples poder integrativo no que respeita às indagações das partes. d) Objeto concreto do seu depoimento.

devendo as perguntas das partes ser formuladas por seu intermédio. Rei. salvo se não tiverem relação com o processo ou importarem em repetição de outra já respondida. exercendo um poder integrativo. será subscrito pelo escrivão e assinado pelo Juiz. a menos que o depoimento seja gravado por outro meio. consoante as disposições do referido dispositivo” (HC 137. ^ ) ) ) ) } ) j ^ > . anular a audiência de instrução e julgamento realizada em desconformidade com a previsão contida no a rt 212 do Código de Processo Penal. patente o constr angimento. somente o Juiz é que se dirige à testemunha.) sustentando a acusação ou a defesa. Se a testemunha não souber assinar ou não puder fazê-lo. Cumpre adiantar que o Juiz não poderá criar obstáculos àsperguntas das partes. 212 do CPP pela Lei 11 690/08 determina que as vítimas. depois de lido o depoimento em presença de ambos . pelo menos até que haja nova reforma. 5a T . Se o Tribunal de origem admite que houve a inversão na inquirição. confirmando a liminar. em seguida o Advogado do assistente. as testemunhas e o acusado sejam ouvidos direta e primeiramente pela acusação e na seqüência pela defesa. 2. bem como os atos subsequentes. ^ ) ) ) ) ) ^ ^ ) ) ^ ^ ) j ) ) . pela testemunha e pelas partes. depois. consignando que o Juízo Singular incorreu em error in procedendo.DJe. A inversão dessa ordem implica nuiidade por atentar contra o devido processo legal.. De acordo com o sistema presidencial ou judicial. u . o certo é que caberá ao Juiz ditar as respostas ao escrivão para que este as digite ou datilografe. por ofensa ao devido processo legaL 3. a Defesa e por último o Juiz. pedirá a alguém que o faça por ela. Min. o direct examination. Da pergunta impugnada deverá ficar memória no termo Embora sejam as partes que fazem as perguntas à testemunha. se houver. ou o querelante. possibilitando ao magistrado complementar a inquirição se entender necessãrio esclarecimento. A Acusação se dirige diretamente à testemunha. 13-10-2009) . Arnaldo Esteves Lima. Ordem concedida para. tratando-se de ação privada. determinando que outra seja realizada. 369 ) . v. A final. Agora passamos a adotar. sanável pela via do habeas corpus.09l/DF. Recentemente o STJ assim se manifestou: “ L A nova redação dada ao art. vai indicando e interrogando testemunhas sobre cada ponto de sua sustentação.

deve o Juiz tratá-la com delicada austeridade.Na redação dos depoimentos. Às vezes. Sabe-se quão difícil é a tarefa de inquirir a testemunha. informar a época. Tratando-se de testemunha que não conheça a língua nacional. Ouvem-se. O que não pode é fazer perguntas sugestivas: o cavalo era branco? Nos seus estudos de Direito Civil.... se qualquer testemunha houver de ausentar-se. Há quem entenda que o Juiz deve fazer com que a testemunha. determinar que as demais permaneçam em sala própria. enquanto estiver ouvindo uma testemunha. deverá o Juiz. Mário Guimarães ensina que o Juiz deve relacionar o caso. poderá. Às testemunhas são inquiridas cada uma de per si.. o thema probandum. deve o Juiz auxiliá-la. recebeu a visita de um parente. 401 do CPP. 225 do CPP. As testemunhas são ouvidas na audiência de instrução e julgamen­ to. inspirar receio de que ao tempo da instrução já não exista. Há. mormente quan­ do ela não quer revelar a verdade. as de defesa. segundo estabelece o art. o Juiz poderá. Segundo prescreve o art. Para tanto. quando a testemunha for pessoa arrogante ou algum finório da cidade. Nesse caso. reproduzindo fiel­ mente as suas frases. 370 . ou. sim. 25. entretanto.. consoante prescreve a primeira parte do art. à vida da testemunha. Assim. Tal fato ativa-lhe a memória.. o Juiz deverá cingir-se tanto quanto possível às expressões usadas pelas testemunhas. por último. Às vezes quer. por primeiro.. Número de testemunhas Quantas testemunhas poderão ser arroladas pela Acusação e pela Defesa? Depende. 210 do CPP. lembrando-se da visita. pou­ co importando o número de corréus . de oficio ou a requerimento de qualquer das partes. ativando-lhe a memória. aguardando sua chamada. mas o tempo apagou algumas impressões ou tomou confusas outras. No procedimento comum ordinário.. exceções. por enfer­ midade ou por velhice. será nomeado intérprete para traduzir as perguntas e respostas. se a testemunha. as testemunhas de acusação e. no ano ou mês em que ocorreu o fato. sinta-se como se estivesse em casa.. Problema delicado é o que diz respeito à tomada do depoimento. Mas já se disse que. de modo que umas não saibam nem ouçam os depoimentos das outras... no Fórum. tomar-lhe antecipadamente o depoimento. por exemplo. o autor poderá arrolar até 8 testemunhas.

da competência dos Juizes singulares. . mesmo que a pena cominada ao crime seja a de detenção. haverá mera irregularidade (RT. quer para a Defesa (5 para cada uma das partes). i 1. cada um poderá arrolar o máximo legal. ainda que a pena cominada à infração seja reclusão ou detenção. o Promotor poderá arrolar até 3 testemunhas. A vingar a tese. não haverá nenhum pre­ juízo. por exemplo. art. já que umas podem conhecer um réu e não o outro e vice-versa. nessa hipótese. Há decisões no sentido de que se o Promotor arrolou 11 testemunhas em vez de 8. nos processos por crimes falimentares. 396-A. sofre exceções.A Defesa poderá arrolar. Aliás. É claro que se forem 2 réus. data venia. pacífica e remansosamente. Nos processos por crime contra a honra (calúnia.. o número máximo de testemunhas será de 8 para cada uma das partes. também. nesse caso. 371 . idêntico número. nos Juizados Especiais Criminais esta tem sido a regra observada.. a Acusação poderá arrolar até 8 testemunhas e a Defesa também. embora a Lei n. difamação e injúria). a Defesa apresentaria também 11 testemunhas ou mais. e. Tratando-se de procedimento sumário.. nesse caso. da competência do Juiz singular. 519 do CPP. por força do disposto na Lei n. embora a pena seja a de detenção. Se se tratar de contravenção. Se for o mesmo Defensor.099/95 silencie a respeito. Também nos processos por crime de responsabilidade de funcio­ nário público. nada impede que a Defesa apresente um documento firmado pelas testemunhas excedentes falando das boas qualidades do seu cliente. Tal decisão não nos parece. 9. concedendo-se igual direito à Defesa (CPP. Mas. 401 do CPP. o autor poderá arrolar até o máximo de 5 testemunhas. o número máximo de testemunhas será de 5. segundo se deduz do art . 588/307). haveria um verdadeiro tumulto dentro no processo. por exemplo. entretanto. E. com Defensores distintos. mesmo porque esses testemunhos ficam na dependência do que disserem as folhas de antecedentes. salvo a hipótese de testemunhas sobre antecedentes. Assim. e igual direito se reserva à Defesa. como determina o art. 531).. Essa regra geral. quer para a Acusação..101/2005. como se infere do disposto no art. no prazo a que se refere o art. 518 do CPP. conforme ao direito e à Justiça. não haverá necessidade de maior número de testemunhas.

de 23-8-2006).. É de salientar.. na ação penal pública. 26. Quanto à Defesa. poderá a parte arrolar teste­ munhas em outro momento processual. 34. quando julgar neces­ sário. e 422. infine). do Estatuto da Advocacia. conforme dispõe o § l 2 do art. em casos especialíssimos. dispõe o art 209 que o Juiz. ou o ofen­ dido ou seu representante legal. Muito embora mencionado preceito esteja encartado no capítulo concernente ao procedimento comum. na ação penal privada ou subsidiária da pública. 401 do CPP.. todos do CPP Se por acaso ocorrer força maior devidamente comprovada. Haja vista os arts. Entretanto. 454/351) E se no decorrer do prazo o De­ fensor vier a abandonar a causa? Ele não pode nem deve fazê-lo Mui­ to a propósito o art. 386-A do CPP). 523. serão ouvidas as pessoas a que as testemunhas se referirem.. Não há razão alguma que impeça e proíba tal entendimento. 384 e parágrafos. 41. e. testemunhas arroladas serodiamente. Oportunidade para arrolar testemunhas Em que momento processual poderão as partes arrolar testemunhas? O órgão do Ministério Público. art. suas testemunhas só poderão ser indicadas quan­ do da “resposta do réu” (art. art. 524) e nos processos da competência originária dos Tribunais Nos crimes pertinentes ao uso e tráfico de entorpecentes. se ao Juiz parecer conveniente. além das indicadas pelas partes.343. poderá ouvir outras testemunhas. somente poderá arrolar testemunhas quando do oferecimen­ to da denúncia ou queixa (CPP. como se fossem suas. poderá a “resposta” ser feita posteriormente (RT. se 372 .. 11. a des­ peito de apenados com reclusão.A mesma regra é observada nos processos por crime contra a propriedade imaterial (CPP. Por outro lado. o número máximo de testemunhas é de 5 para cada uma das partes (Lei n. Todavia. A RT. o certo é que tem aplicação nos procedimentos especiais. tão logo cesse a circunstância que a determinou. que nesse número não se compre­ endera as que não prestarem compromisso e as referidas. 511/351 registra um julgado permitindo ao Juiz ouvir. XI. por outro lado.

207 e 208” (grifos nossos). numa ou noutra hipótese. estado civil. que a tomem suspeita de parcialidade. no termo. ou. Tomaghi. Contradita e arguição de defeito Diz o art. profissão. antes de a testemunha relatar o que souber. a teste­ munha apenas declarou seu nome. contestação. embora o próprio réu possa apresentá-las. seu parentesco ou suas relações de amizade com qualquer das partes. residência e possível vinculação com as partes (se era parente e em que grau de al­ guma das partes e sobre suas relações de amizade com qualquer delas). isto é.. Não se deve olvidar que o Advogado não pode renunciar. deverá o Juiz nomeai-lhe outro. 27. então. antes de se entrar no objeto concreto do depoimento. Veja-se RT. 265 do CPP). ao Juiz consignai. 214 do CPP: “Antes de iniciado o depoimento. as partes poderão corztraditar a testemunha ou arguir circunstâncias ou defeitos. então. é evidente que somente poderá versar sobre o que a testemunha já declarou.. mas só excluirá a testemunha ou não lhe deferi­ rá compromisso nos casos previstos nos arts. Pois bem. sob pena de multa de 10 a 100 salários mínimos (art. ofício etc e deva guardar segredo. O Juiz fará consignar a contradita ou arguição e a resposta da testemunha. o prazo para a “res­ posta”. 28. impossibilidade de depor. salvo se houver modvo império-* so. Cumprirá. Logo. Contradita Contradita é impugnação. a contradita e em seguida ouvir a testemunha sobre aquela impugnação» consignando-se igualmente sua resposta. ou indigna de fé. reabrindo. por se tratar de pessoa que soube do fato em razão da profissão. vislumbrou duas hipóteses no artigo em exame: a contradita e a arguição de defeito. Ora. ou intimar o réu para constitui-lo. se a contradita ocorre antes de iniciado o depoimento propriamente dito.vier a fazê-lo. . argutamente. 670/300. poderá alegar sua falsa identidade. se a parte quiser contraditar a testemunha.

a testemunha será inquirida. salvo se se tratar de pessoa que souber do fato em razão do ofício. e. ministério ou função e deva guardar segredo. 11 . 217 do CPP.. nem por isso a testemunha deixará de prestar compromisso ou de depor. com a redação dada pela Lei n. 374 . prosseguindo na inquirição. a contradita antes de iniciar-lhe a inquirição.. de modo que prejudique a verdade do depoimento. é o previsto no art. fará retirá-lo. esta e a respostaDe qualquer sorte. 206 — caso queira a testemunha depor —. nesse caso.De qualquer sorte. quando da tomada de depoi­ mento de testemunha. então. Se o Juiz verificar que a presença do réu.. no termo. qualquer das partes teve conhecimento de algum fato ou circunstância que torna a testemunha suspeita de parcialidade ou indigna de fé. confirmando ou não a impugnação da parte. 29. o Juiz atribuirá maior ou menor valor probatório às suas palavras Outro incidente que poderá ocorrer. se se tratai1de qualquer daquelas pessoas enumeradas no art.. o Juiz não lhe toma­ rá o compromisso. consignando. poderá influir no ânimo da testemunha. ao Juiz consignar. Arguiçãio de defeito Outras vezes. dependendo do defeito arguido e da resposta. Ou então. Arguido o defeito. o Juiz a ouvirá sobre a arguição. no termo. profissão. Cumprirá. deverão constar do termo a ocorrência e os motivos que a determinaram.690/2008. e. com a presença do defensor Nesse caso. o Juiz a excluirá. pela sua atitude.

. Acareação e Documentos SUMÁRIO: I.. 5. Procedimento. 3. Autenticidade. 16. Reconhecimento é ato ou efeito de reconhecer Assim. reconheci­ mento é o ato pelo qual se faz a verificação e a confirmação da iden­ tidade da pessoa ou da coisa que é exibida. Do reconhecimento de pessoas e coisas.. Procedimento 6. 12. D os documentos 8. Do reconhecimento de pessoas e coisas Reconhecer é admitir como certo.. Desentranhamento 17.. acare­ ação.. Dos indícios 1. Qual o valor das acareações? 7. Quais os documentos que podem ser apresen­ tados? 13. 11 Momento para a apre­ sentação.capítulo 43 Reconhecimento. 14. verificar.. Borges da Rosa assim define: '‘a verificação da identidade da pessoa ou da coisa. 2. Docum entos em sentido estrito.. ou de evitar que ela seja confundida com qualquer outra semelhante” 375 .. afirmar. 15 Documentos em língua estrangeira.. Reconhecimento de coisas 4 Da. 9 Docum entos e instrumentos Instrumentos e papéis 10 Classificação dos documentos. no sentido de distingui-la de qualquer outra. Providência do Juiz.

cit. entretanto. A ação do tempo.. Derecho. p. 1. 1. A pessoa que procede ao reconhecimento faz uma evo­ cação à reminiscência e procura ver a semelhança entre aquela figura guardada na memória e aquela que lhe é apresentada. as más condições de observação. toma o reconhecimento uma prova altamente precária. 2. 502). p. v... No mesmo sentido. tudo. che la ricognizione richieda il pressupposto daTaltro mezzo di prova” (Prove penalU v.. Foi preciso revelasse ele um fato bem íntimo: a confecção da cama do casal.. cit. De igual entendimento é Tomaghi (Instituições. porquanto o “reconhecimento” foi encartado no capítulo pertinente à prova. quanto mais passa o tempo. Não se deve olvidar que Penélope. 332). absolutamen­ te tudo. 282) e Mirabete (Processo penal. o que dificulta seriamente o reconhecimento... 2. Por outro lado. que. A razão. cit. p. O reconhecimento é.. está com Florian. haya resultado positiva o negativa la identificación. e como meio de prova deve ser considerado. a mais falha. Às vezes a me­ mória não é boa. Y. 10). Bento de Faria (Comentários. 5. cit. a mais pre­ cária. 207). sino un acto instructorio informativo encaminado a consolidar el presupuesto y a valorai' la credibilidad de un elemento de prueba.. v. nada puede por si misma y por si sola probar en orden a los hechos imputados La prueba es el testimonio. o disfarce.. tal discussão não tem maior importância. a esposa de Ulysses. es un elemento paia la valorización de ella. v.. não o reconheceu após alguns anos de ausência. en efecto. p. Nè conclue Tobbiettare. ed. os erros por semelhança. ao salientar que “la prova non è soltanto quella che abbia ad oggetto i fatti imputato: d’altronde la prova può avere qualche volta anche officio di controllo. 376 .. no caso. Entre nós.0 reconhecimento é meio de prova? Manzini o entende como meio de apreciação do valor da respectiva prova. no un elemento probatorio” (Manzini. é formada pelo testemunho “La identificación no es un medio o un elemento de prueba.. p. la identificación es un simples control de esa prueba. Outro não é o ensinamento de Frederico Marques (Elementos. 293).. mais se distancia a lembrança.. v„ 4» p. No reconhecimento há a fusão de uma percepção presente com outra pretérita. a vontade de reconhecer. de todas as provas.

.610/ SP (Informativo STF. sabemos todos. homicídio”. DJU. 29162). Se a autoridade solicitar à pessoa que vai proceder ao reconhecimento a descrição daquela que vai ser reconhecida e. 377 ^ ) ) ^ ) ) .. a seguir.75l/RJ. Por tudo isso. algumas delas trazendo impressos dizeres como “Indiciado pelo crime de aborto.. Entretanto. roubo. há fotografias que não retratam. já teve oportunidade de salientar que o reconhecimento fotográfico. } ^ . decisões em sentido contrário: “Habeas Corpus Prova.038/RJ. a pessoa. STF. ao qual a jurisprudência só confere valor ancilar de um conjunto de provas juridicamente idôneas no mes­ mo sentido. o que toma mais sugestivo o reconhecimento.. O STF. o comum é a Polícia exibir fotografias de pessoas completamente diferentes. p. Condenação baseada fundamentalmente no reconhecimento fotográfico do réu na fase inquisitória.. Reconhecimento fotográfico. tal ato aliado a outros elementos constantes dos autos pode ser valioso. 334). é prova que deve ser examinada pelo Juiz e pode legitimar o seu conven­ cimento (DJU. Roubo qualificado Nulidade da sentença. Às vezes.) E se se tratar de reconhecimento fotográfico? Depende do caso concreto. 27-10-1994.. não basta para tanto a chamada de corréu colhida em investigações policiais e retratada em juízo” (STF. também. 136/221) Há.. 5996). entendemos que o reconhecimento fotográfico deixa a desejar. Sepúlveda Pertence.. É um perigoso meio de prova e que tem dado causa a inúmeros casos de erro judiciário. 3-41998. HC 74. 25-3-1994. Habeas Corpus. uma decisão condenatória” (STF. HC 74. Nesse mesmo sentido. com fidelidade. v 2.... O reconhecimento fotográfico tem valor probante pleno quando acompanhado e reforçado por outros elementos de convicção. 28-11-1997). “Reconhecimento fotográfico e chamada de coixéu retratada: inidoneidade para lastrear condenação O reconhecimento fotográfico à base da exibição à testemunha da foto do suspeito é meio extremamente precário de informação. DJU. No mesmo sentido HC 68. DJU. Insufleiência para a condenação.. confirmado por provas diretas e circunstanciais.. ReL Min.. contudo. p. não pode o mesmo fundamentar.J ) . p. sem embargo da palavra sempre autorizada de Frederico Marques (Elementos.368/MG. exibe-lhe cinco ou seis fotografias de pessoas que guardem entre si certa semelhança para que ela aponte qual delas retrata o criminoso. 4-2-1996. HC 70. cit. e RTJ. Assim. “Penal. J ) ■^ ) ) ) ^ ) ) ) ) ^ ) ) ’ ^ ) ^ ^ ) . isoladamente.

337). Roubo qualificado.907/SP. Sobre o tema. ao lado de pessoas que com ela tiverem qualquer semelhança. HC 22.I — É firme o entendimento jurisprudencial no sentido de que o reconhecimento fotográfico.. 59/33. II — In casu. quase um ano após a ocorrência dos fatos. Rei. a autoridade colocará a pessoa cujo reconhecimento se pretender ao lado de outras. DJU. proceder-se-á da seguinte maneira: a pessoa que tiver de fazer o reconhe­ cimento será convidada a descrever a que deva ser reconhecida.. — A produção de provas na fase inquisitoriai deve observar com rigor as formalidades legais tendentes a emprestar-lhe maior segurança. funda­ mentalmente. convidando quem tiver de fazer o reconhecimento a apontá-!a.. Se possível. RT.. 4-8-2003. 62/311. como meio de prova. no reconhecimento fotográfico do acusado na fase inquisitória... quando acompanhado de outros elemen­ tos aptos a caracterizar a autoria do delito. 633/296.. JTACrim. Rei. desde que corroborado por outros elementos idôneos de convicção. 70/43. Procedimento Havendo necessidade de fazer o reconhecimento de pessoa. cumprirá à autoridade tomar as necessárias providências para que aquela que deva ser reconhecida não veja a que vai proceder ao reconhecimento.. Em seguida. Min. salvo se por outro motivo estiver preso” (STF. receia-se que a pessoa convidada a fazer o reconhe­ cimento. — O reconhecimento fotográfico somente deve ser considerado como forma idônea de prova. 566/341. 754/529.723/SP. Nulidade da sentença.. — Ordem concedida para anular o acórdão recorrido e determinar a imediata soltura do paciente.. HC 56. Felix Fischer. é plenamente apto para a identificação do réu e fixação da autoria delituosa. Writ concedido” (STF. sob pena de completa desqualificação de sua capacidade probatória. 82/346.. Habeas Corpus. “Penal e processo penal. Condenação fundamentada em reconhecimento fotográfico. Ordem concedida. p. 2.. Fase inquisitoriai Ausência de confirmação judicial. Muitas vezes. 378 . Paulo Medina). Min. 61/265. por efeito de intimidação ou por influência. não diga a ver­ dade na presença da que deva ser reconhecida* Nesse caso.. 758/532. o que não se mostra suficiente para sustentar a condenação do acusado.. a sentença condenatória do paciente se baseou.

p.. tecnicamente. colocá-las atrás de um ante­ paro para não serem reconhecidas. E se o reconhecimento dever ser realizado pelo Juiz? Frederico Marques (Elementos. Quando Ulysses voltou para casa. pela pessoa chamada para proceder ao reconhecimento e por duas testemunhas presenciais. evitando-se qualquer comunicação entre elas. afirma ter sido ele o autor da infração. E. propriamente. por razões óbvias..... v. I e II. cit. não é um reconhecimento.. entretanto. ainda que o tivesse. 226.. na audiência. na instrução ou no plenário do Júri.. só o cachorro o re­ conheceu de pronto. pensamos que o Magistrado. não terá lugar na fase da instrução criminal nem em plenário de julgamento. 226. Nem teria sentido proferir-se um decreto condenatório se o réu nega ter sido ele o autor do crime. Às vezes. quando a testemunha ou vítima tivessem receio de proceder ao reconhecimento.. seria de um burlesco sem nome. um reconhecimento.. subscrito pela autoridade que o presidiu. do CPP. cada uma fará a prova em separado. Convém não deslembrar que os reconhecimentos são precários. na audiência ou no plená­ rio do Júri. 10 anos depois. nunca assistimos a um reconhecimento em juízo em que se observassem aquelas formalidades Se o procedimento para o reconhecimento é o traçado no art.. Ressalve~se que indagar da testemunha se reconhece o réu ali sentado como sendo o autor do crime. será lavrado um auto pormenorizado. seja na Polícia. Na verdade. Nas hipóteses em que o Juiz. 379 . Nessa hipótese. e o Magistrado se louva na palavra da vítima ou de uma testemunha que.. pergunta à vítima ou à testemunha se a infração penal foi cometida por aquela pessoa ali presente como réu. como prescreve o parágrafo único do art. várias pessoas são chamadas a efetuar o reconhecimen­ to. não teria condições de fazê-lo. se houver dúvida quanto à identidade do acusado.Esse procedimento. mas sim uma pergunta a mais. não há. 2. 334) entende que as regras do art. seja em Juízo. mas sim um prolongamento do seu depoimento. Seria por demais caricato..Entretanto. com uma simples vista d’olhos. Forense. Concluído o ato. 226 e do seu respectivo parágrafo do CPP “não têm aplicação em se tratando de reconhecimento feito na instrução criminal ou no plenário do Jüri”.. a observância daquelas formalidades é de rigor.

entre testemunhas. cujos depoimentos sejam confli­ tantes. Poder-se-á. no reconhecimento de objetos. ofendidos e testemunhas não versar sobre fatos ou circunstâncias relevantes. proceder-se-á com as cautelas estabelecidas no art. quer se trate de pessoa. para ser determinada a acareação. Razão assiste a Camaia Leal ao ensinar que. 226. 229. pela pessoa chamada a proceder ao reconhecimento e por duas testemunhas 4. testemunhas).. Aliás. entre acusado ou testemunha e a pessoa ofendida. não deverá haver 380 .3. o CPP é claro: Art. vítimas. quer de objeto. entre acusado e testemunha. no que lhe for aplicável.. A acareação será admitida entre acusados. Da acareação Acareação. é mister haja divergência manifesta e irreconciliável entre duas afirmativas ou duas negativas referentes ao mesmo fato ou cir­ cunstância Por outro lado. A pessoa que tiver de fazer o reconhecimento será convidada a descrever o objeto que deva ser reconhecido. consiste em colocai' duas ou mais pessoas (réus. ou confrontação. sobre fatos ou circunstâncias relevantes (grifo nosso). colocar outros objetos semelhantes junto ao que vai ser reconhecido. Reconhecimento de coisas O reconhecimento de objetos também é feito em presença de duas testemunhas e da Autoridade (Policial ou Judiciária). no ato do reconhecimento será lavrado auto circunstanciado. e conforme o caso concreto. e entre pessoas ofendidas. em suas declarações. convidando-se a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento a apontá-lo.. De qualquer sorte. em presença uma da outr a — car a a cara — paia que expliquem as divergências. em seguida. sempre que divergirem. Se a discordância entre os coimputados. 227 salienta que. O art. assinado pela autoridade. a acareação só será possível se a divergência inci­ dir sobre fatos ou circunstâncias relevantes e não se puder chegar à verdade pelas demais provas produzidas.

para que expliquem os pontos de divergências. ante a superfluidade do ato. percebendo a divergência. art. contudo. pedirá aos acareados que expliquem a divergência. em seguida. Procedimento As pessoas que devam ser acareadas serão notificadas a compare­ cer perante a autoridade. Esta. colocando-as uma em frente à outra. a autoridade dar á a conhecer à outra que estiver presente 381 .. A acareação poderá ser feita a requerimento de qualquer das par­ tes ou ex ofício. Note que o indiciado ou réu não é obrigado a participar da acareação. Mas. a autoridade. sem embargo da clareza meridiana do art. b) acusado e testemunha. havendo tempo. proceda-se à acareação. ex officio ou a requerimento de qualquer das partes. 5. que. c) testemunhas. d) testemunha e ofendido.acareação. O nosso CPP admite a acareação entre: a) acusados. /) ofendidos. 229: “Os acareados serão reperguntados. com muito mais razão o de opor-se a uma acareação que lhe poderá ser prejudicial. 229 do CPP. reduzindo-se a termo o ato de aca­ reação” Nada impede. se for determinada a sua realização. Se ele tem até o direito ao silêncio. E se uma das pessoas que devam ser acareadas estiver ausente? Nesse caso. tão somente. 6*). isto é. depois de salien­ tai' onde repousa a colidência (lendo os trechos colidentes dos depoi­ mentos). tempo perdi­ do. Será lavrado um termo em que a autoridade fará consignar os pontos em que os acareados divergirem e.. e) acusado e ofendido. tão logo sejam to­ mados os depoimentos.. dir-lhes-ã que em seus depoimentos há divergência e. fará consignar as suas explicações. conforme dispõe o parágrafo único do art. por determinação da Autoridade Judiciária ou Policial (CPP. deter­ mine.. haverá.

Mas. com o que estamos de pleno acordo. não em relação tão somente à testemunha. na interpretação do art. à autori­ dade determinar a expedição de precatória àquela do lugar onde se encontrar o ausente (muito embora o art. na hipótese. e se subsistir a discordância? Cumprirá. pontifica: “O Código encara apenas a hipótese de existir divergên­ cia entre declarações prestadas por testemunhas. . cuja acareação é permitida.. acareação. 230 falar em “testemunha”) voltar atrás e concordar com as declarações da outra.. in fine.o ponto de divergência. entendemos que melhor ficaria a expressão “autoridade”... Mas. p. 3.. como bem diz Tomaghi... ouvindo o ausente da mesma maneira como foi ouvido o presenteEm rigor. v. 230 fale em lugar onde resi­ dir o ausente). Se. uma vez que não está vedada à Autori­ dade Policial a realização de tal diligência. estando uma ou algumas delas no território jurisdícional onde corre o pro­ cesso.. e outra em lugar diferente. evidentemente. do CPR E se. ex vi do art. a testemu­ nha ou o ofendido. a pessoa (que poderá ser o réu. porventura. quando. bem como o texto do referido auto. VI. 230. nos pontos de divergência. a fim de que se complete a diligência. mas sim mero confronto. do mesmo expediente se pode lançar mão. De acordo também estamos com Espínola Filho. mas às outras pessoas. não há. quando a situação se apresente. nos pontos em que aquelas pessoas divergiram. sem embargo de o art. Na precatória deverão ser transcritas as declarações.. solicitando-lhe a realização da diligência. (cf. Como acentua o art. Comentários. 6a. consignando no auto o que explicar ou obser­ var.. as pessoas que devam ser acareadas estiverem fora do território j uris dicional onde corre o processo? Nada impede que a autoridade determine a expedição de precatória à do lugar onde se encontrarem tais pessoas. 153). isto é.. Muito embora o texto legal fale em “Juiz”. transcrevendo nela as declarações da pessoa presente e da ausente. cit. 230 do CPP. a acareação só se realizará quan­ do não importar em demora prejudicial ao processo e o Juiz a entender conveniente. não haverá pro­ blema.. então. nessa oportunidade.

383 . o certo é que.. cit. Segue-lhe o mesmo piso o insigne Borges da Rosa. El contradictor que está seguro de ella. principalmente para os acusados. impaciente.. pelo menos. datos. Costuma-se dizer. pelo fato de já estar acostumado às velhacarias. que a autoridade que preside à acare­ ação deve ficar observando as reações fisionômicas dos acareados. Qual o valor das acareações? Muitos entendem a acareação uma diligência inútil. os acareados mantêm suas declarações iniciais (durante os meus longos anos de Ministério Público e de Advocacia jamais assisti a uma acarea­ ção em que um dos acareados houvesse alterado seu depoimento). ao dizer que admitir a acareação do acusado com uma testemunha será querer obri­ gar o acusado a confessar. às safadezas. muitas e muitas vezes. la afirma y proclama con vehemente aco­ metida afirmando hechos. “me­ didas vexatórias”. de regra.. 81). v 1. Outros realçam o seu valor.. Não se pode contestar a sabedoria dessa lição de Asenjo: “Finalmente se comprende. têm inigualável valor. Ledo engano. Comentários ao Código de Processo Penal. notas que sólo quién vivió la realidad puede conocerlo.6. pois. 541). a tal ponto que a legislação da Cataluna não a admitiu. 2.Por lo contrario. também. Já o outro (o verdadeiro mentiroso). salientando. p.. que ambos contradictores mantienen de parte de cuál de los dos está la verdad que se oculta. p. como o faz Jofré. Muito embora haja quem diga que as acareações são inúteis. a concordar com uma de­ claração que virá contribuir para a sua condenação (cf. a la vista de las actitudes y reservas. Muitas ve­ zes quem se comporta assim é o homem de bem que ficou indignado e irritado com a desconfiança da autoridade. quién miente se encubre en una intransigente y sospechosa negativa de la que no se atreve a salir por carecer de dados que le justifiquen o defiendan o por temor a incuirir en la fácil contradicción” {Derecho. contudo. ou. v.. empalidece ou enrubece dá sinais de que está mentindo. que a acareação com o acusado importa em violação do princípio do nemo tenetur se detegere. sob o argumento de que aquele que fica nervoso.

com muito acerto. definindo-o como qualquer coisa que represente um fato.. 3. o problema é idêntico: não há texto que. 7. responde. v. disfarçando com serenidade o seu despudorado cinismo. docere”. docui. que significa “ensinar”. salientando que: “La Constitución no prohibe que una persona declare contra si mísma. Pelo contrário.. cit. doctum. Em síntese magnífica. a acareação com o acusado não viola o princípio do nemo tenetur se detegere... antes de tudo. O texto existente é no sentido de proibir seja a pessoa obrigada a fazer tal declaração Desse modo. v. Respeitante àquele receio de Jofré e de Borges da Rosa. “el documento se refiere al singular medio de prueba material manifiesto en los monumentos — ‘monumenta’ — destinados a consagrar la memória de un suceso entre los hombres. como diz Asenjo.. que a palavra documento deriva do verbo latino “doceo.. a retroceder. Insta esclarecer. porquanto o outro acareado não vai obrigá-lo a se desdizer. Em sentido lato. como las tumbas. Contudo. Também. alheio a tudo que se passa em seu denedor. 1.. p 561). Se ele tem direito ao silêncio. 116).. cit. de nada valerá intimá-lo para ser acareado. Leo Rosenberg entende por documento. entre nós. a quem quer que seja.permanece impassível. convém repetir: o acusado não é obrigado a participar de acareação. doces. proíba de fazer declaração contra si mesmo (salvante a hipótese de autoacusção falsa). Dos documentos A primeira dificuldade que se encontra ao estudar a prova docu­ mental repousa nas próprias definições de documento. cosa muy distinta” (Derecho. o insigne Alcalá-Zamora. sin que se la obligue a declarar. em sentido amplo. 384 . outra circunstância contribui para aumentar a dificuldade: é que a palavra documento pode ser to­ mada em sentido amplo ou em acepção estrita. p. e Camelutti vai longe. los arcos triunfales” {Derecho. tão numerosas quanto os autores que trataram e tratam do assunto. toda corporaüzação de um pensamento. como se nada o atingisse. Ao lado da policromia de definições.

fonografia. imagens ou sons (cf. 1. cinematografia. é que em várias passagens faz alusão a documentos gráficos e diretos . desenhos ou esquemas”. ou microfotográficas. documentos? Se documento é qualquer coisa representativa de um fato. contudo.. 8» Documentos em sentido estrito Em acepção mais estrita. por acaso. os laudos serão ilustrados com provas fotográficas.. os documentos em que a ideia ou o fato é represen­ tado pelos sinais gráficos da escrita. Todavia. apenas os escritos. isto é. 769). para considerar' como tal apenas os escrkos. pinturas. gráficos: quando os fatos ou ideias são representadas “por sinais gráficos diversos da escrita: desenhos.. considerando. microfotografia etc. E a fotografia? A fonografia? A cinematografia? A microfotografia? Os desenhos e esquemas não são. o certo. uma pintura ou um disco Tanto isso é exato que se costuma dividir os documentos levando-se em conta o meio de sua formação: escritos. cartas topográficas etc. ensina Fenech que o documento é o objeto material em que se insere uma expressão de conteúdo intelectual por meio de ura escrito ou de quaisquer outros sinais. documentos são apenas os escritos. escritos: são os documentos que tomam corpo no papel em que são escritos. no Capítulo IX do Titulo VII do Livro I do CPP. entretanto.. . Derecho. o legislador processual penal restringiu ao máximq o conceito de documento. 170 diz: “ . ao salien­ tar no art. E é com esse sentido que o legislador empregou a expressão documento. Como se percebe. v. um desenho ou uma fotografia. gráficos e diretos. 232: “Consideram-se documentos quaisquer escritos. cit.”. como bem o disse Camelutti. p.Sempre que conveniente. públicos ou particulares”.. tanto poderá ser documento uma carta como um traslado....Em acepção menos ampla. diretos: quando o fato representado se transmite diretamente para a coisa representativa — fotografia. como tais. Assim é que o art. embora o legislador processual penal conceituasse de maneira tão restrita os documentos. instru­ mentos ou papéis.

no futuro. Tomaghi exemplifica: quando o sedutor escreve à sua namorada.E o art 165: “Para representar as lesões encontradas no cadáver. pois. feito sem o prévio propósito de servir de prova. ao salientar: “consideram-se documentos quaisquer escritos. even­ tualmente. esquemas ou desenhos. entre documento em sentido estrito e instru­ mento. Ou. corres­ ponde àquela da lei civil. quando possível. b) os documentos escritos se distinguem em instrumentos e papéis. poderá a seduzida juntar aquela carta ao processo. Documento. 9. para o legislador processual penal. Este é o escrito re­ vestido de certa forma especial e que serve para a constituição orgâni­ ca de um ato jurídico. é qualquer escrito sem esse caráter constitucional orgânico. Tal distinção é feita. Já o instrumento. no art. nada mais são que o documento escrito em sentido estrito. papéis. desempenha essa função. exercer tal função. é o escrito pré-constituído para a prova. não está ele querendo deixar no papel a prova do seu crime. Daí se conclui: a) documentos são apenas os escritos. podendo. mas que. ocasionalmente. públicos ou particulares” (grifos nossos). Documentos e instrumentos. o documento escrito compreende o documento e o instrumento. como diz Moacyr Amaral Santos. pelo legislador processual penal. em sentido estrito. A distinção entre instrumentos e papéis. juntarão ao laudo do exame provas fotográficas.. Trata-se. conforme vimos. de prova do ato nele representado: é documento pré-constituído. ocasionalmente. para a lei civil. aquele feito sem o propósito de servir de prova. feita pelo CPP. de um documento escrito em sentido estrito.. . c) tanto os instrumentos como os papéis podem ser públicos ou particulares. isto é. Assim. 232. instrumentos ou papéis. de um âto jurídico. devidamente rubricados” . é o docu­ mento feito com o propósito de servir. os peritos. também. Instrumentos e papéis A lei civil distingue o documento do instrumento como espécie do gênero documento escrito» Assim. aí. fazendo prova contra o sedutor. entretanto.

quanto à sua forma. b) judiciais. Papéis particulares: todos aqueles que não forem lavrados por oficiai público no exercício do seu cargo. esclarecer. escritura particular de compra ou venda de imóveis. Exemplos: nota pro­ missória. “autenticando atos do poder público ou assen­ tos da repartição”. Exemplo: as guias de recolhimento de impostos. Exemplo: título de nomeação de um funcionário. o escrito em que de origem se lançou o ato”. 237 e 238. e b) cópias.. temos: a sentença. Convém. Exemplos: o testamento público. Os instrumentos públicos classificam-se em: a) administrativos. ->on . distinguem-se em: a) originais. traslados e públicas-formas. fala. Os documentos. c) civis. não em razão do seu ofício. nos arts. respectivamente. Exemplos: uraa carta. e. O CPP. letra de câmbio etc. o alvará etc. as publicações de atos administrativos no Diário Oficial etc. Administrativos: são os lavrados por funcionários e empregados da administração pública. pois. Papéis públicos (ou documentos públicos em sentido estrito): são os lavrados por oficial público competente.Tanto os instrumentos como os papéis podem ser públicos ou particulares. provindo de órgãos judiciais. um convite para um baile etc.. em razão do seu ofício. y Civis ou extrajudiciais: são todos aqueles que “refletem relações da vida privada e geralmente representam contratos e declarações de vontade”. Instrumento público: é o lavrado por oficial público competente. em documentos originais. a escritura pública de compra ou venda de um imóvel Instrumento particular: o formado por particulares ou até mesmo por oficiais públicos. como exemplo. Judiciais: os que. Originais: “o documento em sua forma genuína. o mandado. no exercício da sua função. Exemplo: escritura de compra e venda de um imóvel. se refiram a atos processados em juízo.

se o fato representado se transmite ao documento pela men­ te do seu autor (carta.. há também a distinção quanto à necessidade ou não do sinal público do tabelião. desenho etc.Quanto ao sujeito. se provém do punho de terceiro.. Fenech classifica-os quanto ao sujeito. e direto. Pública-forma: é a cópia de documento avulso. classificação essa que corresponde à distinção que se faz de documentos assinados e não assinados pelo próprio autor. do traslado. e revestidos das solenidades ou formalidades legais. porque é a asseveração feita pelo oficial do que constar em livros de notas. quanto à forma. o traslado é. Assim. quando o fato se trans­ mite diretamente para o documento (fotografia). em razão do seu oficio. 10. Assim. quando lavrados por Oficial Público competente. os documentos podem ser públicos ou particulares. Camelutti classifica-os em autógrafos. que é a cópia textual e autêntica. do próprio autor do fato documentado. e heterógrafos. criado especialmente para tal fim. à função probatória e à relação do autor com o processo. Além dessa distinção entre traslado e certidão. uma duplicata do documento original. indiretos. são todos aqueles que não forem públicos. pois. Distingue-se do traslado. contendo a expressão “trasladada fielmente do livro tal de fls ”. que é a cópia de qualquer instrumento público. exigível no traslado e dispensado para as certidões. a certidão contém a asseveração autêntica do oficial responsável e se inicia com as pala­ vras: “CERTIFICO-E DOU FÉ que revendo o livro. Extrato: é a cópia parcial de documento. São espécies de cópias: o traslado. por exclusão. Certidão. Registro: é a cópia de documento ou instrumento. isto é. ao fim. Privados. enquanto o traslado indica a matriz de que é cópia e da qual se distingue. se a declaração documentada procede do próprio documentador. extraída por oficial público.”. por ser feita em avulso. lançado em livro de notas públicas..Cópias: a reprodução do documento original. feita por oficial público competente. do que está escrito no livro de notas.. . por cópia. registros públicos ou autos forenses. Públicos. traslado de traslado é a reprodução.). Classificação dos documentos Os autores classificam os documentos atendendo a diversos crité­ rios ou pontos de vista.

e dos últimos. em razão do seu oficio. que correspondem ao que Manzini chama de docu­ mentos originariaraente destinados à prova e aos que não têm esse caráter inicial. “Ia carta en que el im­ putado relata el hecho delictivo llevado a cabo”. a carta do sedutor à seduzida. Quanto à função probatória. como. como a sentença etc. os documentos podem ser de “finalidade” ou de “eventualidade”. quando emanarem da pessoa que neles aparece como autor. estão os extraprocessuais. Exemplo dos primeiros é a confissão escrita do impu­ tado. como a “carta ameaçadora em um processo por delito de ameaça”. A esta altura. podemos classificar os documentos: I — quanto ao sujeito. os documentos distin­ guem-se em processuais e extrap rocessuais. se não. cujo conceito se forma por exclusão: todos os documentos que não forem processuais são extraprocessuais.. a autoridade do documento e a declaração nele contida. V — quanto ao meio usado na sua formação. VI — quanto à sua forma. E por documento proces­ sual entende Fenech aquele emitido pelo titular do Órgão Jurisdicional ou por alguma das partes e que contém uma declaração processual. Quanto ao fim. Nos primeiros. g. privados ou particulares. Opostos a estes estão os constitutivos. III — quanto à função probatória.Ainda podem ser nominativos ou anônimos. procura-se provar o conteúdo do documento. Nos primeiros. I — Quanto ao sujeito d) públicos ou privados — os primeiros são os lavrados por oficiais públicos competentes. Os primeiros. Quanto à relação do autor com o processo. ou não. os documentos podem ser: narrativos e constitutivos.^então. Autênticos e falsos. o thema probandum coincide com a afirmação contida no documento. e. falsos. Nos segundos.. . Em oposição aos processuais. n — quanto ao fim. IV — quanto à relação existente entre o autor e o processo. se contiverem a indi­ cação da pessoa de quem provenha a declaração.

pintura). Diretos. plásticos. gráficos. b) escritos. II — Quanto ao fim a) documentos de finalidade ou pré-constituídos. e os segundos.. ou de outrem. b) autógrafos e heterógrafos — os primeiros. gráficos. quando o autor do documento é o próprio autor do fato documentado. Os primeiros provêm de Órgãos Jurisdicionais ou sujeitos proces­ suais e dizem respeito a atos pertinentes ao processo. Escritos são os documentos em que os fatos são representados literalmente (carta).. diversos da escrita (desenho. então. b) extraprocessuais. Indiretos. quando o autor é outro que não o próprio autor do fato documentado. ou. c) ológrafos e alógrafos — quando a declaração provém do próprio punho do autor do fato documentado. III — Quanto à função probatória a) narrativos. plásticos e estampados. b) constitutivos. quando o são por outros meios gráficos. quando o fato é repre­ 390 . se se usa como prova documento que não foi ela­ borado para tal fim. de eventualidade. quando o fato representado se transmite ao documento pela mente do seu autor (carta. desenho. quando o fato se transmite para o documento (fotografia). b) documentos de eventualidade ou causais. IV — Quanto à relação existente entre o autor e o processo a) processuais. Os segundos. pintura). Os primeiros são os lavrados com o propósito de servir como prova (pré-constituir uma prova). modificativas ou extintivas de relações jurídicas”. Extraprocessuais são todos aqueles que não se referem a atos processados em juízo. Os primeiros contêm “declarações de ciência ou de verdade”. quan­ do não o fizerem em razão do seu ofício. V — Quanto ao meio usado na sua formação a) indiretos e diretos. aqueles que não têm esse caráter Assim. diz-se que o documento é eventual ou casual. ao passo que os segundos encerram “declarações de vontade constitutivas.os lavrados por particulares ou até mesmo por oficiais públicos. como uma sen­ tença etc.

gravações. v. Parágrafo único. v„ 1.) (cf Moacyr A. VI — Quanto à sua forma a) originais. segundo dispõe o art. miniaturas etc. Convém assinalar. b) cópias. in verbis: “Durante o julgamento não será permitida a leitura de documento ou a exibição de objeto que não tiver sido juntado aos autos com a antecedência mínima de 3 dias úteis. fotografias. são os documentos em sua forma genuína. 2. bem como a exibição de vídeos. croqui ou qualquer outro meio assemelhado. Santos. 391 . Com essa expressão. 231. de origem. 11. como um “tes­ timonio de auditu es un testimonio de testimonio” (cf Lecciones. e estampados.sentado por meios plásticos (modelos em gesso ou madeira. laudos. 313). um documento que representa outro documento. se lançou o ato. Momento para a apresentação No Processo Penal. 231. salvo os casos expressos em lei. c i t . entretanto. 316). Compreende-se na proibição deste arti­ go a leitura de jornais ou qualquer outro escrito. entretanto. Direito processual civil. expressamente previstos. os documentos diretos (fotografias etc. O art. não vigora tal liberdade. isto é. abre exceção para “os casos expressos em lei”. como bem o disse Camara Leal. os documentos poderão ser apresentados em qualquer fase do processo. cujo conteúdo versar sobre a mate'ria de fato submetida à apreciação e jul­ gamento dos jurados”. dando­ -se ciência à outra parte... quadros. o escrito em que. Cópias são reproduções completas ou parciais dos documentos originais e eqüivalem àquilo que Camelutti chama de “documento de documento”. quis o legislador acentuar que em alguns casos. p.. que esses casos eram apenas dois. 479 do CPP. Hoje a única exceção vem prevista no art. p. Originais.).

Todavia. instrumentos ou papéis. segundo a fórmula do art. não serão admitidas em juízo. O legislador outorgou ao Magistrado. 232. Di-lo o art. fossem admitidos em juízo. e apossar-se indevida­ mente de correspondência alheia. para o esclarecimento do fato. entretanto. embora não fechada. 12. 233 que as cartas poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário. conseguidos ilicitamente. no capítulo pertinente aos direitos e ga­ rantias individuais (art. dispôs (art. se a Magna Carta. e. não permite seja o Juiz um espectador inerte da produção de provas. oferece uma exceção: em se tratando de cartas particulares. consagrou o princípio da inviolabili­ dade da correspondência. obje­ to do processo. 151) ser crime devassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada. não teria tempo nem meios para contrariar ou neutralizar o documento lido. aliada ao princípio da verda­ de real. determina o parágrafo único do art. A carta poderá ser exibida em juízo pelo destinatário? Em princí­ pio. o destinaíário somente poderá exibi-la com o assentimento do signatário. a surpresa paia a parte contrária. dirigida a outrem. por isso. as provas que julgar convenientes ao cabal esclarecimento da verdade. 233. não se cinge àquelas fornecidas pelas partes. Providência do Juiz A natureza publicística do processo. comumente. o poder de ordenar. o Magistrado. não poderia o legislador processual penal permitir que tais documentos. 13. desse modo. consideram-se documentos quaisquer escritos. em plena harmonia com o Diploma basilar.Evita-se. e o CP. ainda que não haja assenti­ mento do signatário. E.. XII). por iniciativa própria. Ora. 5a. que. 156: 392 . públicos ou particulares. por razões óbvias. para a defesa do seu direito. com a adoção do sistema da livre convicção. interceptadas ou obtidas por meios criminosos. O art. Quais os documentos que podem ser apresentados? Todo e qualquer documento.

347). entretanto. Não poderá. conforme o disposto no art. K do CPP. . ) ) } Nem havia necessidade de regra especial nesse sentido. ^ Assim. 240.. o Magistrado: ^ ^ . esclarece Manzini que. à vista do que dispôs o legislador no art. a realiza­ ção de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante” (inc. § 2a). apud Frederico Marques. p. v. 393 ) _) J . no curso da instrução. dispondo no art.) ) Quanto a esta. ^ ) ) 14. facultado ao juiz. independentemente de requerimento de qualquer das partes. § Ia. sendo. consiste na “certeza delia provenienza dei documento daTautore indicato” (cf. se possível”. poderá determinai' a apreensão. ) a) determinar a juntada de cartas particulares interceptadas ou obtidas por meio criminoso. 234: ^ . Elementos. Carnelutti. objeto do nosso estudo. providenciará. ^ * ) c) determinar a apreensão de documento. 156. poderá o Juiz determinai' a ouvida de testemunhas. concedeu o legislador ao Magistrado a mesma liberdade de iniciativa.\ “. porém. Para efetivar o êxito dessa providência.. II). que. poderá o Juiz determinar a busca e apreensão de documentos. se a autoridade entender que a escusa é irrelevante. por exemplo. 1 ) b) determinar a apreensão de documentos em poder do Defensor do acusado. salvo quando constituir elemento do corpo de delito (art 243. E quanto à prova documental.) ) ^ ^ ) “Se o Juiz tiver notícia da existência de documento relativo a ponto relevante da acusação ou da defesa. determinar. Autenticidade . 2. cit. No documento é importante a autenticidade. para sua juntada aos autos. se o reconhecimento deste importar em revelação de segredo profissional. D. de ofício. além das indicadas peias partes. segundo Carnelutti.. ou antes de proferir sentença..

poderão tais documentos ser entregues à parte que os produziu. quanto à possibilidade de exame em documento público. serão. na sua falta. pelo seu pró­ prio caráter de instrumento público. dar-se-á o mesmo valor do original. estabelece o art. estabelece o art. 16. com as formalidades legais cumpridas e provindo de oficiais. 236). sem prejuízo da sua junta­ da imediata ao processo. que têm fé pública e. Documentos em língua estrangeira Os documentos em língua estrangeira. Já os documentos particulares precisam ser autenticados. devidamente autenticada. se necessário. é mister provar-lhes a falsidade”. Finalmente. assim. dispõe o parágrafo único do art. a requerimento desta. Desentranhamento As partes podem requerer desentranhamento de documentos ori­ ginais? Se não houver motivo relevante determinando sua permanência no processo. traduzidos por t