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Viceng Fisas

La paz es posible
Una agenda para la paz del siglo XXI

Prólogos de
Rosa Regás
Ignasi Carreras

PLAZA & JANES EDITORES, S.A.

[UDeBOlSILLO
Asesora editorial p a r a esta o b r a : M a r g a r i t a Riviére
C o o r d i n a c i ó n de la colección: Siscu Baiges

Diseño de la colección: Equipo de diseño editorial


Fotografía de la portada: © Pepe N a v a r r o

Primera edición en bolsillo: junio, 2 0 0 2

© 2 0 0 2 , Vicenc. Fisas
© 2 0 0 2 , Plaza & Janes Editores, S. A.
Travessera de Gracia, 47-49. 08021 Barcelona

Queda rigurosamente prohibida, sin la autorización escrita de los titula-


res del «Copyright», bajo las sanciones establecidas en las leyes, la re-
producción parcial o total de esta obra por cualquier medio o procedi-
miento, comprendidos la reprografía y el tratamiento informático, y la
distribución de ejemplares de ella mediante alquiler o préstamo públicos.

Printed in Spain - Impreso en España

ISBN: 8 4 - 9 7 5 9 - 0 4 1 - 4
Depósito legal: B. 16.090 - 2 0 0 2

Fotocomposición: Anglofort, S. A.

Impreso en Novoprint, S. A.
Energía, 53. Sant Andreu de la Barca (Barcelona)

P 8 904 1 4
ÍNDICE

Sobre esta colección 9


Una colección para tener las ideas claras 13
Introducción 17

Las agendas de la paz 21


C o n s t r u i r la paz en t i e m p o s de confusión 37
D e s e n m a s c a r a r la cultura de la violencia 57
La violencia estructural y la falsa paz del
sistema 67
La r e s o l u c i ó n de los conflictos a r m a d o s 83
El reto migratorio y el desarrollo de las
identidades 109
La salud del planeta 121
El d e s a r m e y la n u e v a mirada a la seguridad . . . . 141

Bibliografía básica 157


SOBRE ESTA COLECCIÓN

H a c e ya algunos años, las O N G D c o m e n z a m o s a divulgar


y fomentar el c o n c e p t o de c i u d a d a n o s del m u n d o . Perso-
nas que, viviendo en un e n t o r n o geográfico c o n c r e t o , tie-
n e n u n a visión a m p l i a de lo q u e pasa en el m u n d o , y
s o s t i e n e n q u e es n e c e s a r i o a c t u a r l o c a l y g l o b a l m e n t e
para c o n t r i b u i r a la s o l u c i ó n de los p r o b l e m a s de m a y o r
envergadura c o n los q u e se enfrenta la h u m a n i d a d : la
p o b r e z a , las injusticias sociales, los c o n f l i c t o s a r m a d o s ,
el deterioro m e d i o a m b i e n t a l , las m i g r a c i o n e s o los refu-
giados.
V i v i m o s e n u n m u n d o que s e globaliza, p e r o d o n d e
esta forma de llevar a c a b o la globalización sólo beneficia
a u n o s p o c o s . B u e n a parte de la h u m a n i d a d q u e d a aún
m á s atrapada en la p o b r e z a y la injusticia.
D e b e m o s aspirar a un m u n d o mejor, a d e m á s de p o r
m o t i v o s é t i c o s , p o r q u e es un objetivo factible. V i c t o r
H u g o decía q u e la utopía es la verdad del m a ñ a n a . Lenía
razón. Es posible c a m i n a r en la erradicación de la p o b r e -
za, y está en nuestras m a n o s avanzar si existe suficiente
voluntad p o r parte de los r e s p o n s a b l e s políticos y de la
10 SOBRE ESTA COLECCIÓN

sociedad civil para p o n e r los m e d i o s a d e c u a d o s a ese fin.


H e m o s p o d i d o c o m p r o b a r a lo largo de la historia c ó m o ,
gracias a la presión p o p u l a r y a la t o m a de d e c i s i o n e s
c o n c r e t a s , se ha c o n s e g u i d o c o m b a t i r la lacra de la escla-
vitud o se h a n logrado en a l g u n o s países m ú l t i p l e s c o n -
quistas sociales. La historia no se detiene, y en la actuali-
dad a c a s o sea m á s sencillo percibirlo c u a n d o la o p i n i ó n
pública r e a c c i o n a de u n a forma n o t a b l e y firme a favor
de los d e r e c h o s h u m a n o s , y los p o d e r e s a m e n u d o de-
b e n modificar sus decisiones. Ahí está el e j e m p l o de los
logros c o n s e g u i d o s en el a c c e s o a m e d i c a m e n t o s m á s
baratos en los países p o b r e s o, m u y r e c i e n t e m e n t e , la
a n u l a c i ó n de la e j e c u c i ó n de Safiya, la m u j e r nigeriana
acusada de adulterio.

Para que c a m b i e n las cosas es necesario que m u c h a s


personas piensen que d e b e n c a m b i a r y quieran que efec-
tivamente c a m b i e n , i m p l i c á n d o s e en ese p r o p ó s i t o . P o r
e s o , las O N G D desarrollamos proyectos de c o o p e r a c i ó n
al desarrollo y de ayuda h u m a n i t a r i a al t i e m p o q u e reali-
z a m o s c a m p a ñ a s de sensibilización y p r e s i ó n política, y
p r o m o v e m o s e l c o m e r c i o j u s t o , tratando d e q u e m u c h a s
p e r s o n a s , de u n a m a n e r a u otra, participen en este pro-
ceso.
Difícilmente se p u e d e apoyar este trabajo de i n c i -
d e n c i a si no se c o n o c e n o se e n t i e n d e n las c i r c u n s t a n c i a s
del e n t o r n o s o b r e el que se actúa. Esta c o l e c c i ó n tiene la
pretensión de facilitar ese a c e r c a m i e n t o c o n el fin de q u e
cada l e c t o r tenga criterio y bagaje para p o d e r participar
en este e n t o r n o cada vez m á s global que n o s rodea, pero
que entre t o d o s m o d e l a m o s .
SOBRE ESTA COLECCIÓN 11

Esta c o l e c c i ó n no se recrea en los p r o b l e m a s de la h u -


manidad; explica las causas de la injusticia y sus i n t e r c o -
n e x i o n e s e indaga y p r o p o n e s o l u c i o n e s reales y a m e n u -
do interdependientes. Estos libros reivindican la palabra
saber y enarbolan el espíritu ciudadano. T i e n e n v o c a c i ó n
de abrirse c o m o u n a ventana a un p a n o r a m a c o n c a t e n a -
do y a la vez heterogéneo. C o n f í o en que estos v o l ú m e -
n e s sean vivos: despierten c o n c i e n c i a e ilusión y n o s
a c e r q u e n a m i l l o n e s y m i l l o n e s de p e r s o n a s de nuestro
m i s m o m u n d o que sufren situaciones de injusticia pero
que, a través de su esfuerzo y el de organizaciones socia-
les, persiguen su d e r e c h o , el d e r e c h o de todos, a u n a vida
digna.

IGNASI CARRERAS

Director de Intermón Oxfam


UNA COLECCIÓN PARA TENER
LAS IDEAS CLARAS

V i v i m o s en un m u n d o que n o s b o m b a r d e a a todas h o r a s
c o n i n f o r m a c i ó n , de h e c h o vivimos en el m u n d o de la
i n f o r m a c i ó n y de ella d e p e n d e en b u e n a parte nuestra
forma de vivir y nuestra forma de creer y de c o m p o r t a r -
n o s . Y sin e m b a r g o no a c a b a m o s de tener la i n f o r m a c i ó n
precisa sobre e l e m e n t o s de nuestra vida y de n u e s t r o s
conflictos q u e n o s dé la posibilidad de establecer un de-
bate entre lo q u e c r e e m o s y la i n f o r m a c i ó n q u e reci-
b i m o s , p o r q u e p o r p o c o despiertos que e s t e m o s n o s
d a m o s c u e n t a de que la i n f o r m a c i ó n está p r o f u n d a m e n -
te m a n i p u l a d a , c u a n d o no distorsionada, envilecida y
adulterada. Así es c o m o la p o b l a c i ó n o b i e n p e r t e n e c e al
s e g m e n t o de los i n g e n u o s q u e c r e e n t o d o lo q u e les di-
c e n la televisión y los m e d i o s , que a su vez p r o c e d e n de
las agencias i n t e r n a c i o n a l e s c o n sus propios intereses o
defendiendo l o s intereses de los países a los q u e perte-
n e c e n , o b i e n al s e c t o r de los e s c é p t i c o s , que lo p o n e n
t o d o en e n t r e d i c h o y no se fían a b s o l u t a m e n t e de n a d a
que no hayan c o m p r o b a d o c o n sus propios o j o s , y a u n
así c o n reservas. De h e c h o este s e c t o r es el q u e se aparta
14 UNA COLECCIÓN PARA.

d e c e p c i o n a d o de la vida p ú b l i c a p o r q u e no confía ni en
los p o l í t i c o s , ni en los p e r i ó d i c o s , ni en las i n f o r m a c i o -
nes. Se diría que ni en el g é n e r o h u m a n o en general.
La d e c a d e n c i a que vivimos en lo q u e se refiere al in-
terés p o r la vida p ú b l i c a , p o r la política, es en b u e n a par-
te la r e s p o n s a b l e del auge de las O r g a n i z a c i o n e s No G u -
b e r n a m e n t a l e s , q u e se h a n e s t a b l e c i d o c o m o válvulas de
escape para un deseo de solidaridad que no tenga en su
s e n o n i u n e l e m e n t o d e l o q u e l l a m a m o s política. Sin
e m b a r g o , p o c o s s o n los q u e c o n o c e n los requisitos que
se e x i g e n a estas organizaciones para q u e p u e d a n c o n t a r
c o n l o s fondos de C o o p e r a c i ó n de que d i s p o n e n los g o -
b i e r n o s , y a veces, no h a b i e n d o q u e r i d o c o l a b o r a r c o n
los q u e dirigen la vida p ú b l i c a , acaban s i e n d o sin saber-
lo sus s u m i s o s servidores.

Pensar q u e las c o s a s s o n siempre así es tan falso


c o m o p e n s a r que n o l o s o n j a m á s .
D e h e c h o , l o m i s m o ocurre c o n l a i n f o r m a c i ó n q u e
r e c i b i m o s sobre la i n m i g r a c i ó n , sus leyes y sus trampas,
sobre el p o d e r del dinero en la solidaridad, s o b r e la dife-
rencia entre caridad y j u s t i c i a , s o b r e los m o v i m i e n t o s
que defienden u n a e c o n o m í a alternativa, sobre esta g l o -
balización q u e pretende ser en b e n e f i c i o de t o d o s , sobre
casi t o d o lo q u e p e r t e n e c e al destino q u e hay que dar al
dinero del c o n t r i b u y e n t e y sobre la o b l i g a c i ó n de los
ricos de c o m p a r t i r los recursos naturales c o n los m á s
pobres.
Hay además c o n c e p t o s que nada tienen que ver c o n el
bien c o m ú n que, por tradición y por deseo de poder, se
siguen vinculando c o n él: Dios, la caridad, los héroes, etc.
UNA COLECCIÓN PARA. L5

De h e c h o , h a y tanta confusión en la i n f o r m a c i ó n que


r e c i b i m o s c o m o en la forma q u e ante ella r e a c c i o n a m o s .
P a s a m o s d e c r e e r que c u a l q u i e r O N G está formada p o r
santos a defender q u e todos los q u e trabajan en ella son
u n o s vividores. D e s c o n f i a m o s lo m i s m o de los c o n s u m i -
dores c o m p u l s i v o s , entre los cuales sin duda n o s e n c o n -
t r a m o s , q u e de los q u e , por causas h u m a n i t a r i a s y en d e -
fensa de otra forma de e c o n o m í a , defienden el c o m e r c i o
solidario.
De ahí q u e la presente c o l e c c i ó n , c o n el a p o y o de In-
t e r m ó n O x f a m , tenga un valor d o c u m e n t a l de p r i m e r a
m a g n i t u d . Sus autores han d e m o s t r a d o hasta la saciedad
que no les m u e v e interés n i n g u n o a la h o r a de aclarar los
t é r m i n o s q u e la i n f o r m a c i ó n n o s facilita de forma confu-
sa, y por esta razón sus o p i n i o n e s han de ayudar forzo-
s a m e n t e a que s e p a m o s j u z g a r c o n e c u a n i m i d a d c u a l -
quier f e n ó m e n o q u e se n o s presente, d e j a n d o al m a r g e n
los estereotipos de tantos m e d i o s y los adjetivos de la
mayoría de las personas que h a b l a n p o r hablar o que,
p e o r aún, generalizan el c o m p o r t a m i e n t o de u n a p e r s o -
na q u e c o n o c i e r o n y lo atribuyen a la totalidad de los q u e
se d e d i c a n a ese i n t e n t o tan p o c o valorado de q u e exista
u n m u n d o m á s j u s t o , u n m u n d o mejor. E s más, n o s ayu-
dan a creer q u e , c o n un p o c o de esfuerzo de t o d o s los
h o m b r e s y mujeres de b u e n a voluntad, ese m u n d o es
posible.

Pero para ello, y previamente a cualquier i n t e n t o o


esfuerzo, es n e c e s a r i o aclarar los t é r m i n o s que m a n e j a -
m o s y l o s c o m p o r t a m i e n t o s q u e t e n e m o s para no s u -
m e r g i r n o s en u n a confusión todavía mayor. C r e o q u e
16 UNA COLECCIÓN PARA.

éste es el p r o p ó s i t o de la c o l e c c i ó n q u e se presenta hoy, y


sobre t o d o e n é l radica s u m á x i m o interés, p o r q u e n o
hay actitud, p o r b u e n a q u e sea, capaz de sustentarse en
la confusión y en la m e n t i r a .

ROSA REGÁS
INTRODUCCIÓN

A u n q u e se diga y se repita q u e la paz es una q u i m e r a y


u n s u e ñ o i m p o s i b l e , e l m u n d o n o avanzaría e n s u m e j o -
ra si los seres h u m a n o s no llevaran dentro esa aspiración
y no l u c h a r a n p o r ella. Es cierto q u e no todas las p e r s o -
n a s i n t e r p r e t a m o s p o r igual lo q u e significa esa palabra,
h e r m o s a y m a n i p u l a d a a la vez, p e r o i n t u i m o s de forma
bastante clara lo q u e no es la paz y las c o s a s q u e n o s dis-
tancian de ella. En este p e q u e ñ o libro, escrito de m a n e r a
divulgativa, se quiere m o s t r a r q u e la paz no sólo es posi-
b l e , sino q u e es u n a i m p e r i o s a n e c e s i d a d , y q u e e x i s t e n
diferentes rutas y r i t m o s para irla c o n s t r u y e n d o .

La idea de la paz es c o m o un h o r i z o n t e , q u e s i e m p r e
está l e j a n o p e r o n u n c a en el infinito. P o d e m o s y d e b e -
m o s andar h a c i a ese h o r i z o n t e , p e r o a m e d i d a que avan-
z a m o s se n o s presenta s i e m p r e igual de lejos. Pero entre
tanto h e m o s a n d a d o , y en ese c a m i n a r sin fin p u e d e q u e
esté toda la grandeza y el misterio de este a n h e l o u n i v e r -
sal. G a n d h i tenía razón en eso: la paz es el c a m i n o , no la
m e t a o el p u n t o final, pues quizá ni exista. La paz es p u e s
el c a m i n o , el c o m p r o m i s o , la a c c i ó n , la c o n v i c c i ó n de
18 INTRODUCCIÓN

cada p e r s o n a para andar, el esfuerzo c o l e c t i v o para dig-


nificar la vida.
En el p r i m e r capítulo se e x p l i c a p r e c i s a m e n t e que
hay varias agendas de paz, c o n multitud de miradas y
enfoques, s i e n d o todas ellas válidas y e s t a n d o n e c e s i t a -
das de a p o y o para superar las l i m i t a c i o n e s y las c o n t r a -
d i c c i o n e s que tiene c u a l q u i e r p r o y e c t o h u m a n o , más
aún c u a n d o el m o m e n t o presente, tan m a r c a d o por lo
o c u r r i d o el 11 de s e p t i e m b r e , es de gran c o n f u s i ó n s o b r e
algunas c u e s t i o n e s básicas q u e tienen que ver c o n n u e s -
tra mirada h a c i a el m u n d o . De eso h a b l a m o s en el se-
g u n d o c a p í t u l o , p o r q u e m á s allá de la i m p r e s c i n d i b l e
andadura personal, existe u n m o v i m i e n t o c o l e c t i v o , u n
andar y b u s c a r universal que c o n v i e n e c o n o c e r .

D a d o que el trabajo para ir edificando un futuro de


paz p u e d e y d e b e h a c e r s e desde diferentes c a m i n o s , to-
dos ellos paralelos y n e c e s a r i o s , en los capítulos siguien-
tes he detallado algo m á s a l g u n o s de los ejes c e n t r a l e s de
esta tarea, c o n s c i e n t e de q u e hay m u c h a s otras c o s a s p o r
h a c e r que m e r e c e r í a n i g u a l m e n t e sus c o r r e s p o n d i e n t e s
capítulos. H e q u e r i d o c e n t r a r m e , n o o b s t a n t e , e n u n o s
p o c o s t e m a s , c o m o m u e s t r a d e las c o s a s que p o d r í a n ha-
cerse, pero sin m i n u s v a l o r a r en a b s o l u t o la i m p o r t a n c i a
del resto de c u e s t i o n e s q u e configuran la agenda de la
paz. Así, en un apartado i n t e n t a r e m o s d e s e n m a s c a r a r a
la cultura de la violencia, c o n todas sus n u m e r o s a s e x -
presiones; en otro capítulo se explicará c ó m o funciona la
violencia estructural, i n c l u i d o s a l g u n o s a s p e c t o s q u e e s -
tán v i n c u l a d o s a la globalización y la m u n d i a l i z a c i ó n
e c o n ó m i c a ; p o s t e r i o r m e n t e a n a l i z a r e m o s c ó m o s o n las
INTRODUCCIÓN 19

guerras de h o y día y si los conflictos a r m a d o s podrían


abordarse de m a n e r a m á s satisfactoria, e s p e c i a l m e n t e si
h u b i e r a un tratamiento de sus causas.
En otro capítulo se c o m e n t a r á el reto q u e en estos
m o m e n t o s representan las m i g r a c i o n e s , tanto en E s p a ñ a
c o m o e n m u c h o s otros países, e s p e c i a l m e n t e p o r q u e
c o n s t i t u y e n u n a o p o r t u n i d a d para desarrollar nuestras
identidades de una m a n e r a m á s abierta. Sigue después
un capítulo para analizar la salud e c o l ó g i c a del planeta,
m u y castigada p o r nuestro a l e j a m i e n t o de la Naturaleza
y p o r la progresiva m e r c a n t i l i z a c i ó n de nuestras vidas, y
dedicaré un ú l t i m o apartado a tratar el d e s a r m e y las p o -
líticas de seguridad, e x p l i c a n d o el significado de lo q u e
l l a m a m o s «seguridad h u m a n a » c o m o alternativa al viejo
paradigma de la seguridad militar. C o n esta s e l e c c i ó n te-
mática, repito, quiero m o s t r a r p r e c i s a m e n t e la gran c a n -
tidad de o p o r t u n i d a d e s y c a m i n o s que t e n e m o s todas las
p e r s o n a s para protagonizar un p r o c e s o de c a m b i o , a n i -
vel personal y estructural, q u e n o s permita ir a b a n d o -
n a n d o u n a cultura de la violencia que a lo largo de los si-
glos ha i m p e d i d o que la j u s t i c i a social, el respeto, la
solidaridad y la p r e c a u c i ó n sean los referentes b á s i c o s de
todo cuanto hacemos.
LAS AGENDAS DE LA PAZ

P o c a s veces en la historia h a b r e m o s tenido tan claro y


definido c o m o ahora el listado de las tareas p e n d i e n t e s a
nivel planetario, l o que p o d r í a m o s d e n o m i n a r « d e b e -
res» para la paz, p o r q u e c u a n d o h a b l a m o s de m a n e r a ge-
nérica sobre la n e c e s i d a d de la paz, de q u e es posible un
m u n d o diferente, no lo h a c e m o s desde el simple á m b i t o
de los deseos o de los s u e ñ o s i m p o s i b l e s , sino a partir de
u n c o n o c i m i e n t o m u y p r e c i s o d e aquellos m e c a n i s m o s
que generan sufrimiento, muerte, exclusión, pobreza e
injusticia. P o d e m o s y d e b e m o s profundizar m u c h o m á s
en el diagnóstico de la enfermedad, cierto, pero lo que re-
sulta ya inaplazable es poner en m a r c h a u n a estrategia de
c a m b i o para a b a n d o n a r progresivamente la cultura de la
violencia y desenmascarar a quienes se benefician de ella
a costa del sufrimiento de los d e m á s .

D e n t r o de la lógica e inevitable pluralidad en c u a n t o


a las visiones de paz, existe un d e n o m i n a d o r c o m ú n o
unas b a s e s m í n i m a s q u e c o m p a r t e n m u c h í s i m a s p e r s o -
nas, m o v i m i e n t o s sociales, o r g a n i s m o s i n t e r n a c i o n a l e s e
i n c l u s o g o b i e r n o s . A u n q u e cada cual tiene su agenda,
22 LA PAZ ES POSIBLE

h a y suficientes p u n t o s de c o n f l u e n c i a c o m o para tener


una idea bastante precisa de p o r d ó n d e empezar. Los
m a t i c e s y las últimas i n t e n c i o n e s que hay detrás de cada
agenda s o n i m p o r t a n t e s , sin duda, y p o r tanto c o n v i e n e
c o n o c e r b i e n éstas para no caer en ingenuidades, pero
no p o r ello dejan de ser significativas m u c h a s c o i n c i d e n -
cias en c u a n t o a señalar lo q u e p u e d e y debe hacerse ya
m i s m o . P o n d r é algunos e j e m p l o s , e m p e z a n d o p o r el
vértice de la pirámide, para d e s c e n d e r después a las pro-
puestas que h a c e n los m o v i m i e n t o s sociales.
Cada año, el secretario general de la O N U presenta en
Nueva York su Memoria anual sobre la labor de la organiza-
ción, que puede consultarse en la w e b de d i c h o organis-
mo (www.un.org). Sin obviar en ningún m o m e n t o las li-
mitaciones de este organismo o de su propio secretario
general, este d o c u m e n t o anual constituye sin lugar a du-
das un recordatorio de lo que podríamos d e n o m i n a r «las
grandes cuestiones de la agenda de la paz» ya asumidas a
nivel internacional, al m e n o s teóricamente, pues en el
m i s m o se c o m e n t a el estado de la cuestión en lo relativo a
cuatro grandes ejes temáticos: el primero se refiere a c ó m o
conseguir la paz y la seguridad mediante la prevención de
los conflictos, el m a n t e n i m i e n t o y la consolidación de la
paz a través de operaciones internacionales, la asistencia a
procesos electorales, el desarme o la revisión de las san-
ciones impuestas a determinados países; el segundo trata
del c u m p l i m i e n t o de los c o m p r o m i s o s humanitarios e in-
cluye aspectos c o m o la protección de los civiles, la finan-
ciación de las situaciones de emergencia y la protección
que debe prestarse a la población refugiada; el tercer b l o -
LAS AGENDAS DE LA PAZ 23

que de cuestiones se refiere a la c o o p e r a c i ó n para el desa-


rrollo, c o n especial hincapié en la lucha contra la pobreza
extrema y el sida, así c o m o las estrategias para avanzar en
un desarrollo social sostenible; el cuarto eje, finalmente,
está centrado en la mejora del orden j u r í d i c o internacio-
nal y la p r o m o c i ó n de los derechos h u m a n o s .
Para ser un o r g a n i s m o formado p o r estados, c o n lo
b u e n o y m a l o q u e ello s u p o n e , este d o c u m e n t o anual de
N a c i o n e s U n i d a s da pistas suficientes para ver q u é tipo
de c o s a s deberían ser las prioritarias en el trabajo p o r la
paz, y c o i n c i d e en cierta m a n e r a c o n el p l a n t e a m i e n t o
p e d a g ó g i c o que s o l e m o s h a c e r desde otros á m b i t o s , al
indicar que el trabajo p o r la paz es la s u m a de los esfuer-
zos r e s p e c t o a cuatro « D » : d e s a r m e , desarrollo, d e m o -
cratización y d e r e c h o s h u m a n o s . Algunos o r g a n i s m o s
del sistema de N a c i o n e s U n i d a s , y en particular el Pro-
grama de N a c i o n e s U n i d a s para el Desarrollo ( P N U D ) ,
publican estudios todavía m á s c o n c r e t o s sobre la m a y o -
ría de estos a s p e c t o s , señalando p r o b l e m a s específicos y
definiendo estrategias de i n t e r v e n c i ó n sobre los m i s m o s
(www.undp.org). El Informe sobre Desarrollo Humano que
publica a n u a l m e n t e este o r g a n i s m o es t a m b i é n u n a refe-
rencia obligada para c o n o c e r el enfoque sobre los temas
de paz q u e se h a c e desde N a c i o n e s U n i d a s , y en particu-
lar el énfasis que se p o n e en vincular las cuatro « d » , pues
no hay desarrollo sin d e s a r m e y e n t o r n o seguro, y no
hay d e m o c r a t i z a c i ó n sin respeto a los d e r e c h o s h u m a -
n o s . Pero, d e b e m o s preguntarnos, ¿acaso los estados h a -
c e n algún c a s o de las r e c o m e n d a c i o n e s de estos organis-
m o s ? M u y p o c o , esta es la verdad, pero esta distancia o
24 LA PAZ ES POSIBLE

falta de c o m p r o m i s o c o n las m i s m a s propuestas de la


O N U , q u e repito es un foro de estados, n o s m u e s t r a
c u a n difícil será q u e se e s c u c h e n y apliquen las p r o p u e s -
tas q u e provienen de la b a s e de la pirámide.
El divorcio entre las propuestas que p u e d e n i m p u l -
sar a l g u n o s o r g a n i s m o s y lo q u e luego están dispuestos a
p o n e r en m a r c h a r e a l m e n t e los estados, es patente p o r
e j e m p l o en el Programa de A c c i ó n sobre u n a Cultura de
Paz a p r o b a d o p o r la A s a m b l e a General de N a c i o n e s U n i -
das en s e p t i e m b r e de 1 9 9 9 , y que recoge toda u n a l a b o r
creativa y n e g o c i a d o r a iniciada a ñ o s antes desde la
U N E S C O , b a j o e l i m p u l s o d e s u e n t o n c e s director g e n e -
ral, F e d e r i c o M a y o r Zaragoza. Este programa de a c c i ó n
es la m u e s t r a palpable y vergonzosa de lo fácil q u e resul-
t a aprobar u n d o c u m e n t o para luego n o c u m p l i r l o . P e r o
a u n así tiene la virtud de señalar c o n bastante p r e c i s i ó n
el listado de c o s a s que se p u e d e n hacer, a d e m á s de ser
t a m b i é n un e x c e l e n t e i n s t r u m e n t o para señalar a los g o -
b i e r n o s cuáles s o n sus o b l i g a c i o n e s y exigirles el c u m p l i -
m i e n t o de lo q u e ellos m i s m o s h a n a c o r d a d o y firmado.

El Programa de A c c i ó n s o b r e u n a Cultura de Paz es


u n a verdadera agenda de trabajo, dividida en o c h o gran-
des b l o q u e s t e m á t i c o s . El primero persigue f o m e n t a r
u n a cultura de paz p o r m e d i o de la e d u c a c i ó n , y se b a s a
en p r o m o v e r u n a e d u c a c i ó n para todos, instruir a las
p e r s o n a s para resolver los c o n ñ i c t o s sin recurrir a la v i o -
l e n c i a , garantizar el a c c e s o de las mujeres al sistema e d u -
cativo, revisar los p l a n e s de estudio para h a c e r l o s c o h e -
rentes c o n el objetivo antes señalado, capacitar a la gente
en la p r o m o c i ó n del diálogo y el c o n s e n s o , y reforzar las
LAS AGENDAS DE LA PAZ 2i

capacidades de N a c i o n e s U n i d a s en la p r e v e n c i ó n de los
conflictos violentos. S ó l o en este p r i m e r p u n t o h a y ya
detectados un m o n t ó n de a s p e c t o s fundamentales del
trabajo p o r la paz, q u e h a n de convertirse en c a m p a ñ a s
de sensibilización, en redes de m o v i m i e n t o s p o p u l a r e s y
sociales, en prioridades presupuestarias de los g o b i e r n o s
o en la c o n s t i t u c i ó n de alianzas entre algunos países de-
cididos a lograr objetivos c o m u n e s . No es un p u n t o abs-
tracto, c o m o t a m p o c o lo son el resto de los que configu-
ran del Plan de A c c i ó n , s i n o q u e es un eje d i n á m i c o q u e
h a b r í a de posibilitar c o m p r o m i s o s políticos y e c o n ó m i -
c o s de p r i m e r a m a g n i t u d que todos los estados d e b e r í a n
asumir. Tres a ñ o s después de aprobarse el Programa, sin
e m b a r g o , s o n m u y p o c o s los países que p u e d e n presen-
tar a c t u a c i o n e s iniciadas sobre el m i s m o . Esta inactivi-
dad g u b e r n a m e n t a l es lo que e x p l i c a y motiva el resurgi-
m i e n t o de un m o v i m i e n t o p o r la paz a principios del
m i l e n i o , c o n c a p a c i d a d e s d e e x i g e n c i a hacia sus r e s p e c -
tivos g o b i e r n o s , y c o n la creatividad necesaria para p o -
n e r en m a r c h a algunas iniciativas s o b r e cada u n o de los
subtemas mencionados.

El s e g u n d o eje del P r o g r a m a de A c c i ó n se refiere a la


p r o m o c i ó n de un desarrollo e c o n ó m i c o y social sosteni-
ble. De n u e v o , este b l o q u e está subdividido en m ú l t i -
ples c o m p r o m i s o s , a u n q u e a l g u n o s d e m a s i a d o genéri-
c o s , c o m o las estrategias para erradicar la p o b r e z a , el
c o m p r o m i s o de reducir las desigualdades e c o n ó m i c a s y
sociales, o el r e c o n o c i m i e n t o del d e r e c h o de los p u e b l o s
a la libre a u t o d e t e r m i n a c i ó n . O t r o s p u n t o s , sin e m b a r g o ,
s o n m á s cuantificables y están ya en el orden del día de
26 LA PAZ ES POSIBLE

las r e i v i n d i c a c i o n e s de m u c h o s m o v i m i e n t o s sociales y
O N G , c o m o el alivio de la deuda externa, el desarrollo
participativo, el logro de la seguridad alimentaria, el fo-
m e n t o de la a u t o n o m í a para las m u j e r e s y las niñas, la
sostenibilidad m e d i o a m b i e n t a l o el refuerzo de los pro-
c e s o s de rehabilitación y reintegración para los e x c o m -
batientes.
El tercer eje es el de los d e r e c h o s h u m a n o s , y se a p o -
ya en un plan de a c c i ó n anterior, a p r o b a d o en V i e n a ,
que ya dispone de calendario y c o m p r o m i s o s . . . q u e a p e -
nas se c u m p l e n a nivel g u b e r n a m e n t a l . C o m o añadidu-
ra, se insiste en la necesidad de fortalecer las institucio-
n e s ya existentes, algunas de ellas dotadas c o n m u y
p o c o s recursos, y en h a c e r realidad todo lo r e l a c i o n a d o
c o n el d e r e c h o al desarrollo. C o m o insistiré m á s adelan-
te, si el t é r m i n o que m á s se acerca a la paz es el de la j u s -
ticia social, el c a m p o prioritario de a c t u a c i ó n para l o -
grarla h a b r á de ser el f o m e n t o de los d e r e c h o s h u m a n o s ,
tanto para m e j o r a r los m e c a n i s m o s y las i n s t i t u c i o n e s ya
creadas, c o m o para exigir el c u m p l i m i e n t o de las leyes
que ya t e n e m o s .

Se ha d i c h o t a m b i é n , y c o n razón, q u e el siglo XX ha
sido el de las mujeres, en el s e n t i d o de que ha estado re-
pleto de reivindicaciones y e x i g e n c i a s que han desve-
lado los estragos de un patriarcado secular q u e ha o c u l -
tado y o p r i m i d o a las m u j e r e s , la mitad de la p o b l a c i ó n
del planeta. El P r o g r a m a de A c c i ó n , en su c u a r t o eje, se
c e n t r a en garantizar la igualdad entre h o m b r e s y m u j e -
res, y p r o p o n e a c t u a c i o n e s para aplicar los i n s t r u m e n t o s
i n t e r n a c i o n a l e s ya existentes, pisoteados diariamente en
LAS AGENDAS DE LA PAZ 27

tantos países; se refiere t a m b i é n a la n e c e s i d a d de aplicar


la Plataforma de A c c i ó n de P e k í n , en eliminar todas las
formas de violencia c o n t r a la m u j e r y en dar asistencia a
las m u j e r e s c u a n d o s o n víctimas de la violencia. E s t e eje
es u n a m u e s t r a de la transversalidad del trabajo p o r la
paz, de la inevitable c o n e x i ó n y c o l a b o r a c i ó n que h a n de
tener todos los m o v i m i e n t o s sociales, incluido el femi-
nista, para c o n s t r u i r esas rutas paralelas c o n un h o r i z o n -
te c o m ú n de paz.
El q u i n t o p u n t o del Programa se refiere a p r o m o v e r
la p a r t i c i p a c i ó n d e m o c r á t i c a . A n t i c i p á n d o s e al gran m o -
v i m i e n t o i n t e r n a c i o n a l que tiene c o m o referencia a la
c i u d a d brasileña de P o r t o Alegre, este apartado p r o p o n e
avanzar en prácticas d e m o c r á t i c a s m á s participativas,
capacitar a funcionarios p ú b l i c o s en el b u e n g o b i e r n o ,
asistir a p r o c e s o s electorales o l u c h a r c o n t r a la c o r r u p -
c i ó n , e l e m e n t o s todos ellos fundamentales para la g o -
b e r n a b i l i a d de m u c h a s s o c i e d a d e s , m á x i m e c u a n d o la
ausencia de dicha g o b e r n a b i l i d a d es u n a de las causas
del desarrollo d e m u c h o s conflictos, c o m o v e r e m o s e n
otro capítulo.

El mundo, evidentemente, no podrá encarar todos


estos desafíos desde la desconfianza y el e g o í s m o , p o r lo
que cualquier perspectiva de cultura de paz h a b r á de
profundizar en las formas q u e p e r m i t a n p r o m o v e r el e n -
t e n d i m i e n t o , la tolerancia y la solidaridad. M á s allá del
b u e n e n u n c i a d o d e estos p r i n c i p i o s , l o que n o s p r o p o n e
el P r o g r a m a de A c c i ó n es h a c e r realidad el diálogo de c i -
vilizaciones y de religiones, c o n o c e r las prácticas tradi-
cionales e indígenas de s o l u c i ó n de controversias para
28 LA PAZ ES POSIBLE

transformar positivamente los conflictos, atender los re-


c l a m o s y d e r e c h o s de las p o b l a c i o n e s indígenas o tratar
c o n dignidad y j u s t i c i a la temática de la i n m i g r a c i ó n .
El s é p t i m o eje de trabajo es el referente a la c o m u n i -
c a c i ó n participativa y la libre c i r c u l a c i ó n de la informa-
c i ó n , un b l o q u e e s t r e c h a m e n t e v i n c u l a d o al de los dere-
c h o s h u m a n o s , e n l a m e d i d a q u e e n n u m e r o s o s países
del planeta todavía no existe u n a verdadera libertad de
prensa, de i n f o r m a c i ó n y c o m u n i c a c i ó n , y d o n d e es difí-
cil la p l e n a e x p r e s i ó n de las c o m u n i d a d e s . En este b l o -
q u e t e m á t i c o ha de incluirse la ardua tarea de lograr que
los m e d i o s audiovisuales, y en particular la televisión, no
sean agentes r e p r o d u c t o r e s y legitimadores de la cultura
de la violencia.
F i n a l m e n t e , el ú l t i m o b l o q u e del p r o g r a m a agrupa
u n a serie de a c t u a c i o n e s para p r o m o v e r la paz y la segu-
ridad i n t e r n a c i o n a l , d o n d e entrarían todos los esfuerzos
para c o n s e g u i r un d e s a r m e general y c o m p l e t o , la c o n -
versión de la industria militar en industria civil, la crea-
c i ó n de m e d i d a s de confianza que ayuden a reducir las
falsas p e r c e p c i o n e s d e a m e n a z a , l a e l i m i n a c i ó n d e
la p r o d u c c i ó n y el tráfico de a r m a s ligeras, garantizar la
ayuda h u m a n i t a r i a para las p o b l a c i o n e s en peligro y un
largo apartado de a c t u a c i o n e s para q u e N a c i o n e s U n i d a s
sea u n a organización m á s efectiva en la p r e v e n c i ó n y la
r e s o l u c i ó n de los conflictos.
E s t e programa, p o r s u p u e s t o , n o abarca quizá t o d o
lo q u e pueda y d e b a h a c e r s e , pero su a m p l i t u d t e m á t i c a
tiene la ventaja de m o s t r a r m ú l t i p l e s c a m i n o s d o n d e
c u a l q u i e r persona, g r u p o , entidad, c o l e c t i v o , región o
LAS AGENDAS DE LA PAZ 24

país tiene o b l i g a c i o n e s que cumplir. Y, repito, es un p r o -


grama a p r o b a d o p o r todos los g o b i e r n o s del m u n d o , sin
e x c e p c i ó n alguna, p o r lo que t e n e m o s el d e r e c h o a e x i -
gir su c u m p l i m i e n t o .
A l g u n o s países, a u n q u e n o m u c h o s , h a n t o m a d o e s -
tas t e m á t i c a s c o n un interés c r e c i e n t e y las c o n s i d e r a n
e n cierta m e d i d a c o m o t e m a s prioritarios, i n c l u s o c o m o
c u e s t i o n e s de E s t a d o . S o n los países que van a la van-
guardia en la reflexión y en algunas a c t u a c i o n e s , m a r -
c a n d o así u n a s pautas para q u e otros sigan la estela.
Aunque queda m u c h í s i m o por recorrer y los pasos
dados s o n a ú n t í m i d o s c o m p a r a d o s c o n e l t a m a ñ o del
desafío, citaría c o m o referentes i n t e r e s a n t e s el Progra-
ma de S e g u r i d a d H u m a n a del M i n i s t e r i o de A s u n t o s
E x t e r i o r e s y C o m e r c i o I n t e r n a c i o n a l del g o b i e r n o de
C a n a d á , país que ya lideró el p r o c e s o para la p r o h i b i -
c i ó n de las m i n a s a n t i p e r s o n a , la red de seguridad h u -
m a n a q u e este país h a p u e s t o e n m a r c h a c o n o t r o s d o c e
países (vvww.humansecuritynetwork.org), o el p l a n de
a c c i ó n del g o b i e r n o s u e c o para p r e v e n i r los c o n f l i c t o s
v i o l e n t o s , q u e persigue c i n c o g r a n d e s o b j e t i v o s : 1 ) p r o -
m o v e r u n a cultura de la p r e v e n c i ó n de los c o n f l i c t o s
v i o l e n t o s ; 2 ) identificar factores estructurales d e riesgo,
es decir, las c a u s a s de d i c h o s c o n f l i c t o s , c o m o la r e c e -
sión e c o n ó m i c a , la desigual d i s t r i b u c i ó n de l o s r e c u r -
s o s , los s i s t e m a s p o l í t i c o s n o d e m o c r á t i c o s , las desi-
gualdades s o c i a l e s , la s u p r e s i ó n de los d e r e c h o s de las
m i n o r í a s , l o s flujos de refugiados, las t e n s i o n e s é t n i c a s
o religiosas, la i n t o l e r a n c i a cultural, la proliferación de
a r m a s , etcétera; 3 ) e l desarrollo d e u n sistema i n t e r n a -
30 LA PAZ ES POSIBLE

c i o n a l de n o r m a s y su puesta en f u n c i o n a m i e n t o ; 4) re-
forzar el m a r c o i n s t i t u c i o n a l y sus i n s t r u m e n t o s preven-
tivos, t a n t o en la O N U , c o m o en la U E , la O S C E y la
O T A N , y 5) reforzar las c a p a c i d a d e s preventivas s u e c a s
en todas las áreas, esto es, en política exterior, seguri-
dad, c o m e r c i o , m i g r a c i o n e s o ayuda al desarrollo.
E s t o s e j e m p l o s g u b e r n a m e n t a l e s , j u n t o a otros que
podrían m e n c i o n a r s e , n o s m u e s t r a n al m e n o s que desde
el á m b i t o m á s tradicional, el de los estados, es posible
tomarse c o n seriedad el trabajo p o r la paz, de la m i s m a
m a n e r a q u e m u c h o s otros países no h a c e n el m á s m í n i -
mo esfuerzo al respecto, sino m á s b i e n t o d o lo c o n t r a r i o ,
pues torpedean c o n su m i o p í a las iniciativas q u e plan-
tean los países c o n g o b i e r n o s m á s clarividentes y o p i n i o -
n e s p ú b l i c a s m á s exigentes.
M e s e s antes de que N a c i o n e s U n i d a s aprobara su
Programa de A c c i ó n para la Cultura de Paz, d e c e n a s de
miles de personas se reunieron en La Haya para h a c e r un
llamamiento mundial para la paz (www.haguepeace.org),
c o m o c o l o f ó n a u n a « c a m p a ñ a de c a m p a ñ a s » para des-
legitimar los conflictos a r m a d o s y crear u n a cultura de
paz para el n u e v o siglo. Lo interesante de The HagueAp-
peljor Peace es tanto la temática propuesta, que va en la
línea de lo señalado a n t e r i o r m e n t e , c o m o la m e t o d o l o g í a
seguida, basada en una proliferación de c o a l i c i o n e s ciu-
dadanas de a m p l i o espectro q u e trabajarían en los próxi-
m o s a ñ o s en cuatro grandes líneas paralelas, o cuatro
grandes autopistas de paz: d e r e c h o s h u m a n o s , preven-
c i ó n de conflictos, desarme y cultura de paz. V e a m o s
cada p u n t o c o n algo m á s de a t e n c i ó n .
LAS AGENDAS DE LA PAZ 51

El p r i m e r objetivo b u s c a reforzar las leyes e institu-


c i o n e s h u m a n i t a r i a s y de d e r e c h o s h u m a n o s y p r o p o n e
trabajar sobre cuatro p u n t o s prioritarios, a saber: 1) ase-
gurar una p r o n t a ratificación e institucionalización de
las leyes sobre d e r e c h o s h u m a n o s y d e r e c h o i n t e r n a c i o -
nal h u m a n i t a r i o , y en particular a través del desarrollo
de estrategias que p e r m i t a n un f u n c i o n a m i e n t o efectivo
del Tribunal Penal I n t e r n a c i o n a l ; 2) vigilar y evaluar los
informes de los relatores del c e n t e n a r i o de la P r i m e r a
C o n f e r e n c i a I n t e r n a c i o n a l de la Paz y desarrollar estrate-
gias c o m u n e s c o n los g o b i e r n o s y las o r g a n i z a c i o n e s in-
t e r n a c i o n a l e s ; 3) identificar propuestas clave para a m -
pliar y m e j o r a r las leyes h u m a n i t a r i a s y de d e r e c h o s
humanos (crímenes contra la humanidad, reclutamiento
de m e n o r e s , terrorismo internacional, desarrollo de los
d e r e c h o s e c o n ó m i c o s y sociales, e t c é t e r a ) ; 4 ) p r o m o v e r
e i n c r e m e n t a r el c o n o c i m i e n t o p ú b l i c o , la e n s e ñ a n z a y la
c o m p r e n s i ó n del d e r e c h o i n t e r n a c i o n a l , e s p e c i a l m e n t e
de las leyes h u m a n i t a r i a s .

El s e g u n d o gran objetivo del l l a m a m i e n t o de La


Haya es m e j o r a r las políticas de p r e v e n c i ó n , r e s o l u c i ó n
pacífica y t r a n s f o r m a c i ó n de los conflictos violentos. Ahí
se insiste en la c r e a c i ó n de m á s y m e j o r e s c e n t r o s de aler-
ta t e m p r a n a y de respuesta rápida, en m e j o r a r las c a p a -
cidades locales para c o n s t r u i r p r o c e s o s de paz, el desa-
rrollo de c o a l i c i o n e s formadas p o r O r g a n i z a c i o n e s No
G u b e r n a m e n t a l e s , fomentar iniciativas de diplomacia pa-
ralela (la d i p l o m a c i a llevada a c a b o por sectores no gu-
b e r n a m e n t a l e s ) , atender a los n i ñ o s afectados p o r las
guerras, dar voz a los p u e b l o s que no están representa-
32 LA PAZ ES POSIBLE

dos p o r n i n g ú n E s t a d o , y desarrollar todo el i n s t r u m e n -


tal para la r e s o l u c i ó n pacífica de los conflictos.
En c u a n t o al d e s a r m e , el L l a m a m i e n t o insiste en
la n e c e s i d a d de abolir c o m p l e t a m e n t e todas las a r m a s
n u c l e a r e s , en frenar la proliferación de las armas c o n -
vencionales, especialmente en contextos de postconflic-
to, prestar a t e n c i ó n especial al p r o b l e m a de las armas
ligeras, b u s c a r alternativas a la política de alianzas mili-
tares, ayudar a la d e s m o v i l i z a c i ó n de los actores a r m a d o s
y h a c e r realidad lo que se d e n o m i n a el « d i v i d e n d o de la
p a z » , es decir, d i s m i n u i r los gastos militares para g e n e -
rar recursos adicionales que p u e d a n ser d e d i c a d o s a la
c o n s t r u c c i ó n y c o n s o l i d a c i ó n de la paz.
El c u a r t o y ú l t i m o eje se refiere a la n e c e s i d a d de
identificar las raíces de la guerra, para desarrollar a par-
tir de ahí u n a cultura de la paz. Aquí, la lista vuelve a ser
larga, p u e s incluye la p o b r e z a , las desigualdades s o c i a -
les, las t e n s i o n e s étnicas y religiosas, los m o v i m i e n t o s
nacionalistas e x c l u y e n t e s , la degradación a m b i e n t a l , la
escasez de recursos naturales, la m a r g i n a c i ó n de los p u e -
b l o s indígenas, el papel de los m e d i o s de c o m u n i c a c i ó n
en la p r o l o n g a c i ó n de los conflictos, la a u s e n c i a de insti-
t u c i o n e s d e m o c r á t i c a s y de g o b e r n a b i l i d a d m u n d i a l y el
fracaso en la p r o t e c c i ó n de los d e r e c h o s h u m a n o s .
C o m o se h a b r á o b s e r v a d o , los p u n t o s de eáta agenda
c o i n c i d e n en b u e n a parte c o n los de otras agendas ya c o -
m e n t a d a s , m o s t r a n d o de forma m e r i d i a n a este i n m e n s o
a b a n i c o de tareas p o r realizar en las p r ó x i m a s décadas.

S i n e m b a r g o , el a s p e c t o m á s interesante de esta ini-


ciativa, es que se ha p u e s t o en m a r c h a p l a n t e a n d o a la
LAS AGENDAS DE LA PAZ 33

s o c i e d a d i n t e r n a c i o n a l varias rutas dé participación en


formas de c a m p a ñ a , esto es, m o s t r a n d o formas m u y
c o n c r e t a s de ir c o n s i g u i e n d o c o s a s en cada u n o de los
grandes o b j e t i v o s . Algunas de las c a m p a ñ a s en m a r c h a
s o n las siguientes: la c o a l i c i ó n para t e r m i n a r c o n el u s o
de n i ñ o s s o l d a d o ( u n o de los p r o p ó s i t o s de esta c a m p a -
ña es m e j o r a r un P r o t o c o l o de la C o n v e n c i ó n de los D e -
r e c h o s de la Infancia, p r o h i b i e n d o el r e c l u t a m i e n t o de
menores de 18 años); continuar con la campaña interna-
c i o n a l para la p r o h i b i c i ó n de las m i n a s antipersona ( a h o -
ra se persigue i n c r e m e n t a r el n ú m e r o de países q u e ya
h a n ratificado el Tratado de P r o h i b i c i ó n de las M i n a s ) ; la
c a m p a ñ a para el Tribunal Penal I n t e r n a c i o n a l ( u n a vez
c o n s e g u i d o s los sesenta países q u e hayan ratificado di-
c h o Tribunal, h a b r á q u e dotarlo de m e d i o s para q u e sea
efectivo); la c a m p a ñ a de la e d u c a c i ó n para la paz ( b u s c a
introducir los temas de paz y d e r e c h o s h u m a n o s en l o s
planes de estudio de todas las i n s t i t u c i o n e s educativas);
la c a m p a ñ a para la a b o l i c i ó n de las a r m a s n u c l e a r e s (per-
sigue un tratado q u e las p r o h i b a definitivamente); la
c a m p a ñ a de la R e d I n t e r n a c i o n a l de A c c i ó n sobre las Ar-
m a s Ligeras ( b u s c a frenar la proliferación de estas a r m a s
en c u a l q u i e r lugar del planeta); la c a m p a ñ a de a c c i ó n
global para prevenir la guerra ( c a m p a ñ a a m e d i o plazo
q u e intenta c o n c i e n c i a r a los c e n t r o s de sensibilización
política s o b r e las ventajas de la p r e v e n c i ó n ) ; la c a m p a ñ a
sobre las m u j e r e s c o m o c o n s t r u c t o r a s de paz, la c a m p a -
ña c o n t r a las armas de uranio e m p o b r e c i d o , la q u e per-
sigue el fin del g e n o c i d i o , la centrada en la Red I n t e r n a -
cional sobre el D e s a r m e y la G l o b a l i z a c i ó n (que investiga
34 LA PAZ ES POSIBLE

los efectos de la globalización e c o n ó m i c a y el rol de las


c o r p o r a c i o n e s t r a n s n a c i o n a l e s ) , o la C a m p a ñ a para la
J u s t i c i a E c o n ó m i c a , centrada e n l a pobreza.
Hay m u c h a s m á s c a m p a ñ a s , y cada año se p r o m u e -
v e n nuevas iniciativas de este tipo desde todos los r i n c o -
n e s del planeta. U n a s tienen p o r objetivo el a c c e s o a los
m e d i c a m e n t o s esenciales, otras b u s c a n t e r m i n a r c o n l a
violencia sobre las m u j e r e s , c o n c i e n c i a r a los c o n s u m i -
dores para que n o adquieran p r o d u c t o s fabricados m e -
diante e x p l o t a c i ó n laboral infantil, acabar c o n la priori-
dad dada a la investigación de carácter militar, e x t e n d e r
el c o m e r c i o j u s t o , terminar c o n la deuda e x t e r n a , frenar
la e x t e n s i ó n del sida en África, e t c . Todas tienen en c o -
m ú n u n a cierta m e t o d o l o g í a , b u s c a n d o la a d h e s i ó n de
sectores m u y diversos, l o q u e p e r m i t e q u e p u e d a n j u n -
tarse O N G d e r e c o n o c i d o prestigio c o n algunos organis-
m o s i n t e r n a c i o n a l e s , instituciones a c a d é m i c a s y otros
sectores sociales. A d e m á s de trabajar en red, esta forma
de trabajar p o r las diferentes e x p r e s i o n e s de la paz se c a -
racteriza p o r tener u n a perspectiva propositiva, m o s -
t r a n d o alternativas a t e m a s c o n c r e t o s , e s t a b l e c i e n d o
objetivos claros y a s u m i b l e s , c o o r d i n a n d o esfuerzos de
m a n e r a descentralizada, d a n d o libertad y confianza a
q u i e n e s participan, e s t a b l e c i e n d o alianzas c o n m o v i -
m i e n t o s d e otros sectores, c o m b i n a n d o s i e m p r e pedago-
gía, sensibilización y p r e s i ó n política, y p o n i e n d o rigor e
investigación al lado de los m e n s a j e s m á s divulgativos.

Podrá objetarse q u e esta forma de trabajar no es h a -


c e r la revolución en su s e n t i d o c l á s i c o , o i n c l u s o que
cada c a m p a ñ a va p o r su c u e n t a y n i n g u n a de ellas persi-
LAS AGENDAS DE LA PAZ 35

gue un c a m b i o global y total de la s o c i e d a d i n t e r n a c i o -


nal. Y es cierto en gran m e d i d a . Pero n u n c a se ha p e n s a -
do ni se ha p r e t e n d i d o que este tipo de a c t u a c i o n e s sea
lo equivalente a u n a ideología política o un m a r c o expli-
cativo de t o d o c u a n t o ocurre en el m u n d o . P o r el c o n -
trario, el m o v i m i e n t o p o r la paz del n u e v o siglo a s u m e
sin p r o b l e m a s su pluralidad y diversidad, valora m u y
positivamente la e x i s t e n c i a de ritmos diferentes y r e c o -
n o c e la validez de t o d o tipo de a p o r t a c i o n e s (las de la
gente sencilla y las de la c o m u n i d a d científica, la de
q u i e n e s sólo aportan algo de dinero y la de q u i e n e s apor-
tan profesionalidad, c o n o c i m i e n t o s o t i e m p o ) , p o r q u e
se entiende q u e el trabajo p o r la paz es u n a tarea c o n -
j u n t a , universal, y q u e sus logros serán el resultado de
u n a gran c o n v e r g e n c i a m u n d i a l , d e m u c h a gente a c -
t u a n d o sobre diferentes y múltiples frentes, pero cada
vez c o n m a y o r i n t e r c o n e x i ó n entre ellas y c o n m a y o r
c o m p r e n s i ó n del significado de lo q u e h a c e n los d e m á s .
Los m o v i m i e n t o s sociales y las O N G que actúan de for-
m a c o n j u n t a e n estos t e m a s , b u s c a n d o alianzas c o n s e c -
tores profesionales, iglesias, sindicatos, universidades,
grupos políticos y s e c t o r e s de t o d o tipo, no intentan ni
p u e d e n sustituir el trabajo y la responsabilidad q u e tie-
n e n los g o b i e r n o s o los o r g a n i s m o s i n t e r n a c i o n a l e s ; lo
q u e persiguen es algo diferente, pero igualmente n e c e s a -
rio y vital: ser plataformas de sensibilización social para
exigir responsabilidades y a c t u a c i o n e s a cada actor, al
m i s m o t i e m p o q u e p r o p o r c i o n a n ideas y c o n s t r u y e n c a -
m i n o s para q u e t o d o el m u n d o , sin e x c e p c i ó n , pueda ser
protagonista de este p r o y e c t o h u m a n i z a d o r .
CONSTRUIR LA PAZ EN TIEMPOS
1
DE CONFUSIÓN

Durante siglos, las sociedades se h a n preparado para ha-


cer la guerra, y el l e m a de «si quieres la paz, prepara la
guerra» ha inspirado la m a y o r parte de las políticas de se-
guridad. Se h a n creado así infinidad de instituciones y or-
ganismos para planificar, entrenar y llevar a c a b o posibles
enfrentamientos armados, y millones de personas son
entrenadas en el m u n d o cada a ñ o en el uso de las armas,
mientras que otros cientos de miles se dedican exclusiva-
m e n t e a investigar y desarrollar n u e v o s artefactos de des-
trucción. Esta i n m e n s a maquinaria militar no ha servido,
sin e m b a r g o , para reducir significativamente el n ú m e r o
de c o n ñ i c t o s a r m a d o s y la letalidad de los m i s m o s , y tam-
p o c o se muestra ahora eficiente para abordar los conflic-
tos que se están desarrollando en el m u n d o de hoy.

L l e v a m o s m á s de u n a d é c a d a s e ñ a l a n d o y d i s c u t i e n -
do la crisis de los viejos m o d e l o s de seguridad, pero sin
d e d i c a r a p e n a s esfuerzos a la c o n s t r u c c i ó n de u n a n u e -

1. Para redactar este capítulo he utilizado varias ideas ya ex-


puestas en los últimos años en artículos publicados en El País y E!
Periódico.
38 LA PAZ ES POSIBLE

va infraestructura de paz q u e sea c a p a z de dar r e s p u e s -


tas rápidas y eficientes a l o s i m p o r t a n t í s i m o s desafíos
que e l m u n d o c o n o c e s o b r a d a m e n t e , e n l o e c o l ó g i c o , l o
p o l í t i c o , lo e c o n ó m i c o o lo cultural. La O N U , p o r e j e m -
plo, continúa siendo un organismo debilitado en los
p l a n o s p o l í t i c o y e c o n ó m i c o , c o n u n déficit p e r m a n e n -
te d e b i d o al i m p a g o de c u o t a s p o r parte de E s t a d o s U n i -
d o s , y c o n u n d e r e c h o d e v e t o d e los c i n c o países m i e m -
b r o s p e r m a n e n t e s del C o n s e j o d e S e g u r i d a d ( E s t a d o s
U n i d o s , Rusia, C h i n a , F r a n c i a y R e i n o U n i d o ) , q u e c o n -
v i e r t e n a este o r g a n i s m o e n u n i n s t r u m e n t o m u y p o c o
d e m o c r á t i c o . El p r e s u p u e s t o de esta o r g a n i z a c i ó n es in-
ferior al del a y u n t a m i e n t o de B a r c e l o n a o al del p a r q u e
d e b o m b e r o s d e N u e v a Y o r k , p o r l o q u e n o h a d e ser di-
fícil i m a g i n a r las dificultades q u e tiene y t e n d r á para
g e s t i o n a r t o d o s los a s u n t o s i m p o r t a n t e s del p l a n e t a . E n
otro nivel, p e r o c o n datos i g u a l m e n t e significativos, l o s
m i n i s t e r i o s de A s u n t o s E x t e r i o r e s del c o n j u n t o de la
U n i ó n E u r o p e a no llegan a tener, t o d o s j u n t o s , tres o
c u a t r o c e n t e n a r e s de f u n c i o n a r i o s d e d i c a d o s a trabajar
p o r los d e r e c h o s h u m a n o s , a s u n t o s de d e s a r m e o pre-
vención de conflictos. Podría poner cientos de ejemplos
de este tipo para m o s t r a r el d e s e q u i l i b r i o entre los m i -
l l o n e s de p e r s o n a s y los m i l e s de m i l l o n e s de dólares d e -
d i c a d o s a p r e p a r a r la guerra, y la miseria q u e se d e d i c a
para p r e p a r a r la paz. Así las c o s a s , no d e b e r í a e x t r a ñ a r -
n o s q u e t e n g a m o s tan p o c a c a p a c i d a d para p r e v e n i r o
gestionar positivamente determinadas situaciones con-
flictivas.

Para q u e la paz deje de ser u n a q u i m e r a o u n a utopía,


CONSTRUIR LA PAZ EN TIEMPOS DE CONFUSIÓN 39

no sólo será n e c e s a r i o enfocar las cosas de u n a m a n e r a


r a d i c a l m e n t e diferente, sino q u e t a m b i é n n e c e s i t a r e m o s
de u n a s infraestructuras que activen c o n t i n u a m e n t e las
d i p l o m a c i a s de la paz. Urgen, p o r tanto, nuevas ideas y
n u e v o s i n s t r u m e n t o s , un software y un hardware para la
paz. Tras la crisis del 11 de s e p t i e m b r e , el teólogo y filó-
sofo brasileño L e o n a r d o Boff envió un mensaje en el que
n o s advertía que «esta vez no vendrá un Arca de N o é que
salve a algunos y deje p e r e c e r a los d e m á s » . D e b e r í a m o s
recordarlo todos, e s p e c i a l m e n t e E s t a d o s U n i d o s y sus
aliados militares, p o r q u e si no n o s aliamos t a m b i é n para
c o m b a t i r la otra «injusticia infinita», la de la miseria y la
opresión, n o h a b r e m o s sacado l a m á s i m p o r t a n t e l e c -
c i ó n de fondo de la crisis desatada tras el ataque a las T o -
rres G e m e l a s , a saber, que la gestión del planeta no fun-
c i o n a en a b s o l u t o , q u e se e n c u e n t r a en un callejón sin
salida y q u e , p o r tanto, urgen rectificaciones de gran c a -
lado, y no m e r a s o p e r a c i o n e s de maquillaje.

Sin e m b a r g o , n o p o d r e m o s avanzar m u c h o s i n o s
q u e d a m o s e s t a n c a d o s en el actual estado de confusión a
la h o r a de interpretar las d i n á m i c a s i n t e r n a c i o n a l e s y de
intentar c o m p r e n d e r p o r qué o c u r r e n determinadas c o -
sas. La diversidad de análisis y miradas sobre el signifi-
c a d o de lo o c u r r i d o el 11 de s e p t i e m b r e es u n a m u e s t r a
de esta confusión.
C o n t r a r i a m e n t e a c o m o se ha intentado h a c e r creer,
n o e s t a m o s para n a d a ante u n c h o q u e d e civilizaciones,
sino ante un c h o q u e de fundamentalismos y de c o l e c t i -
vos que c r e e n tener u n a m i s i ó n transcendente. L o q u e
ocurre p u e d e ser interpretado c o m o u n c h o q u e entre u n
40 LA PAZ LS POSIBLE

d e t e r m i n a d o f u n d a m e n t a l i s m o religioso y el f u n d a m e n -
talismo del dinero y de la arrogancia del p o d e r p o l í t i c o y
militar. Y c a b e preguntarse lo q u e ocurre c u a n d o los
p u e b l o s q u e se c r e e n e s c o g i d o s p o r D i o s se enfrentan a
grupos fanáticos que también se creen e s c o g i d o s . E v i d e n -
t e m e n t e , nada b u e n o , p u e s el c h o q u e es profundo y está
i m p r e g n a d o de e l e m e n t o s sobrenaturales q u e e s c a p a n a
la m á s m í n i m a racionalidad y a la m o d e r a c i ó n . Pero el
u s o de D i o s , p o r u n o s y o t r o s , n o s invita a h a c e r n o s m á s
preguntas, y u n a de ellas es qué p r o v o c a el fanatismo y
la d i s p o s i c i ó n a m o r i r m a t a n d o . En las respuestas, que
s o n varias, v e r e m o s q u e detrás de los f u n d a m e n t a l i s m o s
s i e m p r e e n c o n t r a m o s miseria y d e s e s p e r a c i ó n , lo q u e
p e r m i t e crear m i t o s de gloria o un m á s allá de p l e n a feli-
cidad, de suficiente intensidad c o m o para m a t a r a q u i e n
s e c o n s i d e r a y a c o m o n o h u m a n o , quizá p o r q u e e s visto
c o m o r e p r e s e n t a c i ó n del diablo.

N o h a y p u e s c h o q u e d e civilizaciones, p e r o s í u n
verdadero c h o q u e entre u n sistema m u n d i a l h e g e m ó n i -
co y radicalidades desesperadas. R i g o b e r t a M e n c h ú ,
m u y p o c o s días d e s p u é s de la tragedia del 11 de s e p -
t i e m b r e , n o s recordaba q u e h a y s e c t o r e s q u e n o h a n
e n c o n t r a d o una d i s p o s i c i ó n pluralista para el r e c o n o c i -
m i e n t o y respeto a sus e x p r e s i o n e s identitarias en los
m a r c o s institucionales actuales, y q u e un día u otro, de
una m a n e r a u otra, eso se a c a b a p a g a n d o . En la crisis a c -
tual, pero t a m b i é n en las futuras, c r e o que n o s ayudaría
m u c h o c o n o c e r m e j o r lo q u e n o s piden los d e m á s o los
a r g u m e n t o s q u e h a c e n servir para intentar legitimarse.
U n a e x i g e n c i a o u n a p e t i c i ó n no deja de t e n e r s e n t i d o y
CONSTRUIR LA PAZ EN TIEMPOS DE CONFUSIÓN 41

significado p o r q u e lo pida o exija el e n e m i g o , el adver-


sario o el terrorista. Y es que h e m o s a c u m u l a d o m u c h o s
temas p e n d i e n t e s , arrogancias i n s o p o r t a b l e s , demasia-
das injusticias, d o b l e s raseros, fanatismos de t o d o tipo y
falsas verdades, y O r i e n t e P r ó x i m o es un e s p a c i o para-
digmático d o n d e se h a n c o n c e n t r a d o demasiadas de esas
cosas.
D e b e r í a m o s e n t e n d e r t a m b i é n c ó m o operan los m e -
c a n i s m o s y p r o c e s o s de c o n s t r u c c i ó n de i m á g e n e s del
e n e m i g o , el m a n i q u e í s m o de p e n s a r que n o s o t r o s s i e m -
pre s o m o s los b u e n o s y los m a l o s siempre s o n los d e m á s ,
la t e n d e n c i a a reducir, simplificar o generalizar las cosas
(el islam, O c c i d e n t e , O r i e n t e , los árabes, los cristianos,
el N o r t e , el S u r . . . ) , sin matizar, personalizar o c o n c r e t a r
las diferencias y los t o n o s . T o d o eso tiene q u e ver c o n el
fatalismo y la t r a n s m i s i ó n del odio y la venganza de pa-
dres a h i j o s , para d e s h u m a n i z a r a colectivos o países
enteros b a j o el paraguas de q u e s o n d e m o n i o s , herejes,
proscritos, m a l v a d o s o perversos. Y ello dificulta e n o r -
m e m e n t e c o m p r e n d e r el c o n t e x t o de las c o s a s y la histo-
ria que la p r e c e d e . No e n t e n d e r e m o s lo q u e ha pasado
sin ver t a m b i é n c ó m o s e h a n a c u m u l a d o u n a serie d e
cosas, vivencias personales y colectivas sumamente
dolorosas de e x c l u s i ó n q u e afectan a la identidad y a la
p e r c e p c i ó n de seguridad de las c o m u n i d a d e s de d o n d e
surgen los terroristas. Si no h a c e m o s este ejercicio de
análisis y autocrítica a la vez, es casi seguro q u e en el fu-
turo volverán a brotar n u e v o s c a n d i d a t o s al martirio q u e
h a r á n servir el terrorismo para h a c e r visibles sus causas
y r e c l a m o s . E s t o n o s obliga a m i r a r en primera instancia
42 LA PAZ ES POSIBLE

a O r i e n t e P r ó x i m o , tanto p o r ser u n a de las canteras de


mártires c o m o p o r constituir la p r i m e r a y principal j u s -
tificación que dan algunos g r u p o s terroristas para b u s c a r
legitimidad y aplausos.
¿ C ó m o r e s p o n d e r a lo q u e o c u r r e , y h a c e r l o de m a -
nera j u s t a ? En los estudios sobre paz, utilizamos la m e -
táfora de las cuatro gafas para explicar c ó m o intervenir
positivamente en los conflictos: las q u e sirven para ver
de lejos (la historia, los orígenes, las r a í c e s ) , las de ver de
cerca, para e n t e n d e r los d e t o n a n t e s y las crisis; las gafas
oscuras para ver la cultura profunda de las sociedades
implicadas, y las gafas oscuras para ver de cerca los espe-
j i s m o s y las m o d a s perecederas. Esta metáfora sirve para
no olvidar t a m b i é n q u e cada cual mira c o n sus gafas, y
q u e t e n e m o s visiones diferentes de la m i s m a realidad. La
moraleja es sencilla: o c o n t r a s t a m o s m á s a m e n u d o las
percepciones, o nunca conseguiremos entendernos mí-
nimamente.

J o h n Paul L e d e r a c h , u n a d e las personas q u e m á s h a


trabajado en la transformación de conflictos, n o s ha in-
dicado q u e para afrontar este tipo de crisis h e m o s de
c a m b i a r las reglas del j u e g o y h a c e r q u e el adversario se
d e s c o l o q u e c o n u n a respuesta d e nuestra parte q u e n o
espere. Y esta respuesta no p u e d e ser la fuerza militar o
el b o m b a r d e o i n d i s c r i m i n a d o y m a s i v o , sino u n a aspira-
c i ó n y un programa a m e d i o plazo de d e m o c r a c i a y re-
c o n c i l i a c i ó n a nivel global. En otras palabras: no enfoca-
r e m o s c o r r e c t a m e n t e estas crisis si no s o m o s c a p a c e s de
ir a las raíces del odio, la c ó l e r a y el r e s e n t i m i e n t o , m á x i -
me c u a n d o lo q u e se plantea es h a c e r frente a un fenó-
CONSTRUIR LA PAZ EN TIEMPOS DE CONFUSIÓN 43

m e n o c o m o e l del terrorismo, a l q u e n o p o d r e m o s h a -
cerle frente c o n m e d i o s militares, entre otras cosas p o r
tratarse de un e n e m i g o difuso, no focalizado o c e n t r a d o
en un territorio específico y q u e p u e d e estar entre n o s o -
tros m i s m o s . Al terrorismo sólo se le p u e d e h a c e r frente
de m a n e r a indirecta, a c t u a n d o sobre sus c i r c u n s t a n c i a s ,
sus formas de r e c l u t a m i e n t o y finanzas, influyendo s o -
bre sus b a s e s de a p o y o , sobre los a c o n t e c i m i e n t o s q u e lo
legitiman ante los o j o s de algunas sociedades y a c t u a n d o
sobre las d i n á m i c a s q u e favorecen su desarrollo. No se
p u e d e h a c e r frente al terrorista si no se c o m p r e n d e p o r
qué h a c e lo q u e h a c e y p o r q u é no h a c e las c o s a s de otra
manera.

La estrategia del b o m b a r d e o , c o n c e r o bajas propias


y rearme integral no servirán m á s que para volver a é p o -
cas pasadas de triste militarización y absoluta i n c a p a c i -
dad para enfrentarse a los p r o b l e m a s . Los conflictos de
h o y son de otra naturaleza, y para hacerles frente h a y
que e n t e n d e r que la c o n s t r u c c i ó n de paz tiene un precio:
necesita infraestructuras, gentes preparadas, diplomacias
activas y c o m p l i c i d a d e s desde la diversidad del m u n d o ,
no de visiones unilaterales q u e pretenden i m p o n e r s e s o -
b r e las d e m á s . Y en ese plan de «ataque» p o r la paz y la
j u s t i c i a , t o d o e l m u n d o h a c o i n c i d i d o e n que h a y que e m -
pezar p o r Palestina, i n t e n s a m e n t e , para luego ir al K u r -
distán, al Sahara y a tantos sitios d o n d e se necesita diplo-
macia de paz, no cazas o misiles. P o n g a m o s p o r tanto
todas las energías en formar coaliciones inteligentes en
favor de la resolución de los conflictos pendientes y el de-
sarrollo de las sociedades abandonadas, y no h a b r á q u i e n
44 LA PAZ ES POSIBLE

aplauda después a los grupos terroristas, p o r q u e a u n q u e


p u e d a n utilizar todavía el terror, sólo serán l o c o s c o n d e -
n a d o s a desaparecer.
L a m e n t a b l e m e n t e , la estrategia para c o n s t r u i r un
m u n d o c o n m á s paz está todavía en mantillas, ya que no
h e m o s c o n s e g u i d o a b a n d o n a r ni las viejas t r a d i c i o n e s
belicistas ni la confianza en el u s o de las armas para i m -
p o n e r n u e s t r o s p r o y e c t o s o c r e e n c i a s . A u n q u e sería u n a
e x a g e r a c i ó n y u n a falsedad afirmar que las guerras se or-
ganizan e x p r e s a m e n t e para p r o b a r a r m a m e n t o s y para
i n c r e m e n t a r los p e d i d o s de la industria b é l i c a , es cierto y
d e m o s t r a b l e q u e u n a vez declarada la i n t e n c i o n a l i d a d
política o estratégica de iniciarla, a u n q u e sea en sus va-
riantes m o d e r n a s de ataques aéreos o de l a n z a m i e n t o s
de misiles a larga distancia, los ejércitos a p r o v e c h a n di-
c h o s ataques para e x p e r i m e n t a r c o n la última genera-
c i ó n de material militar que t i e n e n en sus m a n o s , y la in-
dustria a r m a m e n t í s t i c a saca toda la tajada p o s i b l e del
c l i m a de m i e d o e i n c e r t i d u m b r e q u e p r o v o c a c u a l q u i e r
aventura militar.

A pesar de q u e la historia de las últimas décadas b i e n


puede m o s t r a r q u e a m a y o r gasto militar y m a y o r p o -
tencial a r m a m e n t i s t a , m e n o r a c a b a s i e n d o l a c a p a c i d a d
para resolver los p r o b l e m a s e i n c l u s o para e n t e n d e r l o s ,
los intereses creados alrededor de este n e g o c i o son de tal
m a g n i t u d que a c a b a n relegando a un s e g u n d o p l a n o to-
dos los i n t e n t o s de desmilitarizar las políticas de defensa
y de plantear la seguridad en t é r m i n o s de c o o p e r a c i ó n
política, e c o n ó m i c a y cultural. El resultado final de este
absurdo, de esta forma tan estúpida de e n t e n d e r la se-
CONSTRUIR LA PAZ EN TIEMPOS DE CONFUSIÓN 45

guridad, no p u e d e ser otro q u e la inseguridad, y lo que


o c u r r e a h o r a s e e n c a r g a d e d e m o s t r a r l o otra v e z . L o s
países r i c o s p o d r á n gastarse c i e n t o s de miles de m i l l o n e s
de dólares cada a ñ o en a r m a m e n t o s c o m p l e j o s , pero este
dispendio n o n o s hará países m á s seguros, s i n o países
m á s a m e n a z a n t e s , m á s insolidarios, m á s arrogantes y
m á s vulnerables. Los desafíos q u e t e n e m o s delante n o
s o n p r e c i s a m e n t e de carácter militar. Lo que n o s a m e n a -
za no s o n aviones de c o m b a t e o misiles de c r u c e r o , s i n o
f e n ó m e n o s de otra naturaleza. El terrorismo es u n o de
ellos, pero no el ú n i c o . La p o b r e z a , la degradación m e -
d i o a m b i e n t a l , la c o r r u p c i ó n , la falta de g o b e r n a b i l i d a d ,
la violencia u r b a n a , la e x c l u s i ó n política y social, la au-
sencia de d e r e c h o s h u m a n o s y tantos otros a s p e c t o s que
están en la b a s e de los conflictos c o n t e m p o r á n e o s , no
s o n c u e s t i o n e s resolubles m e d i a n t e a r m a m e n t o s sofisti-
c a d o s ni se p u e d e n abordar m e d i a n t e ataques aéreos ru-
tinarios. La agresión e c o l ó g i c a q u e sufre el planeta p u e -
de ilustrar perfectamente esta cuestión.

E n efecto, c o m o explicaré después c o n m a y o r deta-


lle, en el planeta t e n e m o s un gravísimo p r o b l e m a q u e ya
no admite m á s d e m o r a en r e c o n o c e r l o y en tratar de re-
pararlo: la e c o n o m í a m u n d i a l está basada en p r o c e s o s de
deterioro e c o l ó g i c o de tal m a g n i t u d que h i p o t e c a seria-
m e n t e la salud y las capacidades de desarrollo h u m a n o
de las futuras g e n e r a c i o n e s y, p o r tanto, de n u e s t r o s hi-
j o s y nietos.
D e s d e h a c e a ñ o s , los c e n t r o s i n t e r n a c i o n a l e s m e d i o -
a m b i e n t a l e s n o s avisan de la c o n t i n u a e m i s i ó n de dióxi-
do de c a r b o n o y de gases destructores de la capa de o z o -
46 LA PAZ ES POSIBLE

n o , del a g o t a m i e n t o de los acuíferos y de las pesquerías,


de la r e d u c c i ó n de las tierras cultivables p o r h a b i t a n t e
y de los b o s q u e s , de la a c e l e r a c i ó n en la e x t i n c i ó n de e s -
pecies vegetales y animales, etcétera. Y t a m b i é n de lo que
ello s u p o n e : a u m e n t o de la temperatura, c a m b i o c l i m á -
tico, efecto invernadero, deshielo, e x p a n s i ó n de agentes
p a t ó g e n o s y a u m e n t o de enfermedades, h a m b r e , despla-
z a m i e n t o s d e p o b l a c i ó n , desertización, etc. C o n o c e m o s
de s o b r a el diagnóstico, las c a u s a s de los m a l e s y la tera-
pia necesaria para corregir cada u n a de las t e n d e n c i a s se-
ñaladas, p e r o c o m o e l m u n d o n o terminará m a ñ a n a , n i
el a ñ o q u e viene, ni lo que dura un p e r í o d o electoral,
retrasamos c o n t i n u a m e n t e la t o m a de las decisiones que
permitirían alterar el r u m b o de las c o s a s , sin calibrar
q u e esa actitud c ó m o d a e irresponsable c o l o c a r á a las fu-
turas g e n e r a c i o n e s en u n a s i t u a c i ó n m á s que difícil, irre-
parable en a l g u n o s aspectos.

S a b e m o s q u e hay que rectificar, q u e las tendencias


son insostenibles, pero no se t o m a n las medidas de fondo
necesarias para c a m b i a r c o n rapidez u n sistema e c o n ó -
m i c o que va m á s allá de sus sistemas ecológicos de a p o y o
y que está b a s a d o en la s o b r e e x p l o t a c i ó n de los recursos,
la mercantilización de la naturaleza, el c o n s u m o irres-
ponsable y una publicidad suicida. La situación es de tal
gravedad, que la generación actual es la primera en la h i s -
toria de la h u m a n i d a d que tiene el d e b e r y la responsabi-
lidad de t o m a r u n a decisión firme que permita restable-
cer el equilibrio entre los seres h u m a n o s y la naturaleza,
a s u m i e n d o los límites en la e x p l o t a c i ó n de los recursos, la
p r o d u c c i ó n de determinados b i e n e s y su c o n s u m o .
CONSTRUIR LA PAZ EN TIEMPOS DE CONFUSIÓN 47

D e b e f l o r e c e r , forzosamente, u n a nueva civilización


ecológica q u e valore el respeto y el c u i d a d o c o n la n a t u -
raleza y q u e no se b a s e en un e c o n o m i c i s m o feroz y
depredador. A ese imperativo m u c h a s p e r s o n a s lo l l a m a -
mos un nuevo pacto ético de la humanidad, porque
s u p o n e aceptar el p r i n c i p i o de la c o r r e s p o n s a b i l i d a d ,
a s u m i e n d o las c o n s e c u e n c i a s de c u a n t o h a c e m o s , y t a m -
b i é n la n e c e s i d a d de exigir r e s p o n s a b i l i d a d e s s o b r e
c u a n t o h a c e n los d e m á s . En t o d o c a s o , la disyuntiva es
clara: o e n t e n d e m o s c o n rapidez la m a g n i t u d de la trage-
dia e c o l ó g i c a y le d a m o s la prioridad política q u e se m e -
rece, o a c a b a r e m o s llorando de vergüenza c u a n d o n u e s -
tros hijos n o s p i d a n e x p l i c a c i o n e s s o b r e c ó m o d e j a m o s
pudrir lo q u e sustenta n u e s t r a vida.

La m i o p í a s o b r e lo e c o l ó g i c o es ampliable a m u c h o s
otros a s p e c t o s del q u e h a c e r h u m a n o , hasta el p u n t o de
q u e no p o d e m o s p e n s a r en un verdadero plan de paz
s i n o t o m a m o s c o n seriedad otro imperativo: l a n e c e s i -
dad de establecer una j e r a r q u í a de prioridades en todas
nuestras actividades p ú b l i c a s y privadas, c o n el p r o p ó s i -
to de lograr u n a pronta satisfacción de las n e c e s i d a d e s
m á s b á s i c a s e i m p r e s c i n d i b l e s de c u a l q u i e r ser h u m a n o .
La vieja c u e s t i ó n , en definitiva, de avanzar hacia u n a éti-
ca planetaria que guíe las políticas p ú b l i c a s y el día a día
de t o d o s los c o l e c t i v o s sociales.
S ó l o c o n que n o s t o m e m o s l a molestia d e h a c e r u n
repaso a la prensa de c u a l q u i e r s e m a n a o de e c h a r un vis-
tazo a las w e b de los principales o r g a n i s m o s i n t e r n a c i o -
nales del sistema de N a c i o n e s U n i d a s ( U N I C E F , A C -
N U R , O M S , O C H A , e t c . ) , o d e las O N G m á s destacadas,
48 LA PAZ ES POSIBLE

c o m p r o b a r e m o s q u e e s posible delimitar c o n claridad


un listado de temas p e n d i e n t e s y recurrentes en el pla-
neta: m á s de la mitad de los conflictos a r m a d o s actuales
tienen m á s de diez a ñ o s de antigüedad, g e n e r a n gran
c a n t i d a d de refugiados y no están en vías de r e s o l u c i ó n ;
la e p i d e m i a del sida ha a d q u i r i d o d i m e n s i o n e s b í b l i c a s
en el continente africano, se repiten inundaciones en
países q u e c o n t i n ú a n sin t e n e r los m e d i o s m í n i m o s para
s o c o r r e r a sus p o b l a c i o n e s ; el c a m b i o c l i m á t i c o no es ya
u n a hipótesis, s i n o e l resultado c o m p r o b a d o d e u n a n e -
fasta relación depredadora y agresiva c o n la naturaleza...
La lista es larga, y tiene c o m o d e n o m i n a d o r c o m ú n el s u -
frimiento y el a b a n d o n o de m i l l o n e s de p e r s o n a s , la h i -
p o t e c a del futuro y la falta de iniciativas de c a l a d o c o n
c a p a c i d a d para revertir las d i n á m i c a s negativas q u e ve-
m o s en el mundo.

El i n i c i o del n u e v o siglo tendría q u e ser un e s t í m u l o


y u n a o p o r t u n i d a d para revisar a fondo aquellas d i n á m i -
cas sociales, e c o n ó m i c a s , políticas y e c o l ó g i c a s q u e m a r -
c a n el presente y q u e c o n d i c i o n a n el devenir de la h u -
m a n i d a d . T e n e m o s el d e b e r m o r a l y la responsabilidad
material de c o n o c e r y debatir aquellas t e n d e n c i a s q u e
c o n t i n ú a n p r o v o c a n d o e x c l u s i ó n , sufrimiento, deterioro
a m b i e n t a l , pérdida de o p o r t u n i d a d e s , desequilibrios e
injusticias, ya sea en el p l a n o regional o i n t e r n a c i o n a l . El
m u n d o vive m o m e n t o s de profunda i n q u i e t u d ante el
s u r g i m i e n t o de n u e v o s p r o b l e m a s y desafíos, así c o m o
p o r la pervivencia de viejos e i m p o r t a n t e s p r o b l e m a s no
resueltos, ya sea p o r falta de d e c i s i ó n política, p o r h a -
b e r n o s a c o m o d a d o a u n a c u l t u r a p o c o dada al sacrificio
CONSTRUIR LA PAZ EN TIEMPOS DE CONFUSIÓN 49

y a la responsabilidad, p o r la ausencia de liderazgos in-


t e r n a c i o n a l e s c o n visión de futuro, p o r la debilidad de
o r g a n i s m o s q u e tendrían q u e h a c e r frente a estos retos o
p o r la pérdida de la c o n s c i e n c i a de que p e r t e n e c e m o s a
una comunidad biótica.
Las prioridades dadas a c o s a s s u p e r ñ u a s o elitistas, y
la falta de coraje político para realizar las necesarias c o -
r r e c c i o n e s estructurales q u e podrían alterar las d i n á m i -
cas negativas y destructivas del m u n d o de h o y p r o v o c a n
al m e n o s u n a amplia r e a c c i ó n de n u m e r o s o s s e c t o r e s de
la ciudadanía, q u e a través de las O N G , los m o v i m i e n t o s
sociales y otras formas de e x p r e s i ó n ciudadana q u e utili-
zan redes, movilizan a un n ú m e r o cada vez m a y o r de
personas e i n s t i t u c i o n e s , en u n a e x i g e n c i a de d e c e n c i a
planetaria, de un n u e v o p a c t o é t i c o de la h u m a n i d a d , de
c a m b i o de r u m b o y de responsabilidad frente las futuras
g e n e r a c i o n e s . Este c l a m o r c í v i c o se expresa de m ú l t i p l e s
m a n e r a s y en diversos frentes, pero es p a r t i c u l a r m e n t e
visible en su e x i g e n c i a de respeto a los d e r e c h o s h u m a -
n o s , de avanzar hacia un d e s a r m e efectivo, de e x t e n d e r
la j u s t i c i a social, de garantizar un desarrollo sostenible
para t o d o s , de la p r o t e c c i ó n de un m e d i o a m b i e n t e a m e -
n a z a d o p o r u n a práctica e c o n ó m i c a depredadora, d e
d e n u n c i a r los efectos perversos y e x c l u y e n t e s de la glo-
b a l i z a c i ó n y de la m u n d i a l i z a c i ó n e c o n ó m i c a , y del se-
ñ a l a m i e n t o de los m e c a n i s m o s que r e p r o d u c e n la cultu-
ra de la violencia.

F r e n t e a la lentitud e x t r e m a de tantos g o b i e r n o s en
r e a c c i o n a r ante estos desafíos, sería interesante i m a g i n a r
el c a m b i o de d i n á m i c a y de c o m p o r t a m i e n t o q u e se p o -
50 LA PAZ ES POSIBLE

dría p r o d u c i r a nivel i n t e r n a c i o n a l en los t e m a s antes


señalados y relativos a la satisfacción de n e c e s i d a d e s
básicas, si existiera u n a c o n t i n u a a t e n c i ó n de a l g u n o s
m e d i o s de c o m u n i c a c i ó n , o r g a n i z a c i o n e s sociales y or-
g a n i s m o s i n t e r n a c i o n a l e s , c o m o h a sido e l c a s o recien-
te de la c a m p a ñ a p o r el a c c e s o a los m e d i c a m e n t o s esen-
ciales, o a ñ o s atrás c o n el t e m a de la p r o h i b i c i ó n de las
m i n a s , en las q u e se ha p r o d u c i d o un a p o y o y refuerzo
m u t u o de estos sectores, c o n lo que ello c o m p o r t a de p o -
sibilidades de sensibilización hacia el gran p ú b l i c o , de
participación de e s t a m e n t o s profesionales c o n e c t a d o s
c o n el t e m a , y de presión final h a c i a los sectores q u e no
c o n c i b e n siquiera reducir u n p o c o sus beneficios para
favorecer la o b t e n c i ó n de los m í n i m o s de d e c e n c i a que
requiere la h u m a n i d a d . Los años n o v e n t a fueron u n o s
años en los q u e se p u s o de manifiesto la p e r t i n e n c i a y la
efectividad de la c o o p e r a c i ó n entre diversos actores y
sectores sociales, q u e h a n trenzado alianzas para lograr
objetivos en c o m ú n , s i e m p r e m e d i a n t e la sensibilización
y m o v i l i z a c i ó n de la sociedad. La década que h e m o s ini-
c i a d o ha de p r o c u r a r e x t e n d e r esta c o o p e r a c i ó n , inte-
r a c t u a n d o m á s i n t e n s a m e n t e c o n los m u n i c i p i o s , los o r -
g a n i s m o s i n t e r n a c i o n a l e s y a l g u n o s g o b i e r n o s q u e se
sienten responsables y e n t i e n d e n q u e existe u n a estrecha
interrelación entre la p o b r e z a , la degradación a m b i e n t a l ,
la injusticia social, los conflictos v i o l e n t o s y la falta de
gobernabilidad.

Cito de n u e v o a Boff c u a n d o señala que «el agrava-


m i e n t o de la pobreza, de la degradación del m e d i o a m -
biente y del d e s e m p l e o estructural e x i g e n un n u e v o p a c -
CONSTRUIR LA PAZ EN TIEMPOS DE CONFUSIÓN 51

to ético de la h u m a n i d a d , sin el cual el futuro p u e d e ser


a m e n a z a d o r para t o d o s » . D i c h o así, en b r u t o y de forma
tan diáfana, c o r r e m o s el riesgo de olvidar las evidencias
p o r el simple h e c h o de serlo y de no tener respuestas cla-
ras sobre c ó m o afrontarlas en el n u e v o siglo. Pero no tie-
ne n i n g u n a gracia que en la é p o c a de m a y o r prosperidad
y a b u n d a n c i a e c o n ó m i c a de la h u m a n i d a d s e a m o s tan
p o c o c a p a c e s de e n c a r a r tantos p r o b l e m a s p e n d i e n t e s de
primera categoría. Y no tiene gracia p o r q u e , c o m o n o s
recordaba J o h n Berger, la p o b r e z a de nuestro siglo no es
el resultado natural de la escasez, sino de un c o n j u n t o de
prioridades impuestas p o r los ricos al resto del planeta.
El subdesarrollo y la ausencia de paz no es p o r tanto i n e -
vitable, s i n o el resultado de d i n á m i c a s políticas y e c o n ó -
m i c a s q u e p u e d e n desaparecer. I n c l u s o los o r g a n i s m o s
i n t e r n a c i o n a l e s están y a r e c o n o c i e n d o q u e otro m u n d o
es posible.

En efecto, c o i n c i d i e n d o c o n el c a m b i o de siglo, y
p u b l i c a d o de forma c o n j u n t a p o r el B a n c o M u n d i a l , la
O C D E , la O N U y el F M I , estos grandes o r g a n i s m o s in-
ternacionales h i c i e r o n p ú b l i c o u n d o c u m e n t o titulado
Un mundo mejor para todos, en el que establecen siete
grandes objetivos q u e ha de c u m p l i r la s o c i e d a d interna-
c i o n a l en el plazo de q u i n c e años. Vale la p e n a señalarlos
de n u e v o , p o r q u e no se trata de un d o c u m e n t o m á s para
c o n s u m o i n t e r n o de las O N G interesadas en el desarro-
llo social o el simple resultado del i n m e n s o papeleo pro-
ducido p o r la b u r o c r a c i a de los o r g a n i s m o s i n t e r n a c i o -
nales, sino u n d o c u m e n t o base que n o s recuerda c u a n
lejos e s t a m o s todavía de asegurar los m í n i m o s de d e c e n -
52 LA PAZ ES POSIBLE

cia que h a b r í a n de caracterizar a la sociedad h u m a n a y


las n e c e s i d a d e s m á s b á s i c a s que d e b e r í a n t e n e r ya garan-
tizadas todas las personas del planeta, p o r el s i m p l e h e -
c h o de n a c e r y de m e r e c e r c o n ello u n a vida digna. E s t o s
grandes objetivos s o n los siguientes: reducir a la m i t a d el
n ú m e r o de personas que viven c o n un dólar o m e n o s al
día, garantizar q u e t o d o s los n i ñ o s y n i ñ a s del m u n d o e s -
tarán escolarizados en e n s e ñ a n z a primaria, invertir m á s
en e d u c a c i ó n para que la tasa de escolarización en pri-
maria y secundaria sea igual para n i ñ o s y n i ñ a s , reducir
la tasa de m o r t a l i d a d infantil a un tercio, rebajar a la
cuarta parte la mortalidad ligada al parto, garantizar el
p l e n o a c c e s o a los sistemas de c o n t r o l de natalidad, de-
sarrollar estrategias de c r e c i m i e n t o sostenible y asegurar
que las políticas e c o n ó m i c a s estarán diseñadas para re-
c u p e r a r los r e c u r s o s naturales destruidos en los ú l t i m o s
años.

Indudablemente, conseguir estos m í n i m o s de d e c e n -


cia planetaria, estos m í n i m o s de j u s t i c i a , cuesta d i n e -
ro, pero n o m u c h o s i l o c o m p a r a m o s c o n m a g n i t u d e s
e c o n ó m i c a s q u e están al a l c a n c e de nuestra c o m p r e n -
sión y c a p a c i d a d de decisión. D u r a n t e la G u e r r a Fría, los
países o c c i d e n t a l e s h e m o s sido c a p a c e s de asignar c e n -
tenares de m i l e s de m i l l o n e s de dólares anuales para
m a n t e n e r una estrategia n u c l e a r q u e no n o s c o n d u c í a a
n i n g u n a parte, y el gasto militar m u n d i a l es todavía de
7 5 0 . 0 0 0 m i l l o n e s d e dólares anuales; e n E u r o p a gasta-
m o s 1 1 . 0 0 0 m i l l o n e s d e dólares anuales e n h e l a d o s , u n a
cantidad similar a la que destinan E s t a d o s U n i d o s y los
países e u r o p e o s en la c o m p r a de perfumes, e inferior a
CONSTRUIR LA PAZ EN TIEMPOS DE CONFUSIÓN 53

los 1 7 . 0 0 0 m i l l o n e s de dólares que las p o b l a c i o n e s de


estos países gastan a n u a l m e n t e para alimentar a sus ani-
m a l e s d o m é s t i c o s . Sin e m b a r g o , n o hay m a n e r a d e que
los países ricos e n t i e n d a n la urgente n e c e s i d a d de desti-
nar una parte de sus recursos para esta especie de fondo
de c o m p e n s a c i ó n interterritorial a nivel planetario q u e
permitiría c u m p l i r c o n los siete objetivos antes m e n c i o -
nados. No lo e n t i e n d e n los dirigentes p o l í t i c o s , y tam-
p o c o l o e x i g e n c o n v e h e m e n c i a sus c i u d a d a n o s .
Pero el p r o b l e m a no es de recursos e c o n ó m i c o s , ni
tan s ó l o de c o n s e g u i r q u e los países m á s ricos d e s t i n e n el
0 , 7 % de su PIB para la c o o p e r a c i ó n al desarrollo. La e n -
trada masiva de dinero no es la clave para la r e s o l u c i ó n
de la m a y o r í a de los conflictos b é l i c o s , para i m p o n e r un
desarrollo sostenible b a s a d o en una b u e n a distribución
de los r e c u r s o s o para m e j o r a r la g o b e r n a b i l i d a d d e m o -
crática. L a ayuda exterior n o p u e d e ser m á s q u e eso, u n a
ayuda, un c o m p l e m e n t o a esfuerzos de otro tipo, funda-
m e n t a l m e n t e i n t e r n o s , a u n q u e c o n apoyos e x t e r n o s , y
de naturaleza b á s i c a m e n t e política. M i r e m o s c u a l q u i e r
e j e m p l o : M a r r u e c o s y otros tantos países no saldrán del
p o z o en q u e se e n c u e n t r a n sin antes c o n s e g u i r m á s de-
m o c r a c i a y establecer u n a l u c h a efectiva c o n t r a la c o -
r r u p c i ó n y el c l i e n t e l i s m o (el c a s o de I n d o n e s i a no es
m á s que un aviso de los falsos avances b a s a d o s en la fal-
ta de libertades y la injusta distribución de los i n g r e s o s ) ;
la R e p ú b l i c a D e m o c r á t i c a del C o n g o , Sierra L e o n a , An-
gola y o t r o s m u c h o s países afectados p o r las guerras no
entrarán en u n a senda de g o b e r n a b i l i d a d hasta que sus
propios dirigentes dejen de expoliar y acaparar los re-
54 LA PAZ ES POSIBLE

c u r s o s naturales del país ( d i a m a n t e s , petróleo, e t c . ) , o


n o s o t r o s t e r m i n e m o s c o n el i n t e r c a m b i o de estos pro-
d u c t o s p o r armas.
Falta, p o r tanto, u n i n m e n s o c o m p r o m i s o político
para abordar de frente todos estos factores que esclavi-
zan a m i l l o n e s de seres h u m a n o s y c o n d e n a n a la m i -
seria a m u c h o s más. Para decirlo de alguna m a n e r a ,
n e c e s i t a m o s un 0 , 7 % político, esto es, un c o m p r o m i s o
m u n d i a l de dedicar a m p l i o s esfuerzos para analizar, pre-
venir, d e n u n c i a r y actuar sobre m u c h a s estructuras in-
t e r n a c i o n a l e s c l a r a m e n t e injustas y generadoras de e x -
clusión, para c a m b i a r m u c h a s reglas del j u e g o q u e sólo
benefician a los países ricos, y para t e r m i n a r c o n tanta
c o n c e s i ó n hacia las m i n o r í a s del S u r que se e n r i q u e c e n a
costa del i m p u n e s a q u e o de sus estados. Urge lograr que
el 0 , 7 % sea u n a realidad en lo i n m e d i a t o , pero no tanto
en lo e c o n ó m i c o y a través de ayuda oficial al desarrollo,
sino e n e m p e ñ o s políticos c o n c e r t a d o s que p e r m i t a n
c a m b i a r el r u m b o siniestro de m u c h a s d i n á m i c a s inter-
n a c i o n a l e s , de m a n e r a que los siete objetivos q u e m e n -
c i o n á b a m o s antes, los m í n i m o s de d e c e n c i a planetaria,
no sean s i m p l e s eslóganes del P N U D , de la U N E S C O o
de c u a l q u i e r otro o r g a n i s m o de N a c i o n e s U n i d a s , s i n o
u n o s objetivos c l a r a m e n t e a s u m i d o s p o r todos los esta-
dos desarrollados y sus s o c i e d a d e s respectivas, que de-
b e r í a n c o n c e r t a r la forma de c o n t r i b u i r a tales fines, sea
a través de sus presupuestos, sea a través de m e d i d a s de
política e x t e r i o r y de t o d o tipo. En este s e n t i d o , en los
ú l t i m o s a ñ o s N a c i o n e s U n i d a s parece estar d a n d o ya
u n o s p r i m e r o s pasos c o m o guía orientadora de lo que
CONSTRUIR LA PAZ EN TIEMPOS DE CONFUSIÓN 55

podría h a c e r s e , c o n r e s o l u c i o n e s nuevas y d o c u m e n t o s
valientes q u e se salen del m a r c o tradicional de la a b s o l u -
ta d i s c r e c i ó n . Pero eso no basta. Es necesario lograr que
cualquier p r o g r a m a político serio, incluidas las m e m o -
rias de o b j e t i v o s de los Presupuestos Generales del Esta-
do, estén inspirados y sean c o m p a t i b l e s c o n las páginas
y las r e c o m e n d a c i o n e s del Informe de Desarrollo H u m a -
no que c a d a a ñ o p u b l i c a el P N U D . Ir a la c o n t r a o plani-
ficar en s e n t i d o inverso es suicida a m e d i o plazo, p o r q u e
u n m u n d o d o n d e tres p e r s o n a s p u e d e n tener l a m i s m a
fortuna q u e seiscientos m i l l o n e s de seres, o d o n d e los in-
dicadores de desigualdad van en a u m e n t o , no p u e d e ser
u n m u n d o sostenible.
Las c o n s e c u e n c i a s de no h a c e r n a d a o de h a c e r de-
masiado p o c o saltan ya a la vista. P o n d r é a l g u n o s e j e m -
plos. El p r i m e r o es la guerra de K o s o v o , q u e c o s t ó
5 0 . 0 0 0 m i l l o n e s d e dólares, mientras que l a s o c i e d a d in-
ternacional n o h a sido capaz d e destinar u n a c e n t é s i m a
parte de esta s u m a para intentar reconstruir el país, y no
digamos para prevenir el conflicto. Un s e g u n d o e j e m p l o
es el del a u m e n t o de la i n m i g r a c i ó n , y tiene q u e ver c o n
la i n c a p a c i d a d para e n t e n d e r que este f e n ó m e n o no tie-
ne límites m i e n t r a s no se actúe c o n firmeza y responsa-
bilidad h a c i a las causas estructurales que m o t i v a n estos
m o v i m i e n t o s migratorios. N o e s u n a casualidad que e n
E s p a ñ a , p o r e j e m p l o , haya a u m e n t a d o c o n tanta rapi-
dez la i n m i g r a c i ó n p r o c e d e n t e de M a r r u e c o s , C o l o m b i a ,
Perú, República D o m i n i c a n a , E c u a d o r o Pakistán, ya que
se trata de países c o n graves carencias en su desarrollo
político o e c o n ó m i c o . El tercer e j e m p l o es el de la gran
56 LA PAZ ES POSIBLE

cantidad de países ( m á s de c i n c u e n t a ) que en el ú l t i m o


d e c e n i o h a n e x p e r i m e n t a d o tasas negativas en su renta
p o r habitante: se trata h a b i t u a l m e n t e de países en guerra
o c o n gran t e n s i ó n social, de países desestructurados,
c o n r é g i m e n autoritario, a m p l i o s niveles d e e x c l u s i ó n
social o i n m e r s o s en graves p r o b l e m a s de transición p o -
lítica. M u c h o s países africanos, de la E u r o p a del Este y
del C á u c a s o , m á s algunos l a t i n o a m e r i c a n o s , se e n c u e n -
tran en esta difícil situación, m u c h a s v e c e s sin c o n t a r si-
quiera c o n l a m í n i m a a t e n c i ó n i n t e r n a c i o n a l .
A b o r d a r estos desafíos a escala planetaria, en defini-
tiva, ya sea para lograr en el a ñ o 2 0 1 5 los siete p u n t o s
antes s e ñ a l a d o s o para sacar del p o z o a tantísimas s o c i e -
dades engañadas, e x p l o t a d a s o a b a n d o n a d a s , exigirá p o r
e n c i m a d e t o d o u n profundo c a m b i o d e m e n t a l i d a d e n
los gestores políticos, p o r q u e no h a b r á s o l u c i ó n a n i n g u -
n o d e los p r o b l e m a s m e n c i o n a d o s hasta que t o d o s ellos
a c t ú e n e n l o c o t i d i a n o c o m o s i existiera ese c o m p r o m i s o
del 0 , 7 % p o l í t i c o para c o n s t r u i r u n a infraestructura de
paz que frene las desigualdades actuales.
DESENMASCARAR LA CULTURA
DE LA VIOLENCIA

En la universidad suelo h a c e r un ejercicio m u y visual


para introducir la reflexión sobre la cultura o las culturas
de la violencia, es decir, sobre los m e c a n i s m o s y dinámi-
cas q u e b u s c a n e x p r e s a m e n t e o, sin pretenderlo, c o n s i -
guen interiorizar y n o r m a l i z a r el u s o de la violencia en
u n a determinada cultura. El ejercicio c o n s i s t e en ver y
analizar varias d e c e n a s de fotografías sobre diferentes
tipos de violencia q u e h a n aparecido en los p e r i ó d i c o s
en un p e r í o d o de t i e m p o . En ellas salen i m á g e n e s de la
Intifada palestina, de soldados o m i l i c i a n o s de países
b a l c á n i c o s , Afganistán o Angola, manifestantes radicales
aficionados a r o m p e r escaparates, holligans, n i ñ o s solda-
dos, guerrilleros c o l o m b i a n o s , padres que llevan a sus
h i j o s a ferias de venta de a r m a s y un largo etcétera. Las
fotografías de personas van a c o m p a ñ a d a s de noticias so-
b r e videojuegos que te dan p u n t o s sobre c u a n t a s m á s
mujeres embarazadas puedas atrepellar, o sobre j u g u e -
tes que te instruyen en c ó m o torturar a prisioneros.
C u a l q u i e r persona q u e lea p e r i ó d i c o s h a b i t u a l m e n t e
puede h a c e r este sencillo ejercicio, c o n la seguridad de
58 LA PAZ ES POSIBLE

que el resultado final será m á s o m e n o s el m i s m o . ¿ Q u é


v e m o s en estas fotografías y qué p o d e m o s d e d u c i r de
ellas?
Los m i s m o s estudiantes e n c u e n t r a n rápidamente las
e x p l i c a c i o n e s , que en forma de lluvia de ideas q u e d a así
reflejada en la pizarra: la violencia se e n s e ñ a y se apren-
de, se p u e d e transmitir de g e n e r a c i ó n en generación; es
c o s a de h o m b r e s , y e s p e c i a l m e n t e de c h i c o s j ó v e n e s , fas-
cina, suele estar asociada al u s o de las armas, p u e d e ser
divertida, p u e d e no tener n a d a q u e ver c o n las i d e o -
logías, p u e d e ser un m e d i o para alcanzar gloria y heroís-
m o , puede ser u n ú l t i m o recurso, u n a forma d e h a c e r s e
visible, es c o s a de grupos y no tanto u n a c u e s t i ó n indivi-
dual, es u n a forma de c o m u n i c a r c u a n d o los m e d i o s no
te hacen caso, tiene que ver c o n códigos y s í m b o l o s de un
grupo, suele estar relacionada c o n el negocio de la guerra;
parece lo m á s natural del m u n d o , quienes la usan p u e d e n
h a b e r perdido la i n o c e n c i a , no es fácil distinguir c u a n d o
es un j u e g o o u n a realidad, se m a n i p u l a y utiliza a los ni-
ñ o s y a d o l e s c e n t e s m á s j ó v e n e s , no se expresa p o r igual
en toda la geografía del planeta, a veces se ha e n q u i s t a -
do en a l g u n o s lugares, se aprecia cierto c o m p a d r e o entre
q u i e n e s la e j e r c e n , hay un e x h i b i c i o n i s m o de las armas,
etcétera.

H a c e ya décadas, el pedagogo B r u n o B e t t e l h e i m de-


finió la violencia c o m o «el c o m p o r t a m i e n t o de alguien
incapaz de imaginar otra s o l u c i ó n a un p r o b l e m a q u e le
a t o r m e n t a » . S i e m p r e me ha fascinado la claridad de esta
definición, s e g u r a m e n t e p o r q u e p o n e el a c e n t o en la
p o c a habilidad que t e n e m o s para m a n e j a r n o s positiva-
DESENMASCARAR LA CULTURA DE LA VIOLENCIA 59

m e n t e c o n los conflictos, y en la t e n t a c i ó n de utilizar la


violencia c o m o p r i m e r a r e a c c i ó n ante u n p r o b l e m a .
C u a n d o eso le ocurre a la m a y o r í a de las p e r s o n a s , p o -
d e m o s e m p e z a r a referirnos propiamente a una cultura de
la v i o l e n c i a , q u e no sería otra c o s a que la i n c a p a c i d a d
de la gente para m a n e j a r situaciones conflictivas si no es
m e d i a n t e el u s o de la violencia. La violencia q u e d a así
e m p a r e n t a d a c o n la a c c i ó n , c o n la respuesta. D e b e m o s
preguntarnos, por ello, si no existen otras formas de reac-
c i o n a r ante los conflictos y si esas otras formas de actuar
no podrían ser incluso m á s efectivas para abordar el pro-
b l e m a que n o s atormenta.

C u a n d o A ejerce violencia sobre B, a este ú l t i m o sólo


le q u e d a n dos posibilidades: u n a es la s u b o r d i n a c i ó n , la
pasividad y la s u m i s i ó n . Pero la otra posibilidad es la de
r e a c c i o n a r y enfrentarse c o n A. Este e n f r e n t a m i e n t o , a su
vez, puede ser de dos formas: c o n violencia o sin ella.
C o m o h e m e n c i o n a d o a n t e r i o r m e n t e , nuestra cultura h a
identificado la respuesta c o n enfrentamiento v i o l e n t o ,
i g n o r a n d o que es posible y deseable enfrentarse o c o n -
frontarse sin el u s o de la violencia. E s o es lo q u e no sa-
b e m o s hacer, p o r q u e no se n o s ha e n s e ñ a d o y no tene-
m o s apenas referencias en películas, dibujos a n i m a d o s o
historias. J o h a n Galtung, u n o d e los padres fundadores
de la investigación para la paz, e x p l i c a esta m a n e r a n u e s -
tra de actuar p o r m e d i o del significado de «las culturas
profundas» que hay en cada s o c i e d a d . M u c h a s v e c e s in-
terpretamos las c o s a s c o n s i m p l e s a x i o m a s , c o n s i d e r a n -
do c o m o n o r m a l d e t e r m i n a d o s h e c h o s o tradiciones q u e
h e m o s a c e p t a d o de m a n e r a i n c o n s c i e n t e , sin análisis al-
60 LA PAZ ES POSIBLE

g u n o . « E s a s í » , y p u n t o . Esta cultura profunda oculta


p r o b a b l e m e n t e u n a patología t a m b i é n profunda, que h a
sido alimentada durante décadas o siglos m e d i a n t e m i -
tos, glorias y traumas que se reflejan en t e b e o s , historias,
aventuras, m o n u m e n t o s , m u s e o s , el u r b a n i s m o , las e s -
tructuras, los i d i o m a s , etc. Las «culturas profundas» de
algunos p u e b l o s s o n c o n toda seguridad m u c h o m á s in-
tensas que las de otros, e s p e c i a l m e n t e en aquellas s o c i e -
dades que s e c r e e n e s c o g i d a s p o r D i o s ( p o r q u e h a n e x i s -
t i d o m e c a n i s m o s c o n esta i n t e n c i o n a l i d a d ) o están
c o n v e n c i d a s d e t e n e r una m i s i ó n universal. E s t a d o s U n i -
d o s sería el e j e m p l o m á s evidente. D i c h o en otras pala-
bras: hay sociedades que se c r e e n superiores a las d e m á s ,
y m á s de una guerra hay q u e interpretarla c o m o el c h o -
q u e de « s o c i e d a d e s e s c o g i d a s » . C u a n d o eso s u c e d e , la
colisión es bestial.

La cultura de la violencia es « c u l t u r a » en la m e d i d a
en que a lo largo del t i e m p o ha sido interiorizada e in-
c l u s o sacralizada p o r a m p l i o s s e c t o r e s de la p o b l a c i ó n , a
través de m i t o s , s i m b o l i s m o s , políticas, c o m p o r t a m i e n -
tos e instituciones, y a pesar de h a b e r c a u s a d o infinidad
de m u e r t e , dolor y sufrimiento. En el estudio de los c o n -
flictos, s o l e m o s dibujar un triángulo en el que en un vér-
tice s i t u a m o s las actitudes y s u p o s i c i o n e s de las personas
en c o n ñ i c t o , en otro vértice las c o n d u c t a s y el c o m p o r t a -
m i e n t o q u e tienen, y en el tercer vértice lo q u e es c o n -
c r e t a m e n t e el m o t i v o de la disputa, la c o n t r a d i c c i ó n o
los objetivos c o n t r a p u e s t o s de las partes. Este triángulo
n o s ayuda a clarificar un p o c o lo q u e ocurre y n o s per-
m i t e d e s c u b r i r u n a gran variedad d e violencias, c u y o c o -
DESENMASCARAR LA CULTURA DE LA VIOLENCIA 61

n o c i m i e n t o puede ayudar a e n c o n t r a r las vías o estrate-


gias de salida de d i c h o conflicto.
Es en el p r i m e r vértice, en el de las actitudes, d o n d e
se ha instalado la «cultura profunda» m e n c i o n a d a , c o n
sus falsas p e r c e p c i o n e s , estereotipos, e m o c i o n e s u o d i o s
q u e , después, se traducirá en c o m p o r t a m i e n t o s violen-
tos y agresivos (vértice s e g u n d o ) . Un e j e m p l o : d e t e r m i -
n a d o s estereotipos negativos fruto de la i g n o r a n c i a sobre
c u e s t i o n e s de i n m i g r a c i ó n , fácilmente se t r a d u c e n des-
pués en c o n d u c t a s negativas y discriminatorias s o b r e los
extranjeros. Lo primero permite el desarrollo de lo se-
g u n d o ; de ahí lo i m p o r t a n t e que llega a ser c o n o c e r esos
a s p e c t o s m á s o c u l t o s de nuestras tradiciones culturales,
pues a partir de ese d e s v e l a m i e n t o será m á s fácil intro-
d u c i r c o r r e c c i o n e s e n nuestras c o n d u c t a s . N o s c o m p o r -
t a r e m o s d e otra m a n e r a p o r q u e a c t u a r e m o s c o n m e n o s
prejuicios y c o n u n a mirada m á s positiva.

Si se me permite la metáfora, diría q u e la razón de


q u e las culturas se llenen de tanta violencia es p o r q u e
tienen d e m a s i a d o s agujeros y su blindaje es m í n i m o . P o r
blindaje cultural no me refiero en a b s o l u t o al e s t a n c a -
m i e n t o , al m o n o l i t i s m o o al i n m o v i l i s m o , en a b s o l u t o ,
sino a la c a p a c i d a d de u n a s o c i e d a d para decidir libre y
c o n s c i e n t e m e n t e c ó m o e v o l u c i o n a , sin q u e sean fuerzas
incontroladas de tipo e c o n ó m i c o o c o m e r c i a l las q u e de-
t e r m i n e n h a c i a d ó n d e v a m o s y c o n qué valores i r e m o s .
La cultura de la violencia, en definitiva, se ha forjado por la
s u m a d e diferentes vectores q u e h a n p e n e t r a d o m u y
profundamente entre n o s o t r o s y que a c a b a n m o l d e a n d o
m u c h o s de n u e s t r o s c o m p o r t a m i e n t o s . Señalaré algu-
62 LA PAZ ES POSIBLE

n o s . El p r i m e r o , y m á s antiguo, el del patriarcado, c o n su


mística de la m a s c u l i n i d a d asociada a la violencia y al
poder. O t r o s n o t a b l e s v e c t o r e s q u e t e n e m o s que señalar
s o n la sacralización de c o n c e p t o s c o m o la c o m p e t i t i v i -
dad, o el e c o n o m i c i s m o q u e g o b i e r n a la vida social y
destruye el m e d i o a m b i e n t e ; la e x i s t e n c i a de m ú l t i p l e s
estructuras s u m a m e n t e injustas (la violencia estructural
que c o m e n t a r e m o s a c o n t i n u a c i ó n ) , el m i l i t a r i s m o y la
o b s e s i ó n p o r gastar s u m a s a s t r o n ó m i c a s e n a r m a m e n -
tos, las ideologías exclusivistas que no dejan a p e n a s li-
b e r t a d para que las p e r s o n a s desarrollen su identidad,
d e t e r m i n a d a s interpretaciones religiosas que avalan el
d e s p r e c i o o la d e m o n i z a c i ó n de los d e m á s , la p u b l i c i d a d
y l o s m e d i o s de c o m u n i c a c i ó n q u e n o s invitan c o n s t a n -
t e m e n t e a c o m p o r t a r n o s c o m o n e c i o s , etc. A u n q u e la lis-
ta es larga y no es este el sitio a d e c u a d o para analizar
cada u n o de estos vectores, quiero p o n e r de manifiesto
sin e m b a r g o la multitud de fallas q u e tiene n u e s t r a c u l -
tura, p o r las que se c u e l a n c o n s t a n t e m e n t e influencias
negativas que n o s h a c e n seres frágiles o, al m e n o s , e x -
p u e s t o s c o n s t a n t e m e n t e a serias a m e n a z a s .

Luis Rojas Marcos señala m u y acertadamente que


nuestra sociedad ha construido tres firmes racionalizacio-
n e s culturales para justificar y defender la agresión verbal
y física: el culto al m a c h o , la glorificación de la c o m p e t i t i -
vidad, y el principio diferenciador de «los otros». C r e o
que sintetiza de alguna manera todos los vectores que he
c o m e n t a d o antes, porque las tres racionalizaciones tienen
que ver c o n la cultura profunda, esto es, c o n lo a s u m i d o
i n c o n s c i e n t e m e n t e p o r tradición, sin que lo tragado vaya
DESENMASCARAR LA CULTURA DE LA VIOLENCIA 63

a c o m p a ñ a d o de ningún tipo de cuestionamiento, per-


diendo así nuestra m á x i m a distinción c o m o seres h u m a -
n o s , a saber, nuestra capacidad inquisitiva.
El trabajo p o r la paz en los inicios del m i l e n i o ha de
b u s c a r los c a m i n o s para devolver al ser h u m a n o esta c a -
pacidad inquisitiva, d a n d o visibilidad a lo o c u l t o en las
profundidades de nuestras culturas, p o r q u e de lo c o n -
trario será m u y difícil e n t e n d e r y afrontar otros f e n ó m e -
n o s . C u a n d o o b s e r v a m o s la m a n e r a de abordar un c o n -
flicto c o m o el de Afganistán o la guerra del Golfo, para
p o n e r dos e j e m p l o s , p o d e m o s constatar el e s p a c i o y la
a t e n c i ó n que se c o n c e d e a los guerreros (soldados, g e n e -
rales, estrategas) y a sus armas, y la p o c a a t e n c i ó n que se
c o n c e d e en c a m b i o a quienes realizan propuestas alter-
nativas al del b o m b a r d e o sistemático. Las p e r s o n a s o
i n s t i t u c i o n e s q u e realizan p l a n t e a m i e n t o s regionales,
que b u s c a n m e d i a c i o n e s o que q u i e r e n ir a las raíces no
tienen a p e n a s visibilidad y casi no aparecen en l o s m e -
dios de c o m u n i c a c i ó n , p o r q u e lo que p r i m a es la c a p a c i -
dad de destruir b i e n y rápido, no la capacidad de salvar
vidas y c o n s e g u i r la m á x i m a j u s t i c i a posible. El prestigio
y el h o n o r es para el guerrero, p o r q u e en nuestra cultura
el p o d e r está a s o c i a d o a la capacidad de destruir.

¿ Q u é propuestas p o d e m o s h a c e r para c a m b i a r estos


patrones culturales tan enraizados entre nosotros? ¿Es
posible pasar de u n a cultura de violencia a una cultura
de paz? N o s ayudaría m u c h o e n t e n d e r q u e la violencia
es p o r e n c i m a de t o d o un e j e r c i c i o de poder, y q u e ade-
m á s aspira a ser LA s o l u c i ó n q u e e x c l u y e a todas las de-
m á s . De lo q u e se trata, por tanto, es de b u s c a r alternad-
64 LA PAZ ES POSIBLE

vas a los conflictos que no pasen p o r el e j e r c i c i o del p o -


der y la fuerza bruta. Las ideas clave alternativas a estos
dos c o n c e p t o s s o n autoridad y responsabilidad. El tra-
b a j o p o r la paz pasa p o r sustituir p o d e r p o r autoridad,
d e s e n m a s c a r a n d o al o r d e n patriarcal que identifica au-
toridad c o n p o d e r y violencia. Lo q u e n o s interesa en
c a m b i o es una autoridad q u e signifique respeto y q u e no
esté reñida c o n la vida, el a m o r o la gratitud. La autori-
dad, que no es lo m i s m o q u e autoritarismo, es algo q u e
no n o s a t r i b u i m o s o c o n f e r i m o s n o s o t r o s m i s m o s , s i n o
que es algo q u e sólo n o s p u e d e n dar o c o n c e d e r los de-
m á s , a través del respeto q u e p o d a m o s generar s o b r e
ellos y la confianza q u e se genera entre u n o s y otros. La
autoridad significa sustituir la práctica del « p o d e r s o -
b r e » ( o t r o ) p o r el c o n c e p t o de « p o d e r de» o « c a p a c i d a d
para» ( h a c e r algo). S i l o h a c e m o s c o n j u n t a m e n t e , abrire-
m o s la puerta al diálogo, a la c o o p e r a c i ó n , a la n e g o c i a -
c i ó n y a la m e d i a c i ó n , que s o n algunos de los instru-
m e n t o s b á s i c o s para transformar los conflictos y q u e
están al a l c a n c e de c u a l q u i e r a de n o s o t r o s para e x p e r i -
m e n t a r l o en lo c o t i d i a n o . Practicar la paz, entrenarse en
ella, no es un asunto de d i p l o m á t i c o s o de especialistas
de o r g a n i s m o s internacionales; es u n a c a p a c i d a d q u e
c u a l q u i e r p e r s o n a p u e d e desarrollar en la vida diaria,
e m p e z a n d o p o r la familia y c o n t i n u a n d o en la e s c u e l a , el
trabajo, el sindicato, el g r u p o de a m i g o s , y así sucesiva-
m e n t e . La escuela de la paz es la vida, y de esa práctica
cotidiana es de d o n d e sale la fuerza colectiva y la estrate-
gia de g r u p o para transformar c o s a s de m a y o r a m b i c i ó n .
La s e g u n d a idea fuerza es la de la responsabilidad,
DESENMASCARAR LA CULTURA DE LA VIOLENCIA 65

que tiene q u e ver c o n u n n u e v o tipo d e relaciones h u -


m a n a s que p o n g a el a c e n t o en el c u i d a d o de los d e m á s y
el respeto a la naturaleza. La afectividad, la no represión
de los s e n t i m i e n t o s , a p r e n d e r a escuchar, i n t r o d u c i r las
e x p r e s i o n e s de c a r i ñ o y ternura en nuestra vida, la e m -
patia, etcétera, s o n auténticos i n s t m m e n t o s de c o n s t r u c -
c i ó n de paz. Estas prácticas o valores asociados tradicio-
n a l m e n t e a la feminidad hay que recuperarlas para la
práctica social y política, y sin c o m p l e j o s . Las guerras o
las políticas de d o m i n i o y e x p l o t a c i ó n no podrían fun-
c i o n a r c o n sociedades c o n v e n c i d a s d e t o d o ello, p o r q u e
n o s s e n t i r í a m o s responsables de n u e s t r o s actos y de la
r e p e r c u s i ó n sobre los otros de t o d o c u a n t o h a c e m o s .
N o s p r e g u n t a r í a m o s m u t u a m e n t e m u c h a s c o s a s antes
de actuar, entenderíamos el sentido de la precaución y de
la p r e v e n c i ó n , n o s c u e s t i o n a r í a m o s y, de forma inevita-
b l e , n o s c o m p o r t a r í a m o s finalmente d e m a n e r a m u c h o
m e n o s i n c o n s c i e n t e y agresiva que en la actualidad.

Hay q u e r e c o n o c e r , sin tapujos, que los m e d i o s de


c o m u n i c a c i ó n y m u c h a p r o d u c c i ó n cultural en general,
no están p o r esa labor. Es un gran o b s t á c u l o que hay q u e
superar y es m e j o r no ocultarlo. En la televisión, prensa,
radio, c i n e , videojuegos, videoclips y un m o n t ó n de p u -
blicidad, la violencia a c o s t u m b r a a estar asociada a la a c -
c i ó n , y ésta es presentada c o m o un e s p e c t á c u l o . La v i o -
lencia logra así carta de naturaleza. Es indudable q u e no
p o r ver m i l e s de i m á g e n e s de m u e r t e s , torturas, viola-
c i o n e s y asesinatos n o s c o n v e r t i r e m o s en asesinos en se-
rie. El p r o b l e m a no es ese, s i n o la c o n s t a t a c i ó n de q u e al
ver s ó l o eso o b á s i c a m e n t e eso y tantas v e c e s , m u c h o s j ó -
66 LA PAZ ES POSIBLE

venes a c a b a n c r e y e n d o que la violencia es aceptable y di-


vertida, y p o r s u p u e s t o m u c h o m á s entretenida que e s -
tar c o n v e r s a n d o c o n sus padres. La televisión populariza
y c o m e r c i a l i z a la violencia gratuita y ruin, el d e s p r e c i o
hacia los d e m á s y los c o m p o r t a m i e n t o s más s o c i o p á t i -
c o s , amplificando m u c h o s a s p e c t o s negativos de las per-
s o n a s , c o n lo q u e se agravan y m i m e t i z a n d i c h o s c o m -
p o r t a m i e n t o s . El m o v i m i e n t o p o r la paz del siglo x x i
deberá dar prioridad a este tipo de cosas, c o m b a t i e n d o
frontalmente la p u b l i c i d a d denigrante y la p r o d u c c i ó n
audiovisual que invita a n u e s t r o s j ó v e n e s a ser v i o l e n t o s
y a no sentir responsabilidad m o r a l de sus actos, lo que
constituye u n a u t é n t i c o terrorismo cultural que golpea
profundamente a nuestros j ó v e n e s , a nuestro futuro, y
p o r q u e lo h a c e c o n la m á x i m a i m p u n i d a d en la b ú s q u e -
da de beneficios.
LA VIOLENCIA ESTRUCTURAL
Y LA FALSA PAZ DEL SISTEMA

Si o b s e r v a m o s todas las m o d a l i d a d e s y e x p r e s i o n e s de
violencia p r e s e n t e s e n n u e s t r o m u n d o , a u n q u e las m á s
visibles y c o n o c i d a s sean las q u e van a c o m p a ñ a d a s de
asesinatos, sangre y fuerza física, las q u e r e a l m e n t e s o n
m á s letales y p r o d u c e n m a y o r sufrimiento e n t r e p e r s o -
n a s y s o c i e d a d e s s o n a q u e l l a s v i o l e n c i a s que se e j e r c e n ,
n o desde u n a m a n o asesina, s i n o desde e s t r u c t u r a s
e c o n ó m i c a s y s o c i a l e s injustas y d e s d e . m e c a n i s m o s que
g e n e r a n desigualdades, e x c l u s i ó n , p o b r e z a , r e p r e s i ó n ,
o p r e s i ó n y a l i e n a c i ó n . Se ha c a l c u l a d o i n c l u s o q u e las
m u e r t e s d e b i d a s a la v i o l e n c i a estructural p u e d e n s u p o -
ner, p o r regla general, u n a c a n t i d a d entre c i n c u e n t a
y c i e n v e c e s s u p e r i o r a las m u e r t e s v i n c u l a d a s c o n la
v i o l e n c i a directa o física, i n c l u i d a s las v í c t i m a s de las
guerras.

V e a m o s dos e j e m p l o s q u e clarifiquen su a l c a n c e y
significado:

a) En el m u n d o m u e r e n diariamente d e c e n a s de m i l e s
de n i ñ o s y n i ñ a s p o r falta de vacunas. El p r e c i o de di-
68 LA PAZ ES POSIBLE

c h a s v a c u n a s e s ridículo, pero n o obstante n o están


al a l c a n c e de la e c o n o m í a de la m a y o r parte de las fa-
milias. S o n m u e r t e s p e r f e c t a m e n t e evitables, pero
o c u r r e n p o r q u e e l sistema i n t e r n a c i o n a l n o h a pre-
visto garantizar las n e c e s i d a d e s sanitarias b á s i c a s de
la infancia del planeta. La violencia estructural, en
s u m a , tiene m u c h o q u e ver c o n las prioridades q u e
d a m o s a las cosas, y la salud de los p o b r e s no es p o r
desgracia nada prioritario.
b) En Sudáfrica, el 61 % de la p o b l a c i ó n negra ( m a y o r i -
taria) es p o b r e , m i e n t r a s q u e sólo lo es el 1% de la
m i n o r í a b l a n c a . El 42 % de los n e g r o s están d e s e m -
pleados, m i e n t r a s q u e la p r o p o r c i ó n de b l a n c o s en
esta situación no alcanza el 5 %. Estas diferencias no
s o n gratuitas o casuales, s i n o resultado del s i s t e m a
social i m p e r a n t e en Sudáfrica, es decir, de la m a n e r a
c o m o se ha estructurado el país.

El Informe de Desarrollo H u m a n o que cada a ñ o pu-


b l i c a el P r o g r a m a de N a c i o n e s U n i d a s para el Desarrollo
( P N U D ) , c o n t i e n e infinidad d e datos q u e m u e s t r a n c o n
claridad los niveles de violencia estructural q u e e x i s t e n
en el planeta. C u a n d o c e n t e n a r e s de m i l l o n e s de p e r s o -
n a s no t i e n e n a c c e s o a la e d u c a c i ó n , a la sanidad, al agua
p o t a b l e , a la vivienda y a otras tantas cosas b á s i c a s , es
que algo grave ocurre no solo en las actitudes individua-
les, s i n o t a m b i é n en la forma de entender, planificar y or-
ganizar el planeta en su c o n j u n t o . Este tipo de o r d e n , o
m e j o r d i c h o , de desorden planetario, es la m u e s t r a m á s
evidente de la e x i s t e n c i a de u n a violencia estructural
LA VIOLENCIA ESTRUCTURAL Y LA FALSA PAZ DEL SISTEMA 69

a m p l i a m e n t e extendida, y que p o r su d i m e n s i ó n c o n s t i -
tuye sin lugar a dudas la m a y o r afrenta al ideal de paz.
Trabajar p o r la paz, en definitiva, es lo m i s m o q u e traba-
j a r para reducir estas m a n i f e s t a c i o n e s de violencia es-
tructural.
La v i o l e n c i a estructural, p o r tanto, es el resultado de
un tipo de organización social y e c o n ó m i c a (el s i s t e m a ) ,
que no ofrece las m i s m a s o p o r t u n i d a d e s a t o d o s sus
m i e m b r o s (los q u e ya disfrutan de ciertos privilegios p o -
drán seguir m a n t e n i é n d o l o s , a u n sin esfuerzo, y los que
no tienen n a d a o p o c o , tendrán q u e superar m u c h a s di-
ficultades para a c c e d e r a los m í n i m o s de d e c e n c i a ) , ya
sea p o r q u e el sistema no p e r m i t e que todas las p e r s o n a s
a c c e d a n a los beneficios q u e p r o d u c e , por la desigual
d i s t r i b u c i ó n de los r e c u r s o s ( u n o s p o c o s tienen m u c h o y
la m a y o r í a apenas n a d a ) , p o r q u e i m p o n e límites a la par-
t i c i p a c i ó n de las p e r s o n a s en la t o m a de d e c i s i o n e s , o
p o r q u e este sistema no satisface las n e c e s i d a d e s básicas
de la m a y o r parte de la p o b l a c i ó n .

La violencia estructural es t a m b i é n un p r o c e s o , en la
m e d i d a q u e aquellas estructuras sociales y e c o n ó m i c a s
q u e p r o v o c a n injusticia, desigualdad y e x p l o t a c i ó n , b u s -
c a n la m a n e r a de perpetuarse, c o n frecuencia a p o y á n d o -
se en aparatos policiales o militares previamente entre-
n a d o s para ejercer violencia directa y física s o b r e las
p e r s o n a s afectadas que i n t e n t e n expresar u n a legítima
protesta s o b r e su situación. Si esta protesta se realiza m e -
diante el u s o de la violencia, recibirán la c o n s i g u i e n t e
represión, activándose un c i c l o perverso de a c c i ó n - r e a c -
c i ó n violenta, donde todo el m u n d o encuentra argumen-
70 LA PAZ ES POSIBLE

tos para justificar su forma de proceder. H a b l a r e m o s de


ello m á s adelante.
C o n demasiada frecuencia, sin e m b a r g o , la violencia
estructural n o e s criticada p o r l o s afectados, j u s t a m e n t e
p o r q u e q u i e n e s la ejercen y se benefician de ella h a n sa-
b i d o e x p a n d i r u n a serie de a r g u m e n t o s , m i t o s e historias
para que m u c h a gente e n c u e n t r e n o r m a l que las c o s a s
estén c o m o están, p o r mal q u e s e e n c u e n t r e n . D i c h o e n
otras palabras, funcionan m e c a n i s m o s de «naturaliza-
c i ó n » de las injusticias, la p o b r e z a y los desequilibrios,
p r e s e n t a n d o d i c h a s m a n i f e s t a c i o n e s de violencia e s t r u c -
tural c o m o algo secular, inevitable y natural. C u a n d o eso
o c u r r e , m u c h a gente lo interioriza y o p t a p o r la pasivi-
dad, y c o m o m á x i m o recurre a actitudes individuales
q u e le p e r m i t a n «salir del p a s o » , pero sin q u e ello su-
p o n g a crítica, o p o s i c i ó n o e n f r e n t a m i e n t o c o n el siste-
m a . La a l i e n a c i ó n se ha i m p u e s t o y ha c o n d i c i o n a d o la
posibilidad de dar u n a respuesta.

A c a b a r c o n la violencia estructural ha sido, durante


siglos, el o b j e t i v o de la m a y o r parte de las l u c h a s s o c i a -
les y obreras de t o d o s los c o n t i n e n t e s . La l u c h a c o n t r a
este gravísimo i m p e d i m e n t o para la paz no ha sido ni
será n u n c a tarea fácil, s e g u r a m e n t e p o r q u e la «violencia
cultural» q u e la a c o m p a ñ a s i e m p r e para justificarla difi-
culta su d e s e n m a s c a r a m i e n t o y no p e r m i t e m o s t r a r el al-
c a n c e d e sus c o n s e c u e n c i a s . Los a ñ o s n o v e n t a , sin e m -
b a r g o , h a n sido testigos de un despertar m u n d i a l s o b r e
la naturaleza c a m b i a n t e de la violencia estructural vin-
culada al sistema, tanto en el p l a n o i n t e r n a c i o n a l c o m o
e n e l n a c i o n a l , así c o m o e n sus d i m e n s i o n e s e c o n ó m i -
LA VIOLENCIA ESTRUCTURAL Y LA FALSA PAZ DEL SISTEMA 71

c a s , t e c n o l ó g i c a s o sociales. Las protestas c o n t r a las per-


versidades de un tipo de m u n d i a l i z a c i ó n e c o n ó m i c a que
provoca e x c l u s i ó n es la m u e s t r a de que la violencia
estructural es c a d a día m á s visible, y que ya no p u e d e
funcionar al m e n o s c o n la i m p u n i d a d c o n q u e tradicio-
n a l m e n t e se ha desenvuelto. V e a m o s ahora c ó m o se re-
p r o d u c e «el s i s t e m a » en los días de hoy, sea b a j o el n o m -
bre de « m u n d i a l i z a c i ó n » , «capitalismo avanzado» o, si se
m e permite una expresión b i e n definitoria, c o m o « m o d e -
lo superproductivista d e p r e d a d o r » .

EL D E B A T E S O B R E LA G L O B A L I Z A C I Ó N

Y LA M U N D I A L I Z A C I Ó N

En los ú l t i m o s a ñ o s se ha popularizado una vieja discu-


sión sobre el a l c a n c e de la globalización y la m u n d i a l i z a -
c i ó n , que h a p r o d u c i d o u n a n o t a b l e confusión sobre e l
significado de cada u n o de estos t é r m i n o s , y en la q u e se
m u e s t r a n un c o n j u n t o de varias tendencias, q u e no
siempre están c o n e c t a d a s entre sí, de entre las cuales p o -
d e m o s m e n c i o n a r la m u n d i a l i z a c i ó n de la forma capita-
lista de e x p l o t a c i ó n , la a m e r i c a n i z a c i ó n de la cultura o la
e x p a n s i ó n de las c o m u n i c a c i o n e s . V e a m o s su relación
c o n la violencia estructural.
La globalización es un proceso multidimensional (cul-
tural, t e c n o l ó g i c o , s o c i a l , e t c . ) , b a s a d o e n h e c h o s rea-
les, objetivos, c o n aspectos positivos y negativos, y que
afecta de m a n e r a desigual a la gente. Es verdad que p u e -
de llevarnos al desastre si al final agranda aún m á s el foso
72 LA PAZ ES POSIBLE

q u e separa a l o s ricos de los p o b r e s , pero es t a m b i é n una


o c a s i ó n para crear u n a c i u d a d a n í a c o s m o p o l i t a y para
q u e las p e r s o n a s y las s o c i e d a d e s estén m á s c o n e c t a d a s .
L a globalización permite, e n t o d o c a s o , una m a y o r inter-
c o n e x i ó n y c o m u n i c a c i ó n , gracias a las nuevas t e c n o l o -
gías de la i n f o r m a c i ó n y la c o m u n i c a c i ó n , y ello conlleva
m á s d e p e n d e n c i a d e u n o s s o b r e otros, c o m o t a m b i é n
m a y o r e s posibilidades de influir e incidir en los a s u n t o s
m u n d i a l e s . La parte b u e n a de la globalización es q u e p o -
t e n c i a l m e n t e p e r m i t e q u e la gente sea m á s participativa
y creativa en c o s a s transformadoras. Pero el a s p e c t o n e -
gativo no es ya u n a potencialidad, u n a posibilidad, s i n o
la c o n s t a t a c i ó n de u n a cruel realidad: ha a y u d a d o a la
c o n c e n t r a c i ó n e n m u y p o c a s m a n o s d e l a r i q u e z a , los
b e n e f i c i o s , los c o n o c i m i e n t o s y el poder. En definitiva,
existe ya u n a globalización elitista.

O t r o a s p e c t o es que e s t a m o s sólo en los i n i c i o s de un


p r o c e s o de globalización política, d o n d e la a s p i r a c i ó n es
q u e la h u m a n i d a d p u e d a estar dotada de o r g a n i s m o s e
i n s t r u m e n t o s de a l c a n c e universal que i n c i d a n de ver-
dad en las 4D b á s i c a s de la paz: d e m o c r a t i z a c i ó n , dere-
c h o s h u m a n o s , desarme y desarrollo h u m a n o . E s t a m o s
sin e m b a r g o m u y lejos de ese s u e ñ o , p u e s los organis-
m o s i n t e r n a c i o n a l e s tienen m u y p o c o s m e d i o s e c o n ó m i -
c o s y h u m a n o s , están m u y b u r o c r a t i z a d o s y no destacan
t a m p o c o p o r ser i n s t i t u c i o n e s realmente d e m o c r á t i c a s .
S o n todavía r e h e n e s de los intereses de las g r a n d e s p o -
tencias, y en realidad representan m u y p o c o las n e c e s i -
dades y aspiraciones de la m a y o r parte de los p u e b l o s . El
trabajo p o r la paz tiene ahí u n a tarea i n m e n s a p o r hacer.
LA VIOLENCIA ESTRUCTURAL Y LA FALSA PAZ DEL SISTEMA 73

La mundialización (o internacionalización) de la e c o -
n o m í a , e n c a m b i o , p o d e m o s definirla c o m o u n a ofensi-
va capitalista, un reflejo del capitalismo actual y de la
e x p a n s i ó n de las fuerzas del m e r c a d o , c o n nuevas estra-
tegias q u e se h a n ido c o n s o l i d a n d o en las últimas dos
décadas. Los m o v i m i e n t o s de capitales b u s c a n su p r o p i o
p r o v e c h o financiero, no la inversión productiva, y quie-
ren h a c e r l o en c o n d i c i o n e s de absoluta libertad y sin
c o n t r o l e s e x t e r n o s . A u n q u e e s u n p r o c e s o fundamental-
m e n t e e c o n ó m i c o , tiene c o n s e c u e n c i a s sociales, cultura-
les, m e d i o a m b i e n t a l e s y políticas.
L o s actores fundamentales de la mundialización son
b a n c o s , instituciones financieras, grupos m u l t i n a c i o n a -
les, seguros y fondos privados de pensiones, toda u n a
oligarquía transnacionalizada que utiliza de m a n e r a m u y
interesada a los organismos internacionales c o m o el F o n -
do Monetario Internacional ( F M I ) , el B a n c o Mundial
( B M ) , o la Organización Mundial de C o m e r c i o ( O M C ) ,
organismos m u y p o c o transparentes y d e m o c r á t i c o s , que
en realidad actúan de mensajeros del gran capital trans-
nacionalizado.
¿ Q u é persigue esta m u n d i a l i z a c i ó n v i n c u l a d a a la
violencia estructural? En primera instancia, la liberaliza-
c i ó n del c o m e r c i o y de los ñujos de capitales, b u s c a n d o
la movilidad sin restricciones del capital ( g l o c a l i z a c i ó n ) ;
en sentido contrario, se limitan los m o v i m i e n t o s de las
personas y trabajadores inmigrantes, q u e c a d a vez tie-
n e n m á s dificultades para trasladarse de un país a otro.
El s e g u n d o objetivo de la mundialización es garantizar la
i n t e r n a c i o n a l i z a c i ó n y la e s p e c u l a c i ó n financiera. Vivi-
74 LA PAZ ES POSIBLE

m o s ahora e n u n a é p o c a histórica caracterizada p o r l a


e x p a n s i ó n y la h e g e m o n í a absoluta de los m e r c a d o s fi-
n a n c i e r o s i n t e r n a c i o n a l e s y de las t r a n s a c c i o n e s finan-
cieras especulativas y parasitarias. La t e c n o l o g í a actual
permite a los financieros operar en t i e m p o real p o r t o d o
el m u n d o y m a n e j a r gigantescas o p e r a c i o n e s financieras
y especulativas, c o n lo que el desarrollo de las redes fi-
n a n c i e r a s es m u y superior al c o m e r c i o i n t e r n a c i o n a l de
b i e n e s y servicios. Se p r o d u c e así lo q u e se d e n o m i n a
u n a «desregulación financiera», esto es, u n a brutal re-
d u c c i ó n del c o n t r o l p o l í t i c o sobre este espacio financie-
ro especulativo. E s t o i m p l i c a un debilitamiento de la c a -
pacidad de i n t e r v e n c i ó n y c o n t r o l de los estados, p o r la
a u s e n c i a de un c o n t r a p e s o p o l í t i c o a las d i n á m i c a s e c o -
n ó m i c a s ; de ahí que se h a b l e de la e x i s t e n c i a de un défi-
cit d e m o c r á t i c o , u n a falta de transparencia en estas polí-
ticas, del desarrollo de u n a estrategia de privatización de
los servicios y de u n a i n c a p a c i d a d para frenar los a b u s o s
del poder. No es u n a casualidad q u e los m i s m o s sectores
interesados en debilitar a los estados sean los q u e tam-
b i é n p r o m u e v e n el deterioro de las políticas sociales y la
privatización de los servicios. Estos sectores intentan
desprestigiar, crear conflictos y deteriorar t o d o lo q u e
sea p ú b l i c o . La lógica social c e d e paso a la lógica c o m e r -
cial, y a estos sectores tanto les da que a u m e n t e la canti-
dad de gente desprotegida p o r los servicios del E s t a d o o
q u e resulte e x c l u i d a de los circuitos del e m p l e o . S i n e m -
bargo, eso es violencia estructural de p r i m e r a m a g n i t u d ,
p o r q u e es u n a violencia evitable.

Otro c o m p o n e n t e de la m u n d i a l i z a c i ó n e c o n ó m i c a
LA VIOLENCIA ESTRUCTURAL Y LA FALSA PAZ DEL SISTEMA 75

es la « i n t e r n a c i o n a l i z a c i ó n de la p r o d u c c i ó n » . S u s as-
p e c t o s m á s visibles son la « d e s l o c a l i z a c i ó n » , es decir, la
práctica de invertir y p r o d u c i r en países m á s p o b r e s ,
d o n d e se pagan m e n o s salarios y d o n d e existe m e n o r
p r o t e c c i ó n social ( c o n lo q u e ello s u p o n e de flexibiliza-
c i ó n del m e r c a d o de trabajo, desregulación, precariedad
del e m p l e o , a c e p t a c i ó n de los trabajadores de los países
ricos de recortar sus c o n q u i s t a s s o c i a l e s ) , y la s u b c o n t r a -
tación ( q u e permite c o n t r o l a r sin ser los propietarios).
Todo ello está c o m p o r t a n d o u n a profunda transforma-
c i ó n de los sistemas de trabajo. La m u n d i a l i z a c i ó n , p o r
tanto, tiene un fuerte sentido de la territorialidad. Las
fronteras físicas desaparecen para los m á s ricos y se re-
fuerzan para los m á s p o b r e s .

Este tipo de d i n á m i c a s e c o n ó m i c a s b u s c a n t a m b i é n
u n a d e s c o n e x i ó n del p o d e r r e s p e c t o a sus o b l i g a c i o n e s .
Se ha formado un auténtico g o b i e r n o en la s o m b r a diri-
gido p o r las e m p r e s a s transnacionales, e x e n t a s de res-
ponsabilidad, p o r q u e no h a n de rendir c u e n t a s a nadie
(es lo q u e t a m b i é n se d e n o m i n a desterritorialización,
extraterritorialidad y desresponsabilización), de ahí que
una estrategia de paz orientada a c o m b a t i r esta violencia
estructural deba insistir en pedir responsabilidades sobre
cuanto h a c e m o s y en saber a quién hay que pedirlas.
Este apasionante debate sobre los efectos de la m u n -
dialización va de la m a n o c o n u n a crítica a lo q u e se de-
n o m i n a el pensamiento único y al n e o l i b e r a l i s m o . Para
Ignacio R a m o n e t , director de Le Monde Diplomatique, el
llamado « p e n s a m i e n t o ú n i c o » no es m á s que la traduc-
c i ó n , en t é r m i n o s ideológicos y c o n p r e t e n s i ó n univer-
76 LA PAZ ES POSIBLE

sal, de los intereses de un c o n j u n t o de fuerzas e c o n ó m i -


c a s , en particular las del capital i n t e r n a c i o n a l . Es el dis-
c u r s o y la estrategia que b u s c a naturalizar la m u n d i a l i z a -
c i ó n e c o n ó m i c a , u n discurso d o n d e p r i m a l a lógica
e c o n ó m i c a y la presenta c o m o la n u e v a utopía, r e c h a -
z a n d o y d e s p r e c i a n d o las grandes ideologías y los m e t a -
rrelatos del siglo pasado.
Si insistimos en estos c o n c e p t o s no es p o r q u e sí, s i n o
p o r q u e su e x t e n s i ó n por t o d o el planeta está p r o v o c a n -
do cotas i m p r e s i o n a n t e s de e x c l u s i ó n y de pobreza. Y lo
que es r e a l m e n t e grave es q u e la p o b r e z a en la q u e viven
c e n t e n a r e s de m i l l o n e s de p e r s o n a s no es el resultado de
la escasez, s i n o que, c o m o ya he c o m e n t a d o , es el fruto
de las prioridades establecidas p o r los ricos. La miseria,
insisto, no es algo inevitable, un f e n ó m e n o natural, s i n o
el resultado de u n a planificación deliberada.
Este « p e n s a m i e n t o ú n i c o » va ligado a la sacraliza-
c i ó n d e dos c o n c e p t o s e s t r e c h a m e n t e v i n c u l a d o s entre
sí, nada i n o c e n t e s y m u y presentes en la sociedad o c c i -
dental industrializada, a saber, el s u p e r p r o d u c t i v i s m o
y la competitividad. Y no son i n o c e n t e s o i n o c u o s , por-
que la c o m p e t i t i v i d a d llevada al e x t r e m o s u p o n e , i n e -
v i t a b l e m e n t e , la pérdida del sentido c o m u n i t a r i o , de la
c o o p e r a c i ó n , la solidaridad, la j u s t i c i a y la e q u i d a d , es
decir, la pérdida de todos aquellos valores y prácticas
asociadas a la paz.
Nuestra s o c i e d a d valora y p r i m a hasta tal p u n t o lo
e c o n ó m i c o que s e h a c r e a d o u n a u t é n t i c o fundamenta-
l i s m o del m e r c a d o d e b i d o al d o m i n i o de la m e r c a n c í a y
de lo c o m e r c i a l sobre t o d o lo d e m á s . De u n a m a n e r a
LA VIOLENCIA ESTRUCTURAL Y LA FALSA PAZ DEL SISTEMA 77

m u y directa, la p u b l i c i d a d n o s invade c o n m e n s a j e s de
« s o m o s » si c o n s u m i m o s , al t i e m p o que se va desarro-
llando u n a m e r c a n t i l i z a c i ó n de la vida v i n c u l a d a a la e s -
trategia de privatización q u e antes m e n c i o n a b a . De ahí
q u e tantos m o v i m i e n t o s sociales d e n u n c i e n q u e el m u n -
do es visto c o m o u n a m e r c a n c í a , en el que t o d o s los as-
p e c t o s de la vida son c o n s i d e r a d o s c o m o p o s i b l e s n e g o -
c i o s . I n c l u s o nuestro o c i o es canalizado h a c i a e s p a c i o s
c o m e r c i a l e s , de m a n e r a q u e los n u e v o s « t e m p l o s » son
ahora los m a c r o c e n t r o s c o m e r c i a l e s , d o n d e la diversión
y el e n t r e t e n i m i e n t o no c o n s i s t e n en otra c o s a q u e en
c o m p r a r y gastar en c o s a s n o r m a l m e n t e innecesarias.
M e r c e d a la capacidad seductora de la publicidad, la
internacionalización del c o n s u m o , entendida c o m o esa
estrategia p o r la que todos los seres h u m a n o s c o n un
m í n i m o de p o d e r adquisitivo p u e d e n c o m p r a r los m i s -
m o s productos en cualquier lugar del planeta, sea en Bar-
celona, Madrid, Nairobi, Nueva York o M é x i c o , va a c o m -
pañada i n c l u s o de una sustitución de la ética por la
estética, para que n o s a d a p t e m o s a las necesidades del
m e r c a d o . El m e r c a d o , en definitiva, parece que va reem-
plazando al Estado c o m o principal fuerza reguladora de
nuestra sociedad.
La televisión y la p u b l i c i d a d son algunos de los m e -
j o r e s i n s t r u m e n t o s de que dispone este sistema para i m -
p o n e r sus estrategias. El c o n s u m o feroz de televisión
ayuda a unlversalizar una especie de cultura de la b a n a -
lidad, de exaltación de lo trivial, t r a n s m i t i e n d o el m e n -
saje de q u e la satisfacción de los deseos y los c a p r i c h o s es
m á s i m p o r t a n t e que la satisfacción de las auténticas n e -
78 LA PAZ ES POSIBLE

cesidades, y t o d o ello c o n el b a r n i z de u n a c o n s t a n t e
r e c e p c i ó n de m e n s a j e s de v i o l e n c i a , lo que constituye
u n a auténtica invitación a naturalizarla, es decir, a verla
c o m o algo corriente e inevitable.
Si insisto en estos a s p e c t o s es p o r q u e la violencia e s -
tructural de la que e s t a m o s h a b l a n d o b u s c a y p r o v o c a la
d e s c u l t u r a c i ó n de los individuos y de las s o c i e d a d e s ,
es decir, tiene interés en q u e se p r o d u z c a una pérdida de
d e t e r m i n a d o s valores y u n a d i s m i n u c i ó n de la c a p a c i d a d
crítica de la gente, p o r q u e a m e n o r c a p a c i d a d crítica,
m e n o r será s u capacidad d e e x i g e n c i a . E n este sentido,
s o n p r e o c u p a n t e s a l g u n o s trazos, d i n á m i c a s o t e n d e n -
cias actuales de las s o c i e d a d e s industrializadas, c o m o
la a u s e n c i a de « d e c á l o g o s » , n o r m a s o m a n d a m i e n t o s , la
pérdida del sentido de lo q u e s o n los deberes m o r a l e s o
el m e n o r sentido de las o b l i g a c i o n e s . E s t o conlleva a u n a
pérdida del sentido de la c o n t e n c i ó n , el sacrificio, la re-
n u n c i a , la disciplina, y de ahí s ó l o q u e d a un paso para
adoptar actitudes de intolerancia o instalarse en la frus-
tración.

El trabajo p o r la paz, en s u m a , d e b e b u s c a r las m a -


neras de h a c e r frente a la violencia estructural no s ó l o
h a c i e n d o visibles las estructuras e c o n ó m i c a s o políticas
generadoras de violencia, e x c l u s i ó n u opresión, s i n o
t a m b i é n a través del c o n o c i m i e n t o de las estrategias c u l -
turales o c o m u n i c a t i v a s que de m a n e r a m á s o m e n o s su-
b l i m i n a l persiguen la pérdida de nuestro s e n t i d o de la
responsabilidad, y que n o s invitan a d e s c o n o c e r las c o n -
s e c u e n c i a s de nuestros a c t o s , e s p e c i a l m e n t e del sufri-
m i e n t o ajeno, y a no t e n e r c o n s i d e r a c i ó n hacia los d e m á s
LA VIOLENCIA ESTRUCTURAL Y LA FALSA PAZ DEL SISTEMA 79

y s o b r e sus s e n t i m i e n t o s . El c o m p o r t a m i e n t o q u e predi-
ca este tipo de p e n s a m i e n t o ú n i c o es el relacionado c o n
la individualidad, no c o n la c o o p e r a c i ó n .

LA C O N E X I Ó N MORTAL: C U A N D O LA VIOLENCIA

INTERNA SE JUNTA CON LA EXTERNA

Al m a r g e n de las situaciones de guerra, que se analizan


e n otro c a p í t u l o , e n e l m u n d o existen a b u n d a n t e s c a s o s
de s o c i e d a d e s q u e p o r diversas c i r c u n s t a n c i a s h a n entra-
do en u n a s e n d a de d e s c o m p o s i c i ó n y e x t r e m a fragili-
dad. Algunas de ellas acabarán e x p e r i m e n t a n d o un c o n -
flicto a r m a d o , pero otras p e r m a n e c e r á n durante un largo
p e r í o d o en un estado de c o l a p s o o caos. En t o d o s los c a -
sos, no o b s t a n t e , se ha dado u n a p r e s e n c i a de violencias
estructurales y el c h o q u e ( q u e no abrazo, en este c a s o )
de u n a s violencias de origen i n t e r n o c o n otras que vie-
n e n del exterior.

En el origen de estas s o c i e d a d e s o estados débiles se


e n c u e n t r a u n a historia c o n e l e m e n t o s c o m u n e s , todos
ellos manifestaciones de violencia estructural interna: el
fracaso de políticas de desarrollo que se h a n limitado a
b u s c a r u n c r e c i m i e n t o e c o n ó m i c o desligado a l desarro-
llo h u m a n o , sin estrategias participativas y d e n e g a n d o el
a c c e s o de la gente a la tierra y a las o p o r t u n i d a d e s ; c o -
rrupción, c l i e n t e l i s m o e i n c o m p e t e n c i a de los g o b e r n a n -
tes (falta de g o b e r n a b i l i d a d ) ; ineficacia del sistema de
j u s t i c i a , c o n la c o r r e s p o n d i e n t e i m p u n i d a d de los viola-
dores de la ley, m i l i t a r i s m o , etc. Es u n a lista clásica de
80 LA PAZ ES POSIBLE

males e n d é m i c o s que c o m p a r t e n m u c h o s países. E l re-


sultado final de esta violencia estructural interna es la
e x c l u s i ó n social, esto es, la m a r g i n a c i ó n de a m p l i o s s e c -
tores de la s o c i e d a d ( e s p e c i a l m e n t e j ó v e n e s , m u j e r e s ,
a n c i a n o s , indígenas, m i n o r í a s y p o b l a d o r e s de s u b u r -
b i o s u r b a n o s ) , q u e no tienen a c c e s o a la vivienda, la edu-
c a c i ó n , la sanidad, el trabajo y al sistema j u r í d i c o legal
c o n garantías. La d e s p r o t e c c i ó n y vulnerabilidad e x t r e -
ma de estas p o b l a c i o n e s marginadas, que viven en la m a -
y o r precariedad, a m e n u d o es el c a l d o de cultivo y la e s -
poleta de violencias sociales. No siempre hay pasividad
o resignación, p o r s u p u e s t o , s i n o q u e c o n frecuencia
este tipo de situaciones deriva en enfrentamientos c o n el
sistema q u e las ha creado.

A la debilidad de estos estados, q u e e v i d e n t e m e n t e


no afecta a sus m i n o r í a s privilegiadas, c o n t r i b u y e n tam-
b i é n y de forma decisiva, algunas t e n d e n c i a s del sistema
e c o n ó m i c o antes m e n c i o n a d a s , c o m o l a privatización d e
e m p r e s a s públicas, el recorte de los gastos sociales, la
deuda e x t e r n a o los ajustes estructurales, así c o m o as-
p e c t o s de la m u n d i a l i z a c i ó n e c o n ó m i c a q u e , en su re-
parto de papeles a escala planetaria, ha dejado a n u m e -
rosos países fuera del c i r c u i t o de la esperanza y del
desarrollo. Su fragilidad no les p e r m i t e seguir el ritmo de
la liberalización y de la c o m p e t e n c i a , c o n lo q u e ello su-
p o n e de m á s paro, m a y o r recorte de d e r e c h o s políticos y
sindicales, m a y o r desigualdad. E n estos c o n t e x t o s , n o
sólo es el E s t a d o q u i e n q u e d a m a r g i n a d o , s i n o n u m e r o -
s o s g r u p o s sociales que, a la postre, acabarán b u s c á n d o -
se la vida en la ilegalidad e i n c l u s o m e d i a n t e la fuerza de
LA VIOLENCIA ESTRUCTURAL Y LA FALSA PAZ DEL SISTEMA 81

las a r m a s . C u a n d o eso o c u r r e , se entra c o n frecuencia en


u n a espiral autodestructiva, b u s c a n d o p e q u e ñ o s p o d e -
res l o c a l e s o regionales, y desinteresándose de la r e c o n s -
t r u c c i ó n del E s t a d o debilitado. U n c í r c u l o v i c i o s o , e n
definitiva, q u e genera n u e v a s violencias, en d o n d e la
v i o l e n c i a estructural crea violencias directas q u e a su vez
a l i m e n t a r á n la r e p r e s i ó n y así s u c e s i v a m e n t e . Lo vere-
m o s c o n m á s detalle e n e l capítulo siguiente.
LA RESOLUCIÓN
DE LOS CONFLICTOS ARMADOS

A lo largo de la década de los n o v e n t a , en el m u n d o se


h a n p r o d u c i d o 1 1 8 conflictos a r m a d o s , q u e h a n impli-
c a d o a o c h e n t a estados y h a n p r o d u c i d o seis m i l l o n e s de
m u e r t o s . S ó l o p o r la m a g n i t u d de esta última cifra ya n o s
v e m o s o b l i g a d o s a no dejar de lado el f e n ó m e n o de la
guerra, y m á s si c o n s t a t a m o s que las guerras de h o y día
t i e n e n u n a naturaleza diferente a las del p a s a d o , lo que
dificulta e n o r m e m e n t e su tratamiento. Diez de estos
c o n f l i c t o s a r m a d o s h a n s i d o entre diferentes estados,
m i e n t r a s q u e los 1 0 8 restantes se h a n p r o d u c i d o en el in-
terior de u n o de ellos. La guerra civil o la guerra interna,
c o n i n d e p e n d e n c i a de la r e p e r c u s i ó n q u e tenga a nivel
regional o i n t e r n a c i o n a l , es la característica m á s rele-
vante de los conflictos a r m a d o s actuales, ya q u e de los
1 1 8 c o n f l i c t o s m e n c i o n a d o s , 1 0 2 h a n sido guerras civi-
les, c i n c o guerras de i n d e p e n d e n c i a , diez guerras entre
e s t a d o s , y u n a transnacional.

D e s d e 1 9 9 2 h a y u n d e s c e n s o paulatino del n ú m e r o
total de conflictos a r m a d o s en el m u n d o , q u e h a n pasa-
d o d e 6 8 e n aquel a ñ o a 4 7 e n 1 9 9 9 . Este d e s c e n s o e s de-
84 LA PAZ ES POSIBLE

b i d o , m á s que nada, a la r e d u c c i ó n de los conflictos ar-


m a d o s e u r o p e o s . O t r o dato significativo es que m u c h o s
de estos conflictos no son de ahora, sino que v i e n e n de
lejos. Baste señalar que d e los 4 7 conflictos a r m a d o s a c -
tivos en 1 9 9 9 , el 30 % tenían m á s de veinte a ñ o s de an-
tigüedad.
En las dos últimas d é c a d a s ha e m e r g i d o un n u e v o
tipo de violencia organizada, e s p e c i a l m e n t e en África y
2
E u r o p a del E s t e , q u e M a r y K a l d o r d e n o m i n a « n u e v a s
g u e r r a s » , las cuales p e r m i t e n realizar una d i s t i n c i ó n en-
tre el c o n c e p t o tradicional de «guerra» ( g e n e r a l m e n t e
utilizado para describir violencia entre estados o g r u p o s
organizados políticamente por razones políticas), c r i m e n
organizado ( q u e es u n a v i o l e n c i a protagonizada p o r gru-
p o s estructurados c o n fines privados, g e n e r a l m e n t e de
tipo e c o n ó m i c o ) , y v i o l a c i o n e s de los d e r e c h o s h u m a -
n o s a gran escala ( c o n s i s t e n t e en violencia protagoni-
zada p o r estados o grupos políticos organizados c o n t r a
personas).
Para la m a y o r parte de q u i e n e s analizan los c o n f l i c -
tos, las nuevas guerras e m e r g e n en un c o n t e x t o de ero-
sión de la a u t o n o m í a de los estados, y en a l g u n o s c a s o s ,
p o r la desintegración de éstos. Estas guerras se dan en
c o n t e x t o s d o n d e los ingresos se r e d u c e n d e b i d o al decli-
ve de la e c o n o m í a , así c o m o a la e x p a n s i ó n de la c r i m i -
nalidad, la c o r r u p c i ó n y la ineficiencia. Los objetivos de
las nuevas guerras tienen q u e ver f u n d a m e n t a l m e n t e

2. Kaldor, Mary, New and oíd wars. Organized violence in a glo-


bal era, Standford University Press, Standford, 1 9 9 9 ; trad. cast.,
Las nuevas guerras, Tusquets, Barcelona, 2 0 0 1 .
LA RESOLUCIÓN DE LOS CONFLICTOS ARMADOS 85

c o n políticas de identidad, esto es, en r e i v i n d i c a c i o n e s


de p o d e r en b a s e a u n a d e t e r m i n a d a identidad (sea na-
cional, religiosa, lingüística o de c l a n ) , en lugar de estar
b a s a d o s en a s p e c t o s geopolíticos o i d e o l ó g i c o s .
P o r política de identidades, K a l d o r se refiere a la rei-
v i n d i c a c i ó n del p o d e r basada en una identidad c o n c r e t a ,
sea n a c i o n a l , de clan, religiosa o lingüística. Lo cierto es
q u e este tipo de política de identidades es i n t r í n s e c a -
m e n t e e x c l u y e n t e y, p o r tanto, tiende a la fragmentación.
E s t o s conflictos b a s a d o s en la política de identidades
t a m b i é n suelen d e n o m i n a r s e c o m o «conflictos é t n i c o s » .
Se l l a m e n c o m o se llamen, los a g r u p a m i e n t o s p o l í t i c o s
b a s a d o s en la identidad exclusiva suelen ser m o v i m i e n -
tos de nostalgia, b a s a d o s en la r e c o n s t r u c c i ó n de un
pasado h e r o i c o , el r e c u e r d o de las injusticias, reales o
imaginarias, y de famosas batallas, ganadas o perdidas.
A d q u i e r e n significado a través de la inseguridad, del
m i e d o reavivado a los e n e m i g o s h i s t ó r i c o s o de u n a sen-
sación de estar a m e n a z a d o s p o r los que tienen etiquetas
diferentes. La nueva política de identidades deriva de la
desintegración o erosión de las estructuras del estado
m o d e r n o , e s p e c i a l m e n t e los estados centralizados y au-
toritarios. La caída de los estados c o m u n i s t a s a partir de
1 9 8 9 , la pérdida de legitimidad de los estados p o s t e ó l o -
niales en África o el sur de Asia, o i n c l u s o el declive de
los estados de bienestar en los países industriales, s o n al-
g u n o s de los e j e m p l o s m á s recientes.

G r a n n ú m e r o de los conflictos a r m a d o s actuales se


p r o d u c e n , pues, en estados frágiles, fallidos, c o l a p s a d o s
o c a ó t i c o s . La debilidad de los estados, sin e m b a r g o , no
8& LA PAZ ES POSIBLE

es el resultado del azar o de catástrofes naturales, s i n o de


la c o m b i n a c i ó n de dos grandes factores: p o r un lado, el
c ú m u l o de diferentes manifestaciones de violencia e s -
tructural i n t e r n a (políticas n o participativas, i m p o s i b i l i -
dad de a c c e d e r a la tierra, a los b i e n e s y a o p o r t u n i d a d e s ;
c o r r u p c i ó n , c l i e n t e l i s m o , falta de g o b e r n a b i l i d a d , inefi-
c i e n c i a de los sistema de j u s t i c i a , m i l i t a r i s m o , etc.)- P o r
otro lado, la a c c i ó n de algunas t e n d e n c i a s del sistema
e c o n ó m i c o i n t e r n a c i o n a l v i n c u l a d o s a la m u n d i a l i z a -
c i ó n , y la i n c a p a c i d a d de m u c h o s estados para seguir el
r i t m o de la liberalización y la c o m p e t e n c i a . E s t o s dos
factores, u n o i n t e r n o y otro e x t e r n o , generan estados dé-
biles y e x c l u s i ó n social. La d e s p r o t e c c i ó n , la vulnerabili-
dad e x t r e m a , la precariedad y la m a r g i n a c i ó n , es caldo
de cultivo para el surgimiento de diferentes manifesta-
c i o n e s d e violencia social, c u a n d o n o d e l u c h a s internas
para c o n t r o l a r los restos del b o t í n .

O t r a característica es la difusión de actores. Mientras


las viejas guerras se b a s a b a n en estructuras verticales
y j e r a r q u i z a d a s , las u n i d a d e s q u e protagonizan las n u e -
vas guerras i n c l u y e n u n a gran disparidad de actores
y grupos, tales c o m o g r u p o s paramilitares, s e ñ o r e s de
la guerra locales, b a n d a s c r i m i n a l e s , fuerzas policiales,
m e r c e n a r i o s , milicias irregulares, grupos de seguridad
privados, guerrillas, narcotraficantes, g r u p o s integris-
tas a r m a d o s , sicarios, b a n d a s rivales, c l a n e s a r m a d o s ,
terroristas, n i ñ o s s o l d a d o , mafias, traficantes de armas,
grupos de autodefensa, etc. La gestión y el tratamiento
d e d i c h o s conflictos resulta m u c h o m á s c o m p l i c a d o de-
b i d o a esta proliferación de actores, y a la privatización
LA RESOLUCIÓN DE LOS CONFLICTOS ARMADOS 87

de la violencia, en la m e d i d a que el Estado, s i e m p r e frá-


gil o inexistente en estos c o n t e x t o s , deja de s e r el ú n i c o
actor c o n capacidad o legitimidad para m o n o p o l i z a r l a .
Aparece así un n u e v o desorden, d o n d e el t e i t o r i o q u e - r r

d a fragmentado e n n u m e r o s a s parcelas b a j Q e l control,


siempre provisional e inestable, de grupos q ^ e utilizan la
violencia y el terror para c o n t r o l a r a su p r o p i p o b l a c i ó n .
a

Con nuevos actores, no es extraño que también ha-


y a n s u r g i d o o q u e s e h a y a n desarrollado n u e v o s méto-
d o s y estrategias: l i m p i e z a é t n i c a , genocidio, v i o l a c i o -
n e s , a s e d i o s , pillaje, e x t o r s i ó n , m u t i l a c i ó n , t e r r o r i s m o ,
d e p r e d a c i ó n c o m u n i t a r i a , desapariciones, e j e c u c i o n e s
s u m a r i a s , r e c l u t a m i e n t o forzoso, e c o c i d i o , i n t i f a d a , se-
cuestros, matanzas... La m e m o r i a de estos h o r r o r e s per-
petúa el sentido de identidad de grupo, facilita l o s c i c l o s
de venganza y la intratabilidad del conflicto, « c u a n d o el
Estado pierde el c o n t r o l de la guerra, cuando la g u e r r a se
convierte en c o t o vedado de ejércitos privados, g á n g s t e -
res y paramilitares, la distinción entre e n f r t a m i e n t o e n

3
b é l i c o y barbarie carece de s e n t i d o » .

Mary Kaldor nos recuerda también que estos n u e v o s


actores utilizan técnicas de desestabilizacióri d i r i g i d a s a
s e m b r a r el miedo y el odio. El objetivo es c o n t r o l a r a la
población deshaciéndose de cualquiera que t e f i g a una
identidad distinta. El objetivo estratégico de e tas guerras s

es expulsar a la población mediante diversos r r i é t o d o s ,


c o m o las matanzas masivas, los reasentamientos f o r z o s o s ,

3. Ignatieff, Michael, El honor del guerrero, T a n m S i Madrid,


1999, p. 1 5 1 .
88 LA PAZ ES POSIBLE

etcétera. Ello provoca, lógicamente, un a u m e n t o especta-


cular del n ú m e r o de refugiados y de personas desplazadas.
La principal p r e o c u p a c i ó n de los n u e v o s guerreros
es eliminar a los que no s o n de su grupo. De este m o d o
— e x p l i c a K a l d o r — e l principal m é t o d o d e c o n t r o l terri-
torial no es el a p o y o de la p o b l a c i ó n , c o m o en las guerras
revolucionarias, s i n o su d e s p l a z a m i e n t o , la e l i m i n a c i ó n
de t o d o s los opositores posibles. En lugar de c r e a r un en-
t o r n o favorable para la guerrilla, la n u e v a guerra preten-
de c o n s t r u i r un e n t o r n o desfavorable para t o d o s a q u e -
llos a los que no p u e d e controlar. El d o m i n i o del p r o p i o
b a n d o se basa en la d i s t r i b u c i ó n de b e n e f i c i o s positivos.
D e p e n d e de m a n t e n e r el m i e d o y la inseguridad y de
perpetuar los o d i o s r e c í p r o c o s . De ahí la i m p o r t a n c i a
de c o m e t e r atrocidades d e s m e s u r a d a s y espectaculares
y de i m p l i c a r al m a y o r n ú m e r o p o s i b l e de p e r s o n a s en
d i c h o s c r í m e n e s , c o n el fin de instaurar u n a c o m p l i c i d a d
c o m p a r t i d a , s a n c i o n a r la violencia c o n t r a « o t r o » al que
se odia y h a c e r intensas las divisiones.

C o n m u c h a frecuencia v e m o s m u y p o c a racionali-
dad e n e l c o m p o r t a m i e n t o d e los actores. C o m o l o s des-
4
c r i b e Ignatieff, «los nuevos guerreros son j ó v e n e s
descalzos, c o n k a l a s h n i k o v s , paramilitares c o n gafas de
sol envolventes, fanáticos c o n turbante de talibán que
dejan sus esterillas de o r a c i ó n j u n t o a sus fusiles. Parten
de u n a ética de a l c a n c e particular q u e e s t a b l e c e el lími-
te de l o s legítimos intereses m o r a l e s en la tribu, la n a c i ó n
o la p e r t e n e n c i a a u n a etnia. Para esta gente, los d e r e c h o s

4. Ibíd, p. 9.
LA RESOLUCIÓN DE LOS CONFLICTOS ARMADOS 89

h u m a n o s tienen p o c o o n i n g ú n v a l o r » . No ha de extra-
ñar, p o r tanto, q u e en los n u e v o s conflictos, la p o b l a c i ó n
civil sea el b l a n c o , el objetivo estratégico, no sólo la v í c -
tima. E l l o e x p l i c a q u e desde h a c e a ñ o s , m á s del 90 % de
las víctimas de los conflictos a r m a d o s sean civiles.
O b s e r v a m o s t a m b i é n u n a m a y o r c o m p l e j i d a d d e los
t e m a s en disputa, en parte d e b i d o a la difusión de las
motivaciones, que c o n frecuencia mezclan cuestiones po-
líticas c o n las c r i m i n a l e s o delincuenciales. A d e m á s , en
estos c o n t e x t o s se da casi s i e m p r e u n a proliferación de
armas ligeras, c o n lo que la mayoría de la p o b l a c i ó n tie-
ne fácil a c c e s o a a r m a s baratas, p e q u e ñ a s y fáciles de m a -
nejar. A u n q u e el conflicto a r m a d o termine, las armas
q u e d a n ahí, c o m o i n s t r u m e n t o para ser u s a d o e n los
n u e v o s c i c l o s de violencia q u e suelen surgir en la etapa
del postconflicto a r m a d o .
V e m o s igualmente que en la mayoría de los c o n f l i c -
tos i n t e r n o s se p r o d u c e n grandes asimetrías de poder, y
que en estos c a s o s , los g o b i e r n o s s o n reticentes a aceptar
nada q u e no sea u n a victoria total. Otra característica de
m u c h o s conflictos es su focalización, esto es, que están
localizados m u c h a s veces en sólo u n a parte del país, lo
q u e dificulta su c o r r e c t o tratamiento, al producirse u n a
falsa s e n s a c i ó n de paz en otras zonas.
Q u i e r o finalizar este apartado s e ñ a l a n d o un a s p e c t o
m u y i m p o r t a n t e y p r e o c u p a n t e , a saber, el s u r g i m i e n t o
5
de u n a n u e v a e c o n o m í a de guerra, b a s a d a en la depre-

5. Jean, Frangois y Rufin, Jean-Christophe, Économie des


guerres civiles, Hachette, París, 1996.
90 LA PAZ ES POSIBLE

d a c i ó n de las propias c o m u n i d a d e s , la e x t o r s i ó n , el
m e r c a d o n e g r o , el a p o y o de las diásporas y de los países
v e c i n o s , el tráfico de armas, drogas, petróleo o d i a m a n -
tes, e t c . , de m a n e r a que la lógica de la guerra se c o n s -
truye s o b r e el f u n c i o n a m i e n t o de este tipo de e c o n o m í a .
Existe toda u n a serie de estrategias e c o n ó m i c a s puestas
en m a r c h a p o r los a c t o r e s político-militares para finan-
ciar su l u c h a , c o n t r o l a r a las p o b l a c i o n e s y apropiarse
de las prerrogativas del E s t a d o . F r a n c o i s J e a n y J e a n -
C h r i s t o p h e Rufin, en su libro Économie des guerres civi-
les, d i s t i n g u e n entre las « e c o n o m í a s de guerra c e r r a -
d a s » , en las que una fuerza de guerrilla o un grupo
rebelde opera desde el interior de un territorio, sin dis-
p o n e r d e otros r e c u r s o s q u e a q u e l l o s que p u e d e n pro-
curarse en el lugar, de las « e c o n o m í a s de guerra abier-
tas», en las q u e los grupos a r m a d o s instalan sus b a s e s
en un país v e c i n o o se a p r o v e c h a n de la ayuda h u m a n i -
taria, utilizando los c a m p o s d e refugiados c o m o b a s e s
de reavituallamiento.

C i t o de n u e v o a Kaldor para señalar q u e , en algunos


países, c o m o Sudán, Nigeria o R e p ú b l i c a D e m o c r á t i c a
del C o n g o , se desarrollaron los l l a m a d o s r e g í m e n e s «de-
p r e d a d o r e s » , en los q u e el a c c e s o al p o d e r y la riqueza
p e r s o n a l dependía de la religión o la tribu. N u e v o s gru-
p o s de turbios « h o m b r e s de n e g o c i o s » , a m e n u d o v i n c u -
lados a los aparatos institucionales en d e c a d e n c i a a tra-
vés de varias formas de s o b o r n o y a b u s o s de i n f o r m a c i ó n
privilegiada, se dedican a una especie de a c u m u l a c i ó n
primitiva, el ansia de tierras y capital. Utilizan el lengua-
je de la política de identidades para levantar alianzas y
LA RESOLUCIÓN DE LOS CONFLICTOS ARMADOS 91

legitimar sus actividades. C o n frecuencia — a ñ a d e K a l -


d o r — esas redes están relacionadas c o n guerras, p o r
e j e m p l o en Afganistán, Pakistán y grandes z o n a s de Áfri-
c a . Todos estos n u e v o s actores s e alimentan, c o m o b u i -
tres, de los restos del Estado en d e s c o m p o s i c i ó n y de las
frustraciones y los r e s e n t i m i e n t o s de los p o b r e s y de-
sempleados.
P o r t a n t o , el c a o s p o l í t i c o y e c o n ó m i c o de m u c h o s
países en c o n f l i c t o , m u c h a s v e c e s es el resultado de u n a
estrategia p r e m e d i t a d a q u e s a c a rédito de esta situa-
c i ó n , en la m e d i d a q u e el p r o p i o c a o s ofrece o p o r t u n i -
dades para llevar a c a b o o p e r a c i o n e s ilícitas q u e no es-
6
tán sujetas a n i n g ú n tipo de c o n t r o l . W i l l i a m R e n o
señala q u e , s o b r e t o d o e n África, e x i s t e n « e s t a d o s e n l a
s o m b r a » , u n a forma de g o b i e r n o p e r s o n a l o de autori-
dad b a s a d a e n los intereses d e u n o s p o c o s i n d i v i d u o s ,
q u e p u e d e n a c t u a r al m a r g e n de las leyes. A l g u n o s g o -
b e r n a n t e s i n c l u s o h a n preferido r e n u n c i a r a t e n e r u n a
l e g i t i m i d a d política o a i n t e n t a r satisfacer las n e c e s i d a -
des b á s i c a s de los c i u d a d a n o s , c o m o e d u c a c i ó n y salud,
p o r q u e les resulta m u c h o m á s r e n t a b l e o p r o v e c h o s o
d e d i c a r s e a a u m e n t a r su r i q u e z a y p o d e r p e r s o n a l a
b a s e d e redes i n f o r m a l e s q u e ellos p u e d e n controlar. E n
e s t o s c o n t e x t o s , p o r tanto, l a c o r r u p c i ó n n o e s m á s q u e
el r e s u l t a d o de un c o m p o r t a m i e n t o eficiente de la de-
predación.

6. Reno, William, «Economías clandestinas, violencia y esta-


dos en África», Amano CIP2001, pp. 19-49.
92 LA PAZ ES POSIBLE

LAS CAUSAS Y LOS FACTORES DE RIESGO

Al estudiar las guerras c o n t e m p o r á n e a s , lo p r i m e r o q u e


h a y q u e señalar e s q u e n o h a y u n a ú n i c a c a u s a , s i n o
varias. Lo i m p o r t a n t e es ver c ó m o interactúan y c o n o c e r
la c a p a c i d a d y las estrategias q u e p u e d e n t e n e r los líde-
res p o l í t i c o s para movilizar a la gente. S i e m p r e hay u n a s
causas m á s de fondo, estructurales, q u e dividen a la gen-
te, y no a nivel individual, s i n o c o m o grupos, c r e a n d o
e x c l u s i o n e s y diferencias.
Si o b s e r v a m o s e s p e c i a l m e n t e l o s conflictos prolon-
gados, c o m o los del L í b a n o , Sri Lanka, Filipinas, Irlan-
da, E t i o p í a , Israel, C h i p r e , Irán, Nigeria o Sudáfrica,
v e r e m o s luchas de c o m u n i d a d e s para asegurarse sus n e -
cesidades básicas, c o m o seguridad, r e c o n o c i m i e n t o y
a c e p t a c i ó n , a c c e s o a las instituciones políticas y partici-
p a c i ó n e c o n ó m i c a . La m a y o r í a de los analistas de c o n -
flictos a r m a d o s c o i n c i d e n en señalar la i m p o r t a n c i a y la
significación que tienen h o y día las identidades, las i d e o -
logías e x c l u y e n t e s , las g o b e r n a n c i a s frágiles y autorita-
rias, y las disputas sobre soberanías.
No o b s t a n t e , y a pesar de que la casi totalidad de los
conflictos a r m a d o s podrían clasificarse e n u n o s p o c o s
apartados, en función de si los actores p e r s i g u e n funda-
m e n t a l m e n t e el c o n t r o l o la s e c e s i ó n de ciertos territo-
rios, el c o n t r o l político del país, el c o n t r o l de algunos
recursos naturales, la i m p o s i c i ó n de f u n d a m e n t a l i s m o s
religiosos o el d o m i n i o de grupos políticos c o n b a s e ét-
n i c a , n o hay n i n g ú n conflicto a r m a d o q u e n o esté influi-
do o d e t e r m i n a d o por u n a diversidad de factores que in-
LA RESOLUCIÓN DE LOS CONFLICTOS ARMADOS 93

teractúan desde el p r i m e r m o m e n t o . Las tipologías n o s


ayudan a c o m p r e n d e r y a diferenciar los conflictos, pero
no agotan su interpretación.
7
Para algunos analistas, c o m o Paul Collier, las gue-
rras civiles o c u r r e n c u a n d o las organizaciones rebeldes
e n c u e n t r a n u n a financiación viable y p u e d e n a u m e n t a r
sus beneficios. La d i m e n s i ó n e c o n ó m i c a de las guerras
civiles es fundamental. La m o t i v a c i ó n de fondo es lo de
m e n o s . El c o m p o r t a m i e n t o predatorio de estos grupos
es c o n s e c u e n c i a de la n e c e s i d a d de o b t e n e r financiación.
Esta c a p a c i d a d de p r e d a c i ó n es lo que d e t e r m i n a el ries-
go de conflicto. C o m o ha señalado Rufin, p o r p r e d a c i ó n
e n t e n d e m o s aquellos m é t o d o s destructores de apropia-
c i ó n que tienen por resultado sustraer de la p o b l a c i ó n
los m á x i m o s recursos posibles, sin hacerse r e s p o n s a b l e s
de las c o n s e c u e n c i a s e c o n ó m i c a s de esta e x p o l i a c i ó n . Es
la lógica del pillaje, q u e suele ir de la m a n o de la crimi-
nalización, esto es, de la p r o d u c c i ó n , e x p l o t a c i ó n o c o -
mercialización ilegal de b i e n e s o de servicios ilícitos, lo
cual m a r c a la entrada de un m o v i m i e n t o a r m a d o dentro
del p r o c e s o e c o n ó m i c o , en el que intenta c o n t r o l a r cier-
tos sectores, c o n el fin de percibir beneficios. Lo h e m o s
visto en C o l o m b i a , C h e c h e n i a , Bosnia, L í b a n o , Kurdis-
tán, Afganistán, C a m b o y a , Liberia, M o z a m b i q u e , A n g o -
la, Indonesia, Sierra L e o n a , S u d á n , los G r a n d e s Lagos
africanos y en otros sitios.

Esta c o n e x i ó n m o r t a l entre c o n f l i c t o s a r m a d o s y

7. Collier, Paul, Economic causes of civil conflict and theír impli-


cations for policy, World Bank, Development Research Group, ju-
. nio 2000.
94 LA PAZ ES POSIBLE

explotación de recursos, c o m o petróleo, oro, diaman-


tes, café o drogas ilegales, ha m e r e c i d o en l o s ú l t i m o s
a ñ o s u n a gran a t e n c i ó n de N a c i o n e s U n i d a s y a l g u n a s
O N G , a l o b s e r v a r s e u n a clara r e l a c i ó n e n t r e l a e x p l o t a -
c i ó n de d i c h o s r e c u r s o s y la f i n a n c i a c i ó n de l o s a c t o r e s
armados.
E n l ó g i c a c o n l o anterior, para C o l l i e r l o s factores
de riesgo m á s i m p o r t a n t e s s o n la d e p e n d e n c i a de las
exportaciones de materias primas, que luego serán o b -
j e t o de d e p r e d a c i ó n , ya sea en la p r o d u c c i ó n , el trans-
p o r t e o en l o s p u n t o s de e x p o r t a c i ó n ( p u e r t o s , p o r
e j e m p l o ) . E n Biafra, I n d o n e s i a , Nigeria, E r i t r e a , C o n -
g o , e t c . , t o d a s las r e b e l i o n e s s e h a n p r o d u c i d o e n z o n a s
ricas e n m a t e r i a s p r i m a s . S e g ú n e l I n f o r m e del G r u p o
de E x p e r t o s s o b r e la E x p l o t a c i ó n Ilegal de R e c u r s o s
N a t u r a l e s e n l a R e p ú b l i c a D e m o c r á t i c a del C o n g o , p u -
b l i c a d o e n abril d e 2 0 0 1 , existe u n c l a r o y e s t r e c h o v í n -
c u l o e n t r e la e x p l o t a c i ó n de los r e c u r s o s n a t u r a l e s y la
c o n t i n u a c i ó n del c o n f l i c t o . L o s e j é r c i t o s d e B u r u n d i ,
R u a n d a y U g a n d a h a n e x p o l i a d o a gran e s c a l a los r e -
c u r s o s c o n g o l e ñ o s ( m i n e r a l e s , café, m a d e r a y d i n e r o ) ,
ya sea para llevárselos a sus p a í s e s o para transferirlos a
l o s m e r c a d o s i n t e r n a c i o n a l e s , a u n q u e e n e l i n i c i o del
conflicto, su presencia hubiera estado motivada más
b i e n p o r r a z o n e s d e s e g u r i d a d . C o n e l t i e m p o , sin e m -
b a r g o , l a ú n i c a j u s t i f i c a c i ó n para c o n t i n u a r p e r m a n e -
c i e n d o e n e l C o n g o h a sido e l p o d e r s a c a r e l m á x i m o
p r o v e c h o d e l a e x p l o t a c i ó n d e sus r e c u r s o s . E n e l e x -
polio han participado los m á x i m o s dirigentes políticos,
los e j é r c i t o s y a l g u n o s e m p r e s a r i o s , en u n a e x p l o t a c i ó n
LA RESOLUCIÓN DE LOS CONFLICTOS ARMADOS 95

s i s t e m á t i c a y s i s t é m i c a q u e ha c o n t a d o c o n r a m i f i c a c i o -
n e s y c o n e x i o n e s a nivel m u n d i a l , en las q u e u n o s h a n
i n t e r c a m b i a d o a r m a s p o r r e c u r s o s , y otros h a n facilita-
do el a c c e s o a r e c u r s o s financieros. De ese m o d o , el
c o n f l i c t o en la R e p ú b l i c a D e m o c r á t i c a del C o n g o se ha
convertido principalmente en una lucha por el acceso,
c o n t r o l y c o m e r c i o de c i n c o r e c u r s o s m i n e r a l e s : c o l t a n ,
d i a m a n t e s , c o b r e , c o b a l t o y o r o . S e g ú n el i n f o r m e , i m -
p o r t a n t e s j e f e s militares de varios países n e c e s i t a n este
c o n f l i c t o p o r su naturaleza lucrativa y para r e s o l v e r al-
g u n o s p r o b l e m a s i n t e r n o s . Así, p o r s u naturaleza lu-
crativa, el c o n f l i c t o ha c r e a d o u n a s i t u a c i ó n win-win
(ganar-ganar) para t o d o s los b e l i g e r a n t e s . L o s ú n i c o s
q u e p i e r d e n s o n los h a b i t a n t e s del C o n g o . E n s u infor-
me de noviembre de 2 0 0 1 ( S / 2 0 0 1 / 1 0 7 2 ) , el Panel
vuelve a insistir en estas i n t e r c o n e x i o n e s , s e ñ a l a n d o
que sin un p l a n t e a m i e n t o y r e s o l u c i ó n global del c o n -
flicto en la R . D . C o n g o y en la región, no p a r e c e realis-
ta e s p e r a r q u e se p o n g a fin a la e x p l o t a c i ó n de los
r e c u r s o s n a t u r a l e s del país. El c o l a p s o de las i n s t i t u c i o -
n e s y e s t r u c t u r a s del E s t a d o ofrecen c o n t i n u a s o p o r t u -
n i d a d e s de f i n a n c i a c i ó n ilegal a f u n c i o n a r i o s c o r r u p t o s
y m a f i o s o s . E s t a terrorífica c o n f l u e n c i a de i n t e r e s e s y el
h e c h o de c o m p a r t i r el o b j e t i v o de s e m b r a r o d i o y terror
no es e x c l u s i v a de la R . D . C o n g o . Por desgracia se da en
m u c h o s otros contextos.

El riesgo de entrar en guerra es m a y o r si c o n c u r r e n


varias c i r c u n s t a n c i a s a la vez. Para D a v i d Singer, la p e o r
c o m b i n a c i ó n es la de un país s e m i d e m o c r á t i c o , m i l i -
tarizado y e c o n ó m i c a m e n t e s u b d e s a r r o l l a d o . Para D a n
96 LA PAZ ES POSIBLE

8
S m i t h , la injusticia, el b a j o nivel de desarrollo (o la vul-
nerabilidad e c o n ó m i c a ) y la c a p a c i d a d de m o v i l i z a c i ó n
son los factores clave.
La s e m i d e m o c r a c i a parece q u e es el factor q u e tiene
9
m á s posibilidades de p r o v o c a r u n a guerra c i v i l . Las se-
m i d e m o c r a c i a s no tienen ni capacidad para resolver
pacíficamente sus c o n f l i c t o s , ni c a p a c i d a d suficiente
para reprimir o prevenir insurgencias. La paradoja es
que los países q u e a c c e d e n o realizan c o n fragilidad un
tránsito hacia la d e m o c r a c i a , s o n los que tienen m á s ries-
gos de entrar en u n a guerra civil. Las transiciones s o n
m o m e n t o s s u m a m e n t e q u e b r a d i z o s , c o m o h e m o s visto
en la ex Yugoslavia y en la antigua U R S S , p a r t i c u l a r m e n -
te c u a n d o se realizan en espacios d o n d e se h a n desinte-
grado estados o federaciones. Las t e n s i o n e s relacionadas
c o n los desafíos de la c o n s t r u c c i ó n de estados y n a c i o n e s
son siempre m o m e n t o s de alto riesgo de conflicto.

El subdesarrollo es t a m b i é n un factor de riesgo. No


hay que olvidar que la p o b r e z a posibilita que un m a y o r
n ú m e r o de j ó v e n e s se sientan atraídos p o r los grupos re-
beldes, ya que no tienen nada que perder. No obstante, a
nivel estadístico no p u e d e afirmarse que exista un auto-
m a t i s m o entre la pobreza o desigualdad y la existencia
posterior de un conflicto a r m a d o . Por el contrario, puede
demostrarse que el conflicto de intereses surge m u c h a s

8. Smith, Dan, «Trends and causes of armed conflicts», Berg-


hof Handbookfor Conflict Transjormation, 1999, pp. 1 3 - 2 8 .
9. Henderson, Errol A.; David Singer, «Civil War in the post-
colonial World, 1 9 4 6 - 1 9 9 2 » , Journal of Peace Research, mayo
2000, pp. 275-299.
LA RESOLUCIÓN DE LOS CONFLICTOS ARMADOS 97

veces en zonas de prosperidad relativa, especialmente


c u a n d o el c r e c i m i e n t o es anárquico, acelerado y sin c o n -
trol suficiente del Estado (el Urabá c o l o m b i a n o ) , o c u a n -
do la p o b l a c i ó n está m u y dispersa y el g o b i e r n o no pue-
de controlarla (caso del C o n g o , p o r e j e m p l o ) . En otro
orden de cosas, los ajustes estructurales y los préstamos
de estabilización del F M I están p r o v o c a n d o t a m b i é n gran
inestabilidad en m u c h o s países, al no tener en c u e n t a los
aspectos sociales y distributivos de las sociedades r e c e p -
toras. En lugar de erradicar la pobreza h a n e n r i q u e c i d o
10
m á s a los ricos y han a u m e n t a d o la c o r r u p c i ó n .
Otra c o n s t a t a c i ó n es que un gasto militar e x c e s i v o
conlleva posibilidades de estallido violento, especial-
m e n t e en los estados frágiles, d e b i d o a q u e las élites s u -
fren el « d i l e m a de la inseguridad» (se sienten a m e n a z a -
dos por e l e m e n t o s i n t e r n o s , m á s q u e e x t e r n o s , y t e m e n
perder el p o d e r ) .
La polarización de los grupos culturales es t a m b i é n
un factor de riesgo. En c a m b i o , y contrariamente a lo que
se piensa m u c h a s veces, la diversidad étnica o religiosa
no es un factor de riesgo ni u n a causa importante de c o n -
flicto. Sí, en c a m b i o , la presencia de grupos etnopolíticos
(grupos é t n i c o s polarizados c o n pretensiones políticas
diferentes) en c o n t e x t o s en los que se ha perdido o dete-
riorado la convivencia, y c u a n d o dichos grupos tienen
capacidad de movilización, y c u e n t a n c o n una gran diás-
pora en el exterior capaz de financiar u n a guerra. En todo

1 0 . Rupesmghe, Kumar, Civil Wars, Civil Peace. An introduc-


íion to Conflict Resolution, Pluto Press, Londres, 1998.
•58 LA PAZ ES POSIBLE

c a s o , es después del estallido de la violencia c u a n d o las


partes suelen definirse a partir de sus identidades étnicas.
D e s g r a c i a d a m e n t e , la e t n i c i d a d es fácilmente m a n i p u -
lable y politizable, en especial en s o c i e d a d e s q u e están
en p r o c e s o de c a m b i o . En t i e m p o s de crisis cuesta p o c o
crear agravios, resentimientos y odios. Las diferencias
étnicas, p o r tanto, no s o n la causa, sino el i n s t r u m e n t o
(casos de Yugoslavia, Ruanda, Burundi, Sri Lanka, e t c . ) .
F i n a l m e n t e , h e m o s de m e n c i o n a r q u e el deterioro
a m b i e n t a l y la d e g r a d a c i ó n de los recursos renovables,
e s p e c i a l m e n t e la erosión del suelo, la deforestación y la
escasez de agua, c o n t r i b u y e n decisivamente al estallido
de conflictos violentos, a u n q u e c o m o factores añadidos
(casos de Haití, Filipinas y Nigeria, por e j e m p l o ) .

¿ Q U É EXPERIENCIAS TENEMOS PARA ABORDAR


LOS CONFLICTOS ARMADOS?

Lo primero que habría que destacar es que la fascinación


por la violencia que tenemos en general y desde los medios
de c o m u n i c a c i ó n en particular, resta visibilidad a la gran
cantidad de crisis que son resueltas sin violencia en el m u n -
do y que apenas son c o n o c i d a s , seguidas y analizadas."
D e los 1 1 0 conflictos a r m a d o s q u e s e p r o d u j e r o n e n
la d é c a d a 1 9 8 9 - 1 9 9 9 , 75 de ellos h a b í a n t e r m i n a d o al fi-
nalizar 1 9 9 9 . Es interesante recordar que el 28 % terminó

1 1 . Una excepción es la base de datos Kosimo sobre conflic-


tos políticos (www.kosimo.de).
LA RESOLUCIÓN DE LOS CONFLICTOS ARMADOS 99

mediante acuerdos de paz, un 29 % por victoria o derrota


de una de las partes, y un 43 % por otros motivos (alto el
12
fuego, reducción del nivel de violencia, etcétera). Estos
datos n o s indican que nos queda m u c h o todavía por
aprender sobre la fonna de tratar los conflictos armados.
La nueva naturaleza de los conflictos a r m a d o s actua-
les ha dificultado su tratamiento mediante los m é t o d o s
tradicionales. C o m o ha señalado Mary Kaldor, el h e c h o
de que se trate de conflictos c o n n u m e r o s a s ramificacio-
nes sociales y e c o n ó m i c a s hace que las a p r o x i m a c i o n e s de
arriba-abajo sean a m e n u d o un fracaso, especialmente
porque no consiguen ni persiguen restablecer un gobier-
no legítimo y un control de la violencia p o r parte de las
13
autoridades públicas. Para m u c h o s analistas, la aproxi-
m a c i ó n abajo-arriba para resolver conflictos y construir la
paz debería ser una de las principales características de
la estrategia de intervención. En este sentido, la política
actual de peacekeeping ( m a n t e n i m i e n t o de la p a z ) es c u l -
turalmente insensible, ya que centra sus esfuerzos sobre
todo en las negociaciones al m á s alto nivel diplomático y
bajo prescripciones de quick-jtx (soluciones rápidas) para
procesos e instituciones de corte occidental, sin c o n s i d e -
rar apenas los recursos y tradiciones culturales autócto-
nas. Habría, p o r tanto, que p o n e r más atención a los a c -
tores locales y a sus propios recursos y al refuerzo de las

1 2 . Wallensteen, Peter & Margareta Sollenberg, «Armed con-


flict, 1989-1999» Journal ofPeace Research, vol. 37. n.° 5, 2000,
pp. 635-649.
1 3 . Woodhouse, Tom & Oliver Ramsbothan, Peace Keeping
and Conflict Rcsolution, Frank Cass, London, 2000.
100 LA PAZ ES POSIBLE

capacidades de la sociedad civil, de la m i s m a manera que


parece relativamente cierto que habría que hacer m á s hin-
capié en los aspectos y d i m e n s i o n e s sociales y psicosocia-
les del tratamiento de cualquier situación conflictiva.
La realidad da la razón a gente c o m o B u r t o n y Gal-
tung, c u a n d o argumentan que los conflictos c o n raíces
profundas están causados por la n e g a c i ó n de las n e c e s i -
dades h u m a n a s básicas, especialmente la identidad, la se-
guridad y la justicia distributiva. Por tanto, no habrá una
b u e n a a p r o x i m a c i ó n a un conflicto si no se ha llegado a
c o n o c e r a fondo los intereses profundos, los valores y las
necesidades de los actores, m á s allá de sus actitudes y e x -
presiones públicas. De ahí la i m p o r t a n c i a de los n u e v o s
enfoques sobre «transformación de conflictos» (Galtung,
Lederach, Burton, Fisher, e t c . ) , ya que p e r m i t e n c o l o c a r
los t e m a s en un c o n t e x t o m á s amplio, redefiniendo los
intereses de las partes de forma que p u e d a n ser c o m p a t i -
bles, c o m p a r t i e n d o la soberanía o el a c c e s o a un recurso
en disputa, i n c r e m e n t a n d o el t a m a ñ o del pastel, ofre-
c i e n d o c o m p e n s a c i ó n p o r c o n c e s i o n e s en otras áreas, etc.
A u n q u e no p u e d o ofrecer estadísticas al respecto, es evi-
dente que la m a y o r parte de los conflictos no h a n sido
tratados de forma c o n v e n i e n t e para que las partes partici-
pen en la b ú s q u e d a de u n a solución. Es necesario, por
ello, desarrollar y practicar en m a y o r m e d i d a los enfo-
q u e s transformativos de resolución de conflictos violen-
tos, alejando a los actores del enfoque de la i n c o m p a t i b i -
lidad mediante estrategias de distracción de intereses.

P o r otro lado, el tipo de conflictos q u e v e m o s h a b i -


t u a l m e n t e sugiere la n e c e s i d a d de p o n e r m á s énfasis en
LA RESOLUCIÓN DE LOS CONFLICTOS ARMADOS 101

el análisis de las c o n t r a d i c c i o n e s i n h e r e n t e s a la e s t r u c -
tura s o c i a l , c o m o el p r o c e s o de organización de los a c t o -
res, su influencia sobre el resto de actores, sus p o s i c i o n e s
estructurales, su c a p a c i d a d de adquirir material militar y
14
su c a p a c i d a d de involucrar a otros s e c t o r e s .
P o d e m o s afirmar t a m b i é n que las «malas, aparentes,
apresuradas o falsas paces» llevan el germen del rebro-
te del conflicto armado. En la década de los noventa lo
h e m o s visto en Angola, Burundi, C a m b o y a , C h e c h e n i a ,
Croacia, República D e m o c r á t i c a del C o n g o , Eritrea y Etio-
pía, Filipinas, K o s o v o , Liberia, Ruanda, Sierra L e o n a o Sri
Lanka. En estos casos no ha h a b i d o una actitud sincera de
alguna de las partes, se ha producido una desilusión
de una o varias de ellas, se ha firmado un acuerdo de paz
en espera de obtener u n o s b u e n o s resultados electorales,
se ha p r o d u c i d o una fragmentación de u n o de los actores
o s i m p l e m e n t e no se h a n abordado las causas del conflic-
to. La inestabilidad de m u c h o s acuerdos de paz es u n o de
los principales temas para reconsiderar cara al futuro.
D e s p u é s de un alto el fuego, lo m á s frecuente es que la vio-
lencia no desaparezca de forma automática, aunque pue-
de manifestarse de formas diferentes. Conviene no olvidar
que los p r o c e s o s de paz se ven amenazados c o n frecuen-
cia por divisiones internas de los actores. Lo h e m o s visto
15
en O r i e n t e P r ó x i m o , en Irlanda y otros m u c h o s sitios.

1 4 . Wallensteen, Peter, «Un marco teórico para la resolución


de conflictos», ÍRÍPAZ. N.° 2, julio/diciembre 1990, p. 84.
1 5 . Darby, John, «Violence and Peace Processes», Report, The
Joan B. Kroc Institute for International Peace Studies, primavera de
2000, pp. 1 - 3 .
102 LA PAZ ES POSIBLE

¿ Y c ó m o n e g o c i a m o s los conflictos? Richard J a c k -


16
son h a analizado casi trescientos conflictos i n t e r n a c i o -
nales entre 1 9 4 5 y 1 9 9 5 , e n los que e n 1 7 1 casos (el 5 8 % )
se h a n p r o d u c i d o e x p e r i e n c i a s de n e g o c i a c i ó n . E s o q u i e -
re d e c i r q u e en el 42 % de los conflictos no se p r o d u c e n
n u n c a n e g o c i a c i o n e s directas, ya sea p o r q u e los actores
prefieren un arbitraje o u n a m e d i a c i ó n de terceros, o
p o r q u e u n a de las partes ha ganado p o r su fuerza aplas-
tante (Estados U n i d o s en Granada, p o r e j e m p l o ) . Es sig-
nificativo, t a m b i é n , q u e de t o d o s los i n t e n t o s de n e -
g o c i a c i ó n , en algo m á s de la m i t a d de los c a s o s se ha
fracasado. J a c k s o n confirma de n u e v o lo ya señalado an-
t e r i o r m e n t e de que las n e g o c i a c i o n e s relativas a c o n f l i c -
tos p o r m o t i v o s é t n i c o s o p o r el a c c e s o o c o n t r o l de re-
c u r s o s s o n las q u e m á s fácilmente tienen é x i t o , m i e n t r a s
que los conflictos p o r c u e s t i o n e s de seguridad (fronte-
ras, p o r e j e m p l o ) , son m á s difíciles de negociar. La n e -
g o c i a c i ó n de conflictos tiene m á s posibilidades de é x i t o
c u a n d o la intensidad de la disputa no es m u y alta, c u a n -
d o n o hay m u c h o s actores, c u a n d o las partes c o m p a r t e n
sistemas s o c i o p o l í t i c o s o están en los m i s m o s b l o q u e s de
seguridad, si h a n tenido u n a historia de amistad previa,
si h a n e x p e r i m e n t a d o ya los c o s t e s del c o n f l i c t o , si deci-
den p o r ellas m i s m a s ir a la n e g o c i a c i ó n y c u a n d o son los
líderes q u i e n e s se e n c u e n t r a n .

El fin de la Guerra Fría no ha s u p u e s t o grandes va-


riaciones en la efectividad de las m e d i a c i o n e s de terce-

1 6 . Jackson, Richard, «Succesful Negotiation in Internatio-


nal Violent Conflict», Journal ojPeace Research, n.° 3, mayo 2000,
pp. 3 2 3 - 3 4 3 .
LA RESOLUCIÓN DE LOS CONFLICTOS ARMADOS 103

ros. Estadísticamente, puede afirmarse que tanto durante


la Guerra Fría c o m o en años posteriores, la mediación re-
sultó ser más efectiva c u a n d o el acuerdo fue gestionado o
gestado por poderes regionales cercanos a los actores en
conflicto, quizá por la cercanía cultural, lingüística o iden-
17
titaria. En todo caso, el estudio de los conflictos nos
muestra que las soluciones han de basarse en consensos lo-
cales y regionales, no en imposiciones externas, de la mis-
ma forma que no se puede hacer una buena negociación
p e n s a n d o sólo en el pasado, sino p e n s a n d o en el futuro.
E l postconflicto a r m a d o , c o m o h e m e n c i o n a d o ante-
r i o r m e n t e , es u n a etapa s u m a m e n t e delicada. Se n e c e s i -
ta de un n u e v o m o d e l o de ayuda para las fases de tran-
s i c i ó n en un p r o c e s o de paz, b a s a d o en tres g r a n d e s
objetivos (fortalecer las instituciones políticas, fortalecer
la seguridad interna y e x t e r n a , y p r o m o v e r la revitaliza-
c i ó n e c o n ó m i c a y social). Esta fase lleva su t i e m p o , y
18
acortarlo implica correr serios reveses. La transforma-
c i ó n de conflictos, insisto en ello, requiere plazos dilata-
dos, no prisas y r e m e d i o s a c o r t o plazo. La visión a largo
plazo es lo que permite la desmilitarización de la políti-
ca, la transformación de la cultura de la violencia g e n e -
rada a lo largo del conflicto, instaurar una práctica de

1 7 . Frederking, Brian, Andrea Pyatt and Shaun Randol,


«Who You Gonna Cali? Third Parties, Conflict Resolution, and
the End of the Cold War», The Online Journal of Peace and Conflict
Resolution, junio 2000, p. 9
1 8 . Ball, Nicole y Havely, Tammy, Making Peace Work. The
Role of the International Development Community, Overseas Deve-
lopment Council, 1996, Policy Essay n.° 1 8 .
104 LA PAZ ES POSIBLE

b u e n a g o b e r n a b i l i d a d , el desarrollo de la s o c i e d a d civil,
la i m p l a n t a c i ó n de un desarrollo local sostenible y la ins-
tauración de u n a j u s t i c i a distributiva. El trabajo a largo
plazo y la participación de toda la s o c i e d a d es lo q u e
t a m b i é n permitirá abordar la r e c o n c i l i a c i ó n y, siguiendo
a L e d e r a c h , la c r e a c i ó n de un espacio social d o n d e se
facilite el e n c u e n t r o y el r e c o n o c i m i e n t o del pasado, vi-
sionar el futuro y avanzar h a c i a un r e p l a n t e a m i e n t o del
presente. L a última década, a d e m á s , h a sido r i c a e n e x -
periencias de d i p l o m a c i a paralela, que c o n v e n d r í a p o -
tenciar en el futuro, e s p e c i a l m e n t e p o r q u e esta m o d a l i -
dad persigue un c a m b i o transformativo de los actores y
de las sociedades i m p l i c a d a s en un c o n f l i c t o , c o n v i r t i e n -
do a las partes en agentes de c a m b i o social y personal.

Desde la crisis de Somalia de 1 9 9 3 hasta hoy, h e m o s


aprendido también que el tratamiento de las llamadas
«crisis humanitarias» no debe centrarse exclusiva o fun-
damentalmente en la « a c c i ó n humanitaria» de las O N G ,
dejando de lado la actuación política de los gobiernos y de
las organizaciones internacionales, que son las únicas c o n
verdadera capacidad para influir en la dinámica de los
conflictos violentos y de ir a las raíces de los m i s m o s . La
«humanitarización» de los conflictos enmascara la verda-
dera d i m e n s i ó n de los m i s m o s y obvia algo fundamental:
el señalamiento y la b ú s q u e d a de los responsables de m a -
tanzas. El abuso de la c o m p a s i ó n y la conversión del su-
frimiento en espectáculo mediático son algunas de las lec-
c i o n e s de finales de siglo que habrá que evitar en el futuro.
T a m p o c o hay que pasar p o r alto, especialmente en los
conflictos de larga duración, que la ayuda humanitaria es
LA RESOLUCIÓN DE LOS CONFLICTOS ARMADOS 105

un recurso vital tanto para las poblaciones en peligro


c o m o para los beligerantes, p o r lo que en numerosas oca-
siones esta ayuda perpetúa el conflicto y forma parte del
ciclo de la violencia (Sudán, M o z a m b i q u e , Angola, Libe-
rta, Grandes Lagos de África, e t c . ) .
Detrás de las crisis humanitarias de origen h u m a n o
hay factores concretos, todos ellos generadores de e x c l u -
sión, desplazamientos masivos y violencia: ajustes estruc-
turales, corrupción, rupturas de equilibrio en períodos de
transición política o e c o n ó m i c a , ingobernabilidad del E s -
tado, luchas por el poder político o p o r el control de terri-
torios, discriminaciones de minorías, demandas no satis-
fechas de a u t o n o m í a o secesión, violaciones sistemáticas
de los derechos h u m a n o s , presión e c o l ó g i c a . . . Estos fac-
tores, o su interacción, son, en suma, los que provocan los
conflictos armados, y es sobre ellos sobre los que habrá
que incidir. Ante las llamadas crisis humanitarias, en defi-
nitiva, tanto las organizaciones humanitarias c o m o el c o n -
j u n t o de la sociedad y los gobiernos, no pueden dedicarse
exclusivamente a atender a las víctimas, en la medida que
ello significa m u c h a s veces ser c ó m p l i c e s en el manteni-
miento de la situación. Hay que hacer algo más, c o m o en-
tender el origen y la raíz de las crisis, dando visibilidad a
sus causas, analizando nuestras complicidades y viendo
las posibilidades de intervenir, presionar o incidir, convir-
tiendo cualquier tipo de intervención durante o después
del conflicto (período de r e c o n s t r u c c i ó n ) en estrategias
capaces de apuntalar la paz, a partir de la superación de
las circunstancias que provocaron la guerra.

C u a n d o o b s e r v a m o s las causas y d i n á m i c a s de m u -
loe LA PAZ ES POSIBLE

c h o s conflictos, v e m o s t a m b i é n q u e e s a b s o l u t a m e n t e
urgente desarrollar una e d u c a c i ó n para la paz que n o s
prepare para construir nuestras i d e n t i d a d e s sin tener
que destruir las de los d e m á s , evitando el surgimiento de
situaciones límites q u e p r o d u c e n « s í n d r o m e s de super-
vivencia» y de autodefensa a c u a l q u i e r p r e c i o , la pérdida
de la empatia y del sentido de h u m a n i d a d . C o m o ha di-
19
cho Edward Said, la ú n i c a ética c o m p a t i b l e c o n la paz
es la que se deriva de la «realidad de los o t r o s » y la que
trata de afirmar la j u s t i c i a «para t o d o s , y no de forma se-
lectiva para la gente que tu a m b i e n t e , tu cultura, tu n a -
c i ó n define c o m o a d e c u a d a » .
Hay que tomarse m u c h o m á s en serio la p r e v e n c i ó n
de conflictos violentos, entre otras c o s a s p o r q u e resulta
m u c h o m á s barata. El coste q u e la guerra de B o s n i a ha
supuesto para la c o m u n i d a d i n t e r n a c i o n a l ha sido de
5 3 . 6 8 0 m i l l o n e s d e dólares entre 1 9 9 2 y 1 9 9 8 , d e los
que 1 9 . 0 0 0 m i l l o n e s c o r r e s p o n d e n a l coste militar.
Las élites de los estados c o n riesgos de entrar en un
conflicto a r m a d o h a n d e c o m p r o m e t e r s e c o n políticas
de plena d e m o c r a t i z a c i ó n , r e d u c c i ó n de gastos militares
y desarrollo e c o n ó m i c o . H a n de p r o c u r a r q u e el desarro-
llo llegue a todos los g r u p o s culturales para prevenir
c u a l q u i e r d i s c r i m i n a c i ó n , que la d e m o c r a t i z a c i ó n tenga
un a p o y o internacional y que vaya m á s allá de vigilar
u n a s e l e c c i o n e s quizá precipitadas. Antes del desarrollo

1 9 . Said, Edward, Representations ojthe Intellectual, Pantheon


Books, Nueva York, 1994. [Trad. cast., Representaciones del inte-
lectual, Paidós, Barcelona, 1996.1
LA RESOLUCIÓN DE LOS CONFLICTOS ARMADOS 107

e c o n ó m i c o h a y que restaurar la legitimidad de las insti-


t u c i o n e s p ú b l i c a s , apuntalar la c o n s t r u c c i ó n del E s t a d o
y de la n a c i ó n , y devolver el c o n t r o l de la violencia a las
autoridades legítimas.
R e s u m i e n d o , el análisis de las causas de los conflictos
armados n o s muestra la i m p o r t a n c i a de tener estrategias
de paz susceptibles de ir a las raíces y de abordar los c o n -
flictos desde otra óptica, lo que entre otras cosas implica
p r o m o v e r u n a b u e n a gobernabilidad, diversificar la pro-
d u c c i ó n , reducir la d e p e n d e n c i a de la e x p o r t a c i ó n de
u n o s p o c o s productos, reducir las asimetrías y capacitar
a las p o b l a c i o n e s para ser agentes de su desarrollo, refor-
zar los d e r e c h o s de las m i n o r í a s e implicar a las diásporas
en los p r o c e s o s de paz y en la r e c o n s t r u c c i ó n del país. Sa-
b e m o s de sobra que la c o n s t r u c c i ó n de c o n d i c i o n e s para
la paz es sobre todo u n a tarea a realizar p o r los agentes l o -
cales. La no e x c l u s i ó n de los actores es, p o r tanto, funda-
mental. En este sentido, y p o r difícil que resulte, hay que
convertir a los grupos rebeldes en agentes e c o n ó m i c o s ra-
cionales, e implicarlos mediante incentivos. En definiti-
va, y c o m o corolario final, hay que h a c e r que la guerra no
sea beneficiosa para nadie, lo que implica impedir que los
actores a c c e d a n a los recursos que permiten dar conti-
nuidad a la guerra, ya sean diamantes, petróleo o armas.
Nosotros, c o m o c o n s u m i d o r e s o productores de algunos
de estos productos, t e n e m o s t a m b i é n la oportunidad de
contribuir a que en las primeras décadas del siglo X X I aca-
b e m o s de u n a vez c o n las guerras, que no es m á s q u e el
sistema m á s estúpido y cruel para tratar un conflicto.
EL RETO MIGRATORIO Y EL DESARROLLO
DE LAS IDENTIDADES

Muchas sociedades europeas, y en particular la española,


inician el milenio c o n el desafío de saber dar un trata-
miento positivo al f e n ó m e n o migratorio, una realidad hu-
mana sumamente c o m p l e j a que suscita pasiones y polé-
micas, y que representa sin lugar a dudas u n o de los
principales ejes del trabajo p o r la paz en el n u e v o siglo.
A pesar de que m u c h a s personas tienen la p e r c e p c i ó n
de que la presencia de una cantidad importante de i n m i -
grantes en nuestra sociedad es algo n u e v o , lo c i e r t o es
que los movimientos migratorios no son un f e n ó m e n o de
ahora, sino algo q u e ha a c o m p a ñ a d o a la h u m a n i d a d a lo
largo de toda su historia. El olvido de esta historia es pro-
b a b l e m e n t e la causa m á s importante del p é s i m o e n f o q u e
y el mal tratamiento q u e se está d a n d o a este h e c h o , que
en el m o m e n t o actual implica directamente al 2 , 5 % de la
p o b l a c i ó n mundial, pues se calcula que en estos m o m e n -
tos hay en el m u n d o u n o s 1 5 0 millones de m i g r a n t e s en
todo el mundo.
A u n q u e la m a y o r í a de estas p e r s o n a s h a n m a r c h a d o
de su país de forma voluntaria, a t e n d i e n d o a u n a i m p e -
110 LA PAZ ES POSIBLE

riosa n e c e s i d a d , ya sea para b u s c a r trabajo, para estudiar


o para reunirse c o n sus familias q u e h a b í a n e m i g r a d o
a n t e r i o r m e n t e , h a y t a m b i é n u n porcentaje i m p o r t a n t e
de m i g r a n t e s q u e lo s o n de m a n e r a forzada, b i e n p o r q u e
h a n tenido que refugiarse o h a n p e d i d o asilo en otro
país, o p o r q u e h a n t e n i d o q u e desplazarse para h u i r de
guerras o catástrofes naturales. En t o d o c a s o , las migra-
c i o n e s van e n a u m e n t o , quizá p o r q u e h a y m a y o r e s faci-
lidades de t r a n s p o r t e y p o r q u e las c o m u n i c a c i o n e s
p e r m i t e n el m a n t e n i m i e n t o de m á s c o n t a c t o s entre fami-
lias, c o n lo que ello s u p o n e de i n c e n t i v o para seguir sus
pasos. En la última década, un factor adicional que e x -
plicaría esta progresión es la e x i s t e n c i a de crisis v i n c u l a -
das a c o n ñ i c t o s a r m a d o s , q u e i n i c i a l m e n t e generan gran
cantidad de p e r s o n a s refugiadas, y que u n a vez t e r m i n a -
da la fase b é l i c a de d i c h o s conflictos, m u c h a s de ellas
d e c i d e n no volver a su lugar de origen y prefieren q u e -
darse en el país de acogida, pero ya c o m o i n m i g r a n t e s .
L o q u e h a o c u r r i d o e n los B a l c a n e s e s u n a b u e n a m u e s -
tra de ello.

Para calibrar el alcance del f e n ó m e n o migratorio,


baste señalar que en m u c h a s zonas del planeta forman la
m a n o de obra esencial para el funcionamiento de su
e c o n o m í a . Veamos algunos e j e m p l o s : la m i t a d de la
m a n o de o b r a de Oriente P r ó x i m o p r o c e d e de c o n t i n g e n -
tes h u m a n o s que v i e n e n de varios países asiáticos (India,
Bangladesh, Pakistán o Sri L a n k a ) . En África, países
c o m o Costa de Marfil tienen ya c e r c a del 30 % de su p o -
b l a c i ó n viviendo en el extranjero. En L e s o t h o , c e r c a de la
mitad de la m a n o de obra m a s c u l i n a no trabaja en su
EL RETO MIGRATORIO Y EL DESARROLLO DE... 111

país, sino en las m i n a s sudafricanas. A u n q u e no se llegue


a estos e x t r e m o s , m u c h a s personas consideran que la
emigración es la única posibilidad de o b t e n e r ingresos.
Las remesas de divisas que los emigrantes envían cada
a ñ o a sus países de origen se calcula ascienden a m á s de
8 0 . 0 0 0 millones de dólares, de m a n e r a que en países
c o m o Senegal, Malí o L e s o t h o , estas transferencias repre-
sentan entre el 30 y el 80 % de los ingresos familiares.
C u a n d o h a b l a m o s d e m i g r a c i o n e s , p o r tanto, tene-
m o s q u e referirnos a un f e n ó m e n o m u l t i d i m e n s i o n a l , ya
que tiene e x p r e s i o n e s en lo s o c i o l ó g i c o ( c a m b i o s en la
estructura familiar), lo p s i c o l ó g i c o ( p r o y e c t o s individua-
les llenos de o b s t á c u l o s ) , lo político (legislaciones, polí-
ticas de i n t e g r a c i ó n ) , lo e c o n ó m i c o ( r e m e s a s ) , etcétera.
La historia de las m i g r a c i o n e s se r e m o n t a a 1 5 0 . 0 0 0
a ñ o s atrás, c u a n d o los p r i m e r o s n ú c l e o s de p o b l a c i ó n
africana e m p e z a r o n a trasladarse h a c i a otros lugares del
c o n t i n e n t e . H a c e u n o s 1 0 0 . 0 0 0 años s e iniciaron los pri-
m e r o s desplazamientos del c o n t i n e n t e africano al asiáti-
c o , y h a c e 4 0 . 0 0 0 que de Oriente P r ó x i m o y Asia Central
se trasladaron a Europa. Los e u r o p e o s p r o c e d e m o s de
tres grandes oleadas migratorias asiáticas, la última de las
cuales es de h a c e sólo 9 . 0 0 0 a ñ o s y provenía de Oriente
P r ó x i m o . Para decirlo de una forma simple y p r o v o c a d o -
ra, en el inicio todos los seres h u m a n o s fuimos negros y
africanos, y todos los europeos t e n e m o s , además, algo de
palestinos y afganos.
Si es i m p o r t a n t e recordar nuestros m á s r e m o t o s orí-
genes, lo es t a m b i é n m e n c i o n a r que en los ú l t i m o s dos
siglos y m e d i o , q u i e n e s h e m o s protagonizado las migra-
112 LA PAZ ES POSIBLE

c i o n e s h e m o s sido p r e c i s a m e n t e los e u r o p e o s , y c o n
gran diferencia s o b r e los c o l e c t i v o s m i g r a n t e s de otros
c o n t i n e n t e s . La E u r o p a de la riqueza, la a b u n d a n c i a y las
fronteras cerradas h a olvidado m u y p r o n t o q u e e n los si-
glos xix y XX q u i e n e s m á s se h a n m o v i d o h a n s i d o j u s t a -
m e n t e los e u r o p e o s . M i l l o n e s de c o n c i u d a d a n o s se tras-
ladaron a A m é r i c a , a otros países de E u r o p a o África en
b u s c a de m a y o r bienestar y de o p o r t u n i d a d e s de desa-
rrollo personal, j u s t o lo que a h o r a n e c e s i t a n otras p e r s o -
nas del resto de c o n t i n e n t e s . I n c l u s o en los ú l t i m o s c i n -
c u e n t a a ñ o s , el c r e c i m i e n t o d e m o g r á f i c o de la i n m e n s a
m a y o r í a de los países e u r o p e o s es el resultado, no del
c r e c i m i e n t o natural de su p o b l a c i ó n a u t ó c t o n a , s i n o
del aporte de las m i g r a c i o n e s . A u n así, tanto la U n i ó n
E u r o p e a c o m o N a c i o n e s U n i d a s c o i n c i d e n e n estimar
q u e n e c e s i t a r e m o s bastantes m i l l o n e s d e n u e v o s i n m i -
grantes para garantizar una p r u d e n t e relación entre tra-
bajadores activos y j u b i l a d o s . En otras palabras: para
m a n t e n e r nuestro nivel de vida actual, los ingresos pre-
supuestarios n e c e s a r i o s y la p o b l a c i ó n activa c o n v e n i e n -
te, e n los p r ó x i m o s d e c e n i o s n e c e s i t a r e m o s m a n o d e
o b r a extranjera.

E s p a ñ a n o debería olvidar t a m p o c o l o que h a sido


u n a c o n s t a n t e en su historia del ú l t i m o siglo. D e s d e fi-
nales del siglo xix, u n o s siete m i l l o n e s de p e r s o n a s h a n
m a r c h a d o d e E s p a ñ a para b u s c a r m e j o r e s o p o r t u n i d a -
des. Entre 1 8 9 0 y 1 9 4 0 , m á s de tres m i l l o n e s de e s p a ñ o -
les fueron al c o n t i n e n t e a m e r i c a n o , y m á s de un m i l l ó n y
m e d i o de c i u d a d a n o s fueron a trabajar a diferentes paí-
ses e u r o p e o s (Alemania, F r a n c i a y Suiza, p r i n c i p a l m e n -
EL RETO MIGRATORIO Y EL DESARROLLO DE. 113

te) e n l a s e g u n d a m i t a d del siglo X X . S ó l o e n dos décadas


n o m u y lejanas, d e 1 9 6 0 a 1 9 8 0 , e m i g r ó a l e x t e r i o r e l
6 , 6 % de la p o b l a c i ó n gallega, el 3 , 2 % de la e x t r e m e ñ a y
el 2 , 7 % de la andaluza, sin c o n t a r los m i l l o n e s de per-
sonas que protagonizaron m i g r a c i o n e s interiores. H e -
m o s olvidado t a m b i é n que e n 1 9 5 4 h a b í a 8 9 . 0 0 0 espa-
ñ o l e s trabajando en el n o r t e de M a r r u e c o s , y q u e en
1 9 1 1 había 1 3 5 . 0 0 0 p e r s o n a s p r o c e d e n t e s d e M u r c i a ,
Almería y Alicante trabajando en la región de O r a n (Ar-
gelia). I n c l u s o hoy, un m i l l ó n y m e d i o de e s p a ñ o l e s vi-
ven e n e l e x t r a n j e r o (el 4 % d e nuestra p o b l a c i ó n ) , casi l a
m i t a d e n A m é r i c a Latina. S o m o s , p u e s , u n p u e b l o d e
tradición e m i g r a n t e , y c o m o tal, d e b e r í a m o s recordarlo
para e n t e n d e r así m u c h o m e j o r lo q u e significa q u e en
estos m o m e n t o s sean personas procedentes de otros c o n -
t i n e n t e s los q u e protagonizan los m o v i m i e n t o s m i g r a t o -
rios h a c i a E u r o p a y h a c i a n u e s t r o p r o p i o país.

E u r o p a es ya un e s p a c i o multicultural, es decir, u n a
s o c i e d a d e n l a que están presentes c o m u n i d a d e s m u y di-
versas q u e h a n llegado de t o d o s los rincones del planeta:
m á s de dos m i l l o n e s de turcos viven en A l e m a n i a , país
que acoge también a más de 7 0 0 . 0 0 0 personas proce-
d e n t e s de la ex Yugoslavia o 3 0 0 . 0 0 0 de P o l o n i a . En
F r a n c i a viven 6 5 0 . 0 0 0 portugueses y m i l l ó n y m e d i o de
m a g r e b í e s , y en el R e i n o U n i d o hay 1 5 0 . 0 0 0 h i n d ú e s .
E s p a ñ a no es ni será u n a e x c e p c i ó n , y los datos a p u n t a n
a q u e la llegada de extranjeros c o n t i n u a r á en a u m e n t o
durante u n o s c u a n t o s años. T o d o s los países r e c i b e n a
millares de p e r s o n a s p r o c e d e n t e s de otros c o n t e x t o s c u l -
turales, sociales, e c o n ó m i c o s y religiosos, c o n lo q u e ello
114 LA PAZ ES POSIBLE

s u p o n e de reto y de o p o r t u n i d a d . Mitificar el mestizaje y


simplificarlo al e x t r e m o no n o s ayudará en a b s o l u t o
a enfocar el tema, p o r q u e e s c o n d e r e m o s la naturaleza
conflictiva del f e n ó m e n o y la i n c e r t i d u m b r e que causa a
tantas p e r s o n a s el tener q u e convivir c o n gente q u e tiene
pautas culturales m u y diferentes. Pero, c o m o h e m o s
repetido tantas veces, r e c o n o c e r la inevitable conflictivi-
dad del f e n ó m e n o no i m p l i c a n e c e s a r i a m e n t e destructi-
vidad, negatividad o violencia, s i n o s i m p l e m e n t e la i m -
periosa n e c e s i d a d de llevar a c a b o u n a serie de políticas
y de prácticas sociales q u e p e r m i t a n pasar de la multi-
culturalidad a la interculturalidad. La multiculturalidad
n o e s m á s que l a c o n s t a t a c i ó n d e u n h e c h o , u n a especie
de foto fija de la diversidad de culturas p r e s e n t e s en u n a
s o c i e d a d y en un m o m e n t o d e t e r m i n a d o . No sirve de
m u c h o discutir si es b u e n a o mala; s i m p l e m e n t e es u n a
realidad, y c o m o tal, repleta de incógnitas, retos y o p o r -
tunidades. La interculturalidad, en c a m b i o , es un pro-
y e c t o , u n a potencialidad, y s u p o n e la práctica del diálo-
go, la c o m u n i c a c i ó n y la i n t e r a c c i ó n entre estas culturas,
a b r i é n d o s e l i b r e m e n t e al c o n t a g i o , a la m e z c l a y al inter-
c a m b i o . Es la multiculturalidad m o v i é n d o s e de forma
creativa en espacios d o n d e los interlocutores se r e c o n o -
c e n . D e esa c o m u n i c a c i ó n p u e d e n salir m u c h a s cosas
t r e m e n d a m e n t e positivas y e n r i q u e c e d o r a s si se h a c e
c o n la p r u d e n c i a , el t i e m p o y la inteligencia q u e requie-
re u n a c u e s t i ó n de tanta envergadura, pues i m p l i c a n a d a
m e n o s que a los s e n t i m i e n t o s , las identidades, las tradi-
c i o n e s y las c r e e n c i a s de las p e r s o n a s , a s p e c t o s todos
ellos d i n á m i c o s , pero q u e sólo serán m o v i b l e s , m o l d e a -
EL RETO MIGRATORIO Y EL DESARROLLO DE... 115

b l e s y transformables si se parte de un respeto inicial, se


c o n s e n s ú a n l o s m í n i m o s b á s i c o s q u e h a y q u e respetar y
se garantiza la libertad de c a d a cual para avanzar a su rit-
m o e n este p r o y e c t o d e interculturalidad.
En E s p a ñ a , y en m u y p o c o s a ñ o s , la p o b l a c i ó n
extranjera se ha m u l t i p l i c a d o , s u p e r a n d o el m i l l ó n de
p e r s o n a s e n e l c a m b i o d e m i l e n i o . M u c h o s d e estos e x -
tranjeros s o n de países c o m u n i t a r i o s y no d e b e n ser c a -
talogados c o m o inmigrantes. Se trata de p e r s o n a s ricas
q u e d e c i d e n j u b i l a r s e o establecerse en las provincias de
Málaga, Alicante, Baleares o Canarias, b u s c a n d o sol y mar.
E n e l a ñ o 2 0 0 2 , los extranjeros n o c o m u n i t a r i o s s e acer-
can ya a la cifra de 8 0 0 . 0 0 0 personas, lo que constituye
m e n o s del 2 % de la p o b l a c i ó n e s p a ñ o l a . En E u r o p a , son
m u c h o s los países c u y a extranjería s u p o n e el 5, el 6 o el
8 % de su p o b l a c i ó n total. N o s m o v e m o s , p u e s , en u n o s
m á r g e n e s m á s o m e n o s c ó m o d o s para asimilar cultural-
m e n t e el f e n ó m e n o de las m i g r a c i o n e s . Nuestras c i u d a -
des reflejan h o y m á s que n u n c a esta diversidad de c o l o -
res, p r o c e d e n c i a s , c r e d o s y proyectos. M u c h a s c i u d a d e s
grandes o de m e d i a n o t a m a ñ o , en particular las que ro-
d e a n M a d r i d y B a r c e l o n a , tienen u n a p o b l a c i ó n extran-
j e r a q u e supera el 8 % de la p o b l a c i ó n total, y en las
grandes capitales h a y barrios d o n d e la i n m i g r a c i ó n su-
p o n e ya el 20 o 30 % de la p o b l a c i ó n , algo q u e en E u r o -
pa es usual desde h a c e t i e m p o , pero q u e aquí constituye
una novedad.

Esta súbita presencia de extranjeros a n u e s t r o alrede-


d o r p u e d e crear malestar, t e m o r o d e s c o n c i e r t o en m u -
c h a s p e r s o n a s , ya sea p o r prejuicios, e s t e r e o t i p o s negati-
116 LA PAZ ES POSIBLE

vos o p o r no c o n o c e r los c ó d i g o s de c o m p o r t a m i e n t o de
a l g u n o s d e estos i n m i g r a n t e s . C o m o h e m e n c i o n a d o an-
tes, sería absurdo pensar q u e no se p r o d u c i r á n c h o q u e s
y conflictos entre gente de aquí y gente de fuera que se
establece a nuestro lado. Si he titulado este capítulo c o n
la palabra «reto» es j u s t a m e n t e p o r q u e el f e n ó m e n o m i -
gratorio n o s obliga a realizar un esfuerzo de c o m u n i c a -
c i ó n y de c o m p r e n s i ó n para lograr convertirlo en una
o p o r t u n i d a d de e n r i q u e c i m i e n t o m u t u o . La intercultu-
ralidad deseada no viene sola, s i n o del difícil e j e r c i c i o de
usar las categorías del otro para ver la realidad. Los flu-
j o s migratorios, e n t o n c e s , n o s invitan a c a m b i a r de ga-
fas, a e s t a b l e c e r u n a nueva mirada en lo social, en c ó m o
n o s r e l a c i o n a m o s unas p e r s o n a s c o n las otras, y n o s in-
terpela respecto a las o p o r t u n i d a d e s que n o s ofrecemos
para desarrollarnos p l e n a m e n t e c o m o personas. S e r e -
m o s diferentes e n u n m o n t ó n d e c o s a s , e v i d e n t e m e n t e ,
pero h e m o s d e tratarnos c o m o iguales e n c u a n t o p e r s o -
nas q u e s o m o s , sin e x c l u s i o n e s que atenten a la digni-
dad. Al fin y al c a b o , no d e b e r í a m o s olvidar algo m u y
s i m p l e pero p o c o r e c o n o c i d o : la mayoría de la gente no
ha sentido n u n c a p r e o c u p a c i ó n ni ha manifestado re-
c h a z o alguno hacia p e r s o n a s de otro c o l o r de piel, de
v e s t i m e n t a diferente o q u e profesa otro c r e d o religioso,
c u a n d o esta p e r s o n a es rica o famosa. En el fondo del ra-
c i s m o y la x e n o f o b i a h a y u n a actitud de clase q u e se tra-
d u c e e n u n r e c h a z o a l m á s p o b r e . E s o explica q u e n o n o s
p r e o c u p e el j a p o n é s , el rico j e q u e árabe o el j u g a d o r de
b a l o n c e s t o negro q u e p u e d a vivir c e r c a de nuestra casa.
Lo que n o s inquieta es la p o b r e z a del i n m i g r a n t e de a
EL RETO MIGRATORIO Y EL DESARROLLO DE... 117

pie, p o r q u e h e m o s sido e d u c a d o s en el m i e d o y la i n c o -
m u n i c a c i ó n , que s o n las fuentes del rechazo. En los ini-
c i o s del n u e v o siglo, en definitiva, no p o d e m o s estar h a -
b l a n d o de p r o y e c t o s de paz si olvidamos esta d i m e n s i ó n
q u e n o s ofrecen las m i g r a c i o n e s .
La palabra cultura proviene de cultivar, y en esencia
significa nuestra capacidad de cultivar las relaciones h u -
m a n a s , c o n lo que ello i m p l i c a de c o m u n i c a c i ó n , trans-
f o r m a c i ó n y libertades. Las culturas no son piedras, m o -
n u m e n t o s i n a m o v i b l e s , s i n o agrupaciones de personas
que h a n c o n s e n s u a d o ciertas m a n e r a s de vivir y de desa-
rrollarse, c o m p a r t i e n d o m á s o m e n o s d e t e r m i n a d o s va-
lores, d e r e c h o s y responsabilidades. En un m u n d o cada
vez m á s diverso y multicultural, es evidente que las di-
n á m i c a s q u e se p r o d u c e n son diferentes a las del pasado,
c u a n d o las c o m u n i d a d e s eran m á s h o m o g é n e a s , pero n o
p o r ello ha de producirse un resultado m e n o s interesan-
te. En b u e n a parte, la e x p e r i e n c i a acabará siendo m á s
beneficiosa en función de la m a n e r a que el c o n j u n t o de
la s o c i e d a d e n c a r e la f o r m a c i ó n de las identidades indi-
viduales y el desarrollo de la ciudadanía o de la civilidad.

A m i n M a a l o u f h a divulgado e x c e l e n t e m e n t e e l c o n -
c e p t o d e i d e n t i d a d - m o s a i c o , m o s t r a n d o c ó m o cada vez
m á s desarrollamos identidades h e c h a s c o n múltiples per-
tenencias, diferentes confluencias, c o n t r i b u c i o n e s y m e s -
tizajes. La identidad n o s la h a c e m o s n o s o t r o s m i s m o s ,
individualmente; a m e d i d a que n o s v a m o s h a c i e n d o
adultos, v a m o s t o m a n d o d e c i s i o n e s y h a c e m o s e l e c -
c i o n e s sobre aquellas cosas c o n las que s e n t i m o s m a y o r
identificación. Hay p e r s o n a s que p o r e n c i m a de t o d o se
118 LA PAZ ES POSIBLE

identifican c o n su s e x o , otras c o n su e q u i p o de fútbol,


su país, su lengua, su clase social, su m ú s i c a , su oficio o su
partido político, sin que existan dos que sean e x a c t a -
m e n t e iguales. C a m b i a r el orden de prioridades identifi-
cadoras a lo largo de la vida tiene q u e ver c o n el e n t o r n o
en el cual vivimos, c o n las o p o r t u n i d a d e s que t e n e m o s
d e e x p e r i m e n t a r nuevas vivencias, c o n nuestro p r o p i o
nivel de i n q u i e t u d y curiosidad, y c o n la capacidad de
e s c o g e r l i b r e m e n t e las partes q u e formarán el m o s a i c o
identitario, p o r q u e nadie ha de n a c e r c o n d e n a d o a ser
u n a c o p i a exacta de lo q u e fueron sus padres o a b u e l o s o
de b a s a r su identidad sólo en el a s p e c t o territorial ( n u e s -
tro lugar de n a c i m i e n t o ) , s i n o q u e h e m o s de t e n e r la p o -
sibilidad de c o n o c e r y respetar e s o s legados y tradiciones
para adaptarlos a nuestra propia y ú n i c a c i r c u n s t a n c i a , a
n u e s t r o exclusivo p r o y e c t o vital, sin q u e ello obligue
a olvidar para nada nuestra c o n d i c i ó n de p e r s o n a s que
viven en c o m u n i d a d , y que p o r tanto t e n e m o s t a m b i é n
o b l i g a c i o n e s para c o n los d e m á s , de la m i s m a m a n e r a
q u e l o s d e m á s h a n de respetar y r e c o n o c e r n u e s t r a e l e c -
c i ó n identitaria en el m a r c o de la c o m u n i d a d . De h e c h o ,
c o m o b i e n explica Adela C o r t i n a , l a c i u d a d a n í a i m p l i c a
tanto el r e c o n o c i m i e n t o de la s o c i e d a d h a c i a sus m i e m -
b r o s , c o m o la adhesión de cada u n o de s u s m i e m b r o s a
los p r o y e c t o s c o m u n e s , c o n l o q u e ello c o m p o r t a d e asu-
m i r t a m b i é n las responsabilidades. Así, p u e s , en el h o r i -
zonte del p r o y e c t o de paz q u e p r o p o n e m o s a q u í , n o s in-
teresa ver c ó m o desarrollamos u n a identidad integrativa
que posibilite a la vez u n a c i u d a d a n í a n a c i o n a l c o n otra
cosmopolita.
EL RETO MIGRATORIO Y EL DESARROLLO DE.. 119

Las m i g r a c i o n e s , c o m o s e h a b r á i n t u i d o , n o s invitan
a no d o r m i m o s en c o m p a r t i m i e n t o s e s t a n c o s , y en espa-
b i l a r n o s algo m á s en ese diálogo entre culturas e identi-
dades individuales e n c o n t i n u o m o v i m i e n t o , u n diálogo
que ha de t e n e r p o r finalidad b u s c a r c o n j u n t a m e n t e
t o d o aquello que n o s ha de permitir ser m á s felices des-
de la j u s t i c i a , no desde el c a p r i c h o , y d o n d e absoluta-
m e n t e nadie sea c o n s i d e r a d o c o m o p r e s c i n d i b l e o « d e -
s e c h a b l e » . C o m o h a d i c h o R a i m o n Pannikar, n o basta
c o n que las culturas c o e x i s t a n ; si q u e r e m o s llegar a c o n s -
truir u n a cultura de paz, h e m o s de pasar de la c o e x i s t e n -
cia al diálogo, c o n lo que ello i m p l i c a de r e c o n o c i m i e n t o
de la dignidad de los d e m á s y de sus d i s c u r s o s , y de no
permitir que haya c i u d a d a n o s de p r i m e r a y de segunda
clase, o lo q u e es peor, q u e a m u c h a s p e r s o n a s no se les
permita a c c e d e r a la c o n d i c i ó n de c i u d a d a n a s . Vale la
p e n a recordar la historia de las m i g r a c i o n e s , d o n d e n o -
sotros h e m o s estado siempre presentes, para h a c e r m e -
m o r i a d e c ó m o nuestros antepasados n o tan l e j a n o s tu-
vieron que e n c a r a r lo diferente, para entrar d e s p u é s en el
j u e g o de ir d e c i d i e n d o p o c o a p o c o lo que q u e r í a n c o n -
servar, y lo q u e querían transformar, adaptar, cambiar,
adoptar o crear. Así ha sido s i e m p r e y así c o n t i n u a r á pa-
s a n d o , c o n l a diferencia d e que p o d e m o s t e n e r c o n s -
ciencia de lo que o c u r r e , de sus o p o r t u n i d a d e s , y p o r
tanto, de nuestra i m p l i c a c i ó n para que se haga de la m a -
nera m á s creativa y e n r i q u e c e d o r a para todos.
21
LA SALUD DEL PLANETA

R e c o n o z c á m o s l o de entrada y abiertamente: en el m u n -
d o t e n e m o s u n gravísimo p r o b l e m a p o r resolver, d e b i d o
a q u e la actual d i n á m i c a i n t e r n a c i o n a l se asienta s o b r e
p r o c e s o s de deterioro e c o l ó g i c o , ya q u e el m o d e l o e c o -
n ó m i c o occidental está b a s a d o en los c o m b u s t i b l e s fósi-
les, el automóvil y el d e r r o c h e . C o n la aceleración de la
historia se h a n intensificado las presiones sobre el m u n -
d o natural, del cual d e p e n d e m o s c o m p l e t a m e n t e . S ó l o
en un a ñ o , la civilización industrial m o d e r n a q u e m a el
petróleo, el gas y el c a r b ó n q u e tardaron un m i l l ó n de
a ñ o s en formarse, y a este r i t m o de locura en p o c o tiem-
po a c a b a r e m o s c o n las reservas disponibles. Esta reali-
dad es e c o l ó g i c a m e n t e insostenible, entre otras c o s a s
p o r q u e la d e m a n d a h u m a n a supera la p r o d u c c i ó n soste-
n i b l e de los sistemas naturales. En t é r m i n o s globales,
pues hay grandes diferencias entre u n o s países y otros,
e s t a m o s s o b r e e x p l o t a n d o los sistemas naturales y nos

20. Este capítulo está basado fundamentalmente en las infor-


maciones y análisis que anualmente hace el Worldwatch Institute
a través de sus informes El estado del mundo y Signos vitales.
122 LA PAZ ES POSIBLE

a c e r c a m o s al límite de lo tolerable, e s p e c i a l m e n t e en lo
referente al trato que d a m o s al agua d u l c e , los b o s q u e s ,
los pastos, las pesquerías o c e á n i c a s , la diversidad b i o l ó -
gica y la atmósfera del planeta.
La e c o n o m í a h u m a n a n a c i ó de la biosfera de la T i e -
rra y c o n t i n ú a d e p e n d i e n d o de ella. C h r i s t o p h e r Flavin,
del W o r l d w a t c h Institute, n o s r e c o r d a b a r e c i e n t e m e n t e
q u e un planeta e n f e r m o tarde o t e m p r a n o provocará el
d e s p l o m e de la e c o n o m í a . En t o d o c a s o , y tal c o m o van
las c o s a s , los p r ó x i m o s c i n c u e n t a a ñ o s n o p o d r á n s o p o r -
tar las t e n d e n c i a s del ú l t i m o m e d i o s i g l o , p o r lo que o to-
m a m o s decisiones correctivas de v e r d a d a c o r t o plazo, o
n o s i r e m o s todos a pique. A u n q u e l o s c e n t r o s de d e c i -
sión política n o quieran r e c o n o c e r l o p ú b l i c a m e n t e , l o
c i e r t o es q u e h e m o s llegado ya al u m b r a l e c o l ó g i c o . Vea-
m o s algunas pruebas: l a e c o n o m í a a c t u a l - q u e c r e c e c o n
fuerza gracias al masivo c o n s u m o de r e c u r s o s , la genera-
c i ó n de grandes v o l ú m e n e s de c o n t a m i n a n t e s y la alte-
ración d e los ciclos n a t u r a l e s - i m p o n e u n a s cargas cada
vez m e n o s sostenibles en el e n t o r n o . A v e c e s t e n e m o s la
falsa s e n s a c i ó n de que t o d o podrá arreglarse c o n las t e c -
n o l o g í a s q u e se van a desarrollar a c o r t o plazo, pero ol-
v i d a m o s que e s t a m o s r o d e a d o s d e f e n ó m e n o s c l a r a m e n -
te destructivos, en parte p o r q u e v a n a c o m p a ñ a d o s de
u n a progresiva privatización y m e r c a n t i l i z a c i ó n de la n a -
turaleza y de los b i e n e s que p e r t e n e c e n a toda la H u m a -
nidad, c o n l o que nadie acaba h a c i é n d o s e r e s p o n s a b l e
del deterioro a m b i e n t a l . La c i v i l i z a c i ó n industrial está
c o n v i r t i e n d o en no r e n o v a b l e s e i n s o s t e n i b l e s las ú n i c a s
p r o d u c c i o n e s que h a b í a n sido t r a d i c i o n a l m e n t e renova-
LA SALUD DEL PLANETA 123

b l e s y s o s t e n i b l e s , a saber, las p r o d u c c i o n e s de la agri-


cultura, de las pesquerías y de l o s b o s q u e s , y p o r si no
h u b i e r a suficientes p r o b l e m a s , la e x t r a c c i ó n de rocas y
m i n e r a l e s de la corteza terrestre alcanza un tonelaje q u e
triplica a la de los p r o d u c t o s derivados de la fotosíntesis,
c o n el agravante de q u e los materiales extraídos se de-
vuelven d e s p u é s al m e d i o en forma de residuos. En defi-
nitiva, c o n s u m i m o s d e m a s i a d o , y mal.
Si s e g u i m o s así, v a m o s a vivir en un m u n d o m u c h o
m á s p o b r e , y no sólo en t é r m i n o s de recursos, sino tam-
b i é n en t é r m i n o s espirituales y estéticos, en los q u e h a -
b r á u n a degradación d e t o d o s los d e r e c h o s h u m a n o s ,
p u e s e n e l m u n d o d e h o y y a n o e s posible separar los
p r o b l e m a s e c o l ó g i c o s y sociales, ya q u e c o m o v i m o s en
otro c a p í t u l o , la p o b r e z a y el declive a m b i e n t a l están
p r o f u n d a m e n t e e n r a i z a d o s e n e l sistema e c o n ó m i c o
actual. Las prácticas e c o l ó g i c a m e n t e destructivas están
p r o v o c a n d o e intensificando desastres a p a r e n t e m e n t e
« n a t u r a l e s » , pero c u y a intensidad destructora tiene q u e
ver c o n la forma despectiva y depredadora c o n q u e los
seres h u m a n o s t r a t a m o s a la naturaleza. M e d i a n t e la des-
t r u c c i ó n de los b o s q u e s , el e m b a l s e de los ríos, el relie-
n a m i e n t o de tierras h ú m e d a s y la desestabilización del
clima, estamos generando una inseguridad ecológi-
ca q u e golpea e s p e c i a l m e n t e a las p o b l a c i o n e s m á s p o -
b r e s , que se v e n obligadas a instalarse en las z o n a s m á s
vulnerables, c o m o las laderas de algunas m o n t a ñ a s o los
m á r g e n e s de los ríos. Esta gente p o b r e y e x c l u i d a , y no
los ricos, s o n los q u e luego m u e r e n c u a n d o s e p r o d u c e n
desastres «naturales».
124 LA PAZ ES POSIBLE

Las i n u n d a c i o n e s del Yangzen e n 1 9 9 8 , p o r e j e m p l o ,


c o n sus 4 . 0 0 0 m u e r t o s , 2 3 3 m i l l o n e s d e p e r s o n a s afec-
tadas y 25 m i l l o n e s de h e c t á r e a s inundadas, tuvieron su
origen en la vasta deforestación realizada a n t e r i o r m e n t e
y durante bastantes años, q u e s u p u s o la e l i m i n a c i ó n del
85 % de la capa forestal para a m p l i a r el territorio a g r í c o -
la. La pérdida de m a s a b o s c o s a i m p i d e interceptar las
p r e c i p i t a c i o n e s y la a b s o r c i ó n del agua p o r el suelo. A d e -
más, las zonas que antes se dejaban abiertas para la c i r c u -
l a c i ó n del e x c e s o de agua, están llenas de a s e n t a m i e n t o s
urbanos.
Casi u n a cuarta parte de las e n f e r m e d a d e s m u n d i a l e s
están vinculadas t a m b i é n a factores m e d i o a m b i e n t a l e s .
En los países p o b r e s , u n o de cada c i n c o n i ñ o s no llega a
c u m p l i r los c i n c o años. Cada a ñ o m u e r e n o n c e m i l l o -
n e s de n i ñ o s , en gran parte d e b i d o a e n f e r m e d a d e s c o m o
la diarrea o i n f e c c i o n e s respiratorias agudas, fácilmente
evitables. M u c h a s e n f e r m e d a d e s están relacionadas c o n
factores m e d i o a m b i e n t a l e s : la tuberculosis tiene q u e ver
c o n el h a c i n a m i e n t o ; la diarrea, c o n el s u m i n i s t r o de
agua deficiente o el m a l estado de los s a n e a m i e n t o s ; va-
rias i n f e c c i o n e s tropicales, c o n la deficiente e l i m i n a c i ó n
de basuras o la insalubridad de las casas; los parásitos in-
testinales, c o n el suministro de agua en m a l a s c o n d i c i o -
n e s , la falta de higiene y el m a l estado del s a n e a m i e n t o ;
las i n f e c c i o n e s respiratorias, c o n el h a c i n a m i e n t o y la
c o n t a m i n a c i ó n de locales cerrados; la malaria, c o n las
aguas estancadas cerca de la vivienda; y el d e n g u e , c o n el
suministro de agua deficiente y la c e r c a n í a de vertederos.

S e g ú n l a O N U , 1 . 2 0 0 m i l l o n e s d e p e r s o n a s n o tie-
LA SALUD DEL PLANETA 125

n e n a c c e s o al a b a s t e c i m i e n t o de agua potable, y la mitad


de la p o b l a c i ó n m u n d i a l carece de s a n e a m i e n t o a d e c u a -
do. No ha de extrañar, por ello, q u e el p a l u d i s m o haya
regresado c o n fuerza y a la s o m b r a de la degradación
ambiental (tala de b o s q u e s , c o n s t r u c c i ó n de presas y c a -
rreteras, a u m e n t o de las temperaturas y p r e c i p i t a c i o n e s
relacionadas c o n el c a m b i o c l i m á t i c o , así c o m o p o r las
guerras y los d e s p l a z a m i e n t o s m a s i v o s ) , m a t a n d o cada
año a m á s de un m i l l ó n de personas. Los o r g a n i s m o s in-
t e r n a c i o n a l e s señalan t a m b i é n que un 25 % de las disca-
pacidades que se registran en el m u n d o p u e d e n atribuir-
se a factores c o m o la c o n t a m i n a c i ó n del aire y del agua y
a los a l i m e n t o s en malas c o n d i c i o n e s . Cada a ñ o m u e r e n
u n o s tres m i l l o n e s de p e r s o n a s p o r enfermedades rela-
c i o n a d a s c o n e l agua. A d e m á s , l a m a y o r í a d e l o s m e d i -
c a m e n t o s fabricados e investigados son para c o m b a t i r
las e n f e r m e d a d e s propias de los países ricos, c o n lo que
un tercio de la h u m a n i d a d no tiene a c c e s o a m e d i c a -
m e n t o s esenciales.

INDICADORES DE LAS TENDENCIAS AMBIENTALES

C o m o ha p o d i d o verse, el grave p r o b l e m a al q u e aludía


en el i n i c i o del c a p í t u l o , no es el resultado de fantasías
o e x a g e r a c i o n e s de a l g u n o s científicos o m o v i m i e n t o s
e c o l o g i s t a s , s i n o q u e tiene e x p r e s i o n e s m u y c o n c r e t a s y
c a u s a s b i e n c o n o c i d a s . Este c o n o c i m i e n t o del p r o b l e m a
es quizá la parte m á s d r a m á t i c a del a s u n t o , en la m e d i -
da q u e d e b e r í a ser posible efectuar c o r r e c c i o n e s para
126 LA PAZ ES POSIBLE

c a m b i a r el r u m b o de las c o s a s . V e a m o s a c o n t i n u a c i ó n
nueve indicadores de estas tendencias ambientales, para
ver d e s p u é s el tipo de a c c i o n e s q u e d e b e r í a n p e r m i t i r
h a c e r las p a c e s c o n el p l a n e t a a nivel e c o l ó g i c o . E s t o s
indicadores son el crecimiento demográfico, la conta-
m i n a c i ó n del aire, el a u m e n t o de la t e m p e r a t u r a , la
d e s t r u c c i ó n de la c a p a de o z o n o , la d i s m i n u c i ó n de las
c a p a s freáticas, la r e d u c c i ó n del t e r r e n o c u l t i v a b l e p o r
h a b i t a n t e , la r e d u c c i ó n de las p e s q u e r í a s y de los b o s -
q u e s , y la a c e l e r a c i ó n en la e x t i n c i ó n de las e s p e c i e s v e -
getales y a n i m a l e s .

1. El crecimiento de la población

Un dato p e d a g ó g i c o e ilustrativo de lo que ocurre es q u e


ha h e c h o falta toda la historia de la h u m a n i d a d para
que la p o b l a c i ó n m u n d i a l llegara a los 1 . 6 0 0 m i l l o n e s de
habitantes e n 1 9 0 0 . Sin e m b a r g o , entre 1 9 5 0 y 2 0 0 0 ,
la p o b l a c i ó n m u n d i a l ha pasado de 2 . 5 0 0 m i l l o n e s a
6 . 1 0 0 m i l l o n e s , y para el a ñ o 2 0 5 0 se espera u n a p o b l a -
c i ó n d e 8 . 9 0 0 m i l l o n e s d e personas. L a p r e o c u p a c i ó n
viene dada sobre todo p o r q u e la casi totalidad de ese c r e -
c i m i e n t o se producirá en los países del Sur, particular-
m e n t e en los q u e ya tienen u n a p o b l a c i ó n excesiva, y se
c o n c e n t r a r á a d e m á s en las grandes ciudades. El d r a m a
estriba en que el c r e c i m i e n t o de la p o b l a c i ó n no va
a c o m p a ñ a d o de u n a e x p a n s i ó n de los sistemas natura-
les de la Tierra (ciclos h i d r o l ó g i c o s , p r o d u c c i ó n sosteni-
ble de las pesquerías o c e á n i c a s , los b o s q u e s o las tierras
LA SALUD DEL PLANETA 127

de pastoreo, e t c . ) , lo q u e permite vaticinar h a m b r e para


millones de personas.

2. La contaminación del aire

La especie h u m a n a , al respirar, absorbe u n o s 1 . 0 0 0 m i -


llones de toneladas de o x í g e n o al a ñ o , y emite u n o s
1 . 4 0 0 m i l l o n e s de toneladas de CO2 ( d i ó x i d o de c a r b o -
no o a n h í d r i c o c a r b ó n i c o ) . Sin e m b a r g o , la e x t r a c c i ó n de
petróleo, c a r b ó n y gas natural (los c o m b u s t i b l e s fósiles
m á s utilizados), i m p l i c a la e m i s i ó n a la atmósfera de
u n o s 2 5 . 0 0 0 m i l l o n e s de toneladas de CO2, esto es, vein-
te veces m á s que la especie h u m a n a al respirar. En los úl-
t i m o s 39 a ñ o s , las e m i s i o n e s de CO2 h a n a u m e n t a d o en
un 17 %, y el principal causante de t o d o ello es la q u e m a
de c o m b u s t i b l e s fósiles, a u n q u e t a m b i é n h a n influido
los p r o c e s o s de deforestación y la pérdida de suelo. De
1 9 6 1 a 2 0 0 0 se ha triplicado la p o b l a c i ó n animal, lo que
ha c o n t r i b u i d o en un 16 % al total de e m i s i o n e s de m e -
tano, q u e es un gas de efecto invernadero m á s fuerte que
el d i ó x i d o de c a r b o n o . Todo esto provoca u n a alteración
progresiva del c o n t e n i d o de la atmósfera, y c o m o c o n s e -
c u e n c i a , un a u m e n t o a n o r m a l del efecto invernadero y
un c a m b i o c l i m á t i c o . S e g ú n el p r i m e r informe sobre el
i m p a c t o del c a m b i o c l i m á t i c o en la U E , de finales de
2 0 0 0 , los veranos tórridos serán c i n c o veces m á s fre-
c u e n t e s q u e ahora en el sur de España dentro de veinte
años. Para España, todo ello s u p o n d r á escasez de agua,
m á s i n c e n d i o s forestales y m á s desierto.
128 LA PAZ ES POSIBLE

L o s indicadores de este c a m b i o c l i m á t i c o s o n varios:


a) un a u m e n t o de la temperatura del planeta; b) un in-
c r e m e n t o de la rapidez del ciclo del agua, c o n u n a m a y o r
evaporación de la m i s m a y u n a intensificación de las llu-
vias; c) u n a m a y o r frecuencia de los f e n ó m e n o s m e t e o r o -
lógicos intensos; d) un a u m e n t o del nivel del m a r pro-
d u c i d o p o r el deshielo, ya que desde 1 9 5 0 el grueso del
hielo ártico ha d i s m i n u i d o en un 42 %; e) la debilitación
de las z o n a s litorales, la salinización de los deltas, y la
i n u n d a c i ó n de las zonas c o s t e r a s ; / ) la e x p a n s i ó n de n u -
m e r o s o s agentes p a t ó g e n o s para los h u m a n o s y los
animales, c o n lo que ello s u p o n e de i n c r e m e n t o de en-
fermedades parasitarias ( p a l u d i s m o , esquistosomiasis,
enfermedad del s u e ñ o ) , de a u m e n t o de las i n f e c c i o n e s
virales (dengue, encefalopatías, fiebres h e m o r r á g i c a s ) , de
las enfermedades transmitidas p o r el agua, p o r la proli-
feración de bacterias ( c ó l e r a ) , las alteraciones de las pau-
tas migratorias y la pérdida de la biodiversidad.

3. Aumento de la temperatura

La subida de la temperatura m e d i a del planeta es c o n s e -


c u e n c i a de las c o n c e n t r a c i o n e s atmosféricas de dióxido
de c a r b o n o (CO2), q u e no o l v i d e m o s es c o n s e c u e n c i a de
la a c c i ó n h u m a n a . S e g ú n el Panel I n t e r g u b e r n a m e n t a l
sobre el C a m b i o C l i m á t i c o , en los p r ó x i m o s c i e n a ñ o s la
temperatura m e d i a de la Tierra a u m e n t a r á entre 1,4 y
5 , 8 grados, el m á s rápido registrado en los ú l t i m o s
1 0 . 0 0 0 a ñ o s , y el nivel del m a r podría subir entre 9 y 88
LA SALUD DEL PLANETA 129

c e n t í m e t r o s . S a b e m o s que la temperatura m e d i a ha su-


bido de 14 a 1 4 , 4 grados en sólo 27 años, que la década
de los n o v e n t a ha sido la m á s calurosa del ú l t i m o m i l e -
nio, y 1 9 9 8 el a ñ o m á s cálido.
Los efectos s o n ya visibles, p u e s este a u m e n t o de la
temperatura está fundiendo los c a s q u e t e s polares. La
capa de hielo se está r e d u c i e n d o en el Ártico, la Antárti-
da, Alaska, Groenlandia, los Alpes, los Andes y el alti-
plano tibetano. E n España, 1 4 d e los 2 7 glaciares del
país h a n desaparecido desde 1 9 8 0 . Vale recordar q u e los
glaciares s o n c o m o un espejo que refleja al e s p a c i o u n a
parte de la radiación solar q u e llega a la Tierra. Si la
superficie de este espejo se reduce, la Tierra se calentará
más. Los e c ó l o g o s señalan finalmente q u e los c a m b i o s
climáticos podrían acelerar los ciclos de fuego en la Ama-
zonia. C o m o q u e Estados U n i d o s , C h i n a y otros países
q u e m a n grandes cantidades de c a r b ó n y petróleo, p u e -
de afirmarse que indirectamente estos países están q u e -
m a n d o t a m b i é n la Amazonia.

4. Contaminadores destructores de la capa de ozono

La atmósfera tiene un t a m a ñ o relativo similar a la piel de


u n a c e b o l l a , y de la situación y salud de esa delicada y
fina piel d e p e n d e toda la vida del planeta. Sin e m b a r g o ,
s a b e m o s q u e están a u m e n t a n d o los niveles de algunos
gases c o n gran c a p a c i d a d destructora, particularmente
el d i ó x i d o de azufre, el ó x i d o de n i t r ó g e n o , el d i ó x i d o de
c a r b o n o y los C F C ( c l o r o f l u o r o c a r b o n o s ) . Estos gases al-
130 LA PAZ ES POSIBLE

teran el equilibrio energético del planeta, al retener la ra-


diación infrarroja reflejada desde la Tierra, y evitar que
pase al e s p a c i o , p r o v o c a n d o un a u m e n t o de las t e m p e r a -
turas de la superficie. Las c o n s e c u e n c i a s de este p r o c e s o
son la lluvia acida, la c o n t a m i n a c i ó n de n i t r ó g e n o y el in-
c r e m e n t o del CO2.
La lluvia acida es c o n s e c u e n c i a de la q u e m a de c o m -
bustibles fósiles. La produce el d i ó x i d o de azufre que
e m a n a n las centrales t e r m o e l é c t r i c a s que q u e m a n car-
b ó n y los h o r n o s metalúrgicos. El o t r o c o m p o n e n t e b á -
sico de la lluvia acida, el ácido n í t r i c o , es g e n e r a d o p o r
los ó x i d o s de nitrógeno en las e m i s i o n e s de los c o m b u s -
tibles fósiles, e s p e c i a l m e n t e de la gasolina q u e m a d a p o r
los automóviles.

5. Disminución de los niveles de las capas freáticas

El agua es seguramente el recurso natural m á s a m e n a z a -


do del planeta, c o n el agravante de q u e u n a quinta parte
de la h u m a n i d a d carece de agua p o t a b l e , y otro p o r c e n -
taje i m p o r t a n t e la tiene de m u y m a l a calidad. Y si m u c h a
gente no p u e d e disfrutar de ese e l e m e n t o esencial, otros
en c a m b i o la usan i n c o r r e c t a m e n t e . Lo cierto es q u e la
utilización actual del agua d e s b o r d a a m p l i a m e n t e las
exigencias m e r a m e n t e b i o l ó g i c a s de la especie h u m a n a ,
c a u s a n d o el agotamiento de m u c h o s acuíferos y s e c a n d o
los p o z o s de miles de p o b l a c i o n e s .
Este p r o b l e m a afecta e s p e c i a l m e n t e a C h i n a , India,
norte de África, Arabia y Estados U n i d o s . En C h i n a , las
LA SALUD DEL PLANETA 131

aguas s u b t e r r á n e a s están b a j a n d o en casi todas las z o n a s


planas del p a í s , y la mitad norte ya está p r á c t i c a m e n t e
seca. En la India, el agua que se extrae del s u b s u e l o su-
pera c o n m u c h o la recarga de los acuíferos ( m á s de dos
v e c e s ) , lo q u e ha obligado a reducir d r á s t i c a m e n t e el
agua d i s p o n i b l e para el regadío, lo q u e a su vez c o n s t i t u -
ye una a m e n a z a para la p r o d u c c i ó n alimentaria, ya q u e
obliga a r e d u c i r en un 25 % las c o s e c h a s .
Cerca d e 5 0 0 m i l l o n e s d e p e r s o n a s s e a l i m e n t a n m e -
diante un u s o i n s o s t e n i b l e del agua, ya q u e se n e c e s i t a
u n a tonelada de agua para p r o d u c i r un k i l o de cereales.
C h i n a podría v e r s e obligada a i m p o r t a r cereales a u n a
escala que llegaría a desestabilizar los m e r c a d o s de cerea-
les del m u n d o . La falta de agua provocará m e n o r c a p a c i -
dad de p r o d u c c i ó n de cereales, la n e c e s i d a d de i m p o r t a r
grandes c a n t i d a d e s de cereales y un a u m e n t o del p r e c i o
de los m i s m o s . C o n s t r u i r una e c o n o m í a global m á s efi-
ciente c o n e l a g u a i m p l i c a p o r tanto decantarse p o r u n a s
fuentes de e n e r g í a m á s eficientes en este recurso, e in-
c r e m e n t a r la e f i c a c i a de su u s o en la agricultura.

6. Reducción del terreno cultivable por habitante

Los datos i n d i c a n q u e la mitad de las tierras fértiles h a n


desaparecido en los ú l t i m o s c i e n a ñ o s y q u e el 66 % de
la superficie a g r í c o l a del planeta ha p a d e c i d o algún tipo
de d e g r a d a c i ó n en el ú l t i m o m e d i o siglo, d e b i d o sobre
todo a la e r o s i ó n , la salinización y la c o n t a m i n a c i ó n . La
degradación de l o s suelos es tal que se reducirá la pro-
I M LA PAZ ES POSIBLE

ductividad de las tierras de cultivo en un 16 %, especial-


mente en África y Centroamérica. A causa de la ero-
sión del suelo, muchas sociedades han entrado ya en una
dinámica regresiva, y un ejemplo de e l l o es Kazajstán,
que en los últimos veinte años ha perdido la mitad de sus
tierras de cultivo. Estas tendencias dificultarán la ali-
mentación de la población que nacerá en las próximas
décadas, pues en el último medio siglo el terreno culti-
vable por habitante se ha reducido a la mitad, pasando
de 0 , 2 4 a 0,12 hectáreas. Para el año 2 0 5 0 podría ser de
sólo 0 , 0 8 hectáreas. La amenaza es especialmente grave
para Etiopia, Nigeria y Pakistán, países ya muy pobla-
dos, y que por sus niveles de pobreza podrían tener
grandes dificultades para importar a l i m e n t o s , lo que se
traducirá en hambre para su población.

7. Reducción de las pesquerías

Muchos estudios apuntan ya que las flotas pesqueras son


un 40 % más grandes de lo que los o c é a n o s pueden so-
portar. Entre 1 9 5 0 y 1997, las capturas de pescado han
pasado de 19 a más de 90 millones de t o n e l a d a s , lo que
ha situado a la mayor parte de las p e s q u e r í a s oceánicas al
límite o más allá de él. Se estima que un 70 % de los re-
cursos marinos están sobreexplotados y que 11 de las
15 zonas pesqueras más importantes d e l mundo se en-
cuentran al límite de la explotación. A d e m á s , los e c o -
sistemas de las costas están agotando su capacidad de
absorción de la contaminación, d e b i d o al creciente
LA SALUD DEL PLANETA 133

n ú m e r o de p r o d u c t o s q u í m i c o s que se vierten en sus


a g u a s . La situación ha m e j o r a d o en los ú l t i m o s a ñ o s ,
a u n q u e n o e n t o d o s los países. Las p e s q u e r í a s atlánticas
de pez espada están ya a p u n t o de agotarse. El m a r de
A r a l , q u e e n 1 9 6 0 p r o d u c í a m á s d e 4 0 m i l l o n e s d e kilos
de p e s c a d o , a h o r a está m u e r t o . Un 20 % de los p e c e s de
a g u a dulce están en peligro de e x t i n c i ó n .

8. Reducción de los bosques

T a l c o m o a p u n t a la historia de la isla de Pascua, la m a d e -


r a h a sido u n e l e m e n t o esencial para m u c h a s civilizacio-
n e s h u m a n a s , y la i n c a p a c i d a d de gestionar los b o s q u e s
d e m a n e r a sostenible h a tenido catastróficas r e p e r c u s i o -
n e s para l a vida h u m a n a . E n e l siglo X X , los b o s q u e s
m u n d i a l e s h a n perdido la mitad de su superficie, s i e n d o
l o s de África, Asia y A m é r i c a Latina los m á s afectados. El
9 % de las variedades de las especies arbóreas c o r r e n ries-
go de e x t i n c i ó n , y el v o l u m e n de e x p l o t a c i ó n m a d e r e r a
h a a u m e n t a d o e n u n 5 0 % desde 1 9 6 0 , a l c a n z a n d o los
1 . 5 0 0 m i l l o n e s d e m e t r o s c ú b i c o s anuales. E n l a m a y o -
r í a de los países del Sur, la tala de árboles supera el r i t m o
de c r e c i m i e n t o natural, de r e p o s i c i ó n . El 30 % de las
c u e n c a s h a n perdido las tres cuartas partes de su a r b o l e -
da original, lo que favorece la erosión del suelo. Se van
a g o t a n d o a c a u s a de la d e m a n d a de los seres h u m a n o s y
p o r l a c o n v e r s i ó n d e determinadas z o n a s b o s c o s a s e n
t i e r r a s de cultivo. La m a y o r parte de las pérdidas se h a n
p r o d u c i d o en los países del Sur. La superficie de b o s q u e
134 LA PAZ ES P O S I B L E

p o r habitante se calcula q u e p a s a r á de las 0 , 5 6 hectáreas


actuales a 0 , 3 8 hectáreas e n e l a ñ o 2 0 5 0 .
Entre 1 9 9 7 y 1 9 9 8 , los i n c e n d i o s p r o v o c a d o s para
despejar terrenos en la A m a z o n i a y c o n la i n t e n c i ó n de
convertir la selva en e x p l o t a c i o n e s agrícolas y ganaderas,
a c a b a r o n c o n m á s d e 5 , 3 m i l l o n e s d e hectáreas d e b o s -
ques. Los incendios de I n d o n e s i a en 1 9 9 7 y 1 9 9 8 que-
m a r o n d o s m i l l o n e s de h e c t á r e a s de b o s q u e . La defores-
2
tación tropical e x c e d e los 1 3 0 . 0 0 0 k m cada a ñ o . E l
gobierno brasileño reconoce q u e el 80 % de la madera
q u e se extrae de la A m a z o n i a se corta sin p e r m i s o . En
Rusia, l a c o r t a ilegal a s c i e n d e a l 2 0 % . S e g ú n G r e e n p e a -
ce, las c o m p a ñ í a s m a d e r e r a s s o n l a principal a m e n a z a
para las z o n a s forestales, p o r e s t a r presentes en el 72 %
de la superficie de b o s q u e v i r g e n amenazada. O t r o s pe-
ligros s o n la minería, el d e s a r r o l l o de infraestructuras y
la e x p a n s i ó n agrícola. Los b o s q u e s a b s o r b e n CO2 a c -
tuando c o m o u n « s u m i d e r o » . S i s e destruyen, s e c o n -
vierten en u n a «fuente», l i b e r a n d o CO2 a la atmósfera y
c o n t r i b u y e n d o a l efecto i n v e r n a d e r o .

9. Aceleración de la extinción de especies vegetales


y animales

D e s d e 1 9 7 0 , la Tierra ha p e r d i d o el 30 % de su riqueza
natural, a un ritmo de un 1 % a n u a l . La e s t i m a c i ó n se
basa e n u n índice q u e c o m b i n a l a pérdida d e superficie
forestal y la e v o l u c i ó n de las p o b l a c i o n e s animales a c u á -
ticas, tanto m a r i n a s c o m o d e a g u a dulce. S e estima que
LA SALUD DEL PLANETA 135

están a m e n a z a d o s el 11 % de las aves, el 25 % de las e s -


p e c i e s de m a m í f e r o s , un 4 % de los p e c e s y un 14 % de
las e s p e c i e s de las plantas. La principal c a u s a es la d e s -
t r u c c i ó n del habitat, g e n e r a l m e n t e d e b i d o a la d e f o r e s t a -
c i ó n , la c o n s t r u c c i ó n de viviendas o el s e c a d o de t e r r e -
n o s h ú m e d o s p o r la agricultura o la u r b a n i z a c i ó n .
Los b o s q u e s , s o b r e t o d o los d e z o n a s t e m p l a d a s , h a n
e x p e r i m e n t a d o una r e d u c c i ó n de su c u b i e r t a y del n ú -
mero de especies que acogen, generando un e m p o b r e c i -
m i e n t o de su biodiversidad. Las p r i n c i p a l e s r a z o n e s de
la pérdida de riqueza natural en el m u n d o s o n el i n c r e -
m e n t o de la actividad e c o n ó m i c a y el c r e c i m i e n t o d e m o -
gráfico. E n c o n c r e t o , l o s factores q u e m á s c o n t r i b u y e n a l
deterioro s o n e l c r e c i e n t e c o n s u m o d e c e r e a l e s , c a r n e ,
p e s c a d o , m a d e r a , papel y energía, c o n el c o n s i g u i e n t e
c r e c i m i e n t o del uso de fertilizantes a r t i f i c i a l e s y de e m i -
s i o n e s d e gases d e e f e c t o i n v e r n a d e r o q u e e s t á n c a l e n -
t a n d o el planeta. A m e d i d a q u e van d e s a p a r e c i e n d o e s -
p e c i e s , se e m p e z a r á n a c o l a p s a r los e c o s i s t e m a s l o c a l e s ,
hasta llegar a un c o l a p s o de t o d o s los e c o s i s t e m a s .

P R O P U E S T A S D E A C C I Ó N PARA U N E C O D E S A R R O L L O

Durante el pasado siglo, el valor de la p r o d u c c i ó n m u n -


dial se ha multiplicado p o r 1 7 , y los i n g r e s o s p e r c á p i t a se
han cuadruplicado. El crecimiento de la p r o d u c c i ó n e c o -
n ó m i c a e n s ó l o tres a ñ o s (de 1 9 9 5 a 1 9 9 8 ) h a s u p e r a d o e l
registrado durante 1 0 . 0 0 0 a ñ o s , desde e l i n i c i o d e l a agri-
cultura hasta 1 9 0 0 . E l a u m e n t o d e l a e c o n o m í a g l o b a l e n
136 LA PAZ ES POSIBLE

un a ñ o supera lo e x p e r i m e n t a d o en todo el siglo XVII. El


c r e c i m i e n t o , por tanto, se ha convertido en u n a especie
de religión o ideología obsesiva. Sin e m b a r g o , u n a e c o -
n o m í a sólo es e c o l ó g i c a m e n t e sostenible c u a n d o satisface
los principios de la sostenibilidad, u n o s principios b a s a -
dos en la ciencia de la ecología. Así, en una e c o n o m í a s o s -
tenible, la captura de p e s c a d o no supera la p r o d u c c i ó n
sostenible de las pesquerías, el v o l u m e n de agua que se
extrae de los acuíferos subterráneos no sobrepasa su c a -
pacidad de reposición, la erosión del suelo no e x c e d e el
ritmo natural de formación de n u e v o suelo, la tala de ár-
b o l e s no supera la plantación de n u e v o s , y las e m i s i o n e s
de c a r b o n o no van m á s allá de la capacidad de la natura-
leza para fijar el CO2 atmosférico. U n a e c o n o m í a soste-
nible no destruye las especies de plantas y animales a un
ritmo q u e impida la e v o l u c i ó n de nuevas. Así es c o m o d e -
bería funcionar el m u n d o , y no al revés.

U n a e c o n o m í a e c o l ó g i c a m e n t e sostenible s e basaría,
p o r e j e m p l o , en el a b a n d o n o de la p r á c t i c a de agotar
i r r e s p o n s a b l e m e n t e t o d o s los r e c u r s o s naturales, se a p o -
yaría en las energías r e n o v a b l e s , y reutilizaría y reciclaría
c o n t i n u a m e n t e los materiales. Se trata de un m o d e l o b a -
sado en la energía solar y en el h i d r ó g e n o , c e n t r a d a en la
b i c i c l e t a y el ferrocarril, en el u s o de la energía, el agua,
el s u e l o y los materiales de u n a m a n e r a m u c h o m á s efi-
c i e n t e y j u i c i o s a de lo q u e es hoy.
C o m o señala R a m ó n F o l c h , l a s o s t e n i b i l i d a d e s u n
p r o c e s o c o n d u c e n t e a la s u p e r a c i ó n de las d i s f u n c i o n e s
del m o d e l o s o c i o e c o n ó m i c o a c t u a l . L a s o s t e n i b i l i d a d
t r a s c i e n d e el m a r c o a m b i e n t a l , y afecta al c o m p o r t a -
LA SALUD DEL PLANETA 1 3 7

miento h u m a n o , ya que implica un c a m b i o de actitud,


u n a n u e v a m i r a d a h a c i a l a naturaleza. N o e s s ó l o u n a
cuestión de cambio de estructuras económicas, sino
también de c a m b i o de nuestros patrones de comporta-
m i e n t o e n r e l a c i ó n a l m e d i o natural. E l e c o d e s a r r o l l o
p r o p o n e rediseftar t o d o e l s i s t e m a e c o n ó m i c o , d e m a -
n e r a q u e n o destruya s u s s i s t e m a s d e a p o y o e c o l ó g i c o .
S e trataría d e c r e a r u n n u e v o p a r a d i g m a e c o n ó m i c o
que no se basara exclusivamente en indicadores e c o n ó -
m i c o s c o m o guía d e las d e c i s i o n e s d e i n v e r s i ó n . Para
ello h a b r í a q u e r e c o n c e p t u a l i z a r l o s m a c r o i n d i c a d o r e s
e c o n ó m i c o s , terminar c o n la disparidad existente entre
la e c o n o m í a financiera e s p e c u l a t i v a y la e c o n o m í a real,
r e c o n o c e r e l p r e c i o d e los b i e n e s libres (aire, agua, e s -
p e c i e s , e t c . ) , c o n t r o l a r e l p o d e r d e las e m p r e s a s trans-
nacionales, m u y superior al de los centros de decisión
política y q u e t i e n e n u n a g r a n r e s p o n s a b i l i d a d en la in-
s o s t e n i b i l i d a d actual; i n v e r t i r en fuentes de e n e r g í a q u e
no p e r j u d i q u e n el c l i m a ( p a s a r de la e n e r g í a b a s a d a en
el c a r b o n o a las fuentes de e n e r g í a a l t e r n a t i v a ) , e t c . La
ú n i c a alternativa factible es la de u n a e c o n o m í a b a s a d a
en el sol y el h i d r ó g e n o , q u e a p r o v e c h e fuentes de e n e r -
gía solar tan diversas c o m o la e n e r g í a h i d r á u l i c a , e ó l i -
ca, la l e ñ a o la r a d i a c i ó n d i r e c t a del sol.

En el p l a n t e a m i e n t o del e c o d e s a r r o l l o , h a b r í a q u e re-
d u c i r los i m p u e s t o s de las energías alternativas y c o m -
pensarlo c o n un i m p u e s t o sobre el c a r b o n o q u e grave a
los c o m b u s t i b l e s fósiles, de m a n e r a que q u e d e reflejado
el c o s t e a s o c i a d o a la c o n t a m i n a c i ó n , la lluvia acida y los
p r o b l e m a s c l i m á t i c o s . Hay q u e h a c e r p o r tanto u n a tran-
158 LA PAZ ES POSIBLE

sición h a c i a u n a e c o n o m í a baja e n c a r b o n o . Resultará


m u c h o m á s sencillo satisfacer las n e c e s i d a d e s energéti-
cas del m u n d o durante los p r ó x i m o s a ñ o s , si s u s t i t u i m o s
el d e r r o c h e p o r la suficiencia, c o m o ética del p r ó x i m o
paradigma energético. E s t o c o m p o r t a u n p a s o decisivo
en c u a n t o a valores y estilos de vida. Hay q u e p o t e n c i a r
el transporte ferroviario y el u s o de la b i c i c l e t a , frente a
la cultura del u s o del a u t o m ó v i l , q u e no en v a n o es el
s e c t o r q u e m á s gasta e n p u b l i c i d a d .
Para lograr u n a pacificación c o n la Naturaleza, ten-
d r e m o s q u e crear una nueva ética planetaria. C o m o h a
señalado L e o n a r d o Boff, en las últimas décadas h e m o s
c o n s t r u i d o el p r i n c i p i o de a u t o d e s t r u c c i ó n . La actividad
h u m a n a p u e d e o c a s i o n a r d a ñ o s irreparables e n l a b i o s -
fera y destruir las c o n d i c i o n e s de vida de los seres h u -
m a n o s . Este p r i n c i p i o d e a u t o d e s t r u c c i ó n i n v o c a urgen-
t e m e n t e otro, el p r i n c i p i o de c o r r e s p o n s a b i l i d a d , q u e
deriva de n u e s t r a e x i s t e n c i a c o m o especie y c o m o p l a n e -
ta. Para Boff, la raíz de la alarma e c o l ó g i c a reside en el
tipo d e relación q u e los seres h u m a n o s h a n m a n t e n i d o
en los ú l t i m o s siglos c o n la Tierra y sus recursos: u n a re-
l a c i ó n de d o m i n i o , de no r e c o n o c i m i e n t o de su alteridad
y de falta de c u i d a d o n e c e s a r i o y del respeto i m p r e s c i n -
dible q u e exige c u a l q u i e r alteridad. Se ha destruido, en
s u m a , la c o n c i e n c i a de u n a gran c o m u n i d a d b i ó t i c a , te-
rrenal y c ó s m i c a .

Para salir de esta s i t u a c i ó n , Boff p r o p o n e , entre otras


c o s a s , e s t a b l e c e r u n a ética fundada en la naturaleza, en
la q u e los c o n s e n s o s h a n de partir de la a c e p t a c i ó n de los
factores objetivos de la naturaleza de la ecosfera y de la
LA SALUD DEL PLANETA 139

naturaleza h u m a n a en interrelación c o n la primera. Esta


ética fundada en la naturaleza sería además la b a s e , el pi-
lar, de otras e x p r e s i o n e s éticas a fortalecer: el c u i d a d o ,
la solidaridad, el diálogo, la c o m p a s i ó n , la l i b e r a c i ó n y la
ética holística. R a i m o n P a n n i k a r se refiere a esta n u e v a
c o n c i e n c i a e c o l ó g i c a c o n el t é r m i n o de « e c o s o f í a » , y n o s
revela q u e la Tierra ( c o m o n o s o t r o s m i s m o s ) es limitada,
finita. H e m o s de r e c o n o c e r , en este sentido, q u e nuestra
g e n e r a c i ó n es la p r i m e r a que a través de su forma de ha-
cer las c o s a s p u e d e afectar la habitabilidad del planeta de
cara a las g e n e r a c i o n e s futuras. H e m o s a d q u i r i d o esta
c a p a c i d a d c o m o c o n s e c u e n c i a d e una e c o n o m í a m u n -
dial que va m á s allá de sus sistemas e c o l ó g i c o s de a p o y o .
H e m o s a d q u i r i d o en s u m a la capacidad de alterar los sis-
temas naturales de la Tierra, pero n o s n e g a m o s a aceptar
la responsabilidad de esta práctica, p o r q u e v i v i m o s en
un m u n d o que se p r e o c u p a o b s e s i v a m e n t e p o r el pre-
sente y q u e ha perdido el s e n t i d o de responsabilidad h a -
cia las g e n e r a c i o n e s futuras.

Para h a c e r posible que en un futuro e s t e m o s en ar-


m o n í a c o n la naturaleza, hay que r o m p e r c o n la pasivi-
dad de las sociedades respecto a estos temas, p o r q u e so-
m o s d u e ñ o s de nuestro destino y t e n e m o s responsabili-
dades sobre cuanto h a c e m o s o no h a c e m o s . Hay que crear
una nueva ética para gestionar nuestra relación con la
naturaleza, una ética que p o n g a el acento en las m í n i m a s
interferencias sobre ella, asegurando nuestra c o m p r e n -
sión de los riesgos y la vulnerabilidad. La ciencia ecológi-
ca n o s ha e n s e ñ a d o a instaurar el principio de p r e c a u c i ó n ,
que obliga al p r o m o t o r de un proyecto a probar la i n o c u i -
140 LA PAZ ES POSIBLE

dad ecológica y sanitaria del m i s m o , por lo que debería-


m o s trasladar este principio a todos los órdenes de la vida.
Para ello n e c e s i t a m o s desarrollar u n a e d u c a c i ó n m e d i o -
ambiental que haga t o m a r c o n c i e n c i a y responsabilidad
sobre la interdependencia de los seres h u m a n o s c o n su
m e d i o físico, e d u c a n d o a la gente para c o n s u m i r m e n o s ,
de una m a n e r a diferente y para producir de otra forma
( e c o n o m í a circular), sin tener m i e d o a cuestionar la n e c e -
sidad de algunos productos. En este programa de c a m -
b i o s , h a b r á que incentivar t a m b i é n a países m u y p o b l a -
dos, c o m o C h i n a , para que se desarrollen sin c o m e t e r los
errores que h a n c o m e t i d o los países ahora industrializa-
dos. La m e j o r a de la salud del planeta, finalmente, obliga-
rá a c a m b i a r las relaciones Norte/Sur, i n c l u y e n d o la deci-
sión de no exportarles nuestros residuos, y r e d u c i e n d o la
deuda externa que obliga al expolio de recursos naturales.
Y en esta nueva relación, t e n d r e m o s también que estar
m u y atentos para ver c ó m o a p r e n d e m o s de ellos en c u e s -
tiones tan básicas para la paz c o m o sus c o n c e p t o s de b i e -
nestar, sus prácticas respecto a valorar el calor familiar, el
espíritu c o m u n i t a r i o , o la praxis de compartir, p o r q u e al
fin y al c a b o existe una estrecha relación entre la m a n e r a
c ó m o tratamos a la naturaleza y la manera de tratar a la
sociedad. Cuidar la salud del planeta y dejarla en b u e n a s
c o n d i c i o n e s para las futuras generaciones es u n a c o n d i -
ción indispensable para que las relaciones entre los pue-
b l o s se desarrollen también sin violencia y c o n respeto.
No puede existir paz estando en guerra c o n el m e d i o n a -
tural, de la m i s m a m a n e r a que la práctica de cuidar la n a -
turaleza n o s ayudará a h a c e r las paces c o n los h u m a n o s .
EL DESARME Y LA NUEVA MIRADA
A LA SEGURIDAD

P o r l o d i c h o e n las p á g i n a s a n t e r i o r e s , e s e v i d e n t e q u e
e l ideal d e u n planeta e n paz n o significa s ó l o u n m u n -
do sin e j é r c i t o s y en el q u e las g u e r r a s h a y a n d e j a d o de
tener sentido, sino también un m u n d o donde reina la
j u s t i c i a s o c i a l y el e q u i l i b r i o c o n la n a t u r a l e z a , y d o n -
de s o n satisfechas todas las n e c e s i d a d e s b á s i c a s de los
seres h u m a n o s , sin e x c e p c i ó n . Pero e s i g u a l m e n t e c i e r -
to q u e esta idea de paz no p o d r á j a m á s desarrollarse
m i e n t r a s el m u n d o esté e n c a d e n a d o a u n a s d i n á m i c a s
a r m a m e n t i s t a s q u e i m p i d e n m i r a r y tratar los c o n f l i c -
tos de m a n e r a diferente al habitual, y lo h a c e n m e d i a n t e
el u s o de las a r m a s , la a m e n a z a y la d e s t r u c c i ó n . El d e -
sarme, c i e r t a m e n t e , no es c o n d i c i ó n suficiente para acer-
c a r n o s a la paz, p e r o es un r e q u i s i t o i m p r e s c i n d i b l e ,
j u n t o a o t r o s , para d e s v i n c u l a r n o s de la c u l t u r a de la
violencia.

C u a n d o h a b l a m o s de desarme n o s referimos a un
p r o c e s o q u e tiene dos niveles: lo que p o d r í a m o s d e n o -
m i n a r la parte sojt, o desarme del p e n s a m i e n t o , y la par-
te hará, o control/destrucción de los a r m a m e n t o s . La pri-
142 LA PAZ ES POSIBLE

m e r a se refiere a la n e c e s i d a d de e n t e n d e r las políticas de


seguridad y defensa en t é r m i n o s no militares, y e n d o a
las raíces de los conflictos a r m a d o s y a c t u a n d o sobre
aquellos a s p e c t o s de la cultura de la violencia vinculados
c o n la ideología, la estrategia de c a m b i o , las actitudes,
los valores y los c o m p o r t a m i e n t o s . Incluye, p o r e j e m p l o ,
el c o n c e p t o de «desarmar la palabra» en la práctica de la
n e g o c i a c i ó n de c o n ñ i c t o s , esto es, en no convertir la pa-
labra e n u n dardo e n v e n e n a d o q u e imposibilita cual-
quier diálogo. La parte hará, en c a m b i o , se refiere a t o d o s
los esfuerzos pasados, presentes y futuros para destruir
todas aquellas armas de efectos i n d i s c r i m i n a d o s , para li-
mitar s e r i a m e n t e el u s o de las a r m a s ligeras, y para ter-
m i n a r c o n el i n m e n s o n e g o c i o c r e a d o alrededor de la fa-
b r i c a c i ó n d e los a r m a m e n t o s . S o n , c o m o p u e d e intuirse,
dos a s p e c t o s t r e m e n d a m e n t e interrelacionados, las dos
caras de la m i s m a m o n e d a , p o r lo que trataremos el tema
desde esa d o b l e d i m e n s i ó n .

Si en los inicios del m i l e n i o d e b e m o s h a b l a r todavía


de desarme y de desmilitarización, es p o r q u e el siglo XX
ha sido e s p e c i a l m e n t e m a c a b r o en c u a n t o a los efectos
de las armas. Más de 1 2 0 m i l l o n e s de personas han
m u e r t o en las guerras del siglo pasado, el m á s sanguina-
rio y necrófilo de toda la historia de la h u m a n i d a d , en
t é r m i n o s a b s o l u t o s y relativos. Durante la Primera G u e -
rra M u n d i a l m u r i e r o n el 20 % de todos los j ó v e n e s fran-
ceses en edad militar y el 13 % de los a l e m a n e s . En la S e -
gunda Guerra Mundial fallecieron 54 millones de
personas, llevándose p o r delante entre el 10 y el 20 %
de toda la p o b l a c i ó n de la antigua U R S S , de P o l o n i a y la
EL DESARME Y LA NUEVA MIRADA A LA SEGURIDAD 143

e x Yugoslavia. E n esta guerra s e movilizaron u n o s 7 0 m i -


llones de soldados, y otros 45 m i l l o n e s de p e r s o n a s tra-
bajaron en la fabricación de armas de t o d o tipo. D e s p u é s
de la S e g u n d a Guerra M u n d i a l , en el m u n d o se h a n su-
c e d i d o m u l t i t u d d e guerras c o n u n coste h u m a n o m á s
que brutal: tres m i l l o n e s de m u e r t o s en la de C o r e a , 2 , 3
m i l l o n e s en la de V i e t n a m , d o s en la de Biafra (guerra c i -
vil de Nigeria), 1,5 m i l l o n e s en la de Afganistán o la del
Sudán, m á s de m e d i o m i l l ó n en el g e n o c i d i o de R u a n -
da... B u s c a m o s seguridad a través de las armas y no o b -
t e n e m o s m á s que m u e r t e p o r doquier. H a y algo b á s i c o y
de fondo, p o r tanto, que no funciona en a b s o l u t o .
D u r a n t e los a ñ o s de la G u e r r a Fría (desde la d é c a d a
d e los 5 0 hasta finales d e l o s 8 0 ) , e l m u n d o s o p o r t ó u n
f e n ó m e n o c l a r a m e n t e patológico, el rearme, q u e sin e m -
bargo fue p r e s e n t a d o c o m o u n a d i n á m i c a racional y b e -
neficiosa. El rearme de toda esta é p o c a c o n s i s t i ó en q u e
las grandes p o t e n c i a s ( c o n E s t a d o s U n i d o s y la U R S S a la
c a b e z a ) lideraban un p r o c e s o q u e arrastró a casi t o d o s
los países del m u n d o , p o r el q u e cada vez se tenían que
dedicar m á s recursos para la c o m p r a de a r m a m e n t o s y
para reforzar a los ejércitos n a c i o n a l e s . La seguridad era
e n t e n d i d a s i m p l e m e n t e c o m o l a a c u m u l a c i ó n d e armas
y soldados, hasta llegar al p u n t o de que a finales de los
años 8 0 e l m u n d o gastaba diariamente u n o s 2 . 6 0 0 m i -
llones de dólares en c u e s t i o n e s militares. Calcúlese lo
que significa esa cantidad al c a b o de un m e s , de un a ñ o ,
de u n a década, de treinta años... J a m á s los h u m a n o s h e -
m o s despilfarrado tan e s t ú p i d a m e n t e tantos recursos,
tanta energía, i n g e n i o y tecnología. La seguridad q u e d ó
144 LA PAZ ES POSIBLE

así militarizada, secuestrada p o r un a b s u r d o e m p e ñ o en


a c u m u l a r c a p a c i d a d destructiva, pero sin lograr n i n g u -
n o d e sus objetivos. E l m u n d o era cada vez m á s i n s e g u -
ro, las guerras no c e s a b a n , el t e m o r a u m e n t a b a y el ries-
go de q u e se produjeran ataques, i n c l u s o c o n a r m a s
nucleares, era c a d a vez mayor. Este a b s u r d o no era i n o -
c e n t e , p o r s u p u e s t o , ya q u e detrás de la paranoia a r m a -
m e n t i s t a s e e s c o n d í a u n a u t é n t i c o c o m p l e j o militar-
industrial, u n i m p r e s i o n a n t e n e g o c i o c o n t r o l a d o p o r p o -
c o s países que, a d e m á s de o b t e n e r pingües b e n e f i c i o s a
costa de e m p o b r e c e r a los d e m á s , utilizaban el rearme
c o m o instrumento de control geopolítico.
La p l a s m a c i ó n m á x i m a de esta locura a r m a m e n t i s t a
fue el arsenal n u c l e a r a c u m u l a d o a lo largo de los a ñ o s y
q u e a m e d i a d o s d e los a ñ o s 8 0 a l c a n z ó e l nivel d e 7 0 . 0 0 0
c a b e z a s n u c l e a r e s , c a p a c e s de destruir el p l a n e t a un
m o n t ó n de veces c o n s e c u t i v a s . Esa c a p a c i d a d renovada
de destruirnos se alcanzó ya en los a ñ o s 5 0 , pero el arse-
nal c o n t i n u ó s u d i n á m i c a expansiva c o m o p u r o n e g o c i o ,
sin q u e pudiera justificarse ya p o r razones políticas o m i -
litares.
A finales de los a ñ o s 8 0 , sin e m b a r g o , el m u n d o vi-
vió u n o s m o m e n t o s de cierta lucidez, p o r desgracia pa-
sajera, i n i c i á n d o s e una etapa de autocrítica h a c i a estos
m o d e l o s de la seguridad a través de las armas, c o n c o n -
s e c u e n c i a s tan destructivas. P o r p r i m e r a vez, los c e n t r o s
de d e c i s i ó n política de las grandes p o t e n c i a s e m p e z a b a n
a darse c u e n t a de la n e c e s i d a d de revisar a fondo estos
viejos e s q u e m a s , y alentaron u n a reflexión para p o n e r en
m a r c h a u n n u e v o paradigma d e seguridad n o tan c e n -
EL DESARME Y LA NUEVA MIRADA A LA SEGURIDAD 145

trado en las armas y en el p o t e n c i a l militar. Pero la e s p e -


ranza duró p o c o , j u s t o hasta la guerra del Golfo, q u e
de n u e v o dio alas a los guerreros de siempre, a las i n d u s -
trias que sacan beneficio de la inseguridad y a l o s estra-
tegas que d i s e ñ a n u n a s políticas de tensión, para q u e así
todo el c i c l o a r m a m e n t i s t a funcione a la perfección. L o s
atentados del 11 de s e p t i e m b r e , si c a b e , h a n e m p e o r a d o
a ú n m á s las c o s a s , pues si s i e m p r e ha h a b i d o cierta c o n -
fusión s o b r e lo q u e n o s a m e n a z a de verdad, a h o r a la
confusión es m á s que interesada: es u n a parte c e n t r a l de
la m i s m a política de seguridad, b a s a d a en la defensa res-
p e c t o a a m e n a z a s difusas vinculadas al terrorismo.
¿Cuáles s o n nuestras p e r c e p c i o n e s de inseguridad?
¿ Q u é c o s a s s o n las q u e realmente n o s inquietan, p r e o c u -
p a n o aterran? Las respuestas s o n múltiples, pero no sólo
entre países, s i n o t a m b i é n entre las p e r s o n a s q u e c o n v i -
v i m o s e n u n m i s m o e s p a c i o geográfico. Para u n a s e l paro
es su m á x i m a p r e o c u p a c i ó n , para otras el t e r r o r i s m o , l o s
i n c e n d i o s , el no tener para c o m e r o no d i s p o n e r de vi-
vienda. A la gente le p r e o c u p a n c o s a s m u y reales y p r ó -
x i m a s , p a r t i c u l a r m e n t e aquellas q u e s i e n d o b á s i c a s n o
están a su a l c a n c e o, si las tienen, t e m e n perder. A pesar
de ello, l o s estados m a n e j a n s i e m p r e un ramillete de
inseguridades y a m e n a z a s m u y diferentes al de la c i u d a -
danía de a pie. En su m o m e n t o , la política de b l o q u e s
i m p u s o u n a división del m u n d o m u y clara, s i t u a n d o a
m e d i a h u m a n i d a d en la categoría de e n e m i g a ; d e s p u é s
se reforzaron n u e v a s i m á g e n e s de e n e m i g o , a c u á l m á s
difusa, c o m o el Sur, el islam o el M a g r e b , c a t e g o r i z a n d o
a d e m á s t o d o u n listado d e « e n e m i g o s p e r s o n a l i z a d o s »
146 LA PAZ ES POSIBLE

en función de d o n d e e s t e m o s en el m a p a m u n d i . En el
c a s o de E s p a ñ a , p o r e j e m p l o , el e s t r e c h o de Gibraltar ha
sido c o n v e r t i d o en la zona divisoria del b i e n y del m a l , el
espacio d o n d e circulan las a m e n a z a s y los riesgos. Para
E s t a d o s U n i d o s , p o r e j e m p l o , la ú l t i m a n o v e d a d es el
«eje del M a l » ( c o n m a y ú s c u l a s ) , integrado p o r C o r e a del
Norte, Irán, Irak y Libia. Se trata de u n a variante de lo
q u e e n los ú l t i m o s años h a v e n i d o siendo d e n o m i n a d o
c o m o «países intratables», «parias», «canallas» o « p r e o -
c u p a n t e s » . Lo que quiero destacar, sin e m b a r g o , es la
aparente necesidad de d i s p o n e r s i e m p r e de alguna cate-
goría de e n e m i g o q u e personifique la maldad. Y si no
existe, h a b r á q u e crearlo, p o r q u e lo q u e está claro es que
los países h a n decidido no prescindir de sus arsenales
militares, y ello obliga a justificarlos y legitimarlos m e -
diante la p r e s e n t a c i ó n de viejas o nuevas a m e n a z a s .

E r i c h F r o m m , h a c e ya m u c h o s a ñ o s , n o s invitaba a
q u e distinguiéramos entre lo posible y lo p r o b a b l e , entre
lo real y lo ficticio, en la c o n v i c c i ó n de que ello n o s p o -
dría ayudar a enfocar m e j o r las políticas de seguridad.
C o m o he repetido en páginas anteriores y se c o m e n t a en
otros capítulos, el m u n d o n o s presenta retos de p r i m e r a
m a g n i t u d m u y claros, ya sea en lo e c o l ó g i c o , en v e n c e r
e n f e r m e d a d e s , el h a m b r e , el analfabetismo, la falta de vi-
vienda o agua p o t a b l e , e t c . Lo que a m e n a z a r e a l m e n t e a
la seguridad h u m a n a tiene u n a naturaleza e c o n ó m i c a
( c u a n d o los ingresos son p e q u e ñ o s ) , alimentaria ( c u a n -
do no se tienen recursos para adquirir a l i m e n t o s ) , sani-
taria (cuando padecemos enfermedades que podrían
evitarse), ambiental ( c u a n d o h a y u n a excesiva p r e s i ó n
EL DESARME Y LA NUEVA MIRADA A LA SEGURIDAD 147

s o b r e el agua, la tierra y los r e c u r s o s naturales, o hay un


e x c e s o d e c o n t a m i n a c i ó n ) , personal ( c u a n d o h a y niveles
p r e o c u p a n t e s de criminalidad, de violencia de género,
e t c é t e r a ) , c o m u n i t a r i a ( c u a n d o no se respetan los dere-
c h o s de las m i n o r í a s o las identidades culturales), o p o -
lítica ( c u a n d o se atenta a los d e r e c h o s h u m a n o s b á s i c o s ,
la r e p r e s e n t a c i ó n o las libertades p ú b l i c a s ) . Este listado
l o difundió e n 1 9 9 4 e l Programa d e N a c i o n e s U n i d a s
para el Desarrollo ( P N U D ) , e m p l a z a n d o a t o d o s los paí-
ses para q u e sustituyeran el viejo paradigma de la «segu-
ridad militar» p o r el de «seguridad h u m a n a » . La p r o -
puesta es m u y sencilla de plantear, pero difícil de llevar
a c a b o si no h a y un c a m b i o m u y profundo a favor del
desarme: s i q u e r e m o s u n m u n d o m á s seguro, h e m o s d e
c e n t r a r n o s e n superar cada u n o d e los a s p e c t o s e c o n ó -
m i c o s , alimentarios, sanitarios, a m b i e n t a l e s , p e r s o n a l e s ,
c o m u n i t a r i o s y políticos antes citados, que s o n los q u e
generan p o b r e z a , e x c l u s i ó n y miseria, tanto a nivel físico
c o m o espiritual o p s í q u i c o . Lo militar, p o r tanto, es se-
c u n d a r i o . Las a m e n a z a s militares p u e d e n existir, c i e r t o ,
pero las no militares están ahí, frente a nuestras n a r i c e s ,
cuantificadas y estudiadas, sin que p o n g a m o s en m a r c h a
las m e d i d a s para tratarlas y remediarlas.

¿Por q u é , e n t o n c e s , se c o n t i n ú a d a n d o tantos recur-


sos a lo militar, m u c h a s v e c e s de m a n e r a preferente, y en
c a m b i o tan p o c o s para la «seguridad h u m a n a » ? ¿Por qué
la política de seguridad, en general, c o n t i n ú a s i e n d o re-
h é n de prácticas militaristas y a r m a m e n t i s t a s q u e a lo
largo de la historia sólo h a n c o n s e g u i d o fracasos? R e s -
p o n d e r estas preguntas d i c i e n d o q u e detrás h a y intere-
148 LA PAZ ES POSIBLE

ses e c o n ó m i c o s m u y p o d e r o s o s , siendo cierto, e s h o n e s -


tamente insuficiente. Hay varias razones m á s q u e c o n -
vendría tener presente.
Efectivamente, la guerra es un n e g o c i o , y prepararla
t a m b i é n . La industria a r m a m e n t i s t a factura a n u a l m e n t e
p o r valor d e u n o s 1 8 0 . 0 0 0 m i l l o n e s d e dólares e n t o d o
el m u n d o . No es, c o m o a veces se afirma erróneamente, el
p r i m e r n e g o c i o m u n d i a l , pero s í genera s u c u l e n t o s b e -
neficios a unas p o c a s e m p r e s a s , que se alian c o n otros
sectores (militares profesionales, funcionarios, investi-
gadores, analistas p o l í t i c o s , i d e ó l o g o s ) para c o n v e n c e r al
gran p ú b l i c o de q u e sólo de esa m a n e r a , y no de otra,
será posible o b t e n e r seguridad. Lo s o r p r e n d e n t e es q u e
n o r m a l m e n t e lo logran, a pesar de que todos l o s datos
evidencian el fracaso de este sistema. El e n g a ñ o funcio-
na p o r q u e en esta c o m p l i c i d a d sistémica h a y t a m b i é n
otros intereses, de carácter político o geoestratégico, que
n e c e s i t a de la fuerza de las armas, del p o t e n c i a l militar y
de la a m e n a z a de su u s o , para perdurar y perpetuarse.
D e s d e h a c e décadas funciona u n e s q u e m a , m u y simple
pero efectivo, que d e n o m i n a m o s «sistema-guerra», b a -
sado en la idea de equiparar seguridad c o n a r m a m e n t i s -
mo y de presentar c o m o p r o b a b l e s un e s p e c t r o de a m e -
nazas q u e no tienen esa categoría (sólo s o n p o s i b l e s ,
pero no p r o b a b l e s ) . Volviendo a F r o m m , p u e d o afirmar
q u e es posible q u e al salir de casa me caiga e n c i m a de la
c a b e z a el b a l c ó n del p r i m e r piso, pero esta posibilidad es
tan altamente i m p r o b a b l e q u e n o tiene s e n t i d o q u e , an-
tes de salir del portal, mire p r i m e r o el estado del b a l c ó n ,
p o r si a c a s o . En otras palabras: lo razonable es planificar
EL DESARME Y LA NUEVA MIRADA A LA SEGURIDAD 149

y dar prioridad a las cosas en función de lo p r o b a b l e , no


de lo posible, y eso debería valer t a m b i é n para las p o -
líticas de seguridad y de defensa. El « s i s t e m a - g u e r r a » ,
sin e m b a r g o , ha logrado c o n v e n c e r a m u c h a gente de
que e s t a m o s rodeados de e n e m i g o s de t o d o tipo, de q u e
siempre hay que estar alerta, de que h a y que planificar
p e n s a n d o en el p e o r de los e s c e n a r i o s posibles, y de que
«si q u e r e m o s la paz, m e j o r n o s p r e p a r a m o s para la gue-
rra». Y h e m o s de h a c e r l o c o n tanta pasión y tanto ardor,
q u e p o c o i m p o r t a r á después el h e c h o de que esta pasión
y este ardor desenfrenado sea lo q u e genere desconfian-
za, temor, recelo e inseguridad.
D e n t r o de este e s q u e m a , p o r e j e m p l o , se admite
c o m o algo n o r m a l i z a d o vender a r m a s a c u a l q u i e r c o m -
prador, i n c l u s o al c o n s i d e r a d o c o m o « p o t e n c i a l e n e m i -
g o » , utilizando el a r g u m e n t o de q u e «así c o n t r o l a r e m o s
la posibilidad de que no c o m p r e n r e c a m b i o s de estas ar-
m a s » e n c a s o d e crisis. N u n c a h a i m p o r t a d o n a d a v e n d e r
armas a dictadores, déspotas y tiranos, s i e m p r e y c u a n -
do eso significara tenerlos en el -redil de los países c o n -
trolados o p r ó x i m o s . La venta de armas, en definitiva,
siempre h a sido utilizada c o m o u n m e c a n i s m o d e in-
fluencia exterior, sin percatarse de que esta a c u m u l a c i ó n
de p o t e n c i a l a r m a m e n t i s t a p u e d a ser u n a de las claves
para la p e r d u r a c i ó n de conflictos, dictaduras y tiranías.

Otra e x p l i c a c i ó n de la perduración del «sistema-


guerra» en nuestros días es la mirada patriarcal de m u -
c h o s políticos, e d u c a d o s e n u n a m a s c u l i n i d a d vinculada
a la glorificación de la fuerza, la guerra, la v i o l e n c i a y la
i n t i m i d a c i ó n , y sin q u e se sientan r e s p o n s a b l e s de sus
150 LA PAZ ES POSIBLE

actos ni tengan q u e valorar el sufrimiento q u e puedan


provocar sobre los d e m á s algunas de sus decisiones. Sin
un c a m b i o educativo sobre esta raíz patriarcal será difícil
q u e el d e s a r m e llegue al soft, esto es, al nivel de las c o n -
ciencias, las actitudes y los valores.
Este orden de c o s a s patriarcal se ha n o r m a l i z a d o in-
c l u s o en la gran política. No es fácil c u e s t i o n a r o des-
marcarse de lo q u e parece « n o r m a l » . Todos los países,
casi sin e x c e p c i ó n , se han visto envueltos, e n m a r a ñ a d o s ,
atrapados y devorados p o r esta mirada agresiva y des-
confiada hacia los demás. I n d e p e n d e n c i a y a u t o n o m í a ,
p o r e j e m p l o , van aparejadas c o n d i s p o n e r de ejércitos,
c u a n d o m u c h o s países podrían prescindir p e r f e c t a m e n -
te de tales instituciones p o r no estar rodeados de n i n -
g ú n e n e m i g o . Es m á s , la c r e a c i ó n de ejércitos d o t a d o s
c o n a r m a s cada vez m á s avanzadas es la e x c e l e n t e e x c u -
sa que p u e d e n argüir sus v e c i n o s para iniciar p r o c e s o s
de rearme que, a su vez, servirá de m o t i v a c i ó n para q u e
la d i n á m i c a a c c i ó n - r e a c c i ó n funcione perfectamente. El
militarismo se alimenta de estas inercias políticas
y sociales, de d i n á m i c a s patológicas sin sentido alguno y
de tradiciones no c u e s t i o n a d a s , vayan o no a c o m p a ñ a -
das de otros intereses e c o n ó m i c o s y t e c n o l ó g i c o s , pues
la mayoría de los países no p r o d u c e n ni e x p o r t a n armas,
las c o m p r a n al exterior c o m o partícipes disciplinados de
ese orden «natural» que ha e x t e n d i d o la militarización y
las p e r c e p c i o n e s de a m e n a z a p o r todos los rincones del
planeta.

Un aliado natural de este orden de cosas es el s e c r e -


t i s m o habitual de las actividades militares y la extendida
EL DESARME Y LA NUEVA MIRADA A LA SEGURIDAD \ 51

c r e e n c i a p o p u l a r de que «esto s o n cosas de especia-


listas». El «sistema-guerra» ha perdurado p r e c i s a m e n t e
p o r este d e s c o n o c i m i e n t o del gran p ú b l i c o , q u e en los
ú l t i m o s a ñ o s a d e m á s ha sido b o m b a r d e a d o televisiva-
m e n t e c o n m e n s a j e s e i m á g e n e s de que c o n las n u e v a s
tecnologías «la guerra limpia es p o s i b l e » . El truco ha
sido no presentar n u n c a las i m á g e n e s de las víctimas, no
explicar el coste h u m a n o de los l l a m a d o s « d a ñ o s colate-
rales», y ocultar un dato fundamental: desde la Primera
Guerra M u n d i a l hasta ahora, el porcentaje de víctimas
civiles en los conflictos a r m a d o s va en a u m e n t o , hasta
llegar a representar m á s del 90 % en todas las guerras
contemporáneas.
¿Tiene r e m e d i o esta situación? ¿Es posible volver al
o p t i m i s m o de finales de los años o c h e n t a y e n c a r a r u n a
estrategia de paz q u e permita desarmar las políticas de
seguridad para atender, de verdad, los verdaderos desa-
fíos que tiene la h u m a n i d a d ? C r e o que sí, siempre q u e se
actúe sobre los dos niveles m e n c i o n a d o s , y no sólo en
u n o de ellos.
Los ejes de un n u e v o m o d e l o de seguridad h u m a n a
q u e desplace al viejo e s q u e m a de seguridad militar/ar-
m a m e n t i s t a , s o n bastante c o n o c i d o s y se h a n experi-
m e n t a d o parcialmente en algunos m o m e n t o s y lugares.
P o d e m o s partir, p o r tanto, de u n a base ya contrastada
para, a partir de ella, añadirle n u e v o s e l e m e n t o s , nuevas
prácticas y nuevas miradas. S a b e m o s , p o r e j e m p l o , que
todos los países se sentirían m u c h o m á s seguros si nadie
dispusiera de a r m a s ofensivas y provocativas. E s o afecta
e s p e c i a l m e n t e a la parte hará, pero permitiría restablecer
152 LA PAZ ES POSIBLE

m u c h a confianza y reducir esas p e r c e p c i o n e s de a m e -


naza q u e a l i m e n t a n los c i c l o s de a c c i ó n - r e a c c i ó n . Las
doctrinas se volverían m á s suaves, m e n o s agresivas, si
d i s m i n u y é r a m o s progresivamente d e t e r m i n a d o s tipos de
armas, o si no i n t r o d u j é r a m o s a l g u n o s sistemas de a r m a s
c o n s i d e r a d o s c o m o ofensivos e n zonas d o n d e antes n o
existían tales tipos de armas. Avanzaríamos t a m b i é n si
algunos países, E s p a ñ a entre ellos, n o dedicaran s u m a s
tan elevadas en investigar y desarrollar n u e v o s a r m a -
m e n t o s , y ayudaran en c a m b i o a c o n v e r t i r la industria
militar en industria civil, en un p r o c e s o q u e permitiera
m a n t e n e r los p u e s t o s de trabajo de e m p r e s a s q u e pro-
gresivamente pasarían a p r o d u c i r b i e n e s de utilidad
social.

A ese tipo de posibilidades se o p o n e , p o r s u p u e s t o ,


la tradición e x p o r t a d o r a de m u c h a s industrias y los inte-
reses p o l í t i c o s g u b e r n a m e n t a l e s antes m e n c i o n a d o s vin-
c u l a d o s a la e x p o r t a c i ó n de armas. En la U n i ó n E u r o p e a ,
p o r e j e m p l o , existe u n C ó d i g o d e C o n d u c t a q u e limita
c l a r a m e n t e las ventas de armas a países militarizados,
c o n serios p r o b l e m a s de d e r e c h o s h u m a n o s o en situa-
c i ó n de conflicto. Este C ó d i g o p u e d e c u m p l i r s e o n o ,
puede mejorarse o n o , y s i e m p r e en función de si las o p i -
n i o n e s p ú b l i c a s de cada país s o n e x i g e n t e s o pasan del
tema. P o r fortuna, m u c h a s O N G y m o v i m i e n t o s sociales
d e n u m e r o s o s países están d i r e c t a m e n t e i m p l i c a d o s e n
estas c u e s t i o n e s , f o r m a n d o c o a l i c i o n e s para llevar a c a b o
c a m p a ñ a s que h a n p e r m i t i d o la p r o h i b i c i ó n de las m i n a s
antipersona, a u m e n t a r la transparencia del c o m e r c i o de
armas y m e j o r a r los niveles de c o n t r o l de d i c h o c o m e r -
EL DESARME Y LA NUEVA MIRADA A LA SEGURIDAD 153

c i ó . S o n algunas muestras de que el desarme es p o s i b l e ,


y de que p u e d e tener un r i t m o de avance m u c h o m á s in-
tenso si desde la base social hay unidad de criterio e ideas
claras. C o n v e n d r í a , en este sentido, que sectores cientí-
ficos y a c a d é m i c o s afectados p o r la falta de m e d i o s para
desarrollar su l a b o r diaria, exigieran el trasvase a fines
sociales de los fondos que ahora se dedican c o n tanta
preferencia a la investigación armamentista ( 2 4 0 . 0 0 0 m i -
llones de pesetas anuales sólo en E s p a ñ a ) . Es u n a absur-
da paradoja que los estados p u e d a n m a n t e n e r de sus
p r e s u p u e s t o s generales a d e c e n a s o c e n t e n a r e s de m i l e s
de s o l d a d o s profesionales y adquirir a r m a m e n t o p o r va-
lor de c i e n t o s de m i l e s de m i l l o n e s de pesetas, y no ten-
gan en c a m b i o la visión, la i n t e n c i ó n y el p r e s u p u e s t o
para activar y p r o m o v e r iniciativas a favor del desarrollo,
los d e r e c h o s h u m a n o s , la p r e v e n c i ó n de conflictos vio-
lentos, el d e s a r m e o la desmilitarización. Sin e m b a r g o ,
c o m o c o m e n t a b a a n t e r i o r m e n t e , s e han aprendido m u -
c h a s l e c c i o n e s acerca de la rentabilidad de desarrollar
m e d i d a s creadoras de confianza, de c o m p a r t i r c o n otros
países d e t e r m i n a d o s retos, de h a c e r h i n c a p i é en las ven-
tajas de a c e r c a r n o s y c o n o c e r n o s m e j o r en lo cultural
y religioso, para así desvanecer prejuicios, distancias y
m a l e n t e n d i d o s . La seguridad, en definitiva, se c o n s i g u e
c o n la confianza, y la confianza tiene q u e ver c o n el diá-
l o g o , el c o n s e n s u a r n o r m a s de c o n v i v e n c i a , el estableci-
m i e n t o de m e c a n i s m o s preventivos y el c o n o c i m i e n t o y
a c t u a c i ó n s o b r e las raíces de los p r o b l e m a s .

El d e s a r m e , en definitiva, ha de e m p e z a r r e c o n s i d e -
r a n d o las prioridades que e s t a b l e c e m o s y v i e n d o cuál
154 LA PAZ ES POSIBLE

ha de ser el a l c a n c e de su mirada. Si es el c o n j u n t o del


planeta lo que realmente n o s interesa, la seguridad ha
de e n t e n d e r s e desde esta d i m e n s i ó n universal, no c o n
planteamientos parciales o estatales. En los años ochenta
surgió c o n fuerza la idea de la seguridad cooperativa, o
seguridad en c o m ú n , d a n d o a e n t e n d e r que t o d o s está-
b a m o s de u n a m a n e r a u otra en el m i s m o b a r c o , y q u e
n a d a era legítimo ni o p o r t u n o si creaba inseguridad en
los d e m á s . A partir de este p r i n c i p i o se m u l t i p l i c a r o n las
O p e r a c i o n e s de M a n t e n i m i e n t o de la Paz desde N a c i o -
n e s U n i d a s , y se diseñaron los p r i m e r o s i n t e n t o s de dis-
m i n u i r progresivamente los ejércitos n a c i o n a l e s para
sustituirlos p o r u n a fuerza m u l t i n a c i o n a l al servicio de la
h u m a n i d a d . Sin e m b a r g o , diez a ñ o s h a n b a s t a d o para
ver lo m a l q u e se p l a n t e a r o n las c o s a s , lo fácil q u e resul-
ta militarizar o p e r a c i o n e s de paz, lo selectivos q u e llega-
m o s a ser para no intervenir en tantas s i t u a c i o n e s en las
que h a y p o b l a c i o n e s en peligro, y lo rentable q u e es, en
t o d o c a s o , h a b l a r de los ejércitos de h o y c o m o si fueran
O N G h u m a n i t a r i a s . L a verdad e s q u e e n e l ú l t i m o d e c e -
n i o , las fuerzas militares q u e h a n intervenido en o p e r a -
c i o n e s de paz sólo h a n r e p r e s e n t a d o el 2 % del total de
los efectivos militares e x i s t e n t e s e n e l m u n d o , c o n u n
p r e s u p u e s t o q u e t a m p o c o pasa del 2 % del gasto militar
m u n d i a l . La pregunta es obvia: ¿para q u é sirve el 98 %
restante? ¿A q u é se dedica?

M u c h a s o p e r a c i o n e s d e paz h a n sido u n estrepitoso


fracaso y h a b r á que replantear su función, pero a u n así
los datos anteriores n o s m u e s t r a n q u e la desmilitariza-
c i ó n es p o s i b l e y es necesaria, p o r q u e hasta q u e no deje-
EL DESARME Y LA NUEVA MIRADA A LA SEGURIDAD 155

m o s de malgastar tantos centenares de miles de m i l l o n e s


de dólares anuales y desaparezcan estos m i l l o n e s de s o l -
dados que s ó l o sirven para desfilar o perpetuar inercias
del pasado, y en m u c h o s países para t a m b i é n a m e d r e n -
tar a la propia p o b l a c i ó n respecto a la exigencia de c a m -
b i o s n e c e s a r i o s , el espacio de a c t u a c i ó n para el desarme
es i n m e n s o , p o r q u e lo q u e t e n e m o s ante n o s o t r o s es un
d e s c o m u n a l despropósito q u e sólo es capaz de generar
m á s p r o b l e m a s a los ya existentes.
C o n los a ñ o s , y en particular después de la década de
los sesenta, b a j o la égida de N a c i o n e s U n i d a s se han ido
firmando n u m e r o s o s tratados para limitar los efectos
m á s perversos de algunas a r m a s o para prohibir la utili-
zación de otras. Hay tratados q u e limitan el u s o del es-
p a c i o extraterrestre para fines militares, la fabricación o
uso de a r m a s q u í m i c a s o bacteriológicas, las p r u e b a s
nucleares en la atmósfera, la militarización de la Antárti-
da, el uso de a r m a m e n t o s de efecto i n d i s c r i m i n a d o o la
utilización de m i n a s . No h a y que despreciar en absoluto
estos avances, p o r q u e h a n p e r m i t i d o reducir el nivel de
algunos riesgos derivados del propio rearme, pero c a d a
u n o de ellos va seguido de trampas y de peros. A l g u n o s
tratados limitan armas obsoletas, pero posibilitan la in-
vestigación sobre n u e v o s materiales y el desarrollo de
nuevas tecnologías sustitutorias. O t r o s p o n e n límites o
p r o h i b i c i o n e s para los países q u e no d i s p o n e n de deter-
m i n a d a s armas, c o m o la nuclear, pero no h a n servido
para que q u i e n e s ya las tienen se d e s p r e n d a n definitiva-
m e n t e de ellas. H a y m u c h o que reclamar en esta parte
hará referida a las armas, y en particular a las armas c o n -
156 LA PAZ ES POSIBLE

v e n c i o n a l e s , que son las q u e se usan c o t i d i a n a m e n t e en


cualquier conflicto a r m a d o y en situaciones, no ya de
guerra, s i n o de criminalidad.
El n u e v o siglo ha e m p e z a d o m u y mal en este terre-
n o . Hay treinta países que tienen un gasto militar s u p e -
rior al de e d u c a c i ó n o salud. En E u r o p a , vuelven a surgir
v o c e s que r e c l a m a n más gasto militar para h a c e r frente a
la a m e n a z a del terrorismo, c o m o si el terrorismo se p u -
diera v e n c e r c o n m á s aviones d e c o m b a t e . E s t a d o s U n i -
dos prepara u n a n u e v a estrategia para enfrentarse a c u a -
tro e s c e n a r i o s b é l i c o s a la vez, se muestra dispuesto a
utilizar armas nucleares sobre países no n u c l e a r e s , y ha
puesto el t u r b o a un gasto militar sin p a r a n g ó n en el pla-
neta. La pregunta es sencilla: ¿a d ó n d e n o s c o n d u c i r á
esta d i n á m i c a ? ¿ H e m o s a p r e n d i d o tan p o c o del pasado
que v a m o s a repetir los errores de siempre? Hay s o b r a -
das razones, p o r tanto, para reabrir c o n fuerza el debate
sobre los m o d e l o s de seguridad, para frenar las d i n á m i -
cas a r m a m e n t i s t a s que n o s arruinan y destruyen, y para
exigir prioridad en la satisfacción de las n e c e s i d a d e s b á -
sicas de toda la p o b l a c i ó n m u n d i a l . Las armas no tienen
lugar alguno en un proyecto de paz.
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